maio 24, 2021

INSONDÁVEL- Newton Agrella

 


Newton Agrella é escritor, tradutor e palestrante. Um dos mais notáveis intelectuais da maçonaria no país. 


Um pouco de História, sempre faz bem à saúde, sobretudo à saúde mental e intelectual.

Em 1966 o falecido jornalista Sérgio Porto, que se valia do pseudônimo de "Stanislaw Ponte Preta"  - cronista perspicaz, escreveu a canção   Samba do Crioulo Doido, que se constituia numa sátira que ironizava a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas-enredo somente fatos históricos.

Ao longo do tempo a expressão ganhou um qualificativo semântico, tornando-se uma analogia para se  referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo, a invenções, celebrações e interpretações descabidas que pudessem ensejar e dar uma espécie de consistência real a um mundo imaginário.

Dessa mesma forma, esse Samba do Crioulo Doido foi gradativamente invadindo continentes e áreas indevidas diante do que se queria propagar.  

Infelizmente, esse expediente, sem qualquer legitimidade no campo da Filosofia, das Ciências Iniciáticas, das Doutrinas Dialéticas e do próprio Simbolismo Intelectual, especialmente aqui no Brasil, insiste em se instalar, e através de mecanismos abusivos e obtusos se irrompe sem qualquer cerimônia naquilo que deveria ser preservado com todo esmero e cuidado.

É dessa forma que instituições sérias de natureza especulativa, caráter acadêmico, filosófico e cultural vão perdendo sua identidade, força e beleza.

Algo como se as Colunas J e B tivessem que se sustentar em dobro...

Maçonaria não é mero objeto de vídeos institucionais e de inócuas mensagens de auto ajuda ou de auto promoção.

Muito pelo contrário, a Sublime Ordem pugna pelo incansável exercício da Evolução humana, explorando positivamente todas as potencialidades hominais, tendo como cenário a prática da Virtude e da busca pelo Conhecimento através do Trabalho Árduo, do Estudo, e da Pesquisa subvencionados pelo Espírito Crítico e da Razão.

Toda e qualquer manifestação proselitista, seja no campo religioso, político, doutrinário ou ideologista, sempre encontrará um revés na Sublime Ordem.


maio 23, 2021

PEDREIROS X MAÇONS OPERATIVOS - Almir Cruz




Para que se possa bem compreender o que se segue, é importante lembrar que a palavra Maçom vem do inglês Mason e do francês Maçon, todas significando Pedreiro.

Mas faço aqui distinção entre Pedreiro e Maçom Operativo.

Nem todo Pedreiro era um Maçom Operativo, mas todo Maçom Operativo era Pedreiro.

Ou seja, os Maçons Operativos eram pedreiros profissionais dedicados a construção de edificações, mas com o diferencial de estarem congregados em uma corporação do ofício, com suas histórias lendárias, fundamentos morais e obrigações, com seus segredos profissionais.

Com o passar do tempo, com a decadência dessas corporações, passaram a admitir pessoas não profissionais, os “Aceitos”, que, tornando-se maioria, deram origem à Maçonaria Especulativa, de “Pedreiros” construtores de seu Eu e da Sociedade.

Ora, os Pedreiros surgiram muito antes de qualquer tipo de organização operária e, portanto, não havia uma Maçonaria.

Segundo os registros bíblicos, depois de expulso do Éden, Caim se uniu a Lebuda, gerando Enoque (Gênesis 4:17), que ensinou os homens a talhar a pedra, reunir-se em sociedade e construir seus edifícios.

Foi, então, o primeiro Maçom?

Não!

Foi o primeiro Pedreiro! 

Depois o ofício de pedreiro foi se disseminando e temos a construção bíblica da Torre de Babel (Gênesis 11:9), evidentemente construída por Pedreiros.

Maçons?

Não!

Pedreiros. 

E as monumentais pirâmides egípcias, que sobrevivem até os nossos dias, foram construídas por Maçons?

Não!

Por pedreiros! 

E chegamos a construção do Templo de Salomão, por Fenícios da cidade-estado de Tiro, por um acordo entre o rei Salomão e o Rei Hiram. Esses fenícios eram Maçons?

Não!

Pedreiros. 

Passamos para os construtores de palácios e templos da antiga Grécia. Eram Maçons?

Não!

Pedreiros. 

Nas Américas, Maias, Incas e Astecas construíram templos e pirâmides.

Eram Maçons?

Não!

Pedreiros! 

Em Roma surgem as primeiras organizações de Pedreiros, os Collegia artificum e os Collegia fabrorum, criados por Numa Pompilio.

Eram Maçons?

Não!

E as organizações eram Maçonaria?

Não! 

Chegamos então à Idade Média, em que a sociedade era feudal e criam-se as corporações de ofício de artesãos e de certas profissões, como as de alfaiates, chapeleiros, carpinteiros, cuteleiros, ferreiros, sapateiros, seleiros, lenhadores e pedreiros, entre outros.

Invariavelmente, essas corporações possuíam seus segredos profissionais e praticavam rituais de recepção de calouros, de cunho mais ou menos espiritual, em que se mesclavam práticas vulgares, por vezes obscenas, grosseiras e com paródias de ritos religiosos.

Sendo certo que não há como se comparar essas práticas com as dos pedreiros, verdadeiros Maçons Operativos, a quem o conhecimento da Geometria lhes conferia um enobrecimento intelectual.

Além disso, ao que se saiba, a única corporação que tinha o privilégio de circular livremente entre os diversos feudos era a dos Pedreiros (Maçons Operativos), daí a denominação Freemason em inglês e Franc-Maçom em francês, pois seus principais clientes eram a nobreza e a Igreja, para a construção de castelos, palácios, templos e catedrais.

Sobreviveram desse período medieval alguns manuscritos com os estatutos dessas diversas corporações operárias, daí se conhecer algumas de suas práticas. 

No caso dos Pedreiros (Maçons Operativos), esses manuscritos são denominados tecnicamente pela Maçonaria Especulativa de Old Charges, Antigas Obrigações, Antigos Deveres, Antigas Constituições ou Constituições Góticas.

Muitas dessas práticas sobreviveram a transformação da Maçonaria Operativa em Maçonaria Especulativa.

Com a decadência das corporações de ofício, os Maçons Operativos passaram a admitir pessoas dissociadas da arte de construir, os “Aceitos”, sobretudo nobres, militares e antiquários e, com o advento do Iluminismo, intelectuais, místicos, alquimistas, etc, que passaram a ser predominantes nas Lojas operativas.

Finalmente, em 1717, com a reunião de 4 Lojas de Londres, formou-se a Grande Loja de Londres, marco da definitiva transformação da Maçonaria Operativa em Maçonaria Especulativa, a Maçonaria que conhecemos atualmente.

Bom dia meus irmãos.


Almir Cruz M.'.M.'.