Há uma loucura que não adoece, mas desperta. É nela que o poeta habita quando se recusa a viver apenas o que lhe foi imposto como realidade. Enquanto a maioria se adapta, o poeta questiona; enquanto muitos repetem, ele escuta o silêncio. Sua solidão não é fuga do mundo, mas um gesto de coragem: o afastamento necessário para enxergar além das máscaras que se tornaram norma.
Pensar, nesse sentido, é um ato de resistência. Resistir à pressa, à opinião pronta, ao ruído constante que anestesia a consciência. O poeta não busca certezas; busca sentido. Sabe que o conhecimento não é um ponto de chegada, mas um movimento contínuo de desconstrução. Cada resposta alcançada abre novas perguntas, e é nesse intervalo - entre o que se sabe e o que ainda não se pode nomear - que a consciência se expande.
Viver em estágio permanente de aprendizagem é aceitar a própria incompletude. É reconhecer que mudar de rota não é fracassar, mas amadurecer. A vida não se organiza em linhas retas; ela exige desvios, rupturas, quedas e reinícios.
Sobreviver à mediocridade coletiva é, muitas vezes, suportar o peso de ser minoria, de parecer estranho, de ser chamado de louco por não se contentar com a superfície.
A sociedade, em sua ânsia por controle, cria ideologias que oferecem pertencimento em troca de pensamento. O poeta, porém, paga outro preço: o da lucidez. E a lucidez dói. Dói porque revela o vazio das aparências, a pobreza simbólica de discursos repetidos e a fragilidade de identidades construídas para agradar.
Ainda assim, é nessa dor que nasce a possibilidade de inteireza.
Encontrar-se, quando se estava esquecido, não é um retorno confortável. É um confronto. Exige olhar para as próprias sombras, admitir a ignorância e aceitar que saber é, antes de tudo, reconhecer o quanto ainda não se sabe.
O poeta caminha nesse território incerto, onde o pensamento não serve para dominar, mas para compreender; não para impor, mas para libertar.
Talvez por isso sejam chamados de loucos. Porque ousam viver seus sonhos como forma de verdade. Porque se recusam a morrer por dentro. Porque entendem que existir não é apenas sobreviver ao tempo, mas atravessá-lo com consciência, mesmo quando isso custa solidão, incompreensão e silêncio.
E, ainda assim, seguem.
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