novembro 29, 2025

A VIAGEM SINFONICA DOS SÍMBOLOS - Pierre d’Allergida


Uma Odisseia Maçônica para a Harmonia Interior”

• Situada no cenário sagrado da loja maçónica, onde cada símbolo vibra com um significado profundo, a Viagem Sinfonica dos Símbolos oferece uma meditação fascinante sobre a iniciação, a vibração universal e a procura do amor incondicional

Estes três conceitos – viagem, sinfonia e símbolos – entrelaçam-se para formar uma partitura filosófica e espiritual, uma canção que convida os maçons a redescobrirem a sua ligação com o Universo e consigo próprios.

Inspirado por um texto vibrante que amplifica a mensagem ao explorar todas as facetas desta odisseia interior, desde a geometria do ritual à memória cósmica, desde os desafios da modernidade ao apelo à liberdade autêntica. 

Através de uma prosa rica e evocativa, celebramos a Maçonaria como uma Arte viva, uma sinfonia onde cada nota única ressoa com o eterno.

A viagem de iniciação: um ciclo de viagens de ida e volta

A viagem, no coração da iniciação maçónica, não é uma simples deslocação, mas um caminho cíclico, uma viagem de regresso ao essencial. 

Etimologicamente, a palavra “viagem” tem as suas raízes no latim viaticus, derivado de via, caminho. 

Este caminho é o da iniciação, o início de uma busca espiritual em que o leigo, ao bater à porta do templo, se lança numa profunda transformação. 

Não é um caminho linear, mas um ciclo completo, um regresso enriquecido à origem, semelhante a uma melodia que, depois de explorar novas tonalidades, regressa à sua nota fundamental.

Na Loja, esta viagem manifesta-se através dos rituais, onde cada gesto, cada símbolo, é um passo em direcção à unidade. 

Ao entrar no templo, o neófito começa por ouvir três pancadas na porta, uma vibração inicial que marca o início da sua viagem. 

Este som inicial, longe de ser insignificante, é um convite a sintonizar o ritmo do Universo, a redescobrir a harmonia original que vibra no coração de tudo. 

A viagem maçónica torna-se assim uma busca de reconciliação, um esforço para reencontrar o “som puro” da criação, a frequência primordial que liga o homem às leis universais da criação expressas por cada símbolo do primeiro grau.

A sinfonia dos símbolos: uma orquestra espiritual

O conceito de sinfonia, no centro deste texto, é uma poderosa metáfora da experiência maçónica. 

Derivada do grego sym, que significa “junto“, a palavra “sinfonia” evoca a união de sons, vibrações que se harmonizam para criar uma obra coerente. 

Do mesmo modo, o symbolon, um objeto partido em dois para selar um acordo, encarna a ideia de uma unidade reencontrada através da reunião de partes separadas. 

Estas duas noções, unidas pela sua raiz comum, refletem a essência da loja: um espaço onde as diferenças – entre indivíduos, ideias, energias – se fundem numa harmonia superior.

A loja maçónica, adornada com os seus símbolos – malhete, compasso, esquadro, régua, mosaico – é uma partitura geométrica, uma orquestra em que cada elemento desempenha um papel preciso. 

Estes símbolos não são meros objectos, são instrumentos vibratórios, vectores de energia que permitem aos maçons sintonizar-se com o Universo. 

A sinfonia maçónica é o eco do “verbo criador“, a vibração inicial que, segundo as tradições espirituais, deu origem ao cosmos.

• Ao participar nos rituais, o Maçom torna-se simultaneamente músico e ouvinte, procurando encontrar dentro de si o eco desta música primordial, que ressoa em cada átomo, em cada estrela, em cada alma.

Geometria vibratória: a música dos rituais

Um dos aspectos mais fascinantes é a decodificação dos rituais maçónicos como uma experiência vibratória, uma geometria de sons que deixa a sua marca na mente e no corpo do receptor. 

Desde o momento da iniciação, o leigo é imerso num Universo de sons: as três pancadas na porta do templo, o rufar dos tambores dos oficiais, o golpe do martelo do Venerável Mestre. 

Estes sons não são acidentais; são estruturados, geométricos, reflectindo a própria arquitetura da loja.

• No Rito Francês, as três luzes – Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes – formam um triângulo isósceles, enquanto que no Rito Escocês Antigo e Aceite, formam um triângulo equilátero. 

• Esta geometria reflete-se nos tambores, cujo ritmo – duas pancadas próximas, uma mais afastada ou três pancadas iguais – reproduz a forma do triângulo.

Cada gesto ritual amplifica essa vibração. 

Durante a iniciação, o neófito caminha ao longo da coluna do meio-dia, traçando com os seus passos uma linha reta, semelhante a uma régua. 

Faz um semicírculo em frente ao Oriente, evocando o compasso, e depois sente a inclinação da prancha, simbolizando o quadrado e a passagem da horizontal à vertical. 

Estes movimentos não são apenas simbólicos, são físicos, vibratórios, imprimindo na carne do receptor as “três jóias da loja“: a régua, o compasso e o esquadro. 

Cada ritual torna-se uma onda concêntrica, uma vibração que se estende do centro da loja para tocar cada participante, ligando-os através do tempo e do espaço.

Agora associamos os oficiais da Loja a notas musicais e planetas, inspirando-nos na “música das esferas” contextualizada por Plutarco, Kepler e Newton. 

O Venerável Mestre, ligado a Júpiter e à nota SOL, encarna a Sabedoria; 

O Primeiro Vigilante, associado a Marte e à nota FA, representa a Força; 

O Segundo Vigilante, ligado a Vénus e à nota RÉ, simboliza a Beleza. 

O Orador, o Secretário, o Experto e o Mestre de Cerimónias completam esta orquestra cósmica, contribuindo cada um com a sua nota única – Mi, Si, Lá, Dó – para formar uma harmonia que reflecte a ordem universal. 

A Loja torna-se assim um microcosmos, um espaço onde os Maçons podem ouvir e sentir a música das esferas.

A memória de Mnemosine: levantar o véu do esquecimento

No coração da iniciação maçonica encontra-se uma dialética entre o esquecer e o recordar, encarnada pela bebida do esquecimento e a de Mnemosine, a deusa grega da memória. Durante a cerimonia, o Venerável Mestre declara:

• “Antes, bebeste a bebida do esquecimento, destinada a te despersonalizar […]. Aqui está um segundo copo, o da bebida da memória, a água de Mnemosine”.

Este duplo movimento é essencial: o esquecimento apaga os condicionamentos profanos, enquanto a memória revela uma verdade enterrada, uma ligação com o divino.

Esta verdade, conhecida em grego como Alêtheia (“levantar o véu sobre o que foi esquecido“), está no centro da busca maçônica. 

Não se encontra no conhecimento intelectual, mas numa intuição profunda: o amor próprio incondicional. 

O texto propõe uma hipótese ousada: o “segredo” da Maçonaria reside neste amor puro, sem expectativas nem juízos de valor, semelhante ao de uma mãe pelo seu filho. 

No entanto, este amor é assustador porque nos obriga a confrontar com as nossas dúvidas, medos e ilusões. 

Para escapar a este encontro, a humanidade moderna está inquieta, procurando a imortalidade na tecnologia, no entretenimento ou nas promessas de paraísos futuros.

A Loja, por outro lado, oferece um lugar para regressar ao essencial. 

Através dos seus rituais, símbolos e vibrações, convida os maçons a recordar a sua própria luz, a frequência original que os liga ao Universo. 

A memória de Mnemosine não é apenas uma recordação de fatos; é uma reativação da harmonia interior, um regresso à unidade perdida.

Uma sinfonia para a eternidade

A Viagem Sinfonica dos Símbolos é uma ode à Maçonaria, um apelo à escuta da música interior que ressoa dentro de cada ser. 

A Loja, com os seus símbolos, rituais e vibrações, é uma orquestra onde cada nota contribui para a harmonia cósmica. Inspirado nas intuições de Nikola Tesla

• “Se queres descobrir os segredos do Universo, pensa em termos de energia: frequência e vibração”.

e Albert Einstein:

• “Aquilo a que chamamos matéria é energia, cuja vibração foi muito reduzida”.

Lembre-se que tudo no Universo é vibração, energia e música.

Para os maçons, o trabalho da Loja é um convite a sintonizar esta música primordial, a redescobrir a memória da sua própria luz. 

É um caminho de paciência, de perseverança e de amor. 

Todos devem sentir o eco de uma sinfonia universal, um apelo a caminhar, passo a passo, para uma liberdade que começa no amor-próprio e se estende a toda a humanidade. 

A Maçonaria, na sua beleza intemporal, continua a ser um caminho de esperança, um lugar onde podemos aprender a vibrar em uníssono com o Universo.





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