A partir dos três anos os maçons devem ser exemplo e os guardiões desses princípios.
RESUMO:
O principal objetivo desse artigo é refletir a relevância da ética e da moral como princípios norteadores da maçonaria contemporânea. Ao que tudo indica a ética e moral maçônica são princípios universais que devem ser seguidos em observância ao (Estatuto, Regimento Interno, Código de Ética Maçônico e Landmarks, quando cabíveis à Potência, ora vinculado) para que o maçom possa continuar recebendo os ensinamentos nas oficinas de trabalhos, denominadas de Loja. A pergunta estratégia: Por que o maçom deve respeitar e obedecer os princípios éticos e morais? Para responder esta pergunta, adotou-se a metodologia bibliográfica, contando com alguns autores consagrados na literatura desse tema. A observância e prática da moral e ética maçônica devem ser diárias, sustentada pelos pilares (Sabedoria, Força e Beleza) e pelos instrumentos recebidos e trabalhados em cada grau simbólico, filosóficos ou superiores, tendo o maçom como exemplo a ser seguido e ao mesmo tempo o guardião desses valores dentro e fora do Templo Maçônico. Cabe registrar que não se pretende esgotar esse tema em função de sua atemporalidade e relevância de sempre. Sugere-se que outros autores possam incluir outras referências, aplicar instrumentos de pesquisa, dentre outros para continuar aprimorando e enriquecendo o tema, permitindo ampla reflexão e debate.
Palavras-chaves: Ética, Moral, Maçonaria.
INTRODUÇÃO
Ética e moral é um tema fácil de falar e difícil de praticar em sua plenitude. De acordo com Platão, quem conhece a virtude não quer mais vivenciar as mazelas do vício. Referendando o Livro Sagrado da Lei, iniciaremos esse trabalho com o seguinte pensamento a respeito de uma passagem de Jesus à qual os doutores da Lei queriam punir, conforme a Lei de Moisés, uma mulher que havia cometido adultério. Jesus disse:
“Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão com o dedo. Os que ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: Mulher onde estão eles? Ninguém a condenou? Ninguém, Senhor, disse ela. Declaro Jesus Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. João, Capítulo 8, versículos 7-11.
Eis a grande lição: o homem não poderá permanecer no mesmo erro. Por isso, os ensinamentos maçônicos serão indispensáveis para o cultivo e práticas das virtudes.
Em nossa Loja, do Grande Oriente de Santa Catarina, nas sessões do Grau de Aprendiz Maçom, do Rito Escocês Antigo e Aceito, durante a Abertura do Ritual, o Venerável Mestre diz: Ir.: 1º Vigilante para que nos reunimos aqui? E o 1º Vig.: responde: “Para promover o bem estar da Humanidade, levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício”.
Ora, promover o bem estar da humanidade não é promover a si próprio, nem tão pouco envaidecer o EU. Promover o bem estar da humanidade, às vezes, requer sacrifício próprio, renúncia de acumulação de riqueza, de poder, de status.... Caso o maçom não possa fazer o bem jamais deverá ser o portador do oposto, ou seja, o portador de fofocas, intrigas, diz que diz, mentiras, que envenenam a harmoniosa convivência com os irmãos e com a sociedade onde está inserido.
Antes da abertura do Livro da Lei, os irmãos vigilantes (primeiro e segundo) confirmam que tudo está J.: e P.: em ambas as colunas. Significa que os trabalhos deverão correr de forma íntegra, com a invocação do auxílio do G.: A.: D.: U.:
Ao discorrer sobre Ética entende-se que a Ética ultrapassa a noção meramente normativa, pois deve interferir no modo de pensar, ser e agir do Maçom.
O trabalho compreende os conceitos de ética e moral, níveis de ética, a lenda de Circe, princípios e leis, aprendizado, rotina e narrativa que possam servir de subsídios para a construção de do maçom mais consciente e comprometido com a evolução coletiva.
2. CONCEITOS BÁSICOS
Para entendermos melhor o nosso tema - ÉTICA NA MAÇONARIA, vamos relembrar alguns conceitos básicos:
A palavra Ética remonta a um passado distante, como podemos observar, na antiga Grécia, onde a palavra ethos significava a morada do homem. Ético, portanto, significava tornar sua moradia em construção permanente mais saudável.
Ainda voltando um pouco no tempo, poderemos buscar explicações na antiga Índia onde: Dharma, do sânscrito dhr, suster, sustentar = deveres da sociedade; Verdade Imaculada; Religião, usos, estatutos, observâncias de casta ou de seita, maneiras, modos de comportamento, deveres, éticas, boas-obras, virtude, méritos moral ou religioso, justiça, piedade, imparcialidade. E também: QUALIDADE, CARÁTER ou NATUREZA ESSENCIAL DO INDIVÍDUO.
O Dharma como LEI JUSTA. Integridade (Palestra ministrada pelo Dr. Eurênio de Oliveira Júnior, Diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Eubiose – sobre Ética Eubiótica, no Salão nobre da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina, em Tubarão - SC).
Atualmente, no campo dos conceitos, encontramos no dicionário Michaelis três verbetes, que nos ajudam a entender este tema:
Ética: parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana.
Conduta: procedimento moral, comportamento. Comportamento consciente do indivíduo influenciado pelas expectativas de outras pessoas.
Código: compilação das leis ou constituições. Coleção metódica e ordenada de leis ou de disposições a um assunto especial.
Etimologicamente, o Termo Moral é originário da Língua Latina - MORS MORIS - significa costumes ou conjunto de costumes e normas livres conscientemente aceitas, que objetivam organizar as relações dos indivíduos na sociedade, por extensão significa a teoria que objetiva orientar a ação humana, submetida ao dever e com vistas ao bem.
3. A ÉTICA PODE TER NÍVEIS?
Como podemos observar, a Ética é um conjunto de princípios e de valores ( virtudes ) que inspiram e orientam os Códigos de Conduta. Ela está ligada a julgamentos de apreciação entre o bem e o mal. Busca a fundamentação aos juízos de valor dos atos e problemas morais.
Referendando o artigo “A Ética Além dos Códigos” de Lédio Lauretti, autor recorre à figura dos “ três níveis ”:
Quando o tema é o “pensamento” ele poderá ser:
1º nível: Pensamento Linear (se satisfaz com a primeira resposta)
2º nível: Pensamento Sistêmico (quer entender o porquê da primeira resposta)
3º nível: Pensamento Complexo, também conhecido como Pensamento Ético (quer entender o fato refletir sobre ele, é a compreensão do fato para evitar que ele ocorra como se fosse uma maneira preventiva)
Exemplos:
Pergunta: Porque o fulano está com depressão?
Resposta do 1º nível: Porque está desiludido.
Resposta do 2º nível: Está desiludido porque sua família está lhe fazendo muitas cobranças.
Resposta do 3º nível: O quê ele pode fazer para evitar tal situação e voltar a ter paz interior?
Quando o tema é o “ estilo de vida ” ele poderá ser:
1º nível: Rotina;
2º nível: Busca do Sucesso;
3º nível: Procura da Felicidade
Ex.: A ilusão do TER x SER.
c) Quando o tema é o “ conhecimento ” ele poderá ser:
1º nível: Instrução;
2º nível: Erudição (acúmulo do saber, que poderá ser utilizado para o bem ou para o mal);
3º nível: Sabedoria (adquirida através de nossa experiência de vida e intuição, que sempre é utilizado para o bem);
d) Quando o tema é o “ comportamento ” ele poderá ser:
1º nível: Instintivo ( as preocupações se resumem às forças primárias);
2º nível: Moral (estas forças primárias são à mercê das regras de comportamento socialmente aceitáveis, as pessoas são impelidas a fazer atos moralmente aceitáveis ou recomendadas);
3º nível: Ético (está acima das normas e regras de conduta, orientada por princípios e valores – virtudes)
Para o autor estes princípios e valores são caracterizados pela Universalidade e pela atemporalidade. Sendo assim, podemos sugerir que a Ética é universal e eterna.
O autor ainda reforça que a Ética começa onde terminam os códigos, uma vez que código, como vimos acima, se refere a normas, regras, conduta, e não a princípios e valores.
O caráter coercitivo que impõe a consciência moral dos homens já se fez presente na Odisséia de Homero, a qual relata o encontro de Odisseu (Grécia) ou Ulisses (Roma) com as sereias:
O caminho da civilização era o da obediência e do trabalho, sobre o qual a satisfação não brilha senão como mera aparência, como beleza destituída de poder. O pensamento de Ulisses, igualmente hostil à sua própria morte e à sua própria felicidade, sabe disso. Ele conhece apenas duas possibilidades de escapar. Uma é a que ele prescreve aos companheiros. Ele tapa os seus ouvidos com cera e obriga-os a remar com todas as forças de seus músculos. (...) A outra possibilidade é a escolhida pelo próprio Ulisses, o senhor de terras que faz os outros trabalharem para ele. Ele escuta, mas amarrado impotente ao mastro, e quanto maior se torna a sedução, tanto mais fortemente ele se deixa atar (...). O que ele escuta não tem conseqüências para ele, a única coisa que consegue fazer é acenar com a cabeça para que o desatem; mas é tarde demais, os companheiros - que nada escutam - só sabem do perigo da canção, não de sua beleza - e o deixam no mastro para salvar a ele e a si mesmos. (Adorno & Horkheimer, 1985, p. 45)
4. HISTÓRIA DE CIRCE
Circe era filha da deusa Hécata. Era uma deusa cuja característica principal era a capacidade para a ciência da feitiçaria. Circe ajudou Ulisses nos preparativos para a partida e ensinou aos marinheiros o que deveriam fazer para passar sãos e salvos pela costa da Ilha das Sereias. As sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto todos que o ouvissem, de modo que os infortunados marinheiros sentiam-se irresistivelmente impelidos a se atirar ao mar onde encontravam a morte. Circe aconselhou Ulisses a cobrir com cera os ouvidos dos seus marinheiros, de modo que eles não pudessem ouvir o canto, e a amarrar-se a si mesmo no mastro dando instruções a seus homens para não libertá-lo, fosse o que fosse que ele dissesse ou fizesse, até terem passado pela Ilha das Sereias.
Também podemos observar esta luta moral nos ensinamentos evangélicos, como podemos observar no Texto Evangélico: "Se vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a" é um subtítulo do capítulo VIII, Bem-Aventurados os Puros de Coração, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. O texto está expresso nos seguintes termos:
"Se vossa mão ou vosso pé é um motivo de escândalo, cortai-os e atirai-os longe de vós; é bem melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno. E se vosso olho vos é motivo de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; é melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um olho, que terdes os dois e serdes precipitados no fogo do inferno". (Mateus, 5, 29 e 30)
Como podemos ver, não é de hoje que a humanidade vem a fugindo dos vícios, dos riscos que podem comprometer sua evolução moral, buscando os valores das virtudes, a busca pelo aperfeiçoamento, enfim, a ética.
5. PRINCÍPIOS E LEIS
Na maçonaria também temos regras as quais estamos subordinados e temos a obrigação de nos submeter, tais como:
À Constituição do Grande Oriente do Brasil (em particular como Potência maçônica)
Ao Regulamento Geral da Federação;
Ao Código Eleitoral Maçônico;
Às Leis Penais Maçônicas e ao Código de Processo Penal Maçônico;
Ao Regulamento da Mútua Maçônica;
Ao Código Maçônico;
Aos Landmarks;
Aos Estatutos;
Aos Regimentos Internos;
Ao Livro da Lei.
A seguir, destacamos os landmarks – que são usos e costumes, leis e regulamentos universalmente reconhecidos. Embora a quantidade de Landmarks varie de 3 a 54. No Brasil, o mais comum é o de Alberto Mackey, com um total de 25 Landmarks.
1 – Meios de reconhecimento;
2 – A divisão em graus da maçonaria simbólica;
3 – A lenda do 3ª grau;
4 – O Governo da fraternidade por um Grão-Mestre eleito por todos os maçons;
5 – A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir toda a reunião de maçons no território de sua jurisdição;
6 – A faculdade do Grão-Mestre de autorizar dispensa para conferir graus antes do tempo regulamentar;
7 – A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para a instalação e funcionamento das Lojas.
8 – A prerrogativa do Grão-Mestre de iniciar e exaltar à primeira vista;
9 – A necessidade dos maçons de se distribuírem em Lojas;
10 – O Governo de cada Loja por um Venerável e dois Vigilantes;
11 – A necessidade de que toda Loja trabalhem a coberto;
12 – O direito de todo o mestre maçom de ser representado nas assembléias gerais da Ordem e de dar instruções aos seus representantes;
13 – O direito de todo o maçom recorrer com alçada perante a Grande Loja ou Assembléia Geral contra as resoluções de sua Loja;
14 – O direito de todo o maçom visitar e ter assento nas Lojas Regulares.
15 – Que se ninguém conhece pessoalmente, na Loja, maçom que a visita não se lhe dará entrada sem submetê-lo antes a um trolhamento escrupuloso;
16 – Que nenhuma Loja pode imiscuir-se nas atividades da outra;
17 – Que todos maçom está sujeito às leis penais e regulamentos maçônicos vigentes na jurisdição em que reside;
18 – Que todo candidato à iniciação há de ser homem livre e de maior idade;
19 - Que todo homem há de crer na existência de Deus como Grande Arquiteto do Universo;
20 – Que todo o maçom há de crer na ressurreição e uma vida futura;
21 – Que um livro da lei de Deus deve constituir parte indispensável do equipamento de uma Loja;
22 – Que todos os homens sejam iguais perante a Deus e que na Loja se encontram num mesmo nível;
23 – Que maçonaria é uma sociedade secreta de posse de segredos que não podem ser divulgados;
24 – A maçonaria consiste em uma ciência especulativa fundada numa arte operativa;
25 – Que os Landmarks da Maçonaria são inalteráveis.
A Maçonaria de acordo com o DECÁLOGO que contempla as obrigações morais de um Maçom. No último mandamento discorre que “Aquele que disser estar na luz e odeia seu irmão, ainda estão na escuridão. Vem ao encontro da Bíblia Sagrada onde consta: “Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois, volte e apresente a sua oferta.” (Mateus 5:23-24). Os dez mandamentos Maçônicos estão no (Anexo 2) e estão em sintonia com os Mandamentos de Moisés.
O maçom deve ler, estudar, consultar frequentemente e estava a par do Estatuto da Loja, da Potência, do Regimento interno, dos editais, atos, decretos, ou leis para atuar ciente dos seus direitos e deveres estabelecidos.
Registro um acróstico maçônico a respeito de duas palavras que compõe o foco desse trabalho: Ética e Moral:
(E T I C A ) =
E = Esquadro: símbolo da retidão.
T = Tábuas da lei: código moral onde estavam gravados os mandamentos da lei - O decálogo;
Taça sagrada: onde a bebida doce se transforma num amargo veneno;
Talhador de pedra: conhecido como pedreiros-livres; Tapete de loja: representando o painel da loja; Tarô; Tau; Templo Interior.
I = Ideal; Igualdade; Iluminado; Iniciação; Instrução; Integridade; Irmão; Intuição
C = Companheiro; Cadeia de União; Câmara de Reflexão; Cânon; Caráter;
Carisma; Cinzel; Círculo; Coluna; Compasso; Consciência; Coração; Corda; Corda Com Nós; Cordel; Cordeiro; Coruja: símbolo da prudência; cruz.
A = Acácia: sempre verde; Adepto; Agni; Águia; Aliança; Alma; Água; Altruísmo;
Amém; Amor; Ampulheta; Âncora; Ângulo Reto; Aprendiz; Arquitetura; Avental; Ágape Fraterno.
(M O R A L) =
M = Magistério, Maçonaria, Maçônico, Mistério, Magno.
0 = Ordo ab chão “é uma expressão latina que significa "ordem a partir do caos". Ordem, Obra, Observância.
R = Resiliência, Retidão, Regularidade, Ritual.
A = Amor, Altruísmo, Aprendizagem, Acácia.
L = Leis, Landmarks, Luz, Lealdade, Labor.
L — Luz / Lealdade / Labor
Cada uma dessas iniciais nos remete a uma infinita viagem, conhecida especialmente aos recém iniciados pela palavra VITRIOL, sigla alquímica e maçônica para a frase em latim “Visita Interiora Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem", que significa "Visita o interior da terra, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”. E também pelo estado de consciência e de aprendizado ao galgar a escada de Jacó. A cada degrau, estamos sendo oportunizados a “ver mais longe” além da aparência humana. Acredito que já somos capazes de trabalhar o real através do simbólico e do imaginário. (LACAN, 1998).
Imaginem se fossemos aplicar um instrumento de pesquisa baseado num modelo apresentado na revista Você SA e adaptado para a maçonaria. Os resultados que iríamos obter seriam verdadeiros? As questões seriam muito agressivas? Se ajustássemos cada pergunta onde consta: O Irmão já praticou... para o Irmão conhece alguém que já praticou.... o questionário ficaria mais brando. O irmão não precisa responder nada... apenas refletir e aproveitar os conhecimentos maçônicos para lapidar-se continuadamente. (Anexo 1)
6 – APRENDIZADO, ROTINA e NARRATIVAS
O homem gasta a maior parte do tempo planejando (em) as metas materiais; Ex.: A aquisição de uma nova casa ou apartamento, mobília nova; carro do ano; viagens; festas; roupas e grifes da moda; um celular de uma geração; títulos acadêmicos, cargos; prestígio; reconhecimento, dentre outros. Porém quanto tempo o homem reserva para dedicar-se ao alcance das metas morais? O que eu estou fazendo para conseguir mudar de estado de consciência? Cabe registrar esta frase “verdadeiro homem é aquele que não fica radicado nas mesmas ideias” do Professor Henrique José de Souza. Eis o trabalho hercúleo de olhar para dentro de si, e indagar questões básicas: Quem sou Eu, de onde em Vim e para onde eu Vou?
Descobrir os nossos erros já é o primeiro passo para iniciar o processo de mudança, que pode até ser dolorido, mas o resultado será nobre, inefável. Para isso, precisamos estar vigilantes e longe de situações indesejáveis, como por exemplo: fofocas entres os irmãos. Você sabia que o fulano...; “nem te conto”... representa o comportamento anormal de um verdadeiro maçom. Ao contar algo sobre alguém, lembre-se da história das três peneiras de Sócrates: É verdade, é algo bondoso, tem necessidade de contar? Quando se indaga sobre isso, existe possibilidade de reinar silêncio...
Procure conversar com o irmão quando se sentir injustiçado ao invés de sair atirando para todos os lados.... isso apenas será um veneno a mais e de nada contribuirá para o crescimento de ninguém. Lembre-se que estamos nesse planeta e somos filhos da mesma divindade.... ao quebrar a harmonia, todos serão afetados, porque somos UM (na sua individualidade, sua essência) e ao mesmo tempo fizemos parte de um TODO que é imutável, sagrado e perfeito pelas Leis Divina. Para finalizar irei contar duas pequenas histórias, sendo que a primeira refere-se ao conceito de ética. História 1: Dr. Eurênio de Oliveira Júnior, juiz federal aposentado e Diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Eubiose: Solicitou ao manobrista, um senhor grego, com idade avançada, para estacionar seu carro, perguntou ao mesmo se poderia definir a ética em uma única palavra. E o mesmo respondeu: Integridade. História 2: Ao pé da cama, meu pai sempre me contava sobre a história de um senhor que ia freqüentemente ao engenho ( moinho, tafona) buscar farinha. E certa vez deparou-se com uma velha senhora doente, gemendo, que necessitava de ajuda. Sem hesitar, prestou-lhe assistência, colocando-a em sua carroça e levando-a para um local seguro. A velha senhora, sem recursos materiais, agradecida, prometeu-o que daquele dia em diante jamais lhe faltaria farinha; mas para isto, ele deveria manter segredo sobre o fato ocorrido. Dito e feito, por mais que se utilizasse a farinha, esta nunca acabava, o pote continuava cheio. Foi então, que a esposa dele, começou a desconfiar da abundância de farinha, uma vez que seu marido não ia mais até o engenho buscar farinha. Tanto fez, tanto insistiu, que conseguiu arrancar de seu marido o segredo da multiplicação da farinha. E foi assim, ao revelar o segredo, que o pote de farinha voltou a esvaziar-se à medida que ela era utilizada. A abundância acabou junto com o segredo! Por isso, saibamos honrar nossos segredos.... Lembre-se: guardar o segredo, faz parte da Iniciação.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acredito que foi possível concluir estes ensaio sobre Ética e Moral Maçônica vindo ao encontro dos leitores maçons para contribuir com o permanente crescimento interior e livre das amarras da ignorância (no sentido do desconhecimento) dos vícios e das mazelas. Sabe-se do compromisso do maçom para consigo mesmo, com família, com os irmãos e com a sociedade. Tem um velho ditado popular: “tudo que mais lhe é dado mais lhe será cobrado.” A busca constante do aperfeiçoamento contínuo dentro e fora do Templo Maçônico é um dos principais deveres do Maçom para servir de exemplo no cultivo da fraternidade e no bem estar de todos. Sugiro assistir o vídeo de Michael J. Sandel no link https://www.youtube.com/watch?v=hPsUXhXgWmI. Esse debate discute a importância da ética e da moral e podemos relacionar como sendo fundamentos essenciais da prática maçônica contemporânea. Partindo de referências clássicas — como Platão, Jesus, Homero e tradições orientais — o autor demonstra que a ética é um princípio universal, atemporal e superior aos códigos formais. O vídeo aborda sobre “A arte perdida do debate democrático” onde o professor de Harvard, apresenta sobre a argumentação oral no mundo civilizado narrando um caso da Suprema Corte dos EUA., PGA Tour, Inc. V. Martin, golfista com deficiência. Por isso, que são narrativas que requerem, muito estudo, pesquisa, conhecimento e sabedoria para saber tomar as melhores decisões quando questionados. Na Maçonaria, promover o bem da humanidade implica renúncia ao ego, combate às intrigas e vivência das virtudes. São revisitados conceitos como ethos, dharma e níveis de pensamento ético, evidenciando que o verdadeiro maçom deve agir com integridade e consciência. O texto relaciona ainda os Landmarks e normas maçônicas à procure conversar com o irmão quando se sentir injustiçado ao invés de sair atirando para todos os lados.... isso apenas será um veneno a mais e de nada contribuirá para o crescimento de ninguém. Lembre-se que estamos nesmoral do iniciado. Por fim, exemplos narrativos ilustram que a ética é uma prática diária, sustentada pela retidão, pelo silêncio prudente, pela fraternidade e pelo aperfeiçoamento interior. O maçom é conclamado a ser exemplo e ser guardião permanente desses valores, dentro e fora do Templo. Este artigo, embora não esgote o tema, pretende contribuir para o debate contemporâneo sobre a importância dos princípios éticos e morais aplicados à vida iniciática e cotidiana.Cada degrau conquistado da escada de Jacó vem ao encontro da construção do próprio ser com um olhar voltado ao bem comum.
AT NIAT NIATAT! Um no TODO e o TODO no UNO. VOLTAMOS AO TRABALHO, COM SABEDORIA, FORÇA E BELEZA.