março 09, 2026

HIPÁTIA E A MULHER DE HOJE - Cesar Romão



Hipátia de Alexandria, 355 d.C – 415 d.C - pode ser vista como um espelho antecipado da mulher contemporânea. Assim como muitas mulheres de hoje, ela ocupou um espaço que historicamente lhe era negado: o espaço do saber, da palavra pública e da influência intelectual. Sua existência foi, por si só, um ato de ruptura.

Hipátia ensinava, argumentava, orientava governantes e pensava de forma autônoma em uma sociedade que esperava da mulher o silêncio e a submissão. 

A mulher atual, embora em outro contexto histórico, ainda enfrenta resistências semelhantes quando assume posições de liderança, produz conhecimento, questiona dogmas ou se recusa a aceitar papéis impostos. Mudaram os cenários, mas o desconforto causado pela mulher que pensa livremente permanece.

Hipátia não foi morta por ser apenas mulher, ela foi morta por ser mulher, livre, intelectual, influente e viver por sua verdade. Foi assassinada de forma violenta. Uma atrocidade de apedrejamento, seu corpo foi esquartejado e os restos levados para fora da cidade, onde foram queimados. Um ato cruel realizado por uma multidão fanatizada, ligada a disputas religiosas, políticas e sociais. 

Não se tratou apenas de matar uma pessoa, mas de apagar um símbolo e tudo aquilo que Hipátia representava. 

A violência que atingiu Hipátia não precisa hoje ser física para ser real. Ela se manifesta no descrédito intelectual, no ataque moral, na deslegitimação da fala feminina e no ato covarde do feminicídio, que atinge neste pais uma média de quatro mulheres por dia. Tudo na tentativa de reduzir a mulher ao emocional, ao privado, ao objeto ou ao secundário. 

Assim como no passado, o saber feminino e a liberdade de expressão feminina ainda são vistos por muitos, como ameaça à ordem estabelecida e o machismo decadente e doentio. 

Toda mulher que pensa livremente carrega consigo o risco de incomodar. Mas também carrega a força da transformação. Hipátia não morreu em vão, ela sobrevive como símbolo de que a razão, quando encarnada no feminino, desafia estruturas e amplia os limites da civilização.

A violência contra mulher não pode continuar a ser um suposto legado de nossa civilização, que já escravizou, apedrejou, queimou, praticou e pratica tantas outras formas cruéis utilizadas para ceifar a tradição feminina e sua magnitude existencial. 

Atena, Hera, Afrodite, Deméter e Medusa, eram cultuadas por serem um Mito, se fossem mulheres reais talvez tivessem o mesmo destino de Hepátia e nossas mulheres contemporâneas.

Calíope, Clio, Érato, Euterpe, Melpômene, Polímnia, Tália, Terpsícore e Urânia, também eram cultuadas por serem filhas de Zeus que simbolizam a ideia de que o conhecimento, a arte e a criação nascem da memória, da reflexão e da inspiração, não apenas da técnica. 

Não há ser com tanta memória e inspiração como a Mulher. Cada Musa destas inspirava e ainda inspira uma área do saber ou da arte. Por DNA Genético de alguma forma são presentes na Mulher, o que as torna sem precedentes no quesito intuição feminina.  

- Será que a Mulher para ser cultuada e respeitada precisa ser um Mito, uma estátua de mármore ou uma Musa? 

Entre as Mulheres reais que enalteceram suas características progressistas e de sabedoria tivemos ainda: Safo de Lesbos, Aspásia de Mileto e Diotima de Mantíneia. Filhas da Filosofia num tempo onde homens se consideravam a supremacia entre os gêneros humanos. Uma supremacia que ainda perdura, ao ponto de tirarem a vida de uma Mulher. 

Mulheres resistiram e ainda resistem a mais batalhas existências do que se pode imaginar para se manterem dentro de seus princípios, fieis ao que acreditam e tornando o mundo melhor.

Quando se tira a vida de uma mulher é como retirar uma estrela do céu, a noite fica mais escura e o universo mais triste. 

Não pode haver afrouxo ou impunidade aos que tratam a Mulher como aqueles fanáticos de Alexandria que tentaram retirar da história os valores de Hepátia. 

Toda mulher é uma Musa, aquela que é a personificação da inspiração que transforma pensamento em criação. 




UMA HERANÇA MEDIEVAL

      


    Você já percebeu que no Brasil dirigimos pela direita, mas no Reino Unido, Japão e Austrália as pessoas dirigem pela esquerda? Essa diferença não é aleatória nem cultural no sentido amplo — tem raízes históricas concretas que remontam à Idade Média e ao período napoleônico, e o fato de que hoje 35% dos países ainda adotam a esquerda revela o quanto hábitos seculares resistem à padronização global.

          A origem da mão esquerda vem dos cavaleiros medievais europeus: a maioria das pessoas é destra, e um cavaleiro montado à esquerda da estrada mantinha a mão direita — a da espada — voltada para possíveis oponentes vindo em sentido contrário. Essa prática foi codificada pelo Papa Bonifácio VIII em 1300, que ordenou que peregrinos em Roma mantivessem a esquerda. O Reino Unido manteve essa tradição e a exportou para seu vasto império — daí Índia, Austrália, África do Sul, Japão (que adotou por influência britânica no século XIX) e dezenas de outros países ainda dirigirem pela esquerda hoje. A mudança para a mão direita foi impulsionada pela Revolução Francesa e por Napoleão Bonaparte, que adotou a direita por motivos tanto práticos (carruagens de quatro cavalos eram mais fáceis de controlar por cocheiros destros na direita) quanto políticos — diferenciar-se da aristocracia britânica. Com as conquistas napoleônicas, a norma da direita se espalhou pela Europa continental, e os EUA — tendo rompido com a coroa britânica — adotaram naturalmente o padrão continental.

          O Brasil seguiu o padrão português e depois o continental europeu. Hoje, mudar um país inteiro de lado de direção é um projeto de décadas: a Suécia foi o último país europeu a fazer a transição, mudando da esquerda para a direita em 3 de setembro de 1967 — o chamado "Dagen H" (Dia H), quando toda a população trocou de faixa ao mesmo tempo às 5h da manhã, em um dos maiores exercícios de logística nacional da história moderna. O trânsito ficou quase vazio por dias. Nenhum acidente grave ocorreu.

          A estrada que você percorre hoje foi escolhida por um cavaleiro medieval com uma espada no lado direito. 





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#DireitaOuEsquerda #HistóriaDoTrânsito #Curiosidades #NapolãoNasRuas #trajetoriatop

A MAÇONARIA NA GRÉCIA - Luciano J. A. Urpia



A Maçonaria na Grécia começou a se estruturar no final do século XVIII, com as primeiras lojas de língua grega surgindo por volta de 1780, influenciadas por organizações como os "Bons Exaltados" em Viena, que uniam cristãos dos Balcãs na luta pela libertação do jugo otomano. O grande marco, porém, ocorreu nas Ilhas Jônicas, sob domínio veneziano, onde o Conde Dionísio Roma emergiu como o verdadeiro fundador da Maçonaria grega. Em 1811, após obter reconhecimento do Grande Oriente da França, Roma estabeleceu a primeira administração unificada, dando à Maçonaria helênica um status institucional e permitindo seu desenvolvimento com identidade própria.

A Irmandade teve papel fundamental na preparação da Revolução Grega de 1821. Muitos líderes da independência eram maçons, como Theodoros Kolokotronis, Germanos de Patras e Ioannis Kapodistrias. A Loja "Bienfaisance et Philogénie Réunis" em Corfu tornou-se centro de atividade patriótica, enquanto maçons gregos no exterior fundaram lojas que serviram como fachada para a organização secreta da luta. Foi nesse ambiente que, em 1814, Emmanuel Xanthos, inspirado pelos ideais maçônicos, idealizou a criação da "Filiki Eteria" (Sociedade dos Amigos), que seria fundamental para deflagrar a Revolução.

Após a independência, a Maçonaria grega enfrentou períodos de declínio e reorganização, mas consolidou-se definitivamente a partir de 1868 com a criação da Grande Loja da Grécia. Ao longo do século XX, expandiu seu trabalho humanitário, fundando instituições como o hospital oncológico "Agii Anargyroi" e promovendo campanhas de doação de sangue e órgãos. Hoje, com 120 Lojas em todo o país e reconhecimento internacional, a Grande Loja da Grécia mantém-se fiel aos princípios maçônicos de aprimoramento moral, filantropia e contribuição à sociedade grega.

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


março 08, 2026

8 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER - Gabriel Valentini


 

A própria linguagem já nos oferece um belo ponto de partida para refletirmos sobre o feminino no universo simbólico da Maçonaria. Dizemos *a Maçonaria*. A palavra que designa nossa Ordem é feminina, como se a própria instituição carregasse, em sua essência, um princípio gerador, acolhedor e formador, quase maternal em sua natureza simbólica.

Dentro do vocabulário maçônico encontramos outra expressão igualmente significativa, *Loja-Mãe*. O termo é tradicionalmente utilizado para designar a Loja onde o maçom foi iniciado, aquela que o recebeu pela primeira vez em seus augustos mistérios e onde teve início sua jornada na senda iniciática. É ali que ocorre o nascimento simbólico do maçom para uma nova vida moral, filosófica e espiritual. Assim como uma mãe que conduz os primeiros passos de um filho, a Loja-Mãe acolhe, orienta e transmite os primeiros ensinamentos que guiarão o iniciado na difícil, porém nobre tarefa de lapidar a própria pedra bruta.

A simbologia maçônica também preserva, em diversos momentos, referências ao princípio feminino. Em antigas representações alegóricas, a própria Maçonaria aparece personificada como uma figura feminina serena e majestosa, guardiã da sabedoria e da virtude. No interior do Templo, encontramos ainda a Coluna da Beleza, que nos recorda que nenhuma construção se sustenta apenas pela força ou pela sabedoria. É a beleza, entendida como harmonia, sensibilidade e equilíbrio, que confere plenitude à obra.

Esses elementos não surgem por acaso. A tradição simbólica da Maçonaria é construída com profundo sentido pedagógico e filosófico. Ela nos ensina que a verdadeira edificação do homem exige não apenas rigor, disciplina e estudo, mas também sensibilidade, cuidado, equilíbrio e capacidade de acolhimento.

E é justamente nesse ponto que a reflexão se torna ainda mais significativa.

Muitas das virtudes que buscamos cultivar dentro da Loja, a paciência, a tolerância, a capacidade de escutar, o espírito de cuidado, a sensibilidade diante do sofrimento humano e a dedicação silenciosa ao bem, são qualidades que, com frequência admirável, encontramos naturalmente presentes na vida e na conduta de inúmeras mulheres.

Enquanto nós, maçons, dedicamos anos de estudo e reflexão para aprender a exercitar tais virtudes, muitas mulheres as praticam diariamente, de forma espontânea e generosa, no cuidado com a família, na educação dos filhos, na dedicação ao próximo e na força silenciosa com que enfrentam os desafios da vida.

Talvez por isso a tradição simbólica tenha preservado, ainda que discretamente, essa presença do feminino em sua própria linguagem e em seus símbolos. Como se nos lembrasse que nenhuma construção verdadeiramente humana se sustenta sem a delicadeza, a sensibilidade e a força moral que tantas mulheres demonstram em sua caminhada.

Neste *Dia Internacional da Mulher*, fica nossa sincera homenagem a todas elas, *mães, esposas, filhas, irmãs e amigas* que, com sua presença, tornam o mundo mais humano e mais luminoso.

Porque, se a Loja-Mãe nos concede o nascimento maçônico, a vida nos ensina que muitas das virtudes que buscamos aprender dentro do Templo já habitam, desde sempre, no coração das mulheres, como uma forma serena de sabedoria, uma beleza discreta e uma força capaz de transformar o mundo com gestos simples, mas profundamente humana.



JOIA OU OBRA ESPLENDOROSA - Adilson Zotovici




Bem difícil a definição 

Joia, obra esplendorosa 

A qual sobra em perfeição  

Rara pedra preciosa


Que medra em cada missão 

Destemida e poderosa 

E movida pela razão 

Com sua força espantosa 


Muito além de geração

Ou amante extremosa 

Avante em cada profissão 

Que se mantém grandiosa


A guardiã por vocação 

Da família, cautelosa 

Com elã e abnegação 

No afã o quão bondosa 


Ser inefável, de visão 

Oprimida e corajosa 

Que em sua lida o bordão 

Afável líder, auspiciosa 


Tema de grande inspiração 

Tal qual oração gloriosa 

Que o poeta, há muito, à exaustão 

Diz em poema...glamurosa !  


Assim mistér a conclusão :

Ser de amor, prodigiosa 

É a “Mulher”, que a CRIAÇÃO... 

Do SENHOR a mais formosa !



PALESTRA CONSIDERAÇÕES FiLOSOFICAS - Denizart Silveira de Oliveira Filho


PALESTRA “CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS E INICIÁTICAS AOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA MAÇONARIA.” 
 Ir∴ DENIZART SILVEIRA DE OLIVEIRA FILHO  



 

A INICIAÇÃO DE FATO - Adilson Zotovici





Controvérsias sobre o ato

Que se tem dito à exaustão

Mito sobre o desiderato

Da verdadeira iniciação


Em que pese atenção e tato

O cuidado e a inspiração

Em tese, a condução, o trato

É o fado à introspecção


Ato inicial com aparato

Que o esperto com cognição

Leva ao “seu ser” o candidato

Decerto à surdir nova visão


A incitar brilho que lhe é nato

E desperto à Luz, à ascensão

Que se conduz intimorato

No trilho incerto da perfeição


E na validação um hiato  !

Que no decorrer dessa incursão

“Iniciação ou não, de fato”...

Está na sua “Transformação” !



A FILOSOFIA INICIÁTICA DA VERDADE - Izautonio Machado


 

Um dos grandes propósitos da humanidade é a busca pela verdade. Tantos filósofos já se debruçaram sobre este tema, e ele sempre permanece desafiador no íntimo dos homens que cultivam o amor pela Sabedoria.

Muitas pessoas nem sequer cogitam esta busca.Seu fraco entendimento, aliado aos desejos e às satisfações materiais - que lhes obscurecem a visão - fazem com que não revelem nenhum interesse por descobrir sentido profundo das coisas.

A Arte de pensar nos conduz à investigação dos grandes enigmas da humanidade, por intermédio da reflexão em busca de respostas que darão sentido às nossas vidas. 

A busca pela verdade fez com que surgissem no seio da humanidade inúmeros sistemas filosóficos e religiosos que se propõem a responder às indagações nascidas da “necessidade de saber”. Não obstante, é por intermédio do raciocínio e da meditação que podemos aproximar nossos pensamentos da fonte pura da verdade.

Não é só por meio da simples leitura, mas pela reflexão, que se distingue os verdadeiros Iniciados.

O verdadeiro conhecimento está além das palavras e expressões; é a concepção do que está além do aparente que nos aproxima do entendimento mais profundo dos mistérios da Vida e do Universo. 



março 07, 2026

CIENTIFICAMENTE COMPROVADO!



Os idosos são ridicularizados quando falam demais, mas os médicos veem isso como uma bênção, dizendo que os idosos aposentados deveriam falar mais porque atualmente não há como prevenir a perda de memória. A única maneira é falar e falar, cada vez mais. Existem pelo menos três benefícios para os idosos que falam mais...

Primeiro: Falar ativa o cérebro, pois a linguagem e os pensamentos se comunicam, principalmente quando se fala rápido, isso naturalmente acelera o pensamento e melhora a capacidade de memória. Idosos que não falam têm maior probabilidade de desenvolver perda de memória.

Dois: Falar mais previne doenças mentais e reduz o estresse. Os idosos muitas vezes guardam tudo no coração sem dizer ou desabafar nada, sentem-se sufocados e desconfortáveis. Dar aos idosos a oportunidade de falar mais e ouvir uns aos outros irá ajudá-los a sentirem-se melhor.

Terceiro: A fala exercita os músculos ativos da face, exercita a garganta, aumenta a capacidade dos pulmões e reduz os perigos ocultos da vertigem e da surdez, que freqüentemente prejudicam os olhos e os ouvidos.

Resumindo: como adulto mais velho, a única maneira de prevenir a doença de Alzheimer é conversar ativamente e interagir com o maior número de pessoas possível. Não há outro remédio para isso. Por isso, é recomendado que grupos de amigos mais velhos se reúnam em algum lugar pelo menos uma vez por semana, durante cerca de 2 ou 3 horas, para trocar opiniões e desestressar com um sorriso.



O MALHETE DE WASHINTON - Luciano J. A. Urpia .


Pela primeira vez na História, o malhete utilizado por George Washington na cerimônia maçônica de lançamento da pedra fundamental do Capitólio dos Estados Unidos, em 1793, esteve presente durante o discurso sobre o Estado da União proferido pelo presidente Donald Trump no último dia 24 de fevereiro de 2026. A solicitação partiu do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, como parte das comemorações dos 250 anos da fundação do país.

O artefato histórico pertence à Loja Maçônica Potomac nº 5, a mais antiga de Washington, D.C., e guardiã do malhete desde que o primeiro presidente americano, iniciado na Maçonaria em 1752, o confiou ao irmão Valentine Reintzel após a cerimônia de 1793. Na ocasião original, Washington liderou uma procissão solene com Lojas Maçônicas e artilharia, atravessou o rio Potomac e desceu pessoalmente à trincheira onde seria erguido o Capitólio, realizando o ritual com milho, vinho e óleo, símbolos maçônicos de alimento, refresco e alegria.

Ao longo de mais de dois séculos, o malhete histórico foi emprestado apenas para cerimônias de lançamento de pedras fundamentais de monumentos emblemáticos, como o Monumento a Washington, a Catedral Nacional e a Instituição Smithsonian. Sua presença inédita no discurso presidencial representou um gesto simbólico de continuidade histórica, conectando os rituais fundacionais da república ao atual momento político americano.

Vale ressaltar que Donald Trump não é maçom.

Fonte: The Washington Times | washingtontimes.com em Curiosidades da Maçonaria


março 06, 2026

QUANTAS VOZES A IGREJA SILENCIOU




Durante séculos, a Igreja Católica foi uma das instituições mais poderosas do planeta e como toda autoridade absoluta, também errou, algumas vezes de forma histórica.

O caso mais famoso é o de Galileu Galilei, em 1633, o cientista italiano foi julgado pela Inquisição por afirmar algo hoje óbvio: a Terra gira em torno do Sol. 

A teoria heliocêntrica contrariava a interpretação literal das Escrituras adotada pela Igreja na época, Galileu foi forçado a se retratar publicamente e passou o resto da vida em prisão domiciliar, seu crime não foi científico, foi político.

Somente em 1992, quase 350 anos depois, o Vaticano reconheceu oficialmente que errou ao condená-lo. 

O Papa João Paulo II declarou que a Igreja havia cometido um “erro trágico de julgamento”, Galileu já estava morto há mais de três séculos.

Mas ele não foi o único.

Durante a Inquisição, tribunais eclesiásticos perseguiram judeus, muçulmanos convertidos, mulheres acusadas de bruxaria e qualquer pessoa considerada “ameaça à ordem religiosa”. 

Estima-se que dezenas de milhares foram presas, torturadas ou executadas em nome da fé.

Em 2000, o mesmo João Paulo II fez um pedido público de perdão pelos “pecados cometidos pelos filhos da Igreja” ao longo da história,  incluindo violência religiosa, perseguições e abusos de poder. 

Foi um gesto simbólico, mas sem punições, indenizações ou revisões jurídicas dos atos cometidos.

O pedido de desculpas não apaga o passado, mas revela algo importante: instituições também erram e quase sempre demoram a admitir.

A pergunta que fica é incômoda:  quantos outros “Galileus” a história ainda silenciou antes de pedir perdão?

O CONDE DE GRASSE-TILLY - Kennyo Ismail



Alexandre François Auguste de Grasse (14/02/1765 - 10/06/1845), que se tornaria Conde de Grasse-Tilly, é um dos 11 Cavalheiros de Charleston, pais dos Altos Graus do R.E.A.A.; o responsável pela sua exportação, dos EUA para a Europa; e pai de seus Graus Simbólicos.

Ele era membro da célebre loja francesa "Saint Jean d'Écosse du Contrat Social”, que ostentava o título de "Loja Mãe Escocesa da França". Mas como oficial do exército francês, assumiu um posto na colônia da Ilha de São Domingos, hoje dividida entre República Dominicana e Haiti. Lá, adquiriu uma plantação de tabaco e escravizados. Quando da Revolução Haitiana, teve que partir com sua família para Charleston, na Carolina do Sul, EUA, onde, envolvido com as atividades maçônicas, fez parte do grupo que desenvolveu o R.E.A.A. e fundou seu 1º Supremo Conselho, em maio de 1801 (190). 

A maioria dos rituais incluídos aos do Rito de Heredom, para compor o novo rito, foram fornecidos por Grasse-Tilly e eram praticados por sua loja.

Grasse-Tilly retornaria a São Domingos, onde, em 1802, funda o Supremo Conselho de Porto Príncipe (191). Em 1804, consegue transferência para a França, onde funda o Supremo Conselho da França, em 20/10/1804. Um mês depois, funda a Grande Loja do R.E.A.A. da França, elaborando os rituais do simbolismo para esta. Isso levou o Grande Oriente da França a fazer um acordo, incorporando as lojas da Grande Loja e passando a permitir os trabalhos nos graus simbólicos do R.E.A.A. (192).

Durante as Guerras Napoleônicas, por suas obrigações militares, Grasse-Tilly dirigiu-se a outros países europeus onde fundou novos Supremos Conselhos, na Itália (1806) e na Espanha (1811). Posteriormente, fundaria também na Bélgica, então parte dos Países Baixos (1817). Este último concederia patente a Montezuma, em 1829 (193).

Por isso, se não fosse o Conde de Grasse-Tilly, o R.E.A.A. não teria se espalhado pelo mundo, ainda na primeira metade do século XIX; os graus simbólicos do rito não teriam sido desenvolvidos; e Montezuma não teria criado o Supremo Conselho brasileiro.

Grasse-Tilly morreu aos 80 anos de idade, vítima de pneumonia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(190) MACKEY, A. G. An Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences. New York & London: The Masonic History Company, 1914.

(191) COIL, H. W.; BROWN, W. M. Coil's Masonic Encyclopedia. New York: Macoy, 1961.

(192) SIMON, J. REAA: Rituel des trois premiers degrés selon les anciens cabiers - 5829. Bonneuil-en-Valois:

Éditions de La Hutte, 2013.

(193) ISMAIL, K. Ordem sobre o caos. Brasília: No Esquadro, 2020.

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.


março 05, 2026

O ORIENTE NA TRADIÇÃO MAÇÔNICA - Jorge Gonçalves


 

Desde as primeiras civilizações, a observação do movimento do Sol permitiu identificar direções fixas no horizonte, originando os pontos cardeais. Essa orientação também aparece nas tradições religiosas: “A glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta que está voltada para o Oriente.” (Ezequiel 43:4)

Na Maçonaria, essa simbologia também se manifesta na orientação da Loja. Nos costumes dos “Modernos”, a Loja está organizada no eixo Oriente e Ocidente, com o Venerável Mestre no Oriente e os Vigilantes no Ocidente. Já na tradição dos “Antigos”, os três oficiais refletem o movimento aparente do Sol: o Venerável no Oriente, o Primeiro Vigilante no Ocidente e o Segundo Vigilante ao Sul.

Na próxima terça feira, dia 10 de março, às 19h30, o Ir∴ *Natanael Fernandes de Souza*, praticante do R∴E∴A∴A∴ e herdeiro da tradição dos “Antigos”, fará uma apresentação em uma Loja do Rito Moderno, abordando a evolução histórica do Oriente no templo maçônico.