fevereiro 23, 2026

ALBERT PIKE NA KKK? - Luciano J. A. Urpia

 



A alegação de que Albert Pike foi um líder ou fundador da Ku Klux Klan é uma desinformação histórica ainda presente. A origem desse boato remonta a publicações do início do século XX, como o livro do historiador Walter L. Fleming em 1905 e a obra de Susan L. Davis em 1924, que adicionaram o nome de Pike a relatos sobre a Klan baseando-se unicamente em reminiscências não documentadas de ex-membros, décadas após os eventos. Não há qualquer documento de época, carta oficial ou registro contemporâneo que comprove a participação de Pike na organização secreta.

A fragilidade dessas acusações fica evidente quando se examina o contexto. O relato original da fundação da Klan, escrito em 1884 por um de seus criadores, John C. Lester, não cita Albert Pike. Foi apenas na reedição de Fleming, vinte e um anos depois e catorze anos após a morte de Pike, que sua imagem apareceu como um suposto "oficial judicial", um título sequer existente nos estatutos oficiais da Klan. Autores posteriores, como Claude Bowers, repetiram a história sem apresentar novas evidências, simplesmente ecoando Fleming e Davis, que por sua vez se apoiaram em testemunhos orais de terceiros, sem qualquer documentação corroborativa.

É crucial distinguir a infame lenda da realidade histórica. O simples fato de alguns membros da Klan também serem maçons não estabelece qualquer vínculo institucional, assim como a presença de maçons entre os mais ferrenhos oponentes da Klan, como o General Benjamin Butler, que redigiu as leis para combatê-la, demonstra a falácia de generalizar. Embora Albert Pike, como produto de seu tempo, tivesse visões preconceituosas para os padrões atuais, isso não equivale a uma prova de filiação à Klan. As alegações de sua liderança são, na verdade, boatos que ganharam status de "fato" através da repetição acrítica por parte de historiadores tendenciosos da chamada "Escola Dunning", que buscavam glorificar a causa sulista e retratar a Klan de forma heroica, distorcendo a história da Reconstrução Americana.

Colaboração: Grand Lodge os British Columbia and Yukon.

.Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


DA INTERJEIÇÃO! - Heitor Rodrigues Freire


 

Com este artigo concluo minha incursão pelo campo da gramática, e chegamos ao ponto da interjeição, palavra ou grupo de palavras que forma, por si só, frases que exprimem emoção, sensação, ordem, apelo ou descrevem um ruído que pode expressar estados de espírito de forma súbita e intensa. A interjeição costuma ser acompanhada por um ponto de exclamação – podendo até funcionar como uma frase inteira –, é a voz da emoção na língua, permitindo expressar o que as palavras mais formais não conseguem de maneira tão direta e impactante. 

As interjeições são palavras invariáveis que exprimem estados emocionais, ou situações mais abrangentes, sensações e estados de espírito ou até mesmo servem como auxiliares expressivas para o interlocutor, já que permitem a adoção de um vocabulário que dispensa estruturas linguísticas mais elaboradas.

A interjeição é considerada uma palavra-frase, caracterizando-se como uma estrutura à parte, que não desempenha função sintática.

As interjeições podem ser divididas em três grupos:

Interjeições onomatopaicas – são basicamente, sons que criamos com a boca: Ai!, Oba!, Nó!, Oxe!, Ah!, Olá!, Oh!, Ui!, Tchê!, Arre!, Êta!, Ué!, Xi!, Hum!, Psiu!...

Interjeições exclamativas – palavras ou expressões de outras classes gramaticais que exercem a função de interjeição: Credo!, Perdão!, Silêncio!, Chega!, Basta!, Ave Maria!, Macacos me mordam!, Tomara!, Cale-se!, Desculpa!, Céus!...

Interjeições interrogativas – interjeições que vêm acompanhadas do ponto de interrogação: Oi?, Hein?, Quê?, Hã?, Será?, Sério?, Como?, Mesmo?...

A interjeição não se flexiona em gênero, número ou grau, embora existam exceções afetivas ("oizinho"). Ela reflete uma expressão instantânea, sintetiza uma reação emocional completa em uma única palavra ou som, e funciona de forma independente. Geralmente, pode ser separada do resto da frase e ainda transmitir o sentido da emoção.

Como sempre, o que me interessa mesmo é a questão filosófica que envolve cada parte da gramática. A interjeição representou um ponto cego da filosofia da linguagem tradicional.  Durante séculos, a interjeição foi tratada como o "primo pobre" da gramática — vista apenas como um grito instintivo ou um ruído sem estrutura lógica.

No entanto, para a filosofia moderna, a interjeição é crucial porque ela habita a fronteira entre o animal e o humano, e entre o puro ruído e o significado complexo.

Tudo mudou com o filósofo Ludwig Wittgenstein (1881-1951), filósofo austríaco-britânico, que mudou o jogo com suas Investigações Filosóficas. Ele argumentou que a linguagem não serve apenas para descrever o mundo, mas é uma coleção de "jogos de linguagem".

Para ele, a interjeição de dor ("Ai!") não é uma descrição de um estado mental. "A expressão verbal da dor substitui o choro mas não o descreve." Segundo ele, a interjeição é o grito refinado.

Filósofos como o britânico J.L. Austin (1911-1960) e o americano John Searle (1912-2025), argumentam que falar é fazer (na teoria dos atos de fala ela é pragmática). Segundo eles, as interjeições se enquadram na categoria dos atos expressivos:

Diferente de uma frase descritiva, a interjeição tem a função de alterar o ambiente social imediatamente. Quando você diz "Olá!", você não está passando uma informação, você está executando um ritual social de reconhecimento.

Quando você diz "Eca!" está sinalizando uma rejeição biológica ou moral instantânea.

Filosoficamente, a interjeição é o "elo perdido" da linguagem. Elas classificam-se também em interjeições primárias e secundárias: 

As primárias são palavras como "Ah!", "Oh!", "Grrr". Elas são universais, quase biológicas, e nos conectam à nossa natureza animal.

As secundárias são palavras como "Céus!", "Puxa!", "Nossa!", de natureza  cultural, isto é, funcionam de acordo com contextos locais.

A filosofia da biologia considera que a interjeição é o ponto exato em que a biologia (o corpo que sente algo) se transforma em cultura (a palavra).

Já o filósofo americano David Kaplan (1933-) entende que na filosofia da linguagem contemporânea (especificamente na semântica formal) as interjeições são tratadas como indexais. Isso significa que seu significado depende de quem fala e de onde fala:

A palavra "Ai!" não significa "dor" no dicionário da mesma forma que "cadeira" significa um objeto. "Ai!" funciona como uma seta apontando para o estado interno de quem fala. Se eu leio "Ai!" num papel sem saber quem escreveu, a palavra perde seu poder filosófico de significação. Ela exige a presença (ou a simulação da presença) do sujeito, não tem sentido sem contexto.

A filosofia diz que a interjeição escapa da lógica binária (verdadeiro/falso); no aspecto da ontologia, ela está na fronteira entre o “barulho” e a “palavra”. Quanto à ética, a interjeição revela a sinceridade imediata. É difícil mentir com uma interjeição súbita (o susto é autêntico), e por último, quanto à sociologia, a interjeição cria laços empáticos instantâneos (se alguém grita de dor, sua reação é instintiva, não racional).

Enfim, resgatamos a importância filosófica da interjeição!


LUZ DIVINA - Cesar Augusto Garcia



O irmão e poeta César Augusto Garcia demonstra uma aguda sensibilidade neste poema onde celebra as virtudes da amada em contraponto com a solidão causada por sua ausência.






 

A ORIGEM DA MAÇONARIA SEGUNDO THOMAS PAINE - Luciana J. A. Urpia


 

Em seu ensaio publicado postumamente em 1818, Thomas Paine (filósofo inglês, 1737-1809) propõe uma tese ousada: a Maçonaria não deriva da construção do Templo de Salomão, como alegam os próprios maçons em seus relatos oficiais, mas sim dos remanescentes da religião dos antigos druidas. Paine demonstra as contradições cronológicas das narrativas maçônicas tradicionais, como a impossibilidade de Euclides, que viveu 277 a.C., ter ensinado algo a Hiram, construtor do Templo em 1004 a.C., e aponta que o verdadeiro segredo da ordem não é outro senão sua própria origem, cuidadosamente ocultada sob camadas de simbolismo e mistério.

O cerne da argumentação de Paine reside na análise dos elementos solares presentes na Maçonaria. As Lojas são construídas no sentido leste-oeste, acompanhando o movimento aparente do Sol; o Venerável Mestre ocupa o oriente, "assim como o Sol nasce no leste e abre o dia"; o teto das lojas é ornamentado com um Sol rodeado pelos doze signos do Zodíaco; e a grande festa anual da ordem celebra-se no solstício de verão, 24 de junho, data do Dia de São João que, segundo Paine, nada tem a ver com o santo e tudo a ver com o Sol atingindo sua máxima altura. Até mesmo a cronologia maçônica, que conta os anos a partir da criação do mundo (Anno Lucis), remonta a sistemas cosmogônicos muito anteriores ao Cristianismo.

Paine conclui que a religião dos druidas, sacerdotes do Sol que cultuavam a grande luminária como agente visível de uma causa primeira invisível, o "Tempo sem Limites", foi sistematicamente perseguida quando o Cristianismo a suplantou na Europa. Os druidas que permaneceram fiéis à sua tradição viram-se obrigados a reunir-se em segredo, sob rigorosas proibições de revelação, pois sua segurança dependia disso. Desses remanescentes, preservados nas sombras da perseguição, surgiu a instituição que, para evitar o nome estigmatizado de druida, adotou o nome de Maçonaria, praticando sob esta nova denominação os mesmos ritos e cerimônias ancestrais dedicados ao Sol e à ordem natural do cosmos.

Fonte:  CURIOSIDADES DA MAÇONARIA por Luciano J. A. Urpia

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fevereiro 22, 2026

DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM - Wagner Barbs


Hoje, 22 de fevereiro, celebramos o Dia Internacional do Maçom. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de *George Washington*, um dos maçons mais conhecidos da história e exemplo de liderança, firmeza moral e compromisso com a liberdade.

Esse dia, na verdade, não pode ser uma comemoração de vaidade, mas devemos revisar nosso interior para constatar se estamos, de fato, *vivendo os princípios que juramos defender*: ética, fraternidade, tolerância, respeito às leis e trabalho constante pelo bem comum._

A Maçonaria, desde  nossa iniciação, nos ensina que o *verdadeiro templo é construído dentro de nós*. E essa construção não acontece apenas em Loja, mas nas atitudes do dia a dia, na família, na profissão e na sociedade como um todo._

_Que esta data nos sirva como um lembrete claro: ser maçom não é apenas portar um título, mas praticar valores. *Que possamos honrar nossa Ordem não pelas palavras, mas pelas ações, dentro e fora de nossos sagrados Templos*._



22/2 - DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM - Adilson Zotovici


 

¨Vinte e dois de fevereiro¨...

Mais um dia comum seria 

Não fosse o manifesto sobranceiro

De um chefe  da maçonaria 


Foi decisão soberana

Tomada em reunião anual 

Da cúpula Norte-Americana

Mas seu autor...de Portugal  


Aprovado por aclamação

A especial homenagem

Proposta a um insigne irmão

De inspiradora linhagem 


Invejável livre pedreiro

Imortalizado pela  confiança

De um povo costumeiro

À democracia, à liderança 


Foi bom presidente e comandante

Bom Grão Mestre, bom aprendiz 

Foi sua obra marcante,

Colocar ordem em seu país 


George era seu nome !

Tão importante à sua terra  natal,

Que de Washington, seu sobrenome,

Batizaram sua capital 


Uma homenagem justa

Por todos então, logo aceita

Vez que sua data natal e augusta

Era então uma data perfeita 


De lá, para o mundo inteiro

Bradado em alto e bom som :

“ Vinte e dois de fevereiro...

_É o Dia Internacional do Maçom !”_



"MAÇONARIA E CRISTIANISMO" - Denizart Silveira de Oliveira Filho



Denizart Silveira de Oliveira Filho – do livro: Comentários às Instruções do Ritual do Aprendiz-Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito - Editora Trolha.

O emérito Maçom e Pastor Presbiteriano Jorge Buarque Lyra nos legou em seus monumentais livros “A Maçonaria e o Cristianismo” e “As Vigas Mestras da Maçonaria”, dois extraordinários discursos, dirigidos aos Aprendizes. Neles nos inspiramos para apresentar esta mensagem inicial ao Aprendiz-Maçom, em particular, e aos Maçons de todos os Graus, em geral. 

Somos privilegiados por termos ingressado na Maçonaria, instituição que prepara o homem para vencer nas lutas morais, espirituais, políticas e sociais que todos temos de enfrentar. Fazemos parte da Maçonaria Universal com sua admirável unidade no tempo e no espaço, congregando homens das mais diversas raças, das mais diversas classes sociais, dos mais diversos pensamentos filosóficos e políticos, de fé e credos diferentes, porém irmanados em um só propósito, o de fazer o bem aos nossos semelhantes.

Sua filosofia prática resume-se na tríade: VERDADE, BELEZA e BONDADE; seu ideal político-social concretiza-se na divisa democrática: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE; tudo, enfim na trilogia: DEUS, VIRTUDE e CIÊNCIA! 

Somos um pequeno grupo de Irmãos empenhados na busca constante da VERDADE para podermos dissipar as trevas da ignorância que nos rodeia. Devemos desenvolver o homem-espiritual que somos para revelar, assim, a grande VERDADE, a VERDADE que está consubstanciada no interior de nós mesmos. A importância de nossa instituição se resume em poucas e sábias palavras: em nosso crescimento interior e na doação total e espiritual aos nossos semelhantes; nisso se revela toda a sua BELEZA.

JUDEUS - QUE POVO É ESTE? - William R. Goetz



Quando um povo é expulso de sua terra e espalhado por diversas nações durante um certo período de tempo, ele perde a sua identidade como nação. Isso acontece até mesmo quando essa dispersão é voluntária. Esse caldeamento de raças que hoje é a América do Norte é um exemplo disso. Para lá foram pessoas da Inglaterra, Irlanda, da França, da Alemanha, Holanda, Polônia, México, de todos os países do mundo. 

E em menos de duzentos anos essas nacionalidades foram se misturando, dando origem a um "novo" povo: o americano.

Esse mesmo caldeamento ocorreu na América do Sul e nos países do Sudeste Asiático e, após trezentos ou quatrocentos anos de processo, já não é mais possível identificar as origens.

Mas vejam só os judeus: ha cerca de dois mil e quinhentos anos não tinham um governo próprio, e ficaram sem a sua terra por quase vinte séculos, mas ainda assim mantiveram distinta sua identidade nacional.

E esse notável fenômeno assume proporções ainda maiores, quando comparamos os judeus com outras nações, de sua época.

Onde estão os assírios? Onde estão os babilônios? Onde estão os heteus e amalequitas? Foram grandes nações daquela época que, em certas ocasiões controlaram todo o mundo conhecido de então. Aliás, na ocasião em que os babilônios dominaram os judeus, estima-se que o numero destes girava em torno de 100.000 pessoas, enquanto que os primeiros contavam-se em número muito superior aos judeus, e ainda por cima governavam o mundo.

No entanto, hoje os judeus estão aí, firmes e fortes enquanto que os babilônios sumiram do mapa. Alguma explicação? Uma promessa de Deus feita a Abraão no ano 2090 antes de Cristo, bote tempo nisso!

Esta foi a promessa: "Em verdade te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos". Gen. 22.17.


AMVBL - DOUTA ACADEMIA - Adilson Zotovivi e Denizart Silveira

 


Confrade Adilson Zotovici - Cadeira 48 AMVBL


Salve o espaço que inebria

Aos obreiros com erudição

Cinzel e maço à porfia

Um bom canteiro de comunhão


Reina equidade e harmonia

Sem disputa ou competição

Com igualdade, sintonia

E às letras a cultuação


Literatos sua constituição

De fato Iguais sua etnia

Onde emular é contradição


O Grande Arquiteto por Guia

Na cultura a revelação

Bom teto...Douta Academia !


Confrade Denizart Silveira - Cadeira 19  AMVBL


      Neste belo Poema a Academia é figurada por seu autor como um canteiro simbólico de comunhão e construção intelectual, onde os obreiros manejam cinzel e maço não só sobre a pedra bruta, mas também sobre as ideias. A imagem remete diretamente à pedagogia maçônica do aperfeiçoamento contínuo, em que o estudo e a erudição são instrumentos de lapidação do caráter. O espaço descrito pelo poeta torna-se, assim, uma oficina de comunhão fraterna, na qual cada participante contribui para a edificação coletiva do saber.

     A tônica da equidade e da harmonia evoca o ideal de convivência maçônica, livre de disputas profanas e de competições estéreis. A igualdade ali mencionada não significa uniformidade, mas respeito às diferenças sob um mesmo propósito de aperfeiçoamento moral e intelectual. A “cultuação” das letras sugere que a cultura é tratada como ferramenta de elevação humana, aproximando os irmãos pelo vínculo do conhecimento compartilhado             A  seguir, aprofunda o princípio de igualdade essencial entre os literatos, destacando que a verdadeira distinção não está na hierarquia, mas na qualidade do trabalho realizado. Nesse contexto, emular torna-se contradição ao espírito fraterno, pois a Maçonaria propõe o progresso interior como medida legítima de crescimento. Cada obreiro é convidado a superar a própria pedra bruta, contribuindo para a harmonia do conjunto sem rivalidades. 

     Por fim, a Academia é apresentada como um “bom teto”, metáfora de abrigo simbólico onde o labor cultural se desenvolve sob orientação de elevados princípios maçônicos. A referência ao Grande Arquiteto do Universo, Deus, surge como elemento tradicional da linguagem iniciática, conferindo unidade ao ideal de construção coletiva. Assim, a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras revela-se como espaço de edificação intelectual, cultural e fraternal, onde as letras servem de instrumentos para a contínua obra de aperfeiçoamento humano

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Confrade Adilson Zotovici - Cadeira 48 AMVBL


Salve o espaço que inebria

Aos obreiros com erudição

Cinzel e maço à porfia

Um bom canteiro de comunhão


Reina equidade e harmonia

Sem disputa ou competição

Com igualdade, sintonia

E às letras a cultuação


Literatos sua constituição

De fato Iguais sua etnia

Onde emular é contradição


O Grande Arquiteto por Guia

Na cultura a revelação

Bom teto...Douta Academia !


Confrade Denizart Silveira - Cadeira 19  AMVBL


      Neste belo Poema a Academia é figurada por seu autor como um canteiro simbólico de comunhão e construção intelectual, onde os obreiros manejam cinzel e maço não só sobre a pedra bruta, mas também sobre as ideias. A imagem remete diretamente à pedagogia maçônica do aperfeiçoamento contínuo, em que o estudo e a erudição são instrumentos de lapidação do caráter. O espaço descrito pelo poeta torna-se, assim, uma oficina de comunhão fraterna, na qual cada participante contribui para a edificação coletiva do saber.

     A tônica da equidade e da harmonia evoca o ideal de convivência maçônica, livre de disputas profanas e de competições estéreis. A igualdade ali mencionada não significa uniformidade, mas respeito às diferenças sob um mesmo propósito de aperfeiçoamento moral e intelectual. A “cultuação” das letras sugere que a cultura é tratada como ferramenta de elevação humana, aproximando os irmãos pelo vínculo do conhecimento compartilhado             A  seguir, aprofunda o princípio de igualdade essencial entre os literatos, destacando que a verdadeira distinção não está na hierarquia, mas na qualidade do trabalho realizado. Nesse contexto, emular torna-se contradição ao espírito fraterno, pois a Maçonaria propõe o progresso interior como medida legítima de crescimento. Cada obreiro é convidado a superar a própria pedra bruta, contribuindo para a harmonia do conjunto sem rivalidades. 

     Por fim, a Academia é apresentada como um “bom teto”, metáfora de abrigo simbólico onde o labor cultural se desenvolve sob orientação de elevados princípios maçônicos. A referência ao Grande Arquiteto do Universo, Deus, surge como elemento tradicional da linguagem iniciática, conferindo unidade ao ideal de construção coletiva. Assim, a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras revela-se como espaço de edificação intelectual, cultural e fraternal, onde as letras servem de instrumentos para a contínua obra de aperfeiçoamento humano

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fevereiro 21, 2026

GRANDES LOJAS UNIDAS DA ALEMANHA – FRATERNIDADE DOS MAÇONS - Izautonio Machado

 


Em setembro de 2024 representei a GLOMARON na Conferência Trienal das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, a convite daquela Potência, em virtude do Tratado que havíamos recentemente celebrado. Por ocasião do evento, uma Carta foi distribuída aos presentes. Ao refletir hoje sobre o seu conteúdo, que – sendo sintético - toca na questão das transformações sociais contemporâneas, ética e humanismo, e por crer que o texto pode ser do interesse de alguns Irmãos estudiosos do tema, sendo mais direcionado para a realidade europeia, compartilho a tradução. Qualquer dúvida, tenho o original digitalizado.

Att, Izautonio Machado

Texto traduzido:

O Grão-Mestre

Boas-vindas e discurso do Grão-Mestre durante a Convenção de 25 a 27 de setembro de 2024

Mui Respeitáveis Grão-Mestres,

Valorosos e amados Irmãos, em todos os vossos graus,

Dou-lhes as boas-vindas aos nossos trabalhos rituais por ocasião da Convenção das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. É com grande satisfação que recebo os senhores, as delegações internacionais vindas de todo o mundo e os Irmãos das Grandes Lojas-membro sob o teto da VGLvD, para este evento.

Esta convenção é um sinal da estreita ligação que mantemos com as Grandes Lojas que reconhecemos. Aguardo com entusiasmo o aprofundamento dessas boas relações.

Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, tomo a liberdade de estender um pouco mais estas palavras de boas-vindas. Na Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, algo singular foi alcançado em nossa fraternidade global. Sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, reunimos cinco Grandes Lojas-membro, diversas em suas estruturas, rituais e costumes. O renascimento da Maçonaria na Alemanha teve início em 19 de junho de 1949. Contudo, nossa tradição remonta à fundação da primeira Grande Loja regular em 13 de setembro de 1740, em Berlim.

Em retrospecto, pode-se afirmar que a história da Maçonaria na Alemanha está longe de ser comum. Isso também se reflete na história da fundação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Foram necessários mais de trinta anos para que a Maçonaria regular na Alemanha se unisse sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha. Sem a ajuda das Grandes Lojas europeias, provavelmente não teria sido possível preservar a diversidade da Maçonaria na Alemanha.

Cito:

“Em grata lembrança da ajuda fraternal concedida no verão de 1957 pelos Grão-Mestres europeus reunidos em Londres à Maçonaria alemã, para sua unificação final em uma fraternidade dentro de uma ordem nacional comum, em reconhecimento à disposição demonstrada e declarada não apenas de participar, mas também de resolver amigavelmente questões aparentemente insolúveis, as duas Grandes Lojas fundadoras:

Grande Loja Unida dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha

e a Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha

apresentaram a seguinte CARTA MAGNA, não apenas às suas fraternidades, mas também às Grandes Lojas amigas.”

(Fim da citação)

Nossa história singular e, em particular, a grande solidariedade fraternal das Grandes Lojas europeias no período pós-guerra formam a base da estreita ligação das Grandes Lojas Unidas da Alemanha com as Grandes Lojas da Europa. A partir dessa ligação, é natural moldar ativamente a fraternidade europeia e global.

Como Grão-Mestre das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, sinto-me comprometido com essa estreita ligação.

Infelizmente, foi apenas após a reunificação, em 3 de outubro de 1990, que pudemos levar a Luz maçônica ao leste da Alemanha.

Isso quanto a um fragmento da história maçônica alemã. Voltemo-nos agora ao presente.

A Maçonaria na Alemanha, assim como a Maçonaria na Europa, enfrenta novos desafios. As sociedades estão mudando. Elas não mudam apenas porque as pessoas mudam — o que se poderia chamar de evolução —, mas porque vivemos uma revolução tecnológica global sem precedentes. Isso contribui significativamente para esse processo. Teremos de lidar com temas que jamais estiveram em nossa agenda anteriormente.

Nossa fraternidade sempre prosperou quando a sociedade mudou. Durante tais processos, os valores fundamentais da sociedade foram abalados. Existem inúmeros exemplos disso.

Atualmente, estamos vivenciando uma mudança social fundamental. Há uma tentativa de alterar valores centrais. Muito se torna arbitrário; aquilo que ontem era importante e correto é hoje questionado. Cada um de nós conhece inúmeros exemplos.

O populismo de direita, exibindo seus traços anti-humanistas, firmou-se em nossa sociedade. Isso já não são apenas ruídos de fundo. Isso me preocupa profundamente, pois não se trata apenas de um fenômeno alemão, mas europeu. Como maçons, devemos estar vigilantes.

Estou convencido de que, em um processo de mudança social sob as condições atuais, as pessoas, diante de grande incerteza, buscam pontos de ancoragem para sua orientação de valores. Nós valorizamos e nos comprometemos com nossa tradição de 300 anos. Antigos landmarks e valores são nossos pontos de ancoragem. Isso é importante e correto.

No entanto, não podemos evitar que nossa fraternidade se envolva com as transformações da sociedade. Envolver-se com as mudanças não significa abandonar aquilo que se mostrou válido. Nesse contexto, gostaria de enfatizar que a Maçonaria na Alemanha, sob o guarda-chuva das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, é uma fraternidade, uma irmandade!

Em uma fase como esta de mudanças sociais, nossa fraternidade tem as melhores oportunidades para dialogar com homens de boa reputação. A Maçonaria na Alemanha e na Europa não deve se esconder atrás de sua tradição de 300 anos. Com essa tradição, temos os melhores pressupostos para oferecer respostas. Precisamos utilizá-los.

Cada Grande Loja seguirá seu próprio caminho, com base em sua situação nacional, história e integração na sociedade. Isso é bom. Contudo, nós, os Grão-Mestres das Grandes Lojas da Europa, podemos trocar ideias de forma ainda mais estreita. Se nos aproximarmos mais e discutirmos juntos as questões do nosso tempo, encontraremos as respostas corretas.

Aguardo com expectativa esse caminho.

Michael Volkwein

Grão-Mestre da VGLvD

A POLÍTICA ESTÁ IMPEDINDO MUITAS PESSOAS DE VIVEREM - Cesar Romão

 



Nunca se falou tanto de política como agora. 

Ela está na mesa do almoço, no grupo da família, nas redes sociais, no trabalho, no bar e até nos momentos que antes eram reservados ao silêncio ou ao afeto. 

A política deixou de ser apenas um instrumento de organização coletiva e passou a ocupar o centro da vida emocional das pessoas. 

O problema não é discutir política, isso é saudável e necessário. O problema é quando essa discussão se transforma em obsessão, substituindo a própria experiência de viver.

A política contemporânea, especialmente em tempos de polarização extrema, deixou de ser um campo de ideias para se tornar um campo de identidades. As pessoas já não debatem propostas; defendem rótulos. 

Não buscam compreender; querem vencer. O outro não é mais um cidadão com visão diferente, mas um inimigo moral. Nesse ambiente, a política passa a funcionar como uma religião secular: há dogmas, hereges, profetas, fanáticos e condenações públicas. E como toda fé mal digerida, ela exige devoção total.

Enquanto isso, a vida real vai ficando em segundo plano. As conversas perdem leveza, os encontros perdem espontaneidade e as relações se tornam condicionais: só permanece quem pensa igual. 

Muitos já não sabem mais escutar sem preparar o contra-ataque. Outros acordam e dormem consumindo indignação, como se estivessem permanentemente em estado de guerra. Viver, nesse contexto, passa a ser apenas reagir.

Há um paradoxo cruel nisso tudo. A política deveria servir para melhorar a vida concreta, o trabalho, a saúde, a educação, o lazer e a dignidade. No entanto, quando ela se torna o eixo absoluto da existência, acaba produzindo o efeito contrário: mais ansiedade, mais rupturas, mais frustração e mais amigos se afastando. Pessoas brigam por políticos que nunca as conhecerão, rompem amizades por ideologias que não lhes darão colo e sacrificam momentos únicos em nome de discussões repetitivas e estéreis.

Esquecer-se de viver não significa alienar-se. Significa lembrar que a vida é maior que o debate. Que existe beleza fora das manchetes, sentido fora das timelines e humanidade fora dos discursos prontos. Viver é conversar sem transformar tudo em trincheira, é rir sem culpa, é amar sem pedir declaração ideológica. É compreender que nenhuma causa vale a perda completa da sensibilidade e do bom senso. 

A política tem origem na necessidade humana de viver em comunidade. Desde os primeiros agrupamentos sociais, os seres humanos precisaram criar regras para organizar a convivência, distribuir recursos, resolver conflitos e tomar decisões coletivas. Essa prática antecede qualquer teoria formal e nasce da própria vida social.

O termo “política” vem do grego politiké, derivado de pólis, que significava cidade-estado. Na Grécia Antiga, especialmente em Atenas, a política passou a ser compreendida como a arte de governar a cidade e buscar o bem comum. Participar da vida política era considerado parte essencial da condição humana, pois o homem era visto como um “animal político”, como definiu Aristóteles.

Com o tempo, a política evoluiu e assumiu diferentes formas: impérios, monarquias, repúblicas e democracias. Apesar das mudanças históricas, sua essência permaneceu a mesma: organizar o poder e mediar interesses dentro da sociedade. Assim, a política surge não como um fim em si, mas como um instrumento para tornar possível a vida coletiva.

Talvez o maior ato político, hoje, seja resgatar o ser humano. Defender a convivência, o diálogo imperfeito, a pausa, o afeto. A política passa; a vida, quando não vivida, não volta.

Tanta discussão sobre política parece não resultar em nada, as eleições surgem e os mesmos que criticamos, elegemos mais uma vez. Quando um político duvidoso sem ética surge, é um empurra empurra para se fazer uma self com ele. 

Diógenes de Sinope filósofo grego da escola cínica andava pelas ruas de Atenas em pleno dia com uma lanterna acesa, afirmando estar “procurando um homem honesto”. Esse ato era uma performance satírica que criticava a hipocrisia, a corrupção e a falta de virtude genuína na sociedade da época. 

A Lanterna de Diógenes teria ótima função nos dias de hoje. 

A vida surgiu há pelo menos 3.8 bilhões de anos no planeta, o ser humano surgiu há 300 mil anos, a política surgiu há 5 mil anos a.C. Como devemos muitos respeito aos mais velhos, devemos dar mais valor e atenção a nossa vida. 




fevereiro 20, 2026

CONVITE PARA SESSÃO DE ELEVAÇÃO - Jorge Gonçalves




ARLS CONSTANCIO VIEIRA 3300 - ARACAJÚ 

Dia 24 de fevereiro de abril às 19:30

Segundo Harry Carr, entre os séculos XIV e o início do século XVI da *Maçonaria operativa documentada* existia apenas um grau, o Companheiro, o pedreiro plenamente formado. Nesse período, o Aprendiz era juridicamente considerado propriedade de seu mestre, tratado como um ativo do ofício.

Somente a partir do início do século XVI, com mudanças graduais nas leis de trabalho e no reconhecimento da condição humana do Aprendiz, surgiram cerimônias específicas para esse grau.

Portanto, meus inestimáveis Irmãos, venham participar desta *Sessão Magna de Elevação*, testemunhando a passagem do nosso Irmão para o grau que representou, por séculos, o coração da Maçonaria operativa e o verdadeiro ingresso pleno na Arte Real.



DO CONTRAPONTO - Heitor Rodrigues Freire

 


No campo das relações humanas, destaca-se como parte importante o contraponto, que é um outro ponto de vista acerca do tema central em uma discussão – diga-se, discussão em alto nível –, e não uma briga ou disputa.

Na música, o contraponto é a arte de combinar duas ou mais melodias independentes que soam simultaneamente de forma harmoniosa, criando uma textura rica.

No sentido figurado, que é o que nos interessa neste texto, o contraponto se refere a algo que serve de contraste ou que se contrapõe a uma ideia, adicionando uma perspectiva diferente e complementar, como, por exemplo, um sabor salgado que equilibra um doce. 

Em uma discussão ou debate, o contraponto é a argumentação ou perspectiva que se opõe ao ponto de vista principal, servindo para balancear a discussão ou introduzir mais complexidade ao tema.

Na arte, literatura ou design, um contraponto pode ser um elemento que contrasta fortemente com os demais para criar interesse visual, tensão ou profundidade, destacando as diferenças e gerando um efeito de equilíbrio ou conflito.

No direito, o contraponto aparece como o contraditório, ou seja, uma outra versão que contrasta com a inicialmente proposta. Ele está embasado no princípio da dúvida.

Essencialmente, a ideia central do contraponto, mesmo em contextos não musicais, é a combinação de elementos distintos que funcionam em conjunto para criar um todo mais complexo ou equilibrado, seja uma discussão, uma obra de arte ou uma situação social.

Vejamos, a seguir, algumas situações em que se apresenta o contraponto:

Em um debate: Uma pessoa defende um ponto, e outra apresenta um contraponto, uma ideia oposta que rebate ou questiona a primeira;

Em um livro: O autor usa o contraponto para mostrar a visão de um personagem contrastando com a de outro, ou para apresentar fatos históricos sob diferentes óticas;

Na música (origem do termo): A sobreposição de melodias independentes, como uma linha de baixo e uma melodia vocal, que juntas formam uma harmonia. 

Filosoficamente, o contraponto de ideias refere-se ao uso de ideias opostas, conflitantes ou alternativas usadas para promover o pensamento crítico, aprofundar a compreensão e, em algumas correntes, impulsionar o progresso do pensamento ou da história. 

Embora o termo "contraponto" tenha origem na música (que significa "ponto contra ponto"), na filosofia ele é usado metaforicamente para descrever o choque, a justaposição ou a interação de teses ou pontos de vista distintos. 

Há alguns conceitos filosóficos relacionados ao contraponto:

Na dialética: O contraponto de ideias é central para o método dialético, que tem raízes em filósofos como Sócrates e, mais proeminentemente, em Hegel. Na dialética, uma ideia (tese) é confrontada por uma ideia oposta (antítese), e dessa interação (que pode ser vista como um contraponto) emerge uma terceira ideia (síntese), que supera e incorpora aspectos das duas anteriores. Esse processo é visto por Hegel como o motor do progresso do pensamento e da história;

Unidade dos opostos: Filósofos pré-socráticos como Heráclito já abordavam a importância dos opostos, argumentando que a harmonia e a própria existência surgem da tensão e da interdependência entre elementos contrários (como dia e noite, guerra e paz). A tendência de um extremo conduzir ao seu oposto é vista como um princípio fundamental da realidade;

Ceticismo e relativismo: A apresentação de argumentos opostos (contrapontos) é uma técnica usada por correntes céticas, como a sofística, para demonstrar que para cada tópico existem dois argumentos igualmente fortes (equipolentes), o que mina a possibilidade de uma verdade absoluta, que cá para nós, não existe;

Argumentação e senso crítico: Em um sentido mais contemporâneo, o contraponto de ideias é essencial para o desenvolvimento do senso crítico e do diálogo racional. A exposição a perspectivas diferentes desafia pressupostos, permite a análise de um problema sob múltiplos ângulos e refina a capacidade de contra-argumentar e construir posições mais robustas, e esse refinamento estimula e enriquece o debate.

Em resumo, o contraponto de ideias é um mecanismo filosófico vital que reconhece e utiliza a oposição e a contradição como ferramentas para a exploração intelectual e a busca por uma compreensão mais profunda da realidade ou da verdade. 

Não é bonito, isso?