janeiro 29, 2026

A TORRE DE BABEL 2.0 - Dário Angelo Baggieri


 No crepúsculo da era digital, onde telas piscam como estrelas falsas e o homem corre atrás de likes efêmeros, surge a dúvida antiga:  vale a pena ser maçom, guardião de símbolos eternos, em tempos de templos virtuais e rituais esquecidos?

Olhe ao redor: o mundo grita em caos.  Guerras frias viram quentes em posts; virtudes se dissolvem em algoritmos. E a fraternidade, onde fica?  Está se tornando “um meme” passageiro.

Por que vestir o avental, erguer o malhete, quando o esquadro da vida parece torto?  Pergunta coloquial que muitos fazem.  Mas pare, irmão, e contemple o Oriente.

A Maçonaria não é relíquia de museu, nem clube de segredos para curiosos.  É forja de almas, lapidação do artífice de si próprio, onde o eu bruto vira pedra polida.  Analisando pela batuta do sábio mestre, concluímos que, nos dias atuais, vale mais do que nunca.

Vivemos na Torre de Babel 2.0:  línguas confusas em redes sem alma, onde o ego reina soberano e solitário.

Ser maçom é rebelar-se contra isso:  juntar mãos em Loja, olhos no mesmo ideal, construir pontes sobre abismos de ódio.  Vale pela ética que o mundo perdeu.

Princípios como pedras angulares da Ordem —  Liberdade, Igualdade e Fraternidade — sempre orientarão nossas condutas e posturas.  Não em discursos vazios, mas em atos, no silêncio do juramento, no toque sagrado.

Persistimos na caminhada da verdadeira Luz, enquanto o mundo negocia almas por poder.  Vale pela busca interior, quando o ter suplanta o ser.  O maçom desce às profundezas do templo, enfrenta sombras no Quarto de Reflexões e emerge com a luz da razão acesa.  No “Instagram” da existência, ele posta virtude.

E a filantropia?

Ah, não é pose, arrogância ou leviandade.  É trabalho voluntário e abnegado.  As Lojas tecem redes de solidariedade, ajudam as viúvas, educam o órfão, sem holofotes ou hashtags vazias.  No seio da Verdadeira Maçonaria, berço de templos vibrantes, vemos isso pulsar: mãos unidas no escuro.

Críticos da Ordem ululam e gritam:  “Arcaica! Elitista!”

Mas esquecem: a Maçonaria é universal, abre portas a todos que buscam crescer.  Não é para preguiçosos de espírito, mas para quem labuta na própria obra.  Vale pela disciplina que o mundo abandonou.

Hoje, com fake news como pragas, o maçom cultiva a verdade como planta rara.  No ritual, aprende a discernir o ouro do chumbo, a geometria da retidão em curvas sociais.  Ser maçom é ser farol em noites de eclipse.

E o mistério?

Em tempos de tudo exposto, o véu do Templo guarda o sagrado.  Não é segredo por segredo, mas por proteção: a luz cega os despreparados.  Vale pela jornada iniciática, eterna como o sol que nasce no Oriente.

Duvida ainda?

Olhe para líderes caídos, políticos sem bússola, ricos sem alma.  O maçom, lapidado, resiste à erosão.  Constrói catedrais invisíveis: de caráter firme, de irmandade viva.  Nos dias atuais, com a IA ditando destinos e a solidão em meio à multidão conectada, a Maçonaria é o antídoto humano:  um círculo de irmãos, real e tátil, onde o malhete ecoa: “Melhore-se!”

Vale a pena?

Sim, mil vezes sim.  Não por glórias passageiras ou títulos, mas pela Obra Magna da alma em construção.  Seja aquele que busca a perfeição, sob as bênçãos do Grande Arquiteto que guia o traçado.  Levante-se, irmão, e responda ao chamado.  O mundo precisa de mais Pedreiros Livres.  A Loja espera.  O Oriente brilha.

Ser maçom hoje?

Vale não por glórias de pó estelar, passageiras como névoa matinal.   É valer a pena em cada traço do compasso da virtude.  É valer a pena em cada sílaba do Grande Livro da Vida.

Fonte: O Malhete

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