Há um momento curioso na vida em que a gente descobre que os amigos passam a ser quase uma espécie de remédio. Não vêm em comprimidos, não têm bula, não exigem receita médica mas fazem um bem danado.
Na juventude, o convívio social acontece quase por gravidade. Escola, trabalho, filhos pequenos, encontros improvisados. A vida empurra as pessoas umas para as outras. Já com o passar dos anos, especialmente na chamada melhor idade, é preciso fazer um pequeno esforço consciente para manter esse círculo vivo. E vale cada minuto investido nisso.
*Um jantar entre amigos, por exemplo, raramente é apenas um jantar.* *É um verdadeiro laboratório de memórias e risadas. *Alguém lembra de uma história antiga, outro exagera um pouco nos detalhes como sempre acontece e de repente todos estão rindo como se tivessem vinte anos novamente.* O prato esfria, a conversa esquenta, e a noite fica curta.
As festas em grupo também têm esse poder quase terapêutico. *Não importa se é um aniversário simples, um churrasco de domingo ou uma reunião improvisada. O que se compartilha ali não é apenas comida ou música, mas um pedaço da própria vida.* Cada um chega trazendo suas histórias, suas pequenas vitórias, às vezes suas preocupações. E curiosamente, quando tudo isso se mistura, a carga parece ficar mais leve.
Há também aqueles encontros que envolvem movimento: uma caminhada em grupo, uma pedalada, um jogo de tênis ou mesmo uma aula coletiva de alguma atividade física. O corpo se movimenta, mas quem realmente agradece é o cérebro. A mente se mantém desperta, curiosa, ativa. Conversa-se antes, durante e depois. Muitas vezes o exercício acaba sendo apenas o pretexto para o verdadeiro objetivo: estar junto.
A ciência hoje confirma aquilo que a sabedoria da vida sempre soube. O convívio social . Mantém a cognição viva, melhora o humor e protege contra a solidão silenciosa que às vezes tenta se instalar com o passar dos anos. Mas, para além das pesquisas e estatísticas, há algo mais simples e mais bonito: a sensação de pertencimento.
Porque no fundo, envelhecer bem não é apenas acumular anos. É continuar acumulando encontros. E talvez um dos grandes segredos da longevidade esteja justamente nisso: manter a agenda com alguns compromisso que não aparecem em exames de laboratório, mas que fazem um enorme bem à alma, um jantar marcado, um passeio combinado, um grupo de amigos esperando.
*Afinal, a vida pode até ser individual no nascimento e na despedida, mas no intervalo entre os dois momentos ela foi feita para ser compartilhada.
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