abril 09, 2026

A CRIAÇÃO DO MARCA-PASSO



Pegou a peça errada por engano. E esse erro hoje salva milhares de vidas todos os dias.

Universidade de Buffalo. Noite avançada no laboratório de eletrônica.

Wilson Greatbatch tinha os olhos cansados. Estava trabalhando há horas, tentando construir um dispositivo para registrar batimentos cardíacos para fins de pesquisa médica. Não era nada revolucionário, apenas um aparelho simples para ajudar os médicos a controlar o ritmo cardíaco.

Precisava de uma resistência. Colocou a mão na caixa de componentes sem prestar muita atenção. As bandas coloridas pareciam corretas sob a luz ténue.

Não eram.

Soldou a peça no circuito: 1 megaohm em vez dos 10 kiloohms que precisava. Ligou os cabos e acionou o interruptor.

O dispositivo não registou nada.

Em vez disso, começou a emitir pulsos.

Bip. Un segundo de silencio. Bip. Un segundo de silencio.

Greatbatch ficou olhando para o osciloscópio. Apareceu um pico perfeito por 1,8 milissegundos e depois desapareceu. Exatamente um segundo depois - bip - voltou. Ritmo perfeito. Tempo perfeito.

Seu registrador falhado batia como um coração humano.

“Fiquei olhando para aquilo com incredulidade”, escreveria mais tarde, “e então percebi que era exatamente o que era preciso para estimular um coração”.

Eu já tinha visto bloqueio cardíaco antes, uma doença em que o ritmo cardíaco fica perigosamente lento ou até mesmo para. Na década de 1950, muitas vezes era mortal.

Os pacemaker externos eram enormes, dolorosos e dependiam da corrente elétrica. Se a luz se apagasse, o coração parava.

Greatbatch viu o pequeno circuito que tinha na mão. Então surgiu uma ideia radical: e se o pacemaker pudesse ir dentro do corpo?

O mundo médico insistiu que a eletrônica não pertencia ao interior de um ser humano. O corpo era hostil ao metal. A ideia parecia impossível.

Mas Greatbatch não desistiu. Tinha 2.000 dólares economizados e uma convicção inabalável.

Limpou um espaço no seu celeiro em Clarence, Nova Iorque, e deixou o emprego. Nos anos seguintes, o celeiro tornou-se o seu laboratório. Eleanor, sua esposa, ajudou-o a testar componentes.

O maior desafio era proteger o dispositivo dos fluidos do corpo.

Tentou fita adesiva. Tinha fugas. A resina epóxi estava rachando. Ensaiou com pneus e plásticos. Cada falha consumia suas poupanças.

Os médicos avisaram-no: “A bateria vai acabar. Terá que reabrir o paciente.”

Os engenheiros duvidaram dele: "Nunca vai funcionar".

Mas ele continuou.

Em 1958, Greatbatch fez uma parceria com o Dr. William Chardack e o cirurgião Andrew Gage. Testaram o dispositivo em um cão.

O coração do animal bateu com um ritmo perfeito graças ao pacemaker.

Funcionou, mas só por algumas horas antes que os fluidos corporais danificassem o aparelho. Mas funcionou.

Greatbatch voltou para o celeiro e usou uma resina especial. Desta vez, durou mais.

6 de junho de 1960, Hospital Millard Fillmore.

Um homem de 77 anos estava morrendo. Seu coração batia muito devagar. Já não havia opções.

Os cirurgiões implantaram o pacemaker de Greatbatch. Depois fecharam a incisão.

O coração continuou batendo.

Pela primeira vez, um pacemaker implantado mantinha uma pessoa viva.

No final de 1960, outros nove pacientes tinham recebido o pacemaker.

Na década de 1970, Greatbatch melhorou a duração da bateria do dispositivo.

Centenas de milhares de pacemaker são implantados hoje por ano em todo o mundo, salvando e prolongando inúmeras vidas.

Tudo porque um engenheiro cansado pegou a resistência errada e soube ver algo extraordinário.

Wilson Greatbatch morreu em 2011, aos 92 anos. Seu celeiro ainda está de pé, como um lembrete do que a determinação pode alcançar, um erro e uma única ideia.

Às vezes, a peça errada é exatamente a certa.

Fonte: U.S. Department of Veterans Affairs ("The invention of the cardíaco pacemaker", 2 de agosto de 2018)

VENERÁVEL COLÉGIO - Fernando Colacioppo



A Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras esteve representada com a presença do Presidente Michael Winetzki e do Secretário Adilson Zotovici, além do confrade Ernesto Quissak, cuja erudita apresentação deu o tom das debates de alto nível sobre Baruch Spinoza.

............................

O Venerável Colégio promoveu encontro com debates filosóficos e ação social em São Paulo

O Venerável  Colégio realizou, no dia 08 de abril de 2026 (quarta-feira), às 20h, uma importante sessão voltada aos Veneráveis Mestres e Mestres Instalados, reunindo lideranças maçônicas para um encontro de reflexão, conhecimento e fortalecimento institucional.

O evento aconteceu no Templo Nobre da GLESP, localizado na Rua São Joaquim, 138, 1º andar, na capital paulista, espaço tradicional que frequentemente recebe reuniões de alto nível da Maçonaria no estado de São Paulo.

Temas de relevância social e filosófica

A programação contemplou dois temas centrais que prometem enriquecer o debate entre os presentes:

    • Ação Social Gonçalves Ledo: abordando sua essência, funcionamento e objetivos, destacando o papel da Maçonaria na promoção de ações beneficentes e no impacto positivo junto à sociedade.

    • O Deus de Espinoza e a Maçonaria: uma reflexão filosófica profunda sobre a concepção de divindade segundo Baruch Espinoza e sua possível relação com os princípios maçônicos.

A escolha dos temas demonstra o equilíbrio entre a atuação prática da Ordem — por meio da ação social — e o constante aprimoramento intelectual e espiritual de seus membros.

🏛️ Tema 1: Ação Social Gonçalves Ledo – O que é? Objetivos? 

A chamada Ação Social Gonçalves Ledo inspira-se na figura de Joaquim Gonçalves Ledo, um dos grandes nomes da Maçonaria brasileira e protagonista nos ideais de liberdade, cidadania e construção nacional. 

🔎 O que é?

 Trata-se de um conjunto de iniciativas promovidas por Lojas Maçônicas, Corpos Filosóficos ou entidades paramaçônicas com foco em assistência social organizada, voltada ao atendimento de comunidades em situação de vulnerabilidade. 

Mais do que caridade pontual, a Ação Social Gonçalves Ledo representa a materialização prática dos princípios maçônicos, transformando valores em ações concretas. 

🎯 Objetivos principais: 

 Promover dignidade humana por meio de ações sociais contínuas; 

 Estimular a educação, cidadania e inclusão social; 

 Atuar no combate à desigualdade e à exclusão; 

 Desenvolver o espírito de solidariedade ativa entre os Irmãos; 

 Ser instrumento de transformação social consciente, e não apenas assistencialismo. 

📜 Visão maçônica:

 A verdadeira Maçonaria não se limita ao templo — ela se projeta na sociedade. A Ação Social Gonçalves Ledo representa o maçom em ação, edificando não apenas seu templo interior, mas também contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. 

🔺 Tema 2: O Deus de Espinoza é o da Maçonaria? 

O pensamento de Baruch Spinoza oferece uma reflexão profunda que dialoga, em muitos aspectos, com a visão filosófica da Maçonaria. 

🔎 O Deus de Espinoza:

 Espinoza concebe Deus como uma realidade única, infinita e imanente, identificada com a própria natureza — uma ideia frequentemente resumida como “Deus sive Natura” (Deus ou Natureza). 

Esse Deus: 

 Não é antropomórfico (não possui forma humana); 

 Não interfere diretamente nos acontecimentos; 

 É a própria ordem e harmonia do universo. 

🔎 E na Maçonaria?

 A Maçonaria refere-se ao Criador como Grande Arquiteto do Universo (G∴A∴D∴U∴), uma expressão simbólica que permite a convivência de diferentes crenças dentro da Ordem. 

📜 Esse conceito: 

 Não define uma religião específica; 

 Representa um princípio criador e ordenador; 

 É acessível à compreensão de homens de diversas tradições espirituais. 

⚖️ Comparação: 

 O Deus de Espinoza é filosófico e impessoal; 

 O G∴A∴D∴U∴ é simbólico e universalista; 

 Ambos rejeitam limitações dogmáticas e incentivam uma visão racional e contemplativa do divino. 

Conclusão maçônica:

 Embora não sejam idênticos, há grande afinidade entre o pensamento de Espinoza e a visão maçônica. Ambos apontam para um entendimento do divino que transcende formas rígidas, convidando o homem à reflexão, à harmonia com o universo e ao aperfeiçoamento interior. 

🔺 Síntese Final 

 A Ação Social Gonçalves Ledo representa o braço ativo da Maçonaria na sociedade. 

 O Deus de Espinoza, embora não seja oficialmente o da Maçonaria, dialoga profundamente com a ideia do Grande Arquiteto do Universo. 

📜 Em ambos os temas, encontramos a mesma essência:

 a busca pela verdade, pelo equilíbrio e pela construção de um mundo melhor — dentro e fora de nós.

Integração e fortalecimento da Ordem

A iniciativa reforça o compromisso do Venerável Colégio com a formação contínua de seus integrantes, promovendo não apenas o intercâmbio de ideias, mas também a união entre os irmãos em torno de valores comuns.

Sob a liderança do Presidente do Venerável Colégio e Grão-Mestre Adjunto, Cesar Augusto Garcia, o encontro se consolida como uma oportunidade de aprofundamento filosófico e alinhamento institucional, fortalecendo ainda mais os laços da Maçonaria paulista.



A TRINGULAÇÃO MAÇONICA - Luciano J. Urpia





A Triangulação foi uma medida tomada pelos Maçons portugueses, no fim do século 19 e início do século 20 que consistia em dividir os obreiros de cada Loja em pequenos grupos de até cinco Irmãos. Quanto maior o número de obreiros de uma Oficina, maior a quantidade de grupos, mas nunca poderia passar de cinco pessoas.

Estes grupos foram denominados de "Triângulos" e já foram preconizados em 1898 pela Maçonaria portuguesa, como medida estrutural, e determinados pelo Conselho da Ordem em junho de 1929, janeiro de 1932 e 1935, como medida de defesa contra perseguições governamentais.

Também em 1918, foi adotado por algumas Lojas do Grande Oriente Lusitano Unido e do Supremo Conselho dissidente.

A Triangulação funcionava da seguinte forma: em vez de reuniões de dezenas de Irmãos, facilmente detectáveis pelas autoridades (o país estava vivenciando uma ditadura iniciada em 1926) ou pelos seus espiões, os "Triângulos" reuniam de três a cinco Irmãos em residências particulares, e até em locais público, ou em restaurantes (naturalmente que sem o uso da ritualística). Assim, a Maçonaria Portuguesa ficou camuflada e salva.

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA Por Luciano J. A. Urpia

.


abril 08, 2026

OS TEMPLÁRIOS E A MAÇONARIA - Kennyo Ismail



Teorias de que a Maçonaria nasceu da Ordem dos Templários; incontáveis graus e ordens maçônicas templárias; e até mesmo a Ordem DeMolay; tudo isso é reflexo do Discurso de Ramsay.

Andrew Michael Ramsay era um escocês convertido ao catolicismo e que viveu na França. Em 1723, tornou-se Cavaleiro da Ordem dos Lazaristas, uma das ordens militares que havia lutado nas Cruzadas. Era próximo de Montesquieu, com quem ingressou na Royal Society, em 1729, além de terem a Maçonaria como algo em comum, sendo ambos iniciados na "Horn Lodge", que se reunia no Palace Yard, em Westminster, mas provavelmente em datas distintas (320). Em 1730, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Oxford, quando então retorna à França.

Em março de 1737, servindo como Grande Orador da Grande Loja da França, Ramsay escreveu um discurso para uma iniciação, no qual enaltecia a maçonaria escocesa na França como sucessora dos cavaleiros das Cruzadas, que estiveram nas ruínas do Templo de Salomão e lá encontraram os segredos da Maçonaria. O discurso, que acabaria sendo publicado e promovendo forte impacto na Maçonaria como a conhecemos, não mencionava explicitamente a Ordem do Templo, mas esta já fazia parte do folclore francês (321).

O mais interessante é onde o chamado "Discurso pronunciado na recepção de Maçons pelo Sr. Ramsay, Grande Orador da Ordem" , que viria a ser resumido apenas como "Discurso de Ramsay", foi publicado, em 1741: no "Almanach des cocus ou Amusemens pour le beau sexe", que pode ser traduzido do francês como "Almanaque dos cornos ou Entretenimento para o bom sexo", que era a versão francesa da época para uma revista pornográfica (322).

Para compreender a motivação de Ramsay na criação de sua narrativa, deve-se considerar o cenário político francês da época. A França vivia uma monarquia absolutista, tendo o Cardeal Fleury como Primeiro-Ministro. E Fleury já havia tornado pública sua insatisfação com a Maçonaria, que abraçava o Iluminismo e era, portanto, vista como uma ameaça.

Assim, o Discurso de Ramsay, além de dar à Maçonaria um legado mais nobre do que aquele do ofício de pedreiro, criava um elo histórico da mesma com o catolicismo e a monarquia. Tendo sido enviado primeiramente ao Cardeal Fleury para sua aprovação, e não obtendo um parecer positivo, Ramsay se afastou definitivamente das atividades maçônicas a partir daquele ano de 1737. Entretanto, a posterior publicação de seu discurso serviria de mola propulsora para o surgimento de incontáveis graus de cavalaria que formariam, dentre outros, o Rito de Perfeição, que serviu de base para a criação do R∴E∴A∴A∴.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BERMAN, R. The Foundations of Modern Freemasonry: The Grand Architects Political Change and the Scientific Enlightenment, 1714 1740. Eastbourne: Sussex Academic Press, 2012.

ISMAIL, Kennyo. Ordem sobre o caos. Brasília: No Esquadro, 2020.

 COIL, H. W.; BROWN, W. M. Coil's Masonic Encyclopedia. New York: Macoy, 1961, p. 499.

Fonte - ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.



A DEUSA ESQUECIDA DE ISRAEL - Rogério de Paula

 


 A Deusa Esquecida de Israel? 

A Misteriosa Relação entre Asherah e YHWH no Mundo Antigo

No antigo Levante, entre os séculos X e VI a.C., muito antes do estabelecimento do monoteísmo rígido em Israel, a religião era marcada por uma rica diversidade de crenças e práticas. Nesse cenário, surge uma figura fascinante: Asherah, uma das divindades mais importantes do panteão cananeu.

Conhecida como “mãe de todos os deuses”, Asherah era associada à fertilidade, à maternidade e à própria origem da vida. Ela era a consorte do deus supremo El, desempenhando um papel central na estrutura religiosa da região. Seu culto estava ligado a símbolos sagrados, como postes rituais chamados asherim, frequentemente mencionados em contextos arqueológicos e textuais.

Mas o que torna essa deusa ainda mais intrigante é sua possível relação com Yahweh. Inscrições descobertas em locais como Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom, datadas dos séculos VIII–VII a.C., trazem expressões como “YHWH e sua Asherah”. Essas evidências indicam que, em certos contextos, a deusa poderia estar associada ao culto de YHWH — seja como uma consorte divina, seja como um símbolo cultual.

Esse dado revela um aspecto muitas vezes ignorado: o antigo Israel não nasceu monoteísta da forma como o conhecemos posteriormente. Pelo contrário, durante o período pré-exílico, práticas religiosas sincréticas coexistiam, refletindo influências do ambiente cananeu mais amplo. Somente com reformas religiosas posteriores é que o culto exclusivo a YHWH foi consolidado, levando à rejeição e condenação de figuras como Asherah nos textos bíblicos.

Assim, a relação entre Asherah e Yahweh nos oferece uma janela única para compreender a evolução da religião no antigo Israel: de um sistema plural e dinâmico para um monoteísmo estruturado e exclusivo.

 Em conclusão, longe de ser apenas uma figura marginal, Asherah provavelmente fez parte do cotidiano religioso de muitos povos do Levante — inclusive entre comunidades que veneravam YHWH — até ser gradualmente excluída à medida que o monoteísmo se afirmava.

📚 Fontes: 

Dever, William G. Did God Have a Wife? Archaeology and Folk Religion in Ancient Israel (2005).

Smith, Mark S. The Early History of God: Yahweh and the Other Deities in Ancient Israel (2002).

Keel, Othmar; Uehlinger, Christoph. Gods, Goddesses, and Images of God in Ancient Israel (1998).

Hadley, Judith M. The Cult of Asherah in Ancient Israel and Judah (2000).



MACOM PROVECTO GERALDO JOSÉ DENIS






 

Com a presença de mais de 90 irmãos, amigos, familiares e grande número de autoridades maçônicas, a minha ARLS Tríplice Aliança 341 de Mongaguá comemorou na noite de ontem a entrega do título de Maçom Provecto, 50 anos de maçonaria, do irmão Geraldo José Denis.

A emocionante cerimônia foi conduzida pelo Venerável Mestre Alexandre de Oliveira Lucena, que dividiu o trono com o Delegado Regional da 8a região, Guilhermo Bahamonde Manso e com o Delegado Distrital da 12a região, irmão Renato Aparecido Monteiro da Silva.

Além do diploma e da medalha referentes a honraria, o irmão Denis recebeu da Loja um livro, especialmente elaborado, contanto a sua trajetória na vida e na maçonaria. Diversos irmãos se manifestaram durante a sessão contanto interessantes fatos a respeito de sua convivência com o homenageado, que teve uma vida repleta de acontecimentos como dentista, militar, piloto, membro do Lions Club, e uma intensa dedicação a causas sociais, no que tem sido secundado por seus filhos.

A cunhada Ivone, com quem é casado há 57 anos, também recebeu merecidas homenagens dos irmãos da Loja.

Um requintado jantar encerrou a agradável noite.




abril 07, 2026

7 DE ABRIL - DIA NACIONAL DO JORNALISTA - Hélio P. Leite



OBREIROS  DA PALAVRA E DA VERDADE: HOMENAGEM DA ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS – AIMI AO DIA DO JORNALISTA

Neste 7 de abril, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Jornalista – instituído em 1931 pela Associação Brasileira de Imprensa em homenagem ao médico e jornalista Giovani Batista Líbero Badoró, naturalizado brasileiro, a Academia Internacional de Maçons Imortais (AIMI) ergue sua voz em reconhecimento e gratidão àqueles que, por meio da palavra escrita e falada, constroem pontes entre a verdade e a sociedade.

A história do Brasil registra, com justiça, a participação ativa de maçons no jornalismo, especialmente nos momentos decisivos da formação da nação. Nomes como Gonçalves Ledo, Januário da Cunha Barbosa, José do Patrocínio e Luiz Gama são testemunhos vivos do compromisso maçônico com a liberdade de expressão, a justiça e a construção de uma sociedade mais esclarecida e mais justa.

Registros históricos também apontam que figuras centrais da Independência, como José Bonifácio de Andrada e Silva e Dom Pedro I, igualmente recorreram ao jornalismo como instrumento de formação de consciência pública e afirmação dos ideais nacionais.

No seio da AIMI, orgulhamo-nos de contar com valorosos confrades que dignificam o jornalismo contemporâneo, entre os quais destacamos: Espedito Figueiredo, Zelito Guimarães, Bruno Macedo, Jair Calixto, Jaricé Braga, Fernando Colacioppo, Diego Frazen, Cezar Romão, João Guilherme José Aleixo e Nio de Pádua – homens que, à luz dos princípios maçônicos, exercem a nobre profissão de informar, esclarecer e inspirar.

Neste dia simbólico, rendemos nossa mais sincera homenagem a todos os maçons brasileiros que atuam no jornalismo, reconhecendo neles verdadeiros obreiros da palavra, guardiões da verdade e artífices da liberdade.

Que continuem firmes em seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a busca incessante pela verdade – valores que também constituem as colunas mestras da Maçonaria Universal.

"...NO PRINCÍPIO ERA O VERBO..." - Newton Agrella

 


Esta expressão de caráter tão profundo e que exige-nos um tanto de discernimento e de depuração para poder entende-la, traz como núcleo a palavra Verbo.

Esse termo procede do Latim "verbum" que significa "parte do discurso que expressa ação, modo, estado ou fenômeno".

No entanto, ao longo da história da civilização humana, este vocábulo  ganhou significados de ordem teológica, bem como de ordem filosófica.

Sob o Conceito Teológico e mormente na tradição cristã, "Verbum"  é a tradução latina da palavra grega - "LOGOS" -  referindo-se à "Palavra de Deus ou de Jesus Cristo".

A versão latina desta palavra, segundo grande parte de filólogos e gramáticos encontra respaldo na sua equivalência ou correspondência semântica à palavra LOGOS.

Assim sendo, acaba-se fluindo pelo Conceito Filosófico de LOGOS que representa o princípio unificador, discurso ou razão; ou seja, aquilo que organiza e harmoniza o Cosmos, leia-se, o próprio Universo.

Diante desta perspectiva contextual, VERBO, tem a legitimidade para ser traduzido como "DEUS"; isto é, como sendo o "princípio criador e incriado do universo" que várias correntes da filosofia maçônica assim o definem.

Trata-se pois, de uma "referência de origem", a qual, por consequência; explica e justifica inclusive a nossa própria existência humana.

Observe-se que neste breve fragmento, o que se está tentando demonstrar é um conceito que rigorosamente não se pauta por qualquer aspecto de conveniência religiosa ou de qualquer proselitismo sectarista ou doutrinário, tentando impor uma visão ideológica exclusivista.

Muito pelo contrário.

O que se está elaborando, é um mero e circunstancial exercício "especulativo".

Ainda que sob o crivo da questão puramente gramatical, o Verbo não tenha sido explorado neste breve ensaio, não podemos nos furtar de mencionar que dentre suas propriedades o Verbo traz consigo a clara e consistente noção da temporalidade, em que Passado, Presente e Futuro, além do próprio Condicional fundem-se num amálgama substantivo chamado VIDA 

COMO PORTUGAL SALVOU A EUROPA - Daniel Pedro

 




O ano era 622 d.C. Maomé deixa Meca para Medina, iniciando oficialmente o calendário islâmico. Após sua morte, em 632, os exércitos árabes iniciam um processo de expansão veloz. Em poucas décadas conquistaram o Oriente Médio, avançaram por toda a costa do Norte da África e, em 711, atravessaram o Estreito de Gibraltar, iniciando a conquista da Península Ibérica. Em menos de dez anos, quase toda a região estava sob domínio muçulmano.

Jerusalém havia sido tomada em 638, mataram, peserguiram, impuseram impostos (jizya) e restrições aos cristãos. Destruiram locais sagrados e proibiam visitas.

Após quase cinco séculos de presença islâmica, a Europa reagiu. Em 1095, no Concílio de Clermont, o Papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada para recuperar Jerusalém e defender os cristãos do Oriente. Nesse período surgem os Templários, e se fortalece o processo que levaria à formação dos reinos cristãos modernos, entre eles Portugal.

A tensão entre cristandade e islamismo tornou-se uma constante até os dias atuais, marcada por batalhas, reconquistas e resistência cultural.

No século XIV, porém, a Europa sofreu: a Peste Negra (1347–1351), que matou quase metade da população do continente. Nesse cenário fragilizado, crescia o temor do avanço do Império Otomano, que se expandia pelos Bálcãs e ameaçava o controle europeu do Mediterrâneo, então a principal rota comercial entre Ocidente e Oriente.

Portugal, entretanto, não se abalou. Em 1415, sob o comando do rei D. João I, conquistaram Ceuta, um importante entreposto muçulmano no Estreito de Gibraltar, que servia como base de corsários e como ponto estratégico do comércio norte-africano. A conquista não tinha a importância econômica dos grandes portos mediterrâneos, mas representou um grande marco militar.

Então chegou o acontecimento mais temido pelos europeus: a queda de Constantinopla em 1453. O Império Otomano, sob Mehmet II, destruiu as muralhas da última grande capital romana e colocou fim ao mundo bizantino, instalando-se como potência dominante no Leste do Mediterrâneo. A Europa entrou em crise: rotas comerciais foram interrompidas, os preços subiram, e a ameaça otomana parecia irreversível.

Mas Portugal não permaneceu imóvel.

Os infantes D. Henrique e D. Pedro impulsionaram a exploração atlântica e a busca por uma nova rota para as Índias, contornando a África pelo Cabo da Boa esperança, uma alternativa segura ao controle muçulmano no Mediterrâneo. Após décadas de expedições, em 1498, Vasco da Gama alcançou finalmente a Índia por mar.

Mas os reinos muçulmanos do Índico não viram com bons olhos a chegada cristã. Frotas árabes, egípcias e aliadas ao sultanato de Guzerate tentaram impedir o estabelecimento português na região.

Foi um erro fatal.

Em 1509, na Batalha de Diu, o vice-rei português Francisco de Almeida, com apenas 18 navios, enfrentou e destruiu completamente a coalizão naval muçulmana, de 217 navios, composta por egípcios mamelucos, guzerates, turcos e otomanos. A vitória portuguesa deu início à hegemonia europeia no Oceano Índico e marcou o declínio da influência naval islâmica no Oriente.

A partir dali, o Império Otomano nunca mais teria condições de dominar as rotas globais de comércio e continuar sua dominação mundial.

A Europa se reergueu, em grande parte graças à ousadia marítima de Portugal. Um País pequeno, com poucos recursos e com pouco mais de 1 milhão de habitantes.

abril 06, 2026

SINDICÂNCIA - Jorge Gonçalves


Amanhã, dia 07 de abril, às 19h30, a Loja Constâncio Vieira nº 3300 convida os irmãos para um período de estudo sobre a sindicância, que será conduzido pelo nosso inestimável irmão *Lourival Mariano de Santana*, cuja trajetória maçônica permanece como uma referência sólida e inspiradora.

Sindicância, de maneira abrangente, é o procedimento destinado a coletar informações e verificar a veracidade de fatos ou condições, com a finalidade de subsidiar uma decisão. A raiz do termo remonta ao grego sýndikos, formado por syn (“junto”) e díkē (“justiça”), indicando originalmente a atuação conjunta em defesa do justo.

Simbolicamente, a deusa grega Diké, cuja raiz conceitual está presente na formação do termo, é por vezes confundida com a deusa romana Justitia. A deusa Diké não utiliza venda nos olhos, pois, na concepção grega, a justiça exige visão atenta e vigilante da realidade para o discernimento da verdade.

Já a deusa romana Justitia é frequentemente representada vendada, simbolizando a imparcialidade absoluta e a abstração em relação às aparências, o que demonstra que as duas concepções de justiça são distintas.

De maneira simplificada, na Maçonaria, a sindicância constitui etapa fundamental para a admissão de novos irmãos, na qual, por meio de análises criteriosas e pessoais, funciona, quando realizada com o devido rigor, como um filtro, assegurando que apenas indivíduos compatíveis com os princípios da Ordem sejam integrados ao seu quadro.

Meu irmão, você é nosso convidado para participar desse período de estudo.



A VELHICE NA MAÇONARIA - Moreno RJ




“Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso.”(Francois Chateaubriand)

Quando fui iniciado, a vida para mim ganhou um novo sentido, pelas novas amizades e pelo ensinamento que recebia nas instruções de meus preceptores. A sessão maçônica era uma coisa extraordinariamente nova e reveladora. Sonhava em crescer na Ordem e ser como aqueles Irmãos mais antigos, pois via neles tanto conhecimento e amizade, meus sábios inspiradores.

Aqueles “velhinhos” eram a porta para meu ingresso no conhecimento e na filosofia da Arte Real.

Para mim, eles viviam num mundo de felicidade e que aquilo era uma herança, que levariam até os dias da velhice.

Esse sentimento inundava o meu espírito de paz e esperança. Jamais poderia pensar que o caminhar dos anos trouxesse consigo mudanças tão importantes.

Parece que a juventude não conhece o segredo para a transmutação e quando a idade avança, somos pegos por uma realidade surpreendente, às vezes desalentadora. A Ordem que servimos por décadas a fio, dispendendo os maiores esforços, nos abandonara na idade senil. Justamente quando estamos mais carentes e fragilizados.

Na América do Norte, os maçons idosos vão para o albergue da Ordem onde vivem em paz e dignamente.

Toco nesse assunto, levando em conta casos de Irmãos que vivem no mais completo abandono maçônico.

Vitimados por uma enfermidade não saem para lugar algum, aprisionados em suas casas.

Essa realidade é bem diferente dos Templos aconchegantes e das amplas festas e Copos D'Água que um dia frequentaram.

Aquela alegria barulhenta e os abraços fraternos deram lugar ao abandono, ao ostracismo involuntário e ao silêncio cósmico que arrasa seu moral.

Se tivessem a mão amiga de um Irmão, poderia ir à Loja, aos almoços e de novo serem felizes.

A maçonaria, pródiga em ajudar os velhinhos dos asilos profanos, vira a cara para seus próprios membros que nem sempre precisam de apoio pecuniário, apenas de uma visita.

A tentativa de levar Irmãos à casa de um enfermo sempre resulta em fracasso, pois ninguém se interessa.

Os Veneráveis Mestres, esses, nunca vão.

O tempo corre célere e a vida escapa pelos dedos como o mercúrio.

Irmãos, ainda há tempo, embora curto, para amar o próximo, pois o Céu não pode esperar.



UMA TEORIA ASTRONOMICA SOBRE A ORIGEM DA VIDA


*Amostras do asteroide Ryugu contêm todos os componentes básicos do DNA e do RNA, reforçando as teorias sobre a origem da vida*

Todos os ingredientes essenciais para a formação do DNA e do RNA que sustentam a vida na Terra foram descobertos em amostras coletadas do asteroide Ryugu, disseram cientistas japoneses.

*A descoberta surge após a detecção desses componentes básicos da vida em outro asteroide chamado Bennu, sugerindo que eles são abundantes em todo o sistema solar.*

Uma teoria antiga é que a vida começou na Terra quando asteroides carregando elementos fundamentais colidiram com o nosso planeta há muito tempo.

Os asteroides que atravessam o nosso sistema solar oferecem aos cientistas uma rara oportunidade de estudar essa possibilidade.

Em 2014, a espaçonave japonesa Hayabusa-2 foi lançada em uma missão de 300 milhões de quilômetros (185 milhões de milhas) para pousar em Ryugu, um asteroide com 900 metros de diâmetro (2.950 pés de largura).

A sonda conseguiu coletar com sucesso duas amostras de rochas, pesando 5,4 gramas (menos de um quinto de onça) cada, e trazê-las de volta à Terra em 2020.

Pesquisas realizadas em 2023 mostraram que essas amostras continham uracila, que é uma das quatro bases que compõem o RNA.

Embora o DNA, a famosa dupla hélice, funcione como um modelo genético, o RNA de cadeia simples é um mensageiro essencial, convertendo as instruções contidas no DNA para sua implementação.

Na segunda-feira, um novo estudo realizado por uma equipe japonesa de pesquisadores e publicado na revista Nature Astronomy demonstrou que as amostras continham todas as " nucleobases " tanto do DNA quanto do RNA.

Esses compostos incluíam uracila, bem como adenina, guanina, citosina e timina.

Isso "não significa que existia vida em Ryugu", disse à AFP o autor principal do estudo, Toshiki Koga.

"Em vez disso, a presença deles indica que asteroides primitivos poderiam produzir e preservar moléculas importantes para a química relacionada à origem da vida", acrescentou o bioquímico da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre.

Segundo o estudo, a descoberta também "demonstra sua presença generalizada em todo o sistema solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o estoque químico pré-biótico da Terra primitiva".

César Menor Salvan, um astrobiólogo da Universidade de Alcalá, na Espanha, que não participou da pesquisa, enfatizou que "esses resultados não sugerem que a origem da vida tenha ocorrido no espaço".

No entanto, "com isso e com os resultados de Bennu, temos uma ideia muito clara de quais materiais orgânicos podem se formar em condições pré-bióticas em qualquer lugar do universo", acrescentou.

Descoberta "única" de amônia

No ano passado, os mesmos componentes básicos foram encontrados em fragmentos trazidos à Terra pela NASA do asteroide Bennu.

Os cientistas também detectaram a presença deles nos meteoritos Orgueil e Murchison, que faziam parte de asteroides que caíram na Terra.

Para a nova pesquisa, a equipe japonesa comparou a quantidade de cada nucleobase detectada nessas diferentes rochas espaciais, descobrindo que as quantidades variavam dependendo de sua história.

Eles também identificaram uma correlação entre as proporções dos componentes básicos e a concentração de outra substância química importante para a vida: a amônia.

"Como nenhum mecanismo de formação conhecido prevê tal relação, essa descoberta pode apontar para uma via até então desconhecida de formação de nucleobases em materiais do início do sistema solar", disse Toshiki Koga.

Morgan Cable, cientista da Universidade Victoria de Wellington que não participou da pesquisa, classificou essa descoberta em particular como "única.

Essa descoberta tem implicações importantes sobre como moléculas biologicamente importantes podem ter se formado originalmente e promovido a gênese da vida na Terra", disse ela.

*Artigo completo com ressalvas./Canaã ufo news.*


abril 05, 2026

ENTRE A JUSTIÇA E A CONVENIÊNCIA:...- Hélio P. Leie



ENTRE A JUSTIÇA E A CONVENIÊNCIA:  O GESTO DE PILATOS QUE ECOA NA HISTÓRIA

O julgamento de Jesus Cristo permanece como um dos episódios mais emblemáticos da civilização ocidental. No centro da narrativa está a figura de Pôncio Pilatos, cuja atitude – simbolizada pelo gesto de “lavar as mãos – atravessou os séculos como um poderoso símbolo de omissão diante da injustiça.

Relatado no Evangelho de Mateus, o episódio apresenta um governador que, apesar de declarar não encontrar culpa no acusado, cede à pressão popular e autoriza a crucificação. O gesto ritual de lavar as mãos, diante da multidão, não apenas marcou a narrativa bíblica, como também ingressou no vocabulário universal como sinônimo de fuga de responsabilidade.

Mas teria sido esse um ato de covardia?

Sob a ótica religiosa, especialmente na tradição cristã, a resposta tende a ser afirmativa. Pilatos é frequentemente visto como um homem que, mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, preferiu preservar sua posição e evitar conflitos, sacrificando a justiça. Nesse sentido, sua atitude revela fragilidade moral diante da pressão coletiva.

Entretanto, o contexto histórico impõe nuances. Como representante do Império Romano na Judeia – uma província marcada por tensões políticas e religiosas – Pilatos tinha como missão primordial manter a ordem. Qualquer distúrbio, sobretudo durante a Páscoa judaica, poderia desencadear represálias severas por parte de Tibério. Assim, ceder á multidão pode ter sido menos uma escolha pessoal  e mais uma decisão estratégica para evitar uma possível insurreição.

Do ponto de vista jurídico, porém, a atitude permanece controversa. Investido de autoridade para julgar, Pilatos opta para transferir a responsabilidade à massa, abrindo mão de seu dever institucional. Tal postura levanta um dilema que atravessa os tempos: até que ponto a manutenção da ordem pode justificar a renúncia à justiça?

Mas do que um personagem histórico, Pilatos tornou-se um arquétipo. Seu gesto transcende o episódio bíblico e se projeta na vida pública contemporânea, evocando situações em que líderes, diante de decisões difíceis, escolhem a conveniência  em detrimento da responsabilidade. 

A pergunta que ecoa, portanto, não se limita ao passado: quantas vezes, ainda hoje, mãos são lavadas diante da verdade?

Entre a prudência política e a omissão moral, o julgamento de Pilatos continua a desafiar consciências – lembrando que, em determinados momentos da história, não decidir também é uma forma de deci

Bibliografia de referência:

- Padeceu sob Pôncio Pilatos, Vittorio Messori

- Flávio Josefo – menciona Pilatos em Antiguidades Judaicas.

- Tácito – registra a execução de Jesus sob Pilatos

- Evangelhos – principais relatos narrativos