janeiro 01, 2026

SACRIFICA AGORA. APROVEITA DEPOIS.....



O homem que guardou a vida inteira numa caixa. quando abri essa caixa depois da morte dele, meu coração se partiu e eu entendi o maior erro que um ser humano pode cometer...

Meu tio Maurício era o homem mais disciplinado que já conheci. Trabalhou 42 anos na mesma metalúrgica em São Caetano do Sul. Era o primeiro a bater ponto e o último a sair. Economizava cada centavo. Não tirava férias "pra não gastar à toa". Não trocava de carro "porque o velho ainda anda". Não ia em festa de família "porque compromisso social é desperdício de tempo e dinheiro".

A filosofia dele cabia numa frase que ele repetia como mantra:

"Sacrifica agora. Aproveita depois."

Quando abri minha primeira loja, ele me chamou no porão da casa dele. Com solenidade de quem guarda uma relíquia sagrada, mostrou uma caixa de madeira envernizada, trancada a cadeado, coberta de poeira.

Destravou devagar. Abriu como se dentro houvesse algo explosivo.

Eram garrafas de vinho. Quatro delas. Importadas. Rótulos em francês que eu nem sabia pronunciar.

"Olha isso, sobrinho", sussurrou com a voz embargada de orgulho. "Essas garrafas custaram mais de quinze mil reais. Comprei com o décimo terceiro de 2005. São de uma safra lendária. Château Margaux. Especialistas dizem que cada uma vale hoje mais de cinco mil dólares."

Meus olhos arregalaram.

"Caramba, tio! E quando a gente vai abrir?"

Ele fechou a caixa num estalo seco.

"Abrir?! Você enlouqueceu? Isso não é pra dia qualquer, não. Isso aqui é pra Ocasião Especial. Tô guardando pro dia que eu me aposentar e comprar o sítio que sempre sonhei. Naquele dia, vou sentar debaixo de uma mangueira, abrir essas garrafas e beber uma a uma, celebrando que venci."

Aquela "Ocasião Especial" virou o motor da vida dele. Tudo era pra "esse dia".

O sítio. O descanso. A recompensa. O merecimento.

Passaram-se 11 anos.

Tio Maurício se aposentou aos 67 anos. A festa de despedida na metalúrgica foi linda. Ele chorou. Abraçou os colegas. Disse que finalmente ia viver.

Uma semana depois, enquanto assinava a escritura do sítio no cartório de Mogi das Cruzes, ele desabou.

AVC fulminante.

Morreu antes de chegar no hospital.

O velório foi silencioso, pesado. Mas o mais doloroso não foi o caixão. Foi entrar na casa dele depois do enterro pra recolher os pertences.

Desci ao porão.

A caixa de madeira continuava lá. Fechada. Intocada. Empoeirada.

A promessa não cumprida.

Decidi que aquele vinho não ia morrer junto com ele. Liguei pro meu pai, irmão do tio Maurício, e chamei meus primos. Nos sentamos na cozinha velha, ao redor da mesa onde ele comia sozinho todo dia depois que a tia faleceu.

"Vamos abrir por ele", eu disse, com a voz embargada. "Vamos celebrar a vida que ele viveu."

Peguei a primeira garrafa. Empoeirada. Pesada. Com um rótulo que parecia uma obra de arte.

Enfiei o saca-rolhas.

A rolha saiu quebradiça, ressecada, desintegrando em pedacinhos.

Servi cinco taças.

O líquido era turvo. Escuro demais. Com um cheiro estranho, azedo.

Levantamos as taças, chorando:

"Pelo tio Maurício."

Bebemos.

E cuspimos quase ao mesmo tempo.

Estava horrível.

Tinha gosto de vinagre. De podre. De morte.

O vinho tinha oxidado. Virado. Perdido toda a nobreza, todo o valor, toda a razão de existir.

Aquelas garrafas que um dia valeram uma fortuna agora não valiam nem o vidro.

Abrimos as outras três. Todas iguais. Estragas. Intragáveis.

Despejamos tudo na pia.

Ver aquele líquido escuro, caro, carregado de sonhos adiados, descendo pelo ralo... foi a coisa mais devastadora que já presenciei.

Meu primo Júlio, o mais velho, encostou as mãos na pia e começou a chorar.

"Ele fez isso com a vida dele", murmurou. "Guardou tanto pro depois... que estragou no durante."

Aquela frase me atravessou como uma lâmina.

Saí daquela casa e, pela primeira vez, entendi o que meu tio nunca entendeu:

A vida não é um ensaio geral pra uma estreia futura. É o espetáculo acontecendo agora, ao vivo, sem replay, sem segunda chance.

Naquela mesma noite, abri a garrafa de champanhe que eu guardava "pra quando a loja faturasse o primeiro milhão".

Vesti o terno que eu guardava "pra casamento importante".

Peguei minha esposa pela mão e fomos comer pastel na feira, numa terça-feira qualquer, usando a louça de porcelana que a sogra deu "pra ocasiões especiais".

Porque eu entendi, tarde, mas entendi:

Estar vivo hoje, respirando, com saúde, com quem você ama ao lado... já É a ocasião especial.

O espiritismo ensina algo que meu tio nunca quis ouvir: a Terra é escola, não sala de espera. Não viemos pra guardar experiências numa caixa trancada. Viemos pra viver, amar, errar, aprender, sentir. A reencarnação nos dá outras chances, sim — mas não a mesma chance. Não o mesmo corpo. Não as mesmas pessoas. Não o mesmo agora.

Cada momento que você adia por medo, por economia, por "não ser a hora certa"... é um momento que apodrece. Assim como o vinho do tio Maurício.

Quantas coisas você tem guardadas pra "algum dia"?

Aquele vestido com etiqueta?

Aquele perfume caro?

Aquela viagem que você vai fazer "quando os filhos crescerem"?

Aquele "eu te amo" que você não diz porque "ele já sabe"?

Aquele perdão que você vai pedir "quando o orgulho passar"?

Te digo uma coisa com o coração na mão:

Se você morrer amanhã, outra pessoa vai usar seu vestido, seu perfume, vai dormir na sua cama e vai viver a vida que você guardou pra depois.

Meu tio Maurício trabalhou 42 anos. Economizou cada centavo. Abriu mão de alegrias, de abraços, de risadas.

Morreu uma semana depois de se aposentar.

As garrafas que ele guardou por 11 anos viraram vinagre.

O sítio que ele comprou ficou vazio.

A vida que ele prometeu viver "depois"... nunca chegou.

E eu aprendi, da forma mais dolorosa possível:

"Algum dia" é o cemitério dos sonhos.

"Quando eu tiver tempo" é a desculpa dos mortos-vivos.

"Vou guardar pra ocasião especial" é o epitáfio de quem nunca viveu.

Hoje, eu uso o perfume caro na segunda-feira.

Abro o vinho bom pra comer pizza com a família.

Digo "eu te amo" todo dia, porque amanhã posso não estar aqui.

E toda vez que passo na frente daquela casa em São Caetano, olho pro porão e sussurro:

"Desculpa, tio. Eu entendi. Tarde. Mas entendi."

A vida não espera você estar pronto.

Ela acontece agora.

E se você não viver hoje, amanhã pode ser tarde demais.

Você tem algo guardado pra "ocasião especial"? Você acredita que a vida é pra ser vivida agora, ou você também está esperando um "depois" que pode nunca chegar?

Fonte: Facebook

ENSAIO SOBRE ÉTICA E MORAL NA MAÇONARIA - Claudio Alvim Zanini Pinter


       

A partir dos três anos  os maçons devem ser exemplo e os guardiões desses princípios.                                                                                                                              

RESUMO:

O principal objetivo desse artigo é refletir a relevância da ética e da moral como princípios norteadores da maçonaria contemporânea. Ao que tudo indica a ética e moral maçônica são princípios universais que devem ser seguidos em observância ao (Estatuto, Regimento Interno, Código de Ética Maçônico e Landmarks, quando cabíveis à Potência, ora vinculado) para que o maçom possa continuar recebendo os ensinamentos nas oficinas de trabalhos, denominadas de Loja. A pergunta estratégia: Por que o maçom deve respeitar e obedecer os princípios éticos e morais? Para responder esta pergunta, adotou-se a metodologia bibliográfica, contando com alguns autores consagrados na literatura desse tema. A observância e prática da moral e ética maçônica devem ser diárias, sustentada pelos pilares (Sabedoria, Força e Beleza) e pelos instrumentos recebidos e trabalhados em cada grau simbólico, filosóficos ou superiores, tendo o maçom como exemplo a ser seguido e ao mesmo tempo o guardião desses valores dentro e fora do Templo Maçônico. Cabe registrar que não se pretende esgotar esse tema em função de sua atemporalidade e relevância de sempre. Sugere-se que outros autores possam incluir outras referências, aplicar instrumentos de pesquisa, dentre outros para continuar aprimorando e enriquecendo o tema, permitindo ampla reflexão e debate.  

Palavras-chaves: Ética, Moral, Maçonaria.

INTRODUÇÃO 

Ética e moral é um tema fácil de falar e difícil de praticar em sua plenitude. De acordo com Platão, quem conhece a virtude não quer mais vivenciar as mazelas do vício. Referendando o Livro Sagrado da Lei, iniciaremos esse trabalho com o seguinte pensamento a respeito de uma passagem de Jesus à qual os doutores da Lei queriam punir, conforme a Lei de Moisés, uma mulher que havia cometido adultério. Jesus disse: 

 “Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão com o dedo. Os que ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: Mulher onde estão eles? Ninguém a condenou? Ninguém, Senhor, disse ela. Declaro Jesus Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. João, Capítulo 8, versículos 7-11. 

 Eis a grande lição: o homem não poderá permanecer no mesmo erro. Por isso, os ensinamentos maçônicos serão indispensáveis para o cultivo e práticas das virtudes. 

Em nossa Loja, do Grande Oriente de Santa Catarina, nas sessões do Grau de Aprendiz Maçom, do Rito Escocês Antigo e Aceito, durante a Abertura do Ritual, o Venerável Mestre diz: Ir.: 1º Vigilante para que nos reunimos aqui? E o 1º Vig.: responde: “Para promover o bem estar da Humanidade, levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício”. 

Ora, promover o bem estar da humanidade não é promover a si próprio, nem tão pouco envaidecer o EU. Promover o bem estar da humanidade, às vezes, requer sacrifício próprio, renúncia de acumulação de riqueza, de poder, de status.... Caso o maçom não possa fazer o bem jamais deverá ser o portador do oposto, ou seja, o portador de fofocas, intrigas, diz que diz, mentiras, que envenenam a harmoniosa convivência com os irmãos e com a sociedade onde está inserido. 

Antes da abertura do Livro da Lei, os irmãos vigilantes (primeiro e segundo) confirmam que tudo está J.: e P.: em ambas as colunas. Significa que os trabalhos deverão correr de forma íntegra, com a invocação do auxílio do G.: A.: D.: U.:

Ao discorrer sobre Ética entende-se que a Ética ultrapassa a noção meramente normativa, pois deve interferir no modo de pensar, ser e agir do Maçom. 

O trabalho compreende os conceitos de ética e moral, níveis de ética, a lenda de Circe, princípios e leis, aprendizado, rotina e narrativa que possam servir de subsídios para a construção de do maçom mais consciente e comprometido com a evolução coletiva. 

2. CONCEITOS BÁSICOS 

Para entendermos melhor o nosso tema - ÉTICA NA MAÇONARIA, vamos relembrar alguns conceitos básicos:

A palavra Ética remonta a um passado distante, como podemos observar, na antiga Grécia, onde a palavra ethos significava a morada do homem. Ético, portanto, significava tornar sua moradia em construção permanente mais saudável.  

Ainda voltando um pouco no tempo, poderemos buscar explicações na antiga Índia onde: Dharma, do sânscrito dhr, suster, sustentar = deveres da sociedade; Verdade Imaculada; Religião, usos, estatutos, observâncias de casta ou de seita, maneiras, modos de comportamento, deveres, éticas, boas-obras, virtude, méritos moral ou religioso, justiça, piedade, imparcialidade. E também: QUALIDADE, CARÁTER ou NATUREZA ESSENCIAL DO INDIVÍDUO.

O Dharma como LEI JUSTA. Integridade (Palestra ministrada pelo Dr. Eurênio de Oliveira Júnior, Diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Eubiose – sobre Ética Eubiótica, no Salão nobre da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina, em Tubarão - SC).

Atualmente, no campo dos conceitos, encontramos no dicionário Michaelis três verbetes, que nos ajudam a entender este tema: 

Ética: parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta   humana. 

Conduta: procedimento moral, comportamento. Comportamento consciente do   indivíduo influenciado pelas expectativas de outras pessoas. 

Código: compilação das leis ou constituições. Coleção metódica e ordenada de leis ou de disposições a um assunto especial.  

Etimologicamente, o Termo Moral é originário da Língua Latina - MORS MORIS - significa costumes ou conjunto de costumes e normas livres conscientemente aceitas, que objetivam organizar as relações dos indivíduos na sociedade, por extensão significa a teoria que objetiva orientar a ação humana, submetida ao dever e com vistas ao bem. 

3. A ÉTICA PODE TER NÍVEIS? 

Como podemos observar, a Ética é um conjunto de princípios e de valores ( virtudes ) que inspiram e orientam os Códigos de Conduta. Ela está ligada a julgamentos de apreciação entre o bem e o mal. Busca a fundamentação aos juízos de valor dos atos e problemas morais.

Referendando o artigo “A Ética Além dos Códigos” de Lédio Lauretti, autor recorre à figura dos “ três níveis ”:

 Quando o tema é o “pensamento” ele poderá ser:

1º nível: Pensamento Linear (se satisfaz com a primeira resposta)

2º nível: Pensamento Sistêmico (quer entender o porquê da primeira resposta)

3º nível: Pensamento Complexo, também conhecido como Pensamento Ético (quer entender o fato refletir sobre ele, é a compreensão do fato para evitar que ele ocorra como se fosse uma maneira preventiva)

Exemplos: 

Pergunta: Porque o fulano está com depressão? 

Resposta do 1º nível: Porque está desiludido.  

Resposta do 2º nível: Está desiludido porque sua família está lhe fazendo muitas cobranças.

Resposta do 3º nível: O quê ele pode fazer para evitar tal situação e voltar a ter paz interior?

 Quando o tema é o “ estilo de vida ” ele poderá ser: 

1º nível: Rotina;

2º nível: Busca do Sucesso;

3º nível: Procura da Felicidade

Ex.: A ilusão do TER x SER. 

c) Quando o tema é o “ conhecimento ” ele poderá ser:  

1º nível: Instrução;

2º nível: Erudição (acúmulo do saber, que poderá ser utilizado para o bem ou para o mal);

3º nível: Sabedoria (adquirida através de nossa experiência de vida e intuição, que sempre é utilizado para o bem);

d) Quando o tema é o “ comportamento ” ele poderá ser:    

1º nível: Instintivo ( as preocupações se resumem às forças primárias);

2º nível: Moral (estas forças primárias são à mercê das regras de comportamento socialmente aceitáveis, as pessoas são impelidas a fazer atos moralmente aceitáveis ou recomendadas);

3º nível: Ético (está acima das normas e regras de conduta, orientada por princípios e valores – virtudes)

Para o autor estes princípios e valores são caracterizados pela Universalidade e pela atemporalidade. Sendo assim, podemos sugerir que a Ética é universal e eterna.

O autor ainda reforça que a Ética começa onde terminam os códigos, uma vez que código, como vimos acima, se refere a normas, regras, conduta, e não a princípios e valores. 

 O caráter coercitivo que impõe a consciência moral dos homens já se fez presente na Odisséia de Homero, a qual relata o encontro de Odisseu (Grécia) ou Ulisses (Roma) com as sereias: 

O caminho da civilização era o da obediência e do trabalho, sobre o qual a satisfação não brilha senão como mera aparência, como beleza destituída de poder. O pensamento de Ulisses, igualmente hostil à sua própria morte e à sua própria felicidade, sabe disso. Ele conhece apenas duas possibilidades de escapar. Uma é a que ele prescreve aos companheiros. Ele tapa os seus ouvidos com cera e obriga-os a remar com todas as forças de seus músculos. (...) A outra possibilidade é a escolhida pelo próprio Ulisses, o senhor de terras que faz os outros trabalharem para ele. Ele escuta, mas amarrado impotente ao mastro, e quanto maior se torna a sedução, tanto mais fortemente ele se deixa atar (...). O que ele escuta não tem conseqüências para ele, a única coisa que consegue fazer é acenar com a cabeça para que o desatem; mas é tarde demais, os companheiros - que nada escutam - só sabem do perigo da canção, não de sua beleza - e o deixam no mastro para salvar a ele e a si mesmos. (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 45) 

4. HISTÓRIA DE CIRCE

Circe era filha da deusa Hécata. Era uma deusa cuja característica principal era a capacidade para a ciência da feitiçaria. Circe ajudou Ulisses nos preparativos para a partida e ensinou aos marinheiros o que deveriam fazer para passar sãos e salvos pela costa da Ilha das Sereias. As sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto todos que o ouvissem, de modo que os infortunados marinheiros sentiam-se irresistivelmente impelidos a se atirar ao mar onde encontravam a morte. Circe aconselhou Ulisses a cobrir com cera os ouvidos dos seus marinheiros, de modo que eles não pudessem ouvir o canto, e a amarrar-se a si mesmo no mastro dando instruções a seus homens para não libertá-lo, fosse o que fosse que ele dissesse ou fizesse, até terem passado pela Ilha das Sereias.

 Também podemos observar esta luta moral nos ensinamentos evangélicos, como podemos observar no Texto Evangélico: "Se vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a" é um subtítulo do capítulo VIII, Bem-Aventurados os Puros de Coração, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. O texto está expresso nos seguintes termos:

 "Se vossa mão ou vosso pé é um motivo de escândalo, cortai-os e atirai-os longe de vós; é bem melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno. E se vosso olho vos é motivo de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; é melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um olho, que terdes os dois e serdes precipitados no fogo do inferno". (Mateus, 5, 29 e 30)

 Como podemos ver, não é de hoje que a humanidade vem a fugindo dos vícios, dos riscos que podem comprometer sua evolução moral, buscando os valores das virtudes, a busca pelo aperfeiçoamento, enfim, a ética.

5. PRINCÍPIOS E LEIS  

Na maçonaria também temos regras as quais estamos subordinados e temos a obrigação de nos submeter, tais como:

À Constituição do Grande Oriente do Brasil (em particular como Potência maçônica)

Ao Regulamento Geral da Federação;

Ao Código Eleitoral Maçônico;

Às Leis Penais Maçônicas e ao Código de Processo Penal Maçônico;

Ao Regulamento da Mútua Maçônica;

Ao Código Maçônico;

Aos Landmarks;

Aos Estatutos;

Aos Regimentos Internos; 

Ao Livro da Lei.

A seguir, destacamos os landmarks – que são usos e costumes, leis e regulamentos universalmente reconhecidos. Embora a quantidade de Landmarks varie de 3 a 54. No Brasil, o mais comum é o de Alberto Mackey, com um total de 25 Landmarks.  

1 – Meios de reconhecimento; 

2 – A divisão em graus da maçonaria simbólica;

3 – A lenda do 3ª grau; 

4 – O Governo da fraternidade por um Grão-Mestre eleito por todos os maçons;

5 – A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir toda a reunião de maçons no território de sua jurisdição; 

6 – A faculdade do Grão-Mestre de autorizar dispensa para conferir graus antes do tempo regulamentar; 

7 – A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para a instalação e funcionamento das Lojas.

8 – A prerrogativa do Grão-Mestre de iniciar e exaltar à primeira vista;

9 – A necessidade dos maçons de se distribuírem em Lojas;

10 – O Governo de cada Loja por um Venerável e dois Vigilantes;

 11 – A necessidade de que toda Loja trabalhem a coberto;

 12 – O direito de todo o mestre maçom de ser representado nas assembléias gerais da Ordem e de dar instruções   aos seus representantes;   

 13 – O direito de todo o maçom recorrer com alçada perante a Grande  Loja ou Assembléia Geral contra as resoluções de sua Loja;

  14 – O direito de todo o maçom visitar e ter assento nas  Lojas Regulares.

  15 – Que se ninguém conhece pessoalmente, na Loja, maçom que a visita não se lhe dará entrada sem    submetê-lo antes a um trolhamento escrupuloso; 

  16 – Que nenhuma Loja pode imiscuir-se nas atividades da outra;

  17 – Que todos maçom está sujeito às leis penais e regulamentos maçônicos vigentes na jurisdição em que reside;

  18 – Que todo candidato à iniciação há de ser homem livre e de  maior idade;

  19 - Que todo homem há de crer na existência de Deus como Grande Arquiteto do Universo; 

  20 – Que todo o maçom há de crer na ressurreição e uma vida futura; 

  21 – Que um livro da lei de Deus deve constituir parte  indispensável do equipamento de uma Loja;

22 – Que todos os homens sejam iguais perante a Deus e que na Loja se encontram num mesmo nível;

 23 – Que maçonaria é uma sociedade secreta de posse de segredos  que não podem ser divulgados;

 24 – A maçonaria consiste em uma ciência especulativa fundada numa arte operativa;

 25 – Que os Landmarks da Maçonaria são inalteráveis. 

 A Maçonaria de acordo com o DECÁLOGO que contempla as obrigações morais de um Maçom. No último mandamento discorre que “Aquele que disser estar na luz e odeia seu irmão, ainda estão na escuridão. Vem ao encontro da Bíblia Sagrada onde consta: “Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois, volte e apresente a sua oferta.” (Mateus 5:23-24). Os dez mandamentos Maçônicos estão no (Anexo 2) e estão em sintonia com os Mandamentos de Moisés.  

 O maçom deve ler, estudar, consultar frequentemente e estava a par do Estatuto da Loja, da Potência, do Regimento interno, dos editais, atos, decretos, ou leis para atuar ciente dos seus direitos e deveres estabelecidos. 

 Registro um acróstico maçônico a respeito de duas palavras que compõe o foco desse trabalho: Ética e Moral:      

(E T I C A ) = 

E = Esquadro: símbolo da retidão. 

T = Tábuas da lei: código moral onde estavam gravados os mandamentos da lei - O decálogo;   

         Taça sagrada: onde a bebida doce se transforma num amargo veneno;

          Talhador de pedra: conhecido como pedreiros-livres; Tapete de loja: representando o painel da loja; Tarô; Tau; Templo Interior. 

I = Ideal; Igualdade; Iluminado; Iniciação; Instrução; Integridade; Irmão; Intuição 

C = Companheiro; Cadeia de União; Câmara de Reflexão; Cânon; Caráter; 

Carisma; Cinzel; Círculo; Coluna; Compasso; Consciência; Coração; Corda; Corda Com Nós; Cordel; Cordeiro; Coruja: símbolo da prudência; cruz.

A = Acácia: sempre verde; Adepto; Agni; Águia; Aliança; Alma; Água; Altruísmo; 

Amém; Amor; Ampulheta; Âncora; Ângulo Reto; Aprendiz; Arquitetura; Avental; Ágape Fraterno. 

(M O R A L) = 

M = Magistério, Maçonaria, Maçônico, Mistério, Magno.  

0 = Ordo ab chão “é uma expressão latina que significa "ordem a partir do caos". Ordem, Obra, Observância. 

R = Resiliência, Retidão, Regularidade, Ritual. 

A = Amor, Altruísmo, Aprendizagem, Acácia. 

L = Leis, Landmarks, Luz, Lealdade, Labor. 

L — Luz / Lealdade / Labor

Cada uma dessas iniciais nos remete a uma infinita viagem, conhecida especialmente aos recém iniciados pela palavra VITRIOL, sigla alquímica e maçônica para a frase em latim “Visita Interiora Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem", que significa "Visita o interior da terra, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”. E também pelo estado de consciência e de aprendizado ao galgar a escada de Jacó. A cada degrau, estamos sendo oportunizados a “ver mais longe” além da aparência humana. Acredito que já somos capazes de trabalhar o real através do simbólico e do imaginário. (LACAN, 1998).  

Imaginem se fossemos aplicar um instrumento de pesquisa baseado num modelo apresentado na revista Você SA e adaptado para a maçonaria. Os resultados que iríamos obter seriam verdadeiros? As questões seriam muito agressivas? Se ajustássemos cada pergunta onde consta: O Irmão já praticou... para o Irmão conhece alguém que já praticou.... o questionário ficaria mais brando. O irmão não precisa responder nada... apenas refletir e aproveitar os conhecimentos maçônicos para lapidar-se continuadamente. (Anexo 1) 

6 – APRENDIZADO, ROTINA e NARRATIVAS

O homem gasta a maior parte do tempo planejando (em) as metas materiais; Ex.: A aquisição de uma nova casa ou apartamento, mobília nova; carro do ano; viagens; festas; roupas e grifes da moda; um celular de uma geração; títulos acadêmicos, cargos; prestígio; reconhecimento, dentre outros. Porém quanto tempo o homem reserva para dedicar-se ao alcance das metas morais? O que eu estou fazendo para conseguir mudar de estado de consciência? Cabe registrar esta frase “verdadeiro homem é aquele que não fica radicado nas mesmas ideias” do Professor Henrique José de Souza. Eis o trabalho hercúleo de olhar para dentro de si, e indagar questões básicas: Quem sou Eu, de onde em Vim e para onde eu Vou? 

Descobrir os nossos erros já é o primeiro passo para iniciar o processo de mudança, que pode até ser dolorido, mas o resultado será nobre, inefável. Para isso, precisamos estar vigilantes e longe de situações indesejáveis, como por exemplo: fofocas entres os irmãos. Você sabia que o fulano...; “nem te conto”... representa o comportamento anormal de um verdadeiro maçom. Ao contar algo sobre alguém, lembre-se da história das três peneiras de Sócrates: É verdade, é algo bondoso, tem necessidade de contar? Quando se indaga sobre isso, existe possibilidade de reinar silêncio... 

Procure conversar com o irmão quando se sentir injustiçado ao invés de sair atirando para todos os lados.... isso apenas será um veneno a mais e de nada contribuirá para o crescimento de ninguém. Lembre-se que estamos nesse planeta e somos filhos da mesma divindade.... ao quebrar a harmonia, todos serão afetados, porque somos UM (na sua individualidade, sua essência) e ao mesmo tempo fizemos parte de um TODO que é imutável, sagrado e perfeito pelas Leis Divina. Para finalizar irei contar duas pequenas histórias, sendo que a primeira refere-se ao conceito de ética. História 1: Dr. Eurênio de Oliveira Júnior, juiz federal aposentado e Diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Eubiose: Solicitou ao manobrista, um senhor grego, com idade avançada, para estacionar seu carro, perguntou ao mesmo se poderia definir a ética em uma única palavra. E o mesmo respondeu: Integridade. História 2: Ao pé da cama, meu pai sempre me contava sobre a história de um senhor que ia freqüentemente ao engenho ( moinho, tafona) buscar farinha. E certa vez deparou-se com uma velha senhora doente, gemendo, que necessitava de ajuda. Sem hesitar, prestou-lhe assistência, colocando-a em sua carroça e levando-a para um local seguro. A velha senhora, sem recursos materiais, agradecida, prometeu-o que daquele dia em diante jamais lhe faltaria farinha; mas para isto, ele deveria manter segredo sobre o fato ocorrido. Dito e feito, por mais que se utilizasse a farinha, esta nunca acabava, o pote continuava cheio. Foi então, que a esposa dele, começou a desconfiar da abundância de farinha, uma vez que seu marido não ia mais até o engenho buscar farinha. Tanto fez, tanto insistiu, que conseguiu arrancar de seu marido o segredo da multiplicação da farinha. E foi assim, ao revelar o segredo, que o pote de farinha voltou a esvaziar-se à medida que ela era utilizada. A abundância acabou junto com o segredo! Por isso, saibamos honrar nossos segredos.... Lembre-se: guardar o segredo, faz parte da Iniciação. 

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Acredito que foi possível concluir estes ensaio sobre Ética e Moral Maçônica vindo ao encontro dos leitores maçons para contribuir com o permanente crescimento interior e livre das amarras da ignorância (no sentido do desconhecimento) dos vícios e das mazelas. Sabe-se do compromisso do maçom para consigo mesmo, com família, com os irmãos e com a sociedade. Tem um velho ditado popular: “tudo que mais lhe é dado mais lhe será cobrado.” A busca constante do aperfeiçoamento contínuo dentro e fora do Templo Maçônico é um dos principais deveres do Maçom para servir de exemplo no cultivo da fraternidade e no bem estar de todos. Sugiro assistir o vídeo de Michael J. Sandel no link https://www.youtube.com/watch?v=hPsUXhXgWmI. Esse debate discute a importância da ética e da moral e podemos relacionar como sendo fundamentos essenciais da prática maçônica contemporânea. Partindo de referências clássicas — como Platão, Jesus, Homero e tradições orientais — o autor demonstra que a ética é um princípio universal, atemporal e superior aos códigos formais. O vídeo aborda sobre “A arte perdida do debate democrático” onde o professor de Harvard, apresenta sobre a argumentação oral no mundo civilizado narrando um caso da Suprema Corte dos EUA., PGA Tour, Inc. V. Martin, golfista com deficiência. Por isso, que são narrativas que requerem, muito estudo, pesquisa, conhecimento e sabedoria para saber tomar as melhores decisões quando questionados. Na Maçonaria, promover o bem da humanidade implica renúncia ao ego, combate às intrigas e vivência das virtudes. São revisitados conceitos como ethos, dharma e níveis de pensamento ético, evidenciando que o verdadeiro maçom deve agir com integridade e consciência. O texto relaciona ainda os Landmarks e normas maçônicas à procure conversar com o irmão quando se sentir injustiçado ao invés de sair atirando para todos os lados.... isso apenas será um veneno a mais e de nada contribuirá para o crescimento de ninguém. Lembre-se que estamos nesmoral do iniciado. Por fim, exemplos narrativos ilustram que a ética é uma prática diária, sustentada pela retidão, pelo silêncio prudente, pela fraternidade e pelo aperfeiçoamento interior. O maçom é conclamado a ser exemplo e ser guardião permanente desses valores, dentro e fora do Templo. Este artigo, embora não esgote o tema, pretende contribuir para o debate contemporâneo sobre a importância dos princípios éticos e morais aplicados à vida iniciática e cotidiana.Cada degrau conquistado da escada de Jacó vem ao encontro da construção do próprio ser com um olhar voltado ao bem comum.

 AT NIAT NIATAT! Um no TODO e o TODO no UNO. VOLTAMOS AO TRABALHO, COM SABEDORIA, FORÇA E BELEZA.

PROTESTANTISMO E A INFLUÊNCIA MAÇÓNICA - Renan Williams Soglia Moore




Poucos sabem dos esforços que os maçons fizeram para colaborar com a imigração de um grupo de sulistas americanos para o Brasil, após o fim da Guerra de Secessão. 

E com isso proporcionar o desenvolvimento económico, agrário, industrial e pedagógico na região de Santa Bárbara d’Oeste – SP e da atual cidade de Americana – SP. 

Em continuidade desta história vou explanar o como a colónia americana e a sua Loja maçónica proporcionou a laicidade do Estado brasileiro.

Em 1866 vigorava a Constituição Política do Império do Brasil de 1824, outorgada pelo nosso imperador e Irmão Dom Pedro I (Guatimozim), e esta dispunha no seu Art. 5:

• “A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Império. 

• Todas as outras Religiões serão permitidas com o seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo.” (Respeitando a ortografia da época).

Assim sendo, os cultos protestantes não possuíam reconhecimento e prerrogativas jurídicas. 

Vale recordar que os nascimentos eram comprovados pela Certidão de Pia (Batismo); o matrimónio pela Certidão de Casamento, e o óbito pela sua declaração, todos emitidos pela Igreja Católica.

Não se permitia sepultamentos de não católicos em cemitérios públicos ou que houvesse católicos ali. 

A sugestão era que fossem enterrados com os animais ou em terras longínquas. 

As escolas na sua totalidade católicas e doutrinadoras desta fé.

Toda e qualquer religião exceto a constitucional, devia manter as suas reuniões em caráter caseiro, vedadas de utilizar sinos, cruzes e torres, simbologia exclusiva da Igreja Católica.

Em 1866 desembarcam no porto de Santos-SP os primeiros sulistas norte-americanos, oriundos na sua maioria do Estado do Alabama. 

Sendo as primeiras famílias: Baird, Bookwalter, Bowan, Broadnax, Capps, Carlton, Carr, Cullen, Daniel, Fumas, Fenley, Ferguson, Creen, Hall, Harris, Hawthorne, Holland, Jones, Keese, Kennerly, McFadden, McKnight, Meriwether, Miller, Mills, Moore, Norris, Parks, Pyles, Quillen, Rowe, Smith, Steagall, Taver, Tanner, Terrel, Thatcher, Thompson, Vaugham e Whitaker.

Ao se instalarem na atual cidade de Santa Bárbara d’Oeste e Americana se dão conta dos muitos desafios a superar, entre eles, a fé. 

Pertencentes as denominações: Batista, Metodista e Presbiterianas, constroem duas pequenas capelas de tábuas, descaracterizadas por conta da Constituição Política. 

A primeira delas no chamado Campo, local que serviu e ainda serve de cemitério exclusivo para os americanos e os seus descendentes. 

A segunda na propriedade rural do Irmão Joseph Henry Moore *(tataravô do autor deste artigo)*, sob o nome de Moore’s Chapel, servindo de igreja e escola as crianças.

Muito estas denominações devem a estes imigrantes sulistas maçons, pois os Irmãos e Pastores Richard Ratcliff e Robert Porter Thomas assentam oficialmente em 10/09/1871 a primeira Igreja Batista estabelecida em solo brasileiro, utilizando estas duas capelas improvisadas, contando com outros 8 maçons baptistas na sua génese.

As outras duas denominações também tiveram refúgio nas capelas: os Metodistas (Irmão e Pastor Junius Estaham Newman) e os Presbiterianos (Reverendo Irmão William Emerson e o Reverendo Irmão William Macfadden).

Todos foram obreiros da George Washington Lodge n° 309 (Rito de York), fundada em 1874 na colónia. 

As colunas B e J foram gentilmente esculpidas pelo Irmão John Edward Steagall e ainda hoje estão em uso pela Loja Campos Salles II, na cidade.

Ilumino a informação de que a capela do Campo que hoje conhecemos foi agraciada pela George Washington Lodge, após a anterior desabar. 

Juntou-se de vários Troncos de Beneficência a importância de $:970$000, para a construção de uma nova, e o tesoureiro, o Irmão John F. Whitehead fez o destino, nos finais de 1899, próximo da Loja abater as suas colunas.

A colónia não só movimentou a fé, mas também o ensino; dela se acendeu a chama formadora da Universidade Presbiteriana Mackenzie; a Universidade Metodista e ramificações para a ESALQ/USP.

Há muitas outras histórias destes imigrantes que as páginas de revistas e livros não são capazes de suportar. 

Mas os lampejos vão revelando o quão importante foi esta colónia para o desenvolvimento da nossa pátria e para a liberdade religiosa, tudo isso evidentemente, movido pelos nossos amados irmãos do passado.



dezembro 31, 2025

UMA SOMBRA À LUZ DE IA - Aldo Vecchini



No início bastavam as ideias, papel, lápis ou caneta, um contexto e algum requinte, para compor. Depois vieram os recursos tecnológicos, algum filtro, outros softwares, e a possibilidade de autocorreção. Agora, as ferramentas com Inteligência Artificial (IA), destronaram o que já não serve mais…

É fantástico elaborar um prompt bem estruturado e observar o resultado solicitado, gerado por uma ferramenta com IA. Sabemos que a responsabilidade e a autoria é de quem inseriu a fonte, bem como a verificação do que foi produzido.

Obviamente que para esse assunto pode haver muita rejeição... E há! Porém, o tolerável é que haja critério, responsabilidade e ética no uso da IA, pois é assustador e contagiante os resultados apurados, e que ainda podem ser refinados, dependendo da proposta.

Iniciamos essa reflexão com uma lamparina na mão, em busca de clareza, pois se a IA está cada vez mais presente, como usá-la e manter a discrição nos comandos, resumos, arquivos e compartilhamento dos trabalhos?

Talvez as alegorias, as metáforas, o simbolismo tenham ganhado ressignificação, culminando em requinte e sofisticação nas composições autorais. Além dos bons costumes, somam-se a eles, criticidade e ética.

E por que o título traz os substantivos sombra e luz? Porque desde o início foi assim. A sombra ou escuridão deu lugar à luz… Fiat Lux!

E por analogia a IA, ilumina o cotidiano afugentando o que não serve mais. Em outras palavras, a cultura digital, num mundo digital ganha, velozmente, um lugar cada vez mais proeminente.

Solicitei, então, ao ChatGPT, que fizesse um resumo coerente e culto com o trecho até aqui. Vejam o resultado: *“O texto reflete sobre a evolução dos processos de criação, que passaram do uso exclusivo de ideias e instrumentos simples para a incorporação de recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados, culminando nas ferramentas de Inteligência Artificial. Destaca-se o potencial da IA na produção de conteúdos, desde que seu uso seja pautado por responsabilidade, autoria consciente, verificação das informações e princípios éticos. Embora haja resistência à sua adoção, a IA revela-se um recurso poderoso, capaz de refinar resultados e ampliar possibilidades criativas. Por meio de metáforas como a oposição entre sombra e luz, o texto associa a IA ao progresso e à iluminação do cotidiano, enfatizando que, no contexto da cultura digital, ela ocupa um papel cada vez mais central e transformador”.* 

O que fazer agora? Além de alinhar à inovação, ressignificar os valores, ressaltar a ética nas produções autorais e encetar ações críticas, com filtros adequados para manter o alto padrão.

Não bastaria censurar? Queremos crer que seria uma placa de contramão para a liberdade de pensar e compor. Então, se aprendemos amiúde que, cada ser em si, deve pautar a discrição e a sensatez naquilo que produzir.

A essa altura, parece que a lamparina inicial já clareou de Alfa a Ômega… Não é nada disso! Apenas a ventilação de possibilidades e alternativas num cenário pra lá de conservador.

Mas a Maçonaria é progressista. Sim! No sentido de que seus membros façam da Arte Real, a edificação de pontes que aproximam distâncias, em lugar de muros que isolam e aprisionam.

Nem que para esses trabalhos os obreiros utilizem das ferramentas com IA. Se com pedra, madeira e arte; com mão de obra, ferramentas e sabedoria; com propósito, zelo e persistência, edificaram o Templo de Salomão, num passado distante, a bola da vez é a Educação Digital.

Prosseguimos nosso enredo pedindo: Luz! Permanecemos no modelo antigo como o viajante apoia-se no seu mestre e guia, dando provas de resignação e coragem, pois acredita que sairá vitorioso e iluminado.

Num contexto bastante complexo, recheado de vida e esplendor, é preciso serenidade e sapiência ao ceder lugar à inovação. Que nossa Secretaria de Educação Maçônica disponibilize meios e diretrizes para uso e compartilhamento de produtos gerados por IA.

Não pensamos, em hipótese alguma, em cerceamento da atividade de compor, antes, trata-se de disciplinar as escolhas e conteúdos que serão gerados por IA. Cada autor já é responsável, nato, pela ação criadora, porém, para preservar o sigilo e a discrição, essa arte pede um verdadeiro artesão.

Também não afirmamos que tudo o que for produzido será gerado por IA. Gostaríamos sim, de ver a inovação florescer, com critérios, justiça e equilíbrio, haja vista, a sua força transformadora, velocidade estonteante e resultado avassalador.

E na qualidade de formadores de opinião, com o compromisso de tornar feliz a humanidade, como passar indiferente diante de tanta inovação? Como esquivar-se da Educação Digital? Como atuar sem saber das potencialidades tecnológicas?

As ferramentas de trabalho são as mesmas, bem sabemos. Porém, na dimensão especulativa, de intenso labor intelectual, com o advento das tecnologias e recursos digitais, a Educação Digital é uma necessidade premente.

Isso porque, nalgum lugar, a qualquer tempo, por motivo sóbrio ou zoeira, alguém está distribuindo conteúdos gerados por IA, e compete a nós identificar as fake news, o bullying ou ainda a assertiva do produto veiculado.

Permanecemos vigilantes, com a mesma lamparina acesa, procurando e esperando mais clareza. Que outras contribuições corroborem ou sepultem essas ideias que nada tem de geniais, mas que conspiram com a inovação.

Será uma tendência? Pode ser! Asseveramos que anterior a qualquer antagonismo, que haja melhores ponderações e mais luz para essas reflexões. Desejamos que num ambiente cultural a censura seja a consciência do autor e que suas produções, sejam bem acabadas. Quiçá, revestidas de modernidade.



A ARTE DA MEMÓRIA E SUA RELAÇÃO COM A MAÇONARIA - Cloves Gregorio




William Schaw (1549 1602) foi mestre de obras da coroa Escocesa e Supervisor Geral dos Maçons naquele país a partir de 1583 até a data da sua MORTE. 

Foi o responsável pelas construções e reparações de castelos no reinado do Rei James Stuart VI, sendo assim elaborou os estatutos para regular a prática da cantaria. 

O primeiro estatuto em Dezembro de 1598 e o segundo, do qual trataremos parte aqui datado de 28 de Dezembro de 1599. 

A “cláusula” importante para o estudo a ser desenvolvido hoje é a 13ª, que será reproduzida agora com tradução livre do Irmão Luciano Rodrigues e Rodrigues (2016), disponível no seu blog “O Prumo de Hiram”.

... “É estabelecido pelo vigilante geral, que o vigilante da loja de Kilwinning, sendo a segunda loja na Escócia, irá testar todos os companheiros do ofício e cada aprendiz, sobre a arte da memória e ciência, de acordo com as suas vocações, e no caso de terem perdido qualquer ponto exigido deles, eles devem pagar a penalidade da seguinte maneira pela sua preguiça, isto é, cada companheiro do ofício, vinte xelins, cada aprendiz, dez xelins, a ser pago ao caixa para o bem comum, anualmente, e em conformidade com o uso comum e prática das lojas neste reino.”... 

Vimos aqui que os exercícios de memorização de fórmulas já eram cobrados desde que o ofício era operativo. 

Importante salientar que essa memorização poderia ser tanto de fórmulas para o exercício da construção quanto ensinamentos morais praticados nas corporações de ofício.

Carlos Alberto Mourão Júnior e Nicole costa Faria (2014) sobre Memória, definem nas suas palavras “a grosso modo” no artigo PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS Memória “

_(…) chamamos de memória a capacidade que os seres vivos têm de adquirir, armazenar e evocar informações.”.

Ainda no mesmo artigo:

_“(…) O que se sabe, atualmente, é que as informações que chegam ao nosso cérebro formam um circuito neural, ou seja, a informação recebida ativa uma rede de neurónios, que, caso seja reforçada, resultará na retenção dessa informação (por informação, entendemos qualquer evento passível de ser processado pelo sistema nervoso: um facto, um objeto, uma experiência pessoal, um sentimento ou uma emoção). 

Por isso considera-se que a repetição seja uma estratégia necessária para a memória. 

Não nos esquecemos, por exemplo, o número do telefone da nossa casa porque, ao longo da nossa vida, repetimos essa informação inúmeras vezes. 

Esse processo interfere na memorização do número exatamente porque toda vez que repetimos os estímulos, ativamos o mesmo circuito neural. 

A ativação contínua reforça esse circuito e torna mais fácil a posterior evocação da informação armazenada.

Na Maçonaria, em todos os sistemas, existem catecismos, ou seja, perguntas e respostas, e uma vez iniciado, devido as constantes repetições, o Maçom acaba memorizando uma grande gama de informações, como por exemplo o telhamento (trolhamento) no Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA).

_(…)O armazenamento é possível graças à neuroplasticidade, que pode ser definida como a capacidade que o cérebro tem de se transformar diante de pressões (estímulos) do ambiente.(…)

Ainda utilizando o REAA como exemplo, em inúmeras vezes vemos a loja fechada e os irmãos por pressão do ambiente circulando de forma ritualística.

Um fenómeno muito interessante relacionado às memórias e que merece ser mencionado é o priming (também conhecido como pré-ativação). 

O priming é, na realidade, um tipo de memória induzido por pistas ou dicas. 

Às vezes estamos tentando lembrar de uma música ou de um poema, e não conseguimos. 

Porém, se alguém cantarolar para nós as primeiras oitavas da música ou recitar para nós o início dos primeiros versos do poema, quase instantaneamente nos lembramos de todo o restante, como se fora uma reação em cascata. 

De fato, parece que, muitas vezes, só nos lembramos de onde está um prédio quando dobramos a esquina anterior à sua localização. 

Da mesma maneira, um animal só consegue lembrar da saída do labirinto na medida em que vai percorrendo o mesmo cada etapa serve de pista para a etapa seguinte (Lashley, 1963).”

Conforme o exemplo dado por Júnior e Farias, muitas das vezes acontece o fatídico “branco”, mas basta qualquer irmão soprar a primeira palavra para que o agente que executa a fala, lembre de todo o restante da oração gramatical.

Os autores concluem o artigo falando da dificuldade de se estudar a arte da memória que são duas, ou seja, que as memórias estão ligadas a outros processos cognitivos (precisam de um gatilho), e segundo que o sujeito é quem decide se vai lembrar de algo ou não. (nesse texto, provavelmente você irá guardar apenas o que deseja ou lhe seja interessante).

Existem diversas técnicas para se memorizar, mas uma constante em quase toda matéria sobre memorização é atribuir algo a imagens, mesmo que de forma bizarras. 

E o que isso tem haver com a Maçonaria? 

Tudo! 

Toda memorização em Loja Maçónica é extremamente visual. 

Um grande exemplo disso é a coluna B, ao vê-la automaticamente o Maçom lê “força, moral e apoio”. 

Isso significa que muito antes dos workshops de memorização e livros volumosos de técnicas diversas, os maçons operativos já praticavam o “pulo do gato” faz tempo.

Conclusão

Um “chavão” popular diz que “Os grandes prazeres da vida, estão nas pequenas coisas”. 

Vimos que os Maçons Operativos bolaram um “esquema” incrível para memorizarmos as nossas fórmulas, mas não somos levianos de dizer que são apenas simples combinações para nos identificarmos como irmãos ou perguntas e respostas vazias como uma tabuada. 

Nos pequenos símbolos que utilizamos existem poderosos ensinamentos filosóficos que não se resumem a apenas ao significado imediato, então quando falamos, por exemplo, sobre o Maço, ele não significa simplesmente força, ele tem um significado sublime de uma força utilizada com inteligência, mesmo porque, quando o Maço se aplica apenas com violência a pedra da construção se parte e não se lapida. 

Posso citar inúmeros exemplos de grandeza filosófica para cada símbolo, mas além de Pike já ter feito isso em páginas e páginas no seu livro Moral e Dogma, apenas para explicar o conceito de duas ferramentas, a ideia aqui não é enveredar para o significado do nosso simbolismo. 

A grande e real questão é: conseguiram ensinar filosofia e moralidade a homens simples que na sua maioria eram analfabetos através das suas ferramentas e das suas atividades laborativas. 

Mas porque? 

O ofício de pedreiro era uma mão de obra qualificada e escassa, tanto é que pedreiros viajavam de uma obra para outra, e pertencer a uma guilda de construtores significava que o indivíduo carregava o nome da corporação. 

Necessitando que esse sujeito tivesse uma moral elevada de forma a ser sempre um cartão de visitas ambulante, por isso a preocupação dos dirigentes na escolha, formação e carácter do pedreiro.


.

NOVO ANO NOVO ! - Adilson Zotovici


 

Vem surgindo um novo ano 

Como muitos outros outrora

Proclamando ao ser humano

Que insta o futuro agora


Perseverar é a lida 

Viver com determinação

Cada oportunidade surgida

Ouvindo a voz da razão 


Não admitir que um revés

Possa impedir a vitória 

Mas suplanta-lo ao invés...

Como prova peremptória 


Bem dosar as ansiedades

Não tomar posses inglórias 

Visto serem as “propriedades”

De mão em mão,  transitórias 


Saber que o “PAI CELESTIAL “

Mesmo que por sofrimento

Reserva  algo bom, especial 

Que virá n’algum momento 


E a fé e a esperança

Brindarão a  todo o povo 

Surgirá então confiança

Nesse “NOVO ANO NOVO “ !!!




dezembro 30, 2025

CHANUKÁ E NATAL – LUZES E ESPERANÇA - Jacques Ribemboim



Muitas tradições e festividades cristãs têm origem no judaísmo, berço das grandes religiões monoteístas. Não poderia ser diferente, haja vista que Jesus era judeu, assim como toda a sua família, parentes e apóstolos. Portanto, há de se compreender o paralelo existente entre tantas celebrações, coincidindo nas datas, mas reinterpretadas em conteúdo. Ao procurarmos em sites de I.A., contudo, dão como certas as origens pagãs, de culto a solstícios e mudanças de estação – lembrando, porém, que nenhuma festividade greco-romana conseguiu se manter até os nossos dias.

Comecemos com o carnaval, que tem inspiração em Purim, a festa da Rainha Ester, anualmente celebrada entre os meses de fevereiro e março. Em Purim, as pessoas se fantasiam, põem-se a dançar e fazer barulho nas ruas, com apitos e rashanim, tal como se fosse no carnaval.

A Páscoa católica, por sua vez, tem inspiração no Pessach, sempre em março ou abril, com os judeus comemorando a saída do Egito e os cristão rememorando a ressurreição de Cristo. Lembremo-nos de que a Páscoa celebrada por Jesus e seus apóstolos era a judaica, com direito a sidur, vinho e pão-ázimo.

Outros costumes cristãos derivam do judaísmo e seriam muitos para relacioná-los aqui. O dia semanal de descanso, por exemplo, que segundo ordena Deus no Velho Testamento deve ser o sétimo, o Shabat, mas para o imperador romano Constantino deveria ser o domingo, primeiro da semana. O que de fato passou a acontecer por sua ordem, a partir de 321 d.C. – uma iniciativa a mais para distinguir do judaísmo a nova religião naqueles primórdios do monoteísmo europeu. A artificialidade do ato de Constantino fez surgir reações dentro da própria Igreja, dando origem a vertentes sabatistas de séculos depois.

Com relação à festa do Natal, a data coincide com a de Chanuká – a “Festa das Luzes”, quando os israelitas festejam a vitória dos Macabeus contra os gregos selêucidas, declarando a independência da Judeia, em 165 a.C. Na retomada do Templo de Jerusalém, foi registrado o milagre do óleo purificado, suficiente para acender os candelabros por apenas um dia e perdurou por oito. Por isso, todos os anos, os judeus acendem candelabros e agradecem a Deus pela vitória que assegurou a sobrevivência da religião.

No caso do Natal, as luzes da cristandade foram associadas ao nascimento de Jesus e foi convencionado no dia 25 de dezembro pelo Papa Júlio I, por volta do ano 354 d.C., sendo paulatinamente esquecido pelos cristãos o significado de Chanuká como libertação frente aos gregos e ao paganismo.

Todo este berço judaico do cristianismo e o fato de possuir um calendário tão arraigado às efemérides da “Lei Antiga”, dos Rolos de Ester e dos Macabeus, não enfraquecem em absoluto a exegese do Novo Testamento, seus significados e celebrações. Ao contrário, renova espíritos, aproxima as pessoas, intensifica o diálogo e reforça a fé. Importante ter ciência desses paralelos que às vezes nos passam despercebidos.

Imagem: Rosto judaico de Jesus, Richard Neave, BBC, 2001.

Fonte:Publicado no Diário de Pernambuco, 19.12.2025).

HOMO HOMINI LUPUS - Odiomar Teixeira





Será que Thomas Hobbes (1588 – 1679) tinha razão ao dizer que “o homem é um lobo para o homem”? 

Algumas posturas que vemos ser adotadas por certas pessoas levam-nos a crer que sim.

Para Hobbes, cada homem vê sempre no outro um concorrente e as suas sensações são de:

_ apetite ou desejo

_ ou aversão ou ódio. 

O objeto do apetite ou desejo é o bem, enquanto o objeto da aversão ou ódio é o mal. 

Qualquer destas sensações, no entanto, para quem vê o outro sempre como um concorrente, que esteja prestes a superá-lo, determina que o opositor precisa ser eliminado. 

Eis que, este, quer o bem para si e a aversão ou ódio que o nutre para a conquista do que é o bem para si precisa ser eliminada e só pode sê-lo pelo extermínio do concorrente.

É por isto que o homem é ávido pelo poder sob todas as suas formas. 

Na concepção hobbesiana, todos os homens são iguais, onde o mais forte precisa superar o mais fraco, a não ser que este, consciente da sua inferioridade física, ou económica, ou de poder se alie a outros para, então, enfrentar a concorrência e lutar em igualdade de condições.

A realidade de hoje, como foi a de ontem e será a de amanhã, a não ser que a consciência da finitude seja adquirida e cada um se dê conta de que tudo acaba com a morte, tem demonstrado que Hobbes tinha razão quanto àqueles que, consciente ou inconscientemente, possuem esta concepção de que a sociedade é feita para que somente o mais forte sobreviva, precisando, para isto, ser eliminada a concorrência. 

Assim, o “homem lobo” não abandona o seu individualismo e a sua vontade é sempre reduzir o outro ao seu poder e dominá-lo.

Evidente que no século XVII, as formas de dominação e submissão eram muito diferentes das que vemos hoje, que se dão até pela interpretação de que a ocupação de pequenos espaços em órgãos e instituições, que o filósofo marxista Louis Althusser (1918 – 1990) denominava de Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE), aos poucos determinará a chegada ao poder.

Para o “homem lobo” tudo é uma guerra e, em o sendo, nela não há injustiças, sendo justificadas todas e quaisquer práticas, mesmo que estas determinem a dominação e a submissão do outro a ele, pois somente desta maneira o seu poder será consagrado.

As virtudes na guerra são a força e a astúcia e estas dominam o “homem lobo”, para ele não havendo o “teu e o meu” distintos, mas o que é tomado do outro. 

O “homem lobo” despreza a ética e age unicamente voltado à sua vontade de poder e de dominação.

Infelizmente esta é a condição a que se resume a “simples natureza” do “homem lobo” e toda a perversão e o pecado em que se consagra. 

Este é o seu estado de natureza, do qual é incapaz, pela sua concepção, de evoluir para uma sociedade onde as liberdades são garantidas pelo respeito mútuo.

Que o GADU nos livre do “homem lobo”, daquele irmão que o personifica, sentado ao seu lado como um igual, mas que por dentro nutre a sede do poder e do reconhecimento. 




REAL OU VIRTUAL - Sidnei Godinho


Esta semana uma operadora de telemarketing japonesa inovou ao celebrar sua união com um avatar.

A cerimônia foi realizada em uma capela e tinha como noivo a tela de seu celular, que continha a imagem, por ela criada, e com quem interage nos últimos anos.

Questionada sobre algo tão inusitado, ela apenas respondeu que um casamento se trata de ser Feliz e que estava então realizada.

O objetivo realmente está correto, mas é a distorção dos meios que assombra os dias atuais.

Pesquisas comprovam o crescimento vertiginoso da interação com o Chat-GPT com emoludores de personalidade, na criação de companheiros virtuais que se adequem aos seus "Senhores".

Frente à incapacidade de desenvolver relações interpessoais e de se submeter à crítica alheia, a fuga para "Pandora" tem sido o meio escolhido, como um placebo doce que apenas distrai a atenção para a real doença.

O preocupante é que este processo começa quase que anônimo e imperceptível nas distrações diárias, quando o celular serve de escusa para a conversa "olho no olho" sobre os problemas "normais" de qualquer relação. 

Chega a ser caricato ver uma mesa posta para o jantar e cada lugar ocupado com seu celular ao lado do prato, sob a alegação de que aguarda uma ligação importante, ou que está de sobreaviso, ou mesmo que não consegue se separar dele. 

O limite da razão foi perdido esta semana e com o avanço da tecnologia, logo logo o casamento não será com um celular e sim com um avatar "3D", um clone cibernético de si mesmo, pois o que se busca não é a perfeição, mas sim que não se questione suas próprias imperfeições. 

Deus criou Eva e a japonesa Yurina criou "Klaus", ambos para serem companheiros, mas apenas um há de questionar seus atos, porquê o amor é conquista, assim como a lealdade. 

Um marido, uma mulher, filhos, amigos de trabalho, família são parte do que somos, foram construídos por relações sociais, com atritos naturais e não por dados inseridos num programa. 

O sucesso ou não depende de sua capacidade de enfrentar o dissabor REAL ao invés de fugir para um teclado VIRTUAL.


dezembro 29, 2025

FILOSOFIA - DIALÉTICA MAÇÔNICA - Newton Agrella


(atualização)

          Inobstante seu caráter iniciático,  comum às sociedades ou fraternidades de âmbito místico, esotérico e/ou filosófico, a Maçonaria Especulativa é antes de tudo, uma instituição de cunho eminentemente filosófico, que se apoia num sistema de graus para indicar a evolução e o progresso que seus adeptos podem desenvolver  ao longo de sua prática e de sua trajetória, aliadas ao acúmulo de conhecimentos e experiências - notadamente no que diz respeito aos estudos ligados às relações ontológicas e anímicas - que dizem respeito ao Universo e às suas origens.

          Essa filosofia encerra em sua essência a investigação da dimensão do mundo real, da realidade empírica, da sensibilidade de tudo o que envolve a vida humana e claro, o aprimoramento do nível de Consciência, como protagonista deste processo, cujo mote se constitui na lavra simbólica da pedra bruta e no aprimoramento do templo interior humano.

          Como característica inequívoca desta filosofia, a Maçonaria se ocupa em se aprofundar na arquitetura do polimento da pedra, conferindo-lhe forma e beleza, sob a égide da ética e da moral, da ciência e dos saberes lógicos e racionais.  

           Ocupa-se ainda, através da Simbologia, de estudar temas que digam respeito às disposições da alma, do espírito, do intelecto e da razão que produzam um conhecimento válido, a partir de sua constante argumentação.

          A Maçonaria Especulativa, por meio de símbolos e alegorias, independentemente de suas variantes e interpretações ritualísticas, tem como propósito filosófico, aguçar o pensamento crítico, por meio de reflexões e principalmente através do questionamento sobre o porquê das coisas e seus significados.

          A Maçonaria é fiel depositária do combate ao obscurantismo, aos preconceitos, bem como às falácias e sofismas.  

           E antes de tudo isso, ela rejeita rótulos e principalmente dogmas, como formas de impedir a fluidez e a liberdade de pensamento.

           Através do espirito crítico, a filosofia da Arte Real, estimula o ser humano a elaborar seus pensamentos e a tirar suas conclusões das circunstâncias e experiências vividas, por meio de um gatilho chamado "discernimento" - situado entre a sabedoria e o conhecimento - tornando-o assim, difícil de ser manipulado.

          A filosofia maçônica, faculta ao homem, a liberdade de crer, praticar e seguir qualquer credo, religião, doutrina  ou seja qual for o processo de conexão transcendental ou metafísica, que melhor o situe nesta ligação divinal, assim como não distingue seus membros por etnia, raça ou cor. 

          A Igualdade, a Fraternidade e sobretudo a Liberdade, são a tríplice argamassa que dão o caráter universal à Maçonaria, cujo princípio filosófico se estabelece como uma bússola para que se possa exercê-la, bem como espera de seus adeptos a consciência sobre um Princípio  Criador e Incriado do Universo, a que se pode intitular o nome que for, mas que simboliza a geração e origem de todas as coisas e inclusive de nossa própria Existência.

          Fechando esse breve episódio, cabe deixar expresso que a Maçonaria, é a Filosofia que busca entender os princípios de tudo o que há no Universo, criando assim, símbolos para as definições conceituais.



AS SEIS GRANDES LOJAS DA INGLATERRA - Alferio Di Giaimo Neto


Nos séculos XVIII e inicio do século XIX ocorreu na Inglaterra uma formação simultânea de “Grandes Lojas”, começando pela primeira em todo o mundo, que foi a Grande Loja de Londres e Westminster, em 1717. Posteriormente, algo semelhante ocorreria, também, nos demais países.

Baseando-me em livros de origem inglesa, inclusive um pequeno livro (The History of English Freemasonry),  editado pela Grande Loja Unida da Inglaterra, vou expor abaixo um resumo das seis Grandes Lojas que apareceram na Inglaterra naquela época.

A primeira delas foi a “Grande Loja de Londres e Westminster”, de 1717, a mãe de todas as Grandes Lojas do mundo, que permaneceu ativa ao longo dos anos, transformando-se, em 1813, na Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

A segunda delas, apareceu em 1725: a antiga Loja da cidade de York, norte da Inglaterra, transformou-se na “Grande Loja de Toda a Inglaterra”. Entretanto, sua influencia se restringia nas províncias de York, Cheshire, e Lancashire. Ela existiu por algumas décadas, elegendo seus próprios Grãos Mestres, erigindo também suas próprias oficinas de Royal Arch e Cavaleiros Templários.

Dessa Grande Loja apareceu uma outra em 1779, que será a 4ª em nossa     seqüência.. 

A terceira Grande Loja foi a “Grande Loja dos Antigos” em 1751, a qual, juntando-se, em 1813, com a primeira mencionada acima, também conhecida como a dos “Modernos”, formou a “Grande Loja Unida da Inglaterra” (GLUI).

A quarta foi formada em 1779.  Com a responsabilidade e autoridade da Grande Loja de Toda Inglaterra foi formada a “Grande Loja do Sul do Rio Trent”, constituída de antigas Lojas que estavam em desacordo com as diretrizes da primeira Grande Loja.

Em 1788, ajuntou-se com a terceira das Grandes Lojas, a “Grande Loja dos Antigos” e parou de existir.

A quinta delas, e é a que existe hoje, foi formada em 1813. A primeira Grande Loja juntou-se com a “Grande Loja dos Antigos” para dar ao mundo maçônico a “Grande Loja Unida dos Antigos Maçons, Livres e Aceitos da Inglaterra”, conhecida por todos hoje em dia como a “Grande Loja Unida da Inglaterra” (GLUI)

A sexta e ultima apareceu e sumiu da seguinte forma: após a união, descrita acima, em 1813, houve dificuldades com algumas Lojas e quatro delas, afastadas da GLUI, formaram em 1823, estabelecida em Wigan, a “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de acordo com as Antigas Constituições” depois de dois anos ficou inativa até 1838. Em 1844, teve uma aceleração das atividades até 1858, e depois foi decaindo aos poucos, sendo que em 1866 foi o ano em que suas ultimas Atas foram registradas.



A MENORÁ E SUA HARMONIA DIVINA - Lucius Cohen


A menorá, o candelabro de sete braços descrito na Torá (Êxodo 25:31-40) é um dos símbolos mais profundos do judaísmo. Representa a luz divicana que ilumina o mundo, ela evoca a  criação em sete dias, o equilíbrio cósmico e a emanação da presença de Deus. Mas e se essa estrutura sagrada pudesse ser reinterpretada através de lentes musicais e numéricas? 

Inspirado em reflexões pessoais e poéticas, exploro uma analogia criativa entre a menorá, o sistema de solfejo musical (dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó) e elementos da gematria hebraica. Essas ideias, embora não sejam parte da tradição cabalística clássica, oferecem uma perspectiva que une luz, som, letras e números em um ciclo infinito de harmonia divina. 

A menorá possui uma vela central, que simboliza a unidade e a presença divina, e três de cada lado, irradiando luz para o mundo manifesto. Essa configuração evoca uma letra Guimel por cada lado, simbolizando misericórdia e rigor, expansão e equilíbrio, bondade e julgamento, todos atributos das sefirot Gevurá e Chesed, é a luz central que se espalha simetricamente para seus opostos, direita e esquerda, na linguagem cabalística. 

Gosto de imaginar as sete notas da escala diatônica do solfejo sobre essa estrutura. O solfejo, sistema pedagógico musical criado no século XI por Guido d'Arezzo a partir de um hino cristão medieval, consiste em sete sílabas distintas: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, repetindo o dó na oitava superior para fechar o ciclo, algo como os mundos da Árvore da Vida da Cabala, que possui os 4 mundos, Atziluth, Beriah, Yetzirah e Assiah, onde a cada ascensão pela porta de Keter, o que se alcança é um retorno à porta do templo, mas nesse caso, um templo superior. 

Essa repetição cria um "infinito" musical, onde a escala pode ascender ou descer eternamente, sempre retornando à tônica (dó) como ponto de resolução e harmonia. 

A vela central é atribuída à nota fundamental dó, o centro de equilíbrio. Assim como o braço central da menorá representa o Shabat ou a sefirá Tiferet, que é a beleza e harmonia na Árvore da Vida da Cabala e o lugar onde o homem realiza a Grande Obra, a dó é a tônica que organiza toda a escala, o "Um" de onde tudo emana, a Aleph e a Yud como Tetragrama, portanto, a vela central vale 1, mas pode valer 10 e incluso 26 ou 8, o número do infinito. 

As notas se espalham pelos ombros da menorá, à esquerda (mi, sol, si) e à direita (ré, fá, 

lá). Essa distribuição simétrica reflete a irradiação da luz divina para os aspectos duais do mundo — o yin e yang cósmico, ou as sefirot de Chesed (bondade) e Gevurah (severidade). Se enumero as notas, dó=1, ré=2, mi=3, fá=4, sol=5, lá=6, si=7, obtenho pela esquerda 3+5+7=15=6, e pela direita 2+4+6=12=3, sendo 6 a penúltima das 7 sefirot inferiores, a Guevurá, que antagoniza e está a um passo do último trabalho que é a misericórdia representada pela Chesed. Pela direita tenho o 3 do triângulo justo, perfeito e divino do homem que alcançou a última esfera do mundo inferior, a Chesed, e desde ali se desprende de todos os metais para alcançar o mundo etéreo e superior da Shequiná, a emanação divina, onde 6+3+1=10, o tudo e o nada que representa Ele. E se dó se repete infinitamente, depois de si=7 temos dó=8, sendo 6+3+8=17=8. E se tenho dó=10 ainda obtenho 6+3+10=19=10=1, comprovando a perfeição da melodia da menorá. 

Ao percorrer as velas laterais, chegamos à última nota: a si, que musicalmente cria tensão e "desejo" de resolução. Ao regressar ao centro, voltamos à dó, completando o ciclo. Essa volta simboliza o infinito: a harmonia divina que se expande e retorna, ecoando a ideia de que tudo vem de Deus e a Ele retorna. Se tenho 6 pela esquerda, ali também tenho a letra Vav recordando que sempre haverá o trabalho a ser realizado, e a Guimel à direita ordenando a prática da caridade. 

A tradição judaica narra um milagre em que o candelabro do templo pôde ser aceso por 8 dias consecutivos com uma quantidade ínfima de óleo, suficiente apenas para uma pessoa. Essa fusão de luz e som sugere que a menorá não é apenas um objeto ritual, mas um diagrama vivo de harmonia cósmica. Acender as velas durante Chanucá, por exemplo, poderia ser visto como "cantar" essa escala divina, elevando a alma através de um ciclo eterno de criação e redenção.

dezembro 28, 2025

LIVRO - Adilson Zotovici


 

És guia do dia a dia

Um cego e enxergas tudo

Que ouves em calmaria

Respondes silente, mudo


Do conhecimento o guia

Abres teu peito ao estudo

Que cada feito extasia

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Trazes tristeza, alegria

Em texto leve ou agudo

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Criado à sabedoria

És tu “ livro”...que saúdo !