fevereiro 28, 2026

SOM. LUZ E PERCEPÇÃO - Eleutério Nicolau da Conceição


 

A PERCEPÇÃO DE CADA UM - Newton Agrella


Dia desses, caminhando por essas ruas do mundo, não pude deixar de perceber o semblante fechado e até certo ponto sisudo de grande parte das pessoas.

Mesmo os cães que passeavam com seus tutores, ao depararem-se uns com os outros, expressavam sua fúria através de seus latidos incontidos, marcando seu instinto de territorialidade.

A cara amarrada tomava conta das pessoas e dos cães.

Mais ou menos um tom monocórdico que desenhava o cenário com que se abria o dia.

Ainda pra ajudar, a manhã cinzenta de inverno contribuía sobremaneira pra que nada de tão especial pudesse acontecer...

E aí  dei-me conta, que muito provavelmente esta sensação irrepresada de tédio estivesse dentro de mim, enxergando a vida de maneira míope, sem perceber que eu estava me colocando na lateral da história.

Resolví tomar uma boa dose de fôlego, respirar fundo, levantar a cabeça e jogar um pouco de colírio nos olhos pra ganhar um pouco mais de ânimo.

Quem sabe assim eu poderia observar com mais tolerância e com maior naturalidade que o eixo do mundo não está situado no meu umbigo.

De repente bateu-me um estalo, e notei que a minha percepção das coisas estava um tanto turva.  

A mudança tem que partir de mim. Aprender a aceitar com menor rigor que a roda continua girando, porém numa velocidade diferente e que a vida segue seu curso ao sabor de um vento que sopra numa escalada que obedece uma reinterpretação de valores.

É claro, que matematicamente a soma de 1 + 1 sempre será 2.

Porém, filosoficamente essa mera questão aritmética, poderá ser entendida, conforme os desejos e as circunstâncias que cercam as necessidades de cada um.

Nossa existência não se explica e nem obedece as regras de um teorema.

Ela é pura e simplesmente um exercício de semântica em que as figuras de construção, imagem, linguagem e pensamento determinam os nossos caminhos.

Somos símbolos que se interpretam conforme as referências de nossa criação.



SOL & LUA NA MAÇONARIA - Kennyo Ismail

 






O Sol e a Lua, geralmente presentes em cada lado da parede do Oriente e tendo entre eles o trono do Venerável Mestre, destacados também no Painel de Aprendiz Maçom, sempre foram alvos das “especulações” dos estudiosos maçons.

Aliás, com tanta especulação sobre a simbologia maçônica, fica fácil compreender o verdadeiro significado do termo “Maçonaria Especulativa”!

Encontra-se de tudo por aí: Conforme alguns estudiosos de plantão, aquele Sol simboliza Mitras, Invictus, Horus, Rá ou Osíris, Hélio ou Apolo, a masculinidade, a Luz da Iniciação ou o símbolo do Oriente.

Já a Lua quarto-crescente seria o feminino, o segredo a ser revelado, a busca pela verdade, a palavra perdida e prestes a ser encontrada, ou até mesmo a ressurreição.

Isso sem contar nas interpretações absurdas, que não merecem citação.

O fato que parece passar despercebido para muitos é que esse Sol e Lua são, na verdade, um único símbolo.

A mais clara evidência disso é que, seja na parede do Oriente ou no Painel de Aprendiz, eles aparecem sempre juntos, em tamanhos iguais, na mesma altura e de lados opostos.

Nunca se vê apenas um ou o outro, porque se trata de um símbolo só.

Dessa forma, qualquer interpretação desses elementos realizada de forma separada já poderia ser um grande erro.

Temos no símbolo do Sol e Lua um dos símbolos mais antigos da Maçonaria.

Quando relacionados, o Sol é o emblema do meio-dia enquanto que a Lua é o emblema da meia-noite, ou seja, o início e o término dos trabalhos de todo maçom.

O Venerável Mestre, estando entre o Sol e a Lua, demonstra que comanda os trabalhos naquele período.

Esse simbolismo é creditado a Zoroastro, conforme muitos Rituais denunciam.

Zoroastro foi um importante profeta persa, considerado como um dos principais mestres dos Antigos Mistérios, chamado por muitos de “pai do dualismo” e tido como precursor de muitos pensamentos comuns entre as três vertentes religiosas de Abraão: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

A tradição diz que os trabalhos nos templos de Zoroastro ocorriam do meio-dia à meia-noite, e que sua filosofia tinha por base a cosmologia.

O antagonismo do dia e da noite, da claridade e da escuridão, era visto na natureza e no bem e o mal, presentes em cada ser humano.

Por que a Lua quarto-crescente?

Porque a astronomia ensina que a Lua quarto-crescente nasce ao meio-dia e se põe exatamente à meia-noite.

Assim, quando o Sol está em seu zênite, ao meio-dia em ponto, é quando a Lua quarto-crescente nasce, a qual se põe à meia-noite em ponto.

A lua quarto-crescente, tão importante para os Persas seguidores de Zoroastro, atravessou os milênios, tornando-se emblema da cultura árabe.

Esse fato não deixa dúvidas de que o símbolo do Sol e Lua na Maçonaria é realmente símbolo “do meio-dia à meia-noite” e de nada mais, apesar das especulações.



fevereiro 27, 2026

D. PEDRO II - PREFERIU O EXÍLIO À GUERRA CIVIL


 

Dom Pedro II governou o Brasil por quase 50 anos, foi um dos monarcas mais cultos do século XIX, falava mais de dez idiomas, financiava ciência, mantinha correspondência com Darwin e Victor Hugo e acreditava profundamente na educação como base de uma nação.

Mas, ao contrário do que muitos imaginam, ele não foi derrubado por um complô repentino, o Império acabou porque seu próprio imperador aceitou que ele não deveria continuar.

Pedro II não teve herdeiros homens vivos, seus dois filhos morreram ainda crianças. A sucessão recaiu sobre sua filha, a Princesa Isabel, legalmente, ela era a herdeira.

Politicamente, porém, o imperador nunca construiu um projeto sólido para perpetuar a monarquia.

Ele via o Império como uma instituição desgastada, pressionada por elites militares, escravocratas insatisfeitos e um país que mudava mais rápido do que a Coroa. 

Após a abolição da escravidão, em 1888, ele sabia que perderia o apoio das classes dominantes e aceitou o preço.

Quando o golpe republicano aconteceu, em 1889, Dom Pedro II proibiu qualquer reação armada, ordenou que ninguém lutasse em seu nome. 

Preferiu o exílio à guerra civil.

Partiu do Brasil levando poucos pertences, no bolso, quase nada. No travesseiro, um pouco de terra brasileira. 

Morreu dois anos depois, em Paris, sem jamais conspirar para voltar ao poder.

Ele poderia ter resistido, poderia ter provocado sangue.

Mas escolheu encerrar um regime para evitar que o país se partisse.

O Império não caiu gritando.

Caiu em silêncio com o consentimento do homem que o governava.

Fonte: DomPedroII #HistoriaDoBrasil #Curiosidades #BrasilImperio #Cultura

MAÇONARIA – LIVRE E DE BONS COSTUMES - LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE - Daniel Cavalcanti*



Sempre ouvi dizer que a maçonaria apóia-se em três pilares que são fundamentais para o desenvolvimento do homem em si (lapidação da pedra bruta). 

Hoje percebo que tudo na teoria é muito fácil, todavia, quando partimos para a prática notamos que qualquer instituição composta por homens (seres-humanos em geral) estão sujeitas às intempéries da vida no mundo profano.

Aprendi que para iniciar, o candidato deve ser “Livre e de Bons Costumes” e que uma vez iniciado o lema principal é *“Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.*

Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém.

Será que todo Maçom é “LIVRE”?

Igualdade é a ausência de diferença.

A igualdade ocorre quando todas as partes estão nas mesmas condições, possuem o mesmo valor ou são interpretadas a partir do mesmo ponto de vista, seja na comparação entre coisas ou pessoas.

Depois de iniciado, o então Aprendiz Maçom, inicia os estudos e os primeiros passos almejando subir cada degrau na Escada de Jacó.

Compreendo que a hierarquia é de extrema importância para o desenvolvimento de um sistema doutrinário e organizacional (seja ele simbólico ou filosófico). 

Hierarquia significa organização fundada sobre uma ordem de prioridade entre os elementos de um conjunto ou sobre relações de subordinação entre os membros de um grupo, com graus sucessivos de poderes, de situação e de responsabilidades.

Será que todo Maçom pratica a “IGUALDADE”?

Fraternidade é um termo oriundo do latim frater, que significa "irmão". 

Por esse motivo, fraternidade significa parentesco entre irmãos.

A fraternidade universal designa a boa relação entre os homens, em que se desenvolvem sentimentos de afeto próprios dos irmãos de sangue.

Fraternidade é o laço de união entre os homens, fundado no respeito pela dignidade da pessoa humana e na igualdade de direitos entre todos os seres humanos.

Será que todo Maçom é “FRATERNO”?

Concluo tais palavras trazendo à memória de cada um dos irmãos a lembrança do que realmente viemos fazer aqui, segundo o trolhamento do grau de Aprendiz Maçom.

Deixemos TODAS as nossas diferenças de lado meus respeitáveis irmãos!

A Arte Real está muito acima de qualquer vaidade humana que seja.




fevereiro 26, 2026

HIPOCRISIA - UM GRANDE INIMIGO DA MAÇONARIA E DA HUMANIDADE.!!!

 



A hipocrisia se revela, pois nenhuma pedra mal esculpida consegue esconder suas rachaduras por muito tempo. Há aqueles que invocam a virtude sem praticá-la, proclamam a justiça sem segui-la e fazem discursos solenes enquanto suas ações contradizem cada palavra. 

Eles carregam a linguagem da moralidade como se fosse uma joia emprestada, usando-a apenas quando convém aos seus interesses. Não são governados por princípios, mas por cálculos; Eles não conhecem a lealdade, mas a conveniência. Mudam de rumo como cata-ventos, esquecendo que o verdadeiro trabalhador permanece fiel ao seu trabalho, mesmo quando o vento é adverso. 

Hipocrisia não é ignorância: é uma escolha consciente. É a renúncia ao trabalho interior, o abandono do polimento da pedra bruta, a covardia de quem tem medo de se olhar à luz da oficina. Quem finge foge de si mesmo. 

Mas nenhuma máscara resiste à passagem do tempo ou à ação constante da verdade. A Luz, paciente e justa, acaba revelando o que estava escondido. E quando o véu cai, apenas aquilo que foi construído com retidão, silêncio e coerência permanece de pé.

Fonte: ÁTRIO DO SABER - MAÇONARIA & AMORC/CIÊNCIAS & FILOSOFIAS

ESTOICISMO: EQUILÍBRIO, JUSTIÇA E SABEDORIA - Giovanni Angius

 


O  de filosofia fundada por Zenão de Citio na Grécia Antiga, por volta do século III aC, quando assimilado e devidamente posto em prática, remete-nos para uma vida de equilíbrio, serenidade e propósito. 

Ele ensina-nos a focar no que está ao nosso controle – as nossas atitudes, pensamentos e escolhas, aceitando com coragem e sabedoria o que é inevitável. 

Ao valorizar a virtude como o bem maior e cultivar a razão, o Estoicismo guia-nos para uma existência pautada pela excelência moral, pela liberdade interior e por uma profunda harmonia com a ordem do universo.

É, essencialmente, um caminho para a verdadeira felicidade, independente das circunstâncias externas.

O Estoicismo e a Filosofia Maçónica compartilham fundamentos essenciais que orientam o homem na busca pela sabedoria, pelo autodomínio e pela rectidão moral. 

Ambos reconhecem que a verdadeira liberdade e felicidade não dependem das circunstâncias externas, mas da maneira como o indivíduo conduz a sua própria vida, cultivando virtudes e buscando a harmonia com a ordem universal.

Na Maçonaria, o iniciado é um buscador da Luz, que representa o conhecimento, a verdade e a compreensão mais profunda da existência. 

Este caminho é trilhado por meio da razão, do estudo e da reflexão, de forma semelhante ao ideal estóico de focar no que está sob o nosso controle: as nossas atitudes, pensamentos e escolhas. 

O maçom, assim como o estóico, aprende a aceitar com serenidade o que não pode mudar e a transformar a si mesmo por meio da prática da virtude.

A busca pela Verdade na Maçonaria está intrinsecamente ligada ao uso da razão e ao aprimoramento contínuo do ser. 

O estóico encontra essa mesma verdade ao viver conforme a natureza e a razão, compreendendo que a virtude é o maior bem. 

Assim, ambos os caminhos rejeitam a escravidão das paixões desordenadas e dos desejos efémeros, promovendo uma existência pautada na excelência moral e no compromisso com valores elevados.

Tanto a Filosofia Estóica quanto a Maçonaria ensinam que a vida tem um propósito maior do que a mera satisfação pessoal. 

O homem deve se tornar um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria, contribuindo para o bem-estar da humanidade e encontrando, na rectidão do seu carácter, a verdadeira felicidade.

A ideia de que o homem deve se tornar um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria reflecte um ideal elevado tanto para o estóico quanto para o Maçom. 

Este conceito remete à necessidade de um desenvolvimento integral do ser, no qual ele se torna não apenas um indivíduo virtuoso, mas também um exemplo e um sustentáculo para aqueles ao seu redor.

Quando o homem se torna um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria, não apenas transforma a si mesmo, mas também impacta a sua família, a sua comunidade e, em última instância, a humanidade. 

Ele se torna um exemplo de conduta recta, um conselheiro nos momentos difíceis e um defensor daquilo que é justo e verdadeiro. 

Este papel transcende qualquer posição social ou título; é uma missão de vida que ele abraça com consciência e responsabilidade.

Desta forma, tanto o Estoicismo quanto a Maçonaria ensinam que a excelência moral não é um fim em si mesma, mas um meio para cumprir um propósito maior. 

Ser um pilar de equilíbrio, justiça e sabedoria significa tornar-se um instrumento da ordem e da harmonia no mundo, agindo com serenidade, rectidão e discernimento. 

É, em última instância, assumir o dever de iluminar o caminho para aqueles que ainda andam pelas sombras da ignorância e do vício.





fevereiro 25, 2026

LUVAS BRANCAS - Ir. Sérgio Quirino Guimarães



Quem não se lembra dessa frase: “Estas são destinadas àquela que mais direito tiver à vossa estima e ao vosso afeto”? E dá vontade de entregá-las à amada após a Iniciação! Todos nós sabemos que representa a distinção e a pureza, mas também a OBRIGAÇÃO de manter as “mãos” imaculadas.

No Dicionário de Maçonaria do Irm Joaquim Gervário há um comentário de Wirth que expressa bem a relação da presenteada, do presente e do presenteador: “As luvas brancas, recebidas no dia de sua iniciação, evocam ao maçom a recordação de seus compromissos. A dama que lhes mostrará as luvas se estiver a ponto de fracassar, lhe aparecerá como sua consciência viva, como a guardiã de sua honra. Que missão mais elevada poderia ele confiar à dama que mais ele ama?” Como praticamos a Maçonaria Simbólica é de bom uso deixarmos em nosso ambiente de trabalho pelo menos uma peça da luva. 

Vivemos em mundo muito competitivo e se não estivermos atentos acabamos nos envolvendo nessa luta sem vencedores. Uma luva colocada em um saquinho plástico no cantinho da gaveta pode ser o “ponto” que nos recordará dos valores e virtudes maçônicas: Tolerância, Ética, Verdade, Caridade, Amor, Fraternidade, Honestidade e vários outros valores que às vezes nós mesmos colocamos à prova por conta de um maior ganho material. 

Saibamos usar as luvas não somente nas atividades de gala da Loja, mas tenhamos também por elas o comprometimento de não maculá-las para quando passarmos ao Oriente Eterno possamos usá-las com distinção e classe ou teremos que voltar para lavá-las com muita água e sabão! 

Quanto às luvas entregues às cunhadas, conte para elas esta história: Nos Estados Unidos havia um grande cirurgião de nome William Stewart Halstedt, além de sua fantástica habilidade cirúrgica, ainda entrou nos anais da medicina como importante inventor de equipamentos médicos; ele era apaixonado por uma de suas assistentes de cirurgia, a enfermeira Caroline Hampton. 

Por conta de manusear produtos químicos para a esterilização dos equipamentos, ela desenvolveu uma forte dermatite o que a impossibilitou de trabalhar com o Dr. William que por sua vez sentiu se fragilizado pela ausência da amada deixou de operar. Logicamente a situação foi ficando preocupante e ele procurou um empresário que havia recentemente descoberto um novo produto, seu sobrenome era Goodyear (ele mesmo, o dos pneus) pedindo para que o mesmo produzisse luvas de borracha para a proteção de Caroline e para que não houvesse constrangimentos para ela, toda a equipe passou a usar as referidas luvas, que na época eram pretas e grossas. 

Com as novas tecnologias elas se tornaram delicadas como em toda boa estória de amor, o Doutor e a Enfermeira se casaram, trabalharam juntos por muitos anos e o que hoje chamamos de luvas cirúrgicas, por muitos anos foram chamadas de “luvas do amor”, por conta de tudo o que se passou e pela pureza que representa ao serem manuseadas no tratamento dos enfermos.

REINTEGRAÇÃO DO COMPANHEIRO - Rui Bandeira



A Passagem a Companheiro é um anti-clímax. 

Depois de uma cerimónia de Iniciação que o marcou, depois de um período de Aprendizagem em que foi confrontado com uma luxuriante quantidade de símbolos, em que focou a sua atenção nos aspectos da espiritualidade, o novo Companheiro ascende a esse grau através de uma cerimónia simples e singela. 

E inicia um período de trabalho em que depara com muitos poucos símbolos novos e lhe é pedido que foque a sua atenção em algo que, provavelmente, foi objeto dela na maior parte da sua vida: o Homem, as Ciências e as Artes.

De repente, a novidade desaparece, o que se vislumbra nesta parte do caminho do maçon é o mesmo que qualquer profano medianamente culto vê no seu dia a dia. 

Naturalmente que o panorama se mostra menos interessante, que é admissível e até natural o pensamento de que não se vislumbra grande diferença entre a Maçonaria e o Mundo Profano. 

Naturalmente que o novo Companheiro descobre em si um misto de sentimentos que lhe desagradam: desilusão, estranheza, indiferença. 

Para quê voltar a estudar o que já se estudou? 

Ou que real vantagem se tira de iniciar um estudo, autodidacta e limitado, de uma qualquer outra disciplina científica ou artística diferente daquela a que profissionalmente nos consagrámos? 

Não será o grau de Companheiro o mais gritante dos anacronismos da Maçonaria? 

Talvez porventura no século XVIII se justificasse. 

Então imperava o analfabetismo, muitas das ciências davam os primeiros passos, o Iluminismo era ainda recente… 

Mas, nos dias de hoje, que interesse e justificação tem pedir-se a homens cultos, muitos licenciados e doutorados que… estudem o Homem e as ciências e as artes? 

Tudo isto são interrogações legítimas, preocupações compreensíveis, hesitações evidentes. 

Mas por tudo isto é necessário passar, para se concluir a formação maçónica!

Em primeiro lugar, este quadro cinzento permite que se tire uma lição: a Maçonaria não é um glorioso caminho de excelsas novidades, que o maçom percorre pisando a passadeira vermelha da exaltação espiritual. 

Ou, pelo menos, não é só isso. 

A Maçonaria, como tudo na vida, tem coisas agradáveis e coisa menos agradáveis. 

Tem o que nos dá prazer e conforto e motivação. 

Mas também tem o que nos é mais penoso, menos atractivo, mais aborrecido. 

A Maçonaria é, no fundo, um método de aprendizagem da Vida. 

E a Vida é assim mesmo: tem o agradável e o menos agradável, o exultante e o aborrecido, o saboroso e o insosso. 

Isto para além de que o que é saboroso para uns é insosso para outros, o que agrada a una quantos, é indiferente a tantos outros, o que exalta estes aborrece aqueles. 

A diversidade de opções, de vias, a integração e valorização da individualidade através do grupo implicam que todos, de quando em vez e mesmo frequentes vezes, suportem algo que lhes é menos agradável em prol dos demais. 

A diversidade é uma riqueza, mas também um fardo!

Em segundo lugar, há que aprender ou relembrar que o Homem é tão mais interiormente rico quanto mais diversificados forem os seus interesses. 

Vivemos em tempos de especialização. 

Em contraponto, a Maçonaria lembra-nos as vantagens (mas também os inconvenientes…), a riqueza (e o esforço…), a essencialidade (e a penosidade…) de se ser um Homem integral, harmoniosamente desenvolvido científica, cultural e espiritualmente.

Mas a aquisição destas noções, o relembrar destes princípios constitui, inicialmente, um choque. 

O novo Companheiro tem a sensação de que, em vez de progredir, está a regredir. 

E, mesmo que o não verbalize, não se pode impedir de sentir um certo desapontamento. 

É por isso que é essencial um trabalho de reintegração do Companheiro. 

Não uma simples integração no grupo, que já está feita, mas de reintegração no espírito de crescimento, de aperfeiçoamento, através das diferentes ferramentas que agora se lhe pede que utilize.

Os Mestres, e em particular o Primeiro Vigilante da Loja (o oficial que tem a seu cargo o acompanhamento da coluna dos Companheiros), devem, nesta fase, colocar-se á inteira disposição do Companheiro. 

Procurar esclarecer-lhe as dúvidas. 

Apontar-lhe o caminho. 

Traçar-lhe objectivos. 

Permitir-lhe que venha a perceber, à luz dos conhecimentos simbólicos que, enquanto Aprendiz, adquiriu, a necessidade deste período especificamente destinado ao estudo do que é terreno, do que é material, do que é humano.

É a hora de relembrar ao Companheiro todos os símbolos de dualidade com que se confrontou e esperar que ele tire as suas conclusões. 

É o momento de lhe relembrara a frase, que lhe soou talvez tão enigmática, de que o que está em cima é como o que está em baixo. 

É afinal a ocasião para que o Companheiro ganhe a noção de que, mesmo quando lida com coisas muito práticas, ainda então e assim isso tem um significado simbólico. 

E aí o Companheiro regressa a águas conhecidas…

É altura de realçar que novos conhecimentos, ricos cambiantes, diferentes tonalidades se surpreendem ao revisitar, à luz dos conhecimentos que adquirimos em Maçonaria e da melhoria espiritual que progressivamente buscamos alcançar, as ciências e as artes que tão bem julgamos conhecer.

E então estará aberta a via para que a desilusão desapareça, o aborrecimento esmoreça, a estranheza se dissipe. 

O Companheiro, devidamente apoiado, por ele mesmo compreenderá a razão de ser deste regresso às coisas terrenas e do Homem, a necessidade de o empreender, o trampolim que constitui para o avanço seguinte.

No fim, o Companheiro compreenderá algo que aprendeu na sua Passagem: *que, por vezes, é necessário um desvio e um regresso ao rumo, para poder prosseguir caminho*…




fevereiro 24, 2026

ARLS GUARDIÕES DO SANGREAL 435 - GOP



 

Um número expressivo de irmãos de diversas Lojas das três potências regulares e reconhecidas compareceu na noite de ontem a ARLS Guardiões do Sangreal 435 do Grande Oriente Paulista, na Vila Maria, para assistir a uma excelente palestra intitulada Os Doze Trabalhos de Hércules e a Maçonaria, ministrada pelo irmão Julinho. Julio Cesar Cadamuro, bibliotecário adjunto da GLESP.

O Venerável Mestre Sérgio de Jesus, após receber os irmãos e convidados com simpatia, conduziu a sessão com segurança e leveza. A palestra, uma alegoria muito inteligente, refletiu os trabalhos do herói grego nos ações maçônicos e apresentou importantes lições que calaram fundo nos ouvintes.

Como Grande Bibliotecário, representando o SGM Jorge Anísio Haddad, usei da palavra cumprimentando o VM e o quadro da Loja por esta belíssima sessão e presenteei a Loja com um de meus livros, "Maçonaria de Isaac Newton à Internet". Também apresentei o trabalho que estou fazendo em benefício dos desabrigados pelos temporais que tem inundado a Baixada Santista e especialmente a minha cidade de Mongaguá.

Na foto debaixo, Michael Winetzki, VM Sérgio de Jesus e Julio.Cesar Cadamuro.

O DIA EM QUE A BUROCRACIA NASCEU - Rogerio de Paula

 



O dia em que a burocracia nasceu: quando a humanidade aprendeu a registrar a própria história

Muito antes do papel, dos livros e dos arquivos digitais, a humanidade já lidava com algo que ainda hoje faz parte do nosso cotidiano: a necessidade de registrar informações. Esse marco fundamental ocorreu há mais de 5.000 anos, no período conhecido como Antiguidade Oriental, nas férteis terras da Mesopotâmia, situadas entre os rios Tigre e Eufrates. Foi ali que os sumérios protagonizaram uma das maiores revoluções intelectuais da história: a invenção da escrita.

Diferente do que muitos imaginam, a escrita não surgiu para contar histórias épicas ou poemas religiosos. Sua função inicial era extremamente prática: controlar estoques de grãos, registrar a distribuição de rações de cerveja, organizar impostos e garantir o funcionamento da economia dos primeiros centros urbanos. Em cidades que já erguiam monumentais zigurates e mantinham complexas redes comerciais, os escribas gravavam sinais em tabuletas de argila úmida utilizando estiletes de junco, dando origem à chamada escrita cuneiforme.

O mais impressionante é que essas tabuletas atravessaram milênios quase intactas. Graças a elas, hoje conhecemos contratos, códigos de leis, hinos religiosos e até reclamações de consumidores insatisfeitos com mercadorias defeituosas. A escrita marcou o momento em que a humanidade deixou de depender apenas da memória oral e passou a preservar o conhecimento de forma permanente, permitindo sua transmissão ao longo das gerações. Foi, sem exagero, o nascimento da história registrada e da própria administração pública.

Ao final, fica claro que a escrita não foi apenas uma invenção técnica, mas uma transformação profunda na maneira como os seres humanos pensam, organizam o mundo e se relacionam com o tempo. Aqueles simples registros contábeis em argila lançaram as bases da civilização, da ciência, do direito e da cultura como a conhecemos hoje.

Fontes:

KRAMER, Samuel Noah. A História Começa na Suméria. Martins Fontes.

VAN DE MIEROOP, Marc. A History of the Ancient Near East. Wiley-Blackwell.

BOTTÉRO, Jean. Mesopotâmia: A Escrita, a Razão e os Deuses. Editora Perspectiva.



MAÇONARIA - ESPÍRITO e MATÉRIA - Newton Agrella



A filosofia maçônica é aquela, que dotada da mais legítima propriedade intelectual, promulga a prevalência do espírito sobre a matéria.

Este conceito dialético estimula desde a mais tenra idade maçônica, que o neófito busque através da manifestação da Vontade a entregar-se à busca inabalável do Conhecimento.

Só se atinge a Luz quando se sai da Escuridão.

Assim, o Setentrião é o território mais inóspito, em que o Iniciado tem como trabalho: ouvir, contemplar, prestar atenção e a entender o significado das ferramentas que lhe são apresentadas para começar a dar forma, consistência, equilíbrio   e sustentação ao seu próprio edifício moral.

Na Sublime Ordem o conceito de Espírito distingue-se da alma (personalidade) e do divinal - dedicando-se exaustivamente ao exercício especulativo em busca do Autoconhecimento, da Moralidade e da Luz.

O propósito é promover a ordem e a harmonia imaterial do ser humano  vinculadas a uma "referência de origem" que podemos denominar como "Princípio  Criador e Incriado do Universo"  que se manifesta dentro de cada um, estabelecendo uma distinção da alma (personalidade) e do transcendental num processo infindável pelo autoconhecimento hominal e pela Verdade,  numa jornada de evolução e aprimoramento consciencial. 



fevereiro 23, 2026

ALBERT PIKE NA KKK? - Luciano J. A. Urpia

 



A alegação de que Albert Pike foi um líder ou fundador da Ku Klux Klan é uma desinformação histórica ainda presente. A origem desse boato remonta a publicações do início do século XX, como o livro do historiador Walter L. Fleming em 1905 e a obra de Susan L. Davis em 1924, que adicionaram o nome de Pike a relatos sobre a Klan baseando-se unicamente em reminiscências não documentadas de ex-membros, décadas após os eventos. Não há qualquer documento de época, carta oficial ou registro contemporâneo que comprove a participação de Pike na organização secreta.

A fragilidade dessas acusações fica evidente quando se examina o contexto. O relato original da fundação da Klan, escrito em 1884 por um de seus criadores, John C. Lester, não cita Albert Pike. Foi apenas na reedição de Fleming, vinte e um anos depois e catorze anos após a morte de Pike, que sua imagem apareceu como um suposto "oficial judicial", um título sequer existente nos estatutos oficiais da Klan. Autores posteriores, como Claude Bowers, repetiram a história sem apresentar novas evidências, simplesmente ecoando Fleming e Davis, que por sua vez se apoiaram em testemunhos orais de terceiros, sem qualquer documentação corroborativa.

É crucial distinguir a infame lenda da realidade histórica. O simples fato de alguns membros da Klan também serem maçons não estabelece qualquer vínculo institucional, assim como a presença de maçons entre os mais ferrenhos oponentes da Klan, como o General Benjamin Butler, que redigiu as leis para combatê-la, demonstra a falácia de generalizar. Embora Albert Pike, como produto de seu tempo, tivesse visões preconceituosas para os padrões atuais, isso não equivale a uma prova de filiação à Klan. As alegações de sua liderança são, na verdade, boatos que ganharam status de "fato" através da repetição acrítica por parte de historiadores tendenciosos da chamada "Escola Dunning", que buscavam glorificar a causa sulista e retratar a Klan de forma heroica, distorcendo a história da Reconstrução Americana.

Colaboração: Grand Lodge os British Columbia and Yukon.

.Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA