maio 01, 2026

A FARSA DE LÉO TAXIL - Kennyo Ismail








Léo Taxil era apenas um dos vários nomes que Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand Pagès usava para ganhar a vida cometendo plágios e escrevendo as mentiras que queria, sem precisar arcar com as consequências de seus atos.

Por volta de 1879, Taxil começou a escrever "pornografia clerical", surfando na onda anticatólica francesa. Em 1881, Pagès (seu nome verdadeiro) foi iniciado na Maçonaria, na Loja "Le Temple de L'Honneur", sem que os irmãos da loja soubessem que aquele Aprendiz era o autor anticatólico imoral. Quando descobriram, trataram de expulsá-lo, ainda no grau de Aprendiz.

Mas a revolta de Taxil com a expulsão logo foi transformada em oportunidade. Enquanto sua esposa continuava no ramo literário anticatólico, Taxil passou a escrever obras anti maçônicas. A primeira, publicada em 1885, teve vendas melhores do que o esperado. Então, em 1886, ele publicou "Irmãos Triponto", numa tiragem superior a 20 mil exemplares e que ganhou tradução para alemão, via Jesuítas (430).

Daí em diante, Taxil fez fortuna com essas e outras obras, como: O Anticristo ou a origem da Maçonaria; A queda do Grande Arquiteto; Assassinatos Maçônicos; Os Mistérios da Maçonaria; O Diabo no Século XIX. Nas palavras de Taxil, a Maçonaria era satanista; realizava orgias sexuais e assassinatos; e tinha em Albert Pike uma espécie de Papa, que tinha uma audiência com Lúcifer todas as sextas-feiras, às 15h (431).

Taxil afirmava contar com uma informante, Diana Vaughan, de Charleston, nos EUA, que supostamente era próxima de Pike e havia conseguido escapar das garras da Maçonaria, que a queria morta. Apesar da denúncia do Bispo de Charleston de que a história era falsa, tal produção anti maçônica rendeu uma audiência especial com o Papa Leão XIII, em 1887. E com isso, as vendas aumentaram ainda mais.

Em 26/10/1896, com 11 anos de carreira anti maçônica, mais de uma dúzia de livros publicados, centenas de milhares de exemplares vendidos, e duas Bulas Papais influenciadas por estes, Taxil foi convidado a falar em um Congresso Católico, em Trento, Itália. Havia umas mil pessoas, incluindo 61 equipes de imprensa e 36 bispos. E lá ele fez o anúncio de que faria uma coletiva de imprensa com sua informante, Diana Vaughan, no salão da Sociedade Geográfica de Paris, em 19/04/1897.

Na data marcada, Taxil estava lá, sem Diana, que não existia, na presença de clérigos, imprensa e convidados ilustres, para anunciar sua aposentadoria com a confissão de que os escritos daqueles 12 anos eram uma farsa para mostrar como a Igreja era manipulável e como a Maçonaria não tinha poder nem para se defender. Sua confissão foi publicada em jornais no dia seguinte, mas suas obras são citadas como verdadeiras por autores anti maçônicos até os dias de hoje (432).


*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

(430) COIL, H.; BROWN, W. Coil's Masonic Encyclopedia. New York: Ed. Macoy, 1961, p. 649.

(431) HODAPP, C. Maçonaria para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015, p. 314.

(432) BERNHEIM, A; SAMII, W; SEREJSKI, E. The Confession of Léo Taxil. Heredom, Vol. 5, 1997, pp. 137-68.

*ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*


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