janeiro 15, 2026

UMA VISÃO GERAL DA HISTÓRIA DA MAÇONARIA (4/6) - Leonardo Redaelli


 Templo do século XVIII.

O significado deste termo não deve ser mal interpretado. Hoje, sem qualquer referência histórica ou geográfica específica à Escócia, ele designa vários sistemas maçônicos que, além dos três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, incluem diversos graus superiores. Seu nome deriva do primeiro deles, o Mestre Escocês, uma "ordem superior da Maçonaria" documentada já em 1733 em Londres, e que sem dúvida recebeu esse nome em homenagem ao papel crucial desempenhado pelos maçons escoceses na preservação e disseminação dos costumes, ritos e símbolos da antiga Maçonaria operativa. Surgindo na França cerca de dez anos depois, o Mestre Escocês foi a unidade inicial da Maçonaria Escocesa, que encontrou terreno fértil no Reino Unido, desenvolveu-se rapidamente ali e, de lá, espalhou-se por toda a Europa e América. No início do século XIX, deu origem ao Rito Escocês Antigo e Aceito, rico em todos os 33 graus.

Após a morte do Conde de Clermont (16 de junho de 1771), o Grão-Mestre foi oferecido a Luís Filipe José de Orléans, Duque de Chartres.

O Duque de Montmorency-Luxemburgo, que o auxilia como Administrador Geral, é, na verdade, o verdadeiro chefe da Ordem. Mas logo, irritado com a preponderância que os estatutos da Grande Loja da França concediam aos Mestres das Lojas parisienses, a maioria dos quais eram plebeus modestos, ele convoca em Paris e estabelece como Grande Loja Nacional uma assembleia composta principalmente por Irmãos das Províncias e Lojas militares.

De 1º de março a 26 de junho de 1773, maçons de toda a França (incluindo o Príncipe de Rohan, o Marquês de Fitz James e o Marquês de Clermont-Tonnerre) realizaram uma série de encontros dos quais, em 1º de setembro de 1773, emergiu o Grande Oriente da França, uma nova potência maçônica.

A Grande Loja do Oriente da França se autodenomina "a única e legítima Grande Loja". Mas, em contrapartida, a maioria das Lojas em Paris e um bom número de Lojas nas províncias mantêm a antiga Grande Loja da França, agora chamada "de Clermont", em homenagem ao seu antigo Grão-Mestre, e que se proclama "a única e verdadeira Grande Loja do Oriente da França".

A dualidade das Grandes Lojas não parece ter alterado permanentemente as relações fraternas entre seus respectivos membros, nem impedido o desenvolvimento da Ordem até a Revolução Francesa de 1789. Em 1771, o número de Lojas sob a Grande Loja da França era de 164: 71 em Paris, 85 nas províncias e 5 nas colônias (1). Na véspera da Revolução, o Grande Oriente contava com 629 Lojas: 63 em Paris, 442 nas províncias, 38 nas colônias, 69 Lojas militares e 17 no exterior. Já a Grande Loja de Clermont era composta por 376 Lojas: 129 em Paris e 247 nas províncias. A Ordem Maçônica havia conquistado considerável influência no país: segundo algumas estimativas, havia entre 70.000 e 80.000 maçons. Nobres e burgueses aderiram em grande número, e muitos estudiosos, artistas, escritores e filósofos contribuíram para o prestígio da Ordem.

ORDEM SOB A REVOLUÇÃO

A Maçonaria francesa, inicialmente dividida por questões pessoais e posteriormente pela existência de dois poderes em competição mais ou menos aberta, passou por provações igualmente duras, tanto no seu conjunto quanto entre os seus membros individualmente. Embora os maçons durante o Iluminismo não compartilhassem uma doutrina política comum, mas sim uma tendência humanista, liberal e, em certa medida, dissidente (veja-se, por exemplo, o Conde de Clermont e o Duque de Orléans), eles estavam frequentemente unidos na sua oposição quase constante à monarquia absolutista. Logo se encontrariam em conflito ideológico com a abertura dos Estados Gerais. Assim, o Grão-Mestre, o Duque de Orléans, apoiava a votação por cabeça, enquanto o seu administrador, o Duque de Montmorency-Luxemburgo, apoiava a votação por ordem.

"Existia a mesma oposição entre os irmãos 'aristocráticos' e os irmãos 'sans-culottes'. Há muitos exemplos. Um grande número de emigrados havia pertencido a lojas maçônicas, tanto em Paris quanto nas províncias. Outros irmãos eram revolucionários fervorosos."

Assim como nas Guerras Civis Britânicas, encontramos membros da Irmandade tanto no campo dos Montanheses quanto no dos Realistas. Mas a característica mais comum discernível entre eles é a coragem cívica e a coragem em geral. Embora a posição do Grão-Mestre perante a Convenção tenha levado à sua repudiação pelos Irmãos dos quais ele se distanciara, é preciso reconhecer que o perigo que ele enfrentou foi perfeitamente capaz de inspirar uma resolução desesperada, e que sua coragem diante da guilhotina ainda pode lhe render simpatia retrospectiva.

A Loja Mãe do Rito Escocês Filosófico, "O Contrato Social", cujo próprio nome era um manifesto, distribuiu diversas circulares desde o início de 1791. Essas circulares reuniam pela primeira vez as palavras liberdade, igualdade e fraternidade, que descreviam como "deveres cívicos". A Loja também alertava seus membros contra a violência, independentemente de sua origem, que considerava não ter nenhuma ligação com a Maçonaria. Uma dessas circulares foi traduzida para o alemão pelo Irmão Dietrich, prefeito de Estrasburgo, e distribuída pelo Irmão Lemaire, capitão do Exército do Reno, com a ajuda de outros membros de lojas militares. 

......CONTINUA AMANHÃ......

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