janeiro 07, 2026

É TEMPO - Adilson Zotovici


Chega o ocaso de mansinho

Nova estação se assenhora

Tempo de ação que sublinho

Dum novo ano a aurora


Houve pedra no caminho

Qual Drummond dissera outrora

Inda que algum espinho

Feito flor nos deu escora


Com penhor e com carinho

Saturnalias mundo afora

Com amor, com pão e vinho

Alegria o quão sonora


Mas o tempo que avizinho

Com excelência diz que agora

De volver ao meu cantinho

Sem indolência, sem demora


Labutar...jamais sozinho

Com ferramental que aflora

Da Arte Real qual me alinho

Sem perder um segundo...é hora !




CRUZANDO O PORTAL - Newton Agrella



Dá pra mudar algumas coisas, sim !

Dá pra abrir este novo portal do tempo com uma dose mais generosa de empatia, acolhimento e tolerância.

Dá pra fazer do mero exercício do discurso, uma ação ritualística mais consistente

Dá pra transformar a reles convivência humana em fraternidade

Dá pra olhar do lado e enxergar alguém, que de fato, precise de um ombro amigo ou de um braço estendido.

Dá inclusive pra escutar muito mais e falar bem menos. Ainda que isto seja bem complicado.

Dá pra compartilhar mais experiência e acumular mais conhecimento através da sabedoria...

E não muito longe disso, diante desse portal que mal estamos cruzando, dá pra se valer do discernimento e do bom senso, antes da tomada de qualquer atitude impulsiva.

Dá pra pensar mais detidamente e especular  ainda mais, pela busca da evolução e do nosso aprimoramento conciencial.

E aí sim... depois dessa bateria de ginástica mental, dá pra se fazer uma avaliação mais significativa sobre o nosso próprio entendimento entre Viver e Existir.

Sempre dá pra ser melhor !



E OS ADVÉRBIOS? - Heitor Rodrigues Freire



Neste início de um novo ano, surgem muitas propostas de mudança de comportamento, prometendo verdadeiros “milagres”, caso se adotem as medidas mirabolantes. Mas, na realidade, são meras ilusões que as mentes influenciáveis aceitam como possibilidade real – no entanto, são panaceias, sem nenhuma eficácia.

Recebi uma mensagem simples que considero verdadeira, que não promete nada, mas condensa uma verdade: “Gratidão em retrospectiva; esperança em perspectiva”.  Isso tudo para dizer que desejo a todos os meus leitores um Feliz e Próspero Ano Novo. 

E, dando continuidade às minhas incursões no campo da gramática, mais do que a função de cada parte, o que mais me inspira é sua função filosófica, e não os elementos gramaticais ou a classe das palavras. Como sabemos, gramática é o conjunto de regras que indicam o uso correto de uma língua, tanto em relação à escrita quanto à leitura. É por isso que a palavra gramática, de origem grega (grámma), significa “letra”.

Elementos gramaticais, ou classes de palavras, são as dez categorias que organizam o português: substantivo, verbo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, preposição, advérbio, conjunção e interjeição, cada qual com sua função específica (nomear, indicar ação, caracterizar, etc.) e que podem ser divididas entre variáveis (mudam gênero/número) e invariáveis (não mudam).  

Há quatro tipos de gramáticas: normativa, descritiva, histórica e comparativa. Ao mesmo tempo, a gramática da língua portuguesa é dividida em fonologia, morfologia e sintaxe. Nessa divisão, há gramáticos que incluem a semântica, que, aliás, já foi objeto de um artigo anterior.

Do ponto de vista filosófico, a gramática é vista como um espelho do pensamento e da razão, refletindo a estrutura subjacente à realidade ou à mente humana. A filosofia da linguagem, que aborda essas questões, investiga a relação entre a gramática, o pensamento, a realidade e a forma como a linguagem organiza a experiência humana. 

Em resumo, a filosofia vê a gramática não apenas como um conjunto de regras normativas para se falar corretamente, mas como uma janela para a natureza da mente, a organização do pensamento e da própria realidade. 

Dentro desse contexto, hoje vamos abordar, do ponto de vista filosófico, os advérbios, elementos cruciais para a modulação da realidade e da verdade proposicional, atuando como ferramentas linguísticas que permitem expressar nuances de circunstância, modalidade e perspectiva subjetiva. Eles transcendem a função puramente gramatical de modificar verbos ou adjetivos, impactando diretamente na forma como percebemos e descrevemos o mundo. 

O significado filosófico dos advérbios reside na sua capacidade de refinar a descrição da ação ou do estado, introduzindo complexidade à representação da realidade:

1. Circunstancialidade e contexto: advérbios de tempo, lugar e modo situam eventos e ações em contextos específicos. Isso é fundamental para a ontologia (estudo do ser) e a metafísica, pois ajuda a definir onde e quando algo existe ou acontece, em oposição a uma existência atemporal ou abstrata.

2. Modalidade e verdade: advérbios de afirmação, negação e dúvida são essenciais na lógica e na epistemologia (teoria do conhecimento). Eles expressam o grau de certeza ou a atitude do falante em relação à verdade da proposição, afetando o valor de verdade da frase como um todo.

3. Subjetividade e perspectiva: advérbios modais ou de comentário inserem a avaliação ou o ponto de vista do sujeito na descrição objetiva. Isso levanta questões filosóficas sobre a separação entre fato e valor, e como a linguagem codifica a experiência subjetiva. 

A importância dos advérbios para a filosofia reside em:

Precisão da linguagem: na filosofia, a busca por clareza e precisão é primordial. Os advérbios permitem uma descrição mais matizada e exata dos fenômenos, evitando generalizações excessivas.

Análise da ação: para a ética e a filosofia da ação, os advérbios de modo são cruciais. Descrevem como uma ação foi executada (ex: intencionalmente, acidentalmente), o que é vital para atribuir responsabilidade moral ou legal.

Reflexão sobre o tempo e espaço: advérbios de tempo e lugar incitam a reflexão sobre a natureza do tempo e do espaço. A gramática, através destas classes de palavras, espelha e, de certa forma, molda nossa compreensão intuitiva destas categorias metafísicas. 

O advérbio é uma classe de palavra invariável que tem como principal função modificar o sentido de um verbo, adjetivo, outro advérbio ou até mesmo uma frase inteira, indicando uma circunstância específica. 

Os advérbios são classificados de acordo com a circunstância que exprimem. Tipos de advérbio: lugar, tempo, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida.

Em suma, os advérbios são ferramentas linguísticas poderosas que permitem à filosofia explorar as complexidades da existência, do conhecimento e da moralidade, indo além da simples descrição de objetos e ações para especificar as circunstâncias e as atitudes envolvidas. 


janeiro 06, 2026

A 'ESPINHA DORSAL" DA MAÇONARIA - Rogério Paschoal



Se tivéssemos que escolher um único filósofo cujo pensamento é a própria "espinha dorsal" da Maçonaria moderna (especialmente a partir do século XVIII), este nome seria Immanuel Kant (1724–1804).

Embora nomes como John Locke (política) e Spinoza (panteísmo/natureza) sejam fundamentais, é na obra de Kant que encontramos a estrutura da autonomia da vontade, o conceito do dever e a busca pela paz perpétua, que definem o Mestre Maçom ideal.

Abaixo, apresento os aspectos de sua filosofia que impactaram diretamente a Maçonaria:

1. O Imperativo Categórico: A Lei Moral em Si Mesma

A maior contribuição de Kant para a Maçonaria é o Imperativo Categórico: "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal".

Impacto Maçônico: Este conceito é a tradução filosófica da "Lei Moral" exigida nas Constituições de Anderson. O Maçom não é ético por medo do castigo ou promessa de recompensa (Ego), mas porque reconhece que a ética é uma necessidade da razão. Isso define a retidão do Mestre que não precisa de um vigia para agir corretamente.

2. A Autonomia da Vontade: O Homem como Senhor de Si

Kant define o Iluminismo como a saída do homem de sua "menoridade intelectual" (incapacidade de pensar por si mesmo).

Impacto Maçônico: É o cerne da transição da Pedra Bruta para a Pedra Polida. O Maçom busca a autonomia — a capacidade de legislar sobre si mesmo, dominando seus instintos e paixões através da razão. Ser um "Homem Livre e de Bons Costumes" é, em termos kantianos, ser um homem autônomo que não se deixa escravizar por dogmas ou impulsos externos.

3. A Dignidade da Pessoa Humana

Kant formulou que o ser humano deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo, e nunca apenas como um meio.

Impacto Maçônico: Este é o fundamento da Fraternidade. A Maçonaria moderna adota esse princípio para combater a exploração, o preconceito e a superioridade de castas. Se todo homem tem dignidade inerente, a desigualdade profana deve ser deixada na porta da Loja, tratando a todos pelo nível da igualdade.

4. A Paz Perpétua e o Cosmopolitismo

Em seu ensaio "À Paz Perpétua", Kant propõe uma federação de estados livres e uma cidadania mundial baseada na hospitalidade universal.

Impacto Maçônico: A Maçonaria é a personificação dessa ideia. A "Cadeia de União" que atravessa fronteiras e une homens de diferentes nações e crenças é a aplicação prática do cosmopolitismo kantiano. A Loja Maçônica é vista como o "laboratório" onde a paz perpétua é ensaiada através da convivência tolerante entre opostos.

5. A Religião dentro dos Limites da Simples Razão

Kant argumentava que a verdadeira religião consiste na intenção moral, e não em rituais externos ou dogmas irracionais.

Impacto Maçônico: Isso justifica o conceito do G.A.D.U. (Grande Arquiteto do Universo). A Maçonaria adota uma visão de divindade que é compatível com a razão e que foca na prática das virtudes (o trabalho), exatamente como Kant propôs ao separar a moralidade do dogma eclesiástico.

Síntese para o Mestre Maçom (2026)

Em janeiro de 2026, o Mestre que estuda Kant entende que o verdadeiro "Segredo" não é uma palavra, mas a lei moral inscrita no coração. Kant trouxe a luz necessária para transformar a Maçonaria de uma guilda de construtores em uma escola de cidadania ética universal.

Para aprofundar, recomenda-se a leitura da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, onde o rigor e a disciplina da mente (tão valorizados no século XVIII) são apresentados como o único caminho para a verdadeira liberdade.

VIDA SIMPLES - Juarez Castro



Se pensarmos bem, o que a Maçonaria pede de cada um de nós? 

Não pede grandes coisas. 

Não pede que sejamos perfeitos. 

Nem que sejamos super-homens. 

Ela pede que sejamos simples. 

Que tenhamos uma vida simples.

Uma das coisas que chama sempre a atenção em nossa Iniciação é que nos são tirados todos os bens materiais. 

Nós entramos na Maçonaria sempre: “nem nu nem vestido”. 

Entramos simples. Despojamo-nos de tudo para ver que a vida é simples. 

Tanto é verdade que assistimos o ato dramático do Hospitaleiro que nos pede “um pequeno auxílio para os desgraçados que vamos socorrer” e não temos nada. 

E isso é uma falta aos princípios de caridade da Maçonaria. 

Este ato não foi para colocarmos em situação de vexame, nem de humilhação, mas para mostrar que a Maçonaria quer que sejamos simples. 

Que sejamos despojados de vaidades e do luxo da sociedade.

O “Nem nu nem vestido” quer dizer que fomos privados dos bens materiais para lembrar que nascemos sem nada e que devemos primar pelo aprimoramento espiritual e, pela simplicidade para fazer o bem a humanidade pelos nossos próprios esforços. 

Fazer o bem sem olhar a quem.

Na realidade, diz-nos frei Jonas Nogueira da Costa, que

• “A simplicidade nos obriga a olhar para nós mesmos”.

E é isso que a Maçonaria quer de cada um de nós: Olhar-nos.  

Por isso que ela nos fez fazer algumas viagens para entender o que ela queria de nós. 

As viagens foram por caminhos escabrosos, semeados de dificuldades, repletos de dificuldades, em meio a ruídos e de trovões atordoadores, e depois por uma estrada menos difícil.

E finalmente por uma terceira viagem por um caminho plano e suave envolto no maior silêncio, demonstrando o caminho da simplicidade.

Esta última viagem nos mostra o “estado de paz e tranquilidade resultante da ordem e da moderação das paixões do homem, que atinge a idade da maturidade e da reflexão”. 

É a vida simples do Maçom.

Primeiro a Maçonaria nos dá, para depois cada um dar-se ao próximo. 

Dar aquilo que temos de mais profundo em nosso ser: Amor. 

E para isso precisamos ter uma vida simples. 

Porém, cheio de vontade de colaborar com o desenvolvimento da humanidade.

Para isso, precisamos agir como “Pedra Polida que representa o homem instruído que dominou as paixões e abandonou os preconceitos e se libertou das asperezas da Pedra Bruta” que diligentemente a poliu.




janeiro 05, 2026

ANTES DE O ESTADO SER UMA MÁQUINA, ELE FOI UM RITO

 


Catedral de Reims


Antes de o Estado ser uma máquina, ele foi um rito.

Na França medieval, o poder real não se legitimava apenas pela força ou pela herança: ele era sagrado. O rei não governava “por si”, mas por Deus. Dessa sacralização nasceu, lentamente, algo novo: o Estado moderno.

O rei ungido

A cerimônia de coroação, celebrada em Reims, era o coração simbólico do poder. Ali, o rei era ungido com o óleo da Sainte Ampoule, gesto que o separava dos demais homens. Não era apenas coroado: era consagrado. Seu corpo tornava-se inviolável; sua autoridade, transcendental.

Essa unção criava uma ideia poderosa: o rei possuía dois corpos — um natural, mortal; e outro político, eterno. Mesmo quando um rei morria, a realeza permanecia. O poder deixava de ser pessoa para tornar-se instituição.

Justiça como missão sagrada

A sacralização não era só ritual; era prática. Governar significava fazer justiça. Reis como Luís IX encarnaram esse ideal: julgavam pessoalmente, protegiam os fracos, apresentavam-se como árbitros supremos. A justiça real tornava-se o eixo do reino — e o embrião do direito público.

Do sagrado ao administrativo

Com o tempo, o poder ungido precisou de mãos, olhos e voz. Surgiram conselhos, escribas, tribunais, impostos, arquivos. A fé sustentava a coroa; a administração sustentava o governo. Paris concentrou esses instrumentos: leis, registros, finanças. O Estado começava a ter forma própria, independente do rei individual.

Absolutismo: a ponte

No século XVII, a sacralização alcança sua expressão máxima. Com Luís XIV, o rei afirma: “O Estado sou eu.”

Não é apenas arrogância; é a culminação de um processo. O poder, antes distribuído entre senhores, Igreja e cidades, concentra-se no centro. O sagrado legitima a centralização; a centralização cria o Estado.

O paradoxo fundador

Mas a sacralização traz uma contradição: ao tornar o poder absoluto, ela o torna também visível — e, portanto, questionável. Quando o rei falha, não falha apenas um homem: falha um sistema. A crítica cresce, a razão ilumina, e a fé política se desgasta.

Assim, aquilo que criou o Estado moderno também preparou sua transformação. A soberania deixa o corpo do rei e migra, pouco a pouco, para a nação.

O legado

O Estado moderno nasceu ajoelhado, entre óleo sagrado e altar.

Aprendeu a andar com leis, arquivos e impostos.

E, mais tarde, aprendeu a caminhar sem coroa.

A sacralização do rei não foi ilusão: foi fundação.

Sem ela, não haveria continuidade.

Sem superá-la, não haveria modernidade.


Fonte: Facebook



MEMÉTICA NA MAÇONARIA - Charles Boller



Que fascínio exercem os contadores de histórias, romancistas e dramaturgos? 

Porque é que os seres humanos dedicam tantas horas concentrados, até alienados, a assistir a filmes, ler livros ou jogar conversa fora? 

E como é gratificante ouvir o som das palmas de uma criança quando lhe é prometido um conto; júbilo este que se propaga entre adultos. 

São atitudes que certificam que a espécie humana é a única que troca histórias entre si. 

O hábito provavelmente estabeleceu-se na pré-história do homem, em momentos de ociosidade dentro das cavernas, onde contavam histórias entre os acontecimentos do dia. 

Isto propiciou o fato da maioria dos conceitos éticos e morais aportarem no presente por intermédio de parábolas. 

Em função disto determinou-se que a sociedade humana só está no seu atual desenvolvimento em resultado da transmissão dos mitos e de como estes influenciaram na psique humana. 

É tanto que, são as ficções as responsáveis pelas explicações das mais diversas realidades espirituais, transcendentais, sociais e cósmicas.

O iniciado na Ordem Maçónica é diversas vezes conduzido em viagens simbólicas; conduzem-no por sendas imaginárias que lhe são dadas a desbravar física, emocional e mentalmente. 

Para aumentar o impacto e aguçar a sensibilidade emocional e cognitiva, alguns destes passeios são feitos às cegas, com os olhos vendados. 

Mesmo na rigidez ritualística com que estes deslocamentos físicos são efetuados, em virtude da individualidade, cada indivíduo os percebe psicológica e racionalmente à sua maneira, alicerçado nos seus próprios referenciais, baseado nos mitos e sistemas de crenças previamente fixados pela sua experiência de vida.

Surge uma questão: até onde é que estas jornadas da Maçonaria conduzem? 

Até a morte; a maior ameaça que pode atingir alguém. 

Cada vez que um Maçom passa de grau por iniciação, dispara-se nele simbolicamente uma angústia existencial aterradora, experimenta o fim, a morte. 

Estas reiteradas mortes fictícias têm por objetivo negociar com o pavor da abominável destruição. 

Ao homem Maçom é dado aprender a morrer para condições anteriores; a valores morais e éticos, e ao mesmo tempo é auxiliado emocionalmente a superar a angústia da morte. 

Resumindo: aprende a morrer bem, para viver bem. 

Para Sócrates, o homem virtuoso não pode sofrer nenhum mal, nem da vida, nem da morte. 

Nem da vida porque os outros podem danificar-lhe os haveres ou o corpo, mas não arruinar-lhe a harmonia interior e a ordem da alma. 

Nem na morte, porque, se existe um além, o virtuoso será premiado; se não existe, ele já viveu bem no aquém, ao passo que o além é como um ser no nada” (G. Reale). 

As religiões criaram mecanismos para atenuação emocional deste trauma: promessa de uma vida futura num jardim de delícias; restauração num novo sistema de governo mais justo aqui na Terra mesmo. 

Outras declaram que o adepto será levado a um lugar onde será servido por dezenas de virgens pela eternidade. 

O Maçom, por experimentar repetidas mortes simbólicas, e tendo compreendido e praticado o seu sentido simbólico, passa a gozar a vida em graus de harmonia correspondentes ao quanto ele absorveu e vivenciou daquelas experiências. 

E passa a ser afetado de forma positiva no conjunto de circunstâncias físicas e de relacionamento interpessoal; aproveitando no aquém as benesses de levar vida virtuosa.

A morte, por ser única, é destino que a mente humana não aceita, haja vista os genes imporem a sobrevivência a qualquer custo. 

Os psicodramas vividos nas passagens de grau, sabidamente lendas, objetivam e ensinam a morrer.

Ao vivenciar a morte, de imediato o recipiendário normalmente alcança um entendimento razoável da mensagem, e, se mudar os seus parâmetros de vida, passa a viver cada vez melhor desde entã

Entretanto, ele também é atingido por sugestões subliminares; outros pensamentos são incompreensíveis por não disporem de referenciais na base do seu entendimento. 

No exato instante da transferência da informação para o seu cérebro, a informação pode não ficar clara quanto ao objetivo, mas, ao longo do crescimento dentro do contexto da lenda do grau, ou noutros mais elevados, se houver esforço pessoal, despertarão percepções que linguagem alguma teria condições de verbalizar.

Porque os mitos se espalham e se mantém ao longo da linha do tempo? 

A ideia foi lançada pela primeira vez em 1976, por Richard Dawkins, que partiu do princípio de, sendo as leis físicas verdadeiras, e, alicerçado na ação biológica da replicação; uma vida gera a outra vida apoiada nos genes, ele transportou os conceitos da imutabilidade das leis físicas e da capacitação replicante da genética para a capacidade humana em transmitir ideias. 

A cada unidade de informação ele denominou meme. Provinda do verbete grego mimeme (imitação), abreviando-o depois para meme apenas para ficar parecido com gene. 

Sugeriu que, assim como os genes induzem a desejar a sobrevivência pela replicação, também os memes se propagam e reproduzem no tempo pulando de um cérebro para outro. 

Ao aportarem no receptor, os princípios e conceitos recebidos são agrupados ao referencial existente, fundem-se ao que ele já possui. 

Se encontradas condições favoráveis, acabam por se transformarem em algo aceitável, trabalhando no sentido de beneficiar o seu utilizador; à semelhança das mortes sucessivas das iniciações maçónicas levarem a intuir o viver bem na vida aquém.

Considerando que “somente o sábio, que esmagou os monstros selvagens das paixões que lhe agitam no peito, é verdadeiramente suficiente a si mesmo: ele aproxima-se ao máximo da divindade, do ser que não tem necessidade de nada” (W. Jäger). 

Outras transações meméticas entre os maçons se fazem necessárias para o entendimento do que realmente a Maçonaria intenciona que cada um descubra durante a sua edificação interna. 

Sem a troca memética não é possível descobrir que dentro de si se encontra a lei que levará ao despertar para o culto do amor fraterno, verdade que a maioria dos grandes iniciados da história descobriram como solução única aos problemas da humanidade.

Que vindes fazer aqui? 

Se não for para transmitir memes às mentes de teus irmãos, quer perda de tempo maior? 

Depois de aprender, é só pensar, filosofar, contar histórias, enfim, transmitir memes; propiciar que os interlocutores efectuem ligações neurais e gerem em si o alimento para que se autoconstruam dentro do objectivo do “conhece-te a ti mesmo”. 

Partindo do princípio que todos os seres humanos são tripulantes desta linda nave espacial Terra e dependerem uns dos outros para manter a supremacia como espécie, a memética é fator fundamental para manter esta condição. 

E como se faz isto na Maçonaria? 

Apresentando peças de arquitetura; lançando novas ideias; conversando após as sessões; visitando outras lojas; visitando os irmãos nas suas residências; visitando aqueles irmãos que passam por situações difíceis; replicando e criticando construtivamente, dicotomizando, reconstruindo pensamentos pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese; derrubando conceitos antigos e construindo novos, num processo continuo de transmissão e replicação memética.

A memética é a técnica utilizada para revelar o conhecimento ao iniciado na ordem maçónica. 

Com esforço, dedicação e perseverança, o Maçom vai misturando as histórias que lhe são contadas ao referencial pessoal e então os insights explodem em fascínio e admiração; outros pensamentos ficam dormentes no limiar da consciência para despertarem mais tarde; outros, nunca aflorarão. 

Certamente este é um dos caminhos que conduzem ao encontro da luz emanada do Grande Arquiteto do Universo. 

Como se certificar disto? 

Apoiando-se na memética e viajando pelos caminhos da jornada solitária que cada um faz a sua alma, e cuja aplicação é oportunizada em cada encontro Maçom.


janeiro 04, 2026

RONDÔNIA, 44 ANOS - Aldino Brasil


Rondônia, 44 anos! O Estado de Rondônia foi criado oficialmente pela Lei Complementar nº 41 em 22 de dezembro de 1981, sendo instalado em 4 de janeiro de 1982, quando Jorge Teixeira de Oliveira tomou posse como o primeiro governador, marcando a transição do antigo Território Federal de Rondônia para um estado, comemorando-se o aniversário nesta data de instalação, ressaltando sua jovem história e importância para o desenvolvimento do Norte do Brasil.

A região era o antigo Território Federal do Guaporé, criado em 1943, desmembrado de Mato Grosso e Amazonas.

Em 1956, foi rebatizado como Território Federal de Rondônia, em homenagem ao Marechal Rondon.

O grande passo foi dado com a sanção da Lei Complementar nº 41, em 22 de dezembro de 1981, pelo presidente João Batista Figueiredo, elevando o Território à categoria de Estado.

A data de 4 de janeiro de 1982 é a da instalação, com a posse do primeiro governador, Cel. Jorge Teixeira de Oliveira, marcando o início da administração estadual e a comemoração anual.

(Por iniciativa dos ilustres maçons deste Estado nasceu em Rondônia, há 5 anos, a a Loja Maçônica Virtual Lux in Tenebris 57, a primeira do Brasil e também a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras que tenho a honra de presidir - Michael Winetzki)

MACONARIA E PROTESTANTISMO - Viviane Ribeiro


 A Curiosa Relação da Maçonaria Brasileira com a chegada dos primeiros missionários protestantes ao Brasil Império. Os missionários protestantes norte-americanos, de origem sulista, que chegavam ao Brasil em 1862, foram os primeiros protestantes a chegarem no País com o objetivo de proselitismo religioso. 

Há anos já havia comunidades de protestantes alemães e ingleses, mas que não tinham nenhuma intenção de expandir sua fé. A Imigração dos confederados que resultou na fundação da Igreja Presbiteriana no Brasil, foi sugerida pelo Grão Mestre do Grande Oriente e líder da Maçonaria Conservadora, Visconde do Rio Branco, ao missionário presbiteriano, Alexander Blackford, fundador do primeiro órgão de imprensa Protestante no Brasil, contou com o apoio e colaboração de Joaquim Nabuco, considerado líder da Maçonaria Liberal. 

A  proteção dispensada aos agentes bíblicos e aos missionários por parte da maçonaria, e a defesa da liberdade religiosa, foi apenas parte de uma jogada política contra o poder da Igreja Católica. A maçonaria via os protestantes como os representantes da “modernidade” no Brasil, daí surgiu a crença entre a elite liberal e maçônica de que o atraso brasileiro era consequência da dominação Romana, tal situação seria resolvida mediante a imigração em massa dos povos protestantes e da imposição de seu estilo de vida baseado na valorização do trabalho e da educação.

Paralelamente à construção das igrejas, os missionários criaram escolas com a finalidade de instruir e educar os filhos dos fiéis dentro da ética protestante. Contudo, essas escolas passaram a receber os filhos da elite liberal-republicana e da maçonaria, uma vez que foram organizadas segundo o modelo norte-americano de educação moderna, pragmática e cientifica.

Fonte: PROTESTANTISMO, LIBERALISMO, MAÇONARIA E A EDUCAÇÃO NO BRASIL, NA SEGUNDA METADE DO Século XIX. 


2026 - Adilson Zotovici



Rogo-te Grande Arquiteto

Muita Luz na nova estação

Um próspero ano repleto

De paz, saúde e união


Dá vida ao bom projeto

Força na realização

Torna o bom sonho concreto

No tempo certo a solução


Com o Teu Manto dileto

Cobre a Sublime Instituição,

A família, nosso teto,

O carente, a população...


Que a sabedoria o objeto

Equilíbrio e resignação

Frente a algum desafeto

Em conceder-lhe o perdão


Tua proteção no trajeto

À vida, que em Ti a razão

Por ela, por tudo, com afeto...

Nossa eterna Gratidão !



RELIGIÃO E MAÇONARIA: DOIS CAMINHOS, UMA MESMA PERGUNTA - Rui Calado


Religião e Maçonaria nascem do mesmo ponto original: a inquietação humana diante do mistério. 

Ambas procuram responder à pergunta fundamental — de onde venho, quem sou, para onde vou? — mas fazem-no por vias distintas, quase opostas na forma, ainda que não necessariamente no fim.

A religião estrutura-se a partir da revelação. 

Parte de uma verdade transmitida, fixada na palavra, no livro, no dogma. 

Organiza a relação com o sagrado através da crença, do culto e da pertença. 

A sua força reside na capacidade de criar comunidade, sentido partilhado, narrativa comum. 

O seu risco está em confundir o símbolo com a realidade, a mediação com o absoluto, a obediência com a consciência.

A Maçonaria, pelo contrário, estrutura-se a partir da iniciação. 

Não transmite verdades finais; propõe experiências simbólicas. 

Não exige fé; exige trabalho sobre si. 

Não define Deus; aponta para um Princípio, deixando à consciência de cada um a forma de o nomear. 

Onde a religião afirma, a Maçonaria sugere; onde a religião prescreve, a Maçonaria simboliza.

Do ponto de vista simbólico, a diferença é clara: a religião eleva o olhar para o céu; a Maçonaria baixa-o para a pedra. 

Uma fala da salvação da alma; a outra da construção do homem. 

Uma promete redenção; a outra exige lapidação. 

Não são caminhos rivais, mas planos distintos.

A confusão começa quando a religião pretende ser iniciática sem o ser, ou quando a Maçonaria é lida como religião alternativa — erro frequente de críticos e de alguns entusiastas. 

A Maçonaria não substitui o sagrado religioso nem o combate; trabalha antes num plano ético, simbólico e antropológico, anterior a qualquer confissão. 

Por isso pode acolher homens de diferentes crenças sem lhes pedir renúncia.

Historicamente, a tensão entre ambas nasce quando a religião institucional se sente ameaçada por um espaço onde a consciência não é tutelada. 

A Maçonaria afirma a liberdade interior, o uso da razão, a dignidade do símbolo. 

Não nega Deus; recusa falar em nome de Deus.

Esse silêncio ativo é, talvez, a sua maior heresia aos olhos do dogma.

Iniciáticamente, a religião tende a oferecer um caminho vertical — do homem para o divino — mediado por uma autoridade espiritual. 

A Maçonaria propõe um caminho horizontal e circular — do homem para si mesmo, e deste para a humanidade. 

O divino, se existir, manifesta-se como ordem, harmonia, lei moral inscrita no coração do ser humano.

Num tempo em que as religiões perdem autoridade simbólica e a espiritualidade se fragmenta, a Maçonaria permanece como um espaço raro de trabalho simbólico não dogmático. 

Não promete sentido; constrói-o. 

Não impõe valores; exercita-os. 

Não oferece certezas; educa para a dúvida fecunda.

Religião e Maçonaria não se anulam. 

A religião pode nutrir o sentido do transcendente; a Maçonaria disciplina a ética da ação. 

Quando separadas, empobrecem; quando confundidas, pervertem-se.

Talvez o equilíbrio esteja aqui: uma religião que volte a ser simbólica e humilde, e uma Maçonaria que permaneça fiel à sua vocação discreta de escola de humanidade. 

Não para salvar almas, mas para formar homens justos, conscientes e livres — capazes, talvez, de tornar o mundo um lugar um pouco menos indigno do mistério que o habita.

Porque, no fim, não foram as religiões que falharam totalmente.

Falhou o esquecimento de que o caminho é sempre interior, e que nenhum deus substitui a responsabilidade de tornar-se humano.


SALOMÃO LUIZ GINSBURG - Luciano J. A. Urpia .



 Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) foi um dos missionários batistas mais importantes para a evangelização e expansão da Igreja Batista no Brasil. Nascido na Polônia, era judeu e filho de rabino, mas se converteu ao Cristianismo e foi para a Inglaterra. Seu pai, o deserdou por isso.

Chegou ao Brasil e logo se batizou na Igreja Batista, por influência do missionário Zacarias Clay Taylor. Também Iniciado na Maçonaria (como outros batistas), Ginsburg chegou a narrar sobre sua condição de maçom em seu livro “Um Judeu Errante no Brasil”.

Não foi um simples Irmão da Ordem, pois tinha uma vida maçônica ativa e atuante: podemos destacar que Ginsburg em 02.07.1894, foi um dos fundadores, na cidade de São Fidélis (RJ), da Loja Maçônica “Auxílio à Virtude”. Na mesma cidade e ano, fundou a “Egreja de Christo” (depois chamada Batista), com auxílio financeiro dos maçons.

Também foi membro de diversas Lojas Maçônicas, como a “Duke de Clarence Lodge” (Salvador-BA), “Restauração Pernambucana” (Recife-PE), PE, “Progresso” (Campos-RJ), e, na jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo, é patrono da Loja “Salomão Ginsburg” no 3.

Além de fundador de inúmeras Igrejas Batistas pelo país, criou o hinário das Igrejas Batistas no Brasil.



Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA



janeiro 03, 2026

POR QUE O IMPACTO DA MAÇONARIA DIMINIU - Rogério Paschoal

 



O fascínio exercido pela Maçonaria no século XVIII em comparação com a atualidade pode ser compreendido através de uma análise que envolve o monopólio do conhecimento, a estrutura de classes e a dessacralização da informação.

Aqui está o raciocínio lógico e sociocultural dividido em três eixos:

1. O Monopólio da Vanguarda vs. A Diluição da Informação

No século XVIII (O Século das Luzes), a Maçonaria era o principal "hub" de inovação intelectual. Em um mundo dominado pelo absolutismo monárquico e pelo dogma religioso, as lojas maçônicas ofereciam um espaço único de livre-pensamento. 

Raciocínio: O fascínio ocorria porque a Ordem detinha o "fogo prometeico": as ideias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade que moldariam as revoluções (Americana e Francesa).

Hoje: Na era da internet e das redes sociais, não existem mais "segredos intelectuais". O conhecimento filosófico e os ideais políticos estão democratizados. A Maçonaria perdeu o monopólio da vanguarda ideológica, tornando-se uma instituição de preservação de tradição, o que gera menos curiosidade transformadora. 

2. Sociabilidade Seleta vs. Entretenimento de Massa

No século XVIII, a Maçonaria funcionava como a rede social definitiva para a ascensão da burguesia e o diálogo com a aristocracia esclarecida.

Raciocínio: O fascínio residia no exclusivismo. Pertencer a uma loja era o sinal máximo de distinção social e acesso a círculos de poder restritos. Era o local onde o "mérito" começava a desafiar o "berço".

Hoje: A sociedade atual é hiperconectada e valoriza a transparência e o alcance de massa. Clubes de serviço, fóruns de networking online e associações profissionais cumprem o papel prático que antes era exclusivo das lojas. O "mistério" maçônico, em um mundo que exige exposição constante, é visto por muitos mais como uma excentricidade do que como um privilégio aspiracional.

3. O Espaço do Sagrado e o Impacto do Segredo

A mentalidade do século XVIII era profundamente simbólica e ritualística. O segredo maçônico tinha um peso existencial e político real; traí-lo poderia significar ostracismo ou perseguição estatal.

Raciocínio: O impacto (fascínio) era alimentado pelo perigo e pela mística. A sociedade via a Maçonaria como uma força invisível capaz de derrubar tronos. O segredo era uma arma de proteção e uma ferramenta pedagógica de autoconhecimento.

Hoje: Vivemos em uma era de profundo ceticismo e pragmatismo. O "segredo" maçônico é frequentemente ridicularizado por teorias da conspiração na internet ou visto como um anacronismo. Para o homem moderno, o mistério ritualístico muitas vezes não compete com o fascínio imediato da tecnologia e do consumo.

Conclusão: Por que o impacto diminuiu?

O real motivo do maior impacto no século XVIII foi a necessidade histórica. A Maçonaria era a resposta para os anseios de uma classe emergente que precisava de um refúgio para construir um novo mundo.

Hoje, a Maçonaria enfrenta o desafio de ser uma instituição estática (focada na preservação de ritos) em uma sociedade líquida (focada na mudança constante). O fascínio diminuiu porque a Ordem deixou de ser a "sala de máquinas" da mudança social para se tornar um "museu vivo" de valores éticos que, embora nobres, não possuem mais o caráter de urgência ou de exclusividade que tinham no passado.