março 25, 2026

25 DE MARÇO DE 1688 - UM MARCO PRECURSOR - Fernando Colacioppo (Rede Colméia)

 


25 de março de 1688: um marco precursor da Maçonaria no seio militar inglês

A história da Maçonaria, envolta em tradições e símbolos, encontra em 25 de março de 1688 um de seus registros mais antigos e significativos. Nesta data, foi fundada, na Inglaterra, uma Loja maçônica vinculada ao Regimento de Guardas Irlandeses — unidade militar criada por Carlos II de Inglaterra durante seu período de exílio na França.

Este episódio destaca-se como um dos raros vestígios documentais da atividade maçônica no século XVII, período anterior à formalização da Maçonaria especulativa como a conhecemos hoje. A existência desta Loja militar demonstra que já havia, naquele tempo, formas organizadas de associação fraternal entre homens livres, estruturadas sob princípios que mais tarde seriam consolidados na Ordem.

⚔️ A Maçonaria no ambiente militar

A ligação entre a Maçonaria e unidades militares não é um fenômeno isolado na história. No caso específico do regimento ligado aos Guardas Irlandeses, a fundação da Loja revela um ambiente propício à difusão de ideias fraternais, filosóficas e organizacionais entre oficiais e soldados.

Essas Lojas itinerantes ou regimentais tinham papel relevante na manutenção de vínculos entre seus membros, especialmente em contextos de deslocamento e campanhas militares. Mais do que simples reuniões, constituíam espaços de confiança, solidariedade e troca de conhecimentos.

Um dos raros registros do século XVII

O grande valor histórico desta Loja reside no fato de ser considerada a única do século XVII a deixar vestígios documentais reconhecíveis. Em um período em que a Maçonaria ainda não possuía uma estrutura institucional consolidada, registros como este são fundamentais para compreender a transição entre a Maçonaria operativa e a especulativa.

Esse momento antecede, por exemplo, a criação da Grande Loja de Londres, marco oficial da Maçonaria moderna, que ocorreria apenas algumas décadas depois, em 1717.

Contexto histórico: a dinastia Stuart

O regimento ao qual a Loja estava vinculada remonta ao período em que Carlos II de Inglaterra, último monarca da Casa Stuart a governar com plenos poderes antes das transformações constitucionais inglesas, encontrava-se exilado na França. Durante esse período, foram formadas unidades militares leais à sua causa, entre elas os Guardas Irlandeses.

Esse contexto político e social, marcado por conflitos, exílio e reorganização do poder, favoreceu o surgimento de associações discretas e estruturadas — terreno fértil para o desenvolvimento das práticas maçônicas.

Legado para a Maçonaria moderna

A fundação da Loja em 1688 não apenas representa um registro isolado, mas um elo importante na cadeia histórica que conduz à Maçonaria moderna. Ela evidencia que, antes mesmo da institucionalização formal, já existiam práticas, rituais e princípios que sustentariam a construção da Ordem como a conhecemos hoje.

Este marco reforça a ideia de que a Maçonaria não surgiu de forma repentina, mas foi fruto de um processo evolutivo, construído ao longo dos séculos por homens comprometidos com valores de fraternidade, lealdade e aperfeiçoamento moral.

Conclusão

O episódio de 25 de março de 1688 permanece como um dos pilares históricos mais antigos da tradição maçônica documentada. Sua importância transcende o fato isolado, servindo como testemunho da presença viva da Ordem em tempos de transformação e incerteza.

Ao recordar essa data, a Maçonaria reafirma suas raízes profundas na história e sua contínua missão de edificar o homem e a sociedade.




HOMENAGEM AO IRMÃO ANTONIO GRACIOSO NETO






Em sessão festiva na noite de ontem,a minha querida ARLS Tríplice Aliança 341 de Mongaguá, comemorou a entrega do título de Maçom Emérito ao irmão Antônio Gracioso Neto, pelos 25 anos de participação continua na Loja.

A sessão foi presidida pelo Venerável Mestre Alexandre Lucena, que esteve ladeado pelo Delegado Distrital Renato Aparecido Monteiro da Silva do 12o Distrito da 8a região e  também pelo Delegado Distrital João Roberto da Silva do 11o Distrito alem do Membro da Comissão de Assuntos Gerais da GLESP, irmão Osvaldo Takakura e de diversos visitantes, destacando o Venerável Mestre Adolfo Costa Dominguez e comitiva da ARLS Ideal e Trabalho n. 150.

Diversos irmãos se manifestaram a respeito da trajetória maçônica e pessoal do irmão Gracioso, que em emocionante fala agradeceu a homenagem e além do diploma e medalha recebeu uma belíssima pasta de couro como lembrança.

Ao final, um delicioso churrasco marcou o final da solenidade.

O LUXO DA RAIVA - Wilson Slack (Tradução de António Jorge)



Recentemente, eu estava a conversar com um colega Maçom de outra Ordem acerca de ódio. 

Ele estava a contar-me sobre como um dos seus membros, de um grau bastante elevado, nutria profundo ressentimento em relação a outro dos seus membros. 

Numa organização construída sobre disciplina e educação, isto parece atípico.

Depois de tudo o que estamos a aprender como maçons sobre manter os nossos irmãos em alta consideração e conceder-lhes todos as “atitudes gentis”, como alguém pode ficar com raiva de outro Irmão por um período de tempo? 

Parece irresponsável.


Então ocorreu-me, igualmente de forma profunda, que quanto mais permanecemos neste caminho da Maçonaria, menos temos o luxo da raiva ou do ódio, nem o privilégio da animosidade ou medo de qualquer tipo. 

Aprendemos que as divisões das pessoas, de qualquer tipo que sejam, não têm sentido e são desnecessárias, e que nós, Maçons, nos dedicamos à erradicação da divisão e do conflito. 

As nossas lutas e ressentimentos pessoais não importam nem um pouco para o nosso trabalho como Maçons.

Então, porque é que a raiva para com outro Irmão acontece?

Aprendemos desde os nossos primeiros passos na Ordem que questões pessoais devem ser tratadas fora da sessão, para que a ordem e a harmonia da Loja não sejam perturbadas por essa divergência.

Este é o primeiro passo para resolver os nossos problemas, e este processo pode ser muito diferente de como o resto da humanidade lida com as coisas. 

As pessoas “normais” recorrem a boatos, facadas pelas costas, evitação, gritos ou violência aberta. 

Um Maçom distingue-se, ou deveria. 

Nós sabemos fazer melhor. 

As instruções de um Maçom são claras: descubram entre vós, superem os vossos problemas e unam-se

Esta direção nunca muda e, de facto, cresce. 

Não apenas não se deve estar em desacordo com outros membros, mas não deve estar em desacordo com as decisões da Loja, o Venerável Mestre da sua Loja, o seu Distrito ou a sua Grande Loja. 

Ainda mais adiante no caminho, você é um representante de um chamado superior, a sua Escola de Mistérios, por assim dizer. 


Você representa um caminho para tomar a estrada mais elevada; eventualmente, a fim de promover o bem-estar da humanidade e da Maçonaria como um todo.

Você não se pode dar ao luxo de se envolver em emoções auto-obcecadas; caso contrário, a Grande Obra poderá nunca acontecer.

Você pode discordar de uma decisão e trabalhar para uma mudança ordenada, mas não se pode dar ao luxo de ter raiva. 

Você pode lutar para corrigir um erro, lutar pelos oprimidos ou lutar por mudanças. 

Você simplesmente não pode fomentar ódio ou raiva. 

A natureza básica dessa emoção não tem lugar na Maçonaria.

E assim, acontece que o Irmão que não pode transcender a sua raiva será engolido por ela, e outra pessoa boa afundará lentamente na sua natureza inferior. 

É um passo simples perceber que é arrogância guardar ressentimento e humildade deixá-lo ir. 

Digo simples, mas na verdade, o acto é deixar de lado o nosso comportamento profundamente arraigado e aprender uma nova maneira de ser. 

É preciso prática.

Como maçons, despertamos para uma chamada superior: cabe a nós permanecer acordados e nunca dormir.



POR QUE SÃO SECRETOS OS RITUAIS MAÇÓNICOS - Paulo M.



Como se disse já, a Maçonaria tem apenas três tipos de segredos: os rituais, os meios de reconhecimento e a identidade dos seus membros. 

Debrucemo-nos hoje sobre os rituais.

Recordo claramente o “ritual” de início de cada dia de escola: entrávamos todos em fila, ordeiramente e em silêncio, colocávamo-nos em locais pré-determinados, respondíamos à chamada, preparávamos os instrumentos de trabalho (a caneta e o caderno diário) e escrevíamos o local e a data do dia, seguidos do sumário.

Depois disso, cada um tinha procedimentos a seguir – se, por exemplo, pretendia falar, tinha que levantar o braço – bem como tinha variadas limitações à sua ação – não podíamos levantar-nos sem autorização, por exemplo.

Identicamente, os rituais maçónicos determinam e regulam uma série de acontecimentos que sucedem durante uma reunião (a que os maçons chamam “sessão”), no sentido de conferir alguma ordem aos trabalhos – precisamente do mesmo modo que numa sala de aula. 

Assim, fazem parte dos rituais procedimentos meramente administrativos como o são a chamada ou a leitura da ata da sessão anterior. 

Estes procedimentos nada têm de secreto, e poderia dizer-se que só não se referem por não o merecerem, de tão enfadonhos que são…

Por outro lado, os rituais também são uma espécie de “peças de teatro”, no sentido em que há vários “atores” com “falas” e ações bem definidas e pré-determinadas. 

Estas ações são um pouco mais elaboradas do que é costume noutras circunstâncias do nosso dia-a-dia, e muito do que se diz e faz é simbólico. 

O simbolismo, em si, não é oculto; já o significado que lhe é atribuído em determinado contexto pode sê-lo. 

Há coisas que estão à vista desde o primeiro dia em que se entra num templo maçónico e que nunca são explicadas, antes sendo deixadas – como tantas outras – à interpretação e interiorização de cada um. 

De outras é dada uma explicação em determinado contexto, como na cerimónia de Iniciação – em que se passa de Profano a Aprendiz – na passagem de Aprendiz a Companheiro, ou na de Companheiro a Mestre. 

Esses “rituais secretos” nada têm de interessante para quem esteja fora do contexto. 

Imaginem um músico a assistir a uma secretíssima reunião de alta finança num banco; ou uma pessoa como eu, avessa a futebol, a assistir às secretíssimas reuniões do Mourinho com a sua equipa em vésperas de um grande jogo… 

Para essas pessoas, pouca ou nenhuma valia teria esse conhecimento.

Então porquê o secretismo? 

Por uma razão: porque, para aqueles a quem interessa, há um momento certo para se saber. 

E porque é que há esse “momento certo”, e não se pode saber logo? 

Procurei um bom paralelismo que o explicasse, e creio que o encontrei: imaginem-se a ler um bom livro policial, daqueles bem elaborados; ou a ver um bom filme de suspense. 

Agora imaginem que alguém chega, e vos diz: “Ah, conheço, já vi, foi o mordomo na biblioteca com o candelabro.” 

Pior: imaginem que lhe dizem mesmo antes de iniciarem o livro ou o filme. 

Acham que irão retirar o mesmo prazer, ler com o mesmo empenho, analisar com o mesmo estímulo? 

Claro que não. 

A experiência ficou arruinada pelo conhecimento prévio. 

O mesmo se passa com os rituais maçónicos. 

Por isso se recomenda a quem pretenda ingressar a Maçonaria que não leia, não procure, não se informe. 

Mas, se o fizer, apenas a si mesmo se prejudica – na mesma medida de alguém que, sorrateiramente, ludibriando-se a si mesmo, ardendo de curiosidade, fosse ler as últimas páginas do tal romance policial.

Por isso, e se não pretendem alguma vez ser admitidos na Maçonaria – ou se pretendem mas querem garantir que a experiência fique irremediavelmente arruinada – então basta procurarem que, com o auxílio do nosso “amigo” Google, terão, com alguma diligência e arte, acesso a dezenas de versões de rituais maçónicos de diversas épocas, locais e obediências.

Encontrarão também, se as procurarem, partituras de obras musicais famosas, e mesmo vídeos das mesmas. 

Mas – ah! – só quem já cantou num coro ou tocou numa orquestra sabe o quão diferente é estar de fora a ver, ou participar de dentro. 

Tentem que vos expliquem a diferença, e serão unânimes: “não dá para explicar, tens que viver a experiência para a compreenderes”. 

Com um ritual maçónico – já o adivinharam – passa-se o mesmo. 

Não se explica, não se revela, não se estuda – vive-se, ou não se entende.





março 24, 2026

O PARADOXO DA TOLERÂNCIA NA MAÇONARIA - Kennyo Ismail


A facilidade de acesso a meios de comunicação, em especial redes sociais virtuais, dá ao cidadão total liberdade de se expressar Livremente. 

Ao mesmo tempo em que se tem a percepção de segurança, de blindagem, por se estar atrás de um PC, celular ou tablet, onde e quando os seus actos não trazem consequências físicas, reais, imediatas.

O reflexo disto, num cenário em que se devem considerar diversos factores, (como a persistente crise política e económica, os casos de corrupção e toda a sua exploração mediática, o crescimento da classe média por meio da ascensão de uma nova classe C, com acesso a informação, mas sem escolaridade) , tem sido uma maré alta e persistente de intolerância e ódio, evidente a cada momento em que se acede a redes sociais e se lê as últimas notícias.

Intolerância ideológica, política, social, racial, religiosa, sexual, dentre outras, tomam conta de pessoas menos esclarecidas, que promovem o ódio, desejando a morte daqueles considerados como diferentes e, em muitos casos, inferiores; e torna-se uma praga, uma epidemia, contaminando aqueles mais sugestionáveis. 

Este público intolerante quer mudanças drásticas no país, muitas vezes alimentando um nacionalismo extremista, mas, sem interesse em se esforçar para fazer a sua parte, preferindo seguir a antiga cartilha de escolher um messias que “salve a pátria”, como os alemães fizeram com Hitler.

O filósofo Karl Popper, um liberal, defendia que a parcela tolerante da sociedade não pode ter tolerância ilimitada com os intolerantes, por risco de condenar a tolerância à morte. 

Outro filósofo e liberal assumido, John Rawls, corroborava-o, ao defender que é dever da sociedade tolerante preservar os seus membros e instituições de toda e qualquer investida de intolerância, externa ou mesmo interna.

A célebre manifestação de Martin Luther King era exactamente sobre isto, sobre a sua preocupação, não com os gritos dos maus (intolerantes), mas com o silêncio dos bons (tolerantes). 

Similarmente, na doutrina espírita, num dos seus livros mais célebres, há uma passagem que diz que “os maus são intrigantes e audaciosos, e os bons são tímidos. 

Quando os bons quiserem, predominarão”. 

Passagens similares podem ser encontradas noutras culturas, doutrinas e religiões.

Na Maçonaria, ensina-se a tolerância, mas também se prega o combate à tirania, à ignorância e ao fanatismo, que são causas e consequências da intolerância. 

Entretanto, em vez de combater, muitos irmãos têm “entrado na onda” e feito coro em discursos de ódio. 

Cabe à Maçonaria (ou seja, nós, maçons), não promover “o silêncio dos bons”, mas instruir esses irmãos, aconselhá-los e, quando necessário, repreendê-los. 

Ainda, se a intolerância persistir, afastá-los, de modo a preservar os bons maçons (tolerantes e, geralmente, silenciosos) e, principalmente, a sublime instituição maçónica e os seus princípios morais, que se devem manter imaculados. 

Se um Maçom discorda do princípio maçónico da tolerância, desejando que a única tolerância seja a dos demais perante a intolerância dele, se ele se sujeita aos vícios da ignorância e do fanatismo, ou é favorável à tirania, o seu lugar não é entre as nossas colunas.

Mas um outro mal, mais frequentemente observado no meio maçónico e de forma periódica, está diretamente relacionado a este paradoxo da tolerância e, de certa forma, comprova a teorização de Popper sobre o mesmo. 

Numa Loja há, sem sombra de dúvidas, homens bons e, portanto, tolerantes. 

Mas, uma vez ou outra, corre-se o risco de que um ou outro membro da Loja tenha um carácter mais ambicioso, vaidoso, mesquinho. 

Neste caso, este irmão desejará ser Venerável Mestre antes de chegar a sua hora para tal, em detrimento da vontade da maioria, de outros irmãos mais bem preparados, e dos melhores interesses da Loja. 

Ou desejará ser o "Venerável Mestre Eterno", aquele que deseja holofotes e diplomas para enaltecer sua condição social e saciar a sede de poder. 

Ele é, geralmente, intolerante à ideia de vencer as suas paixões e sujeitar a sua vontade e insistirá, de diferentes formas, para que a sua vontade seja saciada. 

E, por diversas vezes, vemos os bons irmãos, em nome da tolerância, silenciosos, sujeitando uma vontade coletiva e altruísta em benefício de uma individual e egoísta, permitindo que aquele irmão intolerante, por ambição e vaidade, alcance o seu intuito de se tornar Venerável Mestre. 

E, em alguns desses casos, o resultado posterior é o adormecimento de muitos bons membros e, até mesmo, o abater colunas de Lojas.

A intolerância, enfim, matando a tolerância. O individual sobrepujando o colectivo. 

E a maçonaria morrendo aos poucos. 

Por essa razão: tolerância zero à intolerância dentro e fora da Maçonaria.




Kennyo Ismail M.'.M.'.

O MAIOR FESTIVAL DE ALEXANDRIA


 No auge do poder do Reino Ptolemaico, quando Alexandria brilhava como a cidade mais rica e cosmopolita do Mediterrâneo, o faraó grego Ptolomeu II Filadelfo decidiu mostrar ao mundo a grandeza de sua dinastia. 

Herdeiro do império fundado por seu pai, um dos generais de Alexandre, o Grande, ele organizou um espetáculo tão grandioso que os escritores antigos mal conseguiam descrevê-lo sem parecer exagero.

Era o festival conhecido como Ptolemaia, uma celebração dedicada aos deuses e à glória da casa ptolomaica. Logo ao amanhecer, multidões se reuniram nas largas avenidas de Alexandria. Mercadores, marinheiros, soldados e sábios vindos de todo o mundo conhecido enchiam as ruas. No horizonte, erguia-se o porto repleto de navios, e acima da cidade pairava a promessa de um espetáculo jamais visto.

Então a procissão começou.

Primeiro vieram os músicos e sacerdotes, carregando incensos e símbolos sagrados. Depois surgiram soldados em armaduras brilhantes, formando as fileiras da tradicional falange macedônica, herança das conquistas de Alexandre. As lanças erguidas refletiam o sol do Egito enquanto a multidão observava em silêncio reverente.

Mas aquilo era apenas o início.

Logo apareceram animais vindos das terras mais distantes do império. Enormes elefantes africanos avançavam lentamente pelas ruas, conduzidos por tratadores. Leões rugiam em jaulas douradas, leopardos caminhavam presos por correntes e criaturas raríssimas — como girafas e rinocerontes — eram exibidas diante de uma população que muitas vezes nunca tinha visto tais animais. 

Eram símbolos vivos das rotas comerciais e da riqueza que fluía para Alexandria desde a África e o Oriente.

Em seguida vieram carros cerimoniais gigantescos. Alguns eram tão pesados que precisavam ser puxados por dezenas ou até centenas de homens. Um deles carregava uma enorme prensa de vinho, onde homens esmagavam uvas enquanto o líquido escorria como um pequeno rio púrpura, e sendo distribuído ao povo, celebrando a fertilidade e a abundância do reino.

Então surgiu o carro mais impressionante de todos.

Sobre uma plataforma ricamente decorada erguia-se a colossal figura do deus Dionísio, senhor do vinho e da celebração. Sentado em um trono dourado e cercado por folhas de videira e coroas de flores, o deus parecia observar a multidão que o aclamava. O carro avançava lentamente pelas ruas, acompanhado por dançarinos, músicos e seguidores vestidos como sátiros e ninfas.

A procissão parecia não ter fim.

Passavam estátuas de ouro, tapeçarias luxuosas, coroas gigantescas e símbolos do poder real. Cada novo grupo que surgia era mais extravagante que o anterior. Para os habitantes de Alexandria e para os estrangeiros presentes, aquilo era uma mensagem clara: o Egito governado pelos Ptolomeus não era apenas um reino, mas um império de riqueza, cultura e poder.

Ao final daquele dia monumental, a cidade inteira havia testemunhado algo que ficaria gravado na memória coletiva do mundo helenístico. A procissão de Ptolomeu II Filadelfo não era apenas um festival religioso — era uma declaração de grandeza, um espetáculo pensado para mostrar que, após as conquistas de Alexandre, o Grande, Alexandria havia se tornado o verdadeiro coração do mundo (ao menos por enquanto).

março 23, 2026

POR QUE A CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO EXISTE EM TODOS OS RITOS DA MAÇONARIA? - Alexandre Fortes



A Câmara de Reflexão é um dos elementos mais emblemáticos da Iniciação Maçónica, mas a sua presença não é universal para todos os Ritos. 

A existência ou ausência desse espaço decorre da origem histórica de cada rito e da ênfase (filosófica ou litúrgica) que os seus fundadores deram ao processo do “morrer para a vida profana” (ou morrer para a vida não maçônica).

A divergência reside na matriz cultural de cada sistema maçónico:

• A Influência Alquímica vs. Pragmática

A Câmara de Reflexão é uma herança direta do Hermetismo e da Alquimia. 

Ritos que surgiram na França no século XVIII incorporaram o conceito da “viagem à terra” (o elemento Terra das provas). 

Já os ritos baseados na “Maçonaria de Ofício”, (Inglaterra e Escócia, por exemplo), focam na preparação moral imediata.

• Diferença entre “Preparação” e “Prova”

Nos ritos anglo-saxões, a preparação é vista como um ato de humildade e confiança no guia (Diáconos). 

Nos ritos continentais (franceses/latinos), a preparação é uma prova introspectiva e solitária.

A Câmara de Reflexão é a fronteira entre a Maçonaria Ocultista/Esotérica (que busca a “Pedra Filosofal” ou a “Reintegração”) e a Maçonaria Racionalista/Bíblica (que busca o aperfeiçoamento social e a prática cristã/humanista).

Enquanto os ritos de origens ou influências francesas e latinas mergulham o homem nas trevas para que ele encontre a sua própria luz (VITRIOL), os ritos de origens ou influências anglo-saxónicas e alemãs, por exemplo, tomam o homem pela mão e o levam diretamente à luz do Templo, focando no seu carácter e na sua fé à busca da Verdade. 

A presença ou ausência da Câmara de Reflexão dependerá da origem histórica de cada rito maçónico e da ênfase (filosófica ou litúrgica) que os seus fundadores deram ao processo do “morrer para a vida profana” (ou “morrer para a vida não maçônica”).



UMA INICIAÇÃO NA PRISÃO - Luciano J. a. Urpia



Em março de 1769, uma cerimônia incomum aconteceu nos arredores de Londres: um homem foi iniciado na Maçonaria dentro dos muros de uma prisão. Tratava-se de John Wilkes, jornalista e político radical, conhecido por seus ataques ferozes ao rei George III e ao governo britânico. Na época, Wilkes cumpria pena de 22 meses na Prisão do Banco do Rei, condenado por difamação sediciosa e blasfêmia após a publicação do polêmico exemplar nº 45 de seu jornal The North Briton.

Apesar das regras maçônicas proibirem reuniões em prisões, membros da Loja Jerusalem Tavern nº 44 obtiveram uma autorização especial do Grão-Mestre Adjunto, datada de 2 de fevereiro de 1769, e realizaram a iniciação de Wilkes na própria cela em 3 de março. O evento foi noticiado por publicações da época, como a Gentleman's Magazine (impressa na própria Jerusalem Tavern) e o Lloyd's Evening Post, que chegaram a publicar uma carta do Venerável da Loja confirmando a cerimônia. Curiosamente, o livro de atas da Loja não registra o local da reunião, o que alimentou debates históricos sobre a veracidade do evento.

A iniciação de Wilkes teve forte tom político. Ocorreu poucos dias após a fundação da Sociedade dos Cavalheiros Apoiadores da Carta de Direitos (20 de fevereiro de 1769), grupo criado para defender sua causa e do qual faziam parte vários maçons influentes, incluindo George Bellas e John Churchill, que foram iniciados junto com Wilkes naquela noite. Mais tarde, Wilkes abandonou o radicalismo, tornou-se Lord Mayor de Londres (Prefeito) (1774-1775) e magistrado, morrendo em sua cama aos 72 anos em Grosvenor Square.

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Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


OUTONEAR - Heitor Rodrigues Freire

 



Novamente, chegou a vez da melhor estação do ano. Pelo menos para mim, que nasci “outoneado”, no mês de maio. O outono é a estação da meditação, da paz, da contemplação. A estação do amor e do desapego.

Eu sempre penso que não faço primaveras, faço outonos.

Ao cantar glórias para o outono, me rejubilo com um texto meu escrito especialmente para esta estação, há cinco anos: “Sua majestade, o outono”. Por isso, considero oportuna sua republicação.

É a minha estação. Eu nasci no outono. Daí a minha profunda identificação com esta estação maravilhosa. Também no outono, nasceram três das minhas filhas: Flávia, Thaís e Raquel. Eu me casei também no outono, há 63 anos – sem dúvida, o acontecimento mais importante da minha encarnação. Assim, tenho uma identificação mental e espiritual com esta estação que me inspira e me estimula. Quando chega o outono, eu sempre sinto um novo renascer.

A chegada do outono se dá pelo fenômeno astronômico do equinócio, pelo qual o período diurno permanece igual ao noturno, com a temperatura mais amena.

O outono é a estação mais espiritualizada do planeta e está no ar, de novo e sempre, trazendo em seu bojo a dimensão da transitoriedade, da renovação, da transformação, do desapego, do esvaziamento, para o preenchimento pelo novo: o outono chegou! 

É uma estação tão marcante que renova e embeleza tudo. É a estação do silêncio, que resplandece em sua plenitude, é o momento do recolhimento, da meditação, da reflexão. É a chegada da serenidade. Saber esperar é uma virtude. Aceitar, sem questionar, que cada coisa tem seu tempo certo para acontecer ... é ter fé! 

O outono nos leva à meditação serena e silenciosa, quando também aprendemos que cada um deve viver sua vida de forma natural, sem permitir influências externas e deve ser vivida sempre de uma nova maneira. Aprendemos, ao mesmo tempo, que cada um vive em função do outro. Ninguém vive para si mesmo. Aquele que se fecha no seu invólucro íntimo acaba se isolando do todo e perdendo a grande oportunidade que a vida nos proporciona, o crescimento interior pela convivência com o outro.

Terminado o verão com sua agitação inerente, nos encaminhamos para o recolhimento do outono, passando por uma transição natural, num momento próprio para encontrarmos serenidade e prazer, a fim enfrentarmos os obstáculos e os problemas da vida. 

Quando chega o outono, com a harmonia de um céu cristalino, advém uma lição de sabedoria, a pessoal e intransferível responsabilidade de cada um, de buscar, e aproveitar a inefável experiência da vida. Esse momento nos proporciona a oportunidade de um encontro íntimo, convidando e estimulando nossa espiritualidade para um encaminhamento único em busca do bem.

Já se percebe a presença do espírito da fé, da gratidão, da perseverança e da solidariedade, indispensáveis para este momento.

Precisamos seguir em frente, encarar todos os obstáculos com consciência – mesmo porque não há outro jeito –, e assim fazer de nossas vidas um hino de amor e de gratidão a Deus, cumprindo os ensinamentos que Jesus nos proporcionou de forma simples, clara e verdadeira. 

Vamos unir a espiritualidade e o recolhimento do outono com os momentos que estamos vivendo. 

Quando toda essa angústia, dor, e sofrimento passarem – e isso acontecerá –, utilizemos os momentos vividos como lição perene de aprendizado e de elevação espiritual. 

O outono tem um poderoso simbolismo, pois se trata da estação do ano em que o verão acabou de ficar para trás, e inicia-se um período de introspecção. Nessa época, assim como as árvores deixam suas folhas caírem, nós também somos influenciados a deixar para trás o que já não nos serve mais, o que já está terminado, para que assim possamos criar um espaço em nossas vidas para florescermos novamente.


A QUALIDADE DA PEDRA BRUTA - Jorge Gonçalves


CONVITE

          Na próxima terça-feira, 24 de março, às 19h30, a Loja Constâncio Vieira nº 3300 convida os irmãos para um período de estudos sobre um ponto central da Arte Real: nos canteiros medievais, apenas algumas pedras eram escolhidas para sustentar a obra, e é na escolha da pedra bruta que se define, em silêncio, tudo aquilo que a estrutura poderá ou não suportar.



março 22, 2026

ASSEMBLEIA DA GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DE SAO PAULO





Realizou-se na manhã de ontem, sábado, mais uma Assembleia Trimestral da GLESP, sob o comando do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad, com a presença de cerca de mil irmãos e cunhadas que vieram de todas as regiões do Estado.

A parte formal ocorreu no Teatro Liberdade, que pertence a GLESP e a parte informal e festiva, inclusive das cunhadas, no Palácio Maçônico Francisco Morato, sede da Potência, e que fica em frente ao Teatro.

Mais uma vez eu ocupei um importante espaço com a exposição de livros dos acadêmicos de nossa Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras, expondo também medalhas históricas e revistas maçônicas distribuídas gratuitamente. Esteve conosco durante a exposição o confrade Adilson Zotovici e diversas outras autoridades maçônicas prestigiaram a exposição.

A mostra de livros gerou grande interesse dos irmãos presentes e a renda de algumas obras vendidas, doadas por confrades, será utilizada para auxiliar famílias desabrigadas pelas intensas chuvas que recentemente ocorreram em minha cidade. Com o apoio do Eminente Grão Mestre Adjunto Cesar Augusto Garcia, conseguimos também a doação de um razoável volume de medicamentos infantis que serão utilizadas para atender àquelas crianças.

Cada exposição consolida a presente da AMVBL no cenário da cultura maçônica nacional.

A JUSTIÇA DIVINA QUE FAZ O FLUXO CIRCULAR - Lucius Cohen

 



A letra Tsade (צ) representa o justo que se curva para doar. A palavra Tzedakah (צדקה) não significa caridade. Ela significa justiça. Este é o segredo que poucos compreendem: quando você “dá”, você não está fazendo um favor. Você está devolvendo o que já pertence ao outro. Deus lhe deu algo a mais — um excedente, uma bênção, um lucro —para que você o faça circular. Guardar o excedente é roubar do seu irmão. Devolver o excedente é cumprir a justiça cósmica. Dar por favor não é caridade, é interesse. A própria palavra revela o mecanismo divino:

(צ) (Tsade) = 90: Justiça, retidão, o justo que sustenta o mundo. 

(ד) (Dalet) = 4: A porta, o pobre (delet), aquele que recebe. 

(ק) (Kuf) = 100: Santidade, o círculo que sobe e desce. 

(ה) (Hei) = 5: A mão de Deus. O sopro divino, a redenção, o Nome que multiplica.

Soma: 90 + 4 + 100 + 5 = 199.

Mas o verdadeiro segredo está na estrutura interna. Tzedakah (צדקה) contém a raiz (צדק) (Tzedek = Justiça), cujo valor é 194 = 14 = 5, e sua (ה) final (5) é o sopro que ativa a misericórdia. Perceba as mãos de Deus nessa palavra, tal e como no Tetragrama (יהוה‎), onde Suas mãos (as duas Hei do Tetragrama) ladeiam a letra Vav, aqui temos Tzedek (צדק) que vale 5 e a própria Hei (ה) final com o mesmo valor. Mas na palavra Tzedakah (צדקה) não há uma letra central, revelando que o justo (Tzadik) é quem deve realizar a caridade. Deus já criou o mundo para que você exista, agora é com você. São as mãos de Deus abençoando sua doação, e o que será doado não está definido na palavra, há um vazio, porque há o livre-arbítrio. É o Tzadik quem decidirá. A Tzedakah não é uma ordem, há a liberdade, porque Deus observa o que faremos com nossa liberdade de agir. É uma escolha (הקטף: chaktaf, 194) que revela quem você é.

O Tehilim, Salmos 133, “Vejam como é bom e agradável quando os irmãos vivem juntos!” revela que a Tzedakah deve ser realizada para as pessoas necessitadas que estão em seu convívio, algo que muitas vezes serve de barreira na hora de doar. Seu irmão está necessitado, sua família necessita sua ajuda, ajude os irmãos, os que estão próximos devem ser amparados primeiro. As ordens iniciáticas fazem isso, ajudam primeiro os irmãos que estão sob o mesmo Templo.

E quanto doar? A palavra revela o valor, Tzedakah (צדקה), que termina com (ק) 100 e (ה) 5, revela que quem tem 100 doa 10 e quem tem 5 doa 1 — 10% ou 20%.

E a quem doar? O valor da palavra Tzedakah é 199, está a 1 de 200, revelando que quem precisa receber é aquele que não consegue completar o valor para honrar com seus compromissos. O que lhe falta está trocado, quebrado, incompleto. Cabe ao Tzadik, com Chesed, perceber quem está necessitado, e com Gevurah, julgar se deve ou não ajudar.

Tzad (צד), Plural: צדדים (Tzdadim), é um substantivo hebraico que significa "lado", "flanco", "aspecto" ou "partido" (em uma disputa ou acordo). É usado para descrever uma localização (צד הכביש, lado da estrada), uma perspectiva (צד חיובי, lado positivo) ou uma direção. A palavra Tzedakah (צדקה) começa com Tzad, indicando a partilha, e termina revelando o quanto deve ser compartilhado.

A palavra “vestes” no Salmos 133 (חלוקים: chalukim,194), em contextos místicos (especialmente Chabad, Breslov ou outros), simboliza as "porções" ou "vestimentas" da alma, ou as bênçãos que se distribuem (חלוק: chaluk = distribuição, porção). A Tzedakah é vista como “veste da alma” ou como algo que "veste" o outro (dá dignidade, cobre a nudez espiritual/material do pobre).

O óleo que desce até a "borda das vestes" (pi midotav) simboliza a bênção que se espalha e chega aos mais baixos níveis — tal e como a Tzedakah, que é uma mitzvah que "desce" do doador (cabeça) para o receptor (borda/inferior), unindo e santificando a comunidade.

Em ensinamentos chassídicos (baseados em Rashi ou em obras como Likutei Torah, ou comentários de rabinos como o Lubavitch Rebe em alguns sichot), o fluxo do óleo até as vestes (chalukim/midot) representa achdut (אַחְדוּת: unidade, união, solidariedade ou harmonia) que gera Tzedakah como fruto natural.

A caridade não fica "presa" no topo (cabeça/sabedoria), mas desce em abundância, alcançando todos — como o óleo que perfuma e unge até a borda.

A gematria 194 serve como "prova" numérica de que as vestes (chalukim) são canais para a Tzedakah (ou retidão que se "veste" no mundo).

Em alguns ensinamentos midráshicos ou chassídicos, as vestes do sacerdote (incluindo a borda que toca o povo ou o chão) simbolizam como a santidade / unção desce e alcança os níveis mais baixos da sociedade — inclusive os pobres. O óleo que chega à "borda das vestes" seria uma imagem de bênção que não fica restrita à elite (cabeça/Arão), mas se estende a todos os que ladeiam o sumo sacerdote (aquele que tem a benção para dar), o que pode ser paralelizado com a Tzedakah como canal de bênção divina para os necessitados.

A tzedakah é vista no judaísmo como algo que "desce" de cima (Deus) para baixo (pobres), trazendo bênção ao doador e ao receptor, semelhante ao fluxo do óleo.

O Zohar (I, 54a) ensina que Tzedakah é o canal que liga Chesed (caridade) a Malkhut (manifestação). Quando você devolve o excedente, você completa o circuito entre o Alto e o Baixo. Deus, então, olha para você e diz: “Este é um bom sócio. Vou investir mais Nele.”

O empreendedor é o sócio de Deus. Deus é o Investidor Supremo. Ele procura parceiros fiéis. Ele observa: “A quem posso confiar mais recursos? Quem vai guardar tudo para si ou quem vai fazer circular?” Aquele que guarda o excedente é visto como mau parceiro. Aquele que devolve o excedente é visto como sócio leal. É por isso que o profeta Malaquias (3:10) diz:

Trazei todo o dízimo à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, por favor, diz YHWH dos Exércitos: se eu não vos abrir as janelas dos céus e não derramar sobre vós bênção até que não caiba mais.

Deus permite que você O teste. Este é o único preceito em que Ele diz de forma explícita: “Me teste”. Aquele que cumpre a Tsedakah, ativa o fluxo no sentido Chesed a Malkhut. Aquele que retém, ativa a Klipah Gargarnut (gula) e bloqueia o canal. Quando é chamado a doar, a raiva daquele que se nega a doar é ira (Za’am) a Klipah de Malkuth, que revela o coração do caído. Aquele que doa com misericórdia e justiça, revela sua transcendência sobre a cobiça (Chamdanut), a Klipah da Gevurah. Sua ira não se manifesta porque está domada pelo amor que emana em Chesed.

O Tsadik não é aquele que acumula. O justo é aquele que faz o dinheiro circular como sangue nas veias do corpo cósmico. Quando ele dá, ele não perde — ele multiplica. Porque o que ele devolve não era dele. Era de Deus passando por suas mãos.

A justiça (צדק: Tzedek) é "feita" ou completada pela palavra/sopro divino (Hei), transformando-se em Tzedakah — é a caridade que Deus realiza para que a justiça prevaleça no mundo. Isso reforça o Salmo 133: a unidade permite que o fluxo divino (óleo/orvalho) desça, trazendo bênção e vida eterna através de atos de retidão ativa. É 194 + 5 = 199, +1 que é você doando para que o necessitado alcance 200.

A letra Resh (ר) vale 200, revelando que aquele que já não necessita (que tem mais que 199), passa a ser “cabeça”, rosh (ראש, cabeça, Gênesis 40:20) e pode reiniciar sua vida com normalidade, reishit (ראשית, começo, Gênesis 1:1).

Portanto, meu irmão empreendedor, pare de pensar em “doação”. Comece a pensar em justiça. Separe seu percentual sagrado. Devolva o que pertence ao outro. E observe como as janelas do céu se abrem sobre o seu negócio. Porque Tzedakah não é caridade. É o ato mais elevado de parceria com o Criador.


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OBRIGAÇÃO - Adilson Zotovici

 


Não vejo qualquer engano

Na simplória afirmação

Glória “ser bom”...se profano

Ao livre pedreiro “obrigação”


Cada qual é ser humano

E como tal tem sua missão

Segue o obreiro algum arcano

Profano sem cognição


Cada Rito Soberano

Dá o caminho à perfeição

Que restrito a fulano


E sem medo a conclusão

Ao pedreiro é ledo engano

Que roteiro igual seu bordão !