março 31, 2026

MACONARIA: RAZÃO E INTUIÇÃO - Luís Carlos M.'.M.'. (Revisão Sidnei Godinho)



Nós, seres humanos, por natureza temos necessidade de explicações. 

Precisamos entender a nós mesmos, compreender os outros e o mundo em que vivemos. 

Desta necessidade nasceu a ciência, e das aplicações dela se originou a tecnologia.

Entretanto, há outros domínios da nossa existência que não podem ser explicados pela ciência. 

Neles a tecnologia não atua, ou não age do modo objetivo, concreto e eficaz com que opera no lado mecânico e concreto do nosso viver. 

Este imenso âmbito inclui os sentimentos, emoções, intuição e a subjectividade.

Como mostra a experiência, esse lado não pode ser explicado de modo objetivo: precisa ser compreendido, e para isso de pouco ou nada valem a eficácia e a exatidão da ciência e da tecnologia. 

A região intuitiva e subjetiva do nosso existir não pode ser simplesmente negada e afastada. 

Ela não deixa de fazer parte das nossas vidas por meio dessa atitude. 

Ao contrário: quanto mais negamos os nossos sentimentos, emoções e subjectividade, mais sofremos em consequência disso.

O lado racional e objetivo e a parte intuitiva e subjetiva da condição humana precisam estar juntos. 

Não podem viver divididos, afastados, como se um, nada tivesse a ver com o outro. 

Precisam conviver, complementar-se, fertilizar-se mutuamente. 

Um deve buscar no outro o equilíbrio que perdeu pela divisão e pelo afastamento.

Nas nossas sociedades atuais, e delas não se exclui a Sublime Instituição Maçónica, privilegia-se o conhecimento científico e as suas aplicações – as tecnologias. 

No outro polo – e postas num plano secundário -, estão as humanas, isto é, os estudos (que incluem a filosofia, simbologia, a literatura e as demais artes) que visam a compreender o ser humano nos seus sentimentos, emoções e subjetividade.(Intuição) 

A tecnociência busca a clareza da explicação. 

As humanas buscam a subtileza da compreensão. 

Ambas, quando isoladas, são necessárias – mas insuficientes – para compreender e explicar a complexidade da vida e das sociedades humanas. 

Quando elas se complementam, tornam-se necessárias e bastantes.

"O que não pode ser explicado precisa ser compreendido."

Por isso o técnico- científico e o humano (intuitivo) precisam conviver, acolher-se um ao outro. 

O filósofo francês Albert Camus disse a mesma coisa de outro modo: 

“Se o mundo fosse claro, a arte não existiria”. 

Eis um dos pontos principais da Ética do Acolhimento Maçónico: ela tem muito de ciência, pois Maçonaria é uma ciência, mas também muito de arte (Intuição), visto ser, a Maçonaria, a Arte Real.

No entanto, se esta situação é mais ou menos fácil de ser descrita, é muito difícil de ser resolvida na prática. 

O excesso de objetividade e pragmatismo tende a reduzir o humano às suas necessidades e medidas, isto é, ao homem máquina.

A principal consequência disso é o quotidiano duro e frio de muitos dos ambientes em que ocorrem as ações de sociabilidade. (Inclusive nossas sessões) 

Gerou-se uma atmosfera pesada, permeada por um mal-estar que atinge a todos e a todos embrutece.

• Se admitirmos uma Maçonaria débil no presente, não se pretenda que é a Instituição que sofreu regressão, mas os homens, de presença efémera na Sublime Ordem, que deixaram de estar à altura da Arte Real.

*A Maçonaria que se fala e se pratica no mundo, só fala em mudança de processos, e não de mentalidades.*

O que pretendemos propor não é uma mudança apenas para tornar diferente, pelo contrário, senão vejamos: a vida das organizações está mudando radicalmente; a vida é outra dentro das empresas e do mercado

Isto significa mais do que mudar simplesmente processos, mudar tecnologia e metodologia. 

É, portanto, necessário dar ênfase e criar um novo jeito de pensar, sentir e viver Maçonaria. 



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