Nós, seres humanos, por natureza temos necessidade de explicações.
Precisamos entender a nós mesmos, compreender os outros e o mundo em que vivemos.
Desta necessidade nasceu a ciência, e das aplicações dela se originou a tecnologia.
Entretanto, há outros domínios da nossa existência que não podem ser explicados pela ciência.
Neles a tecnologia não atua, ou não age do modo objetivo, concreto e eficaz com que opera no lado mecânico e concreto do nosso viver.
Este imenso âmbito inclui os sentimentos, emoções, intuição e a subjectividade.
Como mostra a experiência, esse lado não pode ser explicado de modo objetivo: precisa ser compreendido, e para isso de pouco ou nada valem a eficácia e a exatidão da ciência e da tecnologia.
A região intuitiva e subjetiva do nosso existir não pode ser simplesmente negada e afastada.
Ela não deixa de fazer parte das nossas vidas por meio dessa atitude.
Ao contrário: quanto mais negamos os nossos sentimentos, emoções e subjectividade, mais sofremos em consequência disso.
O lado racional e objetivo e a parte intuitiva e subjetiva da condição humana precisam estar juntos.
Não podem viver divididos, afastados, como se um, nada tivesse a ver com o outro.
Precisam conviver, complementar-se, fertilizar-se mutuamente.
Um deve buscar no outro o equilíbrio que perdeu pela divisão e pelo afastamento.
Nas nossas sociedades atuais, e delas não se exclui a Sublime Instituição Maçónica, privilegia-se o conhecimento científico e as suas aplicações – as tecnologias.
No outro polo – e postas num plano secundário -, estão as humanas, isto é, os estudos (que incluem a filosofia, simbologia, a literatura e as demais artes) que visam a compreender o ser humano nos seus sentimentos, emoções e subjetividade.(Intuição)
A tecnociência busca a clareza da explicação.
As humanas buscam a subtileza da compreensão.
Ambas, quando isoladas, são necessárias – mas insuficientes – para compreender e explicar a complexidade da vida e das sociedades humanas.
Quando elas se complementam, tornam-se necessárias e bastantes.
"O que não pode ser explicado precisa ser compreendido."
Por isso o técnico- científico e o humano (intuitivo) precisam conviver, acolher-se um ao outro.
O filósofo francês Albert Camus disse a mesma coisa de outro modo:
“Se o mundo fosse claro, a arte não existiria”.
Eis um dos pontos principais da Ética do Acolhimento Maçónico: ela tem muito de ciência, pois Maçonaria é uma ciência, mas também muito de arte (Intuição), visto ser, a Maçonaria, a Arte Real.
No entanto, se esta situação é mais ou menos fácil de ser descrita, é muito difícil de ser resolvida na prática.
O excesso de objetividade e pragmatismo tende a reduzir o humano às suas necessidades e medidas, isto é, ao homem máquina.
A principal consequência disso é o quotidiano duro e frio de muitos dos ambientes em que ocorrem as ações de sociabilidade. (Inclusive nossas sessões)
Gerou-se uma atmosfera pesada, permeada por um mal-estar que atinge a todos e a todos embrutece.
• Se admitirmos uma Maçonaria débil no presente, não se pretenda que é a Instituição que sofreu regressão, mas os homens, de presença efémera na Sublime Ordem, que deixaram de estar à altura da Arte Real.
*A Maçonaria que se fala e se pratica no mundo, só fala em mudança de processos, e não de mentalidades.*
O que pretendemos propor não é uma mudança apenas para tornar diferente, pelo contrário, senão vejamos: a vida das organizações está mudando radicalmente; a vida é outra dentro das empresas e do mercado
Isto significa mais do que mudar simplesmente processos, mudar tecnologia e metodologia.
É, portanto, necessário dar ênfase e criar um novo jeito de pensar, sentir e viver Maçonaria.
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