Sobre o possível sentido e significado das colunas, duas questões principais se nos colocam:
1. Porque lhes foi dado um nome?
2. Quais os seus possíveis significados?
Quanto à primeira questão, parece ter sido costume entre os povos do Médio Oriente dar nome aos objetos sagrados.
Assim, os Babilónicos, consta que, em comum com as nações suas vizinhas, tinham o costume de atribuir nomes significativos e, de certa forma, sagrados aos seus edifícios.
Da mesma forma está escrito que, para comemorar a vitória dos israelitas sobre Amaleque, “Moisés edificou um altar e lhe chamou Adoninissi [o Senhor é minha bandeira]”.
Dessa maneira estabelece-se que, de fato as Duas Colunas não eram somente objectos decorativos ou funcionais, mas também objectos sagrados por causa dos nomes peculiares que lhes foram dados.
Quanto à segunda questão, o seu significado tem sido interpretado quer etimológica, quer simbolicamente.
Assim, na tradução grega da Bíblia, a Versão dos Setenta, os dois nomes em Crónicas, são traduzidos por palavras que significam “força” e “direito”.
A Bíblia de Genebra traduzia Jachin por “firmar” e Boaz por “em força”, mas Lionel Vibert critica a tradução e afirma que o certo seria “Ele firmará” e “N’Ele há força”.
Pelo menos dois autores entendem que Salomão ergueu as Duas Colunas como monumento comemorativo das promessas feitas pelo Senhor ao seu pai David.
E que lhe foram repetidas numa visão, em que a voz do Senhor proclamou: ‘então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre’.
A mesma promessa é feita num sonho ao profeta Natã: ‘Vai, e diz a meu servo David: Assim diz o Senhor… Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre…’.
Assim a palavra Jachin deriva da palavra Jah, que significa “Jeová”, enquanto que achir significa “firmar” e quer dizer que “Deus firmará a sua casa de Israel”.
Boaz, da mesma forma se comporá de B, que significa “em” e oaz, que significa “força”, dando se ao todo o significado de “em força ela será firmada”.
Entretanto o hábito de dar uma interpretação moral aos nomes das Duas Colunas não é uma invenção maçónica.
Já no Século XVII um Teólogo Puritano se manifestou escrevendo que essas colunas foram erguidas “para notar que foi Deus quem lhe deu o poder e o domínio sobre todas aquelas nações, e cumpria a promessa feita a Moisés e ao seu povo de Israel”.
“Os topos das colunas eram curiosamente adornados: para mostrar que os que persistem, constantes, até ao fim serão coroados.
O trabalho de lírios [simbolizava] o Emblema da Inocência, Romãs o da produtividade, havendo muitas sementes num pomo: a Coroa deles lhes declarará a Glória…”..
Em consonância com o costume, já mencionado, de os antigos hebreus darem nomes significativos aos objectos sagrados, os estudiosos modernos da Bíblia concordam em que os nomes das Duas Colunas devem ser enigmáticos.
Além do mais, que eles devem ter um significado religioso; as colunas têm nome porque são objectos sagrados.
Procurando o possível significado desses nomes, obviamente enigmáticos, e “examinando em seguida o Salmo, que dizem haver Salomão cantado ao concluir-se o templo, notamos que duas das frases notáveis nele são:
_Para a ‘firmação’ do sol em sua gloriosa mansão no céu, e…
_Para a ‘casa grande’ ou templo em que Iavé habitaria para sempre”.
Assim como as duas colunas do grande templo de Tiro eram símbolos gémeos de Melcarte, o deus de Tiro, assim também, com grande probabilidade as duas colunas erguidas pelo mestre Tírio [Hirão], defronte do Templo de Salomão, deviam ser símbolos de Jeová, o Deus de Israel.
As Duas colunas são elas mesmas designações de Jeová.
Quanto ao seu significado, provavelmente a melhor explicação dos dois nomes é a da Enciclopédia Judaica:
_“Jachin” (“Ele firmará”), e
_“Boaz” (“Nele está a força”).
Explanação análoga nos é dada pela Bíblia de Genebra e por Bede, e foi este o significado que, no dia da minha iniciação, na instrução do aprendiz, me comunicaram teria a Palavra Sagrada: “Em Força”.
Fonte: A∴ R∴ – R∴L∴M∴A∴D∴ (Junho de 5997)

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