abril 07, 2026

COMO PORTUGAL SALVOU A EUROPA - Daniel Pedro

 




O ano era 622 d.C. Maomé deixa Meca para Medina, iniciando oficialmente o calendário islâmico. Após sua morte, em 632, os exércitos árabes iniciam um processo de expansão veloz. Em poucas décadas conquistaram o Oriente Médio, avançaram por toda a costa do Norte da África e, em 711, atravessaram o Estreito de Gibraltar, iniciando a conquista da Península Ibérica. Em menos de dez anos, quase toda a região estava sob domínio muçulmano.

Jerusalém havia sido tomada em 638, mataram, peserguiram, impuseram impostos (jizya) e restrições aos cristãos. Destruiram locais sagrados e proibiam visitas.

Após quase cinco séculos de presença islâmica, a Europa reagiu. Em 1095, no Concílio de Clermont, o Papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada para recuperar Jerusalém e defender os cristãos do Oriente. Nesse período surgem os Templários, e se fortalece o processo que levaria à formação dos reinos cristãos modernos, entre eles Portugal.

A tensão entre cristandade e islamismo tornou-se uma constante até os dias atuais, marcada por batalhas, reconquistas e resistência cultural.

No século XIV, porém, a Europa sofreu: a Peste Negra (1347–1351), que matou quase metade da população do continente. Nesse cenário fragilizado, crescia o temor do avanço do Império Otomano, que se expandia pelos Bálcãs e ameaçava o controle europeu do Mediterrâneo, então a principal rota comercial entre Ocidente e Oriente.

Portugal, entretanto, não se abalou. Em 1415, sob o comando do rei D. João I, conquistaram Ceuta, um importante entreposto muçulmano no Estreito de Gibraltar, que servia como base de corsários e como ponto estratégico do comércio norte-africano. A conquista não tinha a importância econômica dos grandes portos mediterrâneos, mas representou um grande marco militar.

Então chegou o acontecimento mais temido pelos europeus: a queda de Constantinopla em 1453. O Império Otomano, sob Mehmet II, destruiu as muralhas da última grande capital romana e colocou fim ao mundo bizantino, instalando-se como potência dominante no Leste do Mediterrâneo. A Europa entrou em crise: rotas comerciais foram interrompidas, os preços subiram, e a ameaça otomana parecia irreversível.

Mas Portugal não permaneceu imóvel.

Os infantes D. Henrique e D. Pedro impulsionaram a exploração atlântica e a busca por uma nova rota para as Índias, contornando a África pelo Cabo da Boa esperança, uma alternativa segura ao controle muçulmano no Mediterrâneo. Após décadas de expedições, em 1498, Vasco da Gama alcançou finalmente a Índia por mar.

Mas os reinos muçulmanos do Índico não viram com bons olhos a chegada cristã. Frotas árabes, egípcias e aliadas ao sultanato de Guzerate tentaram impedir o estabelecimento português na região.

Foi um erro fatal.

Em 1509, na Batalha de Diu, o vice-rei português Francisco de Almeida, com apenas 18 navios, enfrentou e destruiu completamente a coalizão naval muçulmana, de 217 navios, composta por egípcios mamelucos, guzerates, turcos e otomanos. A vitória portuguesa deu início à hegemonia europeia no Oceano Índico e marcou o declínio da influência naval islâmica no Oriente.

A partir dali, o Império Otomano nunca mais teria condições de dominar as rotas globais de comércio e continuar sua dominação mundial.

A Europa se reergueu, em grande parte graças à ousadia marítima de Portugal. Um País pequeno, com poucos recursos e com pouco mais de 1 milhão de habitantes.

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