fevereiro 25, 2026

LUVAS BRANCAS - Ir. Sérgio Quirino Guimarães



Quem não se lembra dessa frase: “Estas são destinadas àquela que mais direito tiver à vossa estima e ao vosso afeto”? E dá vontade de entregá-las à amada após a Iniciação! Todos nós sabemos que representa a distinção e a pureza, mas também a OBRIGAÇÃO de manter as “mãos” imaculadas.

No Dicionário de Maçonaria do Irm Joaquim Gervário há um comentário de Wirth que expressa bem a relação da presenteada, do presente e do presenteador: “As luvas brancas, recebidas no dia de sua iniciação, evocam ao maçom a recordação de seus compromissos. A dama que lhes mostrará as luvas se estiver a ponto de fracassar, lhe aparecerá como sua consciência viva, como a guardiã de sua honra. Que missão mais elevada poderia ele confiar à dama que mais ele ama?” Como praticamos a Maçonaria Simbólica é de bom uso deixarmos em nosso ambiente de trabalho pelo menos uma peça da luva. 

Vivemos em mundo muito competitivo e se não estivermos atentos acabamos nos envolvendo nessa luta sem vencedores. Uma luva colocada em um saquinho plástico no cantinho da gaveta pode ser o “ponto” que nos recordará dos valores e virtudes maçônicas: Tolerância, Ética, Verdade, Caridade, Amor, Fraternidade, Honestidade e vários outros valores que às vezes nós mesmos colocamos à prova por conta de um maior ganho material. 

Saibamos usar as luvas não somente nas atividades de gala da Loja, mas tenhamos também por elas o comprometimento de não maculá-las para quando passarmos ao Oriente Eterno possamos usá-las com distinção e classe ou teremos que voltar para lavá-las com muita água e sabão! 

Quanto às luvas entregues às cunhadas, conte para elas esta história: Nos Estados Unidos havia um grande cirurgião de nome William Stewart Halstedt, além de sua fantástica habilidade cirúrgica, ainda entrou nos anais da medicina como importante inventor de equipamentos médicos; ele era apaixonado por uma de suas assistentes de cirurgia, a enfermeira Caroline Hampton. 

Por conta de manusear produtos químicos para a esterilização dos equipamentos, ela desenvolveu uma forte dermatite o que a impossibilitou de trabalhar com o Dr. William que por sua vez sentiu se fragilizado pela ausência da amada deixou de operar. Logicamente a situação foi ficando preocupante e ele procurou um empresário que havia recentemente descoberto um novo produto, seu sobrenome era Goodyear (ele mesmo, o dos pneus) pedindo para que o mesmo produzisse luvas de borracha para a proteção de Caroline e para que não houvesse constrangimentos para ela, toda a equipe passou a usar as referidas luvas, que na época eram pretas e grossas. 

Com as novas tecnologias elas se tornaram delicadas como em toda boa estória de amor, o Doutor e a Enfermeira se casaram, trabalharam juntos por muitos anos e o que hoje chamamos de luvas cirúrgicas, por muitos anos foram chamadas de “luvas do amor”, por conta de tudo o que se passou e pela pureza que representa ao serem manuseadas no tratamento dos enfermos.

REINTEGRAÇÃO DO COMPANHEIRO - Rui Bandeira



A Passagem a Companheiro é um anti-clímax. 

Depois de uma cerimónia de Iniciação que o marcou, depois de um período de Aprendizagem em que foi confrontado com uma luxuriante quantidade de símbolos, em que focou a sua atenção nos aspectos da espiritualidade, o novo Companheiro ascende a esse grau através de uma cerimónia simples e singela. 

E inicia um período de trabalho em que depara com muitos poucos símbolos novos e lhe é pedido que foque a sua atenção em algo que, provavelmente, foi objeto dela na maior parte da sua vida: o Homem, as Ciências e as Artes.

De repente, a novidade desaparece, o que se vislumbra nesta parte do caminho do maçon é o mesmo que qualquer profano medianamente culto vê no seu dia a dia. 

Naturalmente que o panorama se mostra menos interessante, que é admissível e até natural o pensamento de que não se vislumbra grande diferença entre a Maçonaria e o Mundo Profano. 

Naturalmente que o novo Companheiro descobre em si um misto de sentimentos que lhe desagradam: desilusão, estranheza, indiferença. 

Para quê voltar a estudar o que já se estudou? 

Ou que real vantagem se tira de iniciar um estudo, autodidacta e limitado, de uma qualquer outra disciplina científica ou artística diferente daquela a que profissionalmente nos consagrámos? 

Não será o grau de Companheiro o mais gritante dos anacronismos da Maçonaria? 

Talvez porventura no século XVIII se justificasse. 

Então imperava o analfabetismo, muitas das ciências davam os primeiros passos, o Iluminismo era ainda recente… 

Mas, nos dias de hoje, que interesse e justificação tem pedir-se a homens cultos, muitos licenciados e doutorados que… estudem o Homem e as ciências e as artes? 

Tudo isto são interrogações legítimas, preocupações compreensíveis, hesitações evidentes. 

Mas por tudo isto é necessário passar, para se concluir a formação maçónica!

Em primeiro lugar, este quadro cinzento permite que se tire uma lição: a Maçonaria não é um glorioso caminho de excelsas novidades, que o maçom percorre pisando a passadeira vermelha da exaltação espiritual. 

Ou, pelo menos, não é só isso. 

A Maçonaria, como tudo na vida, tem coisas agradáveis e coisa menos agradáveis. 

Tem o que nos dá prazer e conforto e motivação. 

Mas também tem o que nos é mais penoso, menos atractivo, mais aborrecido. 

A Maçonaria é, no fundo, um método de aprendizagem da Vida. 

E a Vida é assim mesmo: tem o agradável e o menos agradável, o exultante e o aborrecido, o saboroso e o insosso. 

Isto para além de que o que é saboroso para uns é insosso para outros, o que agrada a una quantos, é indiferente a tantos outros, o que exalta estes aborrece aqueles. 

A diversidade de opções, de vias, a integração e valorização da individualidade através do grupo implicam que todos, de quando em vez e mesmo frequentes vezes, suportem algo que lhes é menos agradável em prol dos demais. 

A diversidade é uma riqueza, mas também um fardo!

Em segundo lugar, há que aprender ou relembrar que o Homem é tão mais interiormente rico quanto mais diversificados forem os seus interesses. 

Vivemos em tempos de especialização. 

Em contraponto, a Maçonaria lembra-nos as vantagens (mas também os inconvenientes…), a riqueza (e o esforço…), a essencialidade (e a penosidade…) de se ser um Homem integral, harmoniosamente desenvolvido científica, cultural e espiritualmente.

Mas a aquisição destas noções, o relembrar destes princípios constitui, inicialmente, um choque. 

O novo Companheiro tem a sensação de que, em vez de progredir, está a regredir. 

E, mesmo que o não verbalize, não se pode impedir de sentir um certo desapontamento. 

É por isso que é essencial um trabalho de reintegração do Companheiro. 

Não uma simples integração no grupo, que já está feita, mas de reintegração no espírito de crescimento, de aperfeiçoamento, através das diferentes ferramentas que agora se lhe pede que utilize.

Os Mestres, e em particular o Primeiro Vigilante da Loja (o oficial que tem a seu cargo o acompanhamento da coluna dos Companheiros), devem, nesta fase, colocar-se á inteira disposição do Companheiro. 

Procurar esclarecer-lhe as dúvidas. 

Apontar-lhe o caminho. 

Traçar-lhe objectivos. 

Permitir-lhe que venha a perceber, à luz dos conhecimentos simbólicos que, enquanto Aprendiz, adquiriu, a necessidade deste período especificamente destinado ao estudo do que é terreno, do que é material, do que é humano.

É a hora de relembrar ao Companheiro todos os símbolos de dualidade com que se confrontou e esperar que ele tire as suas conclusões. 

É o momento de lhe relembrara a frase, que lhe soou talvez tão enigmática, de que o que está em cima é como o que está em baixo. 

É afinal a ocasião para que o Companheiro ganhe a noção de que, mesmo quando lida com coisas muito práticas, ainda então e assim isso tem um significado simbólico. 

E aí o Companheiro regressa a águas conhecidas…

É altura de realçar que novos conhecimentos, ricos cambiantes, diferentes tonalidades se surpreendem ao revisitar, à luz dos conhecimentos que adquirimos em Maçonaria e da melhoria espiritual que progressivamente buscamos alcançar, as ciências e as artes que tão bem julgamos conhecer.

E então estará aberta a via para que a desilusão desapareça, o aborrecimento esmoreça, a estranheza se dissipe. 

O Companheiro, devidamente apoiado, por ele mesmo compreenderá a razão de ser deste regresso às coisas terrenas e do Homem, a necessidade de o empreender, o trampolim que constitui para o avanço seguinte.

No fim, o Companheiro compreenderá algo que aprendeu na sua Passagem: *que, por vezes, é necessário um desvio e um regresso ao rumo, para poder prosseguir caminho*…




fevereiro 24, 2026

ARLS GUARDIÕES DO SANGREAL 435 - GOP



 

Um número expressivo de irmãos de diversas Lojas das três potências regulares e reconhecidas compareceu na noite de ontem a ARLS Guardiões do Sangreal 435 do Grande Oriente Paulista, na Vila Maria, para assistir a uma excelente palestra intitulada Os Doze Trabalhos de Hércules e a Maçonaria, ministrada pelo irmão Julinho. Julio Cesar Cadamuro, bibliotecário adjunto da GLESP.

O Venerável Mestre Sérgio de Jesus, após receber os irmãos e convidados com simpatia, conduziu a sessão com segurança e leveza. A palestra, uma alegoria muito inteligente, refletiu os trabalhos do herói grego nos ações maçônicos e apresentou importantes lições que calaram fundo nos ouvintes.

Como Grande Bibliotecário, representando o SGM Jorge Anísio Haddad, usei da palavra cumprimentando o VM e o quadro da Loja por esta belíssima sessão e presenteei a Loja com um de meus livros, "Maçonaria de Isaac Newton à Internet". Também apresentei o trabalho que estou fazendo em benefício dos desabrigados pelos temporais que tem inundado a Baixada Santista e especialmente a minha cidade de Mongaguá.

Na foto debaixo, Michael Winetzki, VM Sérgio de Jesus e Julio.Cesar Cadamuro.

O DIA EM QUE A BUROCRACIA NASCEU - Rogerio de Paula

 



O dia em que a burocracia nasceu: quando a humanidade aprendeu a registrar a própria história

Muito antes do papel, dos livros e dos arquivos digitais, a humanidade já lidava com algo que ainda hoje faz parte do nosso cotidiano: a necessidade de registrar informações. Esse marco fundamental ocorreu há mais de 5.000 anos, no período conhecido como Antiguidade Oriental, nas férteis terras da Mesopotâmia, situadas entre os rios Tigre e Eufrates. Foi ali que os sumérios protagonizaram uma das maiores revoluções intelectuais da história: a invenção da escrita.

Diferente do que muitos imaginam, a escrita não surgiu para contar histórias épicas ou poemas religiosos. Sua função inicial era extremamente prática: controlar estoques de grãos, registrar a distribuição de rações de cerveja, organizar impostos e garantir o funcionamento da economia dos primeiros centros urbanos. Em cidades que já erguiam monumentais zigurates e mantinham complexas redes comerciais, os escribas gravavam sinais em tabuletas de argila úmida utilizando estiletes de junco, dando origem à chamada escrita cuneiforme.

O mais impressionante é que essas tabuletas atravessaram milênios quase intactas. Graças a elas, hoje conhecemos contratos, códigos de leis, hinos religiosos e até reclamações de consumidores insatisfeitos com mercadorias defeituosas. A escrita marcou o momento em que a humanidade deixou de depender apenas da memória oral e passou a preservar o conhecimento de forma permanente, permitindo sua transmissão ao longo das gerações. Foi, sem exagero, o nascimento da história registrada e da própria administração pública.

Ao final, fica claro que a escrita não foi apenas uma invenção técnica, mas uma transformação profunda na maneira como os seres humanos pensam, organizam o mundo e se relacionam com o tempo. Aqueles simples registros contábeis em argila lançaram as bases da civilização, da ciência, do direito e da cultura como a conhecemos hoje.

Fontes:

KRAMER, Samuel Noah. A História Começa na Suméria. Martins Fontes.

VAN DE MIEROOP, Marc. A History of the Ancient Near East. Wiley-Blackwell.

BOTTÉRO, Jean. Mesopotâmia: A Escrita, a Razão e os Deuses. Editora Perspectiva.



MAÇONARIA - ESPÍRITO e MATÉRIA - Newton Agrella



A filosofia maçônica é aquela, que dotada da mais legítima propriedade intelectual, promulga a prevalência do espírito sobre a matéria.

Este conceito dialético estimula desde a mais tenra idade maçônica, que o neófito busque através da manifestação da Vontade a entregar-se à busca inabalável do Conhecimento.

Só se atinge a Luz quando se sai da Escuridão.

Assim, o Setentrião é o território mais inóspito, em que o Iniciado tem como trabalho: ouvir, contemplar, prestar atenção e a entender o significado das ferramentas que lhe são apresentadas para começar a dar forma, consistência, equilíbrio   e sustentação ao seu próprio edifício moral.

Na Sublime Ordem o conceito de Espírito distingue-se da alma (personalidade) e do divinal - dedicando-se exaustivamente ao exercício especulativo em busca do Autoconhecimento, da Moralidade e da Luz.

O propósito é promover a ordem e a harmonia imaterial do ser humano  vinculadas a uma "referência de origem" que podemos denominar como "Princípio  Criador e Incriado do Universo"  que se manifesta dentro de cada um, estabelecendo uma distinção da alma (personalidade) e do transcendental num processo infindável pelo autoconhecimento hominal e pela Verdade,  numa jornada de evolução e aprimoramento consciencial. 



fevereiro 23, 2026

ALBERT PIKE NA KKK? - Luciano J. A. Urpia

 



A alegação de que Albert Pike foi um líder ou fundador da Ku Klux Klan é uma desinformação histórica ainda presente. A origem desse boato remonta a publicações do início do século XX, como o livro do historiador Walter L. Fleming em 1905 e a obra de Susan L. Davis em 1924, que adicionaram o nome de Pike a relatos sobre a Klan baseando-se unicamente em reminiscências não documentadas de ex-membros, décadas após os eventos. Não há qualquer documento de época, carta oficial ou registro contemporâneo que comprove a participação de Pike na organização secreta.

A fragilidade dessas acusações fica evidente quando se examina o contexto. O relato original da fundação da Klan, escrito em 1884 por um de seus criadores, John C. Lester, não cita Albert Pike. Foi apenas na reedição de Fleming, vinte e um anos depois e catorze anos após a morte de Pike, que sua imagem apareceu como um suposto "oficial judicial", um título sequer existente nos estatutos oficiais da Klan. Autores posteriores, como Claude Bowers, repetiram a história sem apresentar novas evidências, simplesmente ecoando Fleming e Davis, que por sua vez se apoiaram em testemunhos orais de terceiros, sem qualquer documentação corroborativa.

É crucial distinguir a infame lenda da realidade histórica. O simples fato de alguns membros da Klan também serem maçons não estabelece qualquer vínculo institucional, assim como a presença de maçons entre os mais ferrenhos oponentes da Klan, como o General Benjamin Butler, que redigiu as leis para combatê-la, demonstra a falácia de generalizar. Embora Albert Pike, como produto de seu tempo, tivesse visões preconceituosas para os padrões atuais, isso não equivale a uma prova de filiação à Klan. As alegações de sua liderança são, na verdade, boatos que ganharam status de "fato" através da repetição acrítica por parte de historiadores tendenciosos da chamada "Escola Dunning", que buscavam glorificar a causa sulista e retratar a Klan de forma heroica, distorcendo a história da Reconstrução Americana.

Colaboração: Grand Lodge os British Columbia and Yukon.

.Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA


DA INTERJEIÇÃO! - Heitor Rodrigues Freire


 

Com este artigo concluo minha incursão pelo campo da gramática, e chegamos ao ponto da interjeição, palavra ou grupo de palavras que forma, por si só, frases que exprimem emoção, sensação, ordem, apelo ou descrevem um ruído que pode expressar estados de espírito de forma súbita e intensa. A interjeição costuma ser acompanhada por um ponto de exclamação – podendo até funcionar como uma frase inteira –, é a voz da emoção na língua, permitindo expressar o que as palavras mais formais não conseguem de maneira tão direta e impactante. 

As interjeições são palavras invariáveis que exprimem estados emocionais, ou situações mais abrangentes, sensações e estados de espírito ou até mesmo servem como auxiliares expressivas para o interlocutor, já que permitem a adoção de um vocabulário que dispensa estruturas linguísticas mais elaboradas.

A interjeição é considerada uma palavra-frase, caracterizando-se como uma estrutura à parte, que não desempenha função sintática.

As interjeições podem ser divididas em três grupos:

Interjeições onomatopaicas – são basicamente, sons que criamos com a boca: Ai!, Oba!, Nó!, Oxe!, Ah!, Olá!, Oh!, Ui!, Tchê!, Arre!, Êta!, Ué!, Xi!, Hum!, Psiu!...

Interjeições exclamativas – palavras ou expressões de outras classes gramaticais que exercem a função de interjeição: Credo!, Perdão!, Silêncio!, Chega!, Basta!, Ave Maria!, Macacos me mordam!, Tomara!, Cale-se!, Desculpa!, Céus!...

Interjeições interrogativas – interjeições que vêm acompanhadas do ponto de interrogação: Oi?, Hein?, Quê?, Hã?, Será?, Sério?, Como?, Mesmo?...

A interjeição não se flexiona em gênero, número ou grau, embora existam exceções afetivas ("oizinho"). Ela reflete uma expressão instantânea, sintetiza uma reação emocional completa em uma única palavra ou som, e funciona de forma independente. Geralmente, pode ser separada do resto da frase e ainda transmitir o sentido da emoção.

Como sempre, o que me interessa mesmo é a questão filosófica que envolve cada parte da gramática. A interjeição representou um ponto cego da filosofia da linguagem tradicional.  Durante séculos, a interjeição foi tratada como o "primo pobre" da gramática — vista apenas como um grito instintivo ou um ruído sem estrutura lógica.

No entanto, para a filosofia moderna, a interjeição é crucial porque ela habita a fronteira entre o animal e o humano, e entre o puro ruído e o significado complexo.

Tudo mudou com o filósofo Ludwig Wittgenstein (1881-1951), filósofo austríaco-britânico, que mudou o jogo com suas Investigações Filosóficas. Ele argumentou que a linguagem não serve apenas para descrever o mundo, mas é uma coleção de "jogos de linguagem".

Para ele, a interjeição de dor ("Ai!") não é uma descrição de um estado mental. "A expressão verbal da dor substitui o choro mas não o descreve." Segundo ele, a interjeição é o grito refinado.

Filósofos como o britânico J.L. Austin (1911-1960) e o americano John Searle (1912-2025), argumentam que falar é fazer (na teoria dos atos de fala ela é pragmática). Segundo eles, as interjeições se enquadram na categoria dos atos expressivos:

Diferente de uma frase descritiva, a interjeição tem a função de alterar o ambiente social imediatamente. Quando você diz "Olá!", você não está passando uma informação, você está executando um ritual social de reconhecimento.

Quando você diz "Eca!" está sinalizando uma rejeição biológica ou moral instantânea.

Filosoficamente, a interjeição é o "elo perdido" da linguagem. Elas classificam-se também em interjeições primárias e secundárias: 

As primárias são palavras como "Ah!", "Oh!", "Grrr". Elas são universais, quase biológicas, e nos conectam à nossa natureza animal.

As secundárias são palavras como "Céus!", "Puxa!", "Nossa!", de natureza  cultural, isto é, funcionam de acordo com contextos locais.

A filosofia da biologia considera que a interjeição é o ponto exato em que a biologia (o corpo que sente algo) se transforma em cultura (a palavra).

Já o filósofo americano David Kaplan (1933-) entende que na filosofia da linguagem contemporânea (especificamente na semântica formal) as interjeições são tratadas como indexais. Isso significa que seu significado depende de quem fala e de onde fala:

A palavra "Ai!" não significa "dor" no dicionário da mesma forma que "cadeira" significa um objeto. "Ai!" funciona como uma seta apontando para o estado interno de quem fala. Se eu leio "Ai!" num papel sem saber quem escreveu, a palavra perde seu poder filosófico de significação. Ela exige a presença (ou a simulação da presença) do sujeito, não tem sentido sem contexto.

A filosofia diz que a interjeição escapa da lógica binária (verdadeiro/falso); no aspecto da ontologia, ela está na fronteira entre o “barulho” e a “palavra”. Quanto à ética, a interjeição revela a sinceridade imediata. É difícil mentir com uma interjeição súbita (o susto é autêntico), e por último, quanto à sociologia, a interjeição cria laços empáticos instantâneos (se alguém grita de dor, sua reação é instintiva, não racional).

Enfim, resgatamos a importância filosófica da interjeição!


LUZ DIVINA - Cesar Augusto Garcia



O irmão e poeta César Augusto Garcia demonstra uma aguda sensibilidade neste poema onde celebra as virtudes da amada em contraponto com a solidão causada por sua ausência.






 

A ORIGEM DA MAÇONARIA SEGUNDO THOMAS PAINE - Luciana J. A. Urpia


 

Em seu ensaio publicado postumamente em 1818, Thomas Paine (filósofo inglês, 1737-1809) propõe uma tese ousada: a Maçonaria não deriva da construção do Templo de Salomão, como alegam os próprios maçons em seus relatos oficiais, mas sim dos remanescentes da religião dos antigos druidas. Paine demonstra as contradições cronológicas das narrativas maçônicas tradicionais, como a impossibilidade de Euclides, que viveu 277 a.C., ter ensinado algo a Hiram, construtor do Templo em 1004 a.C., e aponta que o verdadeiro segredo da ordem não é outro senão sua própria origem, cuidadosamente ocultada sob camadas de simbolismo e mistério.

O cerne da argumentação de Paine reside na análise dos elementos solares presentes na Maçonaria. As Lojas são construídas no sentido leste-oeste, acompanhando o movimento aparente do Sol; o Venerável Mestre ocupa o oriente, "assim como o Sol nasce no leste e abre o dia"; o teto das lojas é ornamentado com um Sol rodeado pelos doze signos do Zodíaco; e a grande festa anual da ordem celebra-se no solstício de verão, 24 de junho, data do Dia de São João que, segundo Paine, nada tem a ver com o santo e tudo a ver com o Sol atingindo sua máxima altura. Até mesmo a cronologia maçônica, que conta os anos a partir da criação do mundo (Anno Lucis), remonta a sistemas cosmogônicos muito anteriores ao Cristianismo.

Paine conclui que a religião dos druidas, sacerdotes do Sol que cultuavam a grande luminária como agente visível de uma causa primeira invisível, o "Tempo sem Limites", foi sistematicamente perseguida quando o Cristianismo a suplantou na Europa. Os druidas que permaneceram fiéis à sua tradição viram-se obrigados a reunir-se em segredo, sob rigorosas proibições de revelação, pois sua segurança dependia disso. Desses remanescentes, preservados nas sombras da perseguição, surgiu a instituição que, para evitar o nome estigmatizado de druida, adotou o nome de Maçonaria, praticando sob esta nova denominação os mesmos ritos e cerimônias ancestrais dedicados ao Sol e à ordem natural do cosmos.

Fonte:  CURIOSIDADES DA MAÇONARIA por Luciano J. A. Urpia

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fevereiro 22, 2026

DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM - Wagner Barbs


Hoje, 22 de fevereiro, celebramos o Dia Internacional do Maçom. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de *George Washington*, um dos maçons mais conhecidos da história e exemplo de liderança, firmeza moral e compromisso com a liberdade.

Esse dia, na verdade, não pode ser uma comemoração de vaidade, mas devemos revisar nosso interior para constatar se estamos, de fato, *vivendo os princípios que juramos defender*: ética, fraternidade, tolerância, respeito às leis e trabalho constante pelo bem comum._

A Maçonaria, desde  nossa iniciação, nos ensina que o *verdadeiro templo é construído dentro de nós*. E essa construção não acontece apenas em Loja, mas nas atitudes do dia a dia, na família, na profissão e na sociedade como um todo._

_Que esta data nos sirva como um lembrete claro: ser maçom não é apenas portar um título, mas praticar valores. *Que possamos honrar nossa Ordem não pelas palavras, mas pelas ações, dentro e fora de nossos sagrados Templos*._



22/2 - DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM - Adilson Zotovici


 

¨Vinte e dois de fevereiro¨...

Mais um dia comum seria 

Não fosse o manifesto sobranceiro

De um chefe  da maçonaria 


Foi decisão soberana

Tomada em reunião anual 

Da cúpula Norte-Americana

Mas seu autor...de Portugal  


Aprovado por aclamação

A especial homenagem

Proposta a um insigne irmão

De inspiradora linhagem 


Invejável livre pedreiro

Imortalizado pela  confiança

De um povo costumeiro

À democracia, à liderança 


Foi bom presidente e comandante

Bom Grão Mestre, bom aprendiz 

Foi sua obra marcante,

Colocar ordem em seu país 


George era seu nome !

Tão importante à sua terra  natal,

Que de Washington, seu sobrenome,

Batizaram sua capital 


Uma homenagem justa

Por todos então, logo aceita

Vez que sua data natal e augusta

Era então uma data perfeita 


De lá, para o mundo inteiro

Bradado em alto e bom som :

“ Vinte e dois de fevereiro...

_É o Dia Internacional do Maçom !”_



"MAÇONARIA E CRISTIANISMO" - Denizart Silveira de Oliveira Filho



Denizart Silveira de Oliveira Filho – do livro: Comentários às Instruções do Ritual do Aprendiz-Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito - Editora Trolha.

O emérito Maçom e Pastor Presbiteriano Jorge Buarque Lyra nos legou em seus monumentais livros “A Maçonaria e o Cristianismo” e “As Vigas Mestras da Maçonaria”, dois extraordinários discursos, dirigidos aos Aprendizes. Neles nos inspiramos para apresentar esta mensagem inicial ao Aprendiz-Maçom, em particular, e aos Maçons de todos os Graus, em geral. 

Somos privilegiados por termos ingressado na Maçonaria, instituição que prepara o homem para vencer nas lutas morais, espirituais, políticas e sociais que todos temos de enfrentar. Fazemos parte da Maçonaria Universal com sua admirável unidade no tempo e no espaço, congregando homens das mais diversas raças, das mais diversas classes sociais, dos mais diversos pensamentos filosóficos e políticos, de fé e credos diferentes, porém irmanados em um só propósito, o de fazer o bem aos nossos semelhantes.

Sua filosofia prática resume-se na tríade: VERDADE, BELEZA e BONDADE; seu ideal político-social concretiza-se na divisa democrática: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE; tudo, enfim na trilogia: DEUS, VIRTUDE e CIÊNCIA! 

Somos um pequeno grupo de Irmãos empenhados na busca constante da VERDADE para podermos dissipar as trevas da ignorância que nos rodeia. Devemos desenvolver o homem-espiritual que somos para revelar, assim, a grande VERDADE, a VERDADE que está consubstanciada no interior de nós mesmos. A importância de nossa instituição se resume em poucas e sábias palavras: em nosso crescimento interior e na doação total e espiritual aos nossos semelhantes; nisso se revela toda a sua BELEZA.

JUDEUS - QUE POVO É ESTE? - William R. Goetz



Quando um povo é expulso de sua terra e espalhado por diversas nações durante um certo período de tempo, ele perde a sua identidade como nação. Isso acontece até mesmo quando essa dispersão é voluntária. Esse caldeamento de raças que hoje é a América do Norte é um exemplo disso. Para lá foram pessoas da Inglaterra, Irlanda, da França, da Alemanha, Holanda, Polônia, México, de todos os países do mundo. 

E em menos de duzentos anos essas nacionalidades foram se misturando, dando origem a um "novo" povo: o americano.

Esse mesmo caldeamento ocorreu na América do Sul e nos países do Sudeste Asiático e, após trezentos ou quatrocentos anos de processo, já não é mais possível identificar as origens.

Mas vejam só os judeus: ha cerca de dois mil e quinhentos anos não tinham um governo próprio, e ficaram sem a sua terra por quase vinte séculos, mas ainda assim mantiveram distinta sua identidade nacional.

E esse notável fenômeno assume proporções ainda maiores, quando comparamos os judeus com outras nações, de sua época.

Onde estão os assírios? Onde estão os babilônios? Onde estão os heteus e amalequitas? Foram grandes nações daquela época que, em certas ocasiões controlaram todo o mundo conhecido de então. Aliás, na ocasião em que os babilônios dominaram os judeus, estima-se que o numero destes girava em torno de 100.000 pessoas, enquanto que os primeiros contavam-se em número muito superior aos judeus, e ainda por cima governavam o mundo.

No entanto, hoje os judeus estão aí, firmes e fortes enquanto que os babilônios sumiram do mapa. Alguma explicação? Uma promessa de Deus feita a Abraão no ano 2090 antes de Cristo, bote tempo nisso!

Esta foi a promessa: "Em verdade te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos". Gen. 22.17.