fevereiro 20, 2026

CONVITE PARA SESSÃO DE ELEVAÇÃO - Jorge Gonçalves




ARLS CONSTANCIO VIEIRA 3300 - ARACAJÚ 

Dia 24 de fevereiro de abril às 19:30

Segundo Harry Carr, entre os séculos XIV e o início do século XVI da *Maçonaria operativa documentada* existia apenas um grau, o Companheiro, o pedreiro plenamente formado. Nesse período, o Aprendiz era juridicamente considerado propriedade de seu mestre, tratado como um ativo do ofício.

Somente a partir do início do século XVI, com mudanças graduais nas leis de trabalho e no reconhecimento da condição humana do Aprendiz, surgiram cerimônias específicas para esse grau.

Portanto, meus inestimáveis Irmãos, venham participar desta *Sessão Magna de Elevação*, testemunhando a passagem do nosso Irmão para o grau que representou, por séculos, o coração da Maçonaria operativa e o verdadeiro ingresso pleno na Arte Real.



DO CONTRAPONTO - Heitor Rodrigues Freire

 


No campo das relações humanas, destaca-se como parte importante o contraponto, que é um outro ponto de vista acerca do tema central em uma discussão – diga-se, discussão em alto nível –, e não uma briga ou disputa.

Na música, o contraponto é a arte de combinar duas ou mais melodias independentes que soam simultaneamente de forma harmoniosa, criando uma textura rica.

No sentido figurado, que é o que nos interessa neste texto, o contraponto se refere a algo que serve de contraste ou que se contrapõe a uma ideia, adicionando uma perspectiva diferente e complementar, como, por exemplo, um sabor salgado que equilibra um doce. 

Em uma discussão ou debate, o contraponto é a argumentação ou perspectiva que se opõe ao ponto de vista principal, servindo para balancear a discussão ou introduzir mais complexidade ao tema.

Na arte, literatura ou design, um contraponto pode ser um elemento que contrasta fortemente com os demais para criar interesse visual, tensão ou profundidade, destacando as diferenças e gerando um efeito de equilíbrio ou conflito.

No direito, o contraponto aparece como o contraditório, ou seja, uma outra versão que contrasta com a inicialmente proposta. Ele está embasado no princípio da dúvida.

Essencialmente, a ideia central do contraponto, mesmo em contextos não musicais, é a combinação de elementos distintos que funcionam em conjunto para criar um todo mais complexo ou equilibrado, seja uma discussão, uma obra de arte ou uma situação social.

Vejamos, a seguir, algumas situações em que se apresenta o contraponto:

Em um debate: Uma pessoa defende um ponto, e outra apresenta um contraponto, uma ideia oposta que rebate ou questiona a primeira;

Em um livro: O autor usa o contraponto para mostrar a visão de um personagem contrastando com a de outro, ou para apresentar fatos históricos sob diferentes óticas;

Na música (origem do termo): A sobreposição de melodias independentes, como uma linha de baixo e uma melodia vocal, que juntas formam uma harmonia. 

Filosoficamente, o contraponto de ideias refere-se ao uso de ideias opostas, conflitantes ou alternativas usadas para promover o pensamento crítico, aprofundar a compreensão e, em algumas correntes, impulsionar o progresso do pensamento ou da história. 

Embora o termo "contraponto" tenha origem na música (que significa "ponto contra ponto"), na filosofia ele é usado metaforicamente para descrever o choque, a justaposição ou a interação de teses ou pontos de vista distintos. 

Há alguns conceitos filosóficos relacionados ao contraponto:

Na dialética: O contraponto de ideias é central para o método dialético, que tem raízes em filósofos como Sócrates e, mais proeminentemente, em Hegel. Na dialética, uma ideia (tese) é confrontada por uma ideia oposta (antítese), e dessa interação (que pode ser vista como um contraponto) emerge uma terceira ideia (síntese), que supera e incorpora aspectos das duas anteriores. Esse processo é visto por Hegel como o motor do progresso do pensamento e da história;

Unidade dos opostos: Filósofos pré-socráticos como Heráclito já abordavam a importância dos opostos, argumentando que a harmonia e a própria existência surgem da tensão e da interdependência entre elementos contrários (como dia e noite, guerra e paz). A tendência de um extremo conduzir ao seu oposto é vista como um princípio fundamental da realidade;

Ceticismo e relativismo: A apresentação de argumentos opostos (contrapontos) é uma técnica usada por correntes céticas, como a sofística, para demonstrar que para cada tópico existem dois argumentos igualmente fortes (equipolentes), o que mina a possibilidade de uma verdade absoluta, que cá para nós, não existe;

Argumentação e senso crítico: Em um sentido mais contemporâneo, o contraponto de ideias é essencial para o desenvolvimento do senso crítico e do diálogo racional. A exposição a perspectivas diferentes desafia pressupostos, permite a análise de um problema sob múltiplos ângulos e refina a capacidade de contra-argumentar e construir posições mais robustas, e esse refinamento estimula e enriquece o debate.

Em resumo, o contraponto de ideias é um mecanismo filosófico vital que reconhece e utiliza a oposição e a contradição como ferramentas para a exploração intelectual e a busca por uma compreensão mais profunda da realidade ou da verdade. 

Não é bonito, isso?

A MODALIDADE DE ANALFABETISMO DA MAÇONARIA OPERATIVA - Octavio Botelho

 



Os historiadores são unânimes em afirmarem que, durante a Antiguidade e a Idade Média, de 80% a 90% da população destas épocas era analfabeta. 

O alfabetismo era um privilégio de poucos, pois não existia o imenso sistema de educação em grande escala, aberto para todos, como actualmente. 

Porém, dentro desta grande população analfabeta, existiam os que eram apenas analfabetos funcionais (aqueles que só conseguiam ler ou escrever os assuntos dentro da sua ocupação funcional). 

Bem como os que só eram treinados na sua profissão, através de um processo de treino, geralmente passado de pai para filho, o qual os historiadores da educação denominam, para diferenciar da educação propriamente, de “aprendizagem do trabalho” ou de “tecnização do conhecimento” (Manacorda, 2006: 70-2, 106-10; 138-9 e 161-7). 

Este processo consistia inicialmente da aprendizagem das técnicas da profissão (artesãos, lavradores, carpinteiros, etc.) transmitida pelos pais aos filhos, sem a necessidade da alfabetização, até a formação das primeiras corporações de aprendizagem na Europa (Manacorda, 2006: 161-7).

A corporação (Craft) dos maçons operativos pode ter sido uma das primeiras corporações de aprendizagem a surgir, cuja transmissão não era aquela de pai para filho, mas de um Maçom para outro. 

Com isto os maçons operativos superavam nas suas habilidades profissionais os outros trabalhadores do mesmo ofício, os escravos, daí a suposta origem da denominação “pedreiros livres” (free masons). 

Que os maçons operativos eram hábeis nas técnicas da construção, pois conheciam até Aritmética e Geometria que eram aplicadas nas construções, está bem confirmado, no entanto, fortes indícios levam a supor que eram despreparados, quanto à capacidade de ler ou de escrever textos. 

As principais pistas para tal suspeita estão na inexistência de escritos, de autoria de maçons, durante o período medieval, bem como a conclusão de Edmond Mazet de que: 

• “… não é difícil adivinhar qual deve ter sido o conteúdo da Maçonaria Operativa na Idade Média. 

Ele só pode ter sido inteiramente cristão e certamente refletiu os ensinamentos dos padres; que é, foi fundado na Bíblia e na exegese bíblica, que os maçons não conheciam de ler o livro ou os comentários sobre ele, mas de ouvir os sermões dos padres sobre eles e de esculpir cenas históricas e simbólicas extraídas deles” (Mazet, 1992: 252).

Os escassos conhecimentos que temos da Maçonaria operativa da Idade Média são extraídos dos Old Charges (Antigos Deveres), sobretudo os dois textos mais antigos: o manuscrito Regius (1390 e. c.) e o manuscrito Crook (1450 e. c.), sendo que, curiosamente, ambos foram escritos por padres (Haywood, 1923b e Mazet, 1992: 251). 

Segundo E. Mazet, “eles contem (especialmente o Regius) um conjunto de instruções religiosas e morais que expressam o interesse dos padres em moralizar e catequizar os maçons” (Mazet, 1992: 251). 

Os Old Charges seguintes, que só aparecem a partir de 1583 e. c. (Mazet, 1992: 253), podem ter sido escritos por maçons. 

Portanto, mais uma evidência de que, quanto mais antiga a referência aos maçons operativos, maior a confirmação do seu analfabetismo. 

Enfim, sendo analfabetos, eles só podiam registar através de símbolos e de ritos, o que aprendiam com os padres cristãos e com as esculturas que esculpiam nas catedrais, nas fortalezas e nos mosteiros.


fevereiro 19, 2026

MAÇONARIA ECLÉTICA - Kennyo Ismail

 


De vez em quando você pode se deparar com alguns maçons incomodados com a variedade de ritos na Maçonaria, argumentando que os “Altos Graus” se distanciam da maçonaria operativa e crentes que os vários ritos mais dividem do que unem os obreiros da Arte Real.  

Ou talvez você mesmo pense assim. 

Saiba que esse incômodo não é coisa nova na Maçonaria, e já até originou Ritos e Obediências.

A Maçonaria Eclética, que também ficou conhecida como União Eclética, teve início como uma espécie de confederação de algumas Lojas alemãs. 

Essa união de Lojas se baseava no desejo de praticar um sistema mais puro de Maçonaria, mais próximo das antigas práticas da Maçonaria Operativa, ou seja, sem as influências de Cabala, Alquimia, Astrologia, Hermetismo, Cavalaria, Teosofia ou outras ciências ocultas e religiões que os diversos ritos do século XVIII na Europa apresentavam.

A União Eclética teve início em 1779 sob a liderança do Barão Von Ditfurth, que havia sido um importante adepto do Rito da Estrita Observância, o qual estava em decadência por conta da indevida influência da cavalaria nos graus simbólicos e de sua “liderança oculta”. 

Desse movimento eclético, concentrado em Frankfurt, surgiu o Rito Eclético, composto por apenas os três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Em 1783 duas “pequenas Grandes Lojas” adotaram o Rito Eclético: Grande Loja de Frankfurt am Main, e Grande Loja de Wetzlar. 

Elas enviaram uma carta a todas as Lojas da Alemanha convidando-as para se aliarem à União Eclética e assim praticarem a legítima Arte Real. 

Algumas Lojas atenderam o chamado, o que serviu de base para a fundação, em 1823, da “Grande Loja Mãe da Eclética União”, a qual, obviamente, somente reconhecia o Rito Eclético. 

Porém, essa receita de simplicidade não encontrou muitos adeptos ao longo dos anos: a Grande Loja da Eclética União nunca passou da casa dos 20 em número de Lojas.

Já a Maçonaria de Hamburgo nutria da mesma insatisfação com o Rito da Estrita Observância e o mesmo desejo pela prática de uma Maçonaria mais “pura”, mas de uma certa forma optou por trilhar o seu próprio caminho, adotando o Rito Schroeder em 1801. 

Pelo tamanho e importância de Hamburgo no cenário alemão, o Rito Schroeder obteve mais êxito.

Tais fatos evidenciam mais uma vez que, durante o século XVIII e início do século XIX, os maçons europeus, em vez de se submeterem à Maçonaria, submetiam-na a si mesmos.





I M A G E M - Newton Agrella



A imagem pode revelar muitas coisas, desde um abrigo para a nossa alma até um grito de liberdade, preso no mais longínquo recinto de nossa memória.

O tempo parece que pára. 

Não há nenhum sinal de trilha ou de algum caminho a ser seguido.

É nesse cantinho do mundo que nossa imaginação se revela uma usina de idéias.

Não há submissão ou predomínio.

O que de fato existe somos nós e o infinito que o Universo rege.

Nesse lugar, a vida segue a inspiração dos dias.

Não se contam horas,  apenas contemplam-se as mais sutis sensações que o cérebro e o coração conseguem produzir.

As chances do ser humano dar certo são incontáveis, bem como as de dar errado encontram um território um tanto arriscado.

Viver é um ritual inesgotável de cerimônias. 

Algumas mais  requintadas, que nos impõem uma dose mais generosa de circunspecção e outras que são frutos da própria dinâmica de nossa existência. 

A perspectiva vai aos olhos de cada um de nós.

Afinal de contas, a rigor, a Imagem é filha do Imaginário e da Imaginação



fevereiro 18, 2026

FELIZ 4a FEIRA DE CINZAS - Newton Agrella

                                      



Você já experimentou perguntar-se  a si mesmo se a Indulgência pode ser interpretada como uma espécie  de alvará oferecido pela Igreja como forma de perdoar pecados ou de amortizar dívidas contraídas pelo comportamento que atenta contra a própria moral estabelecida através de códigos consagrados pela sociedade ?

Pois é, mais ou menos por aí, que a Quarta Feira de Cinzas incorpora seu significado.

Apesar do Carnaval no Brasil exortar a alegria através da música, da dança, da aglomeração de pessoas e dos desfiles e blocos, invariavelmente regados a muita bebida e outros ingredientes, é impossível disassociá-lo do lado obscuro do comportamento humano.

Essa Quarta Feira portanto, é algo como se a Igreja tivesse que ligar um sinal de alerta e puxar o freio das atitudes humanas que se deixam levar incontidamente pela lascívia e despudor, durante a festa da carne que se prospera durante ruidosos e inebriantes 7 dias.   

A semana de Carnaval.

Tal qual uma varinha mágica, a Igreja interpõe estratégicamente um dia, logo após os festejos, para lembrar às pessoas que na Quarta Feira, as Cinzas devem se manifestar na mente humana, como uma sutil lembrança de que a vida é efêmera, breve e transitória, e que o caminho entre a Terra e Céu deve passar por um processo de purificação.

A Antítese desse processo é a confirmação da contrariedade e da insensatez que se travestem de arrependimento.  

Na sede de provar esse sentimento, a pessoa se submete a um período de retratação, que obedece o nome de Quaresma.

Jejuar, orar, refletir e entregar-se a uma vida espiritual, tornam-se "lição de casa",  pelo menos até a Páscoa.  

O paradoxo desse exdrúxulo comportamento é uma tênue linha da ética e da moral, que mal se sustenta diante da débil oferta da Indulgência.

As cinzas continuam flanando no aguardo de arrependidos, que durante dias se esbaldam na Festa Pagã e ao término dela buscam a absolvição da Matriz, por quem os sinos dobram em sinal de compaixão.

E assim começa a Penitência, num país sobejamente cristão, mas que traz consigo o Carnaval como manifestação primitiva e degradante do comportamento de muitos.



INICIAÇÃO COMO PRINCÍPIO DA VIDA, TEOLOGIA E CIÊNCIA - Júlio Aquino


 

Com inusitado e merecido brilho, reverencio inicialmente a memória do Apóstolo São Pedro, notável e aplaudível, rico de delicados sentimentos, que fez majestosa síntese sobre a Fraternidade, na sua segunda (2a) Carta Universal, capítulo primeiro (1°), versículo sétimo (7°):

 “A Fraternidade é que gera o Amor”!

E esse amor jamais prescreve pelo lapso do tempo.

Com efeito, o amor ao GADU e ao próximo é inseparável, sumamente majestoso, sumamente glorioso e sumamente elevado.

As muitas águas não poderiam apagar esse amor, nem os rios afogá-Io.

Assim também, outro exponencial, nimbado de auréola refulgente, é o profeta Amós que exerceu o seu ministério nos reinados de Azias, rei de Judá e de Jeroboão II, rei de Israel, 752 anos A.C..

Ele pugnava pelo trabalho, justiça e a retidão,.

Usava nos seus ensinos as mesmas ferramentas que usamos na Maçonaria.

Razão pela qual, a luz da face do GADU resplandece em toda a sua beleza no rosto do Maçom, manifestada pelo ditame da consciência.

Maçom é um estado de espírito e a razão da vida, começa grandiosa e altaneira, em levantar Templos a Virtude.

E a razão da morte, para nós, não se constitui um mal.

A morte que é um mal, é aquela que provém do vicio, do crime e da barbárie.

A morte não é o apagamento da luz, mas o simples ato de dispensar a lâmpada.

Ponha-se em evidência, a nossa Ordem, essa acrópole magnífica, que tem na grandeza da sua excelência, uma dimensão transcendental, porque nasce nos desígnios do GADU – Um Deus que não morre, sentando num trono que não se desmorona, e se finaliza no absoluto desse mesmo Deus que é a luz que espanta as trevas da nossa ignorância insolente.

Convém lembrar, que o maçom não pode desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão e do entendimento, e ninguém poderá aprisionar a nossa esperança e nem exilar a nossa inteligência.

A partir de então, o maçom descobre o descortinamento exuberante da Razão e fascínio de ditosas riquezas que provem dos sete triângulos:

1 – Triângulo Equilátero,2 – Triangulo Isósceles,3 – Triangulo Escaleno,

4 – Triangulo Retângulo,5 – Triângulo Obtusângulo,

6 – Triângulo Acutângulo,

7 – Triangulo Esférico.

Evidentemente, todos esses Triângulos, abrem-nos as portas do campo da educação matemática, das leis de proporção mecânicas, da aritmética, representada pelos números e da geometria, representada pelos símbolos.

Também da raiz quadrada, das equivalências, das equações, das formas, dos axiomas, dos teoremas, dos corolários, dos escólios, das retas, dos planos, das perpendiculares, dos ângulos, dos seguimentos lineares e das poligonais.

Do Sodalício, com o verbo franjado de ouro e púrpura, enalteço a grandeza e o valor das leis das equivalências do Físico Newton, entre as temperaturas do sol e as propriedades de absorção da clorofila, para que a fotossíntese possa se realizar.

Assim também se as cargas de elétrons, prótons e nêutrons não tivessem precisas ressonâncias, os planetas não poderiam orbitar o sol com estabilidade.

E nos seres vivos, as interconexões para o fluxo de sangue e o sistema nervoso seriam impossíveis.

Os quantitativos constantes da física que define o universo são espetacularmente precisos.

Outro astrofísico, chamado Fre Hoyle, no seu livro intitulado, A Arquitetura do Universo, diz que tudo foi meticulosamente planejado para a chegada da vida na terra.

Segundo ele, existe um fio de felizes e estranhas coincidências.

..."E assim se fez a Vida e tudo que nela há"... 





 

fevereiro 17, 2026

GIORDANO BRUNO

 



Em 17 de fevereiro de 1600, o filósofo italiano Giordano Bruno foi executado na fogueira, em Roma, após ser condenado pela Inquisição. A sentença foi cumprida na praça Campo de’ Fiori, diante do público, como exemplo contra ideias consideradas heréticas.

Bruno defendia conceitos revolucionários para a época, como a infinitude do universo e a existência de inúmeros mundos habitados. Suas reflexões iam além do heliocentrismo de Copérnico e questionavam pilares da cosmologia tradicional.

Além das teorias astronômicas, também sustentava posições filosóficas e teológicas que confrontavam dogmas centrais da Igreja Católica. O processo contra ele durou anos, marcado por interrogatórios e tentativas de retratação.

Recusando-se a renegar suas convicções, manteve suas ideias até o fim, mesmo diante da ameaça de morte. A execução transformou seu nome em símbolo da repressão intelectual na Europa moderna.

No local aonde foi executado a maçonaria construíu o monumento que aparece na foto acima, perpetuando a sua memória .

Fonte: Wikimedia Commons - curiosidades na história 

AS PRINCIPAIS ESCOLAS DE PENSAMENTO MAÇÓNICO - Alexandre Fortes



As escolas de pensamento maçónico não foram “criadas” por uma única pessoa ou numa data específica como instituições físicas, mas sim categorizadas por historiadores e estudiosos para organizar as diferentes visões sobre a origem, a finalidade e a filosofia da Ordem.

O autor que consolidou a nomenclatura moderna dessas escolas (especialmente as oito divisões clássicas) foi o pesquisador H. L. Haywood.

No Brasil, autores como Roberto Bondarik e José Castellani são as referências principais para o estudo dessas correntes. 

As escolas dividem-se conforme o “foco” de estudo do Maçom (histórico, antropológico, místico, filosófico, religioso, científico, social, etc.).

O pesquisador H. L. Haywood (Harry LeRoy Haywood), na sua obra seminal de 1923, The Great Teachings of Masonry (Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria), foi de facto um dos primeiros a organizar o pensamento maçónico em escolas específicas. 

Embora outros autores como Roscoe Pound tenham listado quatro ou cinco vertentes, Haywood expandiu essa análise para oito escolas principais, conforme detalhado no Capítulo 17 do seu livro.

AS OITO ESCOLAS DE PENSAMENTO (segundo H. L. Haywood)

Estas divisões representam as diferentes abordagens que os maçons utilizam para interpretar a Ordem:

1. Escola de William Preston (Instrução): Foca na Maçonaria como um sistema de educação e disseminação de conhecimento (ciências e artes liberais).

2. Escola de Karl Krause (Sócio-Política): Vê a Maçonaria como uma ferramenta para a perfeição da humanidade e a organização da sociedade sob princípios morais.

3. Escola de George Oliver (Religiosa): Interpreta a Maçonaria estritamente sob a óptica cristã e teológica, vendo-a como uma instituição divina.

4. Escola de Albert Pike (Filosófica): Busca a “Verdade Absoluta” e a harmonia do universo através de uma síntese profunda de filosofia e religião.

5. Escola Histórica (ou de Roscoe Pound): Defende que a Maçonaria deve ser interpretada através da sua própria evolução histórica contínua.

6. Escola Simbólica (ou Esotérica): Foca no significado oculto atrás dos rituais e símbolos como chaves para o despertar da consciência.

7. Escola Romântica: Formada por aqueles que acreditam em origens lendárias e românticas (como a conexão directa e ininterrupta com os Templários).

8. Escola Autêntica (Científica): Baseada no rigor documental da Loja Quatuor Coronati, rejeitando mitos em favor de evidências históricas comprovadas.

Historicamente, o desenvolvimento dessas vertentes deve muito a autores da Escola de Pesquisa (Quatuor Coronati), na Inglaterra, que separaram o “facto histórico” da “lenda”:

A Loja de Pesquisa Quatuor Coronati nº 2076 (Londres), fundada em 1884, é o berço do que chamamos de Escola Autêntica de pesquisa maçónica. 

Embora a Quatuor Coronati seja a representante máxima da Escola Autêntica, a classificação das “escolas de pensamento” como um todo (que inclui as vertentes não-históricas) é frequentemente atribuída a autores que analisaram o movimento iniciado por ela.

AS ESCOLAS DO PENSAMENTO MAÇÓNICO (Ars Quatuor Coronatorum – AQC)

De acordo com a metodologia científica e os estudos publicados nas Transactions da Loja (conhecidas como Ars Quatuor Coronatorum – AQC), as escolas são geralmente divididas em quatro categorias principais:

1.1 Escola Autêntica (ou Histórica): Criada pelos fundadores da Quatuor Coronati. Rejeita lendas e mitos, exigindo provas documentais e evidências históricas. Considera que a Maçonaria evoluiu das guildas de pedreiros medievais (Teoria da Transição).

1.2 Escola Antropológica: Aplica os métodos da antropologia e sociologia. Estuda a Maçonaria como um sistema de ritos de passagem e costumes humanos universais, buscando paralelos em civilizações antigas, mas sem necessariamente afirmar um vínculo directo de sucessão.

1.3 Escola Mística (ou Iniciática): Vê a Maçonaria como um sistema de desenvolvimento espiritual e autoconhecimento. Foca no “Trabalho Interno” e na jornada da alma, utilizando o simbolismo como linguagem para verdades metafísicas.

1.4 Escola Oculta (ou Esotérica): Busca as raízes da Ordem em sociedades secretas, como os Templários, os Rosa-cruzes, a Cabala ou os Mistérios do Egipto e da Grécia. Muitas vezes é criticada pela Escola Autêntica pela falta de rigor documental.




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"LAVAR A CABEÇA DE BURRO COM XAMPU" - Newton Agrella



É do ser humano se recusar a tentar entender um assunto e não admitir a hipótese de rever seus conceitos e mudar de idéia, mesmo diante da tácita demonstração de uma percepção inconsistente.

Este tipo de comportamento, muito aquém de uma atestado de opinião própria ou de uma ratificação de juizo de valores, por vezes, acaba se transformando numa ausência injustificável de espírito de consciência crítica.

Em analogia a isto, encontramos respaldo em um dito popular, que um grande amigo meu e irmão costuma se valer, que traduz com muita sutileza e maestria a imagem real de seu significado : 

"...lavar a cabeça de burro com xampu.." 

Nessa prosaica figura de linguagem, que se reveste de um provérbio, deparamo-nos com três situações desconcertantes:

- perde-se tempo;

- gasta-se água, e

- e não se embeleza o burro

Algo que nos deixa perplexos para dizer o mínimo.

Afinal de contas, as propriedades de que dispomos de pensar, refletir e raciocinar, são condições mais do que suficientes para que possamos criar subsídios necessários de modo a proporcionar autenticidade à noção intelectual das coisas.

O xampu está caro.

A água precisa ser utilizada com a devida parcimônia.

E finalmente o burro, bem o burro está lá, parado, estagnado no vazio de sua postura e "ruminando pensamentos" , como se pudesse entabular um exercício  filosófico para justificar sua visão caolha do mundo.

É por aí, que grande parte da banda toca, numa insistente receita monocórdica, com abordagem fatídica e inócua, em contraste com o espírito que se espera perpetrar diante de uma matéria que impõe uma visão e uma análise antropocêntrica, antes de mais nada.


CARNAVAL DA SAUDADE - Joab Nascimento


 

I

Quanta saudade que dá,

Dos ranchos e das marchinhas,

Dos grandes bailes nos clubes,

Animadas por bandinhas,

Multidão atrás da banda,

Famílias com criancinhas.

II

O teu cabelo não nega,

Me dá um dinheiro aí,

Cabeleira do Zezé,

Saca-rolha vem aí,

Cidade maravilhosa,

Carmen Miranda e taí 

III

Allah-lá-ô com Aurora.

Ô balancê, balancê,

A jardineira está triste

Quero dançar com você

Venha cá linda morena

Anavatu, anarriê.

IV

Está chegando a hora,

Muitas águas vão rolar,

Pedindo mamãe eu quero,

Abre'alas que vou passar,

Vou amar as pastorinhas,

Se a canoa não virar.

V

Da folia, daqui não saio,

Acorda Maria bonita,

Oba, ali tem só cachaça,

Bem alegre alguém grita,

Pierrô apaixonado,

Com o seu traje de chita

VI

Quanta saudade me dá,

Desse tempo de outrora,

Dos carnavais de clubes,

Não existem mais agora,

Da paz e tranquilidade,

De brincar a qualquer hora,

VII

Hoje o velho carnaval,

Faliu está tão doente,

É vandalismo na rua,

Cada qual o mais valente,

Muita droga, morte e furto,

Que domina essa gente.

VIII

Não existe marcha e rancho,

Só axé onde estiver,

A mulher já virou homem,

Homem já virou mulher,

Inventaram abadá,

E só compra quem puder.

IX

A massa dominadora,

Que faz parte da folia,

Não se arruma pra brincar,

Investe em sexo e orgia,

Pensa apenas no dinheiro,

Esqueceram da alegria.

X

Hoje o carnaval apenas,

É bagunça e confusão,

Pierrô e colombina,

Se afastaram do salão,

Deixaram muita saudade,

Dentro do meu coração.



fevereiro 16, 2026

CARNAVAL - Adilson Zotovici


É chegado o carnaval

Para alguns é grande festa

Um desprendimento total

Há também quem o detesta 


É festa pagã anual 

Que alegria manifesta

Grande folia material 

No afã o espírito infesta 


O cuidado é essencial  

Há procela, prazer carnal... 

Mesmo sequela funesta 


Uma folia imodesta 

Que muita gente contesta 

Pois carrega o bem e o mal !



DO NUMERAL - Heitor Rodrigues Freire



O meu objetivo com esta série de artigos sobre a gramática e seus componentes é lançar um novo olhar sobre as peculiaridades do nosso idioma, o que, para muitos, é algo indigesto.

Desta vez trataremos dos numerais, uma classe gramatical relacionada com os números e as formas como eles contabilizam os elementos numa frase. Os numerais são uma classe de palavras variáveis que expressam quantidade, ordem, multiplicação ou fração de seres e objetos, sendo classificados em cardinais – que indicam uma quantidade exata  (um, cem, mil) – , ordinais –  que indicam ordem ou posição, (primeiro, terceiro, centésimo) –, multiplicativos – que indicam um múltiplo (dobro, triplo, quádruplo) –, fracionários – que indicam divisão ou parte de um todo (meio, terço, quarto) e coletivos – que indicam um conjunto de seres (dúzia, centena). Os numerais podem ser escritos por extenso (um, dois) ou em algarismos (1, 2), e indicam um valor numérico ou posição em uma série.  

Há uma diferença entre número, a ideia abstrata de quantidade, e numeral, que é a palavra ou símbolo que representa o número, a sua representação gráfica. E há também o algarismo, que é o símbolo de um numeral decimal.

Mas o que nos interessa mesmo é a abordagem filosófica, ou seja, quando o numeral transcende a mera contagem, sendo visto como princípio estruturante do universo.

Esse tema mereceu atenção especial de grandes pensadores como Pitágoras, Platão, e, mais recentemente, Carl Jung. 

Para Pitágoras, o número é a arché, o princípio fundamental de tudo: “O cosmos é ordem numérica, harmonia e proporção”.

Já Platão distingue o número sensível (matemático) da ideia numérica (realidade superior e espiritual). O neoplatonismo diz que o número organiza o caos primitivo, sendo um princípio espiritual que tece a ordem cósmica.

Já Jung entende que o número é o arquétipo da ordem e a ponte entre psique e matéria, organizando o caos e ligando o mundo interior ao exterior. 

A filosofia investiga se os números são invenções (abstratos) ou descobertas (reais), e sua relação com a experiência humana e a verdade. 

Na Índia antiga, o súnia (zero/vazio) era um conceito filosófico e numérico, um ponto inicial ou o todo, fundamental para o sistema decimal. 

Filosoficamente, o numeral é muito mais do que um símbolo: é a chave para entender a estrutura do universo, a natureza da realidade e a própria consciência, sendo um conceito que permeia desde a matemática pura até os arquétipos mais profundos da psique humana. 

Assim, fica clara a importância da abordagem filosófica como meio de um entendimento melhor de tudo.