Independente de questões culturais ou até mesmo intelectuais, fato é, que bem ou mal, e quer queira, quer não, hoje vivemos num mundo distópico, cujos valores da civilização encontram frequentes territórios de colisão.
Essa distopia se caracteriza por uma sociedade imaginária, em que opressão, autoritarismo, cobranças incessantes, desumanização e miséria, servem como crítica aos problemas atuais, como controle governamental, degradação ambiental, vigilância e subserviência tecnológica, que impactam no risco da perda de liberdade, na desesperança e no conformismo das pessoas com um futuro sem muitas perspectivas positivas.
Exemplo tácito desta distopia se revela em plenitude, quando uma sociedade adoecida brada e contesta veementemente (e com razão) a morte de um animal, como foi o caso recente do cão "Orelha" em Santa Catarina, mas que em contrapartida, quase que naturaliza o racismo desumano, que quando muito, repercute midiaticamente, sobretudo quando o objeto de tal crime é uma figura pública e notoriamente conhecida.
Essa hipocrisia e insensatez, vezes até disfarçadas de indignação, constituem-se num dos traços mais marcantes que descrevem a Distopia.
A propósito, a etimologia do referido vocábulo de origem grega, compõe-se do
prefixo *dys*- ("ruim", "anormal") e do radical *topos* ("lugar") resultando assim no significado de "lugar ruim".
Semanticamente, o termo refere-se a um cenário sombrio, totalitário, em que os problemas atuais são exagerados para retratar uma sociedade em decadência onde a propria inteligência humana e natural, mal consegue controlar uma inteligência artificial, que gradativamente vai ganhando mais autonomia e soberania, tornando-se quase irrepresável para aquele que a criou.
Porém, o mais triste e deprimente dessa história é que as atitudes distópicas, não escolhem tempo e nem lugar.
Elas estão presentes em quase todos os campos da atividade humana e não se furtam de deixar sua marca registrada, impondo ao ser humano tornar-se refém de sí mesmo.
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