maio 25, 2021

A COMISSÃO DE SINDICÂNCIA - Marco Antônio Perottoni




Marco Antônio Perottoni é membro das Lojas Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas e ARLS Cônego Antônio das Mercês de Porto Alegre, RS



Sabemos que a maçonaria é uma sociedade que se iniciou em tempos passados, que muito se tem discutido e pesquisado para se chegar as suas reais origens, e que vem sobrevivendo por séculos, apesar das constantes mudanças ocorridas em nosso mundo.


Esta sobrevivência vem sendo garantida pela constante renovação de seus membros, que mantêm seus segredos mais carismáticos. Rituais, fundamentos e segredos vêm sendo transmitidos de geração para geração num ritual de confiança e fraternidade.


Sendo uma sociedade iniciática, tem o dever de primar pela escolha de seus futuros membros e que darão continuidade à sua perpetuidade.


Se necessitamos de membros ativos e conscientes para perpetuá-la para as próximas gerações, é necessário que sejamos muito criteriosos nas escolhas de futuros Obreiros e que esta tarefa seja entregue a quem efetivamente tenha as qualidades necessárias para o fiel cumprimento da mesma. 


Sem nenhuma dúvida a futuro de nossa Ordem está diretamente ligado a escolha e análise das indicações feitas por seus atuais Obreiros e que fica associada aos padrões éticos-morais e intelectuais dos mesmos, principalmente os padrões éticos.


De todos os trabalhos maçônicos destaca-se, em minha visão, um muito especial e, até diria, extraordinário, em cujo desempenho o maçom há de movimentar-se, tanto no interior do Templo e especialmente fora dele, no mundo profano, que é a “SINDICÂNCIA”.


É, como dissemos, um trabalho especial que muito honra e dignifica o Irmão encarregado do seu desempenho, uma vez que tem excepcional importância para a construção das bases de progresso de uma Loja.


É uma incumbência de grande vulto e estrita consideração para o e com o Irmão escolhido pelo Venerável Mestre.


Não estamos sendo nenhum pouco originais quando dizemos que, quando encarregados de fazermos uma “SINDICÂNCIA”, deveremos ser minuciosos e severos no exame dos candidatos, pois é de nosso desempenho na busca das respostas dos quesitos que vamos gerar o convencimento dos demais Irmãos, na admissão de um profano em nossa Ordem.


Quando estamos examinando um candidato temos que examinar muito mais do que as características indicadas pelo proponente e que giram em torno de boa convivência social, trabalhador, de moral reconhecida e honestidade.





Sem dúvidas são características necessárias para ser aprovado, mas perguntamos, são as únicas? Com toda a certeza temos outros valores e qualidades que têm que ser avaliadas, tais como ética, justiça, sabedoria, inteligência, liderança, perseverança e caridade. 


Quanto mais e precisas as informações que trazemos para a Sindicância, muito menos possibilidades de errarmos na escolha de um novo membro para a Ordem. 


Como vemos, o momento mais importante de um processo de iniciação de um novo integrante da Ordem, é a “SINDICÂNCIA”. É neste momento que será montado o verdadeiro perfil, com os valores e qualidades, do profano.


O Sindicante não pode, jamais, atuar com desleixo nesta atividade, não pode deixar-se levar por afinidades pessoais ou se preocupar em contrariar ou não o Mestre que fez a indicação ou qualquer membro da Loja. Se existirem problemas com o Profano estes devem ser levados ao conhecimento da Assembleia.


Num clube social uma campanha de “mais um” o que interessa é o número. Na Maçonaria, onde os princípios e finalidades são outros, bem diferentes devem ser os processos de admissão deste “mais um”. O que conta, em nossa Ordem, é a qualidade e jamais a quantidade dos candidatos.


Como atingir este objetivo?


Esta seleção, sempre procurada, é conseguida a contento através das “SINDICÂNCIAS” bem elaboradas e levadas a efeito pelos Irmãos escolhidos pelo Venerável Mestre e que prezam a distinção que lhe é dispensada ao serem selecionados para executarem honroso trabalho.


Em razão disso, a “SINDICÂNCIA” assume grau de importância imprescindível para o bom andamento das propostas de iniciação e a garantia de bons resultados nos trabalhos, dai a deferência especialíssima da Loja para com o Irmão que for escolhido como Sindicante.


Ao contrário, àqueles que não apreciam, no devido valor, a enorme importância e responsabilidade dessa missão, ou não estão dispostos há consumir um tempo em benefício do progresso de sua Loja, fornecendo uma informação consistente e exata, é preferível que não aceitem tão honroso encargo, devendo, delicada e honestamente, rejeitar essa missão, porque uma boa “SINDICÂNCIA” deve ser isenta de qualquer resquício de obrigatoriedade, protecionismo, sem nenhum indício de optatividade e traçada com o intuito de iluminar os Irmãos que irão tomar parte da decisão que dela, a “SINDICÂNCIA”, advir.


O Venerável Mestre elege para tão valiosa e nobre tarefa a Irmãos que lhe merecem respeito, consideração e a mais absoluta confiança. Estes formarão a Comissão de Sindicância, confidencial, pois só o é e deve permanecer do conhecimento do Venerável Mestre portanto desconhecida dos demais Irmãos da Loja.




É importante afirmar que o Sindicante deve agir com a máxima lisura e honestidade, jamais utilizando esta condição para constranger ou buscar favores ou Benefícios pessoais em função da condição do Sindicado e deixando de lado qualquer relação com credo, raça ou ideologias nos seus questionamentos ou julgamentos.


Não é por se eleger uma Comissão de Sindicância que os demais Obreiros da Oficina deixam de ter responsabilidade na admissão dos candidatos, pois são tacitamente havidos como sindicantes aditivos ou complementares, que tendo conhecimento de algum fato que venha em benefício ou em desabono do candidato têm o dever de comunicar à Loja.


DA DEVOLUÇÃO DA SINDICÂNCIA


O meio mais discreto de fazer retornar a “SINDICÂNCIA” às mãos do Venerável Mestre, a não ser a entrega direta, é o Saco de Propostas e Informações.


Há o prazo regulamentar que deve ser observado na íntegra, e se encontra estipulado no Regulamento Geral do GORGS, que determina como sendo de quinze dias, após o recebimento da mesma pelo sindicante. Este prazo, entendemos, poderá ser prorrogado por mais um período, a critério do Venerável Mestre, mediante solicitação por parte do sindicante.


É importante que nos conscientizemos da relevância das informações e da honra que nos é deferida no momento que passamos a fazer parte de uma Comissão de Sindicância, pois de nosso desempenho depende, em muito, o progresso de nossa Loja. Lutemos por sindicâncias feitas com qualidade, esclarecedoras e que efetivamente ajudem na decisão da Loja.


Para finalizar, transcrevo um trecho de LUIZ PRADO, cujo livro “ROTEIRO MAÇÔNICO PARA O QUARTO DE HORA DE ESTUDOS” inspirou o desenvolvimento desta peça de arquitetura, e que diz o seguinte sobre o sindicante:


“É a própria Loja curiosa de saber o que ocorre com os candidatos. Seu mister de garimpagem maçônica assemelha-se aos cuidados empregados na escolha das “pedras” preciosas e diamantes embrionários que, tarde ou cedo, irão ser transmutados por meio da lapidação, no caso o processo de iniciação”.



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maio 24, 2021

A POBREZA INTELECTUAL NA MAÇONARIA- Dr. Dario A. Baggieri



Amados irmãos , debatendo em uma loja de estudos maçônicos, pelo ZOOM, virtualmente, com mais 75 irmãos referências em suas Lojas e membros  das Três Potencias regularmente reconhecidas no Brasil sobre o TEMA : ” A POBREZA INTELECTUAL QUE GRASSA NO INTERIOR DA MAÇONARIA BRASILEIRA”.

Ficamos estarrecidos  com a constatação de vários irmãos preocupados com o sombrio futuro de nossa sublime instituição , caso não seja implementado um projeto de revitalização e de doutrinação em moldes planejados e de educação continuada, com quebra de paradigmas e filtragem mais criteriosa dos futuros membro da Ordem.

A Pobreza intelectual aqui ratificada, é a mente desprovida da verdade, do conhecimento de si e do alcance de seus pensamentos e ações.

A escolha deliberada em não conhecer as coisas mais importantes começa quando a mente rejeita todo e qualquer padrão que não seja ela mesma.

Ela vislumbra sua vida espiritual como algo que se edificou a si mesmo, que se construiu sozinho.

A rigor, a mente não pode “fazer” nada errado, pois é ela quem define o que é certo e errado.

Da mesma forma, ela não pode perdoar ou ser perdoada porque isso implicaria que existiria uma fonte e uma medida fora de si.

A pobreza intelectual é a verdadeira origem da pobreza material, filosófica, Teocrática e institucional.

Eis porque a sabedoria maçônica clássica sempre exorta que conheçamos a nós mesmos, que nos ordenemos por um padrão que não criamos.

Nossas mentes trabalham diuturnamente para distorcer a realidade e fazer com que ela se enquadre em nossas escolhas.

Platão dizia que a vida humana não é “séria”.

O homem é um “joguete” dos deuses.

Sua intenção não é nos denegrir, mas louvar nossas vidas por aquilo que são.

Não é “necessário” que existamos.

Mesmo assim, existimos.

Existimos por razões não fundadas no determinismo.

O fato de existirmos de maneira desnecessária expressa a mais profunda verdade sobre nós.

Existimos por escolha, por amor, pela liberdade fundada no que está para além da necessidade.

Significa que nossas vidas devem refletir essa desnecessidade, essa liberdade de sermos receptores de bens e graças das quais não somos a causa.

Após essa pequena dissertação supracitada, observamos que os céticos irmãos definem a Maçonaria como a “Instituição da perda de tempo, nos dias atuais”.

Os Paladinos da Ordem definem que A Pobreza intelectual da Maçonaria, não é sinônimo de marginalidade de ações construtivas individuais e coletivas, mas é o alimento de “intelectuais” canalhas, os profanos de aventais, os vaidosos arrogantes, os pombos arrulhantes que destilam e semeiam a discórdia em nossos Templos.

A pobreza maior do maçom  é a ausência de compromisso do que é fundamental para a vida humana, não somente para  a sua própria, mas também para a de seus irmãos maçons, além de para com a nossa existência, enquanto instituição eclética que somos.

Podemos  ser pobres materialmente falando e também culturalmente em termos acadêmicos.

Ela passa por todos os extratos sociais.

Muitas vezes apontamos como pobre só aquele que não tem o que comer ou que não tem condições de habitabilidade.

Essa é a pobreza mais visível.

Mas, no entanto, existe também outro tipo de pobreza e que passa também por aqueles que são economicamente mais favorecidos, os ricos, se assim quisermos falar, a POBREZA DE ESPÍRITO, essa é a pior que pode ocorrer dentro de um iniciado que recebeu a verdadeira luz. 

Um Irmão  participante  do debate definiu todo o processo  que estamos vivenciando hoje na Maçonaria com a seguinte frase:

A nossa maior pobreza intelectual não é a “pobreza econômica” e, sim, a “pobreza moral”.

Essa colocação deixou a todos estarrecidos, pois a primeira vista parece ser ofensiva, inapropriada  e que não teria sentido em uma reunião virtual daquele nível Constelar.

Em plena era cibernética, onde vemos o adiantado desenvolvimento das variadas faces da ciência, tais como telecomunicações, medicina, engenharia, etc... ainda persistem, em nossa sociedade discreta, A MAÇONARIA, práticas e comportamentos pouco dignos, controversos e antagônicos ao modelo moral proposto para nossa Sublime Instituição; sendo necessário a criação de novas leis para regular as relações sociais e defender direitos naturais.

O uso de “máscaras sociais” é a confissão íntima da nossa personalidade, ou seja, quando usamos as nossas várias “máscaras” para permearmos a sociedade, confessamos para nós mesmos que, nossa personalidade ainda está aquém daquela que nos foi colocada como modelo.

Confessamos para nós mesmos que não somos o que gostaríamos de ser, ou, pelo menos, não conseguimos ser o que nos foi ensinado, desta forma, “fabricamos”, aparências circunstanciais, efêmeras e transitórias, de comportamentos aceitos na vida maçônica, familiar e na comunidade onde vivemos. 

Nossos comportamentos, em verdade, ainda são marcados, de forma indelével, pelo egoísmo, muito embora, às vezes, não o notamos em nossa conduta social, por estarmos totalmente integrados – inconscientemente – em nosso próprio arquétipo evolutivo.

Ou seja o EGOCENTRISMO .

A Pobreza intelectual  é um Estado Moral.

Nunca me habituarei a ser pobre Moralmente Falando.

Chamo essa pobreza de  desamparo Interior.

Confundimos pobreza  moral com desamparo: pois têm o mesmo rosto.

Mas a pobreza é um estado moral, um sentido das coisas, uma forma de honestidade desnecessária.

Uma renúncia a participar no melhoramento global  do mundo, é isso a pobreza moral e intelectual para mim.

Talvez não por bondade , por ética ou por um qualquer ideal elevado, mas por incompetência  de partilhar o que de graça , nos brindou o Grande Arquiteto do Universo. 

Somos, nesse sentido, frades de uma ordem mendicante e talvez agonizante, clamando por um futuro diferente daquele que se anuncia e está se descortinando no horizonte, infelizmente para nossa amada e Sublime Instituição.

Para entrarmos no caminho do progresso moral é necessário que tenhamos em mente as modificações que teremos que fazer em nossas atitudes, em nossos sentimentos e em nossas obras para com o outro.

Se não houver renuncia dos nossos vícios materiais ou morais, não teremos condições de abrir a porta do progresso moral em nossa caminhada, porque só através da mudança verdadeira é que teremos a chave para realmente abrir a porta do progresso moral.

Quando buscamos nossa melhora, mudamos de atitude não pensamos mais de forma egoísta, traçamos o nosso desenvolvimento sempre pensando no desenvolvimento do outro.

Procure em você as modificações necessárias para começar o seu progresso moral, somente você poder corrigir as suas falhas.

Pensemos nisso hoje e sempre!!!!!

Bom dia meus irmãos. 

(Grupo de Estudos Maçônicos “Filhos de Hiram”)