março 05, 2026

O ORIENTE NA TRADIÇÃO MAÇÔNICA - Jorge Gonçalves


 

Desde as primeiras civilizações, a observação do movimento do Sol permitiu identificar direções fixas no horizonte, originando os pontos cardeais. Essa orientação também aparece nas tradições religiosas: “A glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta que está voltada para o Oriente.” (Ezequiel 43:4)

Na Maçonaria, essa simbologia também se manifesta na orientação da Loja. Nos costumes dos “Modernos”, a Loja está organizada no eixo Oriente e Ocidente, com o Venerável Mestre no Oriente e os Vigilantes no Ocidente. Já na tradição dos “Antigos”, os três oficiais refletem o movimento aparente do Sol: o Venerável no Oriente, o Primeiro Vigilante no Ocidente e o Segundo Vigilante ao Sul.

Na próxima terça feira, dia 10 de março, às 19h30, o Ir∴ *Natanael Fernandes de Souza*, praticante do R∴E∴A∴A∴ e herdeiro da tradição dos “Antigos”, fará uma apresentação em uma Loja do Rito Moderno, abordando a evolução histórica do Oriente no templo maçônico.



A IRA - Wagner Barba



Hoje tenho mais de 60 anos, e o tempo, com sua constância implacável e ao mesmo tempo generosa, ensina lições que só a vivência é capaz de oferecer. 

A vida nos educa não apenas pelos acertos, mas, sobretudo, pelas situações difíceis, pelas perdas, pelos conflitos e pelas escolhas que fazemos ao longo do caminho.

Muitas vezes reflito sobre como teria sido valioso possuir, há 30 ou 40 anos, o entendimento que hoje carrego. Não para reescrever a própria história, mas para atravessá-la com mais leveza, menos desgaste emocional e maior equilíbrio interior.

Entre os aprendizados mais claros que o tempo nos oferece está a compreensão de que a ira não traz benefício algum. Ela não fortalece argumentos, não melhora relações e não produz justiça. Ao contrário, a ira compromete a saúde mental, alimenta a ansiedade, tensiona o corpo, perturba o raciocínio e retira a serenidade necessária para lidar com qualquer situação de forma lúcida.

Aprendemos também que não ter ira não significa concordar com tudo ou aceitar injustiças passivamente. Significa escolher a calma como instrumento de clareza, o autocontrole como forma de proteção e a serenidade como expressão de maturidade. A ausência de ira nos permite responder, em vez de reagir; compreender, em vez de atacar; e preservar a própria paz, mesmo diante de divergências.

No fim, o tempo nos mostra que a ira só prejudica quem a carrega. Ela não atinge o outro na mesma medida em que consome, silenciosamente, aquele que a mantém viva. Libertar-se da ira é um gesto de sabedoria, de respeito consigo mesmo e de cuidado com a própria saúde mental.

A verdadeira vitória, com os anos, não está em vencer discussões, mas em manter a tranquilidade da mente e a integridade do espírito.



O EGITO QUE CONTAVA HISTÓRIAS - Rogério de Paula


Os Manuscritos que Revelam a Alma de uma Civilização Milenar

Quando pensamos no Egito Antigo, logo nos vêm à mente as pirâmides, os faraós e os grandes templos de pedra. No entanto, entre os blocos monumentais de Gizé e os relevos de Luxor, existia um outro legado igualmente poderoso: a literatura escrita em papiro.

Durante o Império Médio (c. 2055–1650 a.C.), considerado por muitos egiptólogos como a “idade clássica” da literatura egípcia, surgiram obras que revelam não apenas crenças religiosas, mas também emoções humanas profundas, reflexões filosóficas e ensinamentos morais. 

Textos como o Conto de Sinuhe narram a história de um cortesão que foge do Egito após a morte do faraó e vive anos no exílio. Mais do que uma aventura, trata-se de uma reflexão sobre identidade, pertencimento e lealdade ao Estado faraônico.

Outro exemplo marcante é o Diálogo de um Homem com sua Alma, um texto surpreendentemente introspectivo. Nele, um homem debate com sua própria alma sobre o sofrimento e o desejo de morrer — um registro raro da angústia existencial na Antiguidade.

Os ensinamentos morais também ocupavam lugar central. As Instruções de Ptahhotep, datadas do final do Antigo Império (c. 2400 a.C.), apresentam conselhos sobre humildade, justiça e autocontrole, valores essenciais para manter a maat — o princípio de ordem e equilíbrio cósmico.

Já no período do Novo Império (c. 1550–1070 a.C.), encontramos textos mitológicos como A Contenda entre Hórus e Seth, que relata a disputa divina pelo trono do Egito. Essa narrativa não apenas entreteve gerações, mas também reforçou a legitimidade política e religiosa do faraó como representante de Hórus na Terra.

E não podemos esquecer os textos funerários, como o Livro dos Mortos, que guiava o falecido na jornada pelo além, demonstrando a profunda preocupação egípcia com a vida após a morte.

Essas obras mostram que o Egito Antigo foi muito mais do que uma civilização de monumentos colossais. Foi também uma cultura que refletia sobre ética, destino, sofrimento, política e transcendência. Seus escribas preservaram em papiros aquilo que a pedra não podia expressar: sentimentos, dúvidas e esperanças humanas.

Ao estudarmos esses textos, percebemos que, apesar da distância de milênios, as inquietações egípcias continuam surpreendentemente atuais. Eles nos ensinam que a verdadeira grandeza de uma civilização não está apenas em suas construções, mas na profundidade de seus pensamentos.

📚 Fontes:

LICHTHEIM, Miriam. Ancient Egyptian Literature, Vols. I–III. University of California Press, 1973–1980.

PARKINSON, R. B. The Tale of Sinuhe and Other Ancient Egyptian Poems. Oxford University Press, 1997.

ALLEN, James P. Middle Egyptian Literature: Eight Literary Works of the Middle Kingdom. Cambridge University Press, 2015.

ASSMANN, Jan. Death and Salvation in Ancient Egypt. Cornell University Press, 2005.



março 04, 2026

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO - Kennyo Ismail



"Os Protocolos dos Sábios de Sião" é uma daquelas obras que mudaram o mundo. Só que pra pior. Não surgiu do nada, mas algo desenvolvido com base em jornais antissemitas do final do século XIX, plagiando elementos de outra obra, "Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", de Maurice Joly (1829-1878).

Trata-se de uma adaptação do romance histórico e ficcional "Biarritz" (1868), de Hermann Goedsche, jornalista alemão antissemita, que também odiava a Inglaterra e a Democracia, e falsificava documentos para incriminar lideranças democráticas (217).

Em resumo, a obra relata uma conspiração judaico-maçônica para dominar o mundo. Ela foi publicada no jornal Znamya, de São Petersburgo, Rússia, entre agosto e setembro de 1903. A versão russa teria sido elaborada por Sergei Nilus.

Essa publicação não seria a única em solo russo e a obra serviria de referência para que a Maçonaria russa fosse fechada, no princípio da revolução bolchevique, em 1922.

Naquela década de 20, muitos jornais sérios da Europa e dos Estados Unidos denunciaram a fraude da obra, apontando os plágios e inconsistências da teoria apresentada, em vão. Pessoas e até editores antissemitas já se nutriam da obra. Como poderia ser mentira, se eles concordavam e apreciavam cada palavra?

Na mesma época, a obra já havia sido incorporada entre as referências bibliográficas nazistas, na Alemanha, o que levaria, na década seguinte, ao fechamento das potências, prisão de maçons em campos de concentração, saqueamento das lojas e surgimento de propaganda antimaçônica, incluindo filmes, na Alemanha Nazista (219).

E no Brasil de Getúlio Vargas, não seria diferente. Gustavo Barroso, então Presidente da Academia Brasileira de Letras e líder intelectual da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista que crescia no país, tratou de traduzir e publicar a obra. A partir dela, o chefe da milícia integralista, Mourão Filho, desenvolveu o Plano Cohen, usado por militares integralistas para ordenar o fechamento da Maçonaria brasileira e instaurar a Ditadura Varguista, em novembro de 1937. A fraude somente seria revelada em 1945 (220).

Assim, seja na Rússia, na Europa Continental ou no Brasil, essa obra fictícia foi usada para enganar a população, perseguir inocentes, ferir a Democracia e atacar a Maçonaria. Ela ainda é publicada e comercializada em vários países, como Brasil e EUA, especialmente em países árabes, desde a criação do moderno Estado de Israel.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(211) COOPER, R. The Red Triangle: A History of Anti-Masonry. London: Lewis Masonic, 2011.

(218) Idem, Ibidem.

(219) KARG, B.; YOUNG, J. K. O Livro Completo dos Maçons. São Paulo: Madras, 2012.

(220) ISMAIL, K. Maçonaria Brasileira: a história ocultada - Vol. I. Brasília: No Esquadro, 2021.

(221) HODAPP, C. Maçonaria para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015, p. 81.

Fonte: *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*



A RATOEIRA ELEITORAL - Emanuel Belem



Existe uma velha fábula: o rato vê uma ratoeira sendo colocada na casa e corre avisar os outros animais. A galinha responde: “não é problema meu”. O porco diz: “lamento, mas não posso fazer nada”. A vaca ignora.

Naquela noite, quem não era o alvo acabou pagando o preço — porque quando o perigo entra na casa, ele não escolhe espécie.

A eleição municipal funciona exatamente assim.

Durante quatro anos, muitos assistem ao colapso da saúde, à escola sem estrutura e à insegurança crescente como se fossem problemas “do bairro do outro”. Só se indignam quando a ambulância não chega para o próprio filho, quando falta vaga para o próprio neto ou quando o assalto acontece na própria rua. A dor coletiva só vira urgência quando ganha endereço pessoal.

Mas chega o período eleitoral… e o comportamento muda: vira festa, vira torcida, vira negociação.

O voto deixa de ser consciência e passa a ser moeda.

Um favor aqui, um emprego ali, um saco de cimento, um contrato prometido, uma ajuda imediata.

Troca-se o futuro por conveniência de curto prazo — e depois se estranha o resultado.

Vamos ao silogismo mais simples possível:

1. Uma campanha que custa dezenas de milhões não é caridade.

2. Quem investe para ganhar “a qualquer custo” pretende recuperar o custo.

3. Quem paga a conta é sempre a população.

Não existe milagre administrativo capaz de sustentar política cara sem retorno financeiro. A matemática é brutal: a eleição cara produz gestão cara — e a gestão cara produz serviço público ruim.

Depois vêm as reclamações:

– hospital sem médico

– escola sem professor

– cidade insegura

– obra superfaturada

Mas quem elegeu?

Não foi um ente abstrato chamado “política”.

Foi o conjunto de pequenos interesses individuais somados.

A ratoeira nunca foi só do rato.

Quando alguém vende o voto pensando apenas no benefício próprio, está ajudando a construir o problema coletivo que um dia inevitavelmente baterá à sua porta. A tragédia pública nasce de milhares de decisões privadas aparentemente insignificantes.

Portanto, antes de criticar o caos, vale a reflexão: não existe governo ruim sustentado por eleitor responsável — e não existe boa cidade construída por voto negociado.

O problema do outro quase sempre é o ensaio do nosso.

Na democracia municipal, mais do que nunca, cada eleitor é parte da causa… ou parte da solução.



março 03, 2026

PALESTRA NA ARLS IDEAL E TRABALHO 150 - Praia Grande



 



Com a presença do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad e sua comitiva composta de Grandes Secretários, do Delegado Regional Guillermo Bahamonde Manso e dos Delegados Distritais, a ARLS Ideal e Trabalho n. 150 de Praia Grande, sob o comando do jovem e dinâmico Venerável Mestre Adolfo Costa Dominguez, realizou inédita Sessão Conjunta Magna dos Distritos 10, 11, 12, e 13 da 8a. Região da GLESP.

    As Lojas participantes da Sessão, representando todos os municípios da Baixada Santista foram:  Duque de Caxias 70, Ideal e Trabalho 150, Pedro Alba 189, 22 de Abril 252, Fraternidade de Itariri 293, Obreiros da Verdade 302, Triplice Aliança 341, XI de Agosto de Itanhaém 656 e Cavaleiros da Fenix 840. No total 20 Lojas e mais de 100 obreiros participaram do evento.

    A Ordem do Dia da sessão foi a palestra que apresentei: "1666 - O Incêndio de Londres e a formação da maçonaria especulativa". Pelo primeira vez proferi uma palestra ilustrada com imagens produzidas por IA. Em razão da presença do SGM, que iria usar da palavra, o tempo da palestra foi bastante reduzido, mas na opinião de irmãos ouvidos, foi muito interessante.

    Diversos irmãos receberam homenagens e cada um dos Veneráveis Mestres presentes ganhou uma medalha histórica da Grande Loja, como antecipação da comemoração do centenário da Potência. Ao final o SGM Jorge Anysio Haddad explanou diversas atividades conduzidas pela Grande Loja, especialmente na área de ação social e beneficência.

    O evento foi finalizado com um magnífico churrasco no amplo salão de festas da Loja.


   

PAVONAGEM NA MAÇONARIA - Nilton Pereira Santos

 




Popularmente pavão é um homem  vaidoso e orgulhoso que gosta de enfeitar-se.

Na Maçonaria este espécime contribui, de forma direta, nas cisões e crises que envolvem a Instituição. Quando, eventualmente, exerce algum cargo diretivo, ao sair de cena deixa  um legado vexatório ao seu substituto.

É arrogante, não aceita opiniões contrárias, pois faz parte de sua personalidade a auto-suficiência.

O portador deste padrão adora usar paramentos bem produzidos; gosta de medalhas, certificados, placas e diplomas. Abusa da estratégia do culto à personalidade, onde, por motivos óbvios, suas virtudes são constantemente exaltadas. 

Constrange pessoas exigindo homenagens, além de adorar ser cortejado.

Considera-se dono da Maçonaria ou de parcela da Ordem, como Obediências, Lojas e Ritos. Cria dispositivos esdrúxulos que em nada contribuem para o desenvolvimento dos seus pares, entretanto, satisfaz seu ego.

O exercício da tolerância é postergado, sendo priorizada a impaciência, pois sua vontade dever ser prioridade.

A trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade não é observada, pois seu arbítrio é que deve ser priorizado.  

Quando a legislação ou a tradição confrontam sua vontade, passam a ser vistos como óbices, portanto, passíveis de reformas.

Não contribui com a administração do ente a que está jurisdicionado, utilizando a técnica da desconstrução, apresentando-se como o salvador da pátria.

Evita participar do período de instrução, porém, quando a palavra é franqueada abusa da paciência dos presentes com discursos infrutíferos.

Quando é instado a participar, de forma direta, de alguma atividade maçônica desconversa, alegando que não possui tempo ou já se encontra comprometido com outra diligência.

Não mede esforço para alcançar seus objetivos. Às vezes utiliza métodos não recomendados pela doutrina maçônica para chegar ao seu intento. É adepto da frase maquiavélica: “os fins justificam os meios”.

O Maçom deve rejeitar este comportamento. 

A pavonagem não deve sobrepor  a sobriedade. 

"A humildade é a única base sólida de todas as virtudes". (Confúcio)




ALBERT GALLATIN MACKEY - Alferio di Giaimo Neto






Grande escritor e historiador americano nascido em Charleston, na Carolina do Sul, diplomou-se com honras de doutor em Medicina, em 1834. Atraído pela política, na qual não foi bem sucedido, dedicou-se quase que exclusivamente, a partir de 1854, aos Trabalhos e a Literatura da Maçonaria.

Iniciou-se na Loja “St. Andrews”, filiando-se depois, na Loja “Salomão”, sendo eleito Venerável. De 1842 a 1867, foi Grande Secretário da Carolina do Sul, sendo, por várias vezes, Grande Secretário Geral do Supremo Conselho do R.E.A.A.

Os seus escritos são universalmente apreciados pela sua sinceridade, honestidade e bom senso. Foi um líder nas pesquisas e um pioneiro deste número crescente de maçons que dá valor à exatidão e que, ao analisar qualquer fato citado, só tem em mira o estabelecimento da verdade ou a demonstração da falsidade da alegação.

A sua erudição foi sólida, o seu conhecimento da Instituição profundo e seus ideais puros. São estas as palavras de um biógrafo.

As suas principais obras foram “Lexicon of Freemasonry”, publicado em 1845, que teve várias edições, inclusive na Inglaterra, e sua “Encyclopaedia of Freemasonry”, publicada em 1874, aumentada em 1891 por Charles T. Mac Clenachan e revisada, em 1925, pelos historiadores William J. Hughan e Edward L. Hawkins. Em 1946, a edição foi aumentada para três volumes pelos IIrm. R. I. Clegg e H. L. Haywood, que atualizam, constantemente, as obras de Mackey. Em 1950, foi publicada a quinta Edição.

Outras obras apreciadas são: “Symbolism of Freemasonry” e “Jurisprudence of Freemasonry”.

Mackey foi o autor de uma relação de 25 Landmarks, muito respeitada.

(para maiores informações, pesquisar”Coil’s Masonic Encyclopedia – Macoy”)

 Fonte: PILULA MAÇÔNICA Nº 246

março 02, 2026

O QUE É SER MAÇOM - Vanderlei Coelho


 

OS NOVE DEUSES QUE EXPLICAM A CRIAÇÃO DO MUNDO - Rogério de Paula

 


Os Nove Deuses que Explicam a Criação do Mundo: o Segredo da Eneade de Heliópolis

No contexto do Egito Antigo, especialmente durante o Período Arcaico e o Antigo Império (c. 3000–2181 a.C.), desenvolveu-se uma das mais sofisticadas teologias da Antiguidade: a Eneade de Heliópolis. Formulada no grande centro religioso de Heliópolis, essa doutrina não era um mito isolado, mas um sistema filosófico e cosmológico estruturado, criado para explicar a origem do universo, a ordem do mundo e a legitimidade do poder real.

No princípio existia Nun, o oceano primordial do caos. A partir dele surge Atum, o deus criador auto existente, que dá origem aos demais princípios divinos. De Atum nascem Shu, o ar vital que separa o céu da terra, e Tefnut, a umidade e o equilíbrio cósmico. Dessa separação emergem Geb, a terra viva e fértil, e Nut, o céu arqueado que envolve o mundo.

A narrativa avança para o núcleo político e espiritual da teologia egípcia com Auset (Ísis), Ausar (Osíris), Set e Nephthys. Ausar representa a realeza sagrada, a regeneração e a vida após a morte; Auset é a magia, a maternidade e a legitimidade do trono. Set, frequentemente mal interpretado, não é um “deus mau”, mas a personificação do caos necessário, responsável por testar e preservar a ordem. Nephthys atua como guardiã das transições entre a vida e a morte. 

O ciclo se completa com Heru (Hórus), o herdeiro legítimo, símbolo do faraó vivo e da ordem divina na terra.

Mais do que religião, a Eneade era uma cosmovisão oficial do Estado, usada para justificar o poder do faraó, manter a maat (ordem cósmica) e explicar o equilíbrio entre criação e destruição. Essa teologia demonstra que o Egito Antigo não pensava o mundo de forma mítica no sentido moderno, mas sim através de símbolos filosóficos precisos, cuidadosamente organizados.

Em conclusão, a Eneade de Heliópolis revela que os egípcios possuíam uma compreensão profunda e coerente do universo, onde ordem e caos não se anulam, mas coexistem. Trata-se de um sistema teológico que influenciou séculos de pensamento religioso e político, consolidando o Egito como uma das civilizações intelectualmente mais complexas da história.

Fontes

ASSMANN, Jan. The Search for God in Ancient Egypt. Cornell University Press, 2001.

HORNUNG, Erik. Conceptions of God in Ancient Egypt: The One and the Many. Cornell University Press, 1982.

ALLEN, James P. Middle Egyptian: An Introduction to the Language and Culture of Hieroglyphs. Cambridge University Press, 2014.

PINCH, Geraldine. Egyptian Mythology: A Guide to the Gods, Goddesses, and Traditions of Ancient Egypt. Oxford University Press, 200

março 01, 2026

MARÇO PEDE LICENÇA - Newton Agrella


 

O nome do mês de MARÇO, que abre suas portas na data de hoje na era vulgar do ano de *2026* do Calendário Gregoriano  tem sua origem advinda do substantivo "Martius" que era o primeiro mês do ano na Roma Antiga e no seu antigo calendário.

Esse nome fazia referência a MARTE, Deus da Guerra. 

Como em Roma o clima é mediterrâneo, Março é o mês que abre a Primavera, suscitando desse modo uma relação lógica para se dar o início de um novo ano, assim como para se empreender a temporada das campanhas militares de então.

Tudo isso, é claro, baseado nas circunstâncias históricas, sociais e culturais daquela época.

Cabe registrar que a partir do nome "Março", derivou-se por analogia e por extensão semântica, o adjetivo, "marcial", cuja idéia remete ao aspecto bélico, de guerra, de luta e de confrontos.

Por isso, o surgimento das expressões: : Corte Marcial,  Lei Marcial, Artes Marciais e por aí afora.

Feita esta brevíssima consideração histórica sobre o referido mês, cumpre destacar que na história contemporânea, a data mais marcante do mês de Março, comemorada em mais 100 países e institucionalizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) - a partir da década de 1970  -  é 08 de Março  - "DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES"  - como sendo um dia de protestos e manifestações legítimas na luta contínua pelos seus direitos em toda a sua plenitude. 

Uma luta não apenas contra a desigualdade salarial e profissional, mas sobretudo contra o machismo, a violência e o feminicídio.

O mês de Março portanto, traz consigo essa carga de responsabilidade histórica que impõe um permanente estado de vigília, de reflexão e principalmente de "consciência"  por parte da civilização humana.

Que Março continue bradando através da força de seu nome e de seu significado, a luta desmedida e ininterrupta pelo reconhecimento, respeito e valor inestimável que a Mulher possui e representa em todo o nosso universo.



POLÍCIA BRITÂNICA DISCRIMINA MACONS - Luciano J. A. Urpia



A Justiça britânica validou, nesta terça-feira (17.02.26), a decisão da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) de obrigar seus agentes a declararem publicamente se são ou foram membros de organizações maçônicas. O juiz Chamberlain, do Tribunal Superior, rejeitou o recurso apresentado por entidades representativas dos maçons e por dois policiais que buscavam anular a medida, considerando a ação judicial como "não razoavelmente defensável". A nova política, implementada em dezembro, exige que policiais e funcionários divulguem qualquer filiação a grupos hierárquicos confidenciais que imponham apoio mútuo entre seus membros, visando eliminar riscos de parcialidade real ou percebida no desempenho das funções policiais.

Em sua decisão de 17 páginas, o magistrado enfatizou que a exigência não é discriminatória nem estigmatizante, e que seu objetivo duplo, assegurar o desempenho adequado das funções e manter a confiança pública na corporação, é legítimo e proporcional. O juiz destacou que deixar a decisão de revelar a filiação a critério individual de cada agente não alcançaria o propósito de fortalecer a credibilidade institucional. A Scotland Yard comemorou o veredito, com o Comandante Simon Messinger afirmando que a política foi criada em resposta a preocupações da sociedade sobre possíveis conflitos de lealdade, garantindo que vítimas e denunciantes sintam-se seguros de que as investigações não serão comprometidas.

Adrian Marsh, representante da GLUI, manteve a posição de que a medida é discriminatória e não contribuirá para a segurança de Londres. Durante o julgamento, a advogada Claire Darwin KC, representante dos maçons, argumentou que a decisão equivalia a criar uma "lista negra" baseada em "teorias da conspiração antigas e estereótipos preconceituosos". Em contrapartida, a defesa da Polícia Metropolitana rebateu as acusações, classificando a alegação de lista negra como "manifestamente falsa" e reiterando que os funcionários permanecem livres para ser maçons. Cerca de 400 agentes já declararam sua filiação desde a implementação da nova regra.

Fonte: The Guardian | theguardian.com e CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


PALESTRA NA COLIGAÇÃO EM SANTOS - Michael Winetzki



 

Neste sábado a tarde participei como palestrante da reunião mensal da Coligação das Lojas Maçônicas da Baixada Santista, que reúne Veneráveis Mestres e Mestres Instalados da maioria das Lojas de região.

A reunião que seria realizada na minha Loja, ARLS Tríplice Aliança 341 de Mongaguá teve de ser transferida para a magnífica ARLS José Bonifácio n. 20 de Santos, uma vez que as intensas chuvas que caíram na cidade danificaram nosso templo.

A convite do presidente da Coligação, irmão José Carballido Dominguez realizei a palestra " 1666 - O incêndio de Londres e a origem da maçonaria especulativa" que foi muito bem recebida pelos irmãos presentes.

Recebi um mimo da Coligação e entreguei ao irmão Carballido uma medalha historuca da GLESP em nome do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anísio Haddad. Os rrabalhos foram encerrados com um lauto almoço. 

Na foto: da esquerda para a direita José Carballido Dominguez, eu, o VM da ARLS Tríplice Aliança 341, irmão Alexandre Lucena e o VM da ARLS José Bonifácio 20, irmão Celso G. P. Rodrigues.