janeiro 06, 2021

NUNCA DESISTA DE SEU FILHO



Encontramos cada vez mais frequentemente nas famílias aquele jovem de cabelos caídos sobre os olhos, calças largas com o fundo na altura dos joelhos, camisa folgada e o olhar voltado para o chão. Num estranho paradoxo, ao tempo em que não quer ser notado, chama atenção pela forma de se vestir e se comportar.

Afinal de contas, como entendê-los? Como se aproximar desse jovem que tenta se isolar do mundo embora se movimente em meio aos demais familiares?

Ele quase não fala. Emite monossílabos, afirmando ou negando, quando questionado sobre algum assunto que lhe diz respeito.
 
Embora difíceis de entender e de amar, são jovens que de alguma forma estão pedindo socorro, desejam que alguém os ajude a sair da concha na qual se colocaram na tentativa de fugir da realidade.
 
Apesar da situação difícil, os pais conscientes não deixam de semear no solo da inteligência deles e esperam que um dia suas sementes germinem.
 
Durante a espera pode haver desolação, mas, se as sementes são boas, um dia germinarão, mesmo que os filhos tomem o caminho das drogas, desrespeitem a vida e não parem em emprego algum.
 
Talvez alguns pais estejam vivendo uma situação dessas.
 
Seus filhos estão vivendo profundas crises. Eles recusam um tratamento e são indiferentes às lágrimas das pessoas que os amam.
 
O que fazer, então? Desistir deles? Certamente não, mas comportar-se como o pai do filho pródigo.
 
O filho desistiu do pai, mas o pai nunca desistiu do filho.
 
O filho partiu, mas o pai aguardou. O pai esperava diariamente que ele aprendesse na escola da vida as lições que não aprendeu com seus conselhos amorosos.
 
Por fim, a grande vitória. A dor rompeu a casca das sementes que o pai plantou e lapidou silenciosamente a personalidade do filho.
 
Ele voltou. Adquiriu profundas cicatrizes na alma, mas estava mais maduro e experiente. O pai não condenou o filho injusto, mas fez-lhe uma grande festa.
 
Ninguém compreendeu. Mas não é necessário, pois o amor é incompreensível.
 
Seguindo o exemplo do pai do filho pródigo, citado na parábola, jamais deveremos abandonar a batalha da educação.
 
Podemos chorar, mas jamais desanimar. Podemos nos ferir, mas jamais deixar de lutar.
 
Devemos ver o que ninguém vê. Enxergar um tesouro soterrado nas rústicas pedras do coração dos nossos filhos indiferentes.

Nunca desista de seu filho!
 
Quanto mais rebelde, mais necessita do seu aconchego.
 
É sempre bom lembrar que sob essa aura de rebeldia do jovem ou do adolescente, tem uma criança frágil pedindo socorro.
 
Se os pais desistirem dele, quem lhe dará atenção e carinho?
 
Quem irá recebê-lo quando, um dia, açoitado pelas tempestades da vida ele retornar, sofrido, com profundas cicatrizes na alma, mas ainda menino?
 
Sim, aquele menino que um dia você segurou nos braços com tanta ternura...
 
Pense nisso, e nunca desista de seu filho

janeiro 05, 2021

O QUE OLHA O OLHO QUE TUDO VÊ

 



Do antigo Egito, muito antes de os autores do Antigo Testamento escrevessem suas primeiras linhas. O olho que tudo vê, é principalmente o Olho de Hórus, também chamado de Olho Oujdat (completo). Vamos dar uma olhada na história.

Enciumado com de seu irmão, Seth mata Osíris a quem decepa em pedaços; mas Isis, a esposa do Faraó, consegue restaurar seu corpo e devolver-lhe a vida, em tempo de conceber Hórus. Mais tarde, durante uma luta pelo poder, Seth arranca o olho esquerdo de Hórus. Daí a intervenção do deus Thoth para restaurar a integridade física do filho de Osíris.

O olho de Hórus tornou-se assim o símbolo da vitória do bem sobre o mal – que Seth representa. Os egípcios o representavam por um desenho estilizado misturando o olho do falcão e o olho humano. Símbolo da vida, da integridade, da sorte, da vitória da luz sobre as trevas, o Olho de Hórus aparece em medalhões, esculturas, pinturas em todo o Egito antigo; ele define a natureza sagrada do faraó. Para ter uma melhor visão do mar, os marinheiros o pintam na proa de seus barcos.

Se os judeus ignoraram Hórus e seu olho mítico, não se interessando a não ser nos “olhos do Eterno sobre os justos” (Salmo 34), os gregos fazem do filho de Osíris o deus criança Harpócrates, com virtudes tão numerosas quanto indefinidas. Os cristãos, por sua vez, deixarão passar os séculos antes de associar com um mesmo grafismo um triângulo e um olho que tudo vê, então dito Onisciente.

Foi durante o período medieval, especialmente no século XVII, que este símbolo foi introduzido nas catedrais e outros edifícios religiosos da Igreja Católica Romana; ele está, portanto, presente nas catedrais de Aix-la-Chapelle e Chartres; na igreja Saint-Roch em Paris, ou na Capela Real de Versalhes. Sob uma forma muito diferente daquela do olho de Hórus; trata-se de um triângulo equilátero contendo um olho sem cílios ou pálpebras, olhando nos olhos do observador. Nuvens, raios de luz destacam a ilustração.

O triângulo é como se fosse um símbolo da Trindade, o olho é o do Ser Supremo observando sua criação. Diante do crente, o triângulo mostra a porta da Jerusalém Celestial e a comunhão do homem com seu Deus.

Quando se pensa do olho que tudo vê, não se pode deixar de pensar as últimas linhas de um poema de Victor Hugo (A Consciência) relatando os últimos momentos de Caim, o assassino de seu irmão:

Quando ele estava sentado em sua cadeira na sombra

E que se fechou sobre sua fronte o subterrâneo,

O olho estava no túmulo e encarava Caim.

Note-se que em um uso secular, o pintor Jean-Jacques Le Barbier colocou – em 1789 – um delta luminoso contendo o olho que tudo vê em sua ilustração da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, entre a Monarquia, que detém as cadeias quebradas de tirania, e o Gênio da Nação, que carrega o cetro do poder.

• Para mais informações consulte: O Dicionário de Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (R. Laffont, 1969), bem como qualquer livro escolar sobre o Egito antigo.

© Guy Chassagnard – chassagnard@orange.net- Todos os direitos reservados

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