Hoje, se fizermos uma viagem à Escócia, Inglaterra, Irlanda, alguns países da Europa e visitarmos suas belíssimas e imponentes catedrais, abadias e monastérios, citando como exemplos a Salisbury Cathedral, York Minster, Westminster Abbey, a Capela Roslyn e Melrose Abbey, podemos verificar que as pedras que as compõem, tem marcas esculpidas em forma de riscos e pontos, e nós a chamamos de “Marcas do Maçom” (Mason´s Marks)
Estas antigas Marcas do Masom ajuda-nos a traçar a história da Maçonaria dos seus tempos de Operativa até o presente momento, quando são usadas num sentido simbólico no primeiro Grau Capitular do Rito de York
Pondo de lado as lendas das Antigas Constituições Góticas perpetuadas alguns hoje em dia, os quais pretendem dar sentido ao fato da Maçonaria se originar na construção do Templo do Rei Salomão, ou após o dilúvio do tempo de Noé, sabemos atualmente que nossa moderna Maçonaria é fruto daqueles Maçons Operativos da idade média, os reais construtores daqueles ornados e belos exemplos da escola gótica de arquitetura, insuperáveis na arte de construir.
Pequena atenção foi dada para esses entalhes até 1841, quando um pesquisador britânico de arqueologia, publicou um artigo em seus estudos. Estudiosos maçônicos tiveram um interesse no tema, e perceberam a conexão formada entre a Maçonaria Operativa e a Especulativa.
É surpreendente como tanto tempo uma coisa permanece desconhecida até seu primeiro descobrimento. Quando essas de marcas de Maçons foram mostradas para um velho padre, ele retrucou “eu tenho andado através desta igreja quatro vezes ao dia, vinte vezes por semana e nunca reparei em nenhuma delas. Agora eu não posso olhar para qualquer lugar, que elas flutuam nos meus olhos”.
A marca do Maçom Operativo foi usada com propósito puramente pratico. Durante o período quando muitas catedrais, abadias e monastérios foram construídos, eram poucos os que sabiam ler ou escrever. Quando se tornava um Companheiro ou Oficial, cada Aprendiz Maçom selecionava sua marca ou desenho, a qual era para toda a sua vida, e não era nunca mudada. A marca servia, então, como uma assinatura. Ele a marcava em cada pedra preparada, de tal modo que poderia receber crédito e salário pelo seu trabalho, e ele se mantinha responsável pela qualidade e pela adequada execução de seu serviço. A marca do Maçom tinha um objetivo similar a um negócio onde se tinha a assinatura pela qualidade do serviço.
Sabemos que durante a idade média, a Igreja Católica Romana dominou todas as demais religiões na Europa e nas Ilhas Britânicas, e que a maioria dos trabalhos feitos pelos Maçons Operativos daqueles dias foi a construção de catedrais, abadias e monastérios para tal Igreja. Entretanto, com a vinda do Protestantismo, na revolução religiosa em 1517, a Igreja Católica Romana perdeu muito de seu poder temporal e influencia e os trabalhos nas construções religiosas, caíram acentuadamente. Os Maçons Operativos acharam-se frente a um desemprego crescente. Poucos Aprendizes eram aceitos para aprender a Arte Real, e o trabalho para os Maçons remanescentes era largamente limitado à construções militares e trabalhos de reparo que requeriam menores habilidades.
Esse período de declínio operativo era o começo de uma gradual mudança de uma agremiação de construtores, para uma fraternidade moral e filosófica, a qual hoje nos chamamos de “Maçonaria Especulativa”.
Retornando nossa atenção para as marcas do Maçom, foi achado, alguns anos atrás, uma referencia num livro alemão, de 1462, e nele estava anotado que, quando um Aprendiz se tornava um “oficial” (equivalente ao Companheiro), o Maçom “tomava a sua marca numa festa solene de admissão”. Mais tarde na Escócia, em 1598, o então chamado “Schaw Statutes” foi colocado em efeito. Era uma série de regras governando o negocio dos Maçons Operativos e foi emitido por William Schaw, Mestre de Trabalho (artífice) do rei James VI da Escócia. Citam, de modo sumário que “... quando se tornavam Companheiros ou Mestres, seus nomes e marcas deviam ser devidamente registrados no livro adequado para tal fim...” O Companheiro era um oficial (artesão, artífice), totalmente qualificado para fazer trabalhos de pedreiro, e o Mestre era o contratante (empreiteiro) de Companheiros, e que podia trazer Aprendizes para treinamento.
Em 1634 aconteceu um evento que afetou profundamente o futuro da Ordem. A Ata da Loja Escocesa de Edinburgh (Mary´s Chapel), em 01 de Julho de 1634, registra que Lord Alexander; Sir Anthony Alexander e Sir Strachan foram admitidos como membros da Loja e não eram Maçons Operativos.. Este é o mais antigo registro de admissão de não operativos em uma Loja da Escócia ou Inglaterra, e transformou-se na cunha de abertura na transição da Maçonaria Operativa em Especulativa.
Atas mais antigas dessa Loja, de julho de 1599, e mostram a marca do Maçom usada em conjunção com a assinatura de um dos membros presentes. No ano seguinte, muitas marcas aparecem nas Atas, muitas vezes desacompanhadas da assinatura. Atas de outras Lojas Escocesas também mostram o uso da marca, incontestavelmente de acordo com o requerido nos Estatutos Schaw.
Depois da admissão dos três Maçons não-operativos mencionados acima, tal pratica se espalhou rapidamente. No período de declínio dos operativos, mais e mais não-operativos vinham a ser aceitos como membros na maioria das Lojas, e a característica da Maçonaria sofreu uma mudança crescente e rápida. Em 1670, por exemplo, a Loja de Aberdeen mostra Atas assinadas por 49 membros, dos quais três quartos eram não-operativos. Notável era o fato de que entre esses últimos, dois tinham marcas, indicando que a pratica da escolha de marca não era restrito somente aos operativos.
Durante este período quando atividades eram bem documentadas na Escócia, registros ingleses eram mais ou menos raros, relativos aceitação de não-operativos, e não fazem nenhuma referencia deles no uso da marca de Maçom. Essa escassez de registros dificulta fazer mais do que uma leve suposição na cadeia de eventos, os quais precederam o mais importante de todos, que foi a formação da primeira Grande Loja por quatro Lojas em 1717, geralmente aceita como a linha histórica divisória entre a Maçonaria Operativa e Especulativa. Isso estabeleceu a base do padrão organizacional da Maçonaria regular, em todo o mundo. A Irlanda seguiu o exemplo, formando sua própria Grande Loja em 1725, e a Escócia, igualmente em 1736.
A parte ritualística desempenhava função relativamente pequena na Maçonaria Operativa, mas com a transição para Especulativa, se desenvolveu e expandiu, e logo se tornou importante. Entretanto, a primeira indicação sobre a marca do Maçom em uma cerimônia foi em 01 de setembro de 1769, nas Atas do Phoenix Royal Arch Chapter of Plymouth, Inglaterra, onde se relata que seis membros foram feitos “Maçons da Marca e Mestre Maçom da Marca” e cada um “escolheu sua marca”.
O desenvolvimento do Grau Mestre Maçom da Marca até o a condição atual é uma historia interessante. Por várias vezes ele foi conferido em Lojas Simbólicas, no Rito Escocês, ou nos Capítulos do Real Arco, ou nas Lojas Independentes da Marca. Na América o Grau foi gradualmente absorvido pelo Real Arco antes do século XIX.
Apesar do ritual variar um pouco em diferentes locais, eles são basicamente semelhantes. Com o desenvolvimento do Ritual do Grau do Maçom da Marca, houve uma conversão para a lenda da função da Pedra da Abóbada (Pedra Fundamental) e para o tema da construção do Templo do Rei Salomão.
O grau da Marca é agora um requisito para candidatos para o Grau do Real Arco nos Estados Unidos, Irlanda e Escócia. A Grande Loja Unida da Inglaterra, no começo, reconheceu o Grau de Marca como uma “digna adição para o Grau de Companheiro”, mas logo reverteu sua decisão, o que permitiu, em 1856, a formação da “Grande Loja de Mestre Maçons da Marca da Inglaterra, Wales e Domínios e Dependências da Coroa Britânica” a qual tem hoje em torno de 1200 Lojas de Marca sob sua jurisdição.
Nosso Ritual para o terceiro grau na Loja Simbólica é claramente baseada nas praticas dos Maçons Operativos, com simbolismo baseado nas ferramentas de trabalho, pedras de cantaria esquadrejada, lições de arquitetura e muitas outras. Por que a marca do Maçom, uma pratica operativa de tempos imemoriais é omitida em favor de outras coisas como a Ancora, a Arca de Noé, a Colméia, etc, é difícil de entender.
Nossa marca de Maçom é o equivalente Maçônico de nossa assinatura. Ela representa nosso nome, nosso caráter, nossa integridade e nossas habilidades. Quando nós assinamos nosso nome ou aplicamos nossa Marca em um documento, numa carta, num quadro, ou numa pedra para a construção de uma catedral nós nos levantamos para sermos considerados. Por ela nos podemos efetivamente dizer “esta é a minha posição, este é o meu trabalho, eu garanto sua qualidade, e estou orgulhoso da obra que ela mostra”.
Parece ser da natureza humana, querer deixar algum tipo de registro para as gerações futuras saberem o que se passou em nossos dias. Nós algumas vezes ouvimos dizer de uma pessoa que “ele deixou sua marca”, significando que ela deixou uma impressão favorável em algum campo da sociedade, tornando-se notável. Nem todos podem se tornar expressões máximas da sociedade, mas podemos contribuir na construção de um mundo melhor. Os antigos Maçons Operativos deixando sua marca nas pedras das grandes catedrais revelam que “ tomei parte na construção dessa belíssima casa de Deus”.
Se formos os melhores cidadãos, melhores maridos, melhores pais, nós podemos deixar nossa marca na sociedade, melhorando-a, melhorando nossos amigos e vizinhos e melhorando a nós mesmos. Vamos deixar nossa marca, fazendo o melhor que pudermos em nosso trabalho, em nossa família, e, principalmente na Fraternidade Maçônica.
Bibliografia: The Masonic Service Associations of United States
Wallace M. Gage, PM - The Maine Lodge of Research
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