julho 10, 2021

DO APRENDIZADO - Heitor Rodrigues Freire

 


Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis, advogado, past GM da GLEMS e atual presidente da Santa Casa de Campo Grande. Contribui regularmente com este blog

Quando se alcança a consciência a respeito do que verdadeiramente somos, ocorre, instantaneamente, uma libertação. Então acaba a insegurança, o medo e o sofrimento. 

E o que somos verdadeiramente? Somo filhos de Deus. Essa condição nos liberta, porque Deus é Pai. E um Pai realmente amoroso, que só quer o bem de seus filhos. Aí também aprendemos que nada acontece por acaso. Tudo decorre dos nossos próprios atos. E que estamos aqui para aprender, aprender, aprender.

Um aprendizado decisivo me foi proporcionado por meio do meu casamento com a Rosaria, e a partir daí ganhei uma mestra para sempre. Esse é um fato marcante e presente na minha vida ao longo destes maravilhosos 58 anos de convivência, companheirismo e solidariedade.

O alcance da consciência e o entendimento de que estamos aqui para aprender nos define um norte muito claro: na vida não há formatura, e a graduação suprema só acontecerá quando atingirmos a perfeição.

Assim, o aprendizado é contínuo. Várias, inúmeras encarnações serão necessárias para que a graduação se complete. Então, o que me cabe fazer é me dedicar ao aprendizado contínuo. Nesta encarnação não tem refresco. É trabalho permanente. Não aspiro a nenhum descanso nem aposentadoria.

Quando cheguei aos 69 anos, de repente, me deu a vontade de escrever. Hoje, decorridos 12 anos, já são mais de 600 artigos publicados, sempre um por semana. E sigo escrevendo, sempre, sem parar.

Aos meus 80 anos, circunstancialmente, decidimos, com a Rosaria, começar a produzir em casa chipa e sopa paraguaia para vender. Sou de origem guarani, nasci no Paraguai, do lado de lá da fronteira. Até então, eu não sabia nem fritar um ovo. Mas aprendi. Já faz um ano e pouco, e continuamos fazendo juntos a nossa chipa e a sopa.

Com 80 anos, coincidentemente, me vi também na contingência de assumir a presidência da Santa Casa de Campo Grande, um complexo hospitalar imenso, com orçamento anual em torno de 400 milhões de reais. Três mil e tantos funcionários. E uma dívida estratosférica. Como já sabia que sou filho de Deus, não tive a menor dúvida. Aceitei e assumi o compromisso. E contando com uma diretoria solidária e competente, estamos dando conta do recado. O nosso trabalho é totalmente voluntário, eu não recebo 1 centavo por isso, pelo contrário, eu ainda contribuo. Como associados, pagamos uma anuidade de 1.200 reais. O que vale é o ideal de servir.

Aprendi a ir na fonte. Sem ilusões nem desvios de propósito, sempre procurando aplicar a Lei de Uso, que determina que o conhecimento e a riqueza devem circular.

Aprendi a ter plena consciência sobre a transitoriedade da vida, o que me libertou da posse e do apego.

A evolução provoca ruptura porque gera mudança. E a mudança talvez seja, paradoxalmente, a característica mais constante da vida. Tudo muda e tudo se move (como diria Galileu). Heráclito já afirmava isso, literalmente, há mais de 2.500 anos: “A única coisa permanente é a mudança”. Compreender isso também é um sinal de evolução.

A vida é rica e plena de situações diferentes, e a cada momento há uma mudança. Lavoisier também mostrou que “na natureza nada se cria, nada se perde; tudo apenas se transforma”.

É interessante observar como hoje, infelizmente, a divergência política gera brigas, radicaliza posições, o fanatismo se faz presente e a discussão causa ruptura de amizades, de laços de parentesco, e provoca um choque de interesses. Camões já dizia: “Quando os interesses se chocam, cessa tudo o que a antiga musa canta”. Aprendi que isso nada acrescenta, muito pelo contrário.

A vida vai nos proporcionando mudança de estado etário, civil, social, profissional, filosófico e político, e isso deve ser motivo de reflexão para conscientemente aproveitarmos as diferentes situações e aprendermos as lições trazidas.

Parafraseando Francisco Otaviano, diplomata e poeta brasileiro:

“Quem passou pela vida

Em brancas nuvens, 

E em plácido repouso adormeceu,

Quem passou pela vida,

E não sofreu, [aprendeu, digo eu]

Só passou pela vida,

Não viveu!

Foi espectro de homem,

Não foi homem!”

Vamos viver com consciência, em paz e com amor, meus irmãos!


IRMÃO ÉGUA DE CIGANO - Pedro Jorge de Alcantara Albani






Ir Pedro Jorge de Alcântara ALBANI da Loja Maçônica Montanheses Livres e da Academia Maçônica de Letras de Juiz de Fora e Região


    A pandemia causada pelo coronavirus mudou nosso comportamento, nossa convivência, nosso jeito latino de viver, nos afastando dos abraços, dos saudosos apertos de mãos, as rodas de conversas, hoje esta convivência é exercidas pelas lives. 


    Mas sou das antigas e gosto de um bom bate papo, por isso o telefone é minha forma de matar a saudade e não deixar que o tempo exerça o afastamento dos amigos. 


Certa manhã lá estava ao telefone ligando para o meu amigo e irmão Adilson Zotovici do Oriente de São Bernardo do Campo. Ligar para ele é esquecer o andar dos ponteiros do relógio. Entre uma conversa e outra, entre assuntos profanos e maçônicos, surgiu à figura do IRMÃO ÉGUA DE CIGANO, que comparava um maçom que anda com o lado esquerdo do terno cheio de badulaque, misturando insígnias, medalhas, broches maçônicos e profanos, a uma égua que os ciganos enfeitam, para disfarçar a má qualidade do animal e ter melhor preço na venda. Esta comparação nos tirou verdadeiras gargalhadas e eu disse que conhecia uma estória de um IRMÃO ÉGUA DE CIGANO, que passei a narrar;


Com a assunção do novo Grão Mestre de um Grande Oriente qualquer, este listou os seus futuros Delegados, mas a vaidade, sempre ela, por mais que se combatam, ainda existe em alguns corações, que não foram totalmente lapidados. Pelos cantos vivem contestando as escolhas achando-se melhores preparados que os escolhidos;


Dentre eles o nosso personagem, que anda com um terno sob medida, do lado esquerdo todos os espaços são preenchidos com os mais variados "botons", um peito estufado, bem sucedido profissionalmente, achando que estas são as principais virtudes de um maçom, para ocupar um cargo;


Para sua maior frustação o escolhido foi um irmão, que ele chamava de “peito pelado”, pois não tinha um só "botom", que não tinha uma posição social igual à dele. A posse foi marcada em outra cidade e ele resolveu acompanhar a comitiva, pois queria mostrar a todos que ele era o mais preparado;


De carro partiram os irmãos para a cerimônia, que iria ocorrer no outro dia, domingo de manhã. Nosso irmão além do terno carregava duas malas, uma com roupa a outra com suas preciosidades, seus mimos, como dizia.


Chegaram e foram para os seus quartos, ou melhor, ele para o dele e os outros para o outro quarto, afinal não ficaria bem ele junto do “peito pelado”. Solitário foi dar brilho nos seus mimos, pois queria parecer ainda mais garboso na cerimônia, entre uma medalha e outra, falava das suas qualidades, do seu status social. Que o Grão Mestre iria se arrepender de não o ter escolhido para Delegado, ao olhar seu peito e seus mimos; 


Na manhã seguintes todos estavam se preparando para a cerimônia, a alegria e risos ecoavam na comitiva, menos o irmão “Zé da medalha”, dizendo que iria depois, não queria compartilhar a felicidade do Irmão “peito pelado”; Afinal chegando sozinho iria atrair atenção para seu peito, sem correr o risco de dividir os olhares;


Todos saíram e ele se pôs a colocar cada um dos seus mimos, beijando-os como se fossem seus troféus. Porém ao se vestir verificou que havia esquecido a principal peça do vestuário de um maçom, seu AVENTAL. Por mais que desfizesse e fizesse as malas, nada do AVENTAL;


Atrasado, saiu assim mesmo para o evento, sendo barrado pelos cerimonialistas, pois não estava com seu AVENTAL, do lado de fora acompanhou o som da sessão. 


Desiludido nosso ÉGUA DE CIGANO voltou a pé, e cada transeunte que cruzavam seu caminho, não o admiravam somente, mas riam do seu peito enfeitado;


Este é um conto fictício que fiz para mostrar ou tentar mostrar aos irmãos que a verdadeira conquista de um maçom, não esta a mostra, esta em um coração puro, nas suas ações, seus estudos, seu comprometimento com a ordem, sua conduta, fora e dentro dos templos, na fraternidade e no desapego. 


Meus Irmãos para sermos iniciados no Templo Celestial do Oriente Eterno, nossos sindicantes procuraram o que levarmos dentro do peito, não o que conquistamos fora do coração;