abril 13, 2026

ARCANOS - Adilson Zotovici



Conhecimentos sagrados

Em prosa ou versos poéticos

Arcanos há muito guardados

Grafados, fonéticos...


A profanos,...herméticos

Mas franco aos convidados 

Com liberdade, ecléticos,

Por mestres, porém, ministrados


Homens já bem formados

Discretos, até proféticos 

Em locais próprios, fechados

E até por peripatéticos 


Barrados porém aos céticos

Do princípio criador afastados

Aos fanáticos, aos heréticos,

Aos ímpios, aos malfadados 


Destarte, assim são passados

Vez por símbolos geométricos

Todos bem esquadrejados

Vez por aritméticos 


Oficina de herdeiros genéticos

Da arte real os legados

Construtores sociais, éticos,

Livres pedreiros...iniciados !



ACADEMIAS MAÇÔNICAS DE LETRAS: ENTRE O SILÊNCIO CONVENIENTE E O DEBATE NECESSÁRIO


Artigo de Helio P. Leite 

Em tempos de intensas transformações sociais e acirradas polarizações ideológicas, uma questão se impõe com crescente relevância no seio das Academias Maçônicas de Letras: devem essas instituições, vocacionadas à cultura e à produção intelectual, abster-se de temas ligados á justiça, á injustiça e às correntes ideológicas que permeiam a realidade brasileira – ou, ao contrário, enfrenta-los com coragem e discernimento?

A resposta, longe de ser simples, exige reflexão serena e espírito de equilíbrio.

As Academias Maçônicas de Letras não são meros espaços de erudição estéril. Nascem do ideal de cultivar o pensamento elevado, preservar a memória, fomentar a produção literária e, sobretudo, contribuir para o aprimoramento moral e intelectual do homem. Nesse sentido, ignorar os grandes temas de nosso tempo – entre eles a justiça social, os conflitos éticos e as tensões ideológicas – seria reduzir sua missão a uma espécie de isolamento cultural, distante da vida real.

A própria tradição maçônica, ao longo da história, sempre dialogou com valores universais que transcendem épocas: liberdade, igualdade e fraternidade. Tais princípios não existem no vazio; manifestam-se concretamente nas estruturas sociais, nas instituições e nas relações humanas. Portanto, refletir sobre justiça e injustiça não é desvio de finalidade – é, antes, aprofundamento de seus fundamentos filosóficos.

Todavia, há um limite claro que não pode ser ignorado.

Quando o debate se degrada em militância, quando a análise cede lugar à paixão partidária, ou quando a tribuna acadêmica se converte em instrumento de disputa ideológica, a Academia perde sua essência. Em vez de construir pontes, ergue muros. E, nesse processo, compromete um dos pilares mais caros à vivência maçônica: a harmonia.

O Brasil contemporâneo, marcado por fortes tensões políticas e sociais, exige ainda mais cautela. Inserir-se nesse contexto de forma imprudente pode arrastar a Academia para o mesmo campo de polarização que domina outros espaços da sociedade. E isso, definitivamente, não contribui para a elevação do pensamento.

Por outro lado, o silêncio absoluto também não é virtude. O silêncio, quando motivado pelo temor ou pela conveniência, empobrece o debate e esvazia o papel intelectual da instituição. Uma Academia que não dialoga com seu tempo corre o risco de se tornar irrelevante.

Onde, então, encontrar o caminho?  A resposta reside na forma, não no conteúdo.

É plenamente legítimo – e até desejável – que Academias  Maçônicas de Letras promovam debates sobre justiça, ética e ideologias, desse que façam sob a ótica acadêmica, filosófica e histórica. O que se espera não é a defesa de posições, mas a análise de ideias; não o convencimento, mas o esclarecimento; não a imposição , mas o diálogo.

Debater conceitos, estudar correntes de pensamento, examinar experiências históricas e refletir sobre os desafios contemporâneos  - tudo isso enriquece o ambiente intelectual e fortalece a missão cultural da Academia. O que deve ser evitado é o proselitismo, a personalização dos conflitos e a redução do debate ao nível das disputas cotidianas.

Há, contudo, um ponto sensível que não pode ser ignorado – e que se impõe com especial gravidade no cenário atual.

Sabe-se que no interior de qualquer, convivem diferentes correntes de pensamento. Isso, por si só, é saudável e desejável. Entretanto, quando alguns de seus membros passam a professar ou simpatizar com ideologias que não se harmonizam com os fundamentos do Estado Democrático de Direto – especialmente aquelas de viés autoritário ou totalitário – a questão deixa de ser meramente acadêmica e passa a ser institucional.

Não se trata aqui de cercear a liberdade de pensamento individual, mas de reconhecer que toda instituição possui um núcleo de valores que a sustenta. A liberdade, para existir, depende de um ambiente mínimo de respeito, legalidade e convivência. Ideologias que negam esses pressupostos não apenas divergem – elas tensionam o próprio espaço onde o diálogo se realiza.

É nesse contexto que compreende o receio – legítimo – de que a abertura indiscriminada para debates ideológicos possam gerar conflitos, divisões internas e até a evasão de acadêmicos. Afinal, quando o debate deixa o campo das ideias e passa a mobilizar paixões, identidades e convicções profundas, o risco de ruptura torna-se concreto

Diante disso, impõe-se uma reflexão de natureza prática e prudencial.

Nem todo debate que é possível é, necessariamente, conveniente. Nem todo tema que é relevante deve ser tratado sem preparo, método e limites. E, sobretudo, nem toda liberdade exercida sem responsabilidade contribui para o bem coletivo.

Assim, mais do que decidir se a Academia deve ou não abordar temas ideológicos, a questão central passa a ser: em que condições isso pode ocorrer sem comprometer sua unidade e finalidade.

Alguns caminhos se apresentam como prudentes:

A definição explícita de princípios institucionais, reafirmando o compromisso com os valores do Estado Democrático de Direito; A distinção clara entre o estudo e militância, permitindo a análise crítica sem abrir espaço à propaganda ideológica; A mediação qualificada dos debates, evitando sua degeneração em confrontos pessoais.

A escolha de temas estruturados, que elevem o nível da reflexão e afastem a polarização imediata; E, acima de tudo, a preservação da harmonia como valor superior.

Talvez, em determinados contextos, a decisão mais sábia não seja abrir amplamente o debate, mas qualifica-lo rigorosamente – ou até mesmo adiá-lo, quando não houver maturidade institucional suficiente para sustenta-lo.

Isso não representa fraqueza, mas discernimento.

Preservar a harmonia interna, garantir a continuidade dos trabalhos culturais e manter a coesão entre seus membros são responsabilidades que não podem ser negligenciadas em nome da liberdade irrestrita, que, paradoxalmente, pode levar á desagregação.

Em síntese, não é o tema que ameaça a integridade da Academia, mas o modo como ele é conduzido.

Entre o silêncio conveniente e a militância desmedida, há um espaço nobre: o da reflexão elevada, plural e responsável. É nesse espaço que as Academias Maçônicas de Letras devem se posicionar – com faróis de equilíbrio em meio à turbulência, como guardiãs do pensamento livre e como instrumentos de construção de uma sociedade mais justa e consciente.

Em última análise, a grande virtude de uma Academia não está em provar que pode discutir tudo, mas em demonstrar que sabe quando, como e até onde deve fazê-lo.

E é nesse ponto que se revela sua verdadeira maturidade institucional: não na ausência de divergências, mas na capacidade de administrá-las sem perder a essência.


OS VIGILANTES - Kennyo Ismail



Os Vigilantes são os 1° e 2° Vice-Presidentes da Loja, compondo, com o Venerável Mestre, a tríade dirigente, comumente chamada na Maçonaria brasileira de "luzes" da Loja. Enquanto o Venerável Mestre indiscutivelmente tem seu assento no Oriente, as diferentes versões de rituais ingleses dos Antigos e dos Modernos divergiam quanto à posição dos Vigilantes. Nas lojas dos Antigos, era comum o Primeiro Vigilante sentar-se ao centro da parede do Ocidente, enquanto o posto do Segundo Vigilante era ao centro da parede da coluna do Sul. Já entre os Modernos, havia versões em que ambos os Vigilantes sentavam-se no Ocidente, com o Primeiro Vigilante na base da coluna do Norte e o Segundo na base da coluna do Sul (360).

Há quem advogue que o termo "Vigilante" não é adequado à importância do cargo, cometendo, assim, o anacronismo de julgar o termo pelo significado que tem atualmente, mais ligado ao vigilante patrimonial, que zela pela preservação e segurança de bens materiais.

Contudo, devemos considerar que o termo "Vigilante" foi escolhido como tradução para o termo inglês "Warden". Este, além do significado de vigiar, proteger, também carrega o significado de dirigir pessoas e estabelecimentos. Como exemplo, o termo "Warden" é usado para fazer referência ao diretor de uma prisão, de um colégio ou de uma guilda profissional (livery company). Desse modo, se adequa perfeitamente ao uso maçônico.

Ainda, o próprio termo "Vigilante", no português europeu, refere-se ao encarregado de "vigiar o trabalho, a disciplina e a segurança de outras pessoas" (361).

Nas iniciações dos rituais antigos, os Vigilantes, juntamente do Venerável, verificavam se os candidatos estavam devidamente preparados conforme o costume da Loja. Eles ensinavam e examinavam o neófito nos modos de reconhecimento e, ainda, cabia ao Primeiro Vigilante a honrosa função de ensinar os irmãos a usarem seus aventais como Aprendizes.

Além disso, os Vigilantes têm funções alegóricas. O Segundo Vigilante chama os obreiros para os trabalhos e para a recreação. O Primeiro Vigilante supervisiona o trabalho e paga os obreiros ao final do dia (362). Já as funções administrativas diferem conforme a legislação de cada potência. Geralmente, eles são responsáveis pela educação maçônica dos Aprendizes e dos Companheiros, além de representarem o Venerável Mestre em sua ausência, conduzindo os trabalhos em Loja.

Se há um consenso sobre uma função dos Vigilantes é o da necessidade de um irmão ter sido Vigilante para ser elegível ao cargo de Venerável Mestre, o que elimina qualquer chance racional de menosprezar tal posto.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

DYER, C. O Simbolismo na Maçonaria, São Paulo: Madras, 2006, p. 80-81.

GREGÓRIO, C. Entendendo o Rito Escocês Antigo e Aceito Grau de Aprendiz Maçom, Rio de Janeiro: Ed. do autor, 2023, p. 47.

BEHRING, M. Ritual do Gráo de Aprendiz-Maçon. Rio de Janeiro: Delta, 1928, p. 23.

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.



abril 12, 2026

ARLS ESPARTANA 634




Sábado pela manhã. Visito a ARLS Espartana 634, que funciona em um  templo no segundo andar do prédio defronte ao Palácio Maçônico. Logo ao chegar encontro irmãos conhecidos de longa data como os irmãos Sérgio Guillem, orador do Venerável Colégio, com quem estive na quarta feira e José Isidro Riba, meu segundo adjunto na biblioteca.

O Venerável Mestre, irmão Mauro Trindade Pereira havia me informado que hoje seriaca cerimônia de elevação para o segundo grau de dois aprendizes. É uma cerimônia de belíssimo simbolismo, para a aquisição do Grau de Companheiro, que para muitos estudiosos como José Castellani, por exemplo, é o grau que proporciona maior aprendizado na maçonaria. 

Estavam presentes o irmão Armando Annibale, Delegado Regional da 38a região do 4o Distrito e o irmão Gil Dias Rosa, delegado do 2o distrito da Região 38, que é membro da Loja. 

A cerimônia foi conduzida de maneira perfeita pelo VM e o destaque foi a belíssima alocução do irmão Rogério Borges Pascoal, de quem sou admirador e seguidor nas redes sociais.

Ao final, depois de expor os projetos da Biblioteca, entreguei a Loja, em nome do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad um livro e uma medalha histórica como princípio das comemorações do Ano do Centenário.

RITO, CONFLITO - Adilson Zotovici

Confesso, um tanto aflito

Motivo de indignação

Quando noto alguma invenção

Nalgum primitivo Rito


Dizem alguns, que adaptação

Mas uma questão suscito

Alteração é conflito

Onde leva à mutação (?!)


Confusão, quiçá, reflito !

No exordial a perfeição

À Arte Real bendito


Ao visitante em reunião

É fatigante o quesito

Deslindar a “sua versão “ !!!


OS IRMÃOS INVISÍVEIS NA MAÇONARIA - Orlei Figueiredo Caldas



A Maçonaria, entre tantas virtudes que valora, prega, tantos conhecimentos que transmite através dos seus Ritos e Liturgias e dos exemplos de irmãos maçons dedicados que, através de suas obras construtoras do bem comum, tanto as traçadas em pranchas de arquitetura, como em atitudes pessoais; acredito que, - a defesa e a pregação da  liberdade do pensamento é um dos princípios fundamentais que a mantém viva, atuante, sempre atual, capaz de conduzir o maçom pela infinita senda do estudo e do conhecimento das ciências humanas perfeitamente ajustadas, obedientes, as Leis de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, - que sempre revelam-se, de modo esotérico, oculto, sem favores pessoais, aos que se dedicam adentrar com amor, humildade e boa fé aos Seus Augustos Mistérios.

Desta forma, as três Colunas do Templo representando a Força, a Beleza e a Sabedoria, carecem sempre de uma perfeita inteiração, para que haja a paz a união e a concórdia, onde prevaleçam da parte dos três irmãos que comandam uma Oficina de Trabalho, o desejo sincero, fraterno e amorável, da compreensão de que os seus irmãos presentes em Sessão, são diferentes em muitos aspectos, como o meio onde foram criados, o meio onde vivem na vida profana, as suas vivencias pessoais, e, - as suas crenças, ou seja, o modo que creem em Deus, porque a Maçonaria apenas exige que, - o homem profano, para que se torne um maçom, creia num Ente Espiritual Superior, Deus.

Faço estas considerações, para dizer que, temos irmãos maçons que acreditam na presença de espíritos desencarnados assistindo as Sessões, principalmente os irmãos maçons que partiram para o Oriente Eterno.

Temos irmãos maçons que acreditam, Irmãos Invisíveis são todos os irmãos maçons presentes em Sessão e na Cadeia de União, através dos seus pensamentos, pois muitos estão participando de outras milhares de Lojas espalhadas por todos os continentes do planeta Terra, quando, em cada uma delas forma-se uma Egrégora, ou seja, uma energia igual, semelhante, a qual envolve os irmãos, unindo-os, não importado a distância que os separe.

Temos ainda, irmãos maçons que, acreditam apenas no Grande Arquiteto do Universo que se manifesta em Sessão através da Escada de Jacó, na qual os Anjos, - Mensageiros de Deus, sejam os Irmãos Invisíveis, que trazem as bênçãos prodigalizadas pelo Supremo Criador e levam até Ele, os rogos e os pedidos feitos mentalmente pelos irmãos presentes, unidos fraternalmente na Cadeia de União.

O homem maçom é um livre pensador!

Precisamos convir que, vivemos em Loja e fora dela, as influências das energias circulantes.

Somos individual e coletivamente, um somatório de energias.

Emitimos e captamos energias.

Lembremos das velas que iluminam o Templo!

Uma vela acesa, permite que o número de velas necessárias para um determinado Grau que, acontece em Loja, sejam todas acesas em sua chama.

Mesmo, - cedendo a luz de sua chama, a vela que permite que sejam acessas as demais velas, continua flamejante, não perde a intensidade de sua luz, até que termine sua composição formada por materiais orgânicos ou minerais, - velas de cera, ou parafina, ou seja apagada ritualisticamente.

Desta forma, precisamos nos conscientizar da importância das nossas doações energéticas, pois, com a luz que emana, irradia, de cada um de nós, irmãos maçons, é que contribuiremos positivamente para que a paz, o perfeito entendimento, a união e a concórdia se estabeleçam, para a formação da Egregora renovadora, encorajadora, moderadora, pacífica, prudente, fraterna e amorável, - continue permanecendo conosco, nos conduzindo de forma segura pelos caminhos do mundo, até que na próxima Sessão possamos repetir, todos estes procedimentos, capaz de nos tornar verdadeiramente irmãos, aptos ao trabalho de contribuirmos positivamente com nossos amados familiares, irmãos, e amigos, também, o de mantermos sempre o ideal de tonarmos feliz a humanidade.

Lembremos sempre que, certas discussões apenas promovem vaidades!

Temos o direito de pensarmos diferente sobre vários temas e assuntos, porém, não podemos jamais, impor aos outros, aos demais irmãos maçons, as nossas próprias "verdades".



TZEDAKAH NÃO É CARIDADE. É JUSTIÇA. - Lucius Cohen






Entrego a você uma "centelha" — o suficiente para acender algo novo dentro de você. 
Imagine uma única letra que é ao mesmo tempo espada e pão. 
Uma lâmina que corta para nutrir.  
Uma arma que não destrói — ela abre caminho para a vida.

Essa letra é a Zayin (ז).

No caminho da Árvore da Vida, Zayin desce de Binah (a compreensão profunda) até Tiferet (o coração equilibrado). É o canal vivo que transforma sabedoria em ação generosa. Binah vê o que é justo. Tiferet manifesta essa justiça com beleza. E Zayin é a espada que corta o que deve ser separado para que o fluxo divino nunca pare.
Por isso a raiz da Zayin é a mesma de zan (זָן) — alimentar, prover, sustentar. A espada e o pão nascem do mesmo sopro. Cortar e dar são dois movimentos de uma única força sagrada.

Tzedakah não é caridade. É justiça.

A verdadeira Tzedakah não é “fazer um favor” ao outro. É devolver o que nunca nos pertenceu.  
O rico que separa 10% ou 20% do lucro não está sendo generoso — está cumprindo um ato de justiça cósmica. Está empunhando a espada da Zayin e cortando o apego ilusório da posse.
O Zohar ensina que a dádiva deve ser feita be-zemano — no seu tempo exato.  
zeman (זְמַן) também começa com Zayin. Dar no momento certo não é detalhe. É a essência.

Quem dá se torna zachah (זָכָה) — digno, purificado.  

O Talmud (Bava Batra 9a) declara: 
“A Tzedakah aproxima o homem de Deus mais que qualquer outro mandamento.”  

zachut (זָכוּת) — o mérito espiritual eterno — também nasce dessa mesma letra.

Dar é zara (זָרַע) — semear. 

“Quem semeia generosamente, colhe multiplicado” (Provérbios 11:24-25).  

A semente que Zayin planta no mundo retorna como colheita abundante.
E o homem que dá se torna zakuf (זָקוּף) — ereto, reto, elevado. A doação endireita a coluna da alma.
Enquanto a letra Gimel representa o receber passivo, Zayin é o dar consciente, ativo, criador. Quem retém estagna o fluxo. Quem corta com a espada da Zayin libera o que deve circular — e protege o caminho para que a bênção continue descendo.
No mundo dos negócios, Zayin é a lâmina do líder retificado.
Cortar parte do lucro não é perda. É o ato que ativa as janelas dos céus.  
O que era retenção egoísta torna-se parceria com o Criador.  
O corte sacrificial abre a porta da abundância.
Quando o empreendedor empunha a espada da Zayin com retidão, o ato de dar deixa de ser um gesto isolado e torna-se movimento cósmico: Binah compreende o justo, Tiferet manifesta com beleza, e o mundo inteiro recebe nutrição.
Porque dar não é perder.  
Dar é completar o ciclo.
Agora, fecha os olhos por um instante e pergunta com honestidade ao coração:

Onde ainda retenho o que deveria cortar para doar?

Que a Zayin santa lhe dê a coragem de cortar o que precisa ser cortado.  
Que cada ato de Tzedakah seja a semente que multiplica seus negócios, seus relacionamentos e sua conexão com o Santo, bendito seja Ele.
Com bênção de abundância e fluxo divino,
Que o fluxo nunca pare.  
Que a espada sempre corte para dar vida.  
Amém.


abril 11, 2026

ARLS ADSUMUS DOMINE 909


Na noite desta sexta-feira visitei a ARLS Adsumus Domine 909 .cujo simpático e bem humorado Venerável Mestre irmão Fábio Mascarenhas dirigiu uma sessão de arguição de dois aprendizes que aspiravam passar ao grau de companheiro.

Para tal deveriam apresentar os trabalhos referentes a última instrução e responder as perguntas dos presentes. Habitualmente são trabalhos simples e perguntas simples também. Para minha surpresa, os aprendizes apresentaram trabalhos de qualidade excepcional, dignos de publicação. Fui informado de que este tem sido o padrão de suas apresentações desde a iniciação.

No quesito da arguição também não houve facilidades. Os aprendizes enfrentaram uma severa bateria de questionamentos, da qual se saíram com brilhantismo.

Fui honrado com o convite para ocupar cargo e também ocupou cargo o irmão Julio Nabutaka Dhimanukuro, Delegado do 8o Distrito da 37a Região. que pouco antes da sessão me pergunta em inglês, se meu nome é britânico. Respondi no mesmo idioma que sou israelense e compartilhamos agradável conversa em inglês.

Ao final da sessão, após expor os projetos para a biblioteca. entreguei a Loja em nome do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad, uma medalha histórica e um livro editado pela GLESP para marcar o início das comemorações do centenário da Potência.




O PROBLEMA DO CONHECIMENTO MAÇÔNICO - Almir Sant'Anna Cruz



Todas as vezes que uma pessoa obtém conhecimentos sobre determinado tema, que interessa a uma comunidade ou a um grupo seleto de pessoas, e que guarda para si próprio, não o transmitindo para aquele grupo, podemos dizer que essa pessoa é egoísta.

O conhecimento não pode ser adquirido, guardado e levado ao túmulo por uma pessoa. 

Tem que usar e transmitir para outros, mesmo que não seja aproveitado. 

Se vai ser aproveitado ou não, aí o problema não é seu, e sim, de quem o recebeu.

Nem todos os Maçons têm tempo de se debruçar horas e horas em livros, jornais e revistas maçônicas, para conhecerem um pouco mais da doutrina. Por este motivo, aqueles que têm tempo e que gostam dessa atividade, devem levar aos demais Irmãos, os conhecimentos adquiridos, e que sejam considerados relevantes para todos.

Numa Loja com um Quadro de trinta Irmãos, normalmente aparece um ou dois Irmãos, que se dedicam a leitura e ao aprendizado maçônico. 

Para o Irmão que lê, é muito raro haver uma Sessão, para ele não ter o que transmitir.

Dentro de algum tempo porém, ninguém mais quer ouvir esse Irmão. 

Quando ele se inscreve na Ordem do Dia ou no Quarto de Hora de Estudos, ou mesmo se levanta para falar na hora da Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular, alguns Irmãos começam a olhar para o relógio, como se quisessem cronometrar o seu tempo de fala. 

Esse é um problema, que algumas vezes, faz com que o Irmão que tem conhecimento, passe a agir como um egoísta.

Excerto do livro *Aconteceu na Maçonaria* do Irm.’. Alci Bruno

O QUE É "TEFILIN"


Essa "caixinha" que você vê na testa (e também no braço esquerdo) de judeus durante as orações chama-se Tefilin (em português, muitas vezes chamados de Filactérios). O uso do Tefilin é um dos preceitos (mitzvot) mais importantes do judaísmo, servindo como um sinal físico de conexão com o Divino. O que há dentro da caixa?

As caixas são feitas de couro de um animal "casher" (puro) e pintadas de preto. Dentro delas, existem quatro trechos da Torá (os cinco primeiros livros da Bíblia) escritos à mão por um escriba especializado em pergaminho. Esses textos mencionam explicitamente o mandamento: "E os atarás como sinal na tua mão, e serão por lembrança entre os teus olhos".  Os dois tipos de Tefilin

Eles são sempre usados em par durante as orações matinais (exceto no Shabat e em festas):

Tefilin Shel Rosh (Cabeça): Colocado acima da testa, no centro. Ele simboliza que os pensamentos e o intelecto devem estar a serviço de Deus.

Tefilin Shel Yad (Braço): Colocado no braço não dominante (geralmente o esquerdo), alinhado com o coração. Simboliza que as emoções e as ações práticas (as mãos) devem ser guiadas por propósitos elevados. O Simbolismo Espiritual

A ideia é criar uma unidade entre mente, coração e ação. Quando o judeu coloca o Tefilin, ele está metaforicamente "se ligando" a Deus, lembrando-se do compromisso com os mandamentos e da saída do povo hebreu da escravidão no Egito.  As tiras de couro que prendem as caixas são enroladas no braço e na mão de uma forma específica, chegando a formar letras do alfabeto hebraico que compõem um dos nomes de Deus (Shadai).

abril 10, 2026

UMA INSTITUIÇÃO QUE NASCEU COM A NAÇÃO - Helio P. Leite



O legado histórico e cultural do Grande Oriente do Brasil

“A independência é o primeiro passo de uma nação para escrever sua própria história.” – José Bonifácio de Andrada e Silva

Entre os muitos marcos da história brasileira, poucos possuem simbolismo tão forte quanto o ano de 1822. Foi o momento em que o Brasil rompeu os vínculos coloniais com Portugal e iniciou a construção de sua própria identidade política como Estado soberano.

Nesse mesmo ano, em 17 de junho de 1822, foi fundado o Grande Oriente do Brasil, instituição que atravessaria os séculos acompanhando de perto os principais momentos da vida nacional.

A coincidência histórica não é apenas cronológica. O nascimento do Grande Oriente do Brasil está intimamente ligado ao ambiente intelectual e político que antecedeu a Independência. Naquele período, ideias de liberdade, constitucionalismo e soberania nacional circulavam intensamente entre líderes políticos e pensadores do país.

Entre os homens que participaram desse cenário estavam figuras que se tornariam centrais na história brasileira, como Dom Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo. Esses personagens representavam correntes distintas de pensamento, mas compartilhavam uma convicção comum: o Brasil precisava assumir seu destino como nação independente.

Desde então, o Grande Oriente do Brasil manteve presença constante na vida pública brasileira. Ao longo do século  XIX, seus membros participaram dos debates políticos que moldaram o Império, contribuíram para a consolidação das instituições nacionais e se envolveram nas lutas por liberdades e cidadania.

Durante o movimento abolicionista e os debates que antecederam a Proclamação da República, também estavam entre seus quadros intelectuais, juristas e homens públicos que defendiam profundas transformações sociais e políticas.

Figuras de grande projeção nacional passaram por suas fileiras, como Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e o diplomata Barão do Rio Branco, cuja atuação foi decisiva na consolidação das fronteiras do Brasil no início do século XX.

Entretanto, a importância histórica do Grande Oriente do Brasil não reside apenas nos nomes ilustres que passaram por suas fileiras. Ela se manifesta também na preservação de uma tradição cultural própria, baseada em ritos, símbolos, valores filosóficos e práticas cerimoniais transmitidas entre gerações.

Durante mais de dois séculos, essa tradição foi mantida com continuidade institucional – algo raro na história das organizações civis brasileiras. O GOB atravessou mudanças de regime político, crises nacionais e transformações sociais profundas sem perder sua identidade histórica.

Em 2022, a instituição celebrou seu Bicentenário, alcançando a marca de duzentos anos de existência. Pouquíssimas organizações civis no Brasil podem apresentar um percurso histórico semelhante.

Essa longevidade, associada à permanência de práticas culturais, rituais e valores transmitidos ao longo do tempo, transforma o Grande Oriente do Brasil em um verdadeiro patrimônio cultural vivo da sociedade brasileira.

Por essa razão cresce entre estudiosos da história institucional do país a percepção de que o GOB reúne características que o qualificam para reconhecimento como patrimônio cultural imaterial da nação.

Tal reconhecimento não representaria apenas uma homenagem institucional. Seria, sobretudo, um gesto de valorização da memória histórica e das tradições culturais que acompanharam a formação do Brasil desde os seus primeiros passos como país independente.

Afinal, poucas instituições podem afirmar, com legitimidade, que nasceram praticamente junto com a própria Nação e caminharam ao seu lado durante mais de dois séculos. O Grande Oriente do Brasil é uma delas.

“Quando uma instituição nasce com a Nação e caminha com ela por dois séculos, sua história já não é apenas institucional – é patrimônio do Brasil.”



GOLDA MEIR, A DAMA DE FERRO




                Em novembro de 1947, uma mulher entrou em um carro em Jerusalém e desapareceu na noite. Ela usava vestes de uma mulher árabe como disfarce. Seu destino era a Transjordânia — território inimigo. Sua missão era encontrar-se secretamente com o Rei Abdullah I e negociar um acordo privado que pudesse evitar a guerra.

                Golda Meir ainda não era líder de uma nação. Israel ainda não existia. Mas ela já era uma das figuras mais importantes no movimento para criá-lo — e estava disposta a arriscar a vida para lhe dar uma chance. Ela tinha vindo de muito longe desde Kiev. Nascida em 1898 na cidade então conhecida como Kiev, no Império Russo, Golda Mabovitch cresceu na pobreza em meio ao brutal antissemitismo da Rússia czarista. Sua família fugiu — primeiro para Milwaukee, Wisconsin, onde ela cresceu, estudou e desenvolveu a forte consciência política que definiria tudo o que se seguiria.

               Como jovem, ela tomou uma decisão que pareceria impraticável para quase todos ao seu redor: mudou-se para a Palestina Britânica, juntando-se ao projeto sionista de construir uma pátria judaica no Oriente Médio. Ela passou as décadas seguintes fazendo exatamente isso — por meio de trabalho diplomático, organização política e uma extraordinária capacidade para o trabalho que realmente constrói nações: arrecadar dinheiro, fazer alianças e falar a verdade claramente em ambientes onde a verdade era desconfortável.

                Em 1948, com a independência de Israel iminente e o novo Estado desesperadamente carente de fundos, Meir viajou para os Estados Unidos em uma missão emergencial de arrecadação de fundos. Em questão de semanas, ela arrecadou aproximadamente US$ 50 milhões — uma quantia tão crucial que David Ben-Gurion, o pai fundador de Israel, mais tarde disse que ela era "a mulher judia que conseguiu o dinheiro que tornou o Estado possível". 

               Ela retornou para assinar a Declaração de Independência de Israel em 14 de maio de 1948 — uma das duas únicas mulheres entre os 37 signatários. A outra era Rachel Cohen-Kagan. Na fotografia tirada naquele dia, Meir teria chorado. As décadas que se seguiram construíram uma carreira política de extraordinária amplitude. Ela serviu como embaixadora de Israel na União Soviética, como ministra do Trabalho e como ministra das Relações Exteriores — acumulando experiência e autoridade que a tornaram, quando se tornou primeira-ministra em 1969, uma das líderes mais preparadas do mundo. 

               Naquela época, ela também lutava em segredo contra um linfoma — diagnosticado em 1965 e mantido em completo sigilo. Ela governou Israel — através de crises diplomáticas, através das pressões existenciais diárias de liderar uma pequena nação cercada por vizinhos hostis — enquanto lutava contra o câncer sozinha, sem contar a ninguém, porque havia decidido que as necessidades do país eram maiores que as suas. 

               A guerra que ela passou anos tentando evitar acabou acontecendo. Em 6 de outubro de 1973 — Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico — Egito e Síria lançaram um ataque surpresa coordenado contra Israel. A falha de inteligência foi devastadora. A situação militar inicial era terrível. Meir tomou decisões naquelas primeiras horas desesperadas que seus comandantes militares mais tarde creditaram por evitar uma catástrofe — autorizando a mobilização de reservas contra as recomendações, mantendo-se firme em meio ao caos inicial. Israel sobreviveu. Mas as consequências políticas foram brutais. Uma comissão de inquérito examinou as falhas de inteligência. A indignação pública exigiu responsabilização. 

            Em abril de 1974, Golda Meir renunciou — não porque foi considerada pessoalmente responsável, mas porque entendia que uma democracia às vezes exige que seus líderes absorvam o peso do fracasso institucional, independentemente da culpa individual. Ela morreu em dezembro de 1978, aos 80 anos — o linfoma que carregara em segredo por 13 anos finalmente levou o que a guerra e a política não haviam conseguido. 

            Ela era chamada de "Dama de Ferro" da política israelense muito antes de alguém aplicar essa descrição a qualquer outra mulher. Ela governou uma nação em guerra, em meio a sofrimento físico secreto, com uma clareza de propósito que deixava quase todos que a conheciam atônitos. Quando lhe perguntaram certa vez o que achava de ser chamada de grande mulher, ela teria dito que havia trabalhado duro para ser uma grande líder — o adjetivo, sugeriu ela, era irrelevante. Ela estava certa. E ela era ambas as coisas. 

Fonte: Facebook Via Things that will blow your mind

ARLS UNIÃO E SEGREDO 693 - EXALTAÇÃO

 


Na noite desta quarta feira visitei a ARLS Uniao e Segredo 693 que, sob o comando do VM Alex Tolentino Santos, realizou a bela e emocionante cerimônia de exaltação de dois companheiros que alcançaram o grau de Mestre Maçom, o topo da Maçonaria Simbólica. A sessão ocorreu no Templo especialmente destinado para este grau, no Palácio Maçônico Francisco Rorato da GLESP, com a presença de grande número de irmãos, visitantes e autoridades maçônicas. 

Participaram da sessão o irmão César de Oliveira, Delegado Distrital da 27a Região do 10 Distrito, o irmão Glaucio Dias Araújo, VM da ARLS São Paulo 43, que cedeu o Templo e a data para este trabalho, o irmão Julio Cesar Pelissari, VM da ARLS Leonardo da Vinci 538, que transferiu os seus trabalhos para realizar sessão conjunta, o irmão Marcelo Stlezer, VM da ARLS Verdadeira Amizade 727, o irmão Ricardo Augusto Alves. Rodrigues, VM da ARLS Estrela de David 421, e o Grande Representante da Bolívia pela GLESP, irmão Amilton Pessina além de visitantes de diversas Lojas.

A sessão, que marca a culminância da maçonaria simbólica foi muito bem conduzida pelo VM Alex e demais auxiliares, com respeito a ritualística, e sem afobação alguma. Apesar de serem dois os irmãos exaltados, o que sempre demora mais, os trabalhos foram encerrados por volta das 22:15.

Usando da palavra falei dos projetos da Biblioteca e de beneficência que realizo há mais de duas décadas. Por determinação do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad, em cada visita que realizo entrego às Lojas, através dos seus Veneráveis Mestres presentes, uma medalha histórica da GLESP para marcar o início das comemorações do Ano do Centenário da GLESP.

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