janeiro 22, 2026

RECEBI A CRITICA ABAIXO - Michael Winetzki







Recebi de um irmão aborrecido comigo a mensagem abaixo:

Acho que o senhor como um acadêmico (pelo menos imagino eu), deveria aprender a fazer a referência certa. Da forma que o senhor faz, não dá nem para identificar as páginas de onde copia os textos. É preciso citar nome de autor, livro ou site, ano do livro e editora. Assim é fácil produzir conteúdo e ficar por ai dizendo nos grupos de Whatsapp que tem o melhor site de conteúdo maçônico do Brasil (Não Mesmo). Já vi várias copias de conteúdos de amigos aqui, sem qualquer referência e o senhor levando o crédito como "um grande pesquisador". Assim é muito fácil se vender como intelectual por ai. Ja tem grupos de maçons que os Irmão quando vê uma publicidade sua, comenta: "Lá vem o copião".

Atenciosamente,

Minha resposta:

Prezado Esdras, muito obrigado por sua reflexão.
Como você deve ser um dos milhares de irmãos que acessam o blog, (senão o comentário não tem razão de ser), agradeço pelo reconhecimento.

Você deve ter notado que todas as postagens, ao lado do título, contém o nome do autor. Quando sou eu que escrevo, tem o meu nome, e quando não tem nome algum, no pé do texto aparece de onde ele foi copiado.

De fato, eu copio os melhores textos dos meus grupos de whatsapp e muitos recebo diretamente dos autores, para prestigiar irmãos que de outra forma seriam muito menos lidos e apreciados. Sou uma espécie de divulgador de cultura e maçonaria e me orgulho muito disso, e os quase oitocentos mil acessos ao blog justificam o meu trabalho, que aliás, é inteiramente gratuito.

Mas como acadêmico também tenho obras. Escrevi 9 livros, um dos quais adotado como texto de estudo em faculdade. Tenho centenas de artigos publicados no Brasil e no exterior e em cerca de 30 anos fiz mais de duas mil palestras, presenciais e virtuais. Aliás, nesta semana faço 3, dia 25 na Loja Virtual Luz in Tenebris, dia 28 no Arco Real e no dia 30 em Goiânia.

Faço parte de 5 Academias mas nunca busquei filiação, sempre fui convidado porque viram algum mérito no meu trabalho.

E se tem algum amigo seu que eu publiquei sem citar a autoria, por favor me informe para corrigir o erro e me desculpar. Por mais cuidado que eu tenha, errar é humano.

Considero sim, e tenho muitas opiniões a respeito, o meu blog como um dos melhores do Brasil e mais de 300 irmãos que o seguem diariamente confirmam isso. Não sou o melhor, ninguém pode afirmar isso, mas sou um dos melhores, com certeza.

Finalmente eu tenho orgulho também de ser chamado de "copião". Busco trazer  a luz a cultura e inteligência de tantos e tantos autores que de outra forma passariam despercebidos. Copio o que há de melhor e isso soma para nos tornar também cada vez melhores. Não é esse o objetivo da Ordem?

Finalmente, porque essa raiva toda? Se você não gosta, não precisa ler. Eu não gosto de jiló e não como, não fico criticando seu amargor.

Receba a minha gratidão por sua crítica, que sempre nos enriquece e também um caloroso TFA. Michael

PS - As minhas palestras e os meus livros já renderam a doação de mais de 200 toneladas de cestas básicas e mais de milhão de reais em doações diversas, de reformas de creches e asilos, doações de computadores e bibliotecas a escolas e presídios, máquinas de fazer fraldas a prefeituras, fornos de pão a centros espíritas, etc, etc, etc. Tudo documentado.

Eu apreciaria muito saber o que você tem feito de trabalho na Ordem além de críticas?

CHEGADA DA FAMÍLIA REAL AO BRASIL - Junior Hamilton


22 de janeiro de 1808 - 22 de janeiro de 2023

215 anos da chegada da FAMÍLIA REAL portuguesa à Baía, no BRASIL

A ideia de uma transferência do Rei e da Corte Portuguesa para o Brasil, como um meio de reforço da segurança e soberania nacional, concretizou-se perante a ameaça napoleónica e no contexto das Invasões Francesas.

A comitiva real partiu de Lisboa a 29 de novembro de 1807 e chegou à Baía 54 dias depois.

Pela primeira e única vez na História uma colónia passava a ser a sede de uma corte europeia.

O episódio é narrado no livro de Memórias 2 do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde

(PT/ADPRT/MON/CVSCVCD/011/0155, fls. 65-70v)

Link para o registo descritivo do documento arquivado no Arquivo Distrital do Porto: https://pesquisa.adporto.arquivos.pt/details?id=485530

Link para a transcrição integral: http://www.adporto.dglab.gov.pt/.../dia-mundial-do-livro

PRESIDENTES MAÇONS DO BRASIL: LEGADO REPUBLICANO E HERANÇA SIMBÓLICA PARA A ORDEM



artigo de Helio P. Leite 

A História da República brasileira registra, de forma inequívoca, a presença de numerosos maçons no exercício da Presidência da República. Desde a Proclamação da República até períodos de transição democrática no século XX e início do século XXI, nomes como Manoel Deodoro da Fonseca, Floriano Vieira Peixoto, Prudente de Morais, Campos Sales, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wesceslau Brás, Delfim Moreira, Washington Luís, Café Filho, Nereu Ramos, Jânio Quadros e, mais recentemente Michel Temer, figuram como exemplos de cidadãos que, além de homens públicos, também integraram a Ordem Maçônica.

A questão que se impõe não é apenas enumerar nomes, mas refletir com maturidade histórica: que legado deixaram para o Brasil e se, enquanto maçons, deixaram alguma herança concreta para a Maçonaria.

O legado para o Brasil

O primeiro e mais evidente legado desses presidentes está ligado à construção, consolidação e preservação da República. Coube a Deodoro da Fonseca, com o apoio de lideranças civis e militares, romper com o regime monárquico e inaugurar um novo modelo de Estado. A Floriano Peixoto, por sua vez, coube a difícil missão de manter a República de pé diante de graves revoltas internas, afirmando a autoridade do poder civil.

Com Prudente de Morais, o país conheceu o primeiro presidente civil, símbolo da normalização institucional e da superação do protagonismo militar inicial. Campos Sales destacou-se pela reorganização financeira do Estado e pela busca da estabilidade administrativa, enquanto Wenceslau Brás conduziu o Brasil com prudência durante a Primeira Guerra Mundial.

No campo da educação e da cidadania, merece destaque Nilo Peçanha, responsável pela criação  das Escolas de Aprendizes Artífices, embrião da atual rede federal de educação técnica e profissional. Washington Luís, com sua conhecida máxima de que “governar é abrir estradas”, deixou como marca a integração territorial e o investimento em infraestrutura.

Já Café Filho e Nereu Ramos exercem papel histórico relevante como presidentes de transição , garantindo a continuidade constitucional em momentos de crise. Jânio Quadros, figura complexa e contraditória, legou avanços na política externa independente, embora seu governo tenha contribuído para um período de instabilidade política. Michel Temer, em contexto contemporâneo, presidiu o país durante grave crise institucional, conduzindo reformas estruturais e assegurando a realização do processo eleitoral subsequente.

Em síntese, esses presidentes, com virtudes e limitações próprias de cada época, contribuíram para a afirmação do Estado brasileiro, da legalidade constitucional e da vida republicana.

E o legado para a Maçonaria?

Quando se analisa a relação desses presidentes com a Ordem Maçônica, é fundamental afastar mitos e simplificações. Não existiram “governos maçônicos” no Brasil, tampouco a Maçonaria atuou como partido político ou bloco de poder institucionalizado.

O legado deixado á Ordem é, sobretudo, moral, simbólico e histórico.

Esses homens públicos demonstraram que o maçom pode ocupar os mais altos cargos do Estado sem confundir Loja e governo, respeitando o princípio da discrição e da instrumentalização da Ordem. Ao defenderem – em maior ou menor grau – valores como liberdade de consciência, laicidade do Estado, respeito às leis, educação e civismo, reforçaram, perante a sociedade, a imagem da Maçonaria como escola de formação cidadã.

Paradoxalmente, o fato de não haver favorecimento institucional à Maçonaria constitui, em si, um legado positivo. Preserva-se, assim, a regularidade da Ordem, sua independência e sua legitimidade moral.

Considerações finais

Os presidentes brasileiros que foram maçons não devem ser lembrados como representantes da Ordem no poder, mas como cidadãos que, formados também no ambiente maçônico, colocaram-se a serviço da Nação. Seu verdadeiro legado à Maçonaria não está nos privilégios concedidos, mas no exemplo de que é possível servir ao Estado com ética, respeito às instituições e compromisso como o bem comum.

Ao registrar essa presença na história republicana, a Maçonaria reafirma sua vocação original: formar homens livres e de bons costumes, capazes de atuar na sociedade sem jamais subordinar a Ordem a interesses políticos transitórios.

Enfim, cabe aos nossos atuais líderes maçônicos, dirigentes das Potências Maçônicas regulares no Brasil: honrar, observar, estudar e preservar os legados deixados por nossos Irmãos, cada um em sua época, que como Obreiros da Arte Real dirigiram os destinos do Brasil.

TUTELA, E TUTORES - Newton Agrella


Somente a título de informação, cabe lembrar que registros históricos dão conta que ao final da terceira década do século XX,  a Grande Loja Unida da Inglaterra publicou, em conjunto com as Grandes Lojas da Escócia e da Irlanda, “The Aims and Relations of the Craft”, que trata-se de uma declaração dos princípios fundamentais que serve de base para todas as Grandes Lojas regulares do mundo. 

Tal declaração registra explicitamente o seguinte:

*"...Enquanto a Maçonaria inculca em cada um de seus membros os deveres de Lealdade e de Cidadania, reserva-se ao indivíduo, o direito de ter sua própria opinião em relação a assuntos políticos.*

*Além disso, nem em uma Loja, nem a qualquer momento em sua qualidade de maçom, lhe é permitido, discutir ou fazer promover seus pontos de vista sobre questões religiosas ou teológicas..."*

O notável Irmão Kennyo Ismail, fez há algum tempo, a seguinte  consideração: 

*"...O motivo de tal proibição é notória e muito bem registrada na literatura maçônica.*

*Sendo a Maçonaria uma ordem universal, que abraça membros de diferentes religiões e convicções políticas, defensora perpétua das liberdades civil, religiosa, política e intelectual, nunca poderia ou poderá, como instituição, imprimir preferências políticas, por risco de desrespeitar as convicções de seus próprios Membros, independente se maioria ou minoria, causando assim desarmonia entre Maçons ou Lojas..."*

Em outras palavras, não precisamos de Tutela ou sermos tutelados por ninguém para que nos digam como votar, de que maneira devemos avaliar e analisar um candidato, ou qual a melhor forma de governo.

Não somos massa de manobra.

Todos conseguimos pensar e não terceirizamos essa condição a ninguém.

Valer-se da Maçonaria como palco, forum ou trampolim para quaisquer outros interesses, em nome de um suposto "civismo", não se constitui no canal mais legítimo e inteligente.

A política é a Arte que concede ao cidadão o direito de fazer seu juízo próprio sobre os valores que lhe são mais caros como ser humano.

Como um "Livre Pensador", o maçom exerce esta sua prerrogativa sem a necessidade da chancela de qualquer outra instituição.

E sabe antes de tudo, que a obediência aos postulados maçônicos é uma questão de disciplina e respeito, inclusive porque ao ter sido iniciado, submeteu-se solenemente a um Juramento ou Compromisso, perante a Ordem e seus pares.

Sempre recomendável deixar patente que o "Custo da Liberdade"  refere-se à Responsabilidade de fazer escolhas, à Inquietude de ter infinitas  possibilidades,  à Luta contra a necessidade e à Superação das próprias limitações e valores  explorando a Liberdade como uma condição que impõe o aprimoramento da consciência e por fim a capacidade de agir conforme a razão e o dever, mesmo diante da pressão social ou existencial. 



janeiro 21, 2026

LOJA CONSTANCIO VIEIRA 3300 - SERGIPE - Jorge Gonçalves






Princípios acima das circunstâncias, um tributo à Loja Constâncio Vieira nº 3300


Em 20 de janeiro de 2026, durante a Abertura do Ano Maçônico do Grande Oriente do Brasil, Sergipe, a Loja Constâncio Vieira nº 3300 celebrou seu aniversário. É nesse ambiente que continuamos a escrever a nossa história, e as palavras que seguem são parte dela.

Em 22 de janeiro de 2000, nasceu a Loja Constâncio Vieira, fundada como Loja de Pesquisas e Estudos, dedicada ao Rito Francês, ou Moderno, que praticamos até hoje. Essa escolha carrega a herança intelectual francesa do século XVIII, quando o espírito humano passou a valorizar a razão, o método, a liberdade total de pensamento e a tolerância como pilares do mundo moderno.

Para os convidados que não estão acostumados com o termo “Loja”, essa palavra não se refere a um lugar de comércio, mas a um conceito muito antigo. Na tradição maçônica, o termo vem do francês "loge" e do inglês "lodge". Os antigos construtores de catedrais utilizavam um abrigo dentro do canteiro de obras, onde os pedreiros guardavam suas ferramentas, descansavam e se reuniam. Esse abrigo, naquela época, era a Loja.

Outrora, a Loja guardava as ferramentas da construção. Hoje, essas ferramentas dos antigos construtores de catedrais foram transformadas em linguagem simbólica. Por exemplo, o esquadro e o compasso, utilizados na construção, passaram a significar retidão, domínio das paixões e aperfeiçoamento interior. E, se no passado nossos irmãos erguiam catedrais, agora o trabalho é ainda mais difícil: conhecer a si mesmo e aperfeiçoar se. Cada maçom constrói o seu próprio templo interior, por dentro, pedra por pedra.

E é para reconhecer o trabalho de irmãos extraordinários que esta noite merece ser celebrada. Um dos maiores oradores da Roma antiga, Marco Túlio Cícero, cuja obra influenciou a arte da retórica e do pensamento humano, escreveu: “A gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a mãe de todas as outras.” Por isso, esta noite é, antes de tudo, uma noite de agradecimento.

Gratidão aos nossos Fundadores, que plantaram essa semente com visão e coragem. Gratidão aos Ex Veneráveis Mestres e às suas diretorias, que sustentaram esta Loja em tempos fáceis e difíceis, enfrentando mudanças e desafios administrativos. Gratidão aos Irmãos que permanecem frequentando, firmes, estudando, trabalhando e mantendo a nossa Loja viva. Gratidão aos novos Membros Honorários, que, embora oriundos de outras Lojas, em função da extraordinária participação em nossos trabalhos, foram escolhidos por unanimidade para compor o nosso quadro.

Gratidão também aos visitantes e amigos, porque uma Loja só é verdadeiramente respeitada quando aquilo que ela representa ultrapassa as suas paredes e se torna exemplo.

Uma Loja se mantém viva quando renova o entusiasmo, preserva a fraternidade, acolhe novos Irmãos e guarda seus valores, sem jamais perder de vista o seu propósito. E, se há um propósito que nos define, é este: trabalhar pela melhoria do homem, para que, por meio dele, a humanidade também se torne melhor.

Para que nossa Loja atravesse os próximos anos, décadas e séculos, não podemos esquecer que os nossos princípios devem ser mais fortes do que as circunstâncias. Porque o tempo passa. As gerações se sucedem. As dificuldades mudam de nome.

Mas uma Loja vive… quando a determinação dos seus Obreiros permanece inabalável.

Que esta noite fortaleça ainda mais a nossa união. Que renove nosso compromisso. E que os que vieram antes de nós reconheçam, nesta celebração, que a sua obra continua viva… não apenas na memória… mas no exemplo.

Vida longa à Loja Constâncio Vieira nº 3300. Muito obrigado a todos.



ENVELHECER - Albert Camus (Prêmio Nobel de Literatura)


Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.

A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.

O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude não é havê-las cometido... e sim não poder voltar a cometê-las.

Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.

Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.

Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.

O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio...

Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.

Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.

A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.

Nada passa mais depressa que os anos.

Quando era jovem dizia:

“Verás quando tiver cinquenta anos”.

Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.

A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.

Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.

Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.

Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.

Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.

Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.




O SIMBOLISMO DA IMAGEM E DO SENTIDO - Newton Agrella



Vamos construindo nossa imagem, conforme nossa atuação ao longo de nossa existência.

Somos atores circunstantes da vida, que dia após dia, protagonizamos um personagem, diante de cada cenário que nos envolve.

Por isso, somos dotados de tantos talentos e de uma generosa carga de criatividade que nos permitem interpretar os mais diferentes papéis de acordo com os acontecimentos que surgem diante de nós.

Nossas reações se traduzem ao sabor do que nossas emoções exprimem e de algum modo, como a nossa razão impõe.

Porém nem sempre nossas atuações merecem aplausos.

Muito pelo contrário, na grande maioria das vezes elas são motivos de críticas pesadas e de eloquente desaprovação.

Isso tudo, porque pela própria dinâmica da vida,  é muito mais fácil justificar nossos erros e inconformidades do que simplesmente acertar e ficar calado.

Erros e Acertos, ainda que sejam produtos de um código de convenções, duramente padronizados  pela maioria da sociedade humana, acabaram se tornando uma base minimamente plausível para uma convivência civilizada.

Voltando ao palco da vida, fica nítido que no processo de construção de nossa imagem, o que mais nos preocupa como atores, não é saber se estamos desempenhando uma grande performance, mas sim, como os outros estão nos vendo e avaliando.

Conforme densa e amplamente aceita narrativa filosófica, o "mundo das aparências" diz respeito a uma realidade concentrada no superficial, no externo e naquilo que é visível e socialmente valorizado, em contraste com a essência, a verdade ou sentimentos profundos, em que a autenticidade se torna propriedade rara e valiosa. 

O palco segue intacto.

As cortinas são os obstáculos que ocultam e que desvendam tudo o que Universo nos reserva.

Cumpre-nos então, dar sustentação e sentido ao nosso trabalho, pois o tempo não espera, e a vontade de acertar tem que ser manifestada.



janeiro 20, 2026

O TEATRO NO REAA -



Segundo a Encyclopædia Britannica, a palavra “teatro” deriva do grego theaomai (θεάομαι) – que significa “olhar com atenção, perceber, contemplar” (1990, vol. 28:515). 

Theaomai não se refere apenas ao ato de ver no sentido comum, mas envolve uma experiência intensa, envolvente, meditativa e inquiridora, buscando descobrir um significado mais profundo. 

É uma visão cuidadosa e deliberada que interpreta o seu objeto, uma busca por uma compreensão mais completa e rica daquilo que é observado.

No Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA), o teatro desempenha um papel crucial e distintivo na prática maçónica. 

É por meio do teatro que muitos dos ensinamentos esotéricos e morais do rito são transmitidos. 

Diferente de uma simples exposição didática, o uso do teatro proporciona uma experiência vivencial, que facilita a interiorização e reflexão sobre os valores e princípios apresentados. 

O teatro maçónico não é apenas uma representação dramática; é uma ferramenta pedagógica poderosa, capaz de evocar emoções e insights profundos nos participantes.

A Importância do Teatro no REAA

O teatro, no contexto do REAA, é mais do que uma simples encenação; é uma manifestação ritualística que envolve símbolos, alegorias e dramas que têm como objectivo elevar a consciência dos maçons e conectá-los a verdades universais. 

Cada grau do REAA é acompanhado por uma cerimónia teatral que apresenta uma narrativa específica, cheia de simbolismos que refletem a busca pelo conhecimento, a luta contra as trevas da ignorância e a aspiração pela luz do entendimento.

As peças teatrais encenadas durante as cerimónias são meticulosamente elaboradas para provocar uma resposta emocional e intelectual. 

Esta abordagem dramatúrgica cria um ambiente contemplativo que é essencial para a transferência e fixação do conhecimento. 

Através da representação simbólica de histórias e lendas, o Maçom é incentivado a refletir sobre a sua própria vida, as suas ações e o seu papel na sociedade.

As lições morais e éticas são assim transmitidas de uma maneira que transcende o simples intelecto, alcançando o coração e a alma.

O Papel do Mestre Maçom

Compreender e utilizar o teatro é uma responsabilidade fundamental do Mestre Maçom no REAA. 

Ao assumir o papel de personagem nas encenações, seja na Loja Simbólica ou nos Altos Graus, o Maçom não apenas desempenha um papel teatral, mas encarna as virtudes e ensinamentos representados pelo personagem. 

Esta atuação dá vida às lendas contadas, criando uma experiência envolvente e significativa para todos os presentes. 

Através desta personificação, o Mestre Maçom facilita a criação de um espaço mental e emocional propício para a aprendizagem e internalização dos ensinamentos transmitidos.

O envolvimento do Mestre Maçom no teatro ritualístico também serve como um exercício de autoconhecimento e autodescoberta. 

Ao se envolver profundamente com o simbolismo e as lições do rito, o Maçom é levado a uma reflexão interna sobre as suas próprias crenças, valores e propósito na vida. 

Esta introspecção é essencial para o crescimento pessoal e espiritual que o REAA busca promover.

A Evolução do Teatro no REAA

Ao longo dos anos, o REAA tem-se destacado pela sua rica tradição teatral e a sua capacidade de se adaptar e evoluir. 

Desde as suas origens, o rito tem incorporado elementos teatrais que reflectem as preocupações e aspirações de cada época. 

As cerimónias de iniciação, elevação e exaltação foram sendo refinadas e enriquecidas, mantendo-se sempre fiéis ao objetivo de proporcionar uma experiência transformadora.

Além disso, o teatro no REAA não se limita às cerimónias formais. 

Muitas lojas e corpos maçónicos têm desenvolvido atividades culturais e artísticas que incluem apresentações teatrais, recitais de poesia e outras formas de expressão artística. 

Estas atividades complementam a formação maçónica e oferecem aos membros oportunidades de aprofundar o seu entendimento dos símbolos e ensinamentos do rito.

O teatro no Rito Escocês Antigo e Aceito é uma parte integral e indispensável da prática maçónica. 

Ele oferece uma maneira única de transmitir conhecimento, despertar emoções e promover a reflexã

Ao envolver os participantes de maneira profunda e significativa, o teatro maçónico cria uma ponte entre o intelecto e a intuição, facilitando uma compreensão mais completa e duradoura dos ensinamentos maçónicos. 

Através do teatro, o REAA continua a cumprir a sua missão de promover a sabedoria, a virtude e o progresso espiritual.


O PONTO DE VIRAGEM DA MAÇONARIA - Martin Bogardus



Gostaria de dedicar um momento para falar sobre um assunto que todos nós já refletimos ou discutimos em algum momento das nossas trajetórias maçónicas.

Como Venerável Mestre, testemunhei o surgimento e o declínio de muitas carreiras maçónicas e questionei-me frequentemente se existe um momento decisivo, um ponto de viragem que determina a permanência ou a rejeição.

Porque é que os irmãos perdem o interesse pela Maçonaria e o que podemos fazer para reacender essa chama?

Em que momento os nossos próprios pensamentos começaram a vacilar?

Existe um ponto de viragem na vida de cada Maçom; um momento em que a alegria de ser membro da nossa nobre Ordem começa a diminuir. 

Um momento em que nos esquecemos do propósito da nossa existência.

É neste ponto que perdemos a perspectiva do candidato que um dia fomos e nos tornamos meros espectadores da Maçonaria, em vez de participantes.

Quando isto acontece, perdemos a perspectiva do candidato e deixamos de procurar novas luzes

No início, a Maçonaria era excitante e nova. 

Chegámos à Ordem como candidatos ávidos dos seus mistérios e, a cada novo grau conquistado, sentíamos orgulho e realização ao desvendar os véus dos seus mistérios para revelar os seus antigos segredos, cada revelação impulsionando-nos ainda mais a procurar mais luz.

Mas, por vezes, depois de atingirmos o sublime grau de Mestre Maçom, muitos de nós atingimos um patamar e tornamo-nos complacentes nas nossas viagens maçónicas

Um participante é ativo; engajado. 

A sua mente é influenciada pela soma de tudo o que experiencia, processando-o; refina o seu carácter em direção ao louvável objetivo de se tornar um homem melhor.

Ele exprime a própria quinta-essência da Maçonaria no pensamento e na ação pela retidão da sua conduta e pelo aperfeiçoamento do seu caráter, tornando-se o Aparelho Perfeito.

Um espectador, por outro lado, é passivo; desinteressado, a sua mente distraída por mil impulsos errantes que o afastam do caminho de platina. 

Perdido no caminho para a iluminação maçónica e já não um candidato adequado aos seus mistérios, é incapaz de se aperfeiçoar porque lhe falta a capacidade de subjugar as suas paixões e de interiorizar as lições que lhe são oferecidas, fazendo com que o seu interesse diminua.

Começamos fortes, envolvidos pela euforia de aprender os princípios fundamentais da Arte, apenas para nos vermos sobrecarregados e demasiado comprometidos pelas obrigações combinadas da família e da fraternidade.

Para uns, isto acontece logo após a iniciação, para outros, depois de servir como Venerável Mestre da sua Loja. 

O nosso cabo de reboque fica tenso e esticado, tornando-se uma coleira apertada à volta do pescoço, sufocando os nossos desejos por mais luz se não for mantido sob controlo e devidamente equilibrado.

Como aprendemos nas Ferramentas de Trabalho de um Aprendiz Maçom:

• 8 horas para o serviço de Deus e de um irmão digno e aflito

• 8 horas para as nossas vocações habituais

• 8 horas para descanso e sono

Nunca devemos deixar de nos aperfeiçoar na nossa busca da Iluminação Maçónica, esforçando-nos sempre pela equanimidade e procurando tornar-nos aprendizes da Ordem durante toda a vida, pontuando as nossas experiências com circunspecção e reflexão silenciosa.

Para reacender a nossa paixão pela Maçonaria, devemos testemunhar continuamente a outorga de cada grau pelos olhos de alguém que acaba de bater à porta da Maçonaria, e cada palavra deve tocar uma corda ressonante nos nossos corações.

Devemos resgatar aquele momento transformador em que, diante do altar sagrado da Maçonaria, nos unimos perante Deus Todo-Poderoso em fraternidade e amizade místicas, para nos tornarmos irmãos.

Só assim podemos esperar progredir na Maçonaria e reacender a inspiração que recebemos quando éramos realmente os candidatos.

Qualquer Maçom que procure verdadeiramente a luz encontrará algo de novo na Maçonaria de cada vez que um grau for confirmado; MAS DEVE SER O CANDIDATO.

Deve possuir a frescura de mente e de espírito, o anseio de um iniciado em busca de uma nova luz, que o possuía quando ingressou na fraternidade.

Se encararmos os graus da Maçonaria de forma impessoal e considerarmos as cerimónias apenas como uma repetição fria, então nada poderemos ganhar com elas. 

E se alcançarmos uma pequena percepção espiritual e nos recusarmos a nutri-la e a deixá-la crescer em visão e sabedoria, então até essa primeira luz se extingue. 

Deixamos de crescer quando já não procuramos a fonte que nos inspirou desde o início.

Este é o ponto de viragem; aquele momento crítico em que devemos assumir o controlo dos nossos destinos e decidir que tipo de Maçom desejamos ser.

Como o ramo é dobrado, assim cresce a árvore. 

Para crescer na Maçonaria, devemos ter uma mente aberta, a coragem das nossas convicções, o desejo de progredir e a ânsia por mais luz. 

Tudo o que tínhamos quando nos oferecemos pela primeira vez como candidatos aos Mistérios da Maçonaria.

A Maçonaria exige mais do que apenas tempo; ela quer os seus melhores momentos e o melhor de si. 

Este é o verdadeiro desafio de subjugar as nossas paixões e de nos aperfeiçoarmos através da Maçonaria.

(Tradução de António Jorge)

janeiro 19, 2026

VOCÊ MUDOU? - Todd Creason




Todos nós batemos à porta por um motivo diferente. 

Todos nós estamos à procura de algo — é isso que nos leva à porta da Loja, para começar. 

Alguns de nós estamos lá porque é uma tradição familiar. 

Os nossos pais, tios e avós eram todos maçons. 

Há muitos motivos diferentes. 

Estamos à procura de uma conexão na comunidade. 

Procuramos novos amigos. 

Procuramos oportunidades para servir a nossa comunidade e sabemos que os maçons desempenham um papel importante nisso.

Mas, às vezes, não vemos a floresta por causa das árvores. 

Não vemos o objetivo principal da fraternidade, que é dar-nos orientação e instrução sobre como nos tornarmos homens melhores. 

Na verdade, diria que a maioria dos membros da nossa fraternidade hoje em dia raramente explora e aplica o que a Maçonaria realmente nos ensina sobre o carácter. 

Sobre encontrar o nosso propósito. 

Não usamos os recursos que temos na fraternidade para explorar verdadeiramente as questões que todos temos sobre por que estamos aqui e o que devemos fazer com estes poucos anos que temos nesta terra.

Tenho de admitir que foi por isso que me juntei há vinte anos. 

Eu estava à procura de um sentido para a minha vida. 

Eu estava na casa dos trinta. 

Tinha um bom emprego, uma esposa que me amava, bons amigos e uma bela casa. 

Mas não estava satisfeito. 

Não sentia que tinha descoberto o sentido da vida. 

Ainda não tinha encontrado aquilo que unisse tudo para mim.

Então, bati à porta. 

E não fiquei desapontado com o que descobri. 

Encontrei centenas de anos de sabedoria sobre como me reconstruir de dentro para fora. 

E a minha vida mudou quase imediatamente. 

Li algumas centenas de livros e escrevi alguns livros. 

Não consigo estimar quantos artigos escrevi e quantas publicações fiz no blog. 

Partilhei muito do que descobri ao longo dos anos aqui mesmo – The Midnight Freemasons.

Mas a minha jornada não parou por aí. 

Ela levou-me de volta à fé e a outra experiência transformadora, quando Deus me chamou para um caminho de vida muito diferente daquele que eu vinha trilhando. 

Nem todos os caminhos levam ao púlpito, mas o meu certamente levou, e esse caminho começou na porta da Loja. 

Foi aí que o meu rumo na vida mudou.

A Maçonaria é mais do que amizades, serviço, atividades e reuniões. 

É sobre crescimento. 

E recitamos essas palavras e ouvimos esses conceitos nas nossas reuniões e graus, mas poucos de nós percebemos que é disso que se trata. 

É sobre construir caráter. 

É sobre encontrar a nossa maneira de tornar este mundo um lugar melhor. 

Trata-se de descobrir para que fomos criados e encontrar maneiras de o fazer! 

Trata-se de nos deixarmos ser transformados em algo que o criador possa usar para o Seu propósito.

Portanto, a minha pergunta para si é esta:

Mudou? 

É um Maçom que “entende” e aplica esses princípios que ensinamos à sua vida, ou está praticamente igual agora ao que era quando se juntou a nós? 

Encorajo-o a aprofundar-se mais. 

Aplique essas lições e veja o que acontece. 

Você foi colocado aqui com um propósito. 

Comece a trabalhar nessa pedra e veja aonde esse caminho que começou na porta da Loja pode levá-lo.


OS SINAIS DE RECONHECIMENTO -



Um dos segredos que os maçons devem guardar consiste nos sinais, palavras e toques próprios de cada um dos graus. A sua origem – os sinais pelos quais um artesão da maçonaria operativa identificava as suas aptidões perante mestres que o não conhecessem – já foi aqui sobejamente explicada. Mas quais a sua utilidade e significado atuais? 

Desde o século XVIII que há exposés, ou revelações, de rituais maçônicos. Como seria de esperar, uma vez que cada Grande Loja tem autonomia para alterar os seus rituais – o que costumam fazer com alguma regularidade – rapidamente os sinais de reconhecimento estabelecidos nos rituais terão sido alterados em reação a essas “inconfidências”. Também não surpreenderá que, em função dessas alterações, os sinais de reconhecimento não sejam, hoje em dia, os mesmos nem em todo o mundo, nem em todos os ritos, nem em todas as obediências. Há variações, pelo que os maçons são delas instruídos para que possam reconhecer irmãos apesar das diferenças. 

Entenda-se, por outro lado, que estes “meios de reconhecimento” são meramente rituais. O que é que isto significa? Significa que, em primeiro lugar, são usados no contexto das sessões rituais, e do acesso às mesmas. Assim, se um maçom se dirigir a um templo onde se vão reunir irmãos de outra Loja na qual não seja conhecido, e pretender assistir à sessão, é quase certo que o farão identifica-se através dos sinais rituais de reconhecimento. No entanto, quase certo é também que não se fiquem por aí. Nos nossos dias a maioria das Obediências emite cartões em nome e para uso dos seus obreiros que atestam estarem os mesmos com a sua situação regularizada. 

É também costume as Obediências emitirem, a pedido, o chamado “Passaporte Maçônico”, que permite a identificação do seu portador perante Obediências estrangeiras. Sem qualquer destes documentos, e sem que sejamos conhecidos, é não só possível como quase inevitável vermos a nossa entrada negada numa sessão de Loja. E fora de uma sessão de Loja? Espero que ninguém imagine os maçons a fazer macaquices e “sinais secretos” a estranhos, não vá dar-se o caso de eles serem maçons também... Fora de Loja os maçons, ou já se conhecem previamente, ou reconhecem-se pela sua postura, forma de estar na vida e princípios que defendem. 

Dados os modernos meios de identificação (cartões, passaporte maçônico, etc.), a utilidade original dos sinais de reconhecimento é reduzida. Por que se mantêm então, e qual a razão do seu secretismo? Não nos esqueçamos de que a Maçonaria se socorre de símbolos e alegorias para transmitir os seus ensinamentos. Assim, os segredos de grau recordam a cada maçom que deve ser um homem honrado, de bons costumes, capaz de guardar para si um segredo que lhe tenha sido confiado. Por outras palavras, os maçons guardam segredo desses sinais de reconhecimento, uma vez mais, por uma razão muito simples: porque juraram fazê-lo. 

Fonte “A Partir Pedra”

QUANDO FOI QUE COMEÇAMOS A NOS PERDER - Hugo Studart



A Revolução Iraniana, em 1978, significou a ascensão de um dos mais controvertidos –e ao mesmo tempo influentes-- teólogos em 14 séculos de islamismo, Ruhollah Khomeini. Em farsi, a língua majoritária do Irã, Ruhollah significa “inspirado por Allah”. Ele partiu da ideia do teólogo paquistanês Sayyid Mawdudi de que todos os povos do mundo devem ser governados pelos sacerdotes, em nome de Allah e segundo as leis islâmicas. Ou seja, nada diferente do que pregavam os santos teólogos católicos medievais, a começar por Santo Agostinho – esse ai, confesso, com quem ainda nutro afinidades.

Khomeini foi discípulo de Mawdudi na decada de 1930. Homem intelectualmente limitado mas dono de uma oratória aguda e de uma genialidade política raras, Khomeini acrescentou outra ideia – a necessidade de uso da violência e da guerra como armas de conversão ao islamismo. Ele pregava a necessidade do martírio, do suicídio e da espada para impor o sharia aos fiéis e aos infiéis. Ele tinha como lema: 

“A espada é a chave do paraíso”.

Suas ideias e práticas, enfim, são extremamente similares à do teólogo católico Joaquim de Fiore, inspirador de grupos de camponeses “iluminados” do Século 11 que buscavam precipitar os final dos tempos para instaurar o Paraíso na Terra e, na sequência, das Cruzadas Santas cristãs contra os inféis do Oriente. 

Como fizeram todos os demais movimentos messiânicos radicais anteriores --cruzados católicos, iluministas franceses ou revolucionários marxistas-- tão logo Khomeini consolidou-se no poder, imediatamente passou a exportar sua guerra santa para outros países. Encontrou por todo Oriente Médio uma juventude humilhada por séculos de dominação Ocidental, por décadas de despotismo de governantes fantoches, e por crises econômicas que parecem não ter mais fim. Terreno fértil, húmus puro, para pregações messiânicas radicais. 

Sua teologia disseminou-se por grupos políticos em uma enorme faixa de terra que vai do extremo ocidente africano ao extremo oriente asiático. Cada um mais radical do que o outro. Todos buscando as mais esdrúxulas e possíveis ligações com a divindade para justificar o uso da religião para fins políticos. 

Assim, no dia 11 de Setembro de 2001, uma dessas muitas facções escatológicas, Al-Qaeda, liderado por um autonomeado messias chamado Osama bin-Laden, conseguiu, dentre outros feitos, devolver ao pó duas torres gêmeas fincadas no coração do Império Americano, símbolos do imaginário capitalista, oficializando o início da sharia, uma Cruzada Santa do Islã contra os infiéis do Ocidente.

Desde então, vêm proliferando estudos, teses e prospecções sobre essa guerra. Os analistas mais conceituados, como o economista francês Jacques Atalli, um genial visionário, apontam para uma cruzada que tende a durar cerca de 50 anos. Tende também a se radicalizar reciprocamente, incitando grupos religiosos cristãos a perderem a racionalidade de tal forma que já defendem abertamente o expurgo da Teoria da Evolução das Espécies de Darwin dos currículos das escolas oficiais, em favor da teologia mais primitiva – a de que o homem foi criado por Deus e a mulher nasceu da costela de Adão. Esses fundamentalistas cristãos são os nossos próprios aiatolás xiitas, com os quais teremos que conviver por muitas décadas, em uma noite que talvez pareça não ter mais fim.


janeiro 18, 2026

OS LANDMARKS - Paulo Valle


 

Landmark é um termo em inglês que pode ser traduzido como "marco de terra". Refere-se a uma prática antiga de demarcar o limite de um território com grandes pedras, sendo que mover essas pedras era crime grave (Deuteronômio 19:14; 27:17; Provérbios 22:28).

Seguindo a simbologia do Antigo Ofício, o termo significa uma regra (limite) que deve ser respeitada. Seria algo como uma "cláusula pétrea", cujo adjetivo, "pétrea", transmite a mesma ideia de um "marco de terra": relevância, referência, solidez e imutabilidade.

Os Landmarks mais conhecidos no Brasil são os chamados "25 Landmarks de Mackey". Eles foram escritos por Albert Mackey em 1858 (40), mais de um século após o estabelecimento da Maçonaria como a conhecemos. Alvo de críticas, sua lista não é adotada na maioria da Maçonaria norte-americana, onde Mackey nasceu e viveu. Albert Pike foi um dos críticos, chegando ao sarcasmo de escrever que um cogumelo pode crescer numa fronteira, mas não deve ser confundido com um marco de terra (41).

Há várias outras listas de Landmarks, desde listas com apenas cinco deles, até listas com mais de cinquenta, sendo que são muitas as jurisdições que adotam seus próprios Landmarks. O famoso autor maçônico inglês, George Oliver, tinha sua lista de Landmarks, num total de quarenta (42.) Outro famoso autor, Roscoe Pound (43), apontava apenas sete (44).

O que praticamente todas as listas de Landmarks concordam é quanto: a crença em um Ser Supremo e na Imortalidade da Alma; a presença de um livro sagrado, esquadro e compasso em loja; o simbolismo da maçonaria operativa; a restrição a homens livres e adultos; e o caráter sigiloso da Ordem. Outros Landmarks contidos na maioria das listas tratam sobre: as lojas são governadas por um VM e dois Vigilantes; a Grande Loja é governada por um GM e é soberana, não devendo obediência a qualquer outra Grande Loja; veto a discussões sobre política ou religião; e que uma Grande Loja somente governa os três graus simbólicos.

Quaisquer outros landmarks além desses são discutíveis, e não podem servir de desculpas para camuflar ou proteger preconceitos.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

(40) MACKEY, A. G. The Foundations of Masonic Law. In: The American Quarterly Review of Freemasonry and Its Kindred Sciences. New York: Robert Macoy, 1858.

(41) PIKE, A. The So-Called Antient Landmarks. In: Proceedings of the Grand Lodge of Free and

Accepted Masons of the District of Columbia for the Year 1983. Washington: John F. Shelby, 1894.

(42) OLIVER, G. The Freemason's Treasury. London: Bro. R. Spencer, 1863.

(43) Foi professor de Direito nas Universidade de Harvard, Universidade de Chicago e UCLA.

(44) POUND, N. R. Lectures on masonic jurisprudence. Anamosa: The National Masonic Research Society, 1920.