janeiro 11, 2026

ONZE DE JANEIRO (Dia do “Obrigado") - Adilson Zotovici


Uma atenção especial

Com verbete utilizado

Pela razão ocasional

Que por vezes olvidado


Polissílabo, usual

Que deixa o “ser ligado”

O interlocutor, um igual

Pelo louvor penhorado


Por educação é cabal

Tem até dia lembrado

Fel em mel tem transmutado


Que por si só é atemporal

N’Arte Real avezado

Que simplesmente ”OBRIGADO” !


janeiro 10, 2026

INSTRUÇÃO MAÇÔNICA PRIMÁRIA - Jamir Vieira e Laurindo R. Gutierrez




        Sabemos que a instrução primária é fundamental e decisiva para a formação do homem vulgo ou maçom. Se bem aplicada aos iniciantes não há duvida que será a base para a vida pessoal, social e profissional de cada um deles. Na maçonaria, também aquele que é bem instruído no grau de aprendiz, tem boa chance de ser um Companheiro ativo, e mais adiante um Mestre perfeito. Isso não é novidade, porém nas Lojas, as instruções tem sido aplicadas por mestres aptos e dedicados? Conheço pouco como é a Instrução maçônica em cada Loja, e se ela é ou não aplicada. 

        Em minha vida maçônica recebi instruções no primeiro Grau que me valem ainda hoje, décadas depois. Bem preparado no começo, o aprendiz maçom, assim como o aluno de uma escola, não sentirá dificuldade para enfrentar cada passo na sua caminhada maçônica, visto ter uma sólida base. Quem sabe a evasão maçônica tão elevada hoje, e a falta de interesse, não possa estar na raiz de uma malfeita preparação. Parece que nos dois primeiros graus, incentivados pelos mestres instrutores que os ensina e orienta, os maçons se mostram mais interessados e motivados, enquanto que na Mestria há uma certa desídia. Vivi com entusiasmo essa fase de instrução, depois a apresentação de trabalho escrito, e por fim a sabatina. Recordo ainda da emoção e medo que senti de enfrentar aquela “banca examinadora” estando de pé e à ordem o tempo todo, com a respiração ofegante e transpirando frio. Soube depois que me fizeram trinta e sete perguntas. 

        Mas porque estou falando isso agora, pode alguém perguntar. É porque um irmão, agora Mestre, conta que em sua sabatina de aprendiz, alguns mestres, talvez querendo mostrar conhecimento, fizeram perguntas que pouco ou nada tinha a ver com as instruções do grau. Por exemplo: qual é o endereço de nossa Loja ? Quais são os dez ritos mais praticados no mundo? Coisas que não acrescentam nada, nem são pertinentes ao aprendiz. Todos os irmãos presentes devem se compenetrar que a sabatina é importante não só para os que vão a ela ser submetidos, mas para toda a Loja. Para que tudo saia à perfeição, o Venerável não deve permitir que o sabatinador leia o ritual, nem tenha perguntas escritas prontas no papel, e quando o sabatinado não souber responder, quem fez a pergunta deve responde-la.

RITUAL DO TEMPO - Newton Agrella


Independentemente da crença, da fé, da etnia ou da doutrinação política, em cada lugar da Terra, é inegável que mesmo com Calendários  diferentes, a celebração de um Novo Ano, mexe com o ser humano, especialmente no que diz respeito à renovação da Esperança em sí mesmo.

Viver essa experiência, gera formas bem típicas e características de se comemorar.

Esse acontecimento se reveste de um legítimo Ritual do Tempo.

Este Ritual, em especial,  consiste num conjunto de cerimônias que simboliza como a vida pode ganhar novos significados e como o ser humano pode se adaptar a um novo tempo diante de novas circunstâncias, sem abdicar de valores que se estabeleceram como frutos da sua própria história e tradições.

Não se constroem novos valores, destruindo aqueles que já se perpetuaram na própria essência da civilização humana.

O Ritual do Tempo preserva, respeita e se nutre de todo seu conteúdo, como base de sustentação dos tempos que virão.

Ele se renova por sí mesmo como prova de sua perenidade.

Entra ano e sai ano e os números do calendário se repetem. 

Horas, Dias, Semanas e Meses guardam os mesmos números. 

O que muda é o código do ano que se vai viver.

A existência obedece a Criação. 

Nascemos, vivemos, e completamos estágios celebrando a individuação de nossos aniversários, através de um Ritual exclusivamente nosso..

Porém, com relação à Virada de Cada Ano o Ritual do Tempo ganha requintes universais, em que o mote para dar vasão à Virtude e à própria Arte de Viver é a predisposicão de compartilhar desejos positivos entre as pessoas e compor uma corrente vibratória na busca irrefreável do exercício da compaixão, da generosidade e da empatia entre as pessoas, como eixo e diretriz do comportamento humano.

Boa vontade é o primeiro  passo desse Ritual.  

Tomara que possamos transformar nosso Ano Novo em melhores dias, em que o Ritual do Tempo passe por nós da maneira mais imperceptível possível, calcada sobretudo, no espírito de fraternidade, de entendimento e de  respeito entre todos nós.



janeiro 09, 2026

FIBONACCI - O MATEMATICO QUE DIVULGOU OS NUMEROS ÁRABES - Giih de Figueiredo


Leonardo Fibonacci: O Matemático que Trouxe os Números Árabes ao Ocidente

Leonardo de Pisa, mais conhecido como Fibonacci, nasceu por volta de 1170 na República de Pisa, um dos centros comerciais mais influentes da Itália medieval. Sua vida e obra representam um ponto de inflexão na história da matemática ocidental, fruto de um fascinante encontro entre culturas.

O pai de Fibonacci, Guglielmo Bonacci, era um comerciante e cônsul na cidade de Bugia, uma próspera colônia mercantil no norte da África (atual Argélia). Foi nesse ambiente multicultural, onde o mundo islâmico florescia como uma das principais civilizações científicas da época, que o jovem Leonardo teve seu primeiro contato com os avanços matemáticos árabes.

Sob a orientação de estudiosos locais, Fibonacci aprendeu sobre o sistema numérico hindu-arábico, uma inovação que contrastava fortemente com os numerais romanos usados na Europa de seu tempo. Essa nova abordagem matemática, baseada em dez símbolos simples (0 a 9) e na posição dos números para indicar valores, oferecia uma eficiência revolucionária para cálculos.

Quando retornou à Itália, Fibonacci trouxe consigo essa poderosa ferramenta intelectual, bem como um vasto conhecimento acumulado nas viagens pelo Mediterrâneo. Em 1202, ele publicou o "Liber Abaci" (O Livro do Ábaco), uma obra seminal que introduziu o sistema numérico hindu-arábico aos mercadores e acadêmicos europeus. Embora o livro abordasse diversos problemas práticos, como cálculo de juros, conversões monetárias e pesos, foi sua defesa do uso do número zero e dos algarismos arábicos que marcou a história.

Curiosamente, o nome Fibonacci não está associado apenas aos números que ele ajudou a popularizar. Em um dos capítulos do Liber Abaci, ele apresentou uma sequência numérica enquanto resolvia um problema sobre reprodução de coelhos. Essa sequência, hoje conhecida como a Sequência de Fibonacci, segue uma lógica em que cada número é a soma dos dois anteriores (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, e assim por diante). Séculos depois, essa sequência seria redescoberta como uma constante matemática de grande beleza, presente em fenômenos naturais, como a disposição de pétalas em flores, a estrutura de conchas e até galáxias.

A influência dos matemáticos árabes no trabalho de Fibonacci é inegável. Ele reconhecia abertamente suas fontes de inspiração, incluindo as obras de Al-Khwarizmi, cujo nome deu origem à palavra "algoritmo", e as tradições matemáticas que floresceram nas cortes islâmicas de Bagdá, Damasco e Córdoba. Essa troca de conhecimento foi possível graças ao dinamismo cultural e comercial do Mediterrâneo medieval, que, por meio de figuras como Fibonacci, conectou o Oriente e o Ocidente em uma rede de aprendizado e inovação.

A obra de Fibonacci, embora inicialmente recebida com resistência, gradualmente transformou a matemática europeia. O sistema numérico que ele introduziu tornou-se fundamental para o desenvolvimento do comércio, da ciência e da engenharia, pavimentando o caminho para o Renascimento e para os avanços tecnológicos que moldariam o mundo moderno.

Assim, a história de Leonardo Fibonacci é mais do que a trajetória de um matemático brilhante. É o testemunho do poder do intercâmbio cultural e da curiosidade humana em transcender fronteiras, trazendo luz às sombras do desconhecido e abrindo novas possibilidades de pensamento e criação.



MAÇOM NÃO É DE VIDRO - Sergio Quirino



Neste primeiro tema do vigésimo ano dos artigos dominicais, não haverá uma mensagem de esperança ou de bons desejos, mas um chamamento à mudança ou a reafirmação de uma postura real e verdadeira: Maçom não é de vidro.

Decerto, trabalharemos o tema com analogias, símbolos e alegorias. Para tanto, destacamos algumas características do vidro:

- Fragilidade. Pode haver a contestação de que há os de forte blindagem, porém não são “puros”, visto que em sua constituição estão agregados outros elementos além da sílica.

-Transparência. Sim, todo vidro “expõe” o outro lado.

- Mil utilidades. Será?

- Reciclagem. Infinitas reutilizações.

O Maçom não é de vidro. Sendo assim, observemos o quanto o mundo, a sociedade e as pessoas estão cada vez mais frágeis. O politicamente correto não é uma política de proteção. É a afirmação da fragilidade das pessoas em se defenderem e se blindarem em novas regras de convivência que nos segmentam e, aí sim, nos segregam. Um afrodescendente, se chamar outro afrodescendente de “negão”, pode ser preso por injúria racial.  

O Maçom não é de vidro, porque ele lembra que, em sua iniciação, foi-lhe instruído que deve gozar os prazeres da vida com moderação, não ostentando o bem que goza. Contudo, vemos hoje, nas redes sociais, pessoas cada vez mais “transparentes”: expõem sua casa, sua família e seus vícios. O comedimento sempre foi um traço marcante do Maçom.

O Maçom não é de vidro, pois ele não pode servir a dois senhores. Uma garrafa pode armazenar água ou álcool, mas o Maçom não pode ter “mil utilidades”, dado que acabará sendo “multifacetado”. A Maçonaria como escola de moral e ética nos imprime valores, ações e condutas únicas e não adaptáveis. Somos recipientes de virtudes, e não de vícios.

O Maçom não é de vidro, porque não passamos por reciclagem. Nosso processo é evolutivo e não reutilizável. Na reciclagem, o vidro vai se distanciando de sua gênese. O vidro virgem é produzido com três matérias-primas puras: sílica, bicarbonato de sódio e calcário. Quando é descartado, retorna ao forno, triturado, misturado com outros produtos de origens diversas e com traços que nem a purificação pela água ou pelo fogo eliminará as nódoas. Dessa forma, será destinado cada vez mais para uma utilização inferior. Não se recicla cristal em cristal. Uma vez Companheiro, não se retorna a Aprendiz.

Diante do exposto, o que ser em 2026?

SER PEDRA!  DEIXAR DE MELINDRAR!  TER CONSISTÊNCIA! 

ASSUMIR SUA MISSÃO!  NÃO ESPERAR UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE! 

O Malho e o Cinzel não são instrumentos nem para debilitados nem para materiais fracos. Portanto, fortaleça-se pelo estudo das instruções e enrijeça-se estruturalmente pela prática delas.

NÃO ENCARE 2026 COMO UM ANO NOVO, MAS COMO 365 GRAÇAS DE DEUS

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar as Lojas, material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA e também, uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, para dar espaço de pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

Salamaleico - Robur et Furor

Maleikosalam  -  Rubor e Furor

POSSIVEL ORIGEM DAS TRES BATIDAS


O uso de batidas para chamar a atenção de pessoas presentes em uma reunião é um antigo costume. Tanto é verdade que, numa fábrica de tecidos, em 1335, em York Minster, Inglaterra, foi registrado os detalhes de uma construção que estava sendo feita nessa fábrica, por um grupo de Maçons Operativos. Ali é mencionando o trabalho em si, descanso, etc, e menciona, também, que os Maçons eram chamados após a refeição para assumirem novamente o trabalho, por batidas dadas na porta da Loja. Esta Loja, como já foi dito em outras Pílulas, sem dúvida, deveria ser um abrigo coberto perto da referida construção. 

Hoje em dia, na Maçonaria Especulativa, as batidas foram deliberadamente variadas para distinguir os três Graus Simbólicos, uns dos outros.

Muitas das praticas maçônicas tem forte semelhança com as práticas Eclesiásticas, apesar que, muitas vezes, falta uma evidência definitiva. Entretanto, é fato que a Maçonaria Operativa foi empregada largamente nas construções de Catedrais e outras construções para a Igreja, onde podemos supor que as práticas e costumes dos monges, abades, etc, não eram inteiramente desconhecidas dos integrantes da Maçonaria Operativa, da qual a Maçonaria Especulativa derivou.

Um exemplo do uso eclesiástico de batidas é visto quando um novo Bispo está sendo entronado. Ele se aproxima da porta Leste da Catedral e com três pancadas nesta, com o seu Bastão Pastoral, obtém a atenção do Deão e dos membros do Capitulo, dos quais ele obterá permissão para entrar na conclusão da Cerimônia para sua total introdução no Episcopado.

Fonte: Pílulas Maçônicas.

janeiro 08, 2026

STEPHEN HAWKING



 Em 8 de janeiro de 1942, nascia em Oxford, na Inglaterra, Stephen William Hawking, um dos físicos teóricos mais influentes da história. Doutor em cosmologia e professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge — cargo que já havia sido ocupado por Isaac Newton —, Hawking se destacou por contribuições fundamentais à cosmologia teórica e à gravidade quântica.​

Diagnosticado aos 21 anos com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa progressiva, contrariou todas as expectativas médicas e seguiu produzindo ciência de alto impacto por décadas. Entre suas descobertas mais conhecidas estão os teoremas das singularidades, desenvolvidos com Roger Penrose, e a chamada radiação Hawking, que demonstrou que buracos negros podem emitir partículas e perder energia.​

Além do meio acadêmico, Hawking se tornou uma referência mundial na divulgação científica, alcançando milhões de leitores com livros como Uma Breve História do Tempo. Também marcou presença na cultura pop, participando de séries, animações e até de um álbum do Pink Floyd. Stephen Hawking faleceu em 14 de março de 2018.​


Fonte:#StephenHawking #Ciência #Física #Cosmologia

O TERMÔMETRO DA DESIGUALDADE - André Naves


Uma sufocante onda de calor se abateu sobre São Paulo e desvelou uma enorme mazela social. Enquanto o asfalto derretia e o ar pesado tornava a respiração um esforço, uma realidade brutal se revelava nos termômetros da cidade: o calor, como tantas outras mazelas, não é democrático.

A temperatura que você sente ao sair de casa em nossa metrópole é, cada vez mais, um reflexo direto do seu CEP e, por consequência, da sua renda.

Estamos vivendo a era da desigualdade climática!

Para entender essa injustiça, basta comparar duas realidades paulistanas. Em bairros nobres e arborizados como Pinheiros, a cobertura vegetal funciona como um ar-condicionado natural. Um estudo do Instituto Pólis aponta que distritos como Pinheiros e Moema possuem mais de 12 m² de área verde por habitante. Durante os picos de calor, seus moradores encontraram refúgio sob árvores frondosas, em parques bem cuidados, com temperaturas mais amenas.

Agora, vamos imaginar uma outra realidade? Para Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, a realidade é outra. A imensa densidade populacional, a escassez de parques e a onipresença de cimento e asfalto — que absorvem e irradiam o calor — criam as chamadas “ilhas de calor”.

A diferença não é pequena!

Medições da ONG MapBiomas e de outras iniciativas de monitoramento climático cidadão atestam que, em dias extremos, a sensação térmica em áreas como Heliópolis pode ser até 10 graus Celsius mais alta que a registrada em Pinheiros.

Essa diferença abissal não é um capricho da natureza. É o resultado de um desenvolvimento urbano historicamente excludente, que concentrou investimentos, infraestrutura verde e qualidade de vida em poucas mãos e poucos bairros, enquanto empurrava a maioria da população para áreas desprovidas de planejamento e dos serviços mais básicos.

O calor extremo em áreas vulneráveis não é apenas desconfortável; ele agrava problemas de saúde, como doenças respiratórias e cardiovasculares, diminui a produtividade no trabalho e na escola e representa um peso econômico para famílias que, sem poder contar com a sombra de uma árvore, se veem obrigadas a consumir mais energia elétrica e água — quando podem pagar por ela.

A pergunta que se impõe é: como quebrar esse cicloo? A resposta tradicional se limitaria a pedir mais investimentos públicos, um caminho necessário, mas frequentemente lento e sujeito às amarras fiscais.

Proponho aqui um caminho que une justiça climática à dignidade econômica: a solução para o calor da periferia passa, fundamentalmente, pelo incentivo ao trabalho e ao empreendedorismo local.

Pode parecer contraintuitivo, mas a lógica é direta. Uma comunidade economicamente forte é uma comunidade com poder de transformação. Quando fomentamos um ambiente de negócios saudável, estamos plantando as sementes da qualificação urbana.

A burocracia excessiva, a complexidade tributária e a falta de acesso a crédito não sufocam apenas o pequeno comerciante ou o prestador de serviços; sufocam a capacidade de uma comunidade inteira de gerar a riqueza que, em parte, poderia e deveria ser reinvestida em seu próprio entorno.

Imagine o potencial de cada novo negócio formalizado em Heliópolis, Cidade Tiradentes ou Brasilândia, entre tantas outras… A riqueza gerada pela padaria da esquina, pela oficina mecânica, pela startup de tecnologia social, seria o motor para a construção de parques, a arborização de calçadas, a criação de “telhados verdes” e outras soluções baseadas na natureza.

Facilitar a vida de quem empreende na periferia não é um favor, é o caminho mais curto para que o asfalto quente dê lugar à sombra de uma árvore. Desburocratizar, simplificar e racionalizar o sistema tributário não são apenas pautas econômicas abstratas; são as ferramentas mais eficazes que temos para combater a desigualdade climática na prática.

Ao empoderar os cidadãos com a capacidade de gerar renda, estamos lhes dando também as ferramentas para redesenhar sua própria realidade urbanística.

A luta por um clima mais justo em São Paulo não será vencida apenas com discursos ou planos diretores que demoram a sair do papel. Ela será vencida com ação concreta, que reconhece que a vitalidade econômica e a sustentabilidade ambiental não são opostas, mas sim interdependentes.

É pela geração de trabalho e pela força do empreendedorismo que as comunidades mais afetadas pelo calor poderão, finalmente, construir um futuro mais fresco e digno.

Um futuro onde o direito a uma brisa não seja um luxo, mas um direito de todos. É hora de manter a esperança acesa, usando-a para iluminar um caminho onde a prosperidade floresce junto com as árvores.

 

PERSONAGENS BÍBLICOS DA MAÇONARIA SIMBOLICA - Almir Sant’Anna Cruz





No Painel de origem inglesa de autoria do Irm.’. John Harris, usado no Grau de Aprendiz por algumas Obediências e Ritos, estão presentes na Escada de Jacó os símbolos representativos das Virtudes Teologais e nos quatro cantos do Painel, Borlas representando as Virtudes Cardeais.

De acordo com os Rituais que fazem uso do Painel inglês, as três principais virtudes são a Fé, a Esperança e a Caridade, representadas nos degraus da Escada de Jacó, respectivamente, pela Cruz, pela Âncora e pelo Cálice ou Taça com a mão em atitude de a alcançar.

Digno de nota é o fato dessas virtudes serem consideradas pela Igreja Católica como sendo as Virtudes Teologais, ou seja, as virtudes infusas na alma por Deus, por terem o próprio Deus por objeto imediato.

Segundo a interpretação da Igreja Católica, “A Fé inclina e capacita o intelecto e a vontade a aceitar a palavra de Deus e a aderir à sua autoridade, que a revela. A Esperança inclina e capacita a vontade a ter confiança que Deus lhe dará a vida eterna e a graça para merecê-la. A Caridade inclina e capacita a vontade a amar a Deus, por ser quem é, a si mesmo e ao próximo por causa de Deus”.

No Ritual do Rito de York – Emulação, encontramos a seguinte explicação: “Fé no GADU, Esperança na salvação e Caridade para todos os homens (...), porque, pelas doutrinas contidas no L das SSEE somos ensinados a crer na benevolência da Divina Providência, crença que reforça a nossa  fé (...); esta fé, naturalmente, cria em nós a esperança de nos tornarmos participantes das promessas abençoadas ali descritas (...) O Maçom que possui essa virtude (a Caridade), no mais amplo sentido pode ser considerado como tendo atingido o apogeu de sua profissão”.

Além das três Virtudes Teologais, a Igreja Católica destaca ainda quatro outras, chamadas Virtudes Cardeais, por serem as quatro principais virtudes morais: a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança.

Para os budistas, a Fé está presente em qualquer consciência saudável e se faz necessária enquanto não se alcança a Sabedoria, que é a verdadeira semente sem a qual o crescimento espiritual não pode começar. 

As Virtudes Cardeais dos budistas são: a Sabedoria, a Fé, o Vigor (a Força), a Atenção e a Concentração.

Além de todas essas virtudes já mencionadas, muitas outras deverão ser estudadas e praticadas pelo Maçom que efetivamente aspire a Perfeição.

Excertos do livro Personagens Bíblicos da Maçonaria Simbólica - Interessados Contatar o Irm.’. Almir no WhatsApp (21) 99568-1350

janeiro 07, 2026

É TEMPO - Adilson Zotovici


Chega o ocaso de mansinho

Nova estação se assenhora

Tempo de ação que sublinho

Dum novo ano a aurora


Houve pedra no caminho

Qual Drummond dissera outrora

Inda que algum espinho

Feito flor nos deu escora


Com penhor e com carinho

Saturnalias mundo afora

Com amor, com pão e vinho

Alegria o quão sonora


Mas o tempo que avizinho

Com excelência diz que agora

De volver ao meu cantinho

Sem indolência, sem demora


Labutar...jamais sozinho

Com ferramental que aflora

Da Arte Real qual me alinho

Sem perder um segundo...é hora !




CRUZANDO O PORTAL - Newton Agrella



Dá pra mudar algumas coisas, sim !

Dá pra abrir este novo portal do tempo com uma dose mais generosa de empatia, acolhimento e tolerância.

Dá pra fazer do mero exercício do discurso, uma ação ritualística mais consistente

Dá pra transformar a reles convivência humana em fraternidade

Dá pra olhar do lado e enxergar alguém, que de fato, precise de um ombro amigo ou de um braço estendido.

Dá inclusive pra escutar muito mais e falar bem menos. Ainda que isto seja bem complicado.

Dá pra compartilhar mais experiência e acumular mais conhecimento através da sabedoria...

E não muito longe disso, diante desse portal que mal estamos cruzando, dá pra se valer do discernimento e do bom senso, antes da tomada de qualquer atitude impulsiva.

Dá pra pensar mais detidamente e especular  ainda mais, pela busca da evolução e do nosso aprimoramento conciencial.

E aí sim... depois dessa bateria de ginástica mental, dá pra se fazer uma avaliação mais significativa sobre o nosso próprio entendimento entre Viver e Existir.

Sempre dá pra ser melhor !



E OS ADVÉRBIOS? - Heitor Rodrigues Freire



Neste início de um novo ano, surgem muitas propostas de mudança de comportamento, prometendo verdadeiros “milagres”, caso se adotem as medidas mirabolantes. Mas, na realidade, são meras ilusões que as mentes influenciáveis aceitam como possibilidade real – no entanto, são panaceias, sem nenhuma eficácia.

Recebi uma mensagem simples que considero verdadeira, que não promete nada, mas condensa uma verdade: “Gratidão em retrospectiva; esperança em perspectiva”.  Isso tudo para dizer que desejo a todos os meus leitores um Feliz e Próspero Ano Novo. 

E, dando continuidade às minhas incursões no campo da gramática, mais do que a função de cada parte, o que mais me inspira é sua função filosófica, e não os elementos gramaticais ou a classe das palavras. Como sabemos, gramática é o conjunto de regras que indicam o uso correto de uma língua, tanto em relação à escrita quanto à leitura. É por isso que a palavra gramática, de origem grega (grámma), significa “letra”.

Elementos gramaticais, ou classes de palavras, são as dez categorias que organizam o português: substantivo, verbo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, preposição, advérbio, conjunção e interjeição, cada qual com sua função específica (nomear, indicar ação, caracterizar, etc.) e que podem ser divididas entre variáveis (mudam gênero/número) e invariáveis (não mudam).  

Há quatro tipos de gramáticas: normativa, descritiva, histórica e comparativa. Ao mesmo tempo, a gramática da língua portuguesa é dividida em fonologia, morfologia e sintaxe. Nessa divisão, há gramáticos que incluem a semântica, que, aliás, já foi objeto de um artigo anterior.

Do ponto de vista filosófico, a gramática é vista como um espelho do pensamento e da razão, refletindo a estrutura subjacente à realidade ou à mente humana. A filosofia da linguagem, que aborda essas questões, investiga a relação entre a gramática, o pensamento, a realidade e a forma como a linguagem organiza a experiência humana. 

Em resumo, a filosofia vê a gramática não apenas como um conjunto de regras normativas para se falar corretamente, mas como uma janela para a natureza da mente, a organização do pensamento e da própria realidade. 

Dentro desse contexto, hoje vamos abordar, do ponto de vista filosófico, os advérbios, elementos cruciais para a modulação da realidade e da verdade proposicional, atuando como ferramentas linguísticas que permitem expressar nuances de circunstância, modalidade e perspectiva subjetiva. Eles transcendem a função puramente gramatical de modificar verbos ou adjetivos, impactando diretamente na forma como percebemos e descrevemos o mundo. 

O significado filosófico dos advérbios reside na sua capacidade de refinar a descrição da ação ou do estado, introduzindo complexidade à representação da realidade:

1. Circunstancialidade e contexto: advérbios de tempo, lugar e modo situam eventos e ações em contextos específicos. Isso é fundamental para a ontologia (estudo do ser) e a metafísica, pois ajuda a definir onde e quando algo existe ou acontece, em oposição a uma existência atemporal ou abstrata.

2. Modalidade e verdade: advérbios de afirmação, negação e dúvida são essenciais na lógica e na epistemologia (teoria do conhecimento). Eles expressam o grau de certeza ou a atitude do falante em relação à verdade da proposição, afetando o valor de verdade da frase como um todo.

3. Subjetividade e perspectiva: advérbios modais ou de comentário inserem a avaliação ou o ponto de vista do sujeito na descrição objetiva. Isso levanta questões filosóficas sobre a separação entre fato e valor, e como a linguagem codifica a experiência subjetiva. 

A importância dos advérbios para a filosofia reside em:

Precisão da linguagem: na filosofia, a busca por clareza e precisão é primordial. Os advérbios permitem uma descrição mais matizada e exata dos fenômenos, evitando generalizações excessivas.

Análise da ação: para a ética e a filosofia da ação, os advérbios de modo são cruciais. Descrevem como uma ação foi executada (ex: intencionalmente, acidentalmente), o que é vital para atribuir responsabilidade moral ou legal.

Reflexão sobre o tempo e espaço: advérbios de tempo e lugar incitam a reflexão sobre a natureza do tempo e do espaço. A gramática, através destas classes de palavras, espelha e, de certa forma, molda nossa compreensão intuitiva destas categorias metafísicas. 

O advérbio é uma classe de palavra invariável que tem como principal função modificar o sentido de um verbo, adjetivo, outro advérbio ou até mesmo uma frase inteira, indicando uma circunstância específica. 

Os advérbios são classificados de acordo com a circunstância que exprimem. Tipos de advérbio: lugar, tempo, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida.

Em suma, os advérbios são ferramentas linguísticas poderosas que permitem à filosofia explorar as complexidades da existência, do conhecimento e da moralidade, indo além da simples descrição de objetos e ações para especificar as circunstâncias e as atitudes envolvidas. 


janeiro 06, 2026

A 'ESPINHA DORSAL" DA MAÇONARIA - Rogério Paschoal



Se tivéssemos que escolher um único filósofo cujo pensamento é a própria "espinha dorsal" da Maçonaria moderna (especialmente a partir do século XVIII), este nome seria Immanuel Kant (1724–1804).

Embora nomes como John Locke (política) e Spinoza (panteísmo/natureza) sejam fundamentais, é na obra de Kant que encontramos a estrutura da autonomia da vontade, o conceito do dever e a busca pela paz perpétua, que definem o Mestre Maçom ideal.

Abaixo, apresento os aspectos de sua filosofia que impactaram diretamente a Maçonaria:

1. O Imperativo Categórico: A Lei Moral em Si Mesma

A maior contribuição de Kant para a Maçonaria é o Imperativo Categórico: "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal".

Impacto Maçônico: Este conceito é a tradução filosófica da "Lei Moral" exigida nas Constituições de Anderson. O Maçom não é ético por medo do castigo ou promessa de recompensa (Ego), mas porque reconhece que a ética é uma necessidade da razão. Isso define a retidão do Mestre que não precisa de um vigia para agir corretamente.

2. A Autonomia da Vontade: O Homem como Senhor de Si

Kant define o Iluminismo como a saída do homem de sua "menoridade intelectual" (incapacidade de pensar por si mesmo).

Impacto Maçônico: É o cerne da transição da Pedra Bruta para a Pedra Polida. O Maçom busca a autonomia — a capacidade de legislar sobre si mesmo, dominando seus instintos e paixões através da razão. Ser um "Homem Livre e de Bons Costumes" é, em termos kantianos, ser um homem autônomo que não se deixa escravizar por dogmas ou impulsos externos.

3. A Dignidade da Pessoa Humana

Kant formulou que o ser humano deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo, e nunca apenas como um meio.

Impacto Maçônico: Este é o fundamento da Fraternidade. A Maçonaria moderna adota esse princípio para combater a exploração, o preconceito e a superioridade de castas. Se todo homem tem dignidade inerente, a desigualdade profana deve ser deixada na porta da Loja, tratando a todos pelo nível da igualdade.

4. A Paz Perpétua e o Cosmopolitismo

Em seu ensaio "À Paz Perpétua", Kant propõe uma federação de estados livres e uma cidadania mundial baseada na hospitalidade universal.

Impacto Maçônico: A Maçonaria é a personificação dessa ideia. A "Cadeia de União" que atravessa fronteiras e une homens de diferentes nações e crenças é a aplicação prática do cosmopolitismo kantiano. A Loja Maçônica é vista como o "laboratório" onde a paz perpétua é ensaiada através da convivência tolerante entre opostos.

5. A Religião dentro dos Limites da Simples Razão

Kant argumentava que a verdadeira religião consiste na intenção moral, e não em rituais externos ou dogmas irracionais.

Impacto Maçônico: Isso justifica o conceito do G.A.D.U. (Grande Arquiteto do Universo). A Maçonaria adota uma visão de divindade que é compatível com a razão e que foca na prática das virtudes (o trabalho), exatamente como Kant propôs ao separar a moralidade do dogma eclesiástico.

Síntese para o Mestre Maçom (2026)

Em janeiro de 2026, o Mestre que estuda Kant entende que o verdadeiro "Segredo" não é uma palavra, mas a lei moral inscrita no coração. Kant trouxe a luz necessária para transformar a Maçonaria de uma guilda de construtores em uma escola de cidadania ética universal.

Para aprofundar, recomenda-se a leitura da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, onde o rigor e a disciplina da mente (tão valorizados no século XVIII) são apresentados como o único caminho para a verdadeira liberdade.