fevereiro 27, 2021

A EXPRESSÃO MAÇÔNICA: "DO MEIO-DIA À MEIA-NOITE"

       

        


Os rituais de Lojas Simbólicas do REAA trazem, na abertura e no encerramento dos trabalhos  perguntas acerca do horário de trabalho do Maçom. A resposta é de se trabalha do meio-dia,até a meia-noite. Mas o que significa trabalhar do Meio-Dia à Meia-Noite?

        A Maçonaria, na sua passagem de Operativa para Especulativa atraiu intelectuais de diversas correntes de pensamentos, que agregaram elementos místicos e ocultistas tirados da Bíblia, da Cabala, do hermetismo, da Ordem  Rosacruz (Amorc), da astrologia e de antigas religiões e processos iniciáticos. Por conta disso, algumas palavras, expressões e frases têm a sua lógica interpretada de acordo com as doutrinas e o simbolismo das ciências ocultas de que tanto se utilizou a Maçonaria entre os séculos XVIII e XIX.

        No caso “Do Meio-Dia à Meia-Noite”, a citação não deve ser interpretada no seu sentido literal, mas observado o seu sentido simbólico. Ragon, citado por Boucher (2000), aponta para a astrologia a explicação para a significação esotérica dessa expressão.

        A astrologia, segundo ele, da mesma forma em que divide o ano em 12 meses (ou signos), também divide o dia em 12 casas astrais. Cada uma dessas casas possui um caráter determinado. Nesse sistema o Meio-Dia corresponde à 10ª casa. O pôr do Sol está representado pela 7ª casa e a Meia-Noite à 4ª casa.

        Ragon explica que ao Meio-Dia o Sol sai da 10ª casa (a casa dos negócios e da situação social) para voltar à 9ª casa (da religião e do impulso espiritual). Portanto, ao serem abertos os trabalhos de caráter filosófico, abandona-se a 10ª casa, indo para a anterior, que tem a essência da religião e das questões espirituais.cDepois da 9ª casa, o Sol atravessa a 8ª - a da morte, da desagregação do antigo e do nascimento em um plano superior. Os astrólogos deram e esta parte do céu o sentido da ‘INICIAÇÃO’. 

        Depois vem a 7ª casa, a do amor não físico, da dedicação e da vida social. A 6ª casa é a do serviço. A passagem da 7ª casa para a 6ª casa é interpretada como o indício de que o Maçom não espera recompensa da sua ação social, mas que se prepara para encontrar os espinhos da 6ª casa. Daí nasce a criação, síntese da 5ª casa, depois da qual o ciclo termina pela 4ª casa, cujo sentido principal é o fim das coisas.

        Esta fórmula ritualística resume a evolução iniciática, lembrando que cada parte do dia possui uma influência real sobre o ser humano. Na tradição chinesa, a Escola de Zoroastro considera que do “Meio-Dia à Meia-Noite”, quando cresce a influência subjetiva do Sol, é o período mais indicado para o estudo e o desenvolvimento intelectual e espiritual do ser humano. Os estudiosos do Zoroastrismo consideravam o período do Meio-Dia à Meia-Noite propício às coisas do espírito.

        Possivelmente por conta dessa particularidade a Maçonaria resolveu colocar os seus obreiros para, simbolicamente, trabalharem durante esse período.Mas há também a interpretação de que o Meio-Dia é o momento em que há mais luz e a Meia-Noite é o período de maior escuridão.O início dos trabalhos ao Meio-Dia significa a hora em que o Sol encontra-se no Zênite, na plenitude do seu poder luminoso, significando dizer que o homem está capacitado a trabalhar pelos seus semelhantes.

        O encerramento dos trabalhos à Meia-Noite significa dizer a hora em que a luz do dia já não se faz presente, por o Sol estar no Nadir. É a hora em que não se pode mais atuar eficazmente sobre os obreiros.    Gedalge (2000) sugere que é preciso ver nessas horas de trabalho o simbolismo do malho batendo sobre o cinzel, no desbaste da pedra bruta, quando realizamos a árdua tarefa de lapidar os nossos próprios defeitos e imperfeições, procurando melhorar o nosso Templo interior e produzir em abundância sentimentos como a fraternidade, carinho, amor, compreensão, verdade, tolerância, harmonia e desapego às coisas materiais, para podermos distribuí-los não apenas no universo maçônico, mas também no mundo profano, entre nossos filhos, amigos, familiares, colegas de trabalho e vizinhos.

        Não poderemos repartir essas virtudes se não as praticarmos e não as produzirmos em grandes quantidades.Quem pouco produz, pouco tem a oferecer, a repartir. É preciso ser solidário. Por meio desse sentimento, os Maçons se unem a outros Irmãos, com os quais, a cada dia, do Meio-Dia à Meia-Noite, trabalham material e espiritualmente para cavar masmorras aos vícios, construir a paz e erguer Templos de virtudes e de fraternidade.

fevereiro 26, 2021

A IMPORTÂNCIA DA FREQUÊNCIA MAÇÔNICA


Walter Lima M.'.M.'.

Responsabilidade é a qualidade ou condição de responsável. Sabe-se que responsável é aquele que responde pelos próprios atos ou, pelos de outrem.  Responsabilidade moral é a situação de um agente consciente, com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 

Uma das responsabilidades mais importantes de um Maçom é a frequência à Loja. Trata-se de uma responsabilidade que tem amparo legal e, também, moral. 

Frequência é o ato de frequentar. Em física, frequência significa número de vibrações por unidade de tempo. Frequentar uma Loja causa, realmente, vibrações positivas em nós e em nossos Irmãos.

A frequência deve ser observada não somente como uma questão de quorum, ou um problema legal, mas, sobretudo, como a forma mais eficaz para nos conhecermos melhor, uns aos outros, e nos aproximarmos. 

Quando de nossa iniciação, a primeira preleção, feita pelo Venerável Mestre, fala da fidelidade que deve ser exemplificada por uma estrita observância das Constituições, Regimento, Estatutos e demais normas do GOB e da própria Loja. 

Também, nesta preleção, o V.’. M.’. fala da obediência que deve ser provada por uma estrita observância de nossas leis e regulamentos, por uma atenção pronta a todas as convocações, além de uma pronta observância das decisões e resoluções aprovadas em Loja.

As leis e regulamentos falam da necessidade de frequência. As convocações às nossas sessões são, em geral, semanais e uma das importantes resoluções aprovadas é o calendário da Loja, que deve ser observado. O Regulamento Geral da Federação trata da frequência em Loja .Tratam, também, de quando o Maçom se torna irregular por não ter frequência.

Nos altos graus, disposições análogas devem ser observadas se não estiverem previstas em regulamentos próprios. Porém, muito mais importante que leis e regulamentos é o inflexível cumprimento do dever: nossa consciência e nossos compromissos e promessas obrigam-nos à frequência. 

Quando a Loja não abre por falta de quórum, a responsabilidade, definida no princípio, é de todos: não somente dos faltosos ou do Venerável Mestre.Todos nós somos responsáveis pelo bom funcionamento da Loja. Quando algum Obreiro necessita faltar, por justa causa, deve procurar algum Mestre amigo que o substitua, ou avisar a todos, para que todos se responsabilizem pela existência de quorum. Por isso, somos Irmãos fraternos, nos auxiliando uns aos outros. 

Como palavras finais: nós somos construtores (“maçons”, pedreiros) sociais; somos obreiros, cabeças pensantes, pessoas com diferentes formações, opiniões diferentes e, brevemente, seremos mais. Contudo, vivemos numa fraternidade tolerante, respeitamos as ideias, eventualmente, diferentes.

Convergimos em algumas virtudes que adotamos conjuntamente, a exemplo da tolerância e, especialmente, da responsabilidade objeto deste ensaio. A participação responsável de todos fortalece a nossa Loja que busca, insistentemente, a realização do trabalho justo e perfeito de construir nosso templo interior.


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