Dias desses ouvi algo interessante que fez refletir o quanto somos inocentes egoístas nas relações interpessoais.
E o mais curioso é a naturalidade como uma pessoa se expressa, na certeza de que está fazendo algo bom e natural, quando, na verdade, apenas enseja justificar seu apelo a si mesma.
A frase soou na conversa: "Eu a (o) amo do meu jeito."
E veio o complemento dissuasório: "Ela (e) sabe disto, então não devia fazer drama."
Por algum tempo o diálogo prosseguiu sobre o assunto que, naquele momento, já perdera o significado na inquietude reflexiva daquelas palavras.
A incapacidade de se doar em uma relação, por si só inviabiliza a reciprocidade, mas a escusa vai além ao transferir a culpa do fracasso ao outro por "dramatizar" o abandono e a insensibilidade.
Em rápida alegoria é como convidar seu dito melhor amigo, vegano, para um almoço e servir um churrasco de picanha de angus.
E ao final ainda criticá-lo porque gastou uma fortuna e ele não comeu nada.
É nítido que seu objetivo não era agradar o outro, mas servir a si mesmo e ainda tentar mudar o gosto, a opinião alheia.
Ainda que não haja maldade nas ações, seus efeitos são expoentes e corroem qualquer relação.
Pare por alguns minutos e analise seu conceito de Amor, ele pode ser verdadeiro, mas apenas para você e neste caso é questão de tempo para deixar de ser recíproco.
Atente para quem está ao seu lado e quando quiser demonstrar amor ou gratidão, faça o cardápio de seu convidado.
Pode ter sua picanha, mas faça a salada para seu amigo e demonstre o quanto lhe preza.
Não precisa abandonar quem é, apenas aceitar também quem é o outro.
Sidnei Godinho
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