janeiro 29, 2026

QUANDO A AUSÊNCIA É PRESENÇA E CAMINHO - Rui Calado



Que motivação pode ter um homem de sessenta anos para percorrer centenas de quilómetros e estar apenas duas horas numa reunião maçónica? 

Vista de fora, a pergunta parece legítima, quase prática. 

Vista de dentro, porém, revela outra coisa: a dificuldade de medir o valor do que não é imediato, do que não se traduz em conforto ou descanso.

Aos sessenta anos, o tempo já não se oferece com a generosidade distraída da juventude. 

Cada viagem pesa no corpo, cada ausência se faz sentir em casa. 

Ficam a família, a mesa que se adia, os silêncios partilhados que não se repetem. 

Um homem dessa idade sabe bem o que deixa para trás quando fecha a porta. 

E é precisamente por saber isso que a decisão de partir nunca é leviana.

Ele não vai por fuga, nem por desinteresse pelos seus. 

Vai, muitas vezes, com o consentimento silencioso de quem fica, sustentado por uma compreensão feita de anos, de rotinas partilhadas e de respeito mútuo. 

Há, nesse gesto, uma forma discreta de confiança: a família sabe que aquela ausência tem sentido, mesmo que não precise de ser explicada.

A Maçonaria, para quem a percorreu ao longo de uma vida, deixa de ser um espaço exterior à existência quotidiana. 

Integra-se nela. 

Torna-se parte daquilo que moldou o homem que regressa a casa: mais atento, mais sereno, mais consciente dos seus limites e deveres. 

A viagem não o afasta da família; paradoxalmente, ajuda-o a voltar mais inteiro para ela.

Na Loja, essas duas horas não são apenas tempo ritual. 

São um reencontro com uma fidelidade antiga, com Irmãos que também deixaram algo para trás para ali estar. 

Cada presença é, nesse sentido, um acto de respeito mútuo: ninguém ignora o custo que aquele encontro teve na vida privada de cada um.

Percorrer centenas de quilómetros é, assim, um gesto simples e profundo. 

Não é heroico, nem exibido. 

É um compromisso assumido com lucidez, onde o dever não se opõe ao afecto, mas dialoga com ele. 

O homem que parte sabe que a família é o seu primeiro templo — e talvez por isso trate o segundo com igual reverência.

No regresso, traz consigo o cansaço do corpo e uma quietude diferente no olhar. 

Regressa a casa não como alguém que se ausentou, mas como alguém que cumpriu. 

E nesse equilíbrio frágil entre partir e voltar, entre estar fora e estar presente, constrói-se uma forma madura de fidelidade — à Ordem, à família e a si próprio.


A TORRE DE BABEL 2.0 - Dário Angelo Baggieri


 No crepúsculo da era digital, onde telas piscam como estrelas falsas e o homem corre atrás de likes efêmeros, surge a dúvida antiga:  vale a pena ser maçom, guardião de símbolos eternos, em tempos de templos virtuais e rituais esquecidos?

Olhe ao redor: o mundo grita em caos.  Guerras frias viram quentes em posts; virtudes se dissolvem em algoritmos. E a fraternidade, onde fica?  Está se tornando “um meme” passageiro.

Por que vestir o avental, erguer o malhete, quando o esquadro da vida parece torto?  Pergunta coloquial que muitos fazem.  Mas pare, irmão, e contemple o Oriente.

A Maçonaria não é relíquia de museu, nem clube de segredos para curiosos.  É forja de almas, lapidação do artífice de si próprio, onde o eu bruto vira pedra polida.  Analisando pela batuta do sábio mestre, concluímos que, nos dias atuais, vale mais do que nunca.

Vivemos na Torre de Babel 2.0:  línguas confusas em redes sem alma, onde o ego reina soberano e solitário.

Ser maçom é rebelar-se contra isso:  juntar mãos em Loja, olhos no mesmo ideal, construir pontes sobre abismos de ódio.  Vale pela ética que o mundo perdeu.

Princípios como pedras angulares da Ordem —  Liberdade, Igualdade e Fraternidade — sempre orientarão nossas condutas e posturas.  Não em discursos vazios, mas em atos, no silêncio do juramento, no toque sagrado.

Persistimos na caminhada da verdadeira Luz, enquanto o mundo negocia almas por poder.  Vale pela busca interior, quando o ter suplanta o ser.  O maçom desce às profundezas do templo, enfrenta sombras no Quarto de Reflexões e emerge com a luz da razão acesa.  No “Instagram” da existência, ele posta virtude.

E a filantropia?

Ah, não é pose, arrogância ou leviandade.  É trabalho voluntário e abnegado.  As Lojas tecem redes de solidariedade, ajudam as viúvas, educam o órfão, sem holofotes ou hashtags vazias.  No seio da Verdadeira Maçonaria, berço de templos vibrantes, vemos isso pulsar: mãos unidas no escuro.

Críticos da Ordem ululam e gritam:  “Arcaica! Elitista!”

Mas esquecem: a Maçonaria é universal, abre portas a todos que buscam crescer.  Não é para preguiçosos de espírito, mas para quem labuta na própria obra.  Vale pela disciplina que o mundo abandonou.

Hoje, com fake news como pragas, o maçom cultiva a verdade como planta rara.  No ritual, aprende a discernir o ouro do chumbo, a geometria da retidão em curvas sociais.  Ser maçom é ser farol em noites de eclipse.

E o mistério?

Em tempos de tudo exposto, o véu do Templo guarda o sagrado.  Não é segredo por segredo, mas por proteção: a luz cega os despreparados.  Vale pela jornada iniciática, eterna como o sol que nasce no Oriente.

Duvida ainda?

Olhe para líderes caídos, políticos sem bússola, ricos sem alma.  O maçom, lapidado, resiste à erosão.  Constrói catedrais invisíveis: de caráter firme, de irmandade viva.  Nos dias atuais, com a IA ditando destinos e a solidão em meio à multidão conectada, a Maçonaria é o antídoto humano:  um círculo de irmãos, real e tátil, onde o malhete ecoa: “Melhore-se!”

Vale a pena?

Sim, mil vezes sim.  Não por glórias passageiras ou títulos, mas pela Obra Magna da alma em construção.  Seja aquele que busca a perfeição, sob as bênçãos do Grande Arquiteto que guia o traçado.  Levante-se, irmão, e responda ao chamado.  O mundo precisa de mais Pedreiros Livres.  A Loja espera.  O Oriente brilha.

Ser maçom hoje?

Vale não por glórias de pó estelar, passageiras como névoa matinal.   É valer a pena em cada traço do compasso da virtude.  É valer a pena em cada sílaba do Grande Livro da Vida.

Fonte: O Malhete

RITOS MAÇÔNICOS - Almir Sant’Anna Cruz


Um Rito maçônico pode ser definido como um conjunto de cerimônias usadas nos atos litúrgicos e identificam-se cada um deles pela forma como se realizam os rituais, pelo comportamento comunitário padronizado, pelas ações que se executam periódica e repetitivamente, enfim, pelas regras e preceitos com os quais se comunicam os sinais, toques, palavras, graus e todas as demais instruções veladas decorrentes. 

Cada Potência Maçônica elabora e distribui seus Rituais impressos de cada Rito, para os Graus simbólicos.

Qualquer que seja o Rito praticado por um Maçom, ele é reconhecido como Irmão por todos os demais Maçons do mundo, pois a Maçonaria é universal e os Ritos são meramente formas diferenciadas de praticá-la.

As Lojas maçônicas possuem autonomia para decidir o Rito a ser adotado em suas sessões litúrgicas, bem como a de trocar de Rito se assim for o desejo daqueles que integram o seu quadro. 

No Brasil praticam-se os seguintes Ritos pelas Potências Maçônicas consideradas regulares:

*- Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA)* Criado na França, é o mais difundido no Brasil

*- Rito ou Regime Escocês Retificado (RER)* Criado na França é o mais recentemente introduzido no Brasil.

*- Rito Adonhiramita* Criado na França, foi introduzido no Brasil colonial pelo Grande Oriente Lusitano. Adormeceu no mundo todo, sendo preservado somente no Brasil e recentemente reexportado para Portugal.

*- Rito Moderno ou Francês* Criado na França, foi introduzido no Brasil colonial pelo Grande Oriente de França. É o Rito oficial do GOB desde a sua fundação em 1822.

*- Rito Brasileiro* Criado no Brasil.

*- Rito Schröder* Criado na Alemanha e introduzido no Brasil pela colônia alemã.

*- Rito ou Ritual de Emulação* Criado na Inglaterra e introduzido no Brasil por britânicos. É denominado incorretamente no GOB como sendo Rito de York (Emulação).

*- Rito de York ou Rito de York Americano* Criado na Inglaterra e exportado para os Estados Unidos, de onde veio para o Brasil. 

*- Rito de São João* Criado na Hungria e introduzido no Brasil pela colônia húngara. É praticado por pouquíssimas Lojas, todas jurisdicionadas à Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo.

Essa diversidade de Ritos, que se interpenetram e se completam, dá aos Maçons brasileiros uma oportunidade ímpar de ampliar seus conhecimentos sobre a Maçonaria, abrangendo, inclusive, a essência do Iluminismo, movimento que derrubou a tirania, os preconceitos, as superstições e a ignorância. 

Além desses 9 Ritos praticados pelas Potências Maçônicas nacionais consideradas regulares, temos ainda:

*- Rito de Mêmfis-Misraim* Criado na França, é trabalhado sobretudo por Potências Mistas e Femininas.

*- Rito ou Ritual Lauderdale* Criado na Inglaterra, vinha sendo praticado unicamente pela Ordem Maçônica Mista Internacional Le Droit Humain – Federação Brasileira, a partir da aprovação do Supremo Conselho Le Droit Humain para o Império Britânico. Parece que foi substituído pelo Ritual de Emulação.

Do livro *O que um Mestre Maçom deve saber - interessados no livro contatar o autor, Irm.’. Almir, no WhatsApp (21) 99568-1350 - Exclusivo para Mestres Maçons

janeiro 28, 2026

A MORTE DE HENRIQUE VIII - Renato Drummond Tapioca Neto



Nas primeiras horas da madrugada do dia 28 de janeiro de 1547, falecia aos 55 anos o rei Henrique VIII da Inglaterra, no Palácio de Whitehall, em Londres. Há anos, o monarca sofria com sérios problemas no trato digestivo, agravados pela obesidade, e por sua perna ulcerada, que lhe causava fortes dores e às vezes o impossibilitava de andar. À beira da morte, o soberano mal conseguia se comunicar.

Segundo Antonia Fraser: "Nos seus últimos dias, só membros do Conselho Privado e os Cavalheiros da Casa Real tinham tido permissão para vê-lo. [...] No entanto, quando o arcebispo pediu ao rei que lhe desse algum sinal, com os olhos ou com a mão, de que confiava em Deus, o rei conseguiu apertar a mão de Cranmer" (2010, p. 521). Nem a rainha Catarina Parr ou as filhas do monarca, Lady Mary e Lady Elizabeth, se encontravam presentes na ocasião. Elas partiram para o Palácio de Greenwich na véspera do Natal de 1546 e nunca mais voltariam a ver o soberano com vida.

Catarina Parr acabou se tornando a última das seis esposas de Henrique VIII, usufruindo do título de rainha-viúva, das joias, rendas e propriedades que lhe haviam sido garantidas pelo casamento real. Imediatamente após a morte do rei, a família Seymour tratou de tomar as rédeas dos assuntos de Estado, com Sir Edward Seymour, agindo como regente em nome do sobrinho.

De acordo com o último Ato de Sucessão aprovado pelo Parlamento durante o reinado de Henrique VIII, em 1543, a coroa passaria para seu único filho varão, o príncipe Edward VI. Na ausência de filhos do novo rei, o trono seria herdado pela filha mais velha de Henrique, Lady Mary. Depois dela, vinha sua meia-irmã, Lady Elizabeth. As duas as princesas foram readmitidas pelo soberano como sucessoras legítimas e, após a morte precoce do irmão em 1553, ambas chegaram a governar. Essa talvez seja uma das maiores ironias na história do rei Henrique VIII. Após disputas políticas e religiosas que custaram as vidas de mais de 72 mil pessoas para que os ingleses fossem governados por um sucessor masculino, foram as duas filhas do monarca que provaram aos seus contemporâneos o quão preparadas eram para o exercício do poder!

Imagem: Tela gerada por I.A., segundo as descrições das últimas horas do rei Henrique VIII. Os irmãos Seymour estão presentes na cena, enquanto o arcebispo de Canterbury, Thomas Cranmer, administra o último sacramento ao monarca.

MAÇONARIA E DIPLOMACIA NA CONSTRUÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

 

Alexandre de Gusmão 


Uma tradição invisível da política externa nacional

Um artigo de Helio P. Leite 

Durante mais de dois séculos, a diplomacia brasileira foi conduzida por homens, que além de estadistas, juristas e políticos, partilhavam uma mesma formação simbólica, ética e intelectual: a Maçonaria. Essa presença, pouco explorada pela historiografia tradicional, revela a existência de uma tradição invisível que atravessa o período joanino, o Império, a República e o sistema internacional do século XX.

Não se trata de sugerir uma diplomacia secreta ou conspiratória. Trata-se de reconhecer que a Maçonaria funcionou, no Brasil, como uma escola informal de formação de elites, fornecendo linguagem comum, redes de confiança e uma ética no serviço público que moldaram profundamente o ethos do Itamaraty.

Desde antes da Independência, essa influência é perceptível. Alexandre de Gusmão, formulador do princípio do uti possidetis, lançou as bases da diplomacia territorial portuguesa na América. Poucas décadas depois, José Bonifácio de Andrada e Silva, patrono da Independência e maçom ativo, estruturou simultaneamente o novo Estado e sua política externa.

No primeiro reinado e no período regencial, figuras como Rodrigo Anes de Sá Almeida e Menezes, Marquês de Abrantes; José Clemente Pereira; Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda; Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês de Paraná; e Paulino José Soares de Souza, Visconde de Uruguai, consolidaram uma diplomacia de Estado fundada no legalismo, na centralização institucional e na defesa da soberania.

No Segundo Reinado, a presença maçônica na alta diplomacia tornou-se particularmente densa. O Livro Maçônico do Centenário, publicado pelo Grande Oriente do Brasil em 1922,lista diversos diplomatas maçons que ocuparam os principais postos europeus:

Francisco Gê de Acaiaba Montezuma, Visconde de Jequitinhonha, ministro em Londres e Lisboa;

Marcos Antônio de Araújo, Marquês de Itajubá, ministro em Paris, Londres e Roma:

Antônio de Menezes de Vasconcelos Drummond, enviado em missões do Prata;

José Francisco de Paula Cavalcanti, diploma e senador liberal;

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada;

Pedro Manoel de Toledo;

E José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco, um dos pilares da diplomacia Imperial.

Essa lista demonstra que a presença maçônica não foi episódica, mas estrutural e institucional, sobretudo nos grandes centros diplomáticos europeus do século XIX.

Com a transição para a República, essa tradição não se rompeu – transformou-se.

Quintino Bocaiuva, primeiro ministro das Relações Exteriores da República, inaugurou a chancelaria republicana. Ao seu lado, Américo de Campos, Lopes Trovão e Lauro Müller garantiram a continuidade institucional em meio à mudança de regime.

Pouco depois, Joaquim Nabuco, lançou as bases da relação estratégica com os Estados Unidos, inaugurando a diplomacia moderna em Washington. Rui Barbosa, na Conferência de Haia de 1907, projetou o Brasil como potência jurídica ao defender a igualdade soberana dos Estados.

No início do século XX, o Barão do Rio Branco, talvez o maior chanceler da história nacional, consolidou as fronteiras brasileiras exclusivamente por meios pacíficos, transformando o Itamaraty em uma instituição  permanente de Estado.

A linhagem prosseguiu com figuras como Arthur Jaceguai, Alberto Gracie, Alexandre Manoel Vieira de Carvalho e, sobretudo, Osvaldo Aranha, responsável por inserir o Brasil no núcleo decisório do pós – guerra e por presidir a sessão histórica da ONU que aprovou a criação do Estado de Israel.

Em todos esse nomes, ao longo de mais de duzentos anos, reaparece um mesmo padrão: formação jurídica; defesa do direito internacional: valorização da negociação pacífica: busca da autonomia nacional: continuidade institucional; e universalismo moderado.

São princípios que coincidem, de modo notável, com os valores clássicos da Maçonaria: liberdade, igualdade, fraternidade, tolerância, legalismo e progresso moral.

A Maçonaria não controlou a política externa do Brasil, mas ajudou a formar os homens que a conduziram.

Ao funcionar como ambiente duradouro de sociabilidade e formação de elites, contribuiu para moldar não apenas quadros técnicos, mas um ethos diplomático: uma maneira própria de pensar o Brasil no mundo.

Por isso, a história da diplomacia brasileira não pode ser plenamente compreendida sem considerar essa tradição invisível. Não por conspiração. Por formação.


O EXTERMINIO DE MACONS NA ESPANHA - Luciano Ulpia


 

O assassinato em série de maçons tomou grandes proporções nos primeiros dias da eclosão da Guerra Civil Espanhola. Em 1936, as tropas coloniais espanholas em Marrocos revoltaram-se contra a república democrática; a revolta galgou rapidamente o estreito de Gibraltar e espalhou-se para quartéis no continente.

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Em setembro de 1936, o Exército de África foi recompensado pelos seus êxitos  quando o seu comandante, o general Francisco Franco, assumiu a chefia militar e política da revolta. Ele adotaria o título de "Caudilho", o equivalente espanhol ao "Duce" ou ao "Führer".
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Na Espanha nacionalista, o exército e milicianos de direita impulseram um reino de terror. A sua intenção foi ostensivamente proclamada: "expurgar" a Pátria dos seus "poluentes" políticos e culturais. Qualquer pessoa associada à República e às suas instituições, à esquerda política e até a modernidade secular podia ser detida, torturada e executada: sindicalistas e políticos, operários e camponeses, liberais e intelectuais, mulheres emancipadas e homossexuais. Dezenas de milhares morreram. Entre elas contavam-se muitos maçons.

A CONFLITANTE ARTE DA LEITURA - Newton Agrella


Sabe por que muitas pessoas têm preguiça de ler ?

Uma das respostas mais verdadeiras se deve ao fato de que quando se está lendo, a pessoa precisa criar imagens em sua mente, elaborar idéias sobre os sons dos diálogos, os ruídos dos cenários em que se ambienta o texto, dentre tantos outos aspectos sensoriais que a leitura obriga o leitor a experienciar.

Vez por outra, ter que buscar no dicionário o significado de alguma palavra ou expressão.

E talvez por isso,  mais desalentador e cansativo seja o fato do leitor se ver obrigado a "interpretar"  o texto conforme seu conteúdo ou narrativa.

Tudo isso, concorre para que a leitura em muitos casos, se torne um verdadeiro fardo para muita gente.

Afora isso, há um outro aspecto crucial que contribui largamente para que a pessoa não se entusiasme pela leitura. 

Trata-se da "concorrência".

Ou seja, outros veículos de comunicação como a televisão, os computadores e smartphones que já trazem tudo mastigado, sem que se precise ler para se inteirar sobre as coisas.

Ler impõe um mínimo de foco e atenção, exige um raciocínio mais detido e depurado .

Enquanto os outros meios permitem um relaxamento; uma forma mais descontraída de atenção, a leitura por sua vez, requer um vínculo mais intenso entre o livro e o leitor. 

Ao manuseá-lo, sentir a textura de suas folhas e o próprio cheiro que ele exala, o leitor meio que se torna um cúmplice do livro.

Há uma interação muito mais profunda entre o Leitor e o Livro do que entre a Pessoa e um Instrumento de Mídia.

E para dar números finais a esta tênue crônica, desnecessário registrar que a falta de incentivo na própria formação escolar - e neste caso referimo-nos particularmente ao nosso país - é algo que não pode e nem deve passar incólume.

De modo geral, a Educação no Brasil, que deveria se ocupar de estimular o estudante ao hábito da leitura desde a mais tenra idade, simplesmente ignora esta condição.

Ler livros faz com que a capacidade crítica de uma pessoa se desenvolva quase que imperceptivelmente.

A leitura produz um terreno mais fértil para a argumentação e contra-argumentação no campo das idéias.

Além disso, proporciona um alastramento do território vocabular, tornando a pessoa cada vez mais fluida e versátil no exercício do raciocínio.

Apenas a título de observação, lembre-se que fontes de referência não são "googlegráficas". 

Elas são legitimamente "bibliográficas".



janeiro 27, 2026

MEMÓRIA e CONSCIÊNCIA - Newton Agrella


Hoje, dia 27 de Janeiro, é uma data em que se impõe uma detida reflexão por parte de toda a Humanidade.

A referência histórica diz respeito ao Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, também chamado de Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. 

Trata-se do nauseante genocídio perpetrado pelos nazistas e seus seguidores, que custou a vida de milhões de judeus, além de outras segmentações e minorias durante o período da 2a. Guerra Mundial. 

A data passou a ser celebrada de acordo com a resolução  60/7 da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1 de novembro de 2005, durante a 42ª sessão plenária desta organização

As marcas desse Crime contra a Humanidade, que atingiram sobretudo nossos Irmãos Judeus, ainda podem ser textualmente constatadas nas marcas tatuadas nos braços  de sobreviventes, que passaram pelos campos de concentração.

A resolução da ONU, ocorreu fazendo alusão na oportunidade, ao 60º aniversário da libertação dos campos de concentração e do fim do Holocausto. 

27 de janeiro é a data, em 1945, que marca a liberação do maior campo de extermínio nazista, em Auschwitz, na Polônia.

Cabe deixar registrado que a palavra HOLOCAUSTO é de origem grega, composta de  "holos" (todo) e "kaustro"  (queimado). 

Por outro lado, a expressão NAZISMO, uma abreviação de

Nacional-Socialismo, que em alemão se diz: "Nationalsozialismus"; refere-se a uma ideologia associada a Adolf Hitler e ao Partido Nazista (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei) - cuja essência se sustentava  no exercício inescrupuloso do "racismo".  Esse tipo de violência humana de caráter físico e emocional, que ainda persiste em nossos dias, apesar de tantas campanhas e tentativas de se debelar e combater esse mal, que representa uma das manchas mais infames e ignóbeis na história da civilização humana.

Somos Humanos, somos Iguais, e a Dignidade é o substrato de nossa sobrevivência.


O HOLOCAUSTO E OS MAÇONS - Paulo Roberto Pinto



Dia 27 de Janeiro

Dia Internacional em memória as vítimas do Holocausto. In memoriam aos irmãos maçons mortos nos campos de extermínio. A maçonaria luta conta a tirania e o preconceito, combate o fanatismo e a ignorância, glorifica a justiça a razão e a verdade.

.........

Em 1934, o regime nazista confiscou os bens da maçonaria, suas bibliotecas, seus arquivos e decretou que as Lojas eram inimigas de Estado alemão. A secção especial II / 111 do Serviço de Segurança das SS tratou especificamente da repressão da maçonaria.

Os nazis dissolveram todas as organizações maçônicas nos países ocupados e apreenderam a sua documentação, que foi enviada ao Gabinete Central de Segurança do Reich.

Os maçons primeiro foram marcados e depois enviados para os campos de concentração ao lado de outras vítimas, onde portaram o triângulo vermelho invertido.

Alguns cálculos criptografam em 200.000 os maçons vítimas do Holocausto.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, alguns sobreviventes utilizaram o triângulo vermelho ressignificando o símbolo com o qual tinham sido marcados.

NOMEOLVIDES (MIOSÓTIS)

Para recordar o Holocausto de que foram vítimas, os maçons têm o seu próprio símbolo: a flor do nomeolvides, ( miosótis) utilizada para se reconhecer entre si no coração da Alemanha durante o nazismo.

27 de janeiro é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, comemorativo da tragédia que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. 

Genocídio que resultou na morte de 6 milhões de judeus e outros 11 milhões (incluindo cerca de 200.000 maçons), pelo regime nazi e seus colaboradores.

NOSSOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS - Sérgio Quirino e Jair Duarte





Em se tratando dessa temática, o primeiro ponto a ser esclarecido é se os Princípios em questão são do Maçom, da Loja, da Potência ou da Ordem. Nesse sentido, existem múltiplas possibilidades, visto que o Maçom é um homem, as Lojas trabalham em Ritos diferentes, cada Potência tem sua vertente, e a Ordem não se apresenta de forma completa a todos, sendo, muitas vezes, incompreendida ou limitada.

Sendo assim, o que apresentarei é ínfimo diante de tais possibilidades, bem como se baseia apenas em minhas experiências pessoais, as quais são passíveis de não concordância. Contudo, a intenção é provocar reflexões, que devem estar em conformidade com a origem latina da palavra, no sentido daquilo que é fundamental.

Perceberam, pois, o perigo de uma redundância? Mesmo entendendo que “princípio” poderia ser o fundamento e que “fundamentais” seria o que dá fundamento aos princípios, não estamos trabalhando em cima de palavras, mas de sentidos. Desse modo, questiono: querem ir mais longe?

Então, vamos lá! Quais são os Princípios Fundamentais do Maçom? Os mesmos que ele tinha antes de ser iniciado.

A MAÇONARIA NÃO TRANSFORMA O HOMEM, DÁ-LHE CONDIÇÕES DE SE APRIMORAR.

SE, E SOMENTE SE, ELE ASSIM O DESEJAR.

“PAU QUE NASCE TORTO, MORRE TORTO”

Quais são os Princípios Fundamentais da Loja?

A LOJA É UMA OFICINA, ONDE OS PRINCÍPIOS SÃO AS FERRAMENTAS, E OS FUNDAMENTOS, AS INSTRUÇÕES. ONDE A PEÇA PRINCIPAL É A PRANCHA DE ARQUITETURA NÃO PARA SER LIDA, MAS PARA SER TRAÇADA.

Diante da realidade e do desenvolvimento da sociedade, as Potências Maçônicas tornaram-se instituições civis comuns, obrigadas a serem identificadas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, constituírem grandes patrimônios materiais, serem empregadoras e terem a necessidade de Câmaras Legislativas e Judiciárias para as demandas internas. Tornaram-se, assim, verdadeiros “Estados” ou grandes empresas. O resultado é que algumas viram-se presas nesses afazeres, e nossos Líderes Maiores, com as demandas administrativas, muitas vezes são tolhidos de estarem entre os Irmãos e de atividades, de fato, maçônicas. No entanto, nesse contexto, quais são os Princípios Fundamentais da Potência?

SER APENAS UM INSTRUMENTO PARA EXPONENCIAR 

OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ORDEM, NO MAÇOM E NAS LOJAS.

“O MENOS, É MAIS”

Dessa forma, chegamos ao ponto principal, o qual Potências, Lojas e Maçom devem saber, praticar, divulgar e ampliar a missão. Quais são os Princípios Fundamentais da Ordem?

Nesse aspecto, trabalharemos em três frentes da mesma linha. Os Princípios da Maçonaria são três: Amor Fraternal, Assistência e Lealdade. Os Fundamentos da Maçonaria também são três: Aperfeiçoamento Moral, Busca da Verdade e Intelectualizar o homem. Do mesmo modo, os Princípios Fundamentais da Maçonaria são três: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Para não reafirmar a redundância, encerro explicando que os labores simbólicos e alegóricos pessoais, coletivos e institucionais visam ensinar ética e moral, filosofia e solidariedade, calcados em virtudes cardeais imemoriáveis, que são a Temperança, Esperança, Prudência, Caridade, Fortaleza e Justiça.

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar as Lojas, material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA e também, uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, para dar espaço de pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

 



O LIVRO DE PROVERBIOS


 O livro de Provérbios, atribuído em grande parte ao Rei Salomão — a figura central da sabedoria e riqueza na tradição judaico-cristã e maçônica — não é apenas um livro religioso, mas um manual de gestão de energia. Na Cabala, o dinheiro é visto como "Luz condensada" ou uma forma de energia chamada Gevurah (Rigor/Limitação), que precisa de um recipiente (Kli) adequado para ser retida.

Para extrair uma lição de prosperidade financeira de Provérbios, devemos entender que a riqueza é o resultado colateral de uma estrutura interna organizada.

Aqui está a correlação detalhada e a lição prática:

*1.* A Coroa da Prosperidade: A Sabedoria (Chokmah) como Ativo.

Em Provérbios 3:16, diz-se da Sabedoria: "Longura de dias há na sua mão direita; na sua esquerda, riquezas e honra."

A Lição: A prosperidade financeira em Provérbios nunca é um fim em si mesma, mas um "subproduto" da mão esquerda da Sabedoria.

Aplicação Prática: Se você persegue o dinheiro (a mão esquerda), ele foge. Se você persegue a Sabedoria/Conhecimento Aplicado (a mão direita), a riqueza o segue organicamente. Prosperidade real começa com o investimento no "Ativo Intelectual".

*2.* O Recipiente da Riqueza: A Diligência vs. Preguiça.

Provérbios 10:4 afirma: "O que trabalha com mão enganosa empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece."

A Lição Cabalística: A energia da prosperidade flui constantemente do Universo (Ein Sof), mas ela precisa de um "vaso" para ser contida. O trabalho diligente e técnico é a construção desse vaso. A preguiça é como um vaso furado: por mais que a oportunidade (Luz) caia sobre ele, nada permanece.

O Erro do Mestre Maçom: O Mestre que se recusa a estudar os fundamentos (os graus iniciais) é um "preguiçoso intelectual". Ele quer os frutos do Mestrado sem o trabalho de desbastar a pedra. Na vida financeira, isso se reflete em querer retornos rápidos sem entender a base do negócio.

*3.* A Lei do Fluxo: Generosidade e Multiplicação.

Provérbios 11:24 apresenta o maior paradoxo financeiro: "Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua pobreza."

A Correlação: Na Cabala, a retenção egoísta gera estagnação. Se você retém o conhecimento ou o dinheiro por medo ou avareza, você fecha o canal de entrada de novas bênçãos.

A Lição de Prosperidade: A riqueza circula. Ao praticar a Tzedakah (Justiça Social/Caridade), você comunica ao sistema que você é um "canal eficiente". O universo confia mais recursos àqueles que sabem distribuí-los do que àqueles que apenas os acumulam.

*4.* A Gestão do Risco e o Planejamento (O Prumo)

Provérbios 21:5: "Os pensamentos do diligente tendem à abundância, mas os de todo apressado, tão somente à pobreza."

*A Lição:* O "apressado" em Provérbios é aquele que busca o ganho fácil, as apostas e a sorte. A prosperidade salomônica é baseada em estratégia e paciência.

*O Prumo Maçônico:* Assim como o Prumo garante a verticalidade da parede, o planejamento financeiro garante que sua estrutura não desabe. Prosperidade é 10% inspiração e 90% ordem (O Cosmo vencendo o Caos).

*A Grande Lição:* O "Mapa do Tesouro" de Provérbios

Se pudéssemos resumir o manual de Salomão em uma única lição de prosperidade para o leitor, seria esta:

*"A Prosperidade é a Ordem aplicada à Matéria."*

Para extrair riqueza deste manual, você deve seguir três passos claros baseados no livro:

*Limpe o Canal (Ética):* Provérbios enfatiza que a riqueza ganha de forma desonesta se dissipa (Prov. 13:11). A base da sua prosperidade deve ser a integridade (Tiferet). Sem uma base ética, o dinheiro se torna um peso que esmaga o possuidor.

*Educação Contínua (A Lição contra a Estupidez):* O livro chama de "estúpido" aquele que odeia a instrução. No mundo financeiro de 2026, a ignorância é o maior custo fixo. Estude o mercado, estude sua profissão e, acima de tudo, estude as leis universais do valor.

*Diligência Vertical:* Não confie na sorte, confie no Trabalho Maçônico. O maçom "desbasta a pedra bruta" todos os dias. Isso significa melhoria contínua. Se você melhora seu serviço ou produto em 1% ao dia, a lei da capitalização de Provérbios garante a abundância.

*Conclusão:*

A prosperidade em Provérbios não é um milagre, é uma consequência geométrica. Se você aplicar o Esquadro na sua conduta, o Compasso nos seus limites de gasto e o Nível nas suas relações interpessoais, o Templo da sua vida financeira será construído com ouro e pedras preciosas, tal como o Templo de Salomão.

*O erro de muitos é querer o "Ouro de Salomão" sem aceitar a "Instrução de Salomão". A sabedoria é a causa; a riqueza é apenas o efeito.*


Não consta autor.

janeiro 26, 2026

O MITO DO PODER E A MISSÃO REAL: ONDE ESTÁ HOJE A MAÇONARIA BRASILEIRA






Entre a nostalgia do passado e os desafios institucionais do presente

Artigo de Helio P. Leite 

Há um jargão repetido com frequência, inclusive por maçons, segundo o qual a Maçonaria no Brasil “vive das glórias do passado”, não produz mais líderes ou estadistas e deixou de integrar a elite estratégica do país. A afirmação embora contenha elementos de verdade, é simplificadora e, em certa medida, injusta com a própria história e com a função contemporânea da Ordem.

É inegável que a Maçonaria não ocupa hoje o espaço político-institucional que exerceu no século XIX e nas primeiras décadas da República. Naquele período, ela foi um dos raros ambientes de formação intelectual, filosófica e política disponíveis às elites dirigentes. Foi ali que se articularam projetos de Independência, de organização do Estado, da abolição e da República. Esse ciclo histórico, contudo, pertence a um Brasil em formação.

O erro começa quando se exige da Maçonaria do século XXI o mesmo papel da Maçonaria do século XIX. As sociedades modernas são estruturalmente diferentes. Hoje, a formação das lideranças é distribuída entre universidades, partidos políticos, instituições jurídicas, centros de pesquisa, igrejas, imprensa e organizações civis. Nenhuma ordem iniciática, por mais respeitável que seja, detém mais o monopólio da formação das elites.

Dizer que a Maçonaria “não produz mais líderes” é confundir ausência de heróis míticos com ausência de influência social. A Ordem continua formando magistrados, professores, militares, diplomatas, gestores públicos, empresários e líderes comunitários. A diferença é que essa influência tornou-se mais silenciosa, difusa e descentralizada – característica típica das sociedades maduras.

Também é preciso distinguir poder visível de influência duradoura. A Maçonaria não é mais uma elite hegemônica de governo. Mas continua sendo uma elite associativa, moral e histórica, com capacidade de formar redes de confiança, promover filantropia, educação e valores cívicos. Seu capital simbólico permanece relevante em muitas regiões do país.

Outro equívoco recorrente está em supor que a missão da Maçonaria seja fabricar estadistas. Nunca foi. Sua vocação  essencial é formar homens melhores, mais conscientes de seus deveres, mais preparados para servir à sociedade – seja como governantes, juízes, professores, pais de família ou cidadãos. Quando cumpre essa função, ela já realiza sua finalidade mais profunda.

Há ainda um aspecto pouco debatido, mas recorrente nos bastidores da Ordem. Muitos maçons dirigem críticas severas aos seus Grão-Mestres pelo fato de não se manifestarem publicamente, em nome da Maçonaria, contra os desmandos políticos, os escândalos de corrupção e abusos de poder que afligem o país. Espera-se deles uma postura semelhante à dos líderes maçônicos do século XIX, quando a Ordem atuava como força política organizada.

Essas críticas, contudo, partem muitas vezes de uma percepção anacrônica da realidade. São maçons saudosistas, que acreditam que a Maçonaria ainda detém, no Brasil contemporâneo, o mesmo poder político que exerceu nos tempos da Independência, da Abolição ou da Primeira República. Ignoram que o sistema político atual é regido por outras lógicas institucionais, jurídicas e midiáticas, nas quais uma potência maçônica já não possui legitimidade formal nem espaço institucional para agir como ator político direto.

Mais do que omissão, o silêncio dos Grão-Mestres costuma ser expressão de prudência institucional. Em um Estado democrático de direito, cabe às instituições maçônicas respeitar a separação entre sociedade civil organizada e poder constituído, evitando comprometer a Ordem em disputas partidárias ou ideológicas que poderiam fragmentá-la internamente.

Talvez caiba, neste ponto, uma responsabilidade pedagógica aos próprios Grão-Mestres. Não para assumir um protagonismo político que já não lhes pertence, mas para esclarecer, com franqueza, aos Veneráveis Mestres e às Lojas de suas jurisdições em que patamar político efetivo hoje se encontram as potências maçônicas no campo do poder. Menos do que alimentar expectativas irreais, é preciso educar para a compreensão do novo lugar institucional da Maçonaria na sociedade brasileira.

Há ainda um dado incontornável: instituições irrelevantes não sobrevivem por mais de dois séculos. A Maçonaria brasileira atravessou Império, República, ditaduras e democracias. Sobreviveu a perseguições, divisões e crises internas. Essa longevidade não se explica apenas por nostalgia, mas por uma capacidade real de adaptação e renovação.

O problema, portanto, não é a existência de um passado glorioso. O problema seria transformar esse passado em refúgio, em vez de responsabilidade. A grande questão contemporânea não é se a Maçonaria teve importância histórica – isso é um fato -, mas como ela traduz esse legado em missão presente.

Talvez não seja mais forjadora de heróis nacionais. Mas ainda pode – e deve – ser escola permanente de ética, civismo e compromisso social. Se não governa mais a nação, ainda pode ajudar a formar melhores cidadãos para governá-la.

Ness sentido, a crítica que  afirma que a Maçonaria vive apenas das glórias do passado revela menos sobre a instituição  e mais sobre a necessidade de redefinir, com lucidez e coragem, o seu papel no Brasil do nosso tempo.



TIRANDO A VENDA - Newton Agrella


Nascemos.

Mal enxergamos o que vai à nossa volta.

E a única coisa que nos conforta e nos protege é o calor de nossa mãe.

Vamos crescendo e desenvolvendo nossas percepções de maneira natural.

Valemo-nos do tato, do paladar do olfato, da visão e da audição, porém, antes de tudo isso, dispomos de uma propriedade humana indissociável, que nos acompanha  ao longo de toda nossa vida, chamada "Instinto".

Aliás, grosso modo, a Alma responde pelo Instinto e a Razão pela Consciência.

O Instinto nada mais é, senão um impulso inato e inconsciente.

Sua missão é a de guiar nossas atitudes e comportamentos, sem prévio aviso, como uma espécie de blindagem pela nossa sobrevivência, autopreservação, intimamente ligado à intuição ou à nossa aptidão natural.

Dentro dessa faixa de frequência, cabe lembrar que durante a infância, uma de nossas mais valiosas armas para atender muitos de nossos anseios e desejos se manifestava através da "birra".  

Esta então, consiste numa atitude

obstinada, de não mudar de ideia ou opinião, caminhando de mãos dadas com a teima e a teimosia.

Passam-se os anos...

Vamos envelhecendo.

 Aparentemente ganhando maturidade. 

Imaginamos que a Sabedoria esteja mais presente em cada um de nós.

Contudo, nem sempre é assim que a banda toca. 

Inúmeras vezes, as notas saem desafinadas.

Preferimos insistir nos equívocos, nas inconsistências, nas afirmações falaciosas e fazer da birra e da teimosia, instrumentos de nossa "pièce de resistence", como se rever os nossos conceitos fosse algum sinal ou  sinônimo de fraqueza.

Muito pelo contrário, a Maçonaria esta aí pra isso.  

Ela serve como a mais legítima instituição filosófica de natureza iniciática, para nos auxiliar no processo de nosso aprimoramento consciencial, independente de rito, potência ou seja lá o que for.

A clareza e a compreensão se revelam através das experiências acumuladas e do estudo especulativo.

Teimar às vezes até faz bem, mas insistir na teimosia sem lastro de conhecimento, simplesmente nos leva à  frustração de nossos propósitos.