agosto 29, 2021

MASMORRAS NÃO TEM PORTAS - Sérgio Quirino


Sérgio Quirino é notável intelectual maçônico e atual Grão Mestre da GLMMG 2021/2024


A Maçonaria tem como missão transformar a “Pedra Bruta” em “Pedra Polida”. Este simbolismo traduz o movimento de evolução do básico e simples em direção ao elaborado e complexo.

Compreendemos a evolução individual como ponto de partida para uma atuação coletiva. Esses são os fundamentos da postura do Maçom como um construtor social. Ele converte suas energias em ações para tornar feliz a humanidade.

Assim como existe na atividade de produção um longo processo a ser percorrido entre a matéria prima e o produto final, na evolução individual há uma graduação processual, onde se realiza a interação e a purificação passando por algum dos quatro elementos (fogo, terra, água, ar).

Em nossa “cadeia de produção” encontramos a matéria prima intitulada “profano”. Selecionado, se torna “candidato” e pelas tortuosas “esteiras fabris”, vai se transformando em neófito, até que o consideramos Iniciado.

Daí até receber a etiqueta de “produto acabado”, ou seja, o título de Maçom é quando o caminho se torna difícil. Digamos que alcançar as condições para receber a certificação de ISO, será ainda mais difícil.

Precisamos estar permanentemente vigilantes quanto a perda da qualidade do produto final (Maçom) com o passar dos anos. Não se trata de mera crítica, mas de exercício de autoconsciência.

E o primeiro passo é compreender a realidade de que nunca estaremos completamente “polidos”. Vivemos sempre expostos a agentes de obsolescência e deterioração.

AS MASMORRAS QUE RETÉM NOSSOS VÍCIOS NÃO TÊM PORTAS.

NOSSA VIGILÂNCIA É QUE OS MANTÉM LÁ EMBAIXO.

​ OS VÍCIOS ESTÃO ÁVIDOS PARA VIREM À TONA.

Quais são os sinais indicadores de estarmos abrindo a guarda?

Questionamentos de tudo e de todos. (Falta de Tolerância)

Comparações descabidas, tais como: “no meu tempo”. (Soberba)

Frequentar reuniões somente quando lhe interessa o tema. (Falta de amor fraternal)

O que devemos fazer?

Encontrar a resposta dos nossos questionamentos na fala do Irmão Primeiro Vigilante, sobre os motivos de nossas reuniões.

Entender a invocação do Venerável Mestre após a abertura do Livro da Lei como um mantra para subjugarmos paixões e intransigências.

Lembrarmos dos limites de nossa natureza humana e das possibilidades de desvios e devaneios. O processo de corrupção se instala lentamente. Por isto, somos estimulados à vigilância e à reflexão: Orai e Vigiai !!! .

Portanto, retornemos sempre às Instruções e às práticas que elas nos propõem.

NÃO HÁ NECESSIDADE SE SER O MELHOR,

MAS, DE NECESSARIAMENTE FAZER O MELHOR.

Atingimos quinze anos de compartilhamento de instruções maçônicas. Nosso propósito fundamental é incentivar os Irmãos ao estudo, à reflexão e tornar-se um elemento de atuação, um legítimo Construtor Social.

Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!

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A ORIGEM DOS VIGILANTES



"A ampla simbologia maçônica, que evoluiu para interpretações morais e místicas no seu avanço especulativo ou moderno, nasceu na sua maioria dos costumes e da organização das corporações de construtores".

Entre as corporações de ofício da Idade Média, hoje englobadas, sob o rótulo de Maçonaria de Ofício ou Operativa, destacava-se a dos Canteiros, ou esquadrejadores de pedras, ou seja, os obreiros que tornavam cúbica a pedra bruta, dando-lhe cantos, para que ela pudesse se encaixar nas construções. (Canteiro é o operário que trabalha em Cantaria, palavra derivada de canto, já que a função é fazer os cantos, ou ângulos retos na pedra).

Os canteiros costumavam delimitar os seus locais de trabalho (que, por extensão, acabaram sendo chamados de canteiros de obras, denominação encontrada até hoje), cercando-os com estacas fincadas no chão e nas quais eram introduzidos aros de ferro, que se ligavam a outros elos, formando uma corrente. A abertura dessa cerca estava na parte ocidental do recinto de obras. Transpondo-se essa cerca, encontrava-se, bem na entrada, na parte frontal, ou lateral, um barracão, que funcionava como uma espécie de almoxarifado, onde eram guardados os planos da obra, o material de trabalho e os instrumentos necessários.

Como responsável por todo esse material, havia um operário graduado, que era o Warden, ou seja, Zelador, ou Vigilante. Este obreiro, além de tomar conta de todo o material, pagava o salário aos operários, despedindo-os então, no fim da jornada diária de trabalho. Posteriormente, para maior agilização dos trabalhos foi criado o encargo de mais um zelador, ou vigilante, postado geralmente ao sul, ou ao meio-dia. O hábito de chamar o sul de meio-dia é originário da França, onde o sul é chamado de midi.

Assim, esse hábito dos trabalhadores medievais, principalmente dos canteiros, além de ser a origem da Cadeia de União e até da Corda de Oitenta e um Nós, deu, também, origem aos cargos de Vigilantes de uma Oficina maçônica, os quais, além de outras funções, devem, simbolicamente, ao fim do dia de trabalho, pagar aos obreiros o salário da jornada diária, despedindo-os, então, contentes e satisfeitos, por terem recebido sua paga. 

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