março 18, 2026

A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E CONHECER-SE NA MAÇONARIA - Gilson Alves



Todos nós aqui passamos pelo Primeiro Grau.

Todos nós aqui ficamos ali, sentados em silêncio, aguçando nossos sentidos.

E se nos reportarmos ao mundo profano e, fazendo uma analogia com a Vida Maçônica, numa frase que muitos aqui já escutaram, enquanto alunos, quando um professor dizia: “ 

Façam silêncio; senão, não irão “pegar” o fio da meada”.

Em Maçonaria é a mesma coisa.

Achamos também que, quando somos convidados a ingressar nessa Nobre Arte Real, por sermos homens de bons costumes, não precisamos nos aprimorar, que não precisamos evoluir e por vezes, alguns dizem: 

“Queria ser como aquele Irmão! “ – referindo-se ao seu conhecimento em Maçonaria, mas não se esmera para tal.

Pois bem, um simples exercício pode fazer a diferença: Pensar.

O Ser humano distingue-se dos demais animais pela capacidade de processamento de informações através do ato de Pensar.

Pensar é formar idéias na mente, é imaginar, considerar ou descobrir.

O Filósofo René Descartes disse: 

“Com a palavra Pensar entendo tudo o que sucede em nós, de tal modo que o percebemos imediatamente por nós mesmos: portanto, não só entender, querer, imaginar, e sim também sentir é o mesmo que Pensar”. 

Pensar estabelece relações, as conceitua e encontra um significado para elas. 

Formar relações entre vários conceitos é julgar.

Estabelecer o significado de vários conceitos é raciocinar.

Assim o ato de Pensar implica três funções básicas: Conceituar; Julgar e Raciocinar.

O pensador mexicano Antônio Caso dizia: 

"Liberdade é pensamento. Pensamento é liberdade.

Na essência do pensar está a autonomia." 

Partindo dessa última definição de que na essência do Pensar está a autonomia, na Maçonaria o ato de pensar está diretamente ligado ao postulado da Liberdade. 

Liberdade para desenvolver seus conceitos a partir dos ensinamentos recebidos, porque somos livres e autônomos para falar e assumir posições, sem afastar-nos da Filosofia Maçônica e de seus princípios.

Filosoficamente, a Maçonaria mostra ao homem-maçom que ele tem um compromisso consigo mesmo, com o seu Pensar, o que fazer de sua própria existência. 

Pois, quando o homem prescinde de si mesmo, de seus deveres, quando o homem abre mão da sua liberdade, da quantificação do seu Eu; quando o homem esquece de si próprio, está a negar-se como Ser.

O Primeiro Grau se estereotipa no “conhece-te a ti mesmo”, divisa escolhida por Sócrates. 

O grande pensador ensina ao Maçom-Aprendiz que a primeira coisa a fazer é aprender a Pensar.

Aprendendo a Pensar aprende-se a conhecer, a discernir, a falar. 

Aprendendo a pensar encontraremos, sem dúvida, meios e modos que facilitam a busca, a procura, a investigação, o ponto de chegada.

Assim, nesse vai-e-vem do Pensar, nesse vai-e-vem da busca, o Aprendiz, introspectivamente, passará a conhecer-se melhor.

Conhecer é descobrir o Ser. Assim para o Aprendiz, o descobrimento do Ser é o auto conhecimento e deve levá-lo à introspecção, à análise da sua forma de vida antes da Iniciação. 

Estabelecendo a partir de então os limites entre o profano e o iniciado, corrigindo as eventuais falhas de construção de seu edifício, passando a Pensar e agir dentro dos limites estabelecidos, que pode significar simbolicamente o nascimento do novo Ser.

O Maçom estará pronto para a busca dos conhecimentos da Ordem a partir do Auto Conhecimento e da “Morte” dos resquícios contrários à Filosofia Maçônica inerentes ao profano.

“Conhece-te a ti mesmo” nos leva à conclusão de que se não praticarmos o conhecimento de nós mesmos, se não nos propusermos a esmiuçar o nosso espírito com o objetivo de melhorá-lo, com a intenção de aperfeiçoar nosso intelecto, não projetaremos em nós uma melhoria moral, não conseguiremos desbastar a Pedra Bruta. 

O Primeiro Grau é onde utilizamos com maior propriedade os sentidos da Visão e da Audição.

Com eles desenvolvemos o Pensar, estabelecemos relações e comparações que formarão os alicerces do desenvolvimento e nos ajudarão nos passos seguintes da caminhada. 

Lembrando que todos iniciam na Ordem no Primeiro grau, e cada um tem seu momento de despertar, porque não existe prazo determinado para o seguimento da jornada. 

O que deve acontecer é a maturação do iniciado, uma etapa de cada vez, um degrau após o outro, e mesmo assim sem jamais deixar de ser Aprendiz, sem jamais deixar de utilizar os sentidos da visão e da audição com Sabedoria. 

Cada degrau da escada de Jacob inexiste sozinho, ele sempre será o resultado do somatório do conhecimento adquirido nos Degraus Anteriores. 

Pratique o Pensar para conhecer-se, para então buscar o diferencial, a formatação do novo Eu através do conhecimento, para a transformação, para o renascimento, para a prática da verdadeira maçonaria.

O Pensar, nos traz a reflexão, através de perguntas sobre a capacidade e a finalidade humana que movem o mundo.

São perguntas que nos fazem aproximar dos conhecimentos maçônicos. 

São as perguntas e não as respostas que nos fazem evoluir.

O exercício do Pensar te faz diferente, te faz Novo!

Por isso, na faça de sua vida maçônica, um conjunto de respostas, faça-a de perguntas.

Só assim o seu Templo Interior terá paredes Retas, Belas e Justas. 

Portanto...

Pense...

Reflita...

Pergunte...

Evolua.... , pois desistir da Maçonaria é desistir de si próprio.





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