fevereiro 22, 2026

DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM - Wagner Barbs


Hoje, 22 de fevereiro, celebramos o Dia Internacional do Maçom. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de *George Washington*, um dos maçons mais conhecidos da história e exemplo de liderança, firmeza moral e compromisso com a liberdade.

Esse dia, na verdade, não pode ser uma comemoração de vaidade, mas devemos revisar nosso interior para constatar se estamos, de fato, *vivendo os princípios que juramos defender*: ética, fraternidade, tolerância, respeito às leis e trabalho constante pelo bem comum._

A Maçonaria, desde  nossa iniciação, nos ensina que o *verdadeiro templo é construído dentro de nós*. E essa construção não acontece apenas em Loja, mas nas atitudes do dia a dia, na família, na profissão e na sociedade como um todo._

_Que esta data nos sirva como um lembrete claro: ser maçom não é apenas portar um título, mas praticar valores. *Que possamos honrar nossa Ordem não pelas palavras, mas pelas ações, dentro e fora de nossos sagrados Templos*._



22/2 - DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM - Adilson Zotovici


 

¨Vinte e dois de fevereiro¨...

Mais um dia comum seria 

Não fosse o manifesto sobranceiro

De um chefe  da maçonaria 


Foi decisão soberana

Tomada em reunião anual 

Da cúpula Norte-Americana

Mas seu autor...de Portugal  


Aprovado por aclamação

A especial homenagem

Proposta a um insigne irmão

De inspiradora linhagem 


Invejável livre pedreiro

Imortalizado pela  confiança

De um povo costumeiro

À democracia, à liderança 


Foi bom presidente e comandante

Bom Grão Mestre, bom aprendiz 

Foi sua obra marcante,

Colocar ordem em seu país 


George era seu nome !

Tão importante à sua terra  natal,

Que de Washington, seu sobrenome,

Batizaram sua capital 


Uma homenagem justa

Por todos então, logo aceita

Vez que sua data natal e augusta

Era então uma data perfeita 


De lá, para o mundo inteiro

Bradado em alto e bom som :

“ Vinte e dois de fevereiro...

_É o Dia Internacional do Maçom !”_



"MAÇONARIA E CRISTIANISMO" - Denizart Silveira de Oliveira Filho



Denizart Silveira de Oliveira Filho – do livro: Comentários às Instruções do Ritual do Aprendiz-Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito - Editora Trolha.

O emérito Maçom e Pastor Presbiteriano Jorge Buarque Lyra nos legou em seus monumentais livros “A Maçonaria e o Cristianismo” e “As Vigas Mestras da Maçonaria”, dois extraordinários discursos, dirigidos aos Aprendizes. Neles nos inspiramos para apresentar esta mensagem inicial ao Aprendiz-Maçom, em particular, e aos Maçons de todos os Graus, em geral. 

Somos privilegiados por termos ingressado na Maçonaria, instituição que prepara o homem para vencer nas lutas morais, espirituais, políticas e sociais que todos temos de enfrentar. Fazemos parte da Maçonaria Universal com sua admirável unidade no tempo e no espaço, congregando homens das mais diversas raças, das mais diversas classes sociais, dos mais diversos pensamentos filosóficos e políticos, de fé e credos diferentes, porém irmanados em um só propósito, o de fazer o bem aos nossos semelhantes.

Sua filosofia prática resume-se na tríade: VERDADE, BELEZA e BONDADE; seu ideal político-social concretiza-se na divisa democrática: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE; tudo, enfim na trilogia: DEUS, VIRTUDE e CIÊNCIA! 

Somos um pequeno grupo de Irmãos empenhados na busca constante da VERDADE para podermos dissipar as trevas da ignorância que nos rodeia. Devemos desenvolver o homem-espiritual que somos para revelar, assim, a grande VERDADE, a VERDADE que está consubstanciada no interior de nós mesmos. A importância de nossa instituição se resume em poucas e sábias palavras: em nosso crescimento interior e na doação total e espiritual aos nossos semelhantes; nisso se revela toda a sua BELEZA.

JUDEUS - QUE POVO É ESTE? - William R. Goetz



Quando um povo é expulso de sua terra e espalhado por diversas nações durante um certo período de tempo, ele perde a sua identidade como nação. Isso acontece até mesmo quando essa dispersão é voluntária. Esse caldeamento de raças que hoje é a América do Norte é um exemplo disso. Para lá foram pessoas da Inglaterra, Irlanda, da França, da Alemanha, Holanda, Polônia, México, de todos os países do mundo. 

E em menos de duzentos anos essas nacionalidades foram se misturando, dando origem a um "novo" povo: o americano.

Esse mesmo caldeamento ocorreu na América do Sul e nos países do Sudeste Asiático e, após trezentos ou quatrocentos anos de processo, já não é mais possível identificar as origens.

Mas vejam só os judeus: ha cerca de dois mil e quinhentos anos não tinham um governo próprio, e ficaram sem a sua terra por quase vinte séculos, mas ainda assim mantiveram distinta sua identidade nacional.

E esse notável fenômeno assume proporções ainda maiores, quando comparamos os judeus com outras nações, de sua época.

Onde estão os assírios? Onde estão os babilônios? Onde estão os heteus e amalequitas? Foram grandes nações daquela época que, em certas ocasiões controlaram todo o mundo conhecido de então. Aliás, na ocasião em que os babilônios dominaram os judeus, estima-se que o numero destes girava em torno de 100.000 pessoas, enquanto que os primeiros contavam-se em número muito superior aos judeus, e ainda por cima governavam o mundo.

No entanto, hoje os judeus estão aí, firmes e fortes enquanto que os babilônios sumiram do mapa. Alguma explicação? Uma promessa de Deus feita a Abraão no ano 2090 antes de Cristo, bote tempo nisso!

Esta foi a promessa: "Em verdade te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos". Gen. 22.17.


AMVBL - DOUTA ACADEMIA - Adilson Zotovivi e Denizart Silveira

 


Confrade Adilson Zotovici - Cadeira 48 AMVBL


Salve o espaço que inebria

Aos obreiros com erudição

Cinzel e maço à porfia

Um bom canteiro de comunhão


Reina equidade e harmonia

Sem disputa ou competição

Com igualdade, sintonia

E às letras a cultuação


Literatos sua constituição

De fato Iguais sua etnia

Onde emular é contradição


O Grande Arquiteto por Guia

Na cultura a revelação

Bom teto...Douta Academia !


Confrade Denizart Silveira - Cadeira 19  AMVBL


      Neste belo Poema a Academia é figurada por seu autor como um canteiro simbólico de comunhão e construção intelectual, onde os obreiros manejam cinzel e maço não só sobre a pedra bruta, mas também sobre as ideias. A imagem remete diretamente à pedagogia maçônica do aperfeiçoamento contínuo, em que o estudo e a erudição são instrumentos de lapidação do caráter. O espaço descrito pelo poeta torna-se, assim, uma oficina de comunhão fraterna, na qual cada participante contribui para a edificação coletiva do saber.

     A tônica da equidade e da harmonia evoca o ideal de convivência maçônica, livre de disputas profanas e de competições estéreis. A igualdade ali mencionada não significa uniformidade, mas respeito às diferenças sob um mesmo propósito de aperfeiçoamento moral e intelectual. A “cultuação” das letras sugere que a cultura é tratada como ferramenta de elevação humana, aproximando os irmãos pelo vínculo do conhecimento compartilhado             A  seguir, aprofunda o princípio de igualdade essencial entre os literatos, destacando que a verdadeira distinção não está na hierarquia, mas na qualidade do trabalho realizado. Nesse contexto, emular torna-se contradição ao espírito fraterno, pois a Maçonaria propõe o progresso interior como medida legítima de crescimento. Cada obreiro é convidado a superar a própria pedra bruta, contribuindo para a harmonia do conjunto sem rivalidades. 

     Por fim, a Academia é apresentada como um “bom teto”, metáfora de abrigo simbólico onde o labor cultural se desenvolve sob orientação de elevados princípios maçônicos. A referência ao Grande Arquiteto do Universo, Deus, surge como elemento tradicional da linguagem iniciática, conferindo unidade ao ideal de construção coletiva. Assim, a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras revela-se como espaço de edificação intelectual, cultural e fraternal, onde as letras servem de instrumentos para a contínua obra de aperfeiçoamento humano

.


Confrade Adilson Zotovici - Cadeira 48 AMVBL


Salve o espaço que inebria

Aos obreiros com erudição

Cinzel e maço à porfia

Um bom canteiro de comunhão


Reina equidade e harmonia

Sem disputa ou competição

Com igualdade, sintonia

E às letras a cultuação


Literatos sua constituição

De fato Iguais sua etnia

Onde emular é contradição


O Grande Arquiteto por Guia

Na cultura a revelação

Bom teto...Douta Academia !


Confrade Denizart Silveira - Cadeira 19  AMVBL


      Neste belo Poema a Academia é figurada por seu autor como um canteiro simbólico de comunhão e construção intelectual, onde os obreiros manejam cinzel e maço não só sobre a pedra bruta, mas também sobre as ideias. A imagem remete diretamente à pedagogia maçônica do aperfeiçoamento contínuo, em que o estudo e a erudição são instrumentos de lapidação do caráter. O espaço descrito pelo poeta torna-se, assim, uma oficina de comunhão fraterna, na qual cada participante contribui para a edificação coletiva do saber.

     A tônica da equidade e da harmonia evoca o ideal de convivência maçônica, livre de disputas profanas e de competições estéreis. A igualdade ali mencionada não significa uniformidade, mas respeito às diferenças sob um mesmo propósito de aperfeiçoamento moral e intelectual. A “cultuação” das letras sugere que a cultura é tratada como ferramenta de elevação humana, aproximando os irmãos pelo vínculo do conhecimento compartilhado             A  seguir, aprofunda o princípio de igualdade essencial entre os literatos, destacando que a verdadeira distinção não está na hierarquia, mas na qualidade do trabalho realizado. Nesse contexto, emular torna-se contradição ao espírito fraterno, pois a Maçonaria propõe o progresso interior como medida legítima de crescimento. Cada obreiro é convidado a superar a própria pedra bruta, contribuindo para a harmonia do conjunto sem rivalidades. 

     Por fim, a Academia é apresentada como um “bom teto”, metáfora de abrigo simbólico onde o labor cultural se desenvolve sob orientação de elevados princípios maçônicos. A referência ao Grande Arquiteto do Universo, Deus, surge como elemento tradicional da linguagem iniciática, conferindo unidade ao ideal de construção coletiva. Assim, a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras revela-se como espaço de edificação intelectual, cultural e fraternal, onde as letras servem de instrumentos para a contínua obra de aperfeiçoamento humano

.



fevereiro 21, 2026

GRANDES LOJAS UNIDAS DA ALEMANHA – FRATERNIDADE DOS MAÇONS - Izautonio Machado

 


Em setembro de 2024 representei a GLOMARON na Conferência Trienal das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, a convite daquela Potência, em virtude do Tratado que havíamos recentemente celebrado. Por ocasião do evento, uma Carta foi distribuída aos presentes. Ao refletir hoje sobre o seu conteúdo, que – sendo sintético - toca na questão das transformações sociais contemporâneas, ética e humanismo, e por crer que o texto pode ser do interesse de alguns Irmãos estudiosos do tema, sendo mais direcionado para a realidade europeia, compartilho a tradução. Qualquer dúvida, tenho o original digitalizado.

Att, Izautonio Machado

Texto traduzido:

O Grão-Mestre

Boas-vindas e discurso do Grão-Mestre durante a Convenção de 25 a 27 de setembro de 2024

Mui Respeitáveis Grão-Mestres,

Valorosos e amados Irmãos, em todos os vossos graus,

Dou-lhes as boas-vindas aos nossos trabalhos rituais por ocasião da Convenção das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. É com grande satisfação que recebo os senhores, as delegações internacionais vindas de todo o mundo e os Irmãos das Grandes Lojas-membro sob o teto da VGLvD, para este evento.

Esta convenção é um sinal da estreita ligação que mantemos com as Grandes Lojas que reconhecemos. Aguardo com entusiasmo o aprofundamento dessas boas relações.

Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, tomo a liberdade de estender um pouco mais estas palavras de boas-vindas. Na Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, algo singular foi alcançado em nossa fraternidade global. Sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, reunimos cinco Grandes Lojas-membro, diversas em suas estruturas, rituais e costumes. O renascimento da Maçonaria na Alemanha teve início em 19 de junho de 1949. Contudo, nossa tradição remonta à fundação da primeira Grande Loja regular em 13 de setembro de 1740, em Berlim.

Em retrospecto, pode-se afirmar que a história da Maçonaria na Alemanha está longe de ser comum. Isso também se reflete na história da fundação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Foram necessários mais de trinta anos para que a Maçonaria regular na Alemanha se unisse sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Sem a ajuda das Grandes Lojas europeias, provavelmente não teria sido possível preservar a diversidade da Maçonaria na Alemanha.

Cito:

“Em grata lembrança da ajuda fraternal concedida no verão de 1957 pelos Grão-Mestres europeus reunidos em Londres à Maçonaria alemã, para sua unificação final em uma fraternidade dentro de uma ordem nacional comum, em reconhecimento à disposição demonstrada e declarada não apenas de participar, mas também de resolver amigavelmente questões aparentemente insolúveis, as duas Grandes Lojas fundadoras:

Grande Loja Unida dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha

e a Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha

apresentaram a seguinte CARTA MAGNA, não apenas às suas fraternidades, mas também às Grandes Lojas amigas.”

(Fim da citação)

Nossa história singular e, em particular, a grande solidariedade fraternal das Grandes Lojas europeias no período pós-guerra formam a base da estreita ligação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha com as Grandes Lojas da Europa. A partir dessa ligação, é natural moldar ativamente a fraternidade europeia e global.

Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, sinto-me comprometido com essa estreita ligação.

Infelizmente, foi apenas após a reunificação, em 3 de outubro de 1990, que pudemos levar a Luz maçônica ao leste da Alemanha.

Isso quanto a um fragmento da história maçônica alemã. Voltemo-nos agora ao presente.

A Maçonaria na Alemanha, assim como a Maçonaria na Europa, enfrenta novos desafios. As sociedades estão mudando. Elas não mudam apenas porque as pessoas mudam — o que se poderia chamar de evolução —, mas porque vivemos uma revolução tecnológica global sem precedentes. Isso contribui significativamente para esse processo. Teremos de lidar com temas que jamais estiveram em nossa agenda anteriormente.

Nossa fraternidade sempre prosperou quando a sociedade mudou. Durante tais processos, os valores fundamentais da sociedade foram abalados. Existem inúmeros exemplos disso.

Atualmente, estamos vivenciando uma mudança social fundamental. Há uma tentativa de alterar valores centrais. Muito se torna arbitrário; aquilo que ontem era importante e correto é hoje questionado. Cada um de nós conhece inúmeros exemplos.

O populismo de direita, exibindo seus traços anti-humanistas, firmou-se em nossa sociedade. Isso já não são apenas ruídos de fundo. Isso me preocupa profundamente, pois não se trata apenas de um fenômeno alemão, mas europeu. Como maçons, devemos estar vigilantes.

Estou convencido de que, em um processo de mudança social sob as condições atuais, as pessoas, diante de grande incerteza, buscam pontos de ancoragem para sua orientação de valores. Nós valorizamos e nos comprometemos com nossa tradição de 300 anos. Antigos landmarks e valores são nossos pontos de ancoragem. Isso é importante e correto.

No entanto, não podemos evitar que nossa fraternidade se envolva com as transformações da sociedade. Envolver-se com as mudanças não significa abandonar aquilo que se mostrou válido. Nesse contexto, gostaria de enfatizar que a Maçonaria na Alemanha, sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, é uma fraternidade, uma irmandade!

Em uma fase como esta de mudanças sociais, nossa fraternidade tem as melhores oportunidades para dialogar com homens de boa reputação. A Maçonaria na Alemanha e na Europa não deve se esconder atrás de sua tradição de 300 anos. Com essa tradição, temos os melhores pressupostos para oferecer respostas. Precisamos utilizá-los.

Cada Grande Loja seguirá seu próprio caminho, com base em sua situação nacional, história e integração na sociedade. Isso é bom. Contudo, nós, os Grão-Mestres das Grandes Lojas da Europa, podemos trocar ideias de forma ainda mais estreita. Se nos aproximarmos mais e discutirmos juntos as questões do nosso tempo, encontraremos as respostas corretas.

Aguardo com expectativa esse caminho.

Michael Volkwein

Grão-Mestre da VGLvD

A POLÍTICA ESTÁ IMPEDINDO MUITAS PESSOAS DE VIVEREM - Cesar Romão

 



Nunca se falou tanto de política como agora. 

Ela está na mesa do almoço, no grupo da família, nas redes sociais, no trabalho, no bar e até nos momentos que antes eram reservados ao silêncio ou ao afeto. 

A política deixou de ser apenas um instrumento de organização coletiva e passou a ocupar o centro da vida emocional das pessoas. 

O problema não é discutir política, isso é saudável e necessário. O problema é quando essa discussão se transforma em obsessão, substituindo a própria experiência de viver.

A política contemporânea, especialmente em tempos de polarização extrema, deixou de ser um campo de ideias para se tornar um campo de identidades. As pessoas já não debatem propostas; defendem rótulos. 

Não buscam compreender; querem vencer. O outro não é mais um cidadão com visão diferente, mas um inimigo moral. Nesse ambiente, a política passa a funcionar como uma religião secular: há dogmas, hereges, profetas, fanáticos e condenações públicas. E como toda fé mal digerida, ela exige devoção total.

Enquanto isso, a vida real vai ficando em segundo plano. As conversas perdem leveza, os encontros perdem espontaneidade e as relações se tornam condicionais: só permanece quem pensa igual. 

Muitos já não sabem mais escutar sem preparar o contra-ataque. Outros acordam e dormem consumindo indignação, como se estivessem permanentemente em estado de guerra. Viver, nesse contexto, passa a ser apenas reagir.

Há um paradoxo cruel nisso tudo. A política deveria servir para melhorar a vida concreta, o trabalho, a saúde, a educação, o lazer e a dignidade. No entanto, quando ela se torna o eixo absoluto da existência, acaba produzindo o efeito contrário: mais ansiedade, mais rupturas, mais frustração e mais amigos se afastando. Pessoas brigam por políticos que nunca as conhecerão, rompem amizades por ideologias que não lhes darão colo e sacrificam momentos únicos em nome de discussões repetitivas e estéreis.

Esquecer-se de viver não significa alienar-se. Significa lembrar que a vida é maior que o debate. Que existe beleza fora das manchetes, sentido fora das timelines e humanidade fora dos discursos prontos. Viver é conversar sem transformar tudo em trincheira, é rir sem culpa, é amar sem pedir declaração ideológica. É compreender que nenhuma causa vale a perda completa da sensibilidade e do bom senso. 

A política tem origem na necessidade humana de viver em comunidade. Desde os primeiros agrupamentos sociais, os seres humanos precisaram criar regras para organizar a convivência, distribuir recursos, resolver conflitos e tomar decisões coletivas. Essa prática antecede qualquer teoria formal e nasce da própria vida social.

O termo “política” vem do grego politiké, derivado de pólis, que significava cidade-estado. Na Grécia Antiga, especialmente em Atenas, a política passou a ser compreendida como a arte de governar a cidade e buscar o bem comum. Participar da vida política era considerado parte essencial da condição humana, pois o homem era visto como um “animal político”, como definiu Aristóteles.

Com o tempo, a política evoluiu e assumiu diferentes formas: impérios, monarquias, repúblicas e democracias. Apesar das mudanças históricas, sua essência permaneceu a mesma: organizar o poder e mediar interesses dentro da sociedade. Assim, a política surge não como um fim em si, mas como um instrumento para tornar possível a vida coletiva.

Talvez o maior ato político, hoje, seja resgatar o ser humano. Defender a convivência, o diálogo imperfeito, a pausa, o afeto. A política passa; a vida, quando não vivida, não volta.

Tanta discussão sobre política parece não resultar em nada, as eleições surgem e os mesmos que criticamos, elegemos mais uma vez. Quando um político duvidoso sem ética surge, é um empurra empurra para se fazer uma self com ele. 

Diógenes de Sinope filósofo grego da escola cínica andava pelas ruas de Atenas em pleno dia com uma lanterna acesa, afirmando estar “procurando um homem honesto”. Esse ato era uma performance satírica que criticava a hipocrisia, a corrupção e a falta de virtude genuína na sociedade da época. 

A Lanterna de Diógenes teria ótima função nos dias de hoje. 

A vida surgiu há pelo menos 3.8 bilhões de anos no planeta, o ser humano surgiu há 300 mil anos, a política surgiu há 5 mil anos a.C. Como devemos muitos respeito aos mais velhos, devemos dar mais valor e atenção a nossa vida. 




fevereiro 20, 2026

CONVITE PARA SESSÃO DE ELEVAÇÃO - Jorge Gonçalves




ARLS CONSTANCIO VIEIRA 3300 - ARACAJÚ 

Dia 24 de fevereiro de abril às 19:30

Segundo Harry Carr, entre os séculos XIV e o início do século XVI da *Maçonaria operativa documentada* existia apenas um grau, o Companheiro, o pedreiro plenamente formado. Nesse período, o Aprendiz era juridicamente considerado propriedade de seu mestre, tratado como um ativo do ofício.

Somente a partir do início do século XVI, com mudanças graduais nas leis de trabalho e no reconhecimento da condição humana do Aprendiz, surgiram cerimônias específicas para esse grau.

Portanto, meus inestimáveis Irmãos, venham participar desta *Sessão Magna de Elevação*, testemunhando a passagem do nosso Irmão para o grau que representou, por séculos, o coração da Maçonaria operativa e o verdadeiro ingresso pleno na Arte Real.



DO CONTRAPONTO - Heitor Rodrigues Freire

 


No campo das relações humanas, destaca-se como parte importante o contraponto, que é um outro ponto de vista acerca do tema central em uma discussão – diga-se, discussão em alto nível –, e não uma briga ou disputa.

Na música, o contraponto é a arte de combinar duas ou mais melodias independentes que soam simultaneamente de forma harmoniosa, criando uma textura rica.

No sentido figurado, que é o que nos interessa neste texto, o contraponto se refere a algo que serve de contraste ou que se contrapõe a uma ideia, adicionando uma perspectiva diferente e complementar, como, por exemplo, um sabor salgado que equilibra um doce. 

Em uma discussão ou debate, o contraponto é a argumentação ou perspectiva que se opõe ao ponto de vista principal, servindo para balancear a discussão ou introduzir mais complexidade ao tema.

Na arte, literatura ou design, um contraponto pode ser um elemento que contrasta fortemente com os demais para criar interesse visual, tensão ou profundidade, destacando as diferenças e gerando um efeito de equilíbrio ou conflito.

No direito, o contraponto aparece como o contraditório, ou seja, uma outra versão que contrasta com a inicialmente proposta. Ele está embasado no princípio da dúvida.

Essencialmente, a ideia central do contraponto, mesmo em contextos não musicais, é a combinação de elementos distintos que funcionam em conjunto para criar um todo mais complexo ou equilibrado, seja uma discussão, uma obra de arte ou uma situação social.

Vejamos, a seguir, algumas situações em que se apresenta o contraponto:

Em um debate: Uma pessoa defende um ponto, e outra apresenta um contraponto, uma ideia oposta que rebate ou questiona a primeira;

Em um livro: O autor usa o contraponto para mostrar a visão de um personagem contrastando com a de outro, ou para apresentar fatos históricos sob diferentes óticas;

Na música (origem do termo): A sobreposição de melodias independentes, como uma linha de baixo e uma melodia vocal, que juntas formam uma harmonia. 

Filosoficamente, o contraponto de ideias refere-se ao uso de ideias opostas, conflitantes ou alternativas usadas para promover o pensamento crítico, aprofundar a compreensão e, em algumas correntes, impulsionar o progresso do pensamento ou da história. 

Embora o termo "contraponto" tenha origem na música (que significa "ponto contra ponto"), na filosofia ele é usado metaforicamente para descrever o choque, a justaposição ou a interação de teses ou pontos de vista distintos. 

Há alguns conceitos filosóficos relacionados ao contraponto:

Na dialética: O contraponto de ideias é central para o método dialético, que tem raízes em filósofos como Sócrates e, mais proeminentemente, em Hegel. Na dialética, uma ideia (tese) é confrontada por uma ideia oposta (antítese), e dessa interação (que pode ser vista como um contraponto) emerge uma terceira ideia (síntese), que supera e incorpora aspectos das duas anteriores. Esse processo é visto por Hegel como o motor do progresso do pensamento e da história;

Unidade dos opostos: Filósofos pré-socráticos como Heráclito já abordavam a importância dos opostos, argumentando que a harmonia e a própria existência surgem da tensão e da interdependência entre elementos contrários (como dia e noite, guerra e paz). A tendência de um extremo conduzir ao seu oposto é vista como um princípio fundamental da realidade;

Ceticismo e relativismo: A apresentação de argumentos opostos (contrapontos) é uma técnica usada por correntes céticas, como a sofística, para demonstrar que para cada tópico existem dois argumentos igualmente fortes (equipolentes), o que mina a possibilidade de uma verdade absoluta, que cá para nós, não existe;

Argumentação e senso crítico: Em um sentido mais contemporâneo, o contraponto de ideias é essencial para o desenvolvimento do senso crítico e do diálogo racional. A exposição a perspectivas diferentes desafia pressupostos, permite a análise de um problema sob múltiplos ângulos e refina a capacidade de contra-argumentar e construir posições mais robustas, e esse refinamento estimula e enriquece o debate.

Em resumo, o contraponto de ideias é um mecanismo filosófico vital que reconhece e utiliza a oposição e a contradição como ferramentas para a exploração intelectual e a busca por uma compreensão mais profunda da realidade ou da verdade. 

Não é bonito, isso?

A MODALIDADE DE ANALFABETISMO DA MAÇONARIA OPERATIVA - Octavio Botelho

 



Os historiadores são unânimes em afirmarem que, durante a Antiguidade e a Idade Média, de 80% a 90% da população destas épocas era analfabeta. 

O alfabetismo era um privilégio de poucos, pois não existia o imenso sistema de educação em grande escala, aberto para todos, como actualmente. 

Porém, dentro desta grande população analfabeta, existiam os que eram apenas analfabetos funcionais (aqueles que só conseguiam ler ou escrever os assuntos dentro da sua ocupação funcional). 

Bem como os que só eram treinados na sua profissão, através de um processo de treino, geralmente passado de pai para filho, o qual os historiadores da educação denominam, para diferenciar da educação propriamente, de “aprendizagem do trabalho” ou de “tecnização do conhecimento” (Manacorda, 2006: 70-2, 106-10; 138-9 e 161-7). 

Este processo consistia inicialmente da aprendizagem das técnicas da profissão (artesãos, lavradores, carpinteiros, etc.) transmitida pelos pais aos filhos, sem a necessidade da alfabetização, até a formação das primeiras corporações de aprendizagem na Europa (Manacorda, 2006: 161-7).

A corporação (Craft) dos maçons operativos pode ter sido uma das primeiras corporações de aprendizagem a surgir, cuja transmissão não era aquela de pai para filho, mas de um Maçom para outro. 

Com isto os maçons operativos superavam nas suas habilidades profissionais os outros trabalhadores do mesmo ofício, os escravos, daí a suposta origem da denominação “pedreiros livres” (free masons). 

Que os maçons operativos eram hábeis nas técnicas da construção, pois conheciam até Aritmética e Geometria que eram aplicadas nas construções, está bem confirmado, no entanto, fortes indícios levam a supor que eram despreparados, quanto à capacidade de ler ou de escrever textos. 

As principais pistas para tal suspeita estão na inexistência de escritos, de autoria de maçons, durante o período medieval, bem como a conclusão de Edmond Mazet de que: 

• “… não é difícil adivinhar qual deve ter sido o conteúdo da Maçonaria Operativa na Idade Média. 

Ele só pode ter sido inteiramente cristão e certamente refletiu os ensinamentos dos padres; que é, foi fundado na Bíblia e na exegese bíblica, que os maçons não conheciam de ler o livro ou os comentários sobre ele, mas de ouvir os sermões dos padres sobre eles e de esculpir cenas históricas e simbólicas extraídas deles” (Mazet, 1992: 252).

Os escassos conhecimentos que temos da Maçonaria operativa da Idade Média são extraídos dos Old Charges (Antigos Deveres), sobretudo os dois textos mais antigos: o manuscrito Regius (1390 e. c.) e o manuscrito Crook (1450 e. c.), sendo que, curiosamente, ambos foram escritos por padres (Haywood, 1923b e Mazet, 1992: 251). 

Segundo E. Mazet, “eles contem (especialmente o Regius) um conjunto de instruções religiosas e morais que expressam o interesse dos padres em moralizar e catequizar os maçons” (Mazet, 1992: 251). 

Os Old Charges seguintes, que só aparecem a partir de 1583 e. c. (Mazet, 1992: 253), podem ter sido escritos por maçons. 

Portanto, mais uma evidência de que, quanto mais antiga a referência aos maçons operativos, maior a confirmação do seu analfabetismo. 

Enfim, sendo analfabetos, eles só podiam registar através de símbolos e de ritos, o que aprendiam com os padres cristãos e com as esculturas que esculpiam nas catedrais, nas fortalezas e nos mosteiros.


fevereiro 19, 2026

MAÇONARIA ECLÉTICA - Kennyo Ismail

 


De vez em quando você pode se deparar com alguns maçons incomodados com a variedade de ritos na Maçonaria, argumentando que os “Altos Graus” se distanciam da maçonaria operativa e crentes que os vários ritos mais dividem do que unem os obreiros da Arte Real.  

Ou talvez você mesmo pense assim. 

Saiba que esse incômodo não é coisa nova na Maçonaria, e já até originou Ritos e Obediências.

A Maçonaria Eclética, que também ficou conhecida como União Eclética, teve início como uma espécie de confederação de algumas Lojas alemãs. 

Essa união de Lojas se baseava no desejo de praticar um sistema mais puro de Maçonaria, mais próximo das antigas práticas da Maçonaria Operativa, ou seja, sem as influências de Cabala, Alquimia, Astrologia, Hermetismo, Cavalaria, Teosofia ou outras ciências ocultas e religiões que os diversos ritos do século XVIII na Europa apresentavam.

A União Eclética teve início em 1779 sob a liderança do Barão Von Ditfurth, que havia sido um importante adepto do Rito da Estrita Observância, o qual estava em decadência por conta da indevida influência da cavalaria nos graus simbólicos e de sua “liderança oculta”. 

Desse movimento eclético, concentrado em Frankfurt, surgiu o Rito Eclético, composto por apenas os três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Em 1783 duas “pequenas Grandes Lojas” adotaram o Rito Eclético: Grande Loja de Frankfurt am Main, e Grande Loja de Wetzlar. 

Elas enviaram uma carta a todas as Lojas da Alemanha convidando-as para se aliarem à União Eclética e assim praticarem a legítima Arte Real. 

Algumas Lojas atenderam o chamado, o que serviu de base para a fundação, em 1823, da “Grande Loja Mãe da Eclética União”, a qual, obviamente, somente reconhecia o Rito Eclético. 

Porém, essa receita de simplicidade não encontrou muitos adeptos ao longo dos anos: a Grande Loja da Eclética União nunca passou da casa dos 20 em número de Lojas.

Já a Maçonaria de Hamburgo nutria da mesma insatisfação com o Rito da Estrita Observância e o mesmo desejo pela prática de uma Maçonaria mais “pura”, mas de uma certa forma optou por trilhar o seu próprio caminho, adotando o Rito Schroeder em 1801. 

Pelo tamanho e importância de Hamburgo no cenário alemão, o Rito Schroeder obteve mais êxito.

Tais fatos evidenciam mais uma vez que, durante o século XVIII e início do século XIX, os maçons europeus, em vez de se submeterem à Maçonaria, submetiam-na a si mesmos.





I M A G E M - Newton Agrella



A imagem pode revelar muitas coisas, desde um abrigo para a nossa alma até um grito de liberdade, preso no mais longínquo recinto de nossa memória.

O tempo parece que pára. 

Não há nenhum sinal de trilha ou de algum caminho a ser seguido.

É nesse cantinho do mundo que nossa imaginação se revela uma usina de idéias.

Não há submissão ou predomínio.

O que de fato existe somos nós e o infinito que o Universo rege.

Nesse lugar, a vida segue a inspiração dos dias.

Não se contam horas,  apenas contemplam-se as mais sutis sensações que o cérebro e o coração conseguem produzir.

As chances do ser humano dar certo são incontáveis, bem como as de dar errado encontram um território um tanto arriscado.

Viver é um ritual inesgotável de cerimônias. 

Algumas mais  requintadas, que nos impõem uma dose mais generosa de circunspecção e outras que são frutos da própria dinâmica de nossa existência. 

A perspectiva vai aos olhos de cada um de nós.

Afinal de contas, a rigor, a Imagem é filha do Imaginário e da Imaginação



fevereiro 18, 2026

FELIZ 4a FEIRA DE CINZAS - Newton Agrella

                                      



Você já experimentou perguntar-se  a si mesmo se a Indulgência pode ser interpretada como uma espécie  de alvará oferecido pela Igreja como forma de perdoar pecados ou de amortizar dívidas contraídas pelo comportamento que atenta contra a própria moral estabelecida através de códigos consagrados pela sociedade ?

Pois é, mais ou menos por aí, que a Quarta Feira de Cinzas incorpora seu significado.

Apesar do Carnaval no Brasil exortar a alegria através da música, da dança, da aglomeração de pessoas e dos desfiles e blocos, invariavelmente regados a muita bebida e outros ingredientes, é impossível disassociá-lo do lado obscuro do comportamento humano.

Essa Quarta Feira portanto, é algo como se a Igreja tivesse que ligar um sinal de alerta e puxar o freio das atitudes humanas que se deixam levar incontidamente pela lascívia e despudor, durante a festa da carne que se prospera durante ruidosos e inebriantes 7 dias.   

A semana de Carnaval.

Tal qual uma varinha mágica, a Igreja interpõe estratégicamente um dia, logo após os festejos, para lembrar às pessoas que na Quarta Feira, as Cinzas devem se manifestar na mente humana, como uma sutil lembrança de que a vida é efêmera, breve e transitória, e que o caminho entre a Terra e Céu deve passar por um processo de purificação.

A Antítese desse processo é a confirmação da contrariedade e da insensatez que se travestem de arrependimento.  

Na sede de provar esse sentimento, a pessoa se submete a um período de retratação, que obedece o nome de Quaresma.

Jejuar, orar, refletir e entregar-se a uma vida espiritual, tornam-se "lição de casa",  pelo menos até a Páscoa.  

O paradoxo desse exdrúxulo comportamento é uma tênue linha da ética e da moral, que mal se sustenta diante da débil oferta da Indulgência.

As cinzas continuam flanando no aguardo de arrependidos, que durante dias se esbaldam na Festa Pagã e ao término dela buscam a absolvição da Matriz, por quem os sinos dobram em sinal de compaixão.

E assim começa a Penitência, num país sobejamente cristão, mas que traz consigo o Carnaval como manifestação primitiva e degradante do comportamento de muitos.