agosto 28, 2021

COBERTO OU À COBERTO? - Pedro Juk


O Respeitável Irmão Paulo Assis Valduga, Loja Luz Invisível, 219, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul em 08/03/2014 apresenta a seguinte questão:

Tenho uma dúvida, qual o correto: O Templo está coberto, o Templo está à coberto, o Templo está a coberto? 

CONSIDERAÇÃO:

COBERTO, como adjetivo (do latim coopertus), indica aquilo que está resguardado, protegido, tapado, defendido, agasalhado. No jargão maçônico significa que o Templo está coberto, ou os trabalhos que nele se realizam estão cobertos. Isso implica que esses estão resguardados dos olhos e ouvidos dos não iniciados, ou mesmo de maçons que não possuem qualificação suficiente para participar da sessão.

Quanto à expressão “a coberto” usada pela Maçonaria, indica estar com defesa, com abrigo, com proteção.

COBRIR, verbo transitivo direto (do latim cooperire), dentre outros, implica em ocultar colocando alguma coisa em cima, ou proteger, mantendo algo, ou pessoa, adiante, ou ao redor. Em Maçonaria, cobrir o Templo, ou os trabalhos significa impedir a presença de profanos (não iniciados), ou de maçons que não possuem qualificação de Grau para estar presente, obstruindo esses de ingressar nos trabalhos. A função de cobrir o Templo é exercida pelo Cobridor.

COBERTURA, substantivo feminino, é o ato de cobrir. Em Maçonaria é a cobertura do Templo ou dos trabalhos maçônicos que é feita pelo Cobridor, ou Telhador.

TELHADOR, adjetivo de telha implica naquele que telha; aquele que cobre de telhas. Como substantivo masculino designa o operário telhador. Assim em Maçonaria é também o título dado ao Cobridor (Interno), ou ao Guarda do Templo (Externo), cujo ofício é o de “telhar”, ou de proceder ao “telhamento” (neologismo maçônico – no nosso idioma vernáculo – telhadura). Compete a esses Oficiais executar o telhamento daqueles que se apresentam na porta do Templo, para verificar a qualidade maçônica e o seu Grau. Essa função também é executada pelos Expertos, nos ritos que os possuem, em determinadas ocasiões.

TELHAR, verbo transitivo (de telha), implica em cobrir com telhas. Maçonicamente é de competência do Cobridor, ou Telhador, (em certas oportunidades pelo Experto) ao exercer o ato de examinar pelos Toques, Sinais e Palavras, os que se apresentam para participar nos trabalhos maçônicos e se certificar se eles são realmente maçons, bem como a sua qualificação de Grau.

Infelizmente o termo “telhar” ainda tem sido confundido com trolhar, o que verdadeiramente significa passar a trolha, portanto altamente incorreto para designar o ato de telhar, que designa o exame anteriormente citado, já que este está relacionado a uma cobertura e esta se faz com telhas, nunca com trolhas. Não é demais lembrar que o termo “telhar” existe em diversos idiomas, todavia “trolhar” é simplesmente um neologismo.

Ainda muitos rituais exaram displicentemente o termo altamente equivocado: “Fazei os Aprendizes cobrirem o Templo” ou “Fazei o Irmão Fulano de Tal cobrir o Templo”. Ora, se quem cobre o Templo é o Cobridor, que estória é essa dos Aprendizes, ou do Fulano de Tal cobrir o Templo? Se essa ação fosse verdadeira, então todos os demais se retirariam e os que estariam cobrindo (os Aprendizes, ou o Fulano de Tal) permaneceriam no recinto. Veja só o embrolho... Bem, não é de se estranhar, já que continuamos a ouvir: “de pé e à Ordem”! Como se alguém ficasse à Ordem sentado.

Quanto ao jargão “estar à” (com crase) coberto, fica a explicação para o autor desse Traçado, tanto no seu aspecto gramatical como naquele que evoca a tal “auréola espiritual” (sic).

Finalizando, penso que muitos textos por aí escritos e publicados têm mais o objetivo de “dourar a pílula”, do que esclarecer. Agravando-se ainda quando outros objetivam nas entrelinhas apontar opiniões sectárias e prosaicas. Seria talvez muito mais importante explicar e abordar as origens de um verdadeiro Landmark - o sigilo e a cobertura dos trabalhos maçônicos (sem invenções e opiniões místicas, ocultas e de crença pessoal).

DO QUOCIENTE ESPIRITUAL - Heitor Rodrigues Freire




Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis, advogado, past GM da GLEMS e atual presidente da Santa Casa de Campo Grande. Contribui regularmente com este blog


A evolução do ser humano ao longo dos tempos foi lhe proporcionando meios e condições de buscar um entendimento a seu respeito e sobre o significado da vida no nível transcendental.

Já a ciência, que por princípio persegue uma comprovação cabal em tudo o que estuda, percebeu que a inteligência seria um fator de diferenciação entre os homens, então criou um critério de avaliação que serviria para definir e qualificar essa faculdade humana. Assim, elaborou-se o teste de Q.I., o quociente de inteligência, que seria a medida definitiva da inteligência humana. 

Em meados dos anos 1990, surgiu o estudo e a propagação de um novo conceito, a “inteligência emocional”, que mostrou que não adiantava ser um gênio se não se soubesse lidar com as próprias emoções. Daniel Goleman, autor do livro Inteligência Emocional, propôs o termo Q.E., o quociente emocional, que se refere à capacidade que as pessoas têm de perceber, controlar, avaliar e expressar emoções, e também de praticar um certo traquejo social, ou lidar com o outro, desenvolver empatia.

A inteligência emocional é aquela que permite que você gerencie bem suas emoções e as utilize a seu favor, melhorando seu desempenho e suas relações com as outras pessoas. A revista norte-americana Psychology Today define quociente emocional como “a capacidade de identificar e gerenciar as próprias emoções, assim como as emoções dos outros”.

A ciência começou este novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela ajuda a lidar com as questões essenciais, as do espírito e as da consciência intrínseca ao ser humano.

No livro Q.S. – Quociente Espiritual, a filósofa e física norte-americana Danah Zohar, juntamente com seu marido Ian Marshall, mostra que o Q.S. é responsável pelo significado da nossa existência e pelo desenvolvimento dos valores éticos e crenças que irão nortear nossas ações no dia a dia. Conhecer o potencial do nosso Q.S. e desenvolvê-lo nos permitirá alcançar nossas metas com mais eficiência. O Q.S. está ligado à necessidade humana de ter um propósito e um objetivo na vida.

Os cientistas descobriram que o lobo temporal, a região do cérebro localizada logo acima das orelhas, é uma área com múltiplas funções, e foi denominada como “o ponto de Deus”.

Um novo estudo liderado por cientistas do Hospital Universitário Brigham para Mulheres, da prestigiada Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, adotou uma nova abordagem para entender como a fé e a espiritualidade atuam no cérebro humano. Por meio de exames de imagens, pesquisadores conseguiram descobrir que existe um circuito cerebral específico diretamente ligado à fé.

Esse circuito cerebral está localizado em uma área chamada Substância Cinzenta Central (PAG, na sigla em inglês), uma região do cérebro que tem sido bastante estudada e implicada em várias funções, como o condicionamento do medo, a modulação da dor, comportamentos altruístas e até mesmo o amor incondicional.

Os resultados desse estudo, publicado na revista Biological Psychiatry, sugerem que a fé está enraizada na dinâmica neurobiológica fundamental. Além disso, a religiosidade estaria entrelaçada em nosso tecido neurológico. Esses resultados surpreenderam os pesquisadores, já que o circuito cerebral para a fé está centrado em uma parte bastante “primitiva” do nosso cérebro. Ou seja, ela existe desde sempre.

A inteligência espiritual é algo que, sem dúvida, todos nós possuímos. Ela é inata, mas precisa ser contatada. Usada. Estudada. Ela existe e está dentro de cada um de nós. Temos que reaprender a fazer essa conexão. Esse mesmo estudo descobriu que o gesto de unir as mãos, olhar para cima ou se ajoelhar ativa as duas áreas cerebrais que produzem um turbilhão de hormônios que ajudam a ajustar nosso equilíbrio emocional e espiritual. 

Marc Nicholas Potenza, professor de psiquiatria, estudo infantil e neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade de Yale, descobriu e anunciou: “Em todas as culturas e ao longo da história, os seres humanos relataram uma variedade de experiências espirituais e o senso de união percebido transcende o senso comum do eu”.

Pela primeira vez na história da ciência, oficializaram o termo científico “O Ponto de Deus no Cérebro”. Assim, podemos concluir que a inteligência espiritual não tem a ver com uma religião específica, mas sim com a espiritualidade de cada um.

É maravilhoso ver que questões espirituais estão sendo cada vez mais comprovadas pela ciência.