*Amostras do asteroide Ryugu contêm todos os componentes básicos do DNA e do RNA, reforçando as teorias sobre a origem da vida*
Todos os ingredientes essenciais para a formação do DNA e do RNA que sustentam a vida na Terra foram descobertos em amostras coletadas do asteroide Ryugu, disseram cientistas japoneses.
*A descoberta surge após a detecção desses componentes básicos da vida em outro asteroide chamado Bennu, sugerindo que eles são abundantes em todo o sistema solar.*
Uma teoria antiga é que a vida começou na Terra quando asteroides carregando elementos fundamentais colidiram com o nosso planeta há muito tempo.
Os asteroides que atravessam o nosso sistema solar oferecem aos cientistas uma rara oportunidade de estudar essa possibilidade.
Em 2014, a espaçonave japonesa Hayabusa-2 foi lançada em uma missão de 300 milhões de quilômetros (185 milhões de milhas) para pousar em Ryugu, um asteroide com 900 metros de diâmetro (2.950 pés de largura).
A sonda conseguiu coletar com sucesso duas amostras de rochas, pesando 5,4 gramas (menos de um quinto de onça) cada, e trazê-las de volta à Terra em 2020.
Pesquisas realizadas em 2023 mostraram que essas amostras continham uracila, que é uma das quatro bases que compõem o RNA.
Embora o DNA, a famosa dupla hélice, funcione como um modelo genético, o RNA de cadeia simples é um mensageiro essencial, convertendo as instruções contidas no DNA para sua implementação.
Na segunda-feira, um novo estudo realizado por uma equipe japonesa de pesquisadores e publicado na revista Nature Astronomy demonstrou que as amostras continham todas as " nucleobases " tanto do DNA quanto do RNA.
Esses compostos incluíam uracila, bem como adenina, guanina, citosina e timina.
Isso "não significa que existia vida em Ryugu", disse à AFP o autor principal do estudo, Toshiki Koga.
"Em vez disso, a presença deles indica que asteroides primitivos poderiam produzir e preservar moléculas importantes para a química relacionada à origem da vida", acrescentou o bioquímico da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre.
Segundo o estudo, a descoberta também "demonstra sua presença generalizada em todo o sistema solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o estoque químico pré-biótico da Terra primitiva".
César Menor Salvan, um astrobiólogo da Universidade de Alcalá, na Espanha, que não participou da pesquisa, enfatizou que "esses resultados não sugerem que a origem da vida tenha ocorrido no espaço".
No entanto, "com isso e com os resultados de Bennu, temos uma ideia muito clara de quais materiais orgânicos podem se formar em condições pré-bióticas em qualquer lugar do universo", acrescentou.
Descoberta "única" de amônia
No ano passado, os mesmos componentes básicos foram encontrados em fragmentos trazidos à Terra pela NASA do asteroide Bennu.
Os cientistas também detectaram a presença deles nos meteoritos Orgueil e Murchison, que faziam parte de asteroides que caíram na Terra.
Para a nova pesquisa, a equipe japonesa comparou a quantidade de cada nucleobase detectada nessas diferentes rochas espaciais, descobrindo que as quantidades variavam dependendo de sua história.
Eles também identificaram uma correlação entre as proporções dos componentes básicos e a concentração de outra substância química importante para a vida: a amônia.
"Como nenhum mecanismo de formação conhecido prevê tal relação, essa descoberta pode apontar para uma via até então desconhecida de formação de nucleobases em materiais do início do sistema solar", disse Toshiki Koga.
Morgan Cable, cientista da Universidade Victoria de Wellington que não participou da pesquisa, classificou essa descoberta em particular como "única.
Essa descoberta tem implicações importantes sobre como moléculas biologicamente importantes podem ter se formado originalmente e promovido a gênese da vida na Terra", disse ela.
*Artigo completo com ressalvas./Canaã ufo news.*

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