janeiro 22, 2026

PRESIDENTES MAÇONS DO BRASIL: LEGADO REPUBLICANO E HERANÇA SIMBÓLICA PARA A ORDEM



artigo de Helio P. Leite 

A História da República brasileira registra, de forma inequívoca, a presença de numerosos maçons no exercício da Presidência da República. Desde a Proclamação da República até períodos de transição democrática no século XX e início do século XXI, nomes como Manoel Deodoro da Fonseca, Floriano Vieira Peixoto, Prudente de Morais, Campos Sales, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wesceslau Brás, Delfim Moreira, Washington Luís, Café Filho, Nereu Ramos, Jânio Quadros e, mais recentemente Michel Temer, figuram como exemplos de cidadãos que, além de homens públicos, também integraram a Ordem Maçônica.

A questão que se impõe não é apenas enumerar nomes, mas refletir com maturidade histórica: que legado deixaram para o Brasil e se, enquanto maçons, deixaram alguma herança concreta para a Maçonaria.

O legado para o Brasil

O primeiro e mais evidente legado desses presidentes está ligado à construção, consolidação e preservação da República. Coube a Deodoro da Fonseca, com o apoio de lideranças civis e militares, romper com o regime monárquico e inaugurar um novo modelo de Estado. A Floriano Peixoto, por sua vez, coube a difícil missão de manter a República de pé diante de graves revoltas internas, afirmando a autoridade do poder civil.

Com Prudente de Morais, o país conheceu o primeiro presidente civil, símbolo da normalização institucional e da superação do protagonismo militar inicial. Campos Sales destacou-se pela reorganização financeira do Estado e pela busca da estabilidade administrativa, enquanto Wenceslau Brás conduziu o Brasil com prudência durante a Primeira Guerra Mundial.

No campo da educação e da cidadania, merece destaque Nilo Peçanha, responsável pela criação  das Escolas de Aprendizes Artífices, embrião da atual rede federal de educação técnica e profissional. Washington Luís, com sua conhecida máxima de que “governar é abrir estradas”, deixou como marca a integração territorial e o investimento em infraestrutura.

Já Café Filho e Nereu Ramos exercem papel histórico relevante como presidentes de transição , garantindo a continuidade constitucional em momentos de crise. Jânio Quadros, figura complexa e contraditória, legou avanços na política externa independente, embora seu governo tenha contribuído para um período de instabilidade política. Michel Temer, em contexto contemporâneo, presidiu o país durante grave crise institucional, conduzindo reformas estruturais e assegurando a realização do processo eleitoral subsequente.

Em síntese, esses presidentes, com virtudes e limitações próprias de cada época, contribuíram para a afirmação do Estado brasileiro, da legalidade constitucional e da vida republicana.

E o legado para a Maçonaria?

Quando se analisa a relação desses presidentes com a Ordem Maçônica, é fundamental afastar mitos e simplificações. Não existiram “governos maçônicos” no Brasil, tampouco a Maçonaria atuou como partido político ou bloco de poder institucionalizado.

O legado deixado á Ordem é, sobretudo, moral, simbólico e histórico.

Esses homens públicos demonstraram que o maçom pode ocupar os mais altos cargos do Estado sem confundir Loja e governo, respeitando o princípio da discrição e da instrumentalização da Ordem. Ao defenderem – em maior ou menor grau – valores como liberdade de consciência, laicidade do Estado, respeito às leis, educação e civismo, reforçaram, perante a sociedade, a imagem da Maçonaria como escola de formação cidadã.

Paradoxalmente, o fato de não haver favorecimento institucional à Maçonaria constitui, em si, um legado positivo. Preserva-se, assim, a regularidade da Ordem, sua independência e sua legitimidade moral.

Considerações finais

Os presidentes brasileiros que foram maçons não devem ser lembrados como representantes da Ordem no poder, mas como cidadãos que, formados também no ambiente maçônico, colocaram-se a serviço da Nação. Seu verdadeiro legado à Maçonaria não está nos privilégios concedidos, mas no exemplo de que é possível servir ao Estado com ética, respeito às instituições e compromisso como o bem comum.

Ao registrar essa presença na história republicana, a Maçonaria reafirma sua vocação original: formar homens livres e de bons costumes, capazes de atuar na sociedade sem jamais subordinar a Ordem a interesses políticos transitórios.

Enfim, cabe aos nossos atuais líderes maçônicos, dirigentes das Potências Maçônicas regulares no Brasil: honrar, observar, estudar e preservar os legados deixados por nossos Irmãos, cada um em sua época, que como Obreiros da Arte Real dirigiram os destinos do Brasil.

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