fevereiro 14, 2026

O MITO DO PODER E A MISSÃO REAL: ONDE ESTÁ HOJE A MAÇONARIA BRASILEIRA


Artigo de Helio P. Leite 

Entre a nostalgia do passado e os desafios institucionais do presente

Há um jargão repetido com frequência, inclusive por maçons, segundo o qual a Maçonaria no Brasil “vive das glórias do passado”, não produz mais líderes ou estadistas e deixou de integrar a elite estratégica do país. A afirmação embora contenha elementos de verdade, é simplificadora e, em certa medida, injusta com a própria história e com a função contemporânea da Ordem.

É inegável que a Maçonaria não ocupa hoje o espaço político-institucional que exerceu no século XIX e nas primeiras décadas da República. Naquele período, ela foi um dos raros ambientes de formação intelectual, filosófica e política disponíveis às elites dirigentes. Foi ali que se articularam projetos de Independência, de organização do Estado, da abolição e da República. Esse ciclo histórico, contudo, pertence a um Brasil em formação.

O erro começa quando se exige da Maçonaria do século XXI o mesmo papel da Maçonaria do século XIX. As sociedades modernas são estruturalmente diferentes. Hoje, a formação das lideranças é distribuída entre universidades, partidos políticos, instituições jurídicas, centros de pesquisa, igrejas, imprensa e organizações civis. Nenhuma ordem iniciática, por mais respeitável que seja, detém mais o monopólio da formação das elites.

Dizer que a Maçonaria “não produz mais líderes” é confundir ausência de heróis míticos com ausência de influência social. A Ordem continua formando magistrados, professores, militares, diplomatas, gestores públicos, empresários e líderes comunitários. A diferença é que essa influência tornou-se mais silenciosa, difusa e descentralizada – característica típica das sociedades maduras.

Também é preciso distinguir poder visível de influência duradoura. A Maçonaria não é mais uma elite hegemônica de governo. Mas continua sendo uma elite associativa, moral e histórica, com capacidade de formar redes de confiança, promover filantropia, educação e valores cívicos. Seu capital simbólico permanece relevante em muitas regiões do país.

Outro equívoco recorrente está em supor que a missão da Maçonaria seja fabricar estadistas. Nunca foi. Sua vocação  essencial é formar homens melhores, mais conscientes de seus deveres, mais preparados para servir à sociedade – seja como governantes, juízes, professores, pais de família ou cidadãos. Quando cumpre essa função, ela já realiza sua finalidade mais profunda.

Há ainda um aspecto pouco debatido, mas recorrente nos bastidores da Ordem. Muitos maçons dirigem críticas severas aos seus Grão-Mestres pelo fato de não se manifestarem publicamente, em nome da Maçonaria, contra os desmandos políticos, os escândalos de corrupção e abusos de poder que afligem o país. Espera-se deles uma postura semelhante à dos líderes maçônicos do século XIX, quando a Ordem atuava como força política organizada.

Essas críticas, contudo, partem muitas vezes de uma percepção anacrônica da realidade. São maçons saudosistas, que acreditam que a Maçonaria ainda detém, no Brasil contemporâneo, o mesmo poder político que exerceu nos tempos da Independência, da Abolição ou da Primeira República. Ignoram que o sistema político atual é regido por outras lógicas institucionais, jurídicas e midiáticas, nas quais uma potência maçônica já não possui legitimidade formal nem espaço institucional para agir como ator político direto.

Mais do que omissão, o silêncio dos Grão-Mestres costuma ser expressão de prudência institucional. Em um Estado democrático de direito, cabe às instituições maçônicas respeitar a separação entre sociedade civil organizada e poder constituído, evitando comprometer a Ordem em disputas partidárias ou ideológicas que poderiam fragmentá-la internamente.

Talvez caiba, neste ponto, uma responsabilidade pedagógica aos próprios Grão-Mestres. Não para assumir um protagonismo político que já não lhes pertence, mas para esclarecer, com franqueza, aos Veneráveis Mestres e às Lojas de suas jurisdições em que patamar político efetivo hoje se encontram as potências maçônicas no campo do poder. Menos do que alimentar expectativas irreais, é preciso educar para a compreensão do novo lugar institucional da Maçonaria na sociedade brasileira.

Há ainda um dado incontornável: instituições irrelevantes não sobrevivem por mais de dois séculos. A Maçonaria brasileira atravessou Império, República, ditaduras e democracias. Sobreviveu a perseguições, divisões e crises internas. Essa longevidade não se explica apenas por nostalgia, mas por uma capacidade real de adaptação e renovação.

O problema, portanto, não é a existência de um passado glorioso. O problema seria transformar esse passado em refúgio, em vez de responsabilidade. A grande questão contemporânea não é se a Maçonaria teve importância histórica – isso é um fato -, mas como ela traduz esse legado em missão presente.

Talvez não seja mais forjadora de heróis nacionais. Mas ainda pode – e deve – ser escola permanente de ética, civismo e compromisso social. Se não governa mais a nação, ainda pode ajudar a formar melhores cidadãos para governá-la.

Ness sentido, a crítica que  afirma que a Maçonaria vive apenas das glórias do passado revela menos sobre a instituição  e mais sobre a necessidade de redefinir, com lucidez e coragem, o seu papel no Brasil do nosso tempo.



E O ZERO? - Heitor Rodrigues Freire









De repente, me vi fascinado quando percebi a importância do zero. Até então, eu não havia parado para analisar ou entender seu significado. Fiquei encantado com sua importância, que decorre diretamente de sua manifestação silenciosa e significativa.

O zero é um dos conceitos mais revolucionários e fascinantes da história do pensamento humano. Embora hoje pareça óbvio, ele demorou séculos para ser amplamente difundido.

A criação do zero pode ser considerada um fato tão importante para a humanidade quanto o domínio sobre o fogo ou a invenção da roda, na pré-história. Apesar de ser um número natural, ele não foi criado como unidade natural, isto é, não foi criado para a contagem.

O zero foi o último número a ser criado. Sua origem deveu-se não à necessidade de marcar a inexistência de elementos num conjunto, mas uma concepção posicional da numeração.

O zero resolveu o problema da mecanização das operações numéricas, dos cálculos, o que permitiu as criação das máquinas de calcular e dos computadores. Basta lembrar que o zero constitui o fundamento da linguagem computacional.

Até a criação do zero, a humanidade encontrava uma forma bastante particular de representar e contar quantidades. Os algarismos romanos não foram desenvolvidos para desenvolver cálculos, mas para registrar quantidades. Não havia representação entre os algarismos romanos para o zero.

Os babilônios (3.000 a.C.), usavam dois pequenos calços inclinados para marcar um espaço vazio entre números (para distinguir, por exemplo, 101 de 11). 

Os maias desenvolveram o zero por volta do ano 4 d.C., usando o símbolo de uma concha. Eles o utilizavam de forma complexa em seu calendário, mas esse conhecimento não influenciou o resto do mundo porque estavam isolados geograficamente. Ao mesmo tempo, essa barreira demonstra como o conhecimento circula no tempo e no espaço.

Então, quem “inventou” o zero?

A resposta curta é que não houve um único "inventor", mas sim uma evolução conceitual e simultânea que ocorreu ao longo de séculos.

No entanto, se tivermos que dar crédito a uma cultura e a um indivíduo pela forma como usamos o zero hoje (como um número real e não apenas um espaço vazio), o crédito vai para a Antiga Índia e para o matemático Brahmagupta, que viveu no século VII. Em seus escritos, ele teorizou sobre o conceito de zero, identificando-o como um número com valor próprio nulo e o definiu como o resultado da subtração de um número a si próprio.

Esta definição parece ter-se difundido, e o zero foi ativamente incluído na notação indiana. Os registos numéricos parecem indicar que, a partir dessa época, sua utilização se popularizou. Assim, no século IX, o matemático indiano Mahavira estudou e estabeleceu as operações de adição, subtração e multiplicação envolvendo o número 0. No entanto, ele falhou no resultado da divisão, o que foi corrigido no século XII por Bhaskara II, o último matemático clássico indiano. 

O zero significa três coisas ao mesmo tempo: um conceito que representa o "nada" ou o "vazio"; um número usado para quantificar a ausência de objetos; e um algarismo que serve como marcador de posição no nosso sistema numérico. Em resumo, o zero é mais do que "nada"; ele é a ponte entre o positivo e o negativo, a base do nosso sistema numérico e um pilar da ciência e da tecnologia, sendo um dos conceitos mais revolucionários da história humana. 

Filosoficamente, o zero nos ensina que o nada é tão vital quanto o ser. Sem o zero, não há sistema binário, não há cálculo, não há compreensão do vácuo e não há entendimento da liberdade humana. O zero é a borda onde a realidade termina e a possibilidade começa.

A introdução do zero forçou a filosofia a lidar com um paradoxo fundamental: como podemos dar um nome e um símbolo para algo que não existe? Ou seja, criou-se um enigma que forçou os matemáticos e os filósofos a buscar um significado e um símbolo que representasse e conceituasse o zero.

Assim, podemos ver como a história é algo realmente fascinante e merece uma busca aprofundada a quem se propõe a obter conhecimento. A internet é farta em informações das mais variadas fontes, filosóficas e históricas, principalmente. Viva a curiosidade e o conhecimento!


fevereiro 13, 2026

INSATISFAÇÃO - Sidnei Godinho


Há um ditado popular que diz:

..."Quem não sabe o que quer, perde o que tem e depois descobre que perdeu o que queria"...

Quantas e quantas vezes passamos por situações de mudanças que requerem decidir por onde seguir, abandonar o que não mais importa, adaptar-se às novas condições e aceitar o que se tornou inevitável.

É um ciclo normal e que se aplica à qualquer campo da vida, seja na família, escola, trabalho, nas interações sociais e mesmo nos sentimentos, onde aflora tanto o compatível quanto as ranhuras duma relação. 

Não é o conflito de mudar que causa a angústia, mas a incerteza do por quê, afinal há quem apenas não se contente nunca com o que tem ou com quem é.

E há ainda aqueles que desejam mudar pelo que vê nos outros e não em si mesmo, mais uma falácia da Vaidade que oculta a amarga necessidade de se comparar para ser igual num universo que é distinto.

Cada um é único e a cada um Deus lhe concede uma história ímpar de vivências próprias.

Não relegue então quem o universo lhe permitiu se tornar para ter ou ser o que vê na aparência alheia.

Mudar não é proibido, mas sempre haverá o custo da dúvida entre estar certo ou errado, ao menos pondere a vontade, não pelo que simplesmente deseja, mas pelo que é necessário.

..."O que tenho, trago de onde venho e define quem sou.

O que vejo é o que almejo de onde não vim e de quem não me tornei"...

Aprenda a decidir pelo que realmente é importante e mais, aprenda a reconhecer o que conquistou para não se sentir vazio quando cheio de recursos ou mesmo estar solitário quando rodeado de amigos.

Não queira um dia descobrir que já tinha o que precisava e perdeu na busca do que apenas queria.



O ALFABETO GREGO



O alfabeto grego é um dos sistemas de escrita mais antigos ainda em uso, surgido por volta do século IX a.C.. Ele influenciou diretamente o alfabeto latino (usado no português) e é muito utilizado até hoje em ciência, matemática, física, química, filosofia e medicina.

fevereiro 12, 2026

JOHN LOCKE - O HOMEM MAIS PERIGOSO DO MUNDO!

 


Em 1683, o homem mais perigoso do mundo fugiu da Inglaterra para a Holanda.

 Não parecia muito formidável.  

Ele tinha 51 anos, era magro e asmático.  

Ele tinha, de acordo com uma descrição, “um rosto comprido, nariz grande, lábios carnudos e olhos suaves e melancólicos”.

 No entanto, o rei da Inglaterra o considerava um de seus inimigos mais mortais.

Como braço direito do principal adversário político de Carlos II no país, era suspeito de conspirar para assassinar o rei.

 Mas o que realmente o tornava uma ameaça ao trono não era sua habilidade nas artes mortais, mas seu gênio nas artes literárias.

 Nas mãos de John Locke, a caneta era realmente mais poderosa que a espada.

 Locke deixou a Inglaterra com uma arma poderosa: uma que acabaria derrubando não apenas um monarca, mas todos.  

Essa arma era um livro, na época um rascunho inédito: Dois Tratados de Governo.

 Esse livro foi um caso filosófico sistemático para a liberdade.  

Locke sabia que seu livro antiabsolutista poderia levá-lo à morte pelo monarca absoluto da Inglaterra.  

De fato, no mesmo ano, o aliado de Locke, Algernon Sidney, foi executado por traição, e os Discursos sobre o governo de Sidney foram citados como prova em seu julgamento.

 Assim, Locke não publicou seus Tratados até 1689, um ano depois que o sucessor de Carlos,Jaime II, foi deposto na "Revolução Gloriosa",e mesmo assim apenas anonimamente. 

 Locke negou publicamente a autoria pelo resto de sua vida, admitindo-a apenas em seu testamento. 

 Locke morreu em 1704.

 No final do século, as ideias dos Dois tratados sobre o governo de Locke tornaram-se os elementos da filosofia fundadora da América:

 Igualdade, no sentido original, não de habilidades iguais ou riqueza igual, mas de não subjugação;

 Direitos inalienáveis;

não aos direitos do governo, mas à vida, liberdade e propriedade;

 Democracia, no sentido original, não de mero voto majoritário, mas de soberania popular: a ideia de que os governos não devem ser senhores, mas servidores do povo;

Consentimento dos governados;

a ideia de que os governos só podem governar legitimamente com o consentimento dos governados, ou seja, do povo soberano;

 Governo Limitado;

A ideia de que o único propósito e escopo adequado do governo legítimo é apenas garantir os direitos do povo;

 Direito de Revolução;

A ideia de que qualquer governo que ultrapasse seus limites e espezinha os próprios direitos que foi encarregado de garantir é uma tirania, e que o povo tem o direito de resistir, alterar e até mesmo abolir governos tirânicos.

 Essas ideias animaram a Revolução Americana e permearam a Declaração de Independência, a Constituição e a Declaração de Direitos. 

 A experiência americana de enorme sucesso disparou o prestígio mundial da filosofia política lockeana.  

À medida que os princípios políticos de Locke foram adotados em todo o mundo, a liberdade se espalhou e o absolutismo recuou.

 As ideias contidas nos documentos que John Locke contrabandeou por mar da Inglaterra em 1683 viraram o mundo de cabeça para baixo.

 Desde então, essa conquista maravilhosa para a humanidade foi parcialmente revertida de várias maneiras. 

 Os inimigos da liberdade distorceram os termos de Locke para perverter seu significado para servir às variantes modernas do absolutismo.

 Mas a história mundial tomou um curso muito mais livre porque Locke viveu, pensou, escreveu e publicou.

 Quer ele soubesse ou não na época, John Locke era o homem mais perigoso do mundo e também o mais heróico: uma ameaça para os tiranos e um libertador por gerações.

 Fontes: livro de Jim Powell "John Locke: Natural Rights to Life, Liberty, and Property" -"Cartas sobre a Liberdade"

Presente de Grego - Facebook - Via Dilson Sampaio da Fonseca

A ARTERIOSCLEROSE DE UMA LOJA - Fábio Serrano


Antes de tudo, convém assentar uma pedra angular: não escrevo estas linhas para defender o abandono do ritual ou a negligência dos nossos regulamentos. 

Pelo contrário, sou um fervoroso defensor de que a forma protege o conteúdo. 

O ritual é a moldura que permite à Loja operar num tempo e espaço sagrados, distintos do profano. 

Eu não proponho a anarquia, mas a vitalidade. 

Não questiono a regra, mas o "preciosismo cego" que, sob o pretexto de zelar pela perfeição, acaba por assassinar o espírito real da fraternidade.

Na medicina, a arteriosclerose refere-se ao endurecimento das artérias. 

As paredes, que deveriam ser flexíveis para permitir a circulação do sangue, tornam-se rígidas, estreitas e, eventualmente, bloqueiam o fluxo, levando à morte do tecido ou à falha do órgão. 

Na Loja, enfrentamos um risco semelhante. Quando o foco de uma sessão se desvia do aprimoramento moral e do calor da fraternidade para uma discussão vazia sobre a vírgula de uma ata ou o alinhamento preciso de um objeto que não afeta o andamento dos trabalhos ou a prática da verdadeira Maçonaria, estamos a sofrer de uma arteriosclerose ritualística.

O ritual deve ser uma ferramenta de trabalho, não uma mordaça. 

Se um Irmão comete um deslize formal, o ambiente de harmonia deveria permitir integrar e corrigir com discrição ou explicar pedagogicamente por que fazemos as coisas de determinada maneira. 

Muitas vezes, o que defendemos como regra máxima é apenas uma tradição oral que se fixou numa memória de trabalho local. 

Castigar um Irmão por algo que sequer está escrito é contraproducente e gera uma desarmonia que nos afasta do verdadeiro propósito da reunião.

Nós não nos reunimos para prestar culto à burocracia; reunimo-nos para nos tornarmos homens melhores. 

Se a sessão termina e os Irmãos saem mais exaustos do que inspirados, se saem mais distantes uns dos outros devido a picuices formais, então falhámos na nossa principal tarefa. 

O rigor é essencial, mas deve ser imbuído de humanidade. 

As nossas veias maçónicas precisam de ser flexíveis o bastante para aceitar as imperfeições humanas, permitindo que a fraternidade flua sem obstáculos. 

Assim, ao soar o malhete de encerramento, garantiremos que cada um saia do Templo mais justo e feliz do que quando entrou.





fevereiro 11, 2026

O SIGNIFICADO DAS COLUNAS GÉMEAS



Sobre o possível sentido e significado das colunas, duas questões principais se nos colocam:

1. Porque lhes foi dado um nome?

2. Quais os seus possíveis significados?

Quanto à primeira questão, parece ter sido costume entre os povos do Médio Oriente dar nome aos objetos sagrados. 

Assim, os Babilónicos, consta que, em comum com as nações suas vizinhas, tinham o costume de atribuir nomes significativos e, de certa forma, sagrados aos seus edifícios. 

Da mesma forma está escrito que, para comemorar a vitória dos israelitas sobre Amaleque, “Moisés edificou um altar e lhe chamou Adoninissi [o Senhor é minha bandeira]”. 

Dessa maneira estabelece-se que, de fato as Duas Colunas não eram somente objectos decorativos ou funcionais, mas também objectos sagrados por causa dos nomes peculiares que lhes foram dados.

Quanto à segunda questão, o seu significado tem sido interpretado quer etimológica, quer simbolicamente.

Assim, na tradução grega da Bíblia, a Versão dos Setenta, os dois nomes em Crónicas, são traduzidos por palavras que significam “força” e “direito”. 

A Bíblia de Genebra traduzia Jachin por “firmar” e Boaz por “em força”, mas Lionel Vibert critica a tradução e afirma que o certo seria “Ele firmará” e “N’Ele há força”.

Pelo menos dois autores entendem que Salomão ergueu as Duas Colunas como monumento comemorativo das promessas feitas pelo Senhor ao seu pai David. 

E que lhe foram repetidas numa visão, em que a voz do Senhor proclamou: ‘então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre’. 

A mesma promessa é feita num sonho ao profeta Natã: ‘Vai, e diz a meu servo David: Assim diz o Senhor… Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre…’. 

Assim a palavra Jachin deriva da palavra Jah, que significa “Jeová”, enquanto que achir significa “firmar” e quer dizer que “Deus firmará a sua casa de Israel”. 

Boaz, da mesma forma se comporá de B, que significa “em” e oaz, que significa “força”, dando se ao todo o significado de “em força ela será firmada”.

Entretanto o hábito de dar uma interpretação moral aos nomes das Duas Colunas não é uma invenção maçónica. 

Já no Século XVII um Teólogo Puritano se manifestou escrevendo que essas colunas foram erguidas “para notar que foi Deus quem lhe deu o poder e o domínio sobre todas aquelas nações, e cumpria a promessa feita a Moisés e ao seu povo de Israel”. 

“Os topos das colunas eram curiosamente adornados: para mostrar que os que persistem, constantes, até ao fim serão coroados. 

O trabalho de lírios [simbolizava] o Emblema da Inocência, Romãs o da produtividade, havendo muitas sementes num pomo: a Coroa deles lhes declarará a Glória…”..

Em consonância com o costume, já mencionado, de os antigos hebreus darem nomes significativos aos objectos sagrados, os estudiosos modernos da Bíblia concordam em que os nomes das Duas Colunas devem ser enigmáticos. 

Além do mais, que eles devem ter um significado religioso; as colunas têm nome porque são objectos sagrados.

Procurando o possível significado desses nomes, obviamente enigmáticos, e “examinando em seguida o Salmo, que dizem haver Salomão cantado ao concluir-se o templo, notamos que duas das frases notáveis nele são:

_Para a ‘firmação’ do sol em sua gloriosa mansão no céu, e…

_Para a ‘casa grande’ ou templo em que Iavé habitaria para sempre”.

Assim como as duas colunas do grande templo de Tiro eram símbolos gémeos de Melcarte, o deus de Tiro, assim também, com grande probabilidade as duas colunas erguidas pelo mestre Tírio [Hirão], defronte do Templo de Salomão, deviam ser símbolos de Jeová, o Deus de Israel. 

As Duas colunas são elas mesmas designações de Jeová.

Quanto ao seu significado, provavelmente a melhor explicação dos dois nomes é a da Enciclopédia Judaica:

_“Jachin” (“Ele firmará”), e

_“Boaz” (“Nele está a força”).

Explanação análoga nos é dada pela Bíblia de Genebra e por Bede, e foi este o significado que, no dia da minha iniciação, na instrução do aprendiz, me comunicaram teria a Palavra Sagrada: “Em Força”.

Fonte: A∴ R∴ – R∴L∴M∴A∴D∴ (Junho de 5997)

FRANKLIN E VOLTAIRE - Luciano J. A. Urpia


 Em 1778, dois dos maiores pensadores do século XVIII, Benjamin Franklin e Voltaire, se encontraram na Academia de Ciências de Paris. Esse encontro histórico, ocorrido em 29 de abril, foi um dos últimos na vida de Voltaire, que viria a falecer em 30 de maio daquele ano. Pouco antes, o filósofo francês havia sido iniciado na Maçonaria na Loja "Les Neuf Sœurs" em 7 de abril, entrando no Templo de braço dado com Franklin e usando o avental de outro ilustre iluminista, Helvétius. Embora suas trocas tenham sido marcadas mais por gestos de mútua admiração do que por debates profundos sobre a implantação da democracia na Europa, o momento simbolizou o encontro entre o Iluminismo europeu e os ideais revolucionários que brotavam na América.

A influência de Franklin na Maçonaria francesa, contudo, foi profunda e política. Como Venerável Mestre da Loja "Les Neuf Sœurs" entre 1779 e 1781, ele transformou-a em um fervoroso centro de propaganda pela independência americana. Seu trabalho ajudou a disseminar os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre uma notável rede de intelectuais e militares, incluindo figuras como Lafayette e Beaumarchais. Franklin deixou Paris em 1788 para participar da formação do novo regime nos Estados Unidos, retornando antes da inauguração do presidente George Washington, em 1789, fechando assim um ciclo crucial em que a Maçonaria serviu de ponte para as revoluções que moldariam o Ocidente.

A imagem em destaque, de autor e data desconhecidos, mostra um encontro de Voltaire (que estava no fim da vida) e Benjamin Franklin, que viria a falecer 12 anos depois.

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA

fevereiro 10, 2026

A BIBLIA MAIS ANTIGA DO MUNDO - A ETÍOPE

 



Antes da Bíblia King James existir, já havia a Bíblia Etíope — uma das versões mais antigas e completas das Escrituras ainda preservadas.

Escrita em ge’ez, uma antiga língua da Etiópia, ela antecede a King James em quase 800 anos. Enquanto a KJV foi publicada em 1611, os manuscritos etíopes mais antigos conhecidos remontam aos primeiros séculos do cristianismo, com tradições que se consolidaram por volta do século IV.

A Bíblia da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo contém mais de 100 livros, incluindo textos que não fazem parte do cânon protestante. Entre eles estão:

1 Enoque

Jubileus

1, 2 e 3 Meqabyan (diferentes dos Macabeus gregos)

O Livro da Aliança

O Pastor de Hermas (em algumas tradições antigas)

Ela preserva uma tradição bíblica que se desenvolveu de forma relativamente independente do cristianismo europeu, mantendo escritos que em outros lugares foram considerados apócrifos ou deixados de fora dos cânones posteriores.

A Etiópia adotou o cristianismo oficialmente no século IV, tornando-se uma das primeiras nações cristãs do mundo. Desde então, sua tradição bíblica foi copiada à mão por séculos em mosteiros, muitas vezes em pergaminho, o que ajudou a conservar textos raros.

A existência da Bíblia Etíope nos lembra de algo importante: a história do cristianismo não é exclusivamente europeia. Antes da Reforma, antes da imprensa de Gutenberg, antes da própria Inglaterra ter uma tradução oficial, comunidades africanas já preservavam e estudavam suas Escrituras em uma tradição rica, antiga e própria.

A história bíblica é muito mais ampla — e muito mais diversa — do que muita gente imagina.

A Bíblia Etíope é simplesmente a Bíblia mais antiga e completa do mundo. Esquece aquela King James, porque essa daqui é de 800 anos antes! Escrita em pele de cabra – sim, pele de cabra! – no idioma Ge’ez, é também a primeira Bíblia cristã ilustrada já registrada. Foi descoberta num mosteiro perdido no meio do nada, lá na Etiópia, e felizmente preservada graças a um fundo de patrimônio cultural.

Agora, se liga na história: esses manuscritos são chamados Evangelhos de Garima, em homenagem ao monge Abba Garima, que chegou por lá em 494 d.C. E reza a lenda que o cara copiou tudo em um dia! Como? Dizem que Deus deu uma ajudinha, atrasando o pôr do sol pra ele terminar o trampo. Que história, hein? E detalhe: as cores das ilustrações ainda estão vivas!

A análise por radiocarbono confirmou: essa Bíblia foi feita entre 390 e 570 d.C., muito antes de qualquer outra versão famosa. Ah, e mais uma curiosidade:

 • A Bíblia Protestante tem 66 livros.

 • A Católica tem 73.

 • A Ortodoxa Oriental, 81.

 • E a Etíope? Tem 84 livros, incluindo textos que as outras igrejas rejeitaram ou perderam ao longo dos séculos.

A ORIGEM DO BALANDRAU NA MACONARIA BRASILEIRA - José Castellani





O substantivo masculino balandrau (da forma latina hipotética balandra), designa a antiga vestimenta, com capuz e mangas largas, abotoada na frente; designa também, certo tipo de roupa usada por membros de antigas confrarias, geralmente religiosas.

Embora alguns autores insistam em dizer que o balandrau não é veste maçônica, o seu uso remonta à primeira das associações de ofício organizadas (cujo conjunto é hoje chamado de maçonaria de ofício, ou Operativa), a dos “Collegia Fabrorum”, criada no século VI a.C., em Roma.

Segundo Steinbrenner, em “História da Maçonaria”, os collegiati, quando se deslocavam pela Europa, seguindo as legiões de soldados romanos, para reconstruir o que ia sendo destruído pelos conquistadores, portavam uma túnica negra. À semelhança deles, os membros das confrarias operativas dos francos-maçons medievais (século XIII em diante), quando viajavam para outras cidades, outros feudos ou outros países, usavam um balandrau negro. 

Os que condenam o uso do balandrau costumam afirmar que o Maçom deveria apresentar-se nas Sessões das Lojas, vestindo terno preto, camisa branca, gravata, sapatos e meias pretas; isto é altamente discutível. Tome-se por exemplo as regiões quentes nos Estados Unidos, onde os Maçons costumam trabalhar em mangas de camisa, portando o avental, evidentemente, pois traje maçônico mesmo, é o avental, já que sem ele o Maçom é considerado nu.

Na realidade, discutir traje ( além do verdadeiro traje, que é o avental), na Maçonaria, é o mesmo que discutir o sexo dos anjos, pois, sabendo-se que o traje masculino sofre variações através dos tempos, variando, inclusive, de povo para povo, na mesma época, é evidente que não se pode determinar a maneira de trajar. 

É permitido, por exemplo, em qualquer lugar do mundo, o uso de roupas típicas para Maçons estrangeiros (o albornoz árabe, por exemplo), ou o uso de uniforme, por parte dos militares, desde que estejam, é claro, com seu avental maçônico.

A existência de traje a rigor para os Maçons, mostra grande dose de influência clerical, significando o traje como sinal de respeito, o que, realmente, é inadmissível, já que a consciência do Homem está em seu interior, e não na sua roupa. A Igreja, que é bastante conservadora, já tem abandonado esta exigência; com mais razão, deve faze-lo a Maçonaria que, sendo evolutiva e progressista, não comporta anacronismos.

Que fique bem claro que traje maçônico é o avental, mas sob ele deve haver uma roupa decente; e o balandrau, como roupa decente, pode uniformizar o traje, o que é também, uma forma de mostrar a igualdade maçônica, evitando as ostentações do vestuário. E jamais nos esqueçamos que o balandrau já foi traje dos Maçons de Ofício.

Só é preciso ter em mente que o balandrau (que também é usado pelos Expertos, em algumas cerimônias) é veste talar, ou seja, deve se estender até os talões, ou calcanhares

A VERDADEIRA RAZÃO PARA UM TEMPLO MAÇÓNICO SER CHAMADO DE LOJA - Majesty Montanez


Porque é que um templo maçónico é chamado de Loja? 

É uma pergunta muito boa e a resposta correta a esta pergunta é repleta de sabedoria valiosa que é de grande e essencial importância para os maçons em particular, e para os filósofos em geral. 

Vamos, então, começar a desvendar este mistério para que possamos descobrir algumas das lições úteis que ele nos reserva como Filósofos, ou como amantes da sabedoria.

Todos os estudantes de Maçonaria sabem que a Maçonaria é de natureza simbólica, e que a maioria dos costumes fundacionais e símbolos da maçonaria são derivados do trabalho dos pedreiros do antigo Egipto e de outros países antigos. 

O costume maçónico universal de se referir aos templos ou locais de reunião como “Lojas” é um exemplo de um desses costumes fundamentais e símbolos da Maçonaria que vêm da antiga pedra de alvenaria. 

Infelizmente, muitos estudantes de Maçonaria não percebem que a alma ou espírito da Maçonaria é essencialmente, filosófica e espiritual. 

Isto faz com que esses alunos não tenham conhecimento do significado verdadeiro e intencional da maioria dos nossos símbolos maçónicos, e inconscientemente dêem uma interpretação falsa não apenas aos nossos símbolos, mas à Maçonaria como um todo.

Isto é mais frequentemente um resultado do estudante limitar os seus estudos a uma pilha de livros e artigos propositadamente enganosos sobre a história e o assunto da Maçonaria que foram publicados por autoproclamadas “autoridades”, que na verdade são desqualificadas, excessivamente pretensiosas e abertamente tendenciosas.

No entanto, esta falta de um verdadeiro entendimento da Maçonaria é principalmente devido ao aluno cometer o erro de ignorar o significado do simples fato de que o trabalho da antiga pedra de alvenaria, que a Maçonaria usa como analogia ou símbolo do seu próprio trabalho e ensinamentos, era centrado em torno da religião e da filosofia, ou seja, o culto e estudo da Mãe Natureza, de nós mesmos e do Divino.

Como diz o velho ditado, “a verdadeira natureza de uma árvore pode ser conhecida pelo tipo de fruta que produz”, e os antigos pedreiros operativos, que eram de muitas culturas, nacionalidades, religiões e culturas diferentes, foram os construtores e criadores de todos os edifícios mais importantes do mundo antigo, que foram os templos e monumentos dedicados aos Deuses e Deusas das religiões antigas. 

Ao desconsiderar este aspecto da natureza do trabalho dos antigos maçons operativos, o estudante não-maçónico da Maçonaria geralmente perde o aspecto de que a Maçonaria é igualmente centrada em torno de Deus, o Supremo Arquitecto do Universo.

A natureza religiosa, filosófica e espiritual da Maçonaria é a razão pela qual o local de encontro de qualquer grupo de maçons é chamado de Templo, que é definido na linguagem quotidiana como sendo um edifício dedicado ao culto, ou considerado como a casa ou morada, de um Deus ou Deuses.

Por outro lado, um templo maçónico, como já foi mencionado, também é chamado de Loja, e isto ocorre porque os antigos pedreiros (que eram literalmente viajantes, ou “homens que viajavam”, devido à natureza do seu trabalho, que muitas vezes exigia que deixassem as suas famílias e lares por longos períodos de tempo, enquanto viajavam de um lugar para outro e trabalhavam em vários projectos de construção por todo o país), construíam sempre várias casas temporárias, chamadas de “Lojas”, perto do seu local de trabalho, que eles usavam como abrigos e oficinas.

Embora isto obviamente nos dê a razão superficial pela qual nós simbolicamente chamamos os  templos de “Lojas”, seria muito imprudente concluirmos automaticamente que esta é a razão para este antigo costume universal na sua totalidade, já que sabemos que a Maçonaria é essencialmente filosófica e espiritual, e usa os seus símbolos como método principal para ensinar e expressar importantes lições de vida baseadas em princípios e verdades filosóficas atemporais. 

Portanto, é altamente provável que a palavra Loja seja um símbolo maçónico que indiretamente expressa uma lição muito profunda e fundamental para nós sobre a verdadeira natureza da nossa existência.

Visto que a palavra Loja é sinónimo da palavra templo na linguagem simbólica da Maçonaria, devemos logicamente concluir que ambos se referem simbolicamente ao corpo humano como a “casa” em que Deus vive. 

Tal como é dito em I Coríntios 3:16 da Bíblia Sagrada, que é outro dos muitos símbolos da filosofia e espiritualidade maçónicas: "Você não sabe que é o templo de Deus e que o espírito de Deus vive em si?" 

O corpo humano pode ser simbolicamente e com muita precisão descrito como sendo uma miniatura, réplica do Universo, ou existência como um todo infinito. 

Isto permite-nos saber que o templo maçónico, ou a loja maçónica, é um símbolo tanto do Universo quanto do corpo humano; e isto é-nos muito poderosamente sugerido para na descrição simbólica da loja no ritual do primeiro grau da Maçonaria. 

Agora que sabemos que a loja maçónica é simbólica tanto do Universo quanto do corpo humano, e que a Maçonaria assim compara ou compara o Universo e o corpo humano a uma Loja de antigos pedreiros, tudo o que resta é descobrir porque é assim.

Mais uma vez, uma Loja, por definição comum, é uma casa ou casa temporária, ao contrário de uma casa permanente, o que tornaria a Loja um símbolo muito apropriado do Universo, já que o Universo não é apenas “a casa e o lar da humanidade”, mas uma casa temporária para nós, já que não vamos vivendo neste mundo para sempre. 

Todos nós, um dia, morreremos. 

Mas até então, devemos juntar-nos continuamente e unir-nos como maçons para fazer o trabalho que Maçonaria nos pede (fazer evoluir e aperfeiçoar a humanidade) dentro da “Loja” ou “oficina”, ou seja, dentro do Universo ou neste mundo da vida quotidiana. 

Esta é talvez a mais básica de todas as valiosas lições de vida que nós somos indiretamente ensinados pela Loja maçónica,  como um símbolo do Universo ou do macrocosmo (o “grande Universo”).

Quando olhamos para a loja maçónica como sendo um símbolo do corpo humano ou do microcosmo (o “pequeno Universo”), aprendemos uma lição de vida igualmente valiosa. 

Da mesma forma que o Universo é uma casa temporária e o lar da humanidade, o mesmo acontece com o corpo humano para o Espírito de Deus. 

E assim como nos devemos unir continuamente como maçons para fazer o trabalho da Maçonaria dentro da oficina ou Loja do Universo, colectivamente, devemos também fazer o trabalho da Maçonaria numa base igualmente constante, mas individualmente, dentro da Loja secreta, interior, ou oficina de nós mesmos como indivíduos, conseguindo assim equilíbrio e harmonia entre os dois pólos opostos de abnegação e egoísmo dentro de nós.

Como podemos ver finalmente, o uso da palavra Loja como um símbolo da Maçonaria contém algumas lições de vida muito úteis e valiosas para nós, de facto. 

Vamos então estar atentos e continuar a trabalhar colectiva e individualmente, e sem dúvida, incessantemente, para a evolução e perfeição da humanidade.

(Tradução de António Jorge, M∴ M∴)

fevereiro 09, 2026

REFLEXÃO SOBRE A MAÇONARIA E OS MAÇONS NOS DIAS ATUAIS - Emanuel Belém


 

A Maçonaria, enquanto instituição iniciática, não envelheceu. 

Quem envelheceu foram muitos dos seus filhos. 

A Ordem permanece a mesma; os homens é que se apequenaram.

Na Antiguidade, o maçom — ainda que não portasse esse nome formal — era o construtor do mundo, não apenas de templos de pedra, mas de ideias perigosas. 

Perigosas porque libertavam. 

O maçom antigo incomodava o tirano, afrontava o dogma, rasgava a noite com a lâmpada da razão. 

Ele não pedia licença à ignorância, nem autorização ao medo coletivo.

Nas revoluções — sobretudo a Francesa — o maçom foi herege para os reis, subversivo para os tronos e criminoso para os privilégios. 

Lutou pela igualdade quando igualdade significava guilhotina. 

Falou em liberdade quando liberdade custava a cabeça. 

Não espalhava boatos: espalhava ideias. 

Não fazia política de estimação: fazia história.

Quando combateu a escravidão — no Brasil e no mundo — o maçom verdadeiro não perguntou se o escravo era “do seu partido”, “da sua religião” ou “do seu círculo social”. 

Viu um homem acorrentado e isso bastou. 

A causa não era ideológica; era humana. 

O maçom daquela época entendia algo simples e profundo: não existe liberdade individual possível em uma sociedade construída sobre a servidão coletiva.

Os filósofos, questionadores, opositores e garantistas das liberdades — muitos deles maçons — tinham um traço comum: odiavam a mentira, desprezavam o fanatismo e desconfiavam do poder. 

Não idolatravam políticos. 

Não se ajoelhavam diante de cargos. 

Não confundiam opinião com verdade. 

Eles sabiam que a primeira tirania nasce na mente que se recusa a pensar.

Agora compare isso com grande parte dos maçons atuais.

O que se vê, com raras exceções, é a degeneração do espírito iniciático.

Maçons que não constroem, apenas repetem.

Que não estudam, apenas compartilham.

Que não buscam a verdade, mas defendem narrativas.

Que não praticam a tolerância, mas espalham ódio político travestido de virtude moral.

São maçons que se comportam como na fábula do rato no celeiro:

• quando o aviso surge — a ratoeira da injustiça, da censura, da miséria, da perda das liberdades — eles dizem:

• “Não é comigo.”

• Até o dia em que é.

Esses maçons modernos gritam slogans, não princípios.

Defendem “políticos de estimação”, não a República.

Espalham fake news, fofocas e mentiras como se fossem verdades reveladas, esquecendo que a Maçonaria nasce justamente para combater a ignorância organizada.

Eles falam em Ordem, mas vivem no caos moral.

Falam em Liberdade, mas defendem censura quando lhes convém.

Falam em Igualdade, mas só para os seus.

Falam em Fraternidade, mas excluem, rotulam e atacam.

E ainda assim — aqui está a verdade incômoda — a Maçonaria não é culpada.

A Maçonaria permanece a mãe de todos os maçons, pura em seus princípios, firme em seus landmarks, clara em seus símbolos. 

Quem falhou foram os filhos que abandonaram o trabalho da pedra bruta e passaram a polir apenas o próprio ego.

O problema não é a Ordem. 

O problema é o maçom que trocou o avental pelo palanque, o silêncio reflexivo pelo grito histérico, o estudo pela corrente de WhatsApp.

A Maçonaria não foi feita para produzir militantes, fofoqueiros ou agitadores de ódio. 

Ela foi feita para formar homens livres em sociedades livres.

Quando o maçom esquece isso, ele pode continuar frequentando lojas — mas já não pertence ao Templo.





O QUE VOCE VAI DEIXAR COMO LEGADO?

 





Ela passou 75 anos lavando as roupas dos outros por centavos. Então entrou em um banco e chocou o mundo.

Se você cruzasse com Oseola McCarty nas ruas de Hattiesburg, Mississippi, veria apenas o que todos viam. Uma senhora pequena e idosa empurrando um carrinho de compras. Sapatos gastos. Vestido simples. Caminhando devagar de volta para sua casa de madeira sem pintura, no lado mais pobre da cidade.

Você jamais imaginaria o que ela carregava dentro do coração.

A vida de Oseola foi decidida quando ela tinha apenas doze anos. Era a década de 1920, no sul profundo dos Estados Unidos. Sua tia adoeceu, e alguém precisava cuidar dela. A escola terminou ali, na sexta série. Sua educação acabou antes mesmo de começar de verdade.

Mas o trabalho nunca parou.

A partir daquele dia, Oseola teve uma única ocupação: lavar roupas. Não em lavanderias com máquinas, mas no quintal de casa, com um esfregador, um caldeirão de água fervente e as próprias mãos. Ela lavava as roupas das famílias ricas de Hattiesburg — camisas, vestidos, lençóis. Cobrava alguns centavos por peça.

Trabalhava do nascer do sol até a luz desaparecer. Todos os dias. Por setenta e cinco anos.

Estudantes universitários passavam em frente à sua casa a caminho da Universidade do Sul do Mississippi. Ela os observava pela janela, livros debaixo do braço, futuros abertos diante deles. Perguntava-se como seria sentar em uma sala de aula. Abrir um livro e entender as palavras. Caminhar por um palco usando beca e capelo.

Mas nunca reclamou. Apenas trabalhou.

E economizou.

Não gastava com luxos. Não tinha carro. Nem televisão colorida. Nunca viajou. Jamais andou de avião. Viveu de forma extremamente simples, guardando cada moeda que sobrava. Ela dizia sem rodeios:

“Eu não gasto dinheiro. Eu economizo.”

Em 1995, Oseola tinha 87 anos. Suas mãos estavam deformadas pela artrite. Décadas esfregando roupas em água fervente cobraram seu preço. Ela sabia que seu tempo estava se esgotando.

Então foi ao banco e fez uma pergunta simples:

“Quanto eu tenho?”

O atendente consultou a conta. Décadas de centavos, níqueis e notas pequenas haviam se acumulado em algo extraordinário: 280 mil dólares.

Oseola poderia ter vivido como uma rainha em seus últimos anos. Poderia ter comprado a casa dos sonhos. Poderia ter viajado para lugares que só conhecia por revistas.

Mas ela pensou nos estudantes. Aqueles que passavam em frente à sua casa cheios de esperança. Pensou na educação que nunca teve. Nas oportunidades que lhe foram negadas.

E decidiu.

Separou uma pequena quantia para sua igreja. Guardou apenas o suficiente para pagar o aquecimento de casa. E então doou 150 mil dólares para a Universidade do Sul do Mississippi, criando um fundo de bolsas de estudo.

Quando perguntaram o motivo, ela respondeu com simplicidade:

“Eu quero que as crianças tenham a educação que eu não tive. Quero que elas tenham uma chance.”

A notícia se espalhou por toda a América. Aquela mulher minúscula, que vivera quase noventa anos no anonimato, tornou-se símbolo de algo que o mundo precisava desesperadamente lembrar: que grandeza não tem nada a ver com riqueza ou status. Que o sacrifício de uma única pessoa pode mudar inúmeras vidas.

O presidente Bill Clinton a convidou para a Casa Branca. Ela carregou a Tocha Olímpica em 1996. A universidade lhe concedeu um doutorado honorário. A mulher que deixou a escola na sexta série tornou-se Dra. Oseola McCarty.

Mas nenhuma homenagem foi maior do que o dia em que ela conheceu Stephanie Bullock, uma jovem de dezoito anos — a primeira beneficiária da Bolsa Oseola McCarty.

Stephanie a abraçou e chorou.

— Obrigada, disse. A senhora mudou a minha vida.

Oseola sorriu e respondeu:

“Eu só fico feliz por ter feito algo. Não queria morrer e não deixar nada para ninguém.”

Oseola McCarty faleceu em 1999.

Mas ela não deixou “nada”.

Ela deixou tudo.

Seu fundo de bolsas continua crescendo. Todos os anos, jovens atravessam palcos usando becas e capelos. Seguram diplomas conquistados. Caminham rumo a futuros possíveis porque uma mulher passou setenta e cinco anos curvada sobre um caldeirão de água fervente, economizando centavos e sonhando com uma oportunidade que nunca teria — mas que outros teriam.

Ela provou que generosidade não se mede pelo que se possui, mas pelo que se está disposto a abrir mão. Ela deu tudo para que outros tivessem aquilo que lhe foi negado.

A lavadeira de Hattiesburg, Mississippi, nunca estudou álgebra, química ou literatura.

Mas ensinou ao mundo a lição mais importante de todas:

Que o sacrifício silencioso pode ecoar por gerações.

Que uma vida vivida com propósito pode tocar milhares.

E que a verdadeira riqueza não é o que você acumula — é aquilo que você deixa para trás, como legado;

Fonte: Facebook