A própria linguagem já nos oferece um belo ponto de partida para refletirmos sobre o feminino no universo simbólico da Maçonaria. Dizemos *a Maçonaria*. A palavra que designa nossa Ordem é feminina, como se a própria instituição carregasse, em sua essência, um princípio gerador, acolhedor e formador, quase maternal em sua natureza simbólica.
Dentro do vocabulário maçônico encontramos outra expressão igualmente significativa, *Loja-Mãe*. O termo é tradicionalmente utilizado para designar a Loja onde o maçom foi iniciado, aquela que o recebeu pela primeira vez em seus augustos mistérios e onde teve início sua jornada na senda iniciática. É ali que ocorre o nascimento simbólico do maçom para uma nova vida moral, filosófica e espiritual. Assim como uma mãe que conduz os primeiros passos de um filho, a Loja-Mãe acolhe, orienta e transmite os primeiros ensinamentos que guiarão o iniciado na difícil, porém nobre tarefa de lapidar a própria pedra bruta.
A simbologia maçônica também preserva, em diversos momentos, referências ao princípio feminino. Em antigas representações alegóricas, a própria Maçonaria aparece personificada como uma figura feminina serena e majestosa, guardiã da sabedoria e da virtude. No interior do Templo, encontramos ainda a Coluna da Beleza, que nos recorda que nenhuma construção se sustenta apenas pela força ou pela sabedoria. É a beleza, entendida como harmonia, sensibilidade e equilíbrio, que confere plenitude à obra.
Esses elementos não surgem por acaso. A tradição simbólica da Maçonaria é construída com profundo sentido pedagógico e filosófico. Ela nos ensina que a verdadeira edificação do homem exige não apenas rigor, disciplina e estudo, mas também sensibilidade, cuidado, equilíbrio e capacidade de acolhimento.
E é justamente nesse ponto que a reflexão se torna ainda mais significativa.
Muitas das virtudes que buscamos cultivar dentro da Loja, a paciência, a tolerância, a capacidade de escutar, o espírito de cuidado, a sensibilidade diante do sofrimento humano e a dedicação silenciosa ao bem, são qualidades que, com frequência admirável, encontramos naturalmente presentes na vida e na conduta de inúmeras mulheres.
Enquanto nós, maçons, dedicamos anos de estudo e reflexão para aprender a exercitar tais virtudes, muitas mulheres as praticam diariamente, de forma espontânea e generosa, no cuidado com a família, na educação dos filhos, na dedicação ao próximo e na força silenciosa com que enfrentam os desafios da vida.
Talvez por isso a tradição simbólica tenha preservado, ainda que discretamente, essa presença do feminino em sua própria linguagem e em seus símbolos. Como se nos lembrasse que nenhuma construção verdadeiramente humana se sustenta sem a delicadeza, a sensibilidade e a força moral que tantas mulheres demonstram em sua caminhada.
Neste *Dia Internacional da Mulher*, fica nossa sincera homenagem a todas elas, *mães, esposas, filhas, irmãs e amigas* que, com sua presença, tornam o mundo mais humano e mais luminoso.
Porque, se a Loja-Mãe nos concede o nascimento maçônico, a vida nos ensina que muitas das virtudes que buscamos aprender dentro do Templo já habitam, desde sempre, no coração das mulheres, como uma forma serena de sabedoria, uma beleza discreta e uma força capaz de transformar o mundo com gestos simples, mas profundamente humana.

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