fevereiro 01, 2026

MAÇONARIA DE OFÍCIO OU OPERATIVA - Paulo Roberto Pinto



É a temática onde são lembradas as associações de artesãos que foram criadas na Idade Média, sendo instituídas para a preservação da Arte Real, entre os mestres construtores do continente europeu.

Associações de artesãos voltados à arte de construir, já existiam templos mais antigos, particularmente no Egito faraônico e na Mesopotâmia (exemplo, a Babilônia). Careciam, elas, todavia, de organização e do senso de coletividade e de fraternidade, que seriam o elixir dos agrupamentos medievais.

A primeira associação organizada e orientada por sólidos estatutos foi a dos “Collegia Fabrorum” romanos, criados no século VI a.C., provavelmente pelo imperador Numa Pompílio. Essas organizações, que apresentavam forte caráter religioso, fornecendo, ao trabalho, o cunho sagrado de um culto às divindades, eram, a princípio, politeístas, tornando-se, posteriormente, monoteístas. Os “collegiati” atuavam em todo o vasto império romano, acompanhando, inclusive, os legionários conquistadores, para reconstruir as cidades arrasadas pelas guerras. Com a queda do Império Romano do Ocidente, elas entraram em decadência, subsistindo pequenos grupos, em algumas províncias, como os “magister comacini” – Mestres de Como.

Sucedendo aos “collegiati”, apareceram, no século VII da era cristã, as Associações Monásticas, formadas, exclusivamente por clérigos. Construtoras de Igrejas e de conventos, essas associações eram originárias, principalmente, do reino dos godos (de onde se originou o estilo gótico, característico de muitas construções medievais).

No século XI surgiram as Confrarias, organizações que, embora constituídas por mestres leigos, sofriam uma enorme influência do clero, do qual aprenderam (através das associações monásticas) a arte da arquitetura e o cunho religioso atribuído aos trabalhos.

Quase na mesma época, no século XII, começaram a florescer as Guildas, características principalmente dos germânicos; elas eram, originalmente, entidades simplesmente religiosas, passando, a partir do século XII, a formar corpos profissionais. Às guildas deve-se o uso da palavra Loja, para designar uma corporação maçônica; a palavra surgiu à primeira vez em um documento das guildas, no ano de 1292.

Depois do século XII, iriam aparecer os Ofícios Francos (também denominados de franca-Maçonaria), formados por grupos privilegiados de artesãos, desligados dos feudos, das obrigações e imposições do poder real e com liberdade de movimentação; esses grupos, dedicados, principalmente, à arte de construir, tinham os seus privilégios concedidos pelo clero (muito forte, na época), sendo totalmente submissos à Igreja e apegados a princípios religiosos.

Na Idade Média, a palavra “franco” designava não só o que era livre, em oposição ao que era servil, mas também, todos os indivíduos ou todos os bens que escapavam à servidão e aos direitos senhoriais.

Essa Maçonaria de Ofício foi o germe inicial da moderna Maçonaria, onde os homens não são construtores por profissão, mas construtores, simbolicamente, do templo moral e social da humanidade, segundo a própria definição de Maçonaria.



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