Em setembro de 2024 representei a GLOMARON na Conferência Trienal das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, a convite daquela Potência, em virtude do Tratado que havíamos recentemente celebrado. Por ocasião do evento, uma Carta foi distribuída aos presentes. Ao refletir hoje sobre o seu conteúdo, que – sendo sintético - toca na questão das transformações sociais contemporâneas, ética e humanismo, e por crer que o texto pode ser do interesse de alguns Irmãos estudiosos do tema, sendo mais direcionado para a realidade europeia, compartilho a tradução. Qualquer dúvida, tenho o original digitalizado.
Att, Izautonio Machado
Texto traduzido:
O Grão-Mestre
Boas-vindas e discurso do Grão-Mestre durante a Convenção de 25 a 27 de setembro de 2024
Mui Respeitáveis Grão-Mestres,
Valorosos e amados Irmãos, em todos os vossos graus,
Dou-lhes as boas-vindas aos nossos trabalhos rituais por ocasião da Convenção das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. É com grande satisfação que recebo os senhores, as delegações internacionais vindas de todo o mundo e os Irmãos das Grandes Lojas-membro sob o teto da VGLvD, para este evento.
Esta convenção é um sinal da estreita ligação que mantemos com as Grandes Lojas que reconhecemos. Aguardo com entusiasmo o aprofundamento dessas boas relações.
Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, tomo a liberdade de estender um pouco mais estas palavras de boas-vindas. Na Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, algo singular foi alcançado em nossa fraternidade global. Sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, reunimos cinco Grandes Lojas-membro, diversas em suas estruturas, rituais e costumes. O renascimento da Maçonaria na Alemanha teve início em 19 de junho de 1949. Contudo, nossa tradição remonta à fundação da primeira Grande Loja regular em 13 de setembro de 1740, em Berlim.
Em retrospecto, pode-se afirmar que a história da Maçonaria na Alemanha está longe de ser comum. Isso também se reflete na história da fundação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Foram necessários mais de trinta anos para que a Maçonaria regular na Alemanha se unisse sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Sem a ajuda das Grandes Lojas europeias, provavelmente não teria sido possível preservar a diversidade da Maçonaria na Alemanha.
Cito:
“Em grata lembrança da ajuda fraternal concedida no verão de 1957 pelos Grão-Mestres europeus reunidos em Londres à Maçonaria alemã, para sua unificação final em uma fraternidade dentro de uma ordem nacional comum, em reconhecimento à disposição demonstrada e declarada não apenas de participar, mas também de resolver amigavelmente questões aparentemente insolúveis, as duas Grandes Lojas fundadoras:
Grande Loja Unida dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha
e a Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha
apresentaram a seguinte CARTA MAGNA, não apenas às suas fraternidades, mas também às Grandes Lojas amigas.”
(Fim da citação)
Nossa história singular e, em particular, a grande solidariedade fraternal das Grandes Lojas europeias no período pós-guerra formam a base da estreita ligação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha com as Grandes Lojas da Europa. A partir dessa ligação, é natural moldar ativamente a fraternidade europeia e global.
Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, sinto-me comprometido com essa estreita ligação.
Infelizmente, foi apenas após a reunificação, em 3 de outubro de 1990, que pudemos levar a Luz maçônica ao leste da Alemanha.
Isso quanto a um fragmento da história maçônica alemã. Voltemo-nos agora ao presente.
A Maçonaria na Alemanha, assim como a Maçonaria na Europa, enfrenta novos desafios. As sociedades estão mudando. Elas não mudam apenas porque as pessoas mudam — o que se poderia chamar de evolução —, mas porque vivemos uma revolução tecnológica global sem precedentes. Isso contribui significativamente para esse processo. Teremos de lidar com temas que jamais estiveram em nossa agenda anteriormente.
Nossa fraternidade sempre prosperou quando a sociedade mudou. Durante tais processos, os valores fundamentais da sociedade foram abalados. Existem inúmeros exemplos disso.
Atualmente, estamos vivenciando uma mudança social fundamental. Há uma tentativa de alterar valores centrais. Muito se torna arbitrário; aquilo que ontem era importante e correto é hoje questionado. Cada um de nós conhece inúmeros exemplos.
O populismo de direita, exibindo seus traços anti-humanistas, firmou-se em nossa sociedade. Isso já não são apenas ruídos de fundo. Isso me preocupa profundamente, pois não se trata apenas de um fenômeno alemão, mas europeu. Como maçons, devemos estar vigilantes.
Estou convencido de que, em um processo de mudança social sob as condições atuais, as pessoas, diante de grande incerteza, buscam pontos de ancoragem para sua orientação de valores. Nós valorizamos e nos comprometemos com nossa tradição de 300 anos. Antigos landmarks e valores são nossos pontos de ancoragem. Isso é importante e correto.
No entanto, não podemos evitar que nossa fraternidade se envolva com as transformações da sociedade. Envolver-se com as mudanças não significa abandonar aquilo que se mostrou válido. Nesse contexto, gostaria de enfatizar que a Maçonaria na Alemanha, sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, é uma fraternidade, uma irmandade!
Em uma fase como esta de mudanças sociais, nossa fraternidade tem as melhores oportunidades para dialogar com homens de boa reputação. A Maçonaria na Alemanha e na Europa não deve se esconder atrás de sua tradição de 300 anos. Com essa tradição, temos os melhores pressupostos para oferecer respostas. Precisamos utilizá-los.
Cada Grande Loja seguirá seu próprio caminho, com base em sua situação nacional, história e integração na sociedade. Isso é bom. Contudo, nós, os Grão-Mestres das Grandes Lojas da Europa, podemos trocar ideias de forma ainda mais estreita. Se nos aproximarmos mais e discutirmos juntos as questões do nosso tempo, encontraremos as respostas corretas.
Aguardo com expectativa esse caminho.
Michael Volkwein
Grão-Mestre da VGLvD
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