julho 21, 2021

SALA DOS PASSOS PERDIDOS - Walter Pereira M.’.M.’.




Se perguntarmos a um profano o significado de tal expressão, poderemos receber a seguinte resposta: 

_“É uma expressão estranha, a primeira vista sem significado, mas refletindo melhor, parece ser um local onde se caminha sem chegar a lugar algum”.

Isto nos faz crer que os fundadores do parlamento inglês, em 1296, foram felizes em escolher o nome da sala de espera, onde as pessoas aguardavam uma entrevista com os parlamentares, pois ali as mesmas circulavam sem rumo definido, sem destino exato, daí a denominação “Passos Perdidos”, ou seja, que leva a lugar nenhum.

Em 1776, a grande Loja de Londres inaugurou o primeiro templo maçônico e buscou no parlamento inglês a forma e até o nome da sala que antecede o átrio, como curiosidade também a mesa dos oficiais, a grande cadeira do V.’. M.’. e o lugar dos IIr.’. nas colunas tem a mesma origem, lembrando que o parlamento inglês é cerca de 500 anos mais antigo que o primeiro templo maçônico. 

Já no campo simbólico podemos concluir que, fora da disciplina maçônica, todos os passos são perdidos.

Mackey diz: 

o sentido desta denominação se origina no fato de que todo passo realizado antes do ingresso na maçonaria, ou que não respeite suas leis, deve ser considerado simbolicamente como perdido.

Nas lojas Maçônicas do Brasil como as de Paris, da Hungria e da Áustria, é assim denominada a ante-sala do Templo. 

Na Alemanha a expressão é completamente desconhecida, para concluir, no rito Schroder, em particular e na Alemanha, usa-se a expressão, “Ante-sala do Templo”.

Enfim a “Sala dos Passos Perdidos”, é o local onde a irmandade se reúne sem maiores preocupações, destinado a receber os visitantes, onde as pessoas possam andar livremente, como se fosse uma sala de espera, onde nos cumprimentamos, brincamos, tratamos de negócios, assinamos o livro de presenças, o tesoureiro faz as cobranças, enfim um local de socialização. 

É onde o M.’. de Cer.’. distribui os colares e começa a preparação para o ingresso no templo. 

É onde se forma o ambiente adequado e que conduza a um bem-estar, um refugio, aonde os amigos irão se abraçar e uma vez devidamente paramentados são convidados pelo M.’. de Cer.’. a ingressarem no Átrio.

O Átrio

Designa genericamente os três grandes recintos do templo de Salomão. 

_O primeiro era o átrio dos gentios, onde era permitida a entrada de qualquer um que fosse orar;

_O segundo era o átrio de Israel, onde somente os hebreus podiam penetrar, (depois de haverem sido purificados);

_E o terceiro era o átrio dos sacerdotes, onde se erguia o local dos holocaustos e os sacerdotes exerciam seus mistérios.

Bom dia meus irmãos.



julho 20, 2021

AS MULHERES NA IDADE MÉDIA

 


Ao longo da Idade Média, as mulheres de classe baixa eram padeiras, cervejeiras, leiteiras, artesãs, tecelãs e, principalmente, fazendeiras que trabalhavam ao lado de seus maridos e filhos nos campos. O sistema feudal ditava que a terra pertencia ao senhor, que a alugava aos seus arrendatários - os servos - que estavam vinculados àquela terra. O senhor controlava todos os aspectos da vida do servo e isso se estendia à esposa e às filhas de um homem.

O senhor decidia com quem uma menina se casaria, não com o pai da menina, porque a filha de um servo era essencialmente propriedade do senhor, assim como seu pai e sua mãe. Depois de casada, o marido controlava seus interesses e era o responsável por seu comportamento e, por isso, as mulheres não eram tão mencionadas quanto os homens em questões jurídicas na Idade Média. O marido da mulher seria processado se uma mulher transgredisse, não a própria mulher. A função da mulher era cuidar da casa, ajudar o marido no trabalho e gerar filhos.

Power escreve:

"A grande maioria das mulheres viveu e morreu totalmente sem registro enquanto trabalhava no campo, na fazenda e em casa” (Loyn, 346).

A hierarquia da sociedade medieval era mantida rigidamente, e muito raramente alguém se elevava acima da posição em que nasceu. Não havia classe média e a única esperança de uma mulher melhorar sua situação, sem se casar, era entrar para um convento. É possível, como sugeriram alguns estudiosos, que houvesse mulheres que escolheram esse caminho na esperança de obter educação, mas, se assim for, ficaram bastante desapontadas.

Os padres, em sua maioria, não viam nenhum benefício nas freiras alfabetizadas. Até Ende (século X EC), a famosa iluminadora de manuscritos da Espanha, era provavelmente analfabeta. As freiras aprendiam suas orações e devoções de memória, não de livros, embora se acredite que muitas moças de posses aprenderam a ler no popular trabalho devocional conhecido como Livro das Horas.


Fonte - Gies,F.& J. Women in the Middle Ages. Harper Perennial

Power, E. Medieval Women. Cambridge University Press