Em um mundo onde símbolos judaicos são por vezes removidos das fachadas de cidades ocidentais, um processo quase inimaginável está em curso em Marrocos. Não foi resultado de acordos de normalização, nem tem como objetivo atrair turistas. Tudo começou com uma decisão pessoal, excepcional e sem precedentes de um homem: o Rei Mohammed VI.(foto)
Enquanto muitos países tentam apagar seu passado, Marrocos escolheu o oposto: tornou a memória judaica parte integrante de seu orgulho nacional. Partimos para examinar as figuras, os lugares e as decisões reais que mudaram a história.
1. A Ordem Direta: “Renovar Tudo”
Em 2010, uma década antes do restabelecimento das relações oficiais, o Rei Mohammed VI tomou uma decisão estratégica: o patrimônio judaico de Marrocos não é apenas “o patrimônio dos judeus”; é o patrimônio de Marrocos e corre o risco de desaparecer. Ele não criou uma comissão burocrática. Emitiu uma ordem executiva para uma restauração abrangente. Os resultados falam por si (muitos deles financiados diretamente pelo palácio e pelo Ministério de Assuntos Religiosos):
167 cemitérios judaicos restaurados e cercados em todo o reino.
Dezenas de sinagogas antigas restauradas ao seu esplendor original, mesmo em aldeias onde não havia judeus há 60 anos.
13.000 túmulos restaurados e mapeados digitalmente para que as famílias possam encontrar seus entes queridos.
2. O Momento Histórico em Essaouira
Um dos momentos decisivos ocorreu em janeiro de 2020 na cidade de Essaouira (Mogador). O Rei inaugurou pessoalmente a "Casa da Memória" (Bayt Dakira). Este complexo singular inclui a antiga sinagoga Slat Attia, um centro de pesquisa e um museu. A imagem do Rei de Marrocos sentado na primeira fila diante da Arca Sagrada, rodeado por rabinos, transmitiu uma mensagem poderosa a todos os marroquinos: o judaísmo é uma raiz profunda da nossa identidade e temos orgulho disso.
3. Uma Constituição Única no Mundo
Este compromisso está inclusive consagrado em lei. Na nova Constituição marroquina (2011), o primeiro parágrafo, que define a identidade do Estado, afirma explicitamente que a identidade marroquina é nutrida e enriquecida pelo seu componente hebraico. Nenhum outro país do mundo árabe define o judaísmo na sua Constituição como parte integrante da sua identidade nacional.
4. Restauração dos Nomes Originais
A diretiva final e mais comovente veio quando o Rei ordenou a restauração dos nomes judaicos originais às ruas e praças dos bairros judeus (os mellahs). Em vez de apagar o passado e dar-lhe novos nomes, as placas azuis dos mellah de Marrakech agora exibem com orgulho os nomes de rabinos e comunidades do passado.
Em suma, quando você caminha por Marrakech e se sente seguro ao entrar na Sinagoga Slat Al Azama, ou quando vê um zelador marroquino cuidando de um cemitério judaico com profundo respeito, lembre-se: nada disso é garantido. É o resultado de uma liderança que decidiu que a história de Marrocos não pode ser contada sem contar a história do povo judeu. Você sabia da dimensão dessas reformas? Compartilhe esta mensagem para que todos saibam que existe um lugar onde nossa história é respeitada.
Fonte: Equipe Editorial do Morocco Travel Center | Investigação Especial

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