Quem está familiarizado com a filosofia de Aristóteles, sabe o que significa o termo Enteléquia e certamente não vai estranhar a razão de termos feito a introdução deste estudo sobre o simbolismo maçónico com este conceito.
Este termo designa a energia que o Criador concedeu a todos os seres da natureza para levá-la à sua forma mais perfeita.
Formada pelo prefixo *EN* (o que está dentro), o substantivo *TÉLOS* (objectivo, realização, acabamento) e o radical do verbo *ÉKHÔ*, (trago em mim, possuo), o vocábulo grego *ENTÉLÉKHÉIA* significa:
• 'A qualidade do ser que tem em si mesmo a capacidade de promover o seu próprio desenvolvimento."
No ser humano pode ser entendida como a força que o leva a enriquecer o espírito através da aquisição do conhecimento e também a capacidade que o organismo humano tem de promover o seu próprio desenvolvimento em termos físicos.
O que é Enteléquia
Como se pode intuir, este é um termo que já de inicio inspira uma série de especulações, tanto no campo das realidades físicas quanto espirituais.
Grosso modo, diríamos que Enteléquia pode ser considerada como algo análogo ao nosso DNA, que na estrutura biológica determina a conformação física que ele poderá adquirir na sua história de Vida.
Enteléquia é, pois, o princípio da vida.
Em todas as formas do ser. (física ou espiritual).
Enteléquia é a potência que o move para o seu fim e o realiza como parte constitutiva do todo universal.
Em qualquer elemento da natureza, seja mineral, vegetal ou animal, existe este “programa” único, original e fundamental que o dirige e o conforma para uma finalidade pré-determinada pelo Grande Princípio que rege a formação das realidades universais.
E por consequência preside igualmente as realizações do espírito, conduzindo o homem à plenitude da sua arte, da sua técnica ou ciência e das suas virtudes éticas e morais.
A Maçonaria e a Enteléquia
Também é pela energia da Enteléquia que o organismo do doente recupera o seu equilíbrio natural, reconduzindo-o à saúde; e no terreno das realidades espirituais é o que leva o iniciado, o recipiendário das verdades iniciáticas, à luz da iluminação.
De uma forma geral, o espírito humano tem despendido muita energia na tarefa de descobrir qual é o princípio que rege a vida do universo.
Os cientistas o procuram no infinitamente pequeno, estudando a estrutura e o comportamento das mais ínfimas partículas da matéria física.
Os espiritualistas o perseguem nas relações que a nossa mente estabelece com o mundo das realidades subtis.
Mas de qualquer forma, todo conhecimento é visto como resultado da busca deste Tesouro Arcano, que embora oculto ao vulgo, se manifesta nas realizações de todos os seres da natureza e se desvela aos puros de coração, que o buscam não com finalidades egoístas, mas com verdadeiro ideal de espírito.
• Cremos não estar a dizer nenhum impropério se afirmarmos que todo Maçom, ao ser iniciado nos Augustos Mistérios da Arte Real, está na verdade penetrando no Reino de Enteléquia.
Mas para poder usufruir de todas as belezas que este reino concentra será necessário que ele se dispa das suas roupagens críticas e da sua armadura lógica.
Nele há de viajar somente com o seu espírito, sua intuição, sua crença em quem o conduz vendado.
Pois tudo neste novo mundo é metáfora, símbolo, alegoria, analogia, enfim, estruturas arquetípicas que estão na base do Inconsciente Coletivo da Humanidade e são trazidos para o mundo das nossas realidades quotidianas através desses artifícios linguísticos.
E nelas, estas estruturas transformam-se em crenças, mitos, lendas, alegorias e outros folclores que a nossa mente utiliza, para traduzir em linguagem aquilo que só a sabedoria do espírito consegue entender.
Como faziam os nossos antigos irmãos alquimistas, os verdadeiros maçons também andam em busca da sua pedra filosofal.
Da mesma forma que na antiga Arte dos Adeptos, são poucos o que a encontram.
Mas isto não quer dizer que ela não exista.
Vamos procurá-la nas estruturas arquetípicas da mente humana, uma das quais, a maçonaria, é um verdadeiro arsenal de referências simbólicas que nos liga a este Princípio fundamental da nossa vida individual e corporativa.
..."Há mais coisas entre os Céus e a Terra do que sonha nossa vã Filosofia"...
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