Se Getúlio Vargas foi o "Pai dos Pobres", Júlio de Castilhos (1860–1903) foi o "Pai do Pensamento Político Gaúcho". Ele é o arquiteto da estrutura de poder que permitiu ao Rio Grande do Sul projetar nomes como Vargas, Oswaldo Aranha e João Goulart para o cenário nacional.
Aqui estão os pontos fundamentais para entender quem ele foi e por que ele importa:
1. O Patriarca do Rio Grande
Castilhos foi o principal líder do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). Ele governou o estado em dois períodos (1891 e 1893–1898), mas sua influência foi muito além dos seus mandatos. Ele estabeleceu uma hegemonia política no Rio Grande do Sul que durou quase 40 anos, conhecida como o "Castilhismo".
2. A Constituição de 1891 (RS)
Enquanto o resto do Brasil adotava uma democracia liberal (no papel) após a Proclamação da República, Castilhos escreveu uma Constituição específica para o Rio Grande do Sul que era única:
Presidencialismo Forte: O governador (chamado de "Presidente do Estado") tinha poderes quase absolutos.
Desprezo pelo Legislativo: Para Castilhos, o parlamento era um lugar de discussões vazias. O Executivo deveria decidir e agir.
Eficiência Administrativa: Foco total na ordem, no equilíbrio das contas públicas e no progresso material.
3. A Ideologia: O Positivismo
A base do pensamento de Castilhos era o Positivismo de Auguste Comte. Ele acreditava que a sociedade deveria ser governada por uma "ditadura científica" ou esclarecida, onde o líder guia o povo rumo ao progresso, evitando o caos das disputas partidárias.
É daqui que vem o lema da bandeira do Brasil: "Ordem e Progresso". No Rio Grande do Sul, Castilhos levou isso ao pé da letra, criando um Estado técnico e burocratizado.
4. Conflitos e a Revolução Federalista
O estilo centralizador de Castilhos não passou sem resistência. Ele foi o pivô da Revolução Federalista (1893–1895), uma guerra civil sangrenta entre os "Pica-paus" (seguidores de Castilhos) e os "Maragatos" (oposição que queria mais parlamentarismo e menos poder central). Foi um dos conflitos mais violentos da história do Brasil, famoso pela prática da degola de prisioneiros.
5. O Mentor de Getúlio Vargas
Júlio de Castilhos morreu jovem, aos 43 anos, mas deixou "herdeiros" políticos. O principal deles foi Borges de Medeiros, que governou o estado por décadas e foi o mentor direto de Getúlio Vargas.
Vargas pegou o modelo de Castilhos (Estado forte, intervenção na economia e modernização técnica) e o aplicou em escala nacional durante o Estado Novo.
Resumindo: Sem Júlio de Castilhos, não existiria o fenômeno Getúlio Vargas. Castilhos criou a "máquina" política e a ideologia que Vargas usaria para mudar o Brasil em 1930m
Fonte: Mateando curiosidade #tusabiatche
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