janeiro 18, 2026

OS LANDMARKS - Paulo Valle


 

Landmark é um termo em inglês que pode ser traduzido como "marco de terra". Refere-se a uma prática antiga de demarcar o limite de um território com grandes pedras, sendo que mover essas pedras era crime grave (Deuteronômio 19:14; 27:17; Provérbios 22:28).

Seguindo a simbologia do Antigo Ofício, o termo significa uma regra (limite) que deve ser respeitada. Seria algo como uma "cláusula pétrea", cujo adjetivo, "pétrea", transmite a mesma ideia de um "marco de terra": relevância, referência, solidez e imutabilidade.

Os Landmarks mais conhecidos no Brasil são os chamados "25 Landmarks de Mackey". Eles foram escritos por Albert Mackey em 1858 (40), mais de um século após o estabelecimento da Maçonaria como a conhecemos. Alvo de críticas, sua lista não é adotada na maioria da Maçonaria norte-americana, onde Mackey nasceu e viveu. Albert Pike foi um dos críticos, chegando ao sarcasmo de escrever que um cogumelo pode crescer numa fronteira, mas não deve ser confundido com um marco de terra (41).

Há várias outras listas de Landmarks, desde listas com apenas cinco deles, até listas com mais de cinquenta, sendo que são muitas as jurisdições que adotam seus próprios Landmarks. O famoso autor maçônico inglês, George Oliver, tinha sua lista de Landmarks, num total de quarenta (42.) Outro famoso autor, Roscoe Pound (43), apontava apenas sete (44).

O que praticamente todas as listas de Landmarks concordam é quanto: a crença em um Ser Supremo e na Imortalidade da Alma; a presença de um livro sagrado, esquadro e compasso em loja; o simbolismo da maçonaria operativa; a restrição a homens livres e adultos; e o caráter sigiloso da Ordem. Outros Landmarks contidos na maioria das listas tratam sobre: as lojas são governadas por um VM e dois Vigilantes; a Grande Loja é governada por um GM e é soberana, não devendo obediência a qualquer outra Grande Loja; veto a discussões sobre política ou religião; e que uma Grande Loja somente governa os três graus simbólicos.

Quaisquer outros landmarks além desses são discutíveis, e não podem servir de desculpas para camuflar ou proteger preconceitos.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

(40) MACKEY, A. G. The Foundations of Masonic Law. In: The American Quarterly Review of Freemasonry and Its Kindred Sciences. New York: Robert Macoy, 1858.

(41) PIKE, A. The So-Called Antient Landmarks. In: Proceedings of the Grand Lodge of Free and

Accepted Masons of the District of Columbia for the Year 1983. Washington: John F. Shelby, 1894.

(42) OLIVER, G. The Freemason's Treasury. London: Bro. R. Spencer, 1863.

(43) Foi professor de Direito nas Universidade de Harvard, Universidade de Chicago e UCLA.

(44) POUND, N. R. Lectures on masonic jurisprudence. Anamosa: The National Masonic Research Society, 1920.

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