Em que pese todo o significado simbólico que a morte encerra na conjuntura que envolve o 3o.Grau da Maçonaria Simbólica Universal - o Grau de Mestre Maçom - vale ressaltar que a sua essência não está circunscrita à morte física, mas sim, a um processo psicológico de cunho iniciático onde a analogia se desenvolve em torno da lenda do arquiteto Hiram Abif convocado pelo Rei Salomão para a construção do Templo.
A interpretação da morte se desencadeia ao considerarmos que o indivíduo é subjugado pelo impacto do confinamento de seu corpo físico, perde a consciência - e em especial o contato consciente com a alma e seu Espírito com a Divindade.
Essa "morte" sugere a idéia da restrição de consciência.
A "morte" que se apresenta ao candidato no Terceiro Grau, contribuirá para que ele "reconheça" que é um ser espiritual que possui tanto uma alma quanto um corpo.
Assim, a morte psicológica a que se refere esse derradeiro Grau do "simbolismo maçônico" está envolvida com a experiência dessa essência espiritual.
Filosoficamente, trata-se portanto da "morte do ego".
Há uma corrente dialética maçônica de autores como Alain Pozarnik "Simbolismos do Ritual de Fechamento de Loja Maçônica" e W.Kirk MacNulty "Maçonaria - Uma Jornada por meio do Ritual e do Simbolismo" que entendem que "...assim como o candidato na cerimônia não permanece muito tempo na sepultura simbólica, também o período de desorientação na experiência real não dura muito.
A função psique que chamamos de Venerável Mestre, surge na consciência para se tornar o princípio-guia dentro do indivíduo que, nesse novo estado, reconhece a si mesmo como um ser espiritual que possui uma alma e um corpo..."
A sustentação da lenda remete à construção do Templo, para que nele habite o Deus íntimo e para que sua completa liberdade de expressão se manifeste.
Importante destacar que nos Graus anteriores trabalhou-se na Pedra Bruta e posteriormente na Pedra Cúbica.
No Grau de Mestre Maçom a Jóia Fixa é o próprio Painel, visto que ela lida com o relacionamento entre pedras e com o Todo de uma estrutura maior a qual elas pertencem.
Os interesses do Mestre Maçom são portanto metafísicos, transpessoais e holísticos, o que denota o profundo aspecto "esotérico" de que se reveste este Grau.
A responsabilidade do Mestre Maçom advinda desse processo simbólico da morte e renascimento é ser consciente dessa unidade essencial.
Criatividade e Revelação são pressupostos para se entender o nível de consciência representado pelo Mestre Maçom e o compasso talvez seja a ferramenta de consciência que melhor traduza sua função como instrumento de proporção - qualidade imprescindível para manter a tradição e a revelação, os princípios e a criatividade, em equilíbrio.
Talvez seja cabível lembrar que o contrário da morte não é a vida, mas sim o nascimento.
A vida é pois, uma consequência, e a partir desse fato, o homem faz disso sua profissão de fé para vive-la em toda a sua plenitude sem se preparar para morrer.
Não podemos aceitar o nascimento de nosso corpo sem aceitar sua morte.
Para melhor reflexão podemos discorrer que o Painel do Terceiro Grau pode ser interpretado de duas formas:
A primeira é a de que o painel indica que o conceito comum de vida humana é como a morte comparada à capacidade humana potencial.
A segunda, é que a visão do interior do Templo sugere que somente morrendo para o seu conceito de "ser" é que o indivíduo pode realizar esse potencial.
A representação da morte do Mestre Hiram Abif é uma forma impactante e singular de simbolizar o ritualismo do grau como forma de compartilhar com os Irmãos o processo de recomposição e regeneração humana sob o ponto de vista psicológico.
Esse procedimento demonstra o sentido da construção do Templo de Salomão através dos percalços de sua destruição e da reconstituição simbólica paralelamente ao renascimento da consciência do Mestre Maçom.
De acordo com o próprio Ritual do 3o.Grau para o Rito Escocês Antigo e Aceito - a exaltação a Mestre demonstra o triunfo da Vida sobre a Morte, a imortalidade do bom, do justo e do virtuoso.
Seu significado espiritual é o de que o Trabalho dos Mestres não conhece descanso, porque eles constróem o Templo Ideal, isto é; a Fraternidade, a Razão e a Justiça, com Eqüidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário