agosto 17, 2021

TVGAROTO - Pedro Jorge de Alcantara Albani


 

Pedro Jorge de Alcantara Albani - Acad. Maçônica de Letras de Juiz de Fora e Região - ARLS Montanheses Livres 


No início de dois mil e dez, ainda na era do Orkut, circulou pelas redes sociais um conto em que, um menino dizia em sua redação que queria ser uma televisão, pois gostaria de ter a atenção de todos, principalmente dos pais, pois estes se postavam a frente do aparelho, até nas refeições, não dando importância a ninguém, nem mesmo ao garoto. Muitos ao lerem o texto, relatavam na rede social que chegaram a chorar e a refletir sobre suas famílias.


    Mas como seria se existisse uma fada madrinha e ela realizasse o desejo do garoto. Será que nos dias atuais a televisão é o verdadeiro chamariz das atenções de um lar, creio que não.


    Hipoteticamente vamos colocar nossa imaginação a vagar no mundo do faz de conta. Uma casinha como outra qualquer, num lugar qualquer, no tempo presente. Uma luz a clarear a sala, uma família presente sentados no sofá, em volta de sua preciosa televisão, que outrora havia sido filho dos donos da casa.


    Durante muito tempo, garoto como queria foi o centro das atenções. Elogiavam sua programação, riam dos programas humorísticos, choravam nos filmes tristes, assustavam nas películas de terror e discutiam cada capítulo da novela. O nosso jovem se sentia assim, parte da família.


    Mas a felicidade nunca foi, ou será eterna, a vida muda, os costumes mudam e a transformação acontece. Alguém vendo uma propaganda na adorável televisão do lançamento de um aparelho de celular que acessava as redes sociais. Há se o menino TV imaginasse teria desligado ou mudado de canal, triste sina.


    Logo a novidade chegou, um aparelho puxou o outro, e agora todos tinham o seu, na sala uma televisão triste, a enfeitar o canto da casa, e todos agora vivem conectados, longe do mundo real. 


    Outrora jantavam juntos na sala em frente da televisão, onde viajavam juntos nas programações, hoje cada um viaja sozinho em suas redes sociais, esqueceram até da sua amada TV, que vive desligada, pois a tomada só serve para carregar os aparelhos. Pobre garoto, que teve seu desejo realizado.


    Hoje vive a chamar sua madrinha, para realizar outro desejo, ser um aparelho celular, porém não consegue falar com ela, pois ela hoje só atende através do WhaatApp.


agosto 16, 2021

A MELODIA DO SILÊNCIO - Norberto P. de Barcellos




O silêncio é um convite para a meditação, para a reflexão. Aliás, diga-se de passagem: sem a existência do silêncio, como receber inspiração para isso? Quando praticado, traz um forte sentimento de satisfação interior e, consequentemente, mental. Dentro de um templo, por exemplo, ou em um lugar apropriado, percebemos o valor do silêncio com nítida facilidade. Mais precisamente aqui, nas nossas reuniões, caso possamos sentir com clareza a nossa reação verdadeiramente íntima, perceberemos que o nosso silêncio nos eleva a um claro convite para a união espiritual que comunga com a harmonia do ambiente.

A ciência já nos ensinou que somos seres que produzimos e emanamos energias. O universo na sua totalidade é feito de vibrações com as mais variadas intensidades, sendo que, a nossa mente forma uma energia ininterrupta. É um assunto complexo e longo, mas se por nós aceitos, veremos que as nossas mentes uma vez que particularizadas pelas vibrações, transmitem e são receptivas a todas espécies de manifestações, constituindo-se de sinais que se comunicam com aqueles que dividem conosco o mesmo ambiente. É uma ação interativa e recíproca ou mútua ou de troca. Emitimos e recebemos.

Um dia li que a nossa atividade cerebral, os nossos pensamentos, as nossas emoções, são vibrações que se transformam em ondas elétricas quando emitidas. Portanto, parece-nos lógico que, os sinais vindos do nosso cérebro, podem variar de intensidade de acordo com a situação. Então, otimizando o exemplo, vamos direcionar as nossas energias para o bem como vibrações positivas e, as dispersas como turbulentas. É claro que vamos nos deparar com uma situação claramente confusa.

As vibrações opostas obrigatoriamente entrariam em choque, umas com as outras, criando campos de intensa turbulência. Seria como uma orquestra, estando cada músico tocando o seu instrumento numa afinação diferente, causando um som destoante, desagradável e desarmônico no seu conjunto. Algo ruim e harmonicamente negativo. Outro dia, nas páginas de um livro do Maestro Isaac Karabthevski, li a sua belíssima definição sobre música. Fechei o livro e fiquei meditando sobre o assunto. Depois, não resistindo, tomei a ousadia de traçar um comparativo com o silêncio. E encontrei semelhanças inconfundíveis. Senão vejamos: a música é um fenômeno abstrato que corre no tempo, corre no espírito. O silêncio também. Você sente, mas não consegue manter um contato físico, como tem com um quadro ou com uma escultura. A música entra em você, no seu grande íntimo e se processa a um nível puramente psíquico. Ela não é concreta. É um fenômeno abstrato, sensorial. E o silêncio o que é?

Ora, meus irmãos, como podemos ver, o silêncio e a música possuem uma afinidade muito grande. Caso dedicarmos este momento para proveito da nossa mente, intenções para a harmonia e paz interior, estaremos todos emitindo vibrações positivas que se dimensionam dentro do tempo. E todos sentiremos o efeito dessa energia como um convite a meditação, pois estaremos assimilando uma espiritualidade harmônica, afinada, silenciosamente melódica, um bem-estar incomum. Já o contrário, ou seja, qualquer vibração dispersiva, pensamento confuso, distração, prejudicará a harmonia do ambiente. Sons altos ou estridentes, assuntos que destoam do recolhimento, risos e até conversas murmuradas que possam causar dispersão, cortam e anulam as vibrações que tanto almejamos, porque somos portadores do bem. Somos e queremos ser afinados músicos, para assim executarmos as mais belas melodias silenciosas.

Forma de estarmos sintonizados com o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO. O Regente de todos os momentos. O nosso Grande Maestro.


Publicado no Informativo Chico da Botica, n.º 139, de 15 de janeiro de 2020, disponível em https://bancadosbodes.com.br/chico-da-botica-no-139-15-de-janeiro-de-2020/