Em Fevereiro de 1891, quase dois anos após a queda do Império do Brasil, Dom Pedro II teve conhecimento da notícia da morte de Benjamin Constant, um dos líderes da Proclamação da República. Longe de exprimir qualquer palavra de recriminação contra o inspirador do movimento militar que o derrubara, apenas lamentou sua morte prematura, e mandou enviar condolências à esposa, Dona Maria Joaquina. O Barão de Penedo, com quem o Imperador conversava, estranhou sua atitude, e lembrou a ação de Benjamin Constant contra a monarquia e a Família Imperial. “Nada tem uma coisa com outra.” Respondeu o Imperador, “esse era o homen político, não o discuto, deploro a morte do homem de ciência, que estimei, e que era muito boa criatura.”
Um dos líderes do movimento Republicano no Exército, lecionou na Escola Militar da Praia Vermelha, onde difundiu duas idéias políticas e filosóficas a futura geração de oficiais do Exército Brasileiro.
Benjamin Constant fez do Rio de Janeiro e a Escola Militar o celeiro da “mocidade militar” que prepararia e executaria o golpe contra a Monarquia em 15 de novembro de 1889. Homens como Bevilácqua, Euclides da Cunha e Rondon estariam na tropa que nesse dia desfilou pelo centro da capital em comemoração à queda do Império. Esses Jovens oficiais atribuíram-se uma missão salvadora do país, perdido em seus vícios sociais e políticos
Embora tenha estimulado indiretamente essa expectativa messiânica, Benjamin Constant nào via o Exército como uma força salvadora. Ao contrário, apontava para o seu desaparecimento como instituição, pregando a deposição das armas no museu da história
Sua linha de atuação foi definida pela adesão ao positivismo. A postulação de uma ordem social racional, inspirada numa moral superior e no saber cientifico, exerceu grande atração sobre ele, inclusive na educação dos cegos, a quem, como professor e, depois, diretor do Instituto, sempre ofereceu uma plano didático baseado na orientação de Comte.
Benjamin Constant esteve por um ano no teatro de Guerra do Paraguai, onde contraiu malária. Seus desacordos com a prática administrativa e a condução da guerra contribuíram para que elaborasse uma visão gravemente crítica das elites políticas brasileiras, do governo imperial e seus chefes militares, em especial o então marquês de Caxias.
No plano ideológico, a combinação desses elementos aprofundou sua identificação com a visào de mundo positivista, particularmente no que diz respeito às questões da guerra e do governo.
Na década de 1870, Benjamin Constant teve papel preeminente na divulgação do positivismo no Rio de Janeiro e, por extensão, no país.
Importantes elementos da sua visão de mundo encontraram
correspondência na doutrina do "soldado-cidadão", desenvolvida durante a Questão Militar por jornalistas republicanos, principalmente Quintino Bocaiúva,
no Rio de Janeiro, e Júlio de Castilhos, no Rio Grande do Sul.
José Murilo de Carvalho (1977:210) explica que, de início, a divulgação
da doutrina tinha "a expressa finalidade de incitar os militares a intervir na política e criar embaraços ao governo imperial". Falava-se em cidadàos fardados, a quem não se podia negar o direito de participar na vida política do país.
Tendo vivido a vida inteira numa quase obscuridade, entregue inteiramente ao professorado, só de agora em diante, a partir do ano de 1886, é que êle começaria a ser conhecido, sobretudo entre os oficiais do Exército, pelas atitudes que iria assumir, cada vez mais destacadas, nas sucessivas crises que se abririam entre o Govêrno e os militares.
A despeito de ter sido militar e ter sido condecorado como tal devido à sua participação na Guerra do Paraguai, era pacifista, pregando o fim das Forças Armadas em um futuro mais ou menos distante, reduzidas à mera atuação policial para manutenção da ordem pública. Essa opinião, calcada nas ideias de August

Nenhum comentário:
Postar um comentário