julho 18, 2021

DA CONSCIÊNCIA - Heitor Rodrigues Freire





Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis, advogado, past GM da GLEMS e atual presidente da Santa Casa de Campo Grande. Contribui regularmente com este blog

O despertar da consciência é algo que se desenvolve por ação própria, mas depende da vontade de cada um. Uma vez despertada, ela assume um movimento gradativo, mas constante. Decorre diretamente da individualidade. É um caminho sem volta. E propicia a libertação do ser.

A consciência é inata ao ser humano, nasce com a sua criação, mas demanda um trabalho individual, disciplinado e permanente para sua manifestação e continuidade. É nossa companheira eterna, por toda a eternidade.

Implica numa grande responsabilidade porque conduz ao entendimento de que a vida é aqui e agora. O passado já se foi, e o futuro não é hoje. Esse despertar não aceita adiamentos. Nem faz de conta. Sacode todo o ser, e não permite lero-lero.

É o acordar do sono letárgico que envolve a maioria das pessoas, mostrando de forma muito clara o compromisso de cada um consigo mesmo e com Deus. O indivíduo consciente deixa de fazer parte do rebanho.

Esse despertar nos ensina a evitar todo radicalismo e sectarismo de qualquer natureza, religiosa, filosófica ou política. Aprendendo, como Krishna ensinou ao príncipe Arjuna, há mais de 4 mil anos no poema épico Bhagavad Gita, a seguir o abençoado e dourado caminho do meio.

E com isso, passamos a entender que verdadeiramente somos todos irmãos, oriundos da mesma fonte e destinados à evolução constante. E também a trilhar o caminho, mostrado por Jesus.

E a saber que devemos respeitar tudo e todos. E a não julgar. Nem condenar.  E a entender que nada acontece por acaso e que tudo decorre dos nossos atos, portanto devemos assumir nossas responsabilidades. Entendendo que a vida por si só é um milagre e que nos permite a oportunidade de contribuir com nossa inteligência e consciência na construção divina da Eternidade.

Precisamos entender que a esperança é o fator de alimentação da fé, fortalecendo e motivando a consciência. Que esperança exige fidelidade. 

Temos que ter a coragem de conquistar a liberdade de sermos nós mesmos, sem interferências, aprendendo a ouvir e usar o discernimento que, nas palavras de Krishamurti, é o primeiro passo para a evolução espiritual.

É preciso também saber conviver com opiniões contrárias e buscar o embasamento para as nossas próprias ideias. Segundo José Saramago, o grande escritor português, “o problema não é que as pessoas tenham opiniões, isso é ótimo. O drama é que as pessoas têm opiniões sem saber do que falam”.

Não devemos repetir nada que não tenha passado pelo crivo da nossa própria consciência, e não falar apenas para impressionar os outros. Precisamos aprender a observar o silêncio. 

Temos que aprender que cada um é o fiador de sua própria vida, não dependendo do aval de ninguém. E assim conquistar a nossa verdadeira independência.

Nestes tempos de comunicação instantânea e global é muito comum observar comentaristas de televisão expressarem opiniões diversas, criticando, condenando, determinando atitudes e comportamentos como se fossem seres puros, imaculados e iluminados, arautos da moralidade. Mas se virarmos as câmeras para suas vidas, no entanto, veremos que seus comportamentos não têm nada de republicano e muito do que criticam. Usam dos microfones e câmeras para exibir seus egos inflados e irresponsáveis.

Induzidos pelo discurso dito politicamente correto, muitos querem ditar regras de bons costumes, mas quando isso fica somente no palavreado e não se concretiza na prática, não passa de hipocrisia. Precisamos ter em mente que o politicamente correto é um avanço civilizatório para toda a sociedade, e não deve ficar apenas no enunciado. Se conseguirmos, ao menos, não fazer com os outros aquilo que não queremos que façam conosco, já é um bom começo.

A consciência própria do ser é a grande conquista de cada um.

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GARANTE DE AMIZADE - Newton Agrella


Newton Agrella é escritor, tradutor e palestrante. Um dos mais destacados intelectuais maçônicos do pais.

De maneira relativamente semelhante às atividades de um Diplomata, no mundo profano, a Maçonaria dispõe de uma função de caráter de relações sociais e culturais, sobretudo no que diz respeito ao entendimento e harmonia entre as Obediências  Maçônicas, chamada de "Garante de Amizade".

Normalmente constitui-se como representante de uma Obediência Maçônica estrangeira junto a uma Obediência nacional, ou o representante de uma Obediência nacional, junto a uma Obediência estrangeira.

Requisitos básicos e preferenciais para desempenhar essa função, via de regra, são os seguintes:

- que seja um Mestre Maçom Instalado.

 - Exercício por um período mínimo de três anos; 

- conhecimento da língua falada no país da Obediência na qual ele pretende ser o representante; 

- estar em pleno gozo dos seus direitos maçônicos perante a Obediência que será por ele representada, dentre outras.

No que se refere às suas principais atribuições cabe ao Garante de Amizade:

- visitar a Obediência pela qual ele foi nomeado, geralmente a cada dois anos; 

- manter correspondência com a Obediência representada, incentivando a frequente troca de informações, publicações, filmes, livros, etc.; e toda e qualquer matéria que possa ensejar interesse relevante mútuo.

- comparecer a solenidades importantes que venham ocorrer na Obediência que ele representa; 

- prestar conta de suas atividades por meio de relatório anual para a Secretaria de Relações Exteriores da Obediência que ele pertença, etc. 

Cabe registrar que há inclusive um Ritual de Consagração de Garante Amizade. 

Pelo fato de ser uma função de alta relevância no universo Maçônico, impõe-se que a Loja receptora, em Sessão Econômica de Aprendiz, reserve a sua Ordem do Dia exclusivamente para destacar esse ato receptivo com o nome de Consagração de Garante de Paz e Amizade. 

Ainda como outro aspecto interessante, vale lembrar que 

"Garante de Amizade" ou "Garante de Amizade e Paz" é a expressão utilizada pela Maçonaria nos países sul americanos. 

Nas demais partes do mundo é chamado de “Grande Representante”. 

Desse modo, quando duas Potencias Maçônicas se “reconhecem”, é regra que troquem Garantes de Amizade, destinados a garantir as suas relações.

É portanto uma função que exige, muita disciplina, elevado nível cultural, diplomacia, clareza nas exposições para que se evitem quaisquer  constrangimentos ou mal-entendidos bem como uma relativa dose de disponibilidade para locomoções. 

Além é claro, de uma ampla articulação linguística e fluidez de capacidade argumentativa.

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