"Os Protocolos dos Sábios de Sião" é uma daquelas obras que mudaram o mundo. Só que pra pior. Não surgiu do nada, mas algo desenvolvido com base em jornais antissemitas do final do século XIX, plagiando elementos de outra obra, "Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", de Maurice Joly (1829-1878).
Trata-se de uma adaptação do romance histórico e ficcional "Biarritz" (1868), de Hermann Goedsche, jornalista alemão antissemita, que também odiava a Inglaterra e a Democracia, e falsificava documentos para incriminar lideranças democráticas (217).
Em resumo, a obra relata uma conspiração judaico-maçônica para dominar o mundo. Ela foi publicada no jornal Znamya, de São Petersburgo, Rússia, entre agosto e setembro de 1903. A versão russa teria sido elaborada por Sergei Nilus.
Essa publicação não seria a única em solo russo e a obra serviria de referência para que a Maçonaria russa fosse fechada, no princípio da revolução bolchevique, em 1922.
Naquela década de 20, muitos jornais sérios da Europa e dos Estados Unidos denunciaram a fraude da obra, apontando os plágios e inconsistências da teoria apresentada, em vão. Pessoas e até editores antissemitas já se nutriam da obra. Como poderia ser mentira, se eles concordavam e apreciavam cada palavra?
Na mesma época, a obra já havia sido incorporada entre as referências bibliográficas nazistas, na Alemanha, o que levaria, na década seguinte, ao fechamento das potências, prisão de maçons em campos de concentração, saqueamento das lojas e surgimento de propaganda antimaçônica, incluindo filmes, na Alemanha Nazista (219).
E no Brasil de Getúlio Vargas, não seria diferente. Gustavo Barroso, então Presidente da Academia Brasileira de Letras e líder intelectual da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista que crescia no país, tratou de traduzir e publicar a obra. A partir dela, o chefe da milícia integralista, Mourão Filho, desenvolveu o Plano Cohen, usado por militares integralistas para ordenar o fechamento da Maçonaria brasileira e instaurar a Ditadura Varguista, em novembro de 1937. A fraude somente seria revelada em 1945 (220).
Assim, seja na Rússia, na Europa Continental ou no Brasil, essa obra fictícia foi usada para enganar a população, perseguir inocentes, ferir a Democracia e atacar a Maçonaria. Ela ainda é publicada e comercializada em vários países, como Brasil e EUA, especialmente em países árabes, desde a criação do moderno Estado de Israel.
*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(211) COOPER, R. The Red Triangle: A History of Anti-Masonry. London: Lewis Masonic, 2011.
(218) Idem, Ibidem.
(219) KARG, B.; YOUNG, J. K. O Livro Completo dos Maçons. São Paulo: Madras, 2012.
(220) ISMAIL, K. Maçonaria Brasileira: a história ocultada - Vol. I. Brasília: No Esquadro, 2021.
(221) HODAPP, C. Maçonaria para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015, p. 81.
Fonte: *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*
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