março 29, 2026

A QUALIDADE DA PEDRA BRUTA DEFINE A ESTABILIDADE DA OBRA - Jorge Gonçalves



Há algo curioso no modo como as informações atravessam o tempo. Elas não chegam intactas, como um fóssil de dinossauro. São modificadas, simplificadas, reorganizadas, por vezes lapidadas, como uma pedra. Façamos um experimento, talvez o mais simples à primeira vista. A forma como a Maçonaria contemporânea apresenta o simbolismo das pedras, especialmente aquilo que se conhece como Rough Ashlar (Pedra Bruta) e Perfect Ashlar (Pedra Polida), parece tratar-se de algo imemorial, imutável e conceitualmente definido desde suas origens. Essa impressão, contudo, não resiste ao confronto com as fontes bibliográficas mais antigas. O que se observa, ao retornar às fontes, é um vocabulário técnico ligado à prática da construção, no qual a qualidade da pedra determinava a estabilidade da obra.

Para compreender melhor, é necessário retornar à Inglaterra medieval, mais precisamente a Londres, no ano de 1356. Nesse contexto, um conflito entre dois grupos do ofício da construção em pedra, de um lado, os canteiros, responsáveis pelo corte e preparo, de outro, os assentadores, encarregados da fixação nas estruturas, deixou um dos registros mais antigos relacionados à organização do ofício. O documento relata que doze mestres compareceram perante o prefeito e os vereadores e estabeleceram regras para o exercício da atividade. Esse era o segredo maçônico da época: a regulamentação do ofício, pela qual apenas aqueles que demonstravam domínio técnico e habilidade comprovada eram reconhecidos e autorizados a exercer seu trabalho[1].

A palavra cantaria deriva do latim medieval cantaria e designa o ofício de talhar a pedra para uso em edificações. Na tradição inglesa, stone é um termo genérico que designa qualquer pedra, enquanto ashlar é um termo preciso que designa a pedra escolhida e adequada à construção, própria para integrar a estrutura. Trata-se da escolha correta da pedra em função de sua aplicação construtiva[2].

Nos rituais em inglês, utiliza-se o termo Ashlar, que designa a pedra própria para construção. A Rough Ashlar (Pedra Bruta ou Áspera) corresponde à pedra em estado bruto, tal como retirada da pedreira. A pedra bruta possui forma irregular, sem qualquer preparo, enquanto a pedra áspera já foi desbastada, adquirindo forma cúbica, porém ainda sem polimento. A Perfect Ashlar (Pedra Perfeita) designa a pedra preparada para uso na construção. Dependendo do ritual, essa pedra pode ser descrita como pedra cúbica, pedra polida ou pedra perfeita, sendo “pedra cúbica” a forma mais comum no meio maçônico brasileiro. Nos rituais antigos, a expressão “pedra perfeita” indica que a pedra foi polida e também apresenta a forma correta, com ângulos de 90 graus, estando apta ao uso na construção, pois uma pedra pode estar polida e, ainda assim, apresentar ângulos incorretos[3].

Existem outras pedras, como a pedra cúbica pontiaguda, um cubo com topo piramidal, que, conforme registros analisados por Harry Carr, é associada à Pedra Polida e descrita como uma pedra com pontas destinadas ao afiamento das ferramentas dos Companheiros. A pedra fundamental marca o início da edificação, sendo aqui apenas mencionada, pois será objeto de análise específica em outro artigo, no qual se abordará também, de forma detalhada, a razão de sua tradicional colocação no canto Nordeste, e a pedra angular, frequentemente associada à passagem bíblica “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Salmos 118:22), é o elemento que realiza o travamento do arco, permitindo que todas as pedras passem a atuar em conjunto por compressão, isto é, sendo pressionadas umas contra as outras ao longo da curvatura até os apoios laterais. Sua função não é suportar cargas isoladamente, mas assegurar o fechamento do arco e transmitir as cargas ao longo da curvatura até os apoios. Sem a pedra angular, o arco inteiro colapsa, pois não consegue estabelecer o equilíbrio entre as componentes horizontais, que se anulam, e as verticais, que sustentam o peso[4].

Avançando para a Escócia, no ano de 1696, o manuscrito conhecido como Edinburgh Register House Manuscript apresenta o seguinte registro:

“Are there any jewels in your lodge? Yes, three, Perpend Esler, a square pavement and a broad ovall.”

Tradução: “Há alguma joia na sua Loja? Sim, três: Perpend Esler (pedra utilizada para estabilidade da estrutura, termo que aqui se prefere não traduzir), um pavimento quadrado e broad ovall (termo de interpretação incerta, cuja natureza permanece debatida na literatura especializada).”

Nesse documento, não há qualquer menção à Rough Ashlar (Pedra Bruta) nem à Perfect Ashlar (Pedra Polida), sendo as joias descritas pertencentes a um vocabulário predominantemente operativo[5].

Algumas décadas depois, em 1730, com a publicação de Masonry Dissected, atribuído a Samuel Prichard, tem-se uma referência documental de grande relevância que, embora de caráter espúrio, possui valor histórico. Nesse texto, encontra-se a seguinte formulação:

“What are the immovable jewels? The Tracing Board, Rough Ashlar and Broach’d Thurnel.”

Tradução: “Quais são as joias fixas? A Prancha de Traçar, a Rough Ashlar (Pedra Bruta) e o Broach’d Thurnel (termo técnico de difícil tradução, que Prichard interpreta como uma segunda pedra, distinta de uma ferramenta de pedreiro, constituindo possivelmente o registro mais antigo que permite deduzir a presença de duas pedras na Loja, conforme observado por Harry Carr).”

É nesse documento que se observa, de forma textual, a presença da Rough Ashlar (Pedra Bruta) no vocabulário maçônico[6].

Em 1760, com a publicação de Three Distinct Knocks, documento associado à tradição dos Antigos, observa-se a manutenção do modelo catequético estruturado em perguntas e respostas. Contudo, na edição analisada, não se identifica qualquer referência à Rough Ashlar (Pedra Bruta) ou à Perfect Ashlar (Pedra Polida). Em 1762, com a publicação de J∴ and B∴, observa-se igualmente a ausência de qualquer menção à Rough Ashlar (Pedra Bruta) ou à Perfect Ashlar (Pedra Polida), evidenciando que, em ambas as fontes, não se encontram referências à terminologia das pedras[7]. [7]

Em 1772, com a publicação do sistema de William Preston, especialmente em sua First Lecture of Freemasonry, encontra-se, conforme registrado por Harry Carr, a seguinte formulação: “Nomeie as joias fixas. A pedra bruta, a pedra polida e a Prancha.” Diferentemente das exposições anteriormente analisadas, nas quais não se identificaram referências às pedras, observa-se aqui, de forma inequívoca, a presença simultânea da Rough Ashlar (Pedra Bruta) e da Perfect Ashlar (Pedra Polida), já integradas ao conjunto das joias fixas. Essa ocorrência marca um ponto decisivo na investigação, evidenciando que o simbolismo das duas pedras se encontra plenamente formulado nesse estágio[8].

Já em 1818, na obra The Freemason’s Monitor, de Thomas Smith Webb, o par Rough Ashlar (Pedra Bruta) e Perfect Ashlar (Pedra Polida) aparece plenamente inserido no contexto da Maçonaria especulativa. A Rough Ashlar é descrita como a pedra em estado bruto, tal como retirada da pedreira, enquanto a Perfect Ashlar corresponde à pedra polida e esquadrejada pelo trabalho do operário. Nesse momento ocorre uma mudança significativa, a natureza deixa de ser exclusivamente técnica e passa a ser utilizada como metáfora, instrumento pedagógico, associando a condição inicial do indivíduo ao seu processo de instrução e aperfeiçoamento[9].

Em 1869, na obra The Symbolism of Freemasonry, Albert G. Mackey mantém o par Rough Ashlar (Pedra Bruta) e Perfect Ashlar (Pedra Polida), agora plenamente consolidado no campo simbólico. A Rough Ashlar passa a representar o homem em seu estado imperfeito, enquanto a Perfect Ashlar simboliza o aperfeiçoamento alcançado por meio do conhecimento e da disciplina. A linguagem já não é mais técnica, mas interpretativa[10].

Em 1871, na obra Morals and Dogma, Albert Pike apresenta o mesmo par conceitual, reforçando a associação entre a pedra e o processo de transformação do indivíduo. A Rough Ashlar é definida como a pedra em estado bruto, enquanto a Perfect Ashlar representa o resultado do trabalho aplicado sobre a matéria. A geometria assume papel central como expressão de perfeição, consolidando a transição do campo operativo para o simbólico[11].

A influência da linguagem herdada da tradição operativa foi ressignificada no ensino maçônico como forma de representar o aperfeiçoamento humano. Entre os diversos símbolos utilizados, as pedras ocupam lugar central, pois expressam, de forma simples e direta, esse processo, no qual a pedra bruta indica a condição inicial e a pedra polida o resultado final do trabalho realizado. Este trabalho, em nossa simbologia, estende-se por toda a vida[12].

Entre todas as pedras que podem ser extraídas da pedreira, e aqui, simbolicamente, fala-se da sindicância, apenas algumas possuem, desde a origem, a qualidade necessária para sustentar a obra, e é nesse ato que se encontra o verdadeiro segredo maçônico. Não há transformação de chumbo em ouro. O artesão não cria a matéria, não altera sua essência, ele apenas remove, golpe após golpe, aparando imperfeições até revelar as qualidades que já estavam contidas na pedra. Ele é, ao mesmo tempo, arquiteto, construtor e material de si próprio. O ideal de perfeição não é criado. Não se trata de transmutar matéria, mas de reconhecer a pedra que pode ser trabalhada. Quando essa escolha falha, nenhum esforço corrige a fundação, e toda aparência de grandeza se desfaz sob o peso que não pode sustentar. A estabilidade de toda a obra, portanto, nasce na escolha da pedra bruta, pois é nela, ainda na pedreira, que se decide, em segredo, tudo aquilo que a estrutura poderá ou não suportar.

Nota de agradecimento: Agradecimentos especiais a Fuad Haddad, Izautonio da Silva Machado Junior, Josafá de Oliveira Filho e Valtenio Paes de Oliveira, cujas contribuições, observações críticas e apoio na pesquisa foram fundamentais para o desenvolvimento e aprimoramento deste trabalho

Referências Bibliográficas:

[1] CARR, Harry. Seis Séculos de Ritual Maçônico.

[2] BLUTEAU, Raphael. Vocabulário Portuguez e Latino. 1712–1728; PARKER, John Henry. A Glossary of Terms Used in Grecian, Roman, Italian, and Gothic Architecture. Oxford, 1845.

[3] ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI.

[4] CARR, Harry. O Ofício do Maçom. São Paulo: Madras, 2012; BÍBLIA SAGRADA. Salmos 118:22.

[5] Edinburgh Register House Manuscript. 1696; CARR, Harry. O Ofício do Maçom. São Paulo: Madras, 2018.

[6] PRICHARD, Samuel. Masonry Dissected. Londres, 1730; CARR, Harry. O Ofício do Maçom. São Paulo: Madras, 2018.

[7] THREE DISTINCT KNOCKS; OR, THE DOOR OF THE MOST ANCIENT FREE-MASONRY. Dublin, 1760; JACHIN AND BOAZ; OR, AN AUTHENTIC KEY TO THE DOOR OF FREEMASONRY. London, 1762.

[8] PRESTON, William. First Lecture of Freemasonry. 1772, apud CARR, Harry. O Ofício do Maçom. São Paulo: Madras, 2018.

[9] WEBB, Thomas Smith. The Freemason’s Monitor. Boston, 1818.

[10] MACKEY, Albert G. The Symbolism of Freemasonry. New York, 1869.

[11] PIKE, Albert. Morals and Dogma. Charleston, 1871.

[12] WEBB, Thomas Smith. Freemason’s Monitor. Cincinnati, 1867.

A EUROPA SEM JUDEUS, O ADEUS SILENCIOSO QUE APAGA A LUZ DO CONTINENTE

Ipad Asher – analista político



Visualize, por um instante, o coração da Europa batendo sem o pulsar milenar dos judeus. Sinagogas vazias ecoando como tumbas old. Ruas de Paris, Londres, Berlim e Varsóvia desprovidas daqueles rostos que, por dois milênios, carregaram nos ombros o fogo da inteligência, da resiliência e do sonho de um mundo melhor.

Não é ficção. É o amanhã que se aproxima, implacável, enquanto o continente assiste, paralisado, ao seu próprio crepúsculo. Uma história de amor e traição que começa nas brumas do tempo e termina, hoje, em aeroportos lotados de malas e lágrimas não derramadas.

Tudo começou há mais de dois milênios, quando os primeiros judeus pisaram o solo europeu, registros que remontam a 300-250 a.C., nas colônias romanas da Itália, da Grécia e da Gália. Eram mercadores, eruditos, exilados da Judeia que trouxeram consigo não só bens, mas o DNA da civilização: o Livro, a ética, o comércio que unia povos. Eles construíram guetos que viraram universidades invisíveis, enfrentaram pogroms, expulsões cruéis, Inglaterra em 1290, França em 1306, Espanha em1492, o gueto de Veneza, o Iluminismo que os libertou e, ainda assim, os manteve alvos.

No seu auge, antes da fúria nazista, em 1933, eram 9,5 milhões, mais de 60% de todos os judeus do mundo. O continente brilhava com o seu gênio: Einstein, Freud, Kafka, Spinoza, Maimônides, Hannah Arendt, Niels Bohr, Kafka, Proust, Disraeli, Mendehlson, Chagall, Pisarro, David Ricardo, Anne Frank e milhares de outros ilustres, os visionários que moldaram a ciência, a economia, a arte a musica.

Mas o século XX os quebrou. O Holocausto transformou números em cinzas: de 9,5 milhões para 3,8 milhões. E desde os anos 1970, o êxodo recomeçou, não com tanques, mas com um veneno lento, invisível, que corrói a alma europeia. De 3,2 milhões em 1970, restam hoje, em todo o continente, míseros 1,2 milhões. Uma queda vertiginosa de quase 60%. Eles partem para Israel, para os Estados Unidos, para qualquer lugar onde o ar ainda cheire a liberdade. Não é fuga de covardes. É o instinto de sobrevivência de um povo que aprendeu, da pior forma, que a Europa promete abrigo e entrega facas.

O que os empurra para as portas de embarque? O declínio econômico que sufoca o empreendedor, aquele mesmo que os judeus encarnam como ninguém. Impostos que matam o sonho, burocracia que estrangula a inovação, um esquerdismo globalista que odeia o mérito e venera a mediocridade. Os judeus, com seus 26% de todos os Prêmios Nobel do planeta (apesar de serem 0,2% da humanidade), são o espelho incômodo do que a Europa já não quer: excelência, ousadia, criação.

Enquanto Tel Aviv pulsa como uma startup no deserto, a Europa envelhece, endivida-se e regula até o último suspiro de vida.

E o golpe final? A islamização que devora o continente como um câncer silencioso. Portas abertas sem exigência de integração, bairros que viram enclaves paralelos, mesquitas que ecoam ódios importados. O antissemitismo não é mais sussurro de extremistas de extrema-direita; é rugido nas ruas, alimentado por uma ideologia que vê o judeu como inimigo eterno. Sinagogas blindadas. Crianças escondendo a estrela de Davi para não serem espancadas. Ataques que não param. E hoje, 24 de março de 2026, o exército belga precisa montar guarda em instituições judaicas em Bruxelas, como se estivéssemos em zona de guerra. Em Londres, ambulâncias da comunidade judaica, que servem a todos, judeus e não-judeus, dia e noite são incendiadas por enfurecidos.

Não precisamos de Nostradamus para ler o futuro. Os números gritam: nove em cada dez judeus europeus veem o antissemitismo como ameaça existencial. Trinta e oito por cento pensam em partir já.

Qual o futuro dos judeus na Europa?

O aeroporto.

Em quinze anos, não haverá mais judeus na Europa. NENHUM. O último apagará as luzes, fechará a porta da sinagoga e embarcará sem olhar para trás. A pergunta que cada judeu europeu faz a si mesmo não é “se vai sair”, mas “quando”. É uma corrida contra o tempo, contra o ódio, contra um continente que, mais uma vez, escolhe o caminho do suicídio cultural.

E o que resta? Uma Europa cinzenta, esvaziada do seu motor de genialidade. Menos progresso econômico. Menos judeus. E, portanto, ainda menos progresso. Um ciclo vicioso destrutivo que se autoalimenta: a mediocridade chama mais mediocridade, a inveja do sucesso atrai quem odeia o sucesso, a islamização acelera a fuga dos criadores e deixa para trás os dependentes.

A Europa que trocou o povo que lhe deu luz, pela multidão que lhe traz escuridão pagará o preço em ruína lenta, mas certa. Perderá o sangue que fez o Ocidente grande. Ganhará, em troca, no-go zones, colapso social e o eco vazio de uma grandeza que nunca mais voltará. Não é drama. É destino.

Os judeus sobreviverão, como sempre. Levarão seu fogo para outros céus. Mas a Europa? Ela ficará no escuro, chorando por um passado que traiu.

Acordem, europeus, enquanto ainda há tempo para implorar que eles fiquem. Porque quando o último judeu europeu disser adeus no portão de embarque, o continente inteiro terá perdido sua alma. Para sempre.















CAMINHOS DO TEMPO - José Luiz Ricchetti


"Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos.

Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.

Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.

Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo. Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.

E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.

Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.

Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.

Seja luz, seja presença, e você será eterno.

Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma."


março 28, 2026

UM RABINO MAÇOM - Luciano J. A. Urpia



O rabino Raymond Apple (1935-2024) foi uma das mais preeminentes lideranças judaicas da Austrália, tendo servido como rabino sênior da Grande Sinagoga de Sydney entre 1972 e 2005. Nascido em Melbourne, formou-se em Artes e Direito pela Universidade de Melbourne, obteve mestrado em Literatura pela Universidade de Nova Inglaterra e recebeu sua ordenação rabínica pelo Jews' College em Londres.

Ao longo de sua carreira, destacou-se como dayan (juiz rabínico), registrador do Beth Din de Sydney e incansável promotor do diálogo inter-religioso, tendo fundado o Clube de Almoço Cristão-Judaico em Sydney e atuado como líder no diálogo com o Islã.

Além de sua atuação religiosa, Apple serviu como capelão da Reserva do Exército Australiano por quinze anos e, entre 1988 e 2006, como rabino sênior das Forças de Defesa Australianas. Foi também capelão da Polícia de Nova Gales do Sul e teve papel destacado na Maçonaria. Aposentou-se em 2005 e, no ano seguinte, fez "aliá" para Israel, ou seja, imigrou para viver permanentemente em Israel, termo que designa a "subida" do povo judeu à sua terra ancestral. Lá, continuou ativo como presidente da seção israelense do Conselho Rabínico da América até 2018. 

Recebeu inúmeras honrarias, incluindo a nomeação como Oficial da Ordem da Austrália (AO) em 2004, a Medalha do Jubileu de Prata e a Medalha do Centenário, além de doutoramentos honorários pelas universidades de Nova Gales do Sul e Católica Australiana. Faleceu em Jerusalém em janeiro de 2024, aos 88 anos.

fonte: curiosidades da maçonaria


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O MAPA DA SEQUENCIA HARMÔNICA

 




Esta espiral em particular não é uma curiosidade ociosa nem apenas um padrão interessante - na verdade é um mapa da sequência harmônica. É assim que a música funciona, na verdade como tudo funciona.

É uma representação visual dos intervalos musicais e das suas relações no contexto de um sistema harmônico ou de afinação. No núcleo do diagrama encontra-se a nota fundamental (C), com frequências duplicadas para cada oitava.

Cada intervalo também está associado a uma proporção matemática específica, calculada primeiro por Pitágoras.

Descobriu que duas notas que faziam um intervalo sempre tinham uma proporção de 2 para 1. A proporção perfeita de quinto é de 3 a 2, e o quarto perfeito é de 4 a 3. Pitágoras combinou esses intervalos e depois criou outras notas para fazer a escala maior. Com seu cálculo matemático, nasceu a teoria da música. 🎼

Toda frequência seja som, luz, movimento planetário, etc. pode estar relacionado com esses ciclos. O mesmo padrão espiral aparece em toda parte na natureza, nosso ADN, plantas, galáxias, padrões meteorológicos... também na música. A espiral é repetição, mas com experiência acumulada encarna os processos fundamentais de criação e crescimento.

Fonte: Planeta Mistério Br

março 27, 2026

ABREU E LIMA: O BRASILEIRO LIBERTADOR DA AMÉRICA ESPANHOLA - Kennyo Ismail



José Inácio de Abreu e Lima era maçom e filho do também maçom, Padre Roma, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, que contou com participação ativa da Maçonaria, a ponto de motivar um veto real de Dom João VI, no ano seguinte. Seu pai foi preso e condenado à morte, o que sepultou sua carreira militar no Brasil, levando-o a começar uma nova vida na América Espanhola.

Abreu e Lima tornou-se general do exército libertador e homem de confiança do também maçom, Simón Bolívar. E como maçom, Abreu e Lima costurou contatos e relações entre a maçonaria brasileira e a da América Espanhola como nenhuma outra pessoa teria condições de fazer à época

Ele é considerado um dos libertadores da Venezuela e Colômbia, mas dividia seu tempo entre a espada e a pena. Sua produção literária na época impulsionou a era das revoluções. Até mesmo no exército bolivariano, ao mesmo tempo em que era Chefe do Estado-Maior, servia como escriba particular do próprio Simón Bolívar (280).

Com a morte de Bolívar e a ascensão de seus opositores ao poder, Abreu e Lima exilou-se na Europa. Isso bem na época em que Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro e foi para a França. Dom Pedro quis conhecer aquele brasileiro que era herói na América Espanhola e, nesse encontro, Abreu e Lima encontrou em Dom Pedro I a possibilidade de estender o sonho de Bolívar de um império com extensões continentais. E esse império era o Brasil, sua pátria natal.

No entanto, em 13 anos no Rio de Janeiro, Abreu e Lima não obteve êxito em seu intento do retorno de Dom Pedro I. Nesse interim, dedicou-se à escrita de obras históricas sob a égide do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mas enfrentou severas críticas de um grupo opositor. Decidiu então retornar a Pernambuco, se candidatou a Deputado Geral (equivalente a Deputado Federal), mas não conseguiu se eleger. Então, alguns de seus familiares se envolveram com a Revolta Praieira (1848) e ele, mesmo sem ter se envolvido, também foi preso e passou pouco mais de um ano encarcerado.

Já solto, passou os últimos poucos anos de vida escrevendo suas opiniões, muitas delas polêmicas para a época, como a favor da liberdade religiosa e do Socialismo. Até mesmo sua morte causou controvérsia, quando o bispo local proibiu que ele fosse enterrado no cemitério católico. Após as manifestações e gestões de alguns maçons, o General Abreu e Lima, herói da independência venezuelana, que havia convivido com Bolívar, Santander, Paez, Dom Pedro 1 e tantas outras personalidades, foi enterrado no cemitério dos ingleses, entre Recife e Olinda (281).

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025ISMAIL, 

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

(280) SOUSA, M. S. O. A América Latina de Pernambuco á Grã-Colômbia: O General Abreu e Lima e a Questão Nacional. Anais do XXIX Simpósio Nacional de História. Brasília, Julho-2017.

(281) ISMAIL, K. História da Maçonaria brasileira para adultos. Londrina: A Trolha, 2017, p. 54-56.

🔺🌿📖🌿 🔺 *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*





A RELAÇÃO VITRIOL COM A CÂMARA DE REFLEXÃO - Alexandre Fortes



O V.I.T.R.I.O.L. é o acrónimo da frase em latim: 

*“Visita Interiora Terrae, Retificando Invenies Occultum Lapidem“.*

Em tradução direta: “Visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”. 

Este é o lema central da Alquimia Espiritual, transportado para a Maçonaria, (especialmente no REAA e Rito Adonhiramita, por exemplo.), para simbolizar a primeira e mais importante etapa da evolução do iniciado. 

O acrónimo costuma estar escrito na parede da Câmara de Reflexão por motivos técnico-simbólicos, como:

 A Descida aos Infernos (Catábase): O isolamento na câmara simula uma descida ao túmulo ou ao centro da terra.

O Elemento Terra: O VITRIOL representa ou ressignifica a prova da Terra, a primeira das quatro purificações elementares (Terra, Ar, Água e Fogo).

 A Morte Profana: Sem essa descida e retificação, o candidato não “morre” para o mundo profano e, portanto, não pode “renascer” na luz.

Desmembramento do Conceito

Visita Interiora Terrae (Visita o interior da terra): A “terra” aqui não é o solo, mas o próprio corpo e a psique do candidato. 

É um convite à introspecção profunda. Antes de buscar a luz externa (o Templo), o iniciado deve descer às suas próprias trevas para conhecer as suas falhas e vícios.

Retificando (Retificando-te): Não basta olhar para dentro; é preciso “corrigir o que está torto”. 

Na alquimia, a retificação é o processo de purificação de uma substância. 

Para o Maçom, significa o esforço de lapidar a própria personalidade, eliminando o supérfluo e o impuro. 

Invenies Occultum Lapidem (Encontrarás a pedra oculta): A “pedra oculta” é a Pedra Filosofal dos alquimistas ou a Pedra Polida dos maçons. 

Representa o “Eu Verdadeiro”, a sabedoria divina que habita o homem, mas que está escondida sob as camadas do ego e dos preconceitos sociais (a “pedra bruta”).

Interessante notar que muito desses significados e a suas origens sobre o VITRIOL e as suas simbologias vêm se perdendo, paulatinamente, nas aprendizagens e ensinamentos em Lojas Maçónicas com o decorrer dos tempos.



março 26, 2026

FAMIGERADO PROTAGONISMO - Sérgio Quirino



“Um eterno aprendiz” é uma das frases mais proferidas no ambiente da Maçonaria, na sua maioria, pelos que se comportam como “Um eterno mestre”. 

São os que sentem que tem de ser protagonistas.

Há diferença entre comportamento e conduta. 

Alcançar o Grau 3 dá-nos a plenitude de deveres; e não de direitos. 

Com muita tristeza, frequentemente observamos, após a exaltação, a diminuição imediata de apresentação de trabalhos, até se extinguir. 

A frequência do Irmão fica mais irregular e o “eterno aprendiz”, do nada, torna-se um critico ferrenho à Ordem e às Instituições.

Se galgou cargos ou graus, costuma amparar-se nos títulos nobiliárquicos. 

Nas cerimónias exige lugares especiais e tratamento diferenciado. 

Mas, dos males, esses são os menores. 

Todos percebem a fragilidade destas demonstrações públicas de vaidade e o falso reforço da autoestima, que revelam nada mais do que o ridículo desses comportamentos.

O mal maior reside no comportamento de protagonista. 

O Irmão trabalha para que a Loja assuma e realize os seus planos. 

Se alguma proposta não tiver a sua autoria, trabalha na tentativa de alterar e até mesmo boicotar o acordado entre os demais Irmãos.

Com a desculpa de procurar uma solução melhor e como se fosse um “sábio conselheiro”, esbarra na ingerência administrativa nos trabalhos e nas Lojas. 

Esta ingerência vaidosa e improdutiva, invariavelmente resulta em desarmonia na Loja.

Um alerta no sentido do protagonismo famigerado se faz necessário. 

Todos nós, na condição de humanos, somos susceptíveis às tentações da arrogância e da soberba, pois elas são retroalimentadas pelas bajulações e pelas pseudo lideranças.

Da teoria à prática, a distância é grande. 

Às vezes, não são possíveis adequações pessoais. 

Por isso, é necessário o alerta para a compreensão de que a prática simbólica do “eterno aprendiz” está para além da vaidosa e superficial repetição da aprendizagem. 

É preciso a sua interiorização; isto é, Introjetar e viver esta alegoria no pleno simbolismo do eterno aprendiz.

O avental monocromático do aprendiz é indicativo da alvura que deve conter os nossos propósitos e mostra como é desnecessário adornos e decorações neste instrumento de trabalho.

O avental do aprendiz é também maior em tamanho. 

A sua dimensão indica a segurança na aprendizagem. 

O mau uso das ferramentas pode lançar lascas contra nós, com riscos de mutilar ou deixar cicatrizes, indicando a nossa imperícia.

Às vezes, apresenta-se uma correlação “eterno aprendiz” com o “eterno mestre”. 

De um lado simbólica, do outro, concreta, traduzida na expressão de não saber ler e nem escrever.

Mas, o nosso famigerado protagonista sabe bem soletrar nos três níveis da palavra. 

Ele s/o/l/e/t/r/a – so/le/tra – soletra. 

Repetidamente soletra.

Tolamente, ele acredita ser como o personagem principal da Loja na cabeça dos obreiros e coloca-se como “o sábio”, “o mestre”, “o orador”, “o arauto da verdade”, em alguns casos, realmente um grande famigerado que traz perigo à harmonia da Loja.

Famigerado é o adjetivo que designa, em geral, o célebre. 

Mas, mas é também usado no sentido pejorativo, associado àquele que não goza de boa reputação junto aos demais.

Na construção da Maçonaria, todos os tijolos são iguais.

Dimensões, posições, origens, ângulos, pouco importam.

Todos, um dia, estaremos à vista.

Com o passar dos anos, vêm os chapiscos,

Depois de décadas, a cobertura do reboco; e, rapidamente,

A cal do esquecimento cobre definitivamente toda a parede.

Aí, o bom tijolo, bem assentado, sem trincas ou imperfeições,

Sente que cumpriu a sua missão.



ALGUNS RITOS QUE NÃO UTILIZAM A CÂMARA DE REFLEXÃO - Alexandre Fortes



Diferente do que ocorre no Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), (e na maioria dos Ritos), onde o candidato passa um tempo num cubículo escuro cercado por símbolos de mortalidade (crânio, enxofre, sal, pão, etc.), os ritos de origem Anglo-Saxã geralmente pulam esta etapa, por exemplo, os Ritos de Schröder e o de York.

À guisa meramente de exemplos comparativos, discorrer-se-á, “en passant”, apenas sobre esses dois ritos maçónicos e as suas relações com a ausência da Câmara de Reflexão.

• Rito de York (Sistema Americano / Inglês) – NÃO utiliza a Câmara de Reflexão

No Rito de York, o candidato é introduzido de forma mais direta ao Templo. 

Não há o isolamento prévio muma sala com símbolos alquímicos. 

E quais seria o motivo?

Motivo: O foco do Rito de York é mais histórico e bíblico do que hermético ou alquímico. 

A influência do Iluminismo francês, que introduziu o simbolismo do (*) VITRIOL e dos elementos químicos na maçonaria continental, não penetrou da mesma forma na tradição inglesa original.

• Rito Schröder – NÃO utiliza a Câmara de Reflexão

Criado na Alemanha por Friedrich Ludwig Schröder em 1801, NÃO existe Câmara de Reflexão neste Rito. 

O candidato não é submetido ao isolamento num cubículo escuro com símbolos de morte ou alquimia. 

Em vez disso, ele aguarda numa Sala de Preparação comum, mantendo uma postura de meditação silenciosa antes de ser introduzido no Templo. 

E quais as características?

_ Rejeição ao Ocultismo: Schröder era um crítico ferrenho dos “Altos Graus” e do misticismo francês (como o do REAA). 

Ele removeu o simbolismo do VITRIOL, do Sal, do Enxofre e do Galo, por considerar que esses elementos pertenciam à Alquimia e não à Maçonaria Pura

_ Foco no Humanismo: A preparação no Rito Schröder é psicológica e ética. 

O candidato deve refletir sobre a sua sinceridade e vontade de se tornar um homem melhor dentro da comunidade, e não sobre uma “morte iniciática” hermética

_ A Simplicidade Inglesa: Como Schröder baseou o seu ritual nas antigas tradições da Grande Loja de Londres, ele manteve a recepção direta do candidato.



março 25, 2026

25 DE MARÇO DE 1688 - UM MARCO PRECURSOR - Fernando Colacioppo (Rede Colméia)

 


25 de março de 1688: um marco precursor da Maçonaria no seio militar inglês

A história da Maçonaria, envolta em tradições e símbolos, encontra em 25 de março de 1688 um de seus registros mais antigos e significativos. Nesta data, foi fundada, na Inglaterra, uma Loja maçônica vinculada ao Regimento de Guardas Irlandeses — unidade militar criada por Carlos II de Inglaterra durante seu período de exílio na França.

Este episódio destaca-se como um dos raros vestígios documentais da atividade maçônica no século XVII, período anterior à formalização da Maçonaria especulativa como a conhecemos hoje. A existência desta Loja militar demonstra que já havia, naquele tempo, formas organizadas de associação fraternal entre homens livres, estruturadas sob princípios que mais tarde seriam consolidados na Ordem.

⚔️ A Maçonaria no ambiente militar

A ligação entre a Maçonaria e unidades militares não é um fenômeno isolado na história. No caso específico do regimento ligado aos Guardas Irlandeses, a fundação da Loja revela um ambiente propício à difusão de ideias fraternais, filosóficas e organizacionais entre oficiais e soldados.

Essas Lojas itinerantes ou regimentais tinham papel relevante na manutenção de vínculos entre seus membros, especialmente em contextos de deslocamento e campanhas militares. Mais do que simples reuniões, constituíam espaços de confiança, solidariedade e troca de conhecimentos.

Um dos raros registros do século XVII

O grande valor histórico desta Loja reside no fato de ser considerada a única do século XVII a deixar vestígios documentais reconhecíveis. Em um período em que a Maçonaria ainda não possuía uma estrutura institucional consolidada, registros como este são fundamentais para compreender a transição entre a Maçonaria operativa e a especulativa.

Esse momento antecede, por exemplo, a criação da Grande Loja de Londres, marco oficial da Maçonaria moderna, que ocorreria apenas algumas décadas depois, em 1717.

Contexto histórico: a dinastia Stuart

O regimento ao qual a Loja estava vinculada remonta ao período em que Carlos II de Inglaterra, último monarca da Casa Stuart a governar com plenos poderes antes das transformações constitucionais inglesas, encontrava-se exilado na França. Durante esse período, foram formadas unidades militares leais à sua causa, entre elas os Guardas Irlandeses.

Esse contexto político e social, marcado por conflitos, exílio e reorganização do poder, favoreceu o surgimento de associações discretas e estruturadas — terreno fértil para o desenvolvimento das práticas maçônicas.

Legado para a Maçonaria moderna

A fundação da Loja em 1688 não apenas representa um registro isolado, mas um elo importante na cadeia histórica que conduz à Maçonaria moderna. Ela evidencia que, antes mesmo da institucionalização formal, já existiam práticas, rituais e princípios que sustentariam a construção da Ordem como a conhecemos hoje.

Este marco reforça a ideia de que a Maçonaria não surgiu de forma repentina, mas foi fruto de um processo evolutivo, construído ao longo dos séculos por homens comprometidos com valores de fraternidade, lealdade e aperfeiçoamento moral.

Conclusão

O episódio de 25 de março de 1688 permanece como um dos pilares históricos mais antigos da tradição maçônica documentada. Sua importância transcende o fato isolado, servindo como testemunho da presença viva da Ordem em tempos de transformação e incerteza.

Ao recordar essa data, a Maçonaria reafirma suas raízes profundas na história e sua contínua missão de edificar o homem e a sociedade.




HOMENAGEM AO IRMÃO ANTONIO GRACIOSO NETO






Em sessão festiva na noite de ontem,a minha querida ARLS Tríplice Aliança 341 de Mongaguá, comemorou a entrega do título de Maçom Emérito ao irmão Antônio Gracioso Neto, pelos 25 anos de participação continua na Loja.

A sessão foi presidida pelo Venerável Mestre Alexandre Lucena, que esteve ladeado pelo Delegado Distrital Renato Aparecido Monteiro da Silva do 12o Distrito da 8a região e  também pelo Delegado Distrital João Roberto da Silva do 11o Distrito alem do Membro da Comissão de Assuntos Gerais da GLESP, irmão Osvaldo Takakura e de diversos visitantes, destacando o Venerável Mestre Adolfo Costa Dominguez e comitiva da ARLS Ideal e Trabalho n. 150.

Diversos irmãos se manifestaram a respeito da trajetória maçônica e pessoal do irmão Gracioso, que em emocionante fala agradeceu a homenagem e além do diploma e medalha recebeu uma belíssima pasta de couro como lembrança.

Ao final, um delicioso churrasco marcou o final da solenidade.

O LUXO DA RAIVA - Wilson Slack (Tradução de António Jorge)



Recentemente, eu estava a conversar com um colega Maçom de outra Ordem acerca de ódio. 

Ele estava a contar-me sobre como um dos seus membros, de um grau bastante elevado, nutria profundo ressentimento em relação a outro dos seus membros. 

Numa organização construída sobre disciplina e educação, isto parece atípico.

Depois de tudo o que estamos a aprender como maçons sobre manter os nossos irmãos em alta consideração e conceder-lhes todos as “atitudes gentis”, como alguém pode ficar com raiva de outro Irmão por um período de tempo? 

Parece irresponsável.


Então ocorreu-me, igualmente de forma profunda, que quanto mais permanecemos neste caminho da Maçonaria, menos temos o luxo da raiva ou do ódio, nem o privilégio da animosidade ou medo de qualquer tipo. 

Aprendemos que as divisões das pessoas, de qualquer tipo que sejam, não têm sentido e são desnecessárias, e que nós, Maçons, nos dedicamos à erradicação da divisão e do conflito. 

As nossas lutas e ressentimentos pessoais não importam nem um pouco para o nosso trabalho como Maçons.

Então, porque é que a raiva para com outro Irmão acontece?

Aprendemos desde os nossos primeiros passos na Ordem que questões pessoais devem ser tratadas fora da sessão, para que a ordem e a harmonia da Loja não sejam perturbadas por essa divergência.

Este é o primeiro passo para resolver os nossos problemas, e este processo pode ser muito diferente de como o resto da humanidade lida com as coisas. 

As pessoas “normais” recorrem a boatos, facadas pelas costas, evitação, gritos ou violência aberta. 

Um Maçom distingue-se, ou deveria. 

Nós sabemos fazer melhor. 

As instruções de um Maçom são claras: descubram entre vós, superem os vossos problemas e unam-se

Esta direção nunca muda e, de facto, cresce. 

Não apenas não se deve estar em desacordo com outros membros, mas não deve estar em desacordo com as decisões da Loja, o Venerável Mestre da sua Loja, o seu Distrito ou a sua Grande Loja. 

Ainda mais adiante no caminho, você é um representante de um chamado superior, a sua Escola de Mistérios, por assim dizer. 


Você representa um caminho para tomar a estrada mais elevada; eventualmente, a fim de promover o bem-estar da humanidade e da Maçonaria como um todo.

Você não se pode dar ao luxo de se envolver em emoções auto-obcecadas; caso contrário, a Grande Obra poderá nunca acontecer.

Você pode discordar de uma decisão e trabalhar para uma mudança ordenada, mas não se pode dar ao luxo de ter raiva. 

Você pode lutar para corrigir um erro, lutar pelos oprimidos ou lutar por mudanças. 

Você simplesmente não pode fomentar ódio ou raiva. 

A natureza básica dessa emoção não tem lugar na Maçonaria.

E assim, acontece que o Irmão que não pode transcender a sua raiva será engolido por ela, e outra pessoa boa afundará lentamente na sua natureza inferior. 

É um passo simples perceber que é arrogância guardar ressentimento e humildade deixá-lo ir. 

Digo simples, mas na verdade, o acto é deixar de lado o nosso comportamento profundamente arraigado e aprender uma nova maneira de ser. 

É preciso prática.

Como maçons, despertamos para uma chamada superior: cabe a nós permanecer acordados e nunca dormir.



POR QUE SÃO SECRETOS OS RITUAIS MAÇÓNICOS - Paulo M.



Como se disse já, a Maçonaria tem apenas três tipos de segredos: os rituais, os meios de reconhecimento e a identidade dos seus membros. 

Debrucemo-nos hoje sobre os rituais.

Recordo claramente o “ritual” de início de cada dia de escola: entrávamos todos em fila, ordeiramente e em silêncio, colocávamo-nos em locais pré-determinados, respondíamos à chamada, preparávamos os instrumentos de trabalho (a caneta e o caderno diário) e escrevíamos o local e a data do dia, seguidos do sumário.

Depois disso, cada um tinha procedimentos a seguir – se, por exemplo, pretendia falar, tinha que levantar o braço – bem como tinha variadas limitações à sua ação – não podíamos levantar-nos sem autorização, por exemplo.

Identicamente, os rituais maçónicos determinam e regulam uma série de acontecimentos que sucedem durante uma reunião (a que os maçons chamam “sessão”), no sentido de conferir alguma ordem aos trabalhos – precisamente do mesmo modo que numa sala de aula. 

Assim, fazem parte dos rituais procedimentos meramente administrativos como o são a chamada ou a leitura da ata da sessão anterior. 

Estes procedimentos nada têm de secreto, e poderia dizer-se que só não se referem por não o merecerem, de tão enfadonhos que são…

Por outro lado, os rituais também são uma espécie de “peças de teatro”, no sentido em que há vários “atores” com “falas” e ações bem definidas e pré-determinadas. 

Estas ações são um pouco mais elaboradas do que é costume noutras circunstâncias do nosso dia-a-dia, e muito do que se diz e faz é simbólico. 

O simbolismo, em si, não é oculto; já o significado que lhe é atribuído em determinado contexto pode sê-lo. 

Há coisas que estão à vista desde o primeiro dia em que se entra num templo maçónico e que nunca são explicadas, antes sendo deixadas – como tantas outras – à interpretação e interiorização de cada um. 

De outras é dada uma explicação em determinado contexto, como na cerimónia de Iniciação – em que se passa de Profano a Aprendiz – na passagem de Aprendiz a Companheiro, ou na de Companheiro a Mestre. 

Esses “rituais secretos” nada têm de interessante para quem esteja fora do contexto. 

Imaginem um músico a assistir a uma secretíssima reunião de alta finança num banco; ou uma pessoa como eu, avessa a futebol, a assistir às secretíssimas reuniões do Mourinho com a sua equipa em vésperas de um grande jogo… 

Para essas pessoas, pouca ou nenhuma valia teria esse conhecimento.

Então porquê o secretismo? 

Por uma razão: porque, para aqueles a quem interessa, há um momento certo para se saber. 

E porque é que há esse “momento certo”, e não se pode saber logo? 

Procurei um bom paralelismo que o explicasse, e creio que o encontrei: imaginem-se a ler um bom livro policial, daqueles bem elaborados; ou a ver um bom filme de suspense. 

Agora imaginem que alguém chega, e vos diz: “Ah, conheço, já vi, foi o mordomo na biblioteca com o candelabro.” 

Pior: imaginem que lhe dizem mesmo antes de iniciarem o livro ou o filme. 

Acham que irão retirar o mesmo prazer, ler com o mesmo empenho, analisar com o mesmo estímulo? 

Claro que não. 

A experiência ficou arruinada pelo conhecimento prévio. 

O mesmo se passa com os rituais maçónicos. 

Por isso se recomenda a quem pretenda ingressar a Maçonaria que não leia, não procure, não se informe. 

Mas, se o fizer, apenas a si mesmo se prejudica – na mesma medida de alguém que, sorrateiramente, ludibriando-se a si mesmo, ardendo de curiosidade, fosse ler as últimas páginas do tal romance policial.

Por isso, e se não pretendem alguma vez ser admitidos na Maçonaria – ou se pretendem mas querem garantir que a experiência fique irremediavelmente arruinada – então basta procurarem que, com o auxílio do nosso “amigo” Google, terão, com alguma diligência e arte, acesso a dezenas de versões de rituais maçónicos de diversas épocas, locais e obediências.

Encontrarão também, se as procurarem, partituras de obras musicais famosas, e mesmo vídeos das mesmas. 

Mas – ah! – só quem já cantou num coro ou tocou numa orquestra sabe o quão diferente é estar de fora a ver, ou participar de dentro. 

Tentem que vos expliquem a diferença, e serão unânimes: “não dá para explicar, tens que viver a experiência para a compreenderes”. 

Com um ritual maçónico – já o adivinharam – passa-se o mesmo. 

Não se explica, não se revela, não se estuda – vive-se, ou não se entende.