maio 07, 2021

ANTROPOMORFISMO E METÁFORAS




Antropomorfismo é a atribuição de características ou aspectos humanos a Divindade, como essa representação do Criador na Capela Sixtina. A terminologia da Cabala e de uma maneira geral das religiões  é altamente antropomórfica.

Os termos são apreendidos de conceitos humanos e do mundo material. A razão é que esses são os únicos tipos de palavras que o homem entende. Os conceitos espaço-temporais são impostos sobre a mente do homem que vive em um mundo espaço-temporal.

É por esse motivo que a Bíblia e os livros que se referem às religiões fazem uso de linguagem antropomórfica. Pois se eles se limitassem a termos e conceitos apropriados a divindade nós não entenderíamos nem os termos nem os conceitos. 

As palavras e ideias empregadas devem ser  adaptadas para a capacidade mental do ouvinte de modo que o assunto penetre primeiro em sua mente, no sentido corpóreo em que os termos concretos são compreendidos. Só então se pode avançar para tentar um entendimento em que a apresentação é apenas aproximada, metafórica. 

O pensador sagaz fará um esforço para remover os significados materialistas da essência e elevará o seu entendimento passo a passo até  alcançar o máximo de conhecimento da verdade que o seu intelecto for capaz de apreender.

É necessário ter sempre em mente que os termos e conceitos precisam ser despojados de conotações temporais, espaciais e corpóreas. Nenhuma noção ou conceito antropomórfico pode ser imputável à Divindade. Mas deve-se notar que a terminologia antropomórfica empregada nos Escritos Sagrados, nos rituais maçônicos e em outros, não é arbitrária. De fato, esses termos são cuidadosamente escolhidos e possuem um significado profundo.

Os escritos cabalísticos e místicos estão repletos de referências à ideia de que o mundo inferior, em geral, e o homem em particular, foram criados à "imagem" do "mundo superior". Todas as categorias que podem ser encontradas no mundo inferior e no homem são representações homônimas e alusões a determinados conceitos e noções sublimes a que eles correspondem.

Certamente não há qualquer semelhança entre Deus e a criação, e nos níveis supremos do plano estritamente espiritual não há coisas tais como olhos, ouvidos, mãos e assim por diante, nem atividades e sensações tais como ouvir, ver, andar, falar e assim por diante.

No entanto, todas essas atividades e conceitos espaço-temporais simbolizam  as categorias originais supremas puramente espirituais. por meio da seguinte analogia: escrever o nome de uma pessoa em um pedaço de papel certamente não cria semelhança, conexão ou relação entre as letras ou palavras escritas no papel e a pessoa que teve o nome anotado. Mesmo assim, essa escrita é um símbolo ou sinal que tem relação com aquela pessoa, trazendo à lembrança e denotando toda a sua entidade concreta. 

O mesmo se dá em relação aos conceitos e termos antropomórficos: Embora não haja nenhuma conexão concreta ou direta nem semelhança entre eles e os significados que procuram expressar, mesmo assim eles são os sinais e símbolos correspondentes que se relacionam e denotam categorias, noções e conceitos específicos que têm natureza estritamente espiritual, não espacial e não temporal. É dessa maneira, portanto, que a terminologia antropomórfica deve ser entendida.


BRINCANDO COM AS PALAVRAS - MATRIX - Newton Agrella



Newton Agrella é escritor, tradutor e palestrante. Um dos mais respeitados estudiosos da maçonaria no Brasil.


Originária do Latim, a palavra MATRIX, derivou-se do vocábulo  MATER que significa "mãe", "matriz".

No tocante à MATRIZ a relação que se faz com esse termo nos dá conta sobre o lugar onde alguma coisa se gera ou se cria; isto é, a fonte de origem.

É claro que ao longo do exercício da linguagem e no seu curso de expansão de significados, MATRIZ, ganhou como figura de construção gramatical, significado jurídico, matemático, científico e também religioso.

Por outro lado, MATRIX não é somente título de filme, mas antes de tudo, um substantivo muito utilizado no jargão da Filosofia que se referec a uma simulação que elabora um mundo imaginário em que o ser humano é um  prisioneiro da realidade, muito mais como a Caverna de Platão. 

As sombras ou imagens que os presos vêem no muro são tudo o que os presos sabem do mundo exterior.

Observe como é interessante a confluência semântica que se forma a partir da relação íntima destas palavras, mas que de algum modo, acabam seguindo seu próprio destino e protagonismo.

MATER, mãe, útero

MATRIZ, fonte

MATRIX, Simulação do Mundo Imaginário

Todas conversam entre si.

Estabelecem uma profunda relação de coexistência no interior de cada um de nós.

Elas habitam em nós !!!

As três obedecem critérios éticos e morais que se traduzem como elementos para nossa construção íntima.

MATER, nossa referência de vida e o ventre para o qual nos refugiamos e buscamos abrigo.

MATRIZ, como o centro de conexão entre a nossa Alma, Corpo e Espírito, que sintetizam o ser humano.

MATRIX, o exercício dialético entre o Mundo Interior e o Mundo Exterior, que guarnece o sutil exercício da consciência.

Fim do jogo e chega de brincadeira.