março 20, 2026

A DIREITA E A ESQUERDA NA POLÍTICA BRASILEIRA - Cesar Romão



A distinção entre direita e esquerda na política, hoje tão comum no Brasil e no mundo, nasceu de um episódio histórico específico, mas ganhou significados muito mais amplos ao longo do tempo. 

Compreender essa origem ajuda a entender não apenas o debate político contemporâneo, mas também as contradições e confusões que marcam a realidade brasileira.

Os termos direita e esquerda surgiram durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII. Em 1789, na Assembleia Nacional Constituinte, os deputados se organizavam fisicamente no plenário conforme suas posições políticas.

À esquerda do presidente da Assembleia sentavam-se os que defendiam mudanças profundas: o fim dos privilégios da nobreza e do clero, maior igualdade social, ampliação de direitos e limitação do poder do rei.

À direita ficavam os defensores da ordem tradicional: a monarquia, os privilégios aristocráticos, a forte influência da Igreja e a manutenção das hierarquias sociais.

O que começou como uma simples disposição de espaço transformou-se em um poderoso símbolo político, que atravessou séculos e fronteiras.

Com o passar do tempo, esquerda e direita deixaram de ser apenas posições físicas e passaram a representar visões de mundo.

A Esquerda: associa-se à defesa da igualdade social, maior intervenção do Estado na economia, políticas públicas redistributivas e proteção dos grupos mais vulneráveis.

A Direita: relaciona-se à valorização da propriedade privada, da livre iniciativa, da tradição, da hierarquia social e de um Estado mais livre na economia.

Esses conceitos, porém, nunca foram fixos. Em diferentes países e épocas, direita e esquerda assumiram nuances próprias, adaptadas à cultura, à história e às condições econômicas locais.

No Brasil, os termos direita e esquerda passaram a ser usados com mais frequência ao longo do século XX, especialmente após a industrialização, o surgimento de movimentos operários e a influência das ideologias europeias.

Durante a Era Vargas, por exemplo, ideias associadas à esquerda (como legislação trabalhista e intervenção estatal) conviviam com práticas autoritárias. 

Já no período da Ditadura Militar, a direita passou a ser associada ao conservadorismo político e ao combate ao comunismo, enquanto a esquerda foi duramente reprimida.

Esse histórico fez com que, no Brasil, os conceitos fossem muitas vezes usados mais como rótulos ideológicos do que como descrições precisas de projetos políticos.

Atualmente, a divisão entre direita e esquerda no Brasil é marcada por forte polarização emocional. Muitas vezes, o debate deixa de ser programático e se transforma em confronto “identitário”: ser de direita ou de esquerda passa a definir quem a pessoa é, e não apenas o que ela defende.

E note que há contradições evidentes como:

a) Políticos que se dizem de direita defendem subsídios estatais quando lhes convém;

b) Políticos que se dizem de esquerda, por vezes, se aliam a elites econômicas tradicionais;

c) Partidos trocam de discurso conforme o contexto eleitoral, esvaziando o significado original dos termos.

O resultado é um cenário em que direita e esquerda viram slogans, usados mais para atacar adversários do que para explicar propostas concretas para problemas reais como educação, saúde, segurança e desigualdade.

Os termos direita e esquerda que nasceram de um momento histórico específico, na França revolucionária, como uma forma simples de organizar posições políticas, ao longo do tempo, tornaram-se símbolos poderosos, mas também imprecisos.

No Brasil, essa herança se manifesta de forma totalmente distorcida: em vez de servir como ferramenta para compreender projetos de sociedade, a divisão frequentemente alimenta conflitos estéreis. 

Resgatar o sentido histórico e crítico desses conceitos é fundamental para elevar o debate político e lembrar que, mais importante do que rótulos, são as ideias, as ações e os resultados concretos para a população.

Num pais com 30 partidos políticos mais os “pseudos autointitulados partidos” temos: a direita, direitinha, dereitona, a esquerda, esquerdinha, esquerdona, o centro, centrinho, centrão e logo teremos o canto, cantinho e o cantão. A maior democracia do mundo EUA tem o Partido Democrata e o Partido Republicano.

E o povo continua sendo um só, com duas opiniões talvez, aqueles a favor e aqueles contra. Num país que coloca 5.9 bilhões em fundos partidários e 1.92 bilhões em pesquisa científica, ou seja, para cada 1 real investido em pesquisa científica o Estado brasileiro repassa R$ 3.07 para o sistema partidário. 

A Argentina tem 09 Ministérios, o Uruguai 14, Paraguai 17, Colômbia 19, Chile 25 e o Brasil 38, um dos efeitos partidários, expansão de Ministérios. E não fica por ai: temos um médico para cada 20 pacientes na UTI e 20 assessores para um deputado. 

Da maneira que as coisas seguem com legalização de siglas partidárias sem projeto para a sociedade existe um prejuízo para democracia. 

No tempo do Império, havia o Partido Liberal e o Conservador e hoje diversos partidos surgem para atender interesses de lideranças que não conseguem espaço em suas siglas.

O Brasil não precisa de mais partidos políticos, precisa instaurar o Voto Reverso. 

Funcionaria assim: caso o político que foi eleito não atenda as demandas éticas, políticas e sociais as quais se propôs, o eleitor vai ao cartório eleitoral e retira seu voto. Se a retirada chegar a 49.9% dos votos obtidos ele é destituído do cargo e assume o suplente. Isto sim é dar poder ao povo através do Voto. 


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