Em março de 1769, uma cerimônia incomum aconteceu nos arredores de Londres: um homem foi iniciado na Maçonaria dentro dos muros de uma prisão. Tratava-se de John Wilkes, jornalista e político radical, conhecido por seus ataques ferozes ao rei George III e ao governo britânico. Na época, Wilkes cumpria pena de 22 meses na Prisão do Banco do Rei, condenado por difamação sediciosa e blasfêmia após a publicação do polêmico exemplar nº 45 de seu jornal The North Briton.
Apesar das regras maçônicas proibirem reuniões em prisões, membros da Loja Jerusalem Tavern nº 44 obtiveram uma autorização especial do Grão-Mestre Adjunto, datada de 2 de fevereiro de 1769, e realizaram a iniciação de Wilkes na própria cela em 3 de março. O evento foi noticiado por publicações da época, como a Gentleman's Magazine (impressa na própria Jerusalem Tavern) e o Lloyd's Evening Post, que chegaram a publicar uma carta do Venerável da Loja confirmando a cerimônia. Curiosamente, o livro de atas da Loja não registra o local da reunião, o que alimentou debates históricos sobre a veracidade do evento.
A iniciação de Wilkes teve forte tom político. Ocorreu poucos dias após a fundação da Sociedade dos Cavalheiros Apoiadores da Carta de Direitos (20 de fevereiro de 1769), grupo criado para defender sua causa e do qual faziam parte vários maçons influentes, incluindo George Bellas e John Churchill, que foram iniciados junto com Wilkes naquela noite. Mais tarde, Wilkes abandonou o radicalismo, tornou-se Lord Mayor de Londres (Prefeito) (1774-1775) e magistrado, morrendo em sua cama aos 72 anos em Grosvenor Square.
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Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA

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