abril 30, 2026

 *A CONFLITANTE ARTE DA LEITURA*


Sabe por que muitas pessoas têm preguiça de ler ?


Uma das respostas mais verdadeiras se deve ao fato de que quando se está lendo, a pessoa precisa criar imagens em sua mente, elaborar idéias sobre os sons dos diálogos, os ruídos dos cenários em que se ambienta o texto, dentre tantos outos aspectos sensoriais que a leitura obriga o leitor a experienciar.


Vez por outra, ter que buscar no dicionário o significado de alguma palavra ou expressão.


E talvez por isso,  mais desalentador e cansativo seja o fato do leitor se ver obrigado a "interpretar"  o texto conforme seu conteúdo ou narrativa.


Tudo isso, concocorre para que a leitura em muitos casos, se torne um verdadeiro fardo para muita gente.


Afora isso, há um outro aspecto crucial que contribui largamente para que a pessoa não se entusiasme pela leitura. 


Trata-se da "concorrência".


Ou seja, outros veículos de comunicação como a televisão, os computadores e smartphones que já trazem tudo mastigado, sem que se precise ler para se inteirar sobre as coisas.


Ler impõe um mínimo de foco e atenção, exige um raciocínio mais detido e depurado .


Enquanto os outros meios permitem um relaxamento; uma forma mais descontraída de atenção, a leitura por sua vez, requer um vínculo mais intenso entre o livro e o leitor. 


Ao manuseá-lo, sentir a textura de suas folhas e o próprio cheiro que ele exala, o leitor meio que se torna um cúmplice do livro.


Há uma interação muito mais profunda entre o Leitor e o Livro do que entre a Pessoa e um Instrumento de Mídia.


E para dar números finais a esta tênue crônica, desnecessário registrar que a falta de incentivo na própria formação escolar - e neste caso referimo-nos particularmente ao nosso país - é algo que não pode e nem deve passar incólume.


De modo geral, a Educação no Brasil, que deveria se ocupar de estimular o estudante ao hábito da leitura desde a mais tenra idade, simplesmente ignora esta condição.


Ler livros faz com que a capacidade crítica de uma pessoa se desenvolva quase que imperceptivelmente.


A leitura produz um terreno mais fértil para a argumentação e contra-argumentação no campo das idéias.


Além disso, proporciona um alastramento do território vocabular, tornando a pessoa cada vez mais fluida e versátil no exercício do raciocínio.


Apenas a título de observação, lembre-se que fontes de referência não são "googlegráficas". 

Elas são legítimamente "bibliográficas".


*NEWTON AGRELLA*

 












⏳Ninguém fala sobre isso, mas o dia 15 de março de 1971 marcou uma virada silenciosa na história do Rio, quando a nova Praia de Copacabana foi oficialmente inaugurada após uma transformação absurda que pouca gente entende de verdade. Não foi só uma obra estética, foi uma mudança estrutural pesada, onde a faixa de areia avançou cerca de 80 metros sobre o mar em toda a extensão da orla, criando o cenário que hoje todo mundo acha que sempre foi assim.


Tudo isso começou lá atrás, ainda em 1960, quando o Rio perdeu o posto de capital do país e virou Estado da Guanabara. Sem a grana federal que sustentava boa parte da cidade, bateu uma realidade dura. O turismo virou praticamente a única saída pra movimentar a economia, só que turismo não nasce do nada, exige investimento pesado em infraestrutura, acesso, saneamento e organização urbana. Foi aí que começaram a pensar grande de verdade.


Em 1965, a SURSAN chamou o Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Portugal pra estudar a viabilidade desse projeto. Não era chute, os caras analisaram tudo no detalhe, correntes marítimas, ventos, comportamento da areia, estabilidade da orla. Depois de anos de estudo técnico, em 1968 veio a conclusão que parecia impossível, dava pra aumentar a praia em até 80 metros sem precisar de estruturas marítimas complexas.


A execução foi coisa de outro nível. Foram dragados milhões de metros cúbicos de areia da Baía de Guanabara e transportados por tubulações passando por pontos estratégicos da cidade até chegar na orla de Copacabana. Além disso, rolou toda uma reestruturação urbana com construção de vias, estacionamentos, novo muro de contenção e o famoso calçadão com desenho do Burle Marx, que virou marca registrada do lugar.


E o mais curioso é o motivo real disso tudo. Copacabana já sofria há décadas com ressacas fortes, destruição do cais, invasão de água e até prédios sendo atingidos pela areia e pelo mar. Somado ao crescimento absurdo da cidade nos anos 40, 50 e 60, com ruas estreitas e trânsito saturado, a obra deixou de ser luxo e virou necessidade. O que hoje parece cartão-postal intocável, na real foi uma resposta direta a um problema sério que quase ninguém lembra.


 #ZonaSul #melhoresdestinos #riodejaneirotrip #turismorj #RioTurismo #turismobrasil #río #RioDeJaneiro #rj40graus #CariocaDaGema #riodejaneirocity #rio40graus #carioca #riodejaneirobrasil #errejota #riodejaneirorj #cariocando #rio #rj #cristoredentor #instagram #copacabana #leblon #ipanema

A QUESTÃO DO NOME - Heitor Rodrigues Freire








“Então Javé (Deus) formou do solo todas as feras e todas as aves do céu. E as apresentou ao homem (Adão) para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse. O homem deu então nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras. Mas o homem não encontrou uma auxiliar que lhe fosse semelhante.” (Gn 2, 19-20).

E assim foi nomeada toda a criação divina. Mas faltava uma companheira, então Deus a criou a partir de uma costela de Adão. E Adão disse: “Esta sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem.” (Gn 2, 23)

A partir daí, tudo e todos têm um nome. 

No batismo, o oficiante diz: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.  Nesse momento, o bebê adquire formalmente um nome único e intransferível. Depois vem o nome de família que identifica a sua ancestralidade.

“Na antiguidade, as pessoas eram conhecidas por seu nome pessoal, como Paulo, Pedro, Mateus, João, Jesus, Maria etc. Não havia sobrenome. Com o tempo, as comunidades foram crescendo cada vez mais e começaram a acrescentar ao nome o local de origem de cada um, porque os nomes ficaram repetidos. Assim, os nomes foram acrescidos de um acidente geográfico ou de alguma espécie da flora ou da fauna local, ou ainda de alguma localidade. Assim surgiram sobrenomes como do Vale, do Monte, do Prado, Pereira, Coelho, Madrid, Toledo, Torres, Palácios, Pontes, Ribeira etc.

Dessa forma, com o tempo os sobrenomes tomaram um caráter hereditário, passando de geração em geração, com o propósito de identificar famílias.” (Fonte: Facebook).

O nome é um elemento de individualização da pessoa e das coisas na sociedade. Nomear objetos, coisas e pessoas é estampar uma etiqueta que esse indivíduo carregará por toda a sua vida.

Por isso, é importante nomear alguém de maneira adequada, pois se trata de um direito à personalidade, algo íntimo, que é capaz de identificar e individualizar as pessoas. Via de regra, o nome é imutável, mas do ponto de vista legal, é possível alterá-lo, caso a caso.

O prenome é o nome próprio ou de batismo que identifica o indivíduo, enquanto o sobrenome é o nome de família ou apelido familiar que indica a ancestralidade. Ambos formam o nome civil completo, garantindo a individualização da pessoa na sociedade. 

Outros elementos incluem o agnome (Júnior, Filho, Neto) para diferenciar parentes homônimos, e as partículas (de, da, do), que fazem a conexão entre os nomes. 

Assim, o nome é um elemento fundamental de individualização, humanização e identidade pessoal, servindo como uma etiqueta permanente que nos distingue socialmente e reflete nossa história, cultura e família. Ele é um direito fundamental que nos acompanha por toda a vida, influenciando como somos percebidos e fortalecendo nosso senso de pertencimento e autonomia. 

Como um direito à personalidade, o nome é geralmente imutável e essencial para atos civis, agindo como um bem imaterial inalienável. Em suma, o nome é mais do que um conjunto de letras; é um componente poderoso da trajetória de cada um, influenciando a nossa identidade e a forma como interagimos com o mundo.

Dale Carnegie, escritor norte-americano, em seu célebre livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, que se tornou um guia clássico do relacionamento e um dos maiores best-sellers da história, defende que o nome de uma pessoa é para ela o som mais doce e importante que existe em qualquer idioma. A obra foi publicada em 1936, vendeu mais de 50 milhões de exemplares e foi traduzida para dezenas de idiomas, permanecendo como uma grande referência em desenvolvimento pessoal e relações interpessoais. 

Enfim, o nome é nossa identidade pessoal e deve ser valorizado acima de tudo, por ser um bem imaterial e inalienável.


Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

abril 29, 2026

1984 - Heitor Rodrigues Freire

 

Li recentemente um comentário sobre o livro 1984, a obra-prima do escritor George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair, 1903-1950), e fiquei tentado a ler esse clássico da literatura mundial.   Orwell foi um pensador britânico conhecido por seu senso crítico em relação ao sistema político e atento à injustiça social. 1984 foi publicado em 1949 e demonstra de forma ficcional como funciona o totalitarismo; o livro se converteu em uma das narrativas distópicas mais aclamadas de todos os tempos. Ele projeta uma sociedade no futuro em que o poder político esmaga o cidadão.

As duas frases abaixo sintetizam a atemporalidade dessa obra, que transcendeu a época em que foi escrita e ainda hoje pode ser aplicada ao nosso presente, ao passado e ao futuro:

“Quanto mais uma sociedade se desviar da verdade, mais odiará aqueles que a falam.” 

“Em um tempo de engano universal dizer a verdade é um ato revolucionário.”

Em seu ensaio "Política e língua inglesa" (1946), Orwell escreveu sobre a importância de uma linguagem precisa e clara, argumentando que a escrita vaga pode ser usada como uma ferramenta poderosa de manipulação política porque molda a maneira como pensamos. Nesse ensaio, o autor elencou seis regras para os escritores:

1. Nunca use uma metáfora, símile ou outra figura de linguagem que você está acostumado a ver impressa.

2. Nunca use uma palavra longa onde uma curta servirá.

3. Se for possível cortar uma palavra, corte-a sempre.

4. Nunca use o passivo onde você pode usar o ativo.

5. Nunca use uma frase estrangeira, uma palavra científica ou um jargão se você puder pensar em um equivalente em inglês [ou no seu próprio idioma] do dia-a-dia.

6. Quebre qualquer uma dessas regras antes de dizer algo completamente bárbaro.

Mesmo sem ter conhecido suas regras, constatei que, empiricamente, tenho aplicado cinco delas, que me servem de norte para os meus escritos.  

Lendo uma resenha sobre o livro 1984 aprendi que a obra, tornou-se um marco da literatura distópica e política, explorando temas como vigilância constante, manipulação da verdade e o poder absoluto do Estado. Destaco aqui os principais pontos dessa resenha:

A mensagem de 1984 é uma forte crítica ao totalitarismo, à vigilância, à manipulação da verdade e à supressão da individualidade, mostrando como regimes autoritários controlam as massas através do medo, da linguagem (Novilíngua) e da reescrita da história, destacando a importância da liberdade de pensamento e da manutenção da memória e da realidade para a dignidade humana, e alerta para o perigo de aceitar a escravidão interna e a perda da autonomia individual.  

Na obra a Novilíngua, consiste em restringir as possibilidades de raciocínio, não a mera proibição à menção a determinados temas, fatos ou pessoas indesejáveis. É esse o vocabulário pelo qual os personagens da história se comunicam. Trata-se de um idioma de controle político, modulado pelas palavras que podem e que não podem ser ditas.

Orwell usou a Novilíngua para mostrar como a linguagem pode ser usada como ferramenta de opressão, onde o controle da fala leva ao controle do pensamento, um conceito que ele explorou no ensaio "Política e a língua inglesa". A Novilíngua é um instrumento para a supressão da individualidade e da dissidência em um regime totalitário. O Grande Irmão, ou Big Brother, é aquele que tudo vê e vigia os passos e atos de todos os cidadãos. 

Os pontos centrais de 1984 são:

Crítica ao totalitarismo: a obra é um alerta sobre os perigos de um governo que controla absolutamente tudo – pensamentos, palavras, história e até emoções (o Partido/Grande Irmão). 

Controle pela linguagem (Novilíngua): a redução do vocabulário (por exemplo “a gente”) e a criação de palavras contraditórias (como "duplipensar") visam limitar a capacidade das pessoas de pensar criticamente e expressar ideias subversivas, mostrando que a linguagem molda o pensamento. É terminantemente proibido pensar com a própria cabeça.

Manipulação da verdade e da história: o lema "Quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente controla o passado" resume como o Partido reescreve a história para moldar a realidade e manter o poder, negando a verdadeira memória coletiva. 

Vigilância e medo: a constante vigilância (Telescreens) e a criação de um ambiente de paranoia destroem a privacidade e a confiança, controlando as ações e os sentimentos dos cidadãos. 

Importância da individualidade e do amor: O amor entre os personagens Winston e Julia representa uma forma de rebelião e a tentativa de manter a humanidade e a individualidade contra o sistema opressor, mas isso acaba esmagado pela força do Estado. 

A luta pela humanidade: a mensagem final é que a luta pela dignidade humana acontece dentro de cada indivíduo, e renunciar à própria humanidade e à capacidade de pensar livremente é o primeiro passo para a escravidão total. 

Em essência, 1984 nos ensina a valorizar a liberdade de pensamento, questionar a informação e lutar para preservar nossa própria realidade e humanidade, pois sem elas somos facilmente controlados por qualquer força autoritária, mostrando como a manipulação da informação e da própria mente humana pode levar à escravidão total. 

Até parece uma leitura do tempo em que estamos, com perplexidade, vivendo.

Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

"ESTOU PROVANDO O GOSTO DAS ESTRELAS"


 Você sabe o que Dom Pérignon disse quando inventou o champanhe? Ele gritou para seus irmãos monges: "Venham rápido, estou provando o gosto das estrelas!" – John Green, "A Culpa é das Estrelas."

Poucos sabem que o nome do champanhe "Dom Pérignon" é, na verdade, o nome de um monge, e não de alguma casa famosa. Estamos falando do verdadeiro champanhe, aquele da região francesa de Champagne. Mas como um monge se tornou sinônimo de champanhe? Dom (um título para religiosos na França) Pierre Pérignon era um monge beneditino na Abadia de Saint-Pierre, em Champagne. Ele era responsável pelos vinhedos e atuava como intendente da abadia. Um trabalho bastante modesto. No entanto, ele entrou para a história como o inventor do champanhe. Sim, Pierre Pérignon pode ser considerado um verdadeiro enólogo. Ele começou organizando todos os materiais de vinificação da abadia e, em seguida, iniciou seus experimentos. Seu objetivo era melhorar o vinho, misturando cuidadosamente diferentes variedades de uvas, experimentando e avaliando. Seu esforço não foi em vão, e o vinho de Champagne foi altamente apreciado pela corte real de Versalhes.

Mas Pérignon não parou por aí. O monge decidiu encontrar uma nova maneira de vedar as garrafas. Para isso, ele tentou selar um lote de garrafas com cera de abelha. Mas as coisas não saíram como planejado. Após algum tempo, as garrafas seladas com cera começaram a explodir, e a espuma se espalhava por toda parte. O segredo estava no fato de que a cera de abelha doce, ao escorrer no vinho, iniciava uma segunda fermentação, o que aumentava a pressão dentro da garrafa. E o vinho se tornava espumante! Foi assim que o champanhe nasceu, de um experimento que não saiu como esperado.

Curiosamente, os franceses inicialmente não apreciaram a nova bebida, considerando o vinho espumante como defeituoso. Já os ingleses, por outro lado, adoraram o vinho espumante, que fazia as rolhas saltarem do gargalo.

Fonte: #Champanhe #História #Curiosidades

abril 28, 2026

NÃO SOMOS O QUE FAZEMOS* *SOMOS COMO O FAZEMOS*

 








O Bilionário Femi Otedola marcou nossa geração, não por seu sucesso nos empreendimentos energéticos, mas por uma reflexão sobre o que é a Felicidade.

Ao ser questionado sobre seu momento mais feliz, o jornalista certamente aguardava ouvir algo como seu primeiro milhão antes dos 30 anos ou ser Bilionário aos 40.

Mas o filantropo Nigeriano respondeu com uma passagem de sua vida que emocionou e faz refletir quem a ouve.

Ele contou que juntou riquezas, adquiriu bens e realizou grandes projetos e teve esses momentos como felizes, mas que foram passageiros.

E somente se deu conta dessa volatilidade ao realizar uma doação de cadeiras de rodas, a crianças paraplégicas, a pedido de um amigo que insistiu que fosse junto acompanhar a entrega.

As crianças, que antes se arrastavam pelo chão, agora brincavam e riam a todo momento em suas cadeiras.

Ao sair, uma delas se aproximou e o segurou nas pernas.

Ele se voltou e perguntou se precisava de mais alguma coisa, que pedisse o que quisesse.

A resposta mudou sua vida e sua concepção de felicidade:

• ”Quero lembrar do seu rosto para que quando o encontrar no Céu possa reconhecê-lo e agradecer mais uma vez.”

Femi Otedola se tornou um dos maiores filantropos da África e faz questão de estar presente nos eventos que promove.

E você?

Já tem alguém que queira ver seu rosto nos céus?

Já foi capaz de cativar a gratidão por um ato sincero de se doar e não pelo quanto?

Já se entregou pelo coração e não por uma aparência ou obrigações?

Não importa o quão rico você seja,

Não importa o quanto você deposita na igreja,

Não importa o que você julga fazer de bem, 

Uma criança vê através dessa capa,

Uma criança vê a alma que doa,

E DEUS vê através da criança...

Ainda há tempo...


abril 27, 2026

INSONDÁVEL* (releitura) - Newton Agrella



Um pouco de História, sempre faz bem à saúde, sobretudo à saúde mental e intelectual.

Em 1966 o falecido jornalista Sérgio Porto, que se valia do pseudônimo de "Stanislaw Ponte Preta"  - cronista perspicaz, escreveu a canção   Samba do Crioulo Doido, que se constituía numa sátira que ironizava a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas-enredo somente fatos históricos.

Ao longo do tempo a expressão ganhou um qualificativo semântico, tornando-se uma analogia para se  referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo, a invenções, celebrações e interpretações descabidas que pudessem ensejar e dar uma espécie de consistência real a um mundo imaginário.

Dessa mesma forma, esse Samba do Crioulo Doido foi gradativamente invadindo continentes e áreas indevidas diante do que se queria propagar.  

Infelizmente, esse expediente, sem qualquer legitimidade no campo da Filosofia, das Ciências Iniciáticas, das Doutrinas Dialéticas e do próprio Simbolismo Intelectual, especialmente aqui no Brasil, insiste em se instalar, e através de mecanismos abusivos e obtusos se irrompe sem qualquer cerimônia naquilo que deveria ser preservado com todo esmero e cuidado.

É dessa forma que instituições sérias de natureza especulativa, caráter acadêmico, filosófico e cultural vão perdendo sua identidade, força e beleza.

Algo como se as Colunas J e B tivessem que se sustentar em dobro...

Maçonaria não é mero objeto de vídeos institucionais e de inócuas mensagens de auto ajuda ou de auto promoção.

Muito pelo contrário, a Sublime Ordem pugna pelo incansável exercício da Evolução humana, explorando positivamente todas as potencialidades hominais, tendo como cenário a prática da Virtude e da busca pelo Conhecimento através do Trabalho Árduo, do Estudo, e da Pesquisa subvencionados pelo Espírito Crítico e da Razão.

Toda e qualquer tipo de manifestação ativista, militante ou proselitista, no campo religioso, político, doutrinário ou ideologista, invariavelmente será objeto de reticência e moderação na Sublime Ordem.

Não é tão difícil de entender.  

Basta munir-se de bom senso, equilíbrio e discernimento.



OUTONEAR - Heitor Rodrigues Freire

 


Novamente, chegou a vez da melhor estação do ano. Pelo menos para mim, que nasci “outoneado”, no mês de maio. O outono é a estação da meditação, da paz, da contemplação. A estação do amor e do desapego.

Eu sempre penso que não faço primaveras, faço outonos.

Ao cantar glórias para o outono, me rejubilo com um texto meu escrito especialmente para esta estação, há cinco anos: “Sua majestade, o outono”. Por isso, considero oportuna sua republicação.

É a minha estação. Eu nasci no outono. Daí a minha profunda identificação com esta estação maravilhosa. Também no outono, nasceram três das minhas filhas: Flávia, Thaís e Raquel. Eu me casei também no outono, há 63 anos – sem dúvida, o acontecimento mais importante da minha encarnação. Assim, tenho uma identificação mental e espiritual com esta estação que me inspira e me estimula. Quando chega o outono, eu sempre sinto um novo renascer.

A chegada do outono se dá pelo fenômeno astronômico do equinócio, pelo qual o período diurno permanece igual ao noturno, com a temperatura mais amena.

O outono é a estação mais espiritualizada do planeta e está no ar, de novo e sempre, trazendo em seu bojo a dimensão da transitoriedade, da renovação, da transformação, do desapego, do esvaziamento, para o preenchimento pelo novo: o outono chegou! 

É uma estação tão marcante que renova e embeleza tudo. É a estação do silêncio, que resplandece em sua plenitude, é o momento do recolhimento, da meditação, da reflexão. É a chegada da serenidade. Saber esperar é uma virtude. Aceitar, sem questionar, que cada coisa tem seu tempo certo para acontecer ... é ter fé! 

O outono nos leva à meditação serena e silenciosa, quando também aprendemos que cada um deve viver sua vida de forma natural, sem permitir influências externas e deve ser vivida sempre de uma nova maneira. Aprendemos, ao mesmo tempo, que cada um vive em função do outro. Ninguém vive para si mesmo. Aquele que se fecha no seu invólucro íntimo acaba se isolando do todo e perdendo a grande oportunidade que a vida nos proporciona, o crescimento interior pela convivência com o outro.

Terminado o verão com sua agitação inerente, nos encaminhamos para o recolhimento do outono, passando por uma transição natural, num momento próprio para encontrarmos serenidade e prazer, a fim enfrentarmos os obstáculos e os problemas da vida. 

Quando chega o outono, com a harmonia de um céu cristalino, advém uma lição de sabedoria, a pessoal e intransferível responsabilidade de cada um, de buscar, e aproveitar a inefável experiência da vida. Esse momento nos proporciona a oportunidade de um encontro íntimo, convidando e estimulando nossa espiritualidade para um encaminhamento único em busca do bem.

Já se percebe a presença do espírito da fé, da gratidão, da perseverança e da solidariedade, indispensáveis para este momento.

Precisamos seguir em frente, encarar todos os obstáculos com consciência – mesmo porque não há outro jeito –, e assim fazer de nossas vidas um hino de amor e de gratidão a Deus, cumprindo os ensinamentos que Jesus nos proporcionou de forma simples, clara e verdadeira. 

Vamos unir a espiritualidade e o recolhimento do outono com os momentos que estamos vivendo. 

Quando toda essa angústia, dor, e sofrimento passarem – e isso acontecerá –, utilizemos os momentos vividos como lição perene de aprendizado e de elevação espiritual. 

O outono tem um poderoso simbolismo, pois se trata da estação do ano em que o verão acabou de ficar para trás, e inicia-se um período de introspecção. Nessa época, assim como as árvores deixam suas folhas caírem, nós também somos influenciados a deixar para trás o que já não nos serve mais, o que já está terminado, para que assim possamos criar um espaço em nossas vidas para florescermos novamente.


abril 26, 2026

ASPECTOS INTERESSANTES DO COMPORTAMENTO MAÇÓNICO - Luiz Fiad



É comum encontrarmos pessoas dirigindo-se apressadamente para uma reunião ou encontro, sem que tenham estudado ou, ao menos, se informado sobre o que vai tratar. 

Estamos diante de alguém que não terá nada a oferecer ou enriquecer o assunto da pauta. 

No máximo, será um assistente. 

Certamente não é o melhor comportamento e nem é isto que os demais esperam de quem foi convidado e aceitou o compromisso de comparecer.

Isto também ocorre no meio maçónico. 

E aí o assunto toma aspectos característicos, pois participamos de uma Instituição que tem pressupostos e princípios definidos, cujo meio de difusão e aprimoramento é a SESSÃO, que difere de “assembleia”, “reunião” ou “encontro”, conquanto possam ter pontos tangenciais. 

Naquela, há uma ritualística com o objetivo de aprimoramento moral e intelectual através de uma filosofia e doutrina seculares. 

Nas outras, existe a informalidade e os assuntos podem ser livres.

Toda pessoa responsável e inteligente, quanto vai realizar uma tarefa, pensa na melhor maneira de executá-la, com eficiência e eficácia, raciocinando sobre “o quê” e “como” fazer, informando-se sobre o assunto, estudando, pesquisando,. 

Inclusive, preparando-se interiormente – espiritual e psicologicamente – e com isto desligando-se paulatinamente da última atividade para entrar no “clima” da próxima. 

Para o mais elementar dos hábitos humanos – a alimentação – praticamos atos preliminares tais como escolha do cardápio, tempero, local se for o caso, higiene pessoal, etc., 

E assim é para outras práticas como o desporto, lazer, cultura, etc., em outras palavras, começamos a viver mentalmente e interiormente aquela atividade que nos propusemos realizar. 

Isto é AMBIÊNCIA.

Agora imaginem que comportamento adotar quando temos um encontro que chamamos *SESSÃO*, com pessoas que chamamos de *IRMÃO,* dentro de um prédio que chamamos de *TEMPLO,* para formar um ambiente que chamamos de *LOJA!*

Portar o respectivo ritual do grau, os paramentos e traje adequado é o mínimo esperado. 

Aliás, portar o ritual é uma prática saudável, visto que de meros assistentes descompromissados assumimos a participação atenta e crítica dos trabalhos, em proveito pessoal e grupal.

Quanto a ritualística não devia haver problemas, pois além de escrita ela é simples e clara, muito embora passível de correções ou atualizações. 

Mas nem por isso nos autoriza a “inventar”, “improvisar”, pois que tais procedimentos criaram os famosos “cacoetes” que nunca passarão disto, apesar de alguns insistirem que são “usos” e “costumes”. 

Não esqueçamos a Filosofia do Rito!

É difícil, mas temos de perseverar no desenvolvimento da ritualística, de maneira uniforme em todas as Lojas, pois assiste-se “coisas inacreditáveis” por aí

Ora é a profissão de fé religiosa dos dirigentes, ora é a doutrina, ora é a crença, tudo influindo naquilo que é imutável e universal na sua essência. 

Ora é o catolicismo, ora o espiritismo, a umbanda, rosacrucianismo, filosofia pessoal de vida, criando os “cacoetes”, “verdades” e outros que tais, mas influindo na ritualística e com mistura de ritos, afectando a liturgia do grau.

E por aí seguem as “invencionices”... 

E a POSTURA em Loja? 

Se for de pé, os rituais orientam. 

Se for sentado, procuramos a posição adequada ao funcionamento dos órgãos vitais, sentindo o respaldar da cadeira em toda a sua extensão e o assento também, as mãos apoiadas sobre o joelho, numa atitude confortável e respeitosa. 

Isto é elementar e biológico. 

Inalterável. 

Mas há outras “posturas” importantes. 

A postura do Maçom ante as dificuldades sociais do Brasil; postura do Maçom ante a corrupção nos altos escalões dos Poderes; postura ética ante os governantes; postura profissional, familiar, pessoal, etc. 

Estas também são importantes e igualmente exigem meditação.

Eis assuntos que podem ser colocados em Loja para que cada um se manifeste e produza estudos para divulgação. 

A Loja é uma “Família” reunida, por isto erra quem diz que vai colocar “a Loja em Família”. 

A postura maçónica ou de um Maçom deve ser única e integral e não aquela que assume que está sentado.


A LUZ - Antônio Jorge


 


A Luz tem, desde tempos imemoriais, uma importância enorme para os povos, os quais lhe associam os mais diversos significados e poderes.

A minha reflexão sobre este tema levou-me à busca interior do seu significado maçônico.

Analogamente ao que acontecia com os edifícios sagrados, também a nossa loja se encontra disposta de Oriente para Ocidente, ou seja, de Nascente para Poente.

Isto acontece para lembrar, a todos os que a compõem, a direção da Luz.

A Luz como fonte de Divina Sabedoria e Amor Fraterno é de tal modo importante na maçonaria que no Ritual de Abertura dos Trabalhos, mal se abandona o mundo profano, é a primeira a ser indicada como elemento de referência em loja. 

É quando pela voz do Venerável Mestre, este profere "Cultivemos a Fraternidade nos nossos corações e que os nossos olhares se voltem para a Luz" - acendendo-se então o Delta Luminoso no Oriente.(cada Rito tem sua versão para a iluminação de seus altares) 

A Luz que se acende não é mais que uma luz material que no mundo profano permite ao homem observar o que o rodeia e lhe ilumina os passos que percorre bem como permite vermo-nos uns aos outros no seu reflexo.

Esta é uma luz ao serviço da personalidade e do ego.

Contudo para além do aspecto material da luz, quer ela seja natural ou artificial, o significado que se atribui em loja é num contexto Filosófico / Espiritual e é sobre este que passo a me debruçar. 

Esta Luz não serve a personalidade, mas a alma; esta Luz não ilumina o exterior do homem, mas sim o seu interior. 

Esta Luz só ilumina o seu Templo Interior.

Quando ainda na situação de candidato, me foi dito que nos primeiros graus não poderia falar em loja e que tal situação duraria cerca de dois anos, achei que seria difícil suportar tal provação e que tudo faria para galgar rapidamente tais estágios.

De fato, tendo, como me reconheço, uma atitude normalmente participativa nos ambientes em que convivo, pensei quão sacrifício seria permanecer calado durante tão longo período.

Contudo, como desafio que assumi, admito hoje a utilidade de tal silêncio, o gosto que me tem proporcionado, pelo tempo de reflexão interior que me disponibiliza e, afinal, nem sequer tentei encurtar tal período, como os irmãos bem sabem.

Quantas vezes ao dialogarmos, nos limitamos a expor a nossa opinião para impressionar os que nos rodeiam sem sequer escutar os nossos interlocutores?

Em silêncio, de olhos abertos ou fechados, a Luz do Grande Arquiteto do(s) Universo(s) penetra o nosso interior, mais facilmente, por quanto possamos estar espiritualmente mais permeáveis.

Mas Bastará olhar para a Luz para a obtermos?

Certamente que não, esse é o grande trabalho do maçom em todos os seus graus e qualidades, o trabalhar a pedra bruta na construção do Templo Interior.

A Luz não pode ser uma dádiva, antes o culminar de um caminho de procura, meditação e amor fraterno.

Tal como ensina o Catecismo:

"Porque eu estava nas trevas e desejava a Luz - o Conhecimento e a Virtude que conduzem ao G:. A:. D:. U:."

A atitude primeira é a procura. 

*"Batei e abrir-se-vos-a. Buscai e achareis"*

Antes de concluir, quero partilhar convosco uma outra reflexão que me leva a relacionar de um modo muito estreito a Cadeia de União e a Luz. 

A Cadeia de União é o momento, em loja, em que todos os irmãos comungam uma fé comum e partilham um sentimento fraterno entre si.

Que a Luz nos ajude a todos, a tolerar as diferenças e a perdoar as ofensas porque a Luz é Sabedoria e Amor, queiramos e permitamo-nos aceitá-la... 

Desde quando és maçom?

*Desde que recebi a Luz.*


abril 25, 2026

COGNIÇÃO ATIVADA - José Carlos Cavalcante



Há um momento curioso na vida em que a gente descobre que os amigos passam a ser quase uma espécie de remédio. Não vêm em comprimidos, não têm bula, não exigem receita médica mas fazem um bem danado.

Na juventude, o convívio social acontece quase por gravidade. Escola, trabalho, filhos pequenos, encontros improvisados. A vida empurra as pessoas umas para as outras. Já com o passar dos anos, especialmente na chamada melhor idade, é preciso fazer um pequeno esforço consciente para manter esse círculo vivo. E vale cada minuto investido nisso. 

*Um jantar entre amigos, por exemplo, raramente é apenas um jantar.* *É um verdadeiro laboratório de memórias e risadas. *Alguém lembra de uma história antiga, outro exagera um pouco nos detalhes como sempre acontece e de repente todos estão rindo como se tivessem vinte anos novamente.* O prato esfria, a conversa esquenta, e a noite fica curta.

 As festas em grupo também têm esse poder quase terapêutico. *Não importa se é um aniversário simples, um churrasco de domingo ou uma reunião improvisada. O que se compartilha ali não é apenas comida ou música, mas um pedaço da própria vida.* Cada um chega trazendo suas histórias, suas pequenas vitórias, às vezes suas preocupações. E curiosamente, quando tudo isso se mistura, a carga parece ficar mais leve. 

Há também aqueles encontros que envolvem movimento: uma caminhada em grupo, uma pedalada, um jogo de tênis ou mesmo uma aula coletiva de alguma atividade física. O corpo se movimenta, mas quem realmente agradece é o cérebro. A mente se mantém desperta, curiosa, ativa. Conversa-se antes, durante e depois. Muitas vezes o exercício acaba sendo apenas o pretexto para o verdadeiro objetivo: estar junto. 

A ciência hoje confirma aquilo que a sabedoria da vida sempre soube. O convívio social . Mantém a cognição viva, melhora o humor e protege contra a solidão silenciosa que às vezes tenta se instalar com o passar dos anos. Mas, para além das pesquisas e estatísticas, há algo mais simples e mais bonito: a sensação de pertencimento.

 Porque no fundo, envelhecer bem não é apenas acumular anos. É continuar acumulando encontros. E talvez um dos grandes segredos da longevidade esteja justamente nisso: manter a agenda com alguns compromisso que não aparecem em exames de laboratório, mas que fazem um enorme bem à alma, um jantar marcado, um passeio combinado, um grupo de amigos esperando.

 *Afinal, a vida pode até ser individual no nascimento e na despedida, mas no intervalo entre os dois momentos ela foi feita para ser compartilhada.

OBJETIVOS E RELAÇÕES DA ORDEM (Craft) - Tradução de António Jorge

 


Em Agosto de 1938, as Grandes Lojas de Inglaterra, Irlanda e Escócia concordaram e emitiram uma declaração idêntica nos seus termos. 

(excepto pelo nome da Grande Loja emissora, que aparece em todo o texto.)

Esta declaração, intitulada “Objecivos e Relações da Ordem“, tinha os seguintes termos:

• De tempos a tempos, a Grande Loja Unida de Inglaterra considerou conveniente expor de forma precisa os objetivos da Maçonaria, tal como praticados consistentemente sob a sua jurisdição desde a sua fundação como corpo organizado em 1717. 

• E também definir os princípios que regem as suas relações com as outras Grandes Lojas com as quais mantém um acordo fraterno.

• Em face das representações recebidas e das declarações recentemente emitidas que distorceram ou obscureceram os verdadeiros objetivos da Maçonaria, considera-se necessário, mais uma vez, enfatizar certos princípios fundamentais da Ordem.

 a admissão e filiação na Ordem é a crença no Ser Supremo. Isto é essencial e não admite concessões.

• A Bíblia, referida pelos maçons como o Volume da Lei Sagrada, está sempre aberta nas Lojas. 

• Todo o candidato deve prestar o seu Juramento sobre este livro ou sobre o Volume que, segundo a sua crença particular, confere santidade a um juramento ou promessa feita sobre ele.

• Todo aquele que ingressa na Maçonaria está, desde o início, estritamente proibido de tolerar qualquer ato que possa ter tendência para subverter a paz e a boa ordem da sociedade. 

• Deve prestar a devida obediência à lei de qualquer estado em que resida ou que lhe ofereça protecção, e nunca deve ser negligente na lealdade devida ao Soberano da sua terra natal.

• Embora a Maçonaria Inglesa inculque em cada um dos seus membros os deveres de lealdade e cidadania, reserva ao indivíduo o direito de ter a sua própria opinião em relação aos assuntos públicos. 

• Mas nem em nenhuma Loja, nem em qualquer momento na sua qualidade de Maçom, lhe é permitido discutir ou apresentar os seus pontos de vista sobre questões teológicas ou políticas.

• A Grande Loja sempre se recusou consistentemente a expressar qualquer opinião sobre questões de política externa ou interna, quer no país, quer no estrangeiro. 

• E não permitirá que o seu nome seja associado a qualquer acção, por mais humanitária que possa parecer, que infrinja a sua política inalterável de se manter afastada de qualquer questão que afecte as relações entre um governo e outro, ou entre partidos políticos, ou questões relativas a teorias rivais de governo.

• A Grande Loja está consciente de que existem Corpos, que se auto-intitulam de Maçónicos, que não aderem a estes princípios, e enquanto esta atitude se mantiver, a Grande Loja de Inglaterra recusa-se terminantemente a ter qualquer relação com tais Corpos ou a considerá-los Maçónicos.

• A Grande Loja de Inglaterra é um Corpo Soberano e independente que pratica a Maçonaria apenas dentro dos três Graus e apenas dentro dos limites definidos na sua Constituição como ‘Maçonaria Antiga Pura’. 

• Não reconhece nem admite a existência de qualquer autoridade maçónica superior, seja qual for o nome que lhe dêem.

• Em mais de uma ocasião, a Grande Loja recusou, e continuará a recusar, participar em Conferências com as chamadas Associações Internacionais que afirmam representar a Maçonaria, e que admitem como membros entidades que não se conformam estritamente com os princípios sobre os quais a Grande Loja de Inglaterra foi fundada. 

• A Grande Loja não admite tal alegação, nem as suas opiniões podem ser representadas por qualquer associação deste tipo.

• Não há qualquer segredo em relação a qualquer dos princípios básicos da Maçonaria, alguns dos quais foram referidos acima. 

• A Grande Loja considerará sempre o reconhecimento das Grandes Lojas que professam e praticam, e que podem demonstrar que professaram e praticaram consistentemente, estes princípios estabelecidos e inalterados, mas em caso algum entrará em discussão com vista a qualquer nova ou variada interpretação dos mesmos. 

• Devem ser aceites e praticadas de todo o coração e na sua totalidade por aqueles que desejam ser reconhecidos como Maçons pela Grande Loja Unida de Inglaterra. 

A Grande Loja de Inglaterra foi questionada se ainda mantém esta declaração, particularmente em relação ao parágrafo sobre manifestações políticas e religiosas. 

A Grande Loja de Inglaterra respondeu que mantém cada palavra da declaração e, desde então, tem solicitado a opinião das Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia.

Realizou-se uma conferência entre as três Grandes Lojas, e todas reafirmaram, sem hesitações, a declaração proferida em 1938: nada nos assuntos actuais foi encontrado que as pudesse fazer recuar desta posição.

Se a Maçonaria se desviasse do seu rumo ao expressar uma opinião sobre questões políticas ou teológicas, seria chamada não só a aprovar ou denunciar publicamente qualquer movimento que pudesse surgir no futuro, mas também lançaria as sementes da discórdia entre os seus próprios membros.

As três Grandes Lojas estão convencidas de que é apenas através desta rígida adesão a esta política que a Maçonaria sobreviveu às doutrinas em constante mudança do mundo exterior, e são obrigadas a registar a sua completa desaprovação de qualquer acção que possa tender a permitir o mais pequeno desvio dos princípios básicos da Maçonaria.

São da firme opinião de que, se alguma das três Grandes Lojas o fizer, não poderá manter a alegação de estar a seguir os Antigos Landmarks da Ordem e, em última instância, enfrentará a desintegração.

(Aprovado pela Grande Loja em 7 de Setembro de 1949) 


abril 24, 2026

FRAGMENTO ESPECULATIVO SOBRE O HOMEM VITRUVIANO- Newton Agrella



Nesse passeio no tempo, e obedecendo o caráter filosófico  da Simbologia Maçônica, uma das analogias de que se vale a Sublime Ordem, numa imensa gama de citações e exemplos é a figura do chamado "Homem Vitruviano".

O adjetivo "Vitruviano" faz referência ao arquiteto romano, , que viveu no século I  A.C. , cuja obra memorável foi Marcus Vitruvius Pollio" cuja obra "De Architetura", composta de 10 volumes -  que serviu como base e inspiração para inúmeros textos sobre Arquitetura, Urbanismo, Engenharia desde o período Renascentista

Munido desta inspiração, o célebre artista italiano Leonardo Da Vinci, criou o famoso desenho da figura masculina nua em duas posições sobrepostas com os braços circunscritos num círculo e num quadrado.

A ideia inicial, dá conta sobre a questão das proporções e as relações com o espaço.

Este breve prefácio, é um dispositivo para que se possa estabelecer uma correlação de um determinado momento em que a Arte e a Ciência se encontram de modo a permitir que o exercício do intelecto humano pudesse analisar questionamentos transcendentais e extemporâneos de caráter eminentemente especulativo e antropológico, sobre nossa origem e nosso papel na ordem do Universo.

A figura ainda traz uma questão alegórica, que sublima um ideal de humanismo, cujo intento é o de realçar a dignidade, o mérito e a ação vigorosa do pensamento e do raciocínio do homem.  

O desenho de Leonardo da Vinci, pode ser interpretado como a nossa própria essência anímica, física, espiritual e racional dentro do quadrado e do círculo, absolutamente despojada de qualquer vestimenta, de pé, na intersecção do chão e do cosmos, como uma espécie de entrega e submissão diante de um Universo a ser explorado.

Esse trabalho especulativo, de imensas possibilidades, é o que estimula o ser humano a buscar sua própria superação e a arquitetar o aprimoramento de seu templo interior

Lá no fundo, fica a percepção de que a intenção de Vitruvius era a de demonstrar a relação matemática entre as proporções do corpo humano com o Universo sugerindo a tese de que o homem teria sido   feito à imagem e semelhança de um Princípio Criador e Incriado.  

Nesse arcabouço arquitetônico de que se reveste a Maçonaria Especulativa, o valor do desenho de Da Vinci traduz-se como o ideal clássico do equilíbrio, da beleza, da harmonia e da perfeição estética das proporções do corpo humano.

Em razão do período da história da civilização conhecido como Renascimento, o desenho de Da Vinci, está intimamente relacionado ao Antropocentrismo, conceito humanista que se constitui na base filosófica da Maçonaria Especulativa.

Obras como "Sobre a Proporção Divina" de Luca Picioli,  "O Iluminismo Maçônico"  de J.Anatalino, "Ortodoxia Maçônica" de J.M. Ramon, e "Homem da Renascença" de Dan Danco foram subsídios para a elaboração dessa breve crônica maçônica.


DA CERTEZA ABSOLUTA - Heitor Rodrigues Freire



As três grandes certezas da vida, frequentemente citadas na filosofia popular, são: a morte, os impostos e a impermanência (ou a constante mudança). Essas certezas representam o fim inevitável, as obrigações financeiras e a natureza dinâmica da existência. 

Para mim, só existem duas certezas absolutas: a existência de Deus (único e verdadeiro) e a certeza da morte.

A nossa existência é pautada por dois acontecimentos maravilhosos: nascimento e morte. Aprendi que, começando com o nascimento, certamente haverá um desfecho inevitável: a morte.

O acontecimento que mais aflige o ser humano é a morte. Todos sabemos que vamos passar por ela, o que a torna indiscutível. O medo que ela provoca já deveria ser devidamente entendido e aceito, porque a morte é irreversível, além de ser o único fato previsível em nossas vidas. Todos sabemos disso, mas mesmo assim reagimos, cada um a seu modo. A morte é algo que podemos experimentar apenas indiretamente, no outro que morre, porque quando morrermos não iremos experimentá-la. Iremos vivê-la.

Essa certeza implacável, naturalmente, longe de causar medo, deveria, ao contrário, nos estimular a promover uma mudança em nosso comportamento. Porque, a depender dele, estaremos pavimentando o nosso caminho. Ou, cavando a nossa própria derrocada. Isto porque, fatalmente, iremos colher o resultado da nossa plantação nesta encarnação.

A qualquer momento, não sei quando, chegará a hora de partir para novas realizações no plano espiritual, de voltar para a pátria celestial, e ali assumir novas missões em função do nosso plantio aqui na Terra. É interessante observar que cada um de nós já morreu muitas vezes ao longo de outras encarnações. Então, no íntimo, já sabemos como é a morte. E isso não deveria causar ansiedade.    

E com essa perspectiva natural e inevitável, comecei a conjecturar a respeito da morte, de sua finalidade e dos benefícios que proporciona – embora para uma grande maioria que não consegue alcançar esse entendimento, ela seja um castigo – e suas consequências.

Em vez de tristeza, ansiedade e desesperança, deveríamos aceitar a morte como um dado perfeitamente natural da vida. E, para isso acontecer, é preciso que se fale da morte, e não que se usem palavras ou expressões substitutas que amenizem o seu significado. Isso significa admitir que, assim como outros processos – como o nascimento –, a morte é um estágio da vida, o qual sabemos que virá implacavelmente para todos.

Entender essa situação como natural, e aceitá-la, representa uma libertação. Não há necessidade de temer a morte. Ela vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. É uma certeza absoluta: 100% das pessoas morrem. De nada adiantam os avanços tecnológicos. É uma regra que não tem exceção. Aceitá-la é uma questão de inteligência. Daí a importância de aproveitarmos a nossa encarnação enquanto aqui estivermos. E quando a nossa hora chegar, aceitemos com serenidade. E isso deve estar baseado na preservação consciente da vida, e não no medo de morrer.

Em suma, há dois tipos de morte: a física, quando ocorre a separação do corpo e da alma, e a espiritual, considerada como a separação da pessoa de Deus. A primeira nos transporta para o mundo espiritual, onde seremos destinados ao lugar para onde nossas ações apontaram. A segunda é a morte moral, metafísica, na qual, mesmo encarnados, nosso comportamento traz consequências que “matam” nossa existência sadia.  

Então entender essa situação como natural, aceitando-a, representa uma libertação. A propósito disso, transcrevo a seguir uma página, atribuída a Santo Agostinho: 


A morte não é nada.


“A morte não é nada.

Eu somente passei

para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês,

eu continuarei sendo.

Me deem o nome

que vocês sempre me deram,

falem comigo

como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo

no mundo das criaturas,

eu estou vivendo

no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene

ou triste, continuem a rir

daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado

como sempre foi,

sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra

ou tristeza.

A vida significa tudo

o que ela sempre significou,

o fio não foi cortado.

Por que eu estaria fora

de seus pensamentos,

agora que estou apenas fora

de suas vistas?

Eu não estou longe,

apenas estou

do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente,

a vida continua, linda e bela

como sempre foi.”


abril 23, 2026

ENTELÉQUIA E MAÇONARIA - João Anatalino (Adaptado por Sidnei Godinho)

 


Quem está familiarizado com a filosofia de Aristóteles, sabe o que significa o termo Enteléquia e certamente não vai estranhar a razão de termos feito a introdução deste estudo sobre o simbolismo maçónico com este conceito.

Este termo designa a energia que o Criador concedeu a todos os seres da natureza para levá-la à sua forma mais perfeita. 

Formada pelo prefixo *EN* (o que está dentro), o substantivo *TÉLOS* (objectivo, realização, acabamento) e o radical do verbo *ÉKHÔ*, (trago em mim, possuo), o vocábulo grego *ENTÉLÉKHÉIA* significa:

• 'A qualidade do ser que tem em si mesmo a capacidade de promover o seu próprio desenvolvimento."

No ser humano pode ser entendida como a força que o leva a enriquecer o espírito através da aquisição do conhecimento e também a capacidade que o organismo humano tem de promover o seu próprio desenvolvimento em termos físicos.

O que é Enteléquia

Como se pode intuir, este é um termo que já de inicio inspira uma série de especulações, tanto no campo das realidades físicas quanto espirituais. 

Grosso modo, diríamos que Enteléquia pode ser considerada como algo análogo ao nosso DNA, que na estrutura biológica determina a conformação física que ele poderá adquirir na sua história de Vida. 

Enteléquia é, pois, o princípio da vida. 

Em todas as formas do ser. (física ou espiritual).

Enteléquia é a potência que o move para o seu fim e o realiza como parte constitutiva do todo universal. 

Em qualquer elemento da natureza, seja mineral, vegetal ou animal, existe este “programa” único, original e fundamental que o dirige e o conforma para uma finalidade pré-determinada pelo Grande Princípio que rege a formação das realidades universais. 

E por consequência preside igualmente as realizações do espírito, conduzindo o homem à plenitude da sua arte, da sua técnica ou ciência e das suas virtudes éticas e morais. 

A Maçonaria e a Enteléquia

Também é pela energia da Enteléquia que o organismo do doente recupera o seu equilíbrio natural, reconduzindo-o à saúde; e no terreno das realidades espirituais é o que leva o iniciado, o recipiendário das verdades iniciáticas, à luz da iluminação.

De uma forma geral, o espírito humano tem despendido muita energia na tarefa de descobrir qual é o princípio que rege a vida do universo. 

Os cientistas o procuram no infinitamente pequeno, estudando a estrutura e o comportamento das mais ínfimas partículas da matéria física. 

Os espiritualistas o perseguem nas relações que a nossa mente estabelece com o mundo das realidades subtis. 

Mas de qualquer forma, todo conhecimento é visto como resultado da busca deste Tesouro Arcano, que embora oculto ao vulgo, se manifesta nas realizações de todos os seres da natureza e se desvela aos puros de coração, que o buscam não com finalidades egoístas, mas com verdadeiro ideal de espírito.

• Cremos não estar a dizer nenhum impropério se afirmarmos que todo Maçom, ao ser iniciado nos Augustos Mistérios da Arte Real, está na verdade penetrando no Reino de Enteléquia. 

Mas para poder usufruir de todas as belezas que este reino concentra será necessário que ele se dispa das suas roupagens críticas e da sua armadura lógica. 

Nele há de viajar somente com o seu espírito, sua intuição, sua crença em quem o conduz vendado. 

Pois tudo neste novo mundo é metáfora, símbolo, alegoria, analogia, enfim, estruturas arquetípicas que estão na base do Inconsciente Coletivo da Humanidade e são trazidos para o mundo das nossas realidades quotidianas através desses artifícios linguísticos. 

E nelas, estas estruturas transformam-se em crenças, mitos, lendas, alegorias e outros folclores que a nossa mente utiliza, para traduzir em linguagem aquilo que só a sabedoria do espírito consegue entender.

Como faziam os nossos antigos irmãos alquimistas, os verdadeiros maçons também andam em busca da sua pedra filosofal. 

Da mesma forma que na antiga Arte dos Adeptos, são poucos o que a encontram. 

Mas isto não quer dizer que ela não exista. 

Vamos procurá-la nas estruturas arquetípicas da mente humana, uma das quais, a maçonaria, é um verdadeiro arsenal de referências simbólicas que nos liga a este Princípio fundamental da nossa vida individual e corporativa.

..."Há mais coisas entre os Céus e a Terra do que sonha nossa vã Filosofia"..



ESFRIAMENTO DAS RELAÇÕES PESSOAIS - Newton Agrella

 



Não é por acaso que as relações humanas circunstancialmente acabam ganhando um caráter meramente protocolar.

São conexões - que por razões diversas e que nem sempre encontram uma explicação ou justificativa plausíveis - se perdem no tempo e se diluem.

É natural que o distanciamento acaba gerando um vazio, que por vezes, se torna abismal e invariavelmente  complicado para ser preenchido.

E mesmo após tanto tempo, quando essas relações se restabelecem, fica instalado um certo vestígio de indiferença, que por mais que se tente, mal se consegue disfarçar.

Aliado a isso tudo, numa tentativa de minimizar essa sensação desconfortável e intrigante, arranja-se um bode expiatório que recebe o singelo nome de "falta de sintonia ou afinidade".

Provavelmente, esse eufemismo em forma de desculpa, devesse ser melhor e mais realísticamente substituído por "falta de empatia", ou seja, de reconhecer em sí mesmo a indiposição de explorar a capacidade de se identificar com a outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer e de apreender do modo como ela apreende. 

Isso tudo, sem no entanto, perder a própria identidade.

Trata-se pois, da sutil arte de se reconstruir relações, sem que o emocional sobrepuje a lógica e a razão, agindo como uma espécie de agente restaurador.

As experiências amargas fazem parte do processo de maturidade e de aprimoramento da consciência.

Não é imperativo que se tenha que estar com aqueles com quem já se tenha vivido experiências negativas amiúde. 

Não faz mal algum, poder ouvir e compartilhar momentos com aqueles com quem já divergimos ao longo da vida.  

Pelo contrário, talvez este seja um sinal de evolução.

Quebrar paradigmas, aprender a estar no lugar do outro e acima de tudo ter a certeza de que ninguém é superior a outrem, são desafios dos quais não se deve fugir; nem tampouco se furtar de enfrentá-los.

O tempo passa e o desafio mantem-se alí.


abril 22, 2026

OS LANDMARQUES DA CLASSIFICAÇÃO DE PIKE - José Castellani



Albert Pike (1809-1891) foi um célebre maçom norte-americano, nascido em Boston. 

Poeta, advogado e militar --- chegou ao generalato --- foi Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho da Jurisdição Sul dos Estados Unidos do REAA. 

Sua obra máxima é "Morals and Dogma on the Anciet and Accepted Scottish Rite of Freemasonry" (1871), onde estuda os Altos Graus um a um. (é considerada a obra máxima do rito).

A classificação de landmarques feita por Pike, foi resultado de um amplo estudo e de uma arrasadora e erudita crítica ao emaranhado de falsos limites, apresentados pelos autores da época, incluído, aí Mackey, seu discípulo e seu Grande Secretário, quando ele era Grão-Mestre Provincial.

Para Pike, os landmarques são apenas cinco:

1. A necessidade dos maçons reunirem-se em Loja;

2. O governo de cada Loja por um Venerável Mestre e dois Vigilantes;

3. A crença no Grande Arquiteto do Universo e numa vida futura;

4. A cobertura dos trabalhos da Loja;

5. A proibição da divulgação dos segredos da Maçonaria, ou seja, o sigilo maçônico.

Pouco há a comentar sobre um trabalho como esse, bastando dizer o seguinte: todas as regras relacionadas são verdadeiros landmarques; é a única classificação conhecida em que isso ocorre. 

Mesmo que alguns autores contestem uma ou outra dessas regras, nenhum deles pode deixar de reconhecer essa verdade. 

Pela sua erudição maçônica, pela síntese absoluta, que faz, em sua relação de limites, e por relacionar somente verdadeiros landmarques, Pike, com sua compilação, é que deveria merecer a maior credibilidade dos  maçons, como ocorre nos países de fala inglesa.

Isso, porém, não acontece, nos países latinos, onde a classificação de Mackey reina soberana. 

• --- sendo, quase sempre, a única conhecida e tomada como lei incontestável --- 

Embora seja uma das mais falhas e mais mentalmente castradoras de todas as compilações existentes. 

Não sendo, sequer, aceita em sua pátria, os Estados Unidos, onde apenas QUATRO das CINQÜENTA E DUAS Grandes Lojas norte-americanas a seguem.

Uma regra maçônica, para ser um verdadeiro landmarque deve ser:

Imemorial,

• --- ter antiguidade suficiente, para que nem se possa estabelecer, no tempo, a sua origem --- 

Espontânea, 

• --- O que significa que ela não tem autor conhecido, mas foi gerada pelo uso da comunidade --

E universal aceitação. 

• --- uma norma, só aceita em algumas comunidades maçônicas, não é um legítimo limite, mas, sim, uma regra particular de conduta --- 

Das 25 regras de Mackey, pelo menos 19 não seriam verdadeiros landmarques. (por esses critérios) 


COMO FOI CRIADA A PRIMEIRA VACINA DO MUNDO ?



A primeira vacina surgiu a partir dos estudos realizados pelo médico inglês Edward Jenner. Ele observou pessoas que se contaminaram, ao ordenharem vacas, por uma doença de gado e chegou à conclusão de que essas pessoas tornavam-se imunes à varíola. A doença, chamada de cowpox, assemelhava-se à varíola humana pela formação de pústulas (lesões com pus).

Diante dessa observação, em 1796, Jenner inoculou o pus presente em uma lesão de uma ordenhadora chamada Sarah Nelmes, que possuía a doença (cowpox), em um garoto de oito anos de nome James Phipps. Phipps adquiriu a infecção de forma leve e, após dez dias, estava curado. Posteriormente, Jenner inoculou em Phipps pus de uma pessoa com varíola, e o garoto nada sofreu. Surgia aí a primeira vacina.

O médico continuou sua experiência, repetindo o processo em mais pessoas. Em 1798, comunicou sua descoberta em um trabalho intitulado “Um Inquérito sobre as Causas e os Efeitos da Vacina da Varíola”. Apesar de enfrentar resistência, em pouco tempo, sua descoberta foi reconhecida e espalhou-se pelo mundo. Em 1799, foi criado o primeiro instituto vacínico em Londres e, em 1800, a Marinha britânica começou a adotar a vacinação. A vacina chegou ao Brasil em 1804, trazida pelo Marquês de Barbacena.

Fonte: Ref História do Brasil

abril 21, 2026

OS SÍMBOLOS EM MAÇONARIA: O ENSINAR E O APRENDER - Paulo M.

 


É conhecido que a maçonaria recorre extensivamente a símbolos como forma de transmissão do conhecimento. 

É evidente que esses símbolos terão algum significado. Todavia, é menos evidente, é que não há significados universalmente aceites ou impostos para os símbolos maçónicos. 

O que um interpreta de um modo, outro pode interpretar de modo diverso. 

Assim sendo, de que serve a simbologia na maçonaria? 

A que aproveita essa “plasticidade” nos significados dos símbolos? 

E como é que se pode usar os símbolos como meios de comunicação do seu significado subjacente, se esse significado pode variar de pessoa para pessoa?

Para o entendermos, temos que recuar no tempo. 

Bem antes da maçonaria especulativa ter surgido – o que sucedeu, oficialmente, em 1717 – já os maçons operativos se socorriam de símbolos para se recordarem dos ensinamentos que os seus mestres lhes haviam transmitido. 

De fato, muitos dos trabalhadores da pedra não sabiam ler nem escrever, pelo que se socorriam de pictogramas e representações de objetos para o efeito. 

Os símbolos não eram propriamente secretos; o seu significado – as técnicas a que os mesmos se referiam – é que era apenas revelado a alguns. 

A maçonaria especulativa veio a adotar esse método de transmissão de conhecimento. 

Assim, hoje como outrora, os símbolos são auxiliares de memória, instrumentos de suporte ao conhecimento, verdadeiras mnemónicas- diríamos hoje: são cábulas – que nos permitem recordar, evocar e especular

Mas se o seu significado pode ser individualizado, como é que o conhecimento passa sem se perder, sem se desvanecer, sem se espraiar numa mar de semânticas? 

De forma muito simples: para tudo há um início, e o método consiste, precisamente, em dar a cada um os pontos de partida, sem estabelecer qualquer ponto de chegada… 

Assim, a um aprendiz é, desde logo, ensinado o significado comum de vários símbolos: o esquadro, o prumo, o nível, o mosaico bicolor do chão dos templos, a pedra bruta, a pedra polida, entre outros. 

É das poucas ocasiões que, em maçonaria, alguma coisa é verdadeiramente ensinada, e mesmo aí os significados gerais são dados com parcimónia de explicações e de forma sucinta e concisa. 

A cada um é dito, então, que deverá procurar interpretar cada símbolo de forma pessoal, podendo quer aplicar o significado original, quer levá-lo até onde o deseje. 

E é esse o trabalho do aprendiz: estudar os símbolos, construir um significado em torno dos mesmos, e aplicá-lo a si mesmo.

E como se mantém um denominador comum? 

Quando um maçom se refere ao prumo, os demais sabem que se refere à retidão moral, à integridade, à verticalidade de caráter – aquilo que ouviu quando, ainda aprendiz, lhe “apresentaram” os símbolos. 

Contudo, mais tarde cada um irá interiorizar a seu jeito o que estas palavras significam. 

O que será sinal de caráter para um poderá ser duvidoso para outro; a nenhum, porém, é imposto qualquer significado universal. 

E porquê? 

Porque, se a maçonaria se destina a tornar cada homem num homem melhor, deve fazê-lo dentro do absoluto respeito pela sua liberdade. 

Por isso se diz que *em maçonaria tudo se aprende e nada se ensina*, no sentido de que cada um deve procurar os seus próprios ensinamentos sem esperar que lhos facultem. 

Cada um deverá poder procurar, no mais íntimo de si, o que quer fazer dos princípios que lhe são transmitidos. 

Se quer segui-los ou ignorá-los, quais aqueles a que vai dar maior preponderância, e até onde vai levar esse ânimo de se superar. 

E é por tudo isto que, sendo essa luta de cada homem consigo mesmo, algo de mais único do que uma impressão digital, a liberdade individual de interpretação se impõe sobre qualquer eventual tentativa de normalização do significado dos símbolos.


A AMIZADE TEM O PODER DE RENOVAR A ALMA - Newton Agrella




Amizade não é ter amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. 

É antes de tudo, independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual a sua, é abstrair uma experiência diferente.

Amizade envolve intempéries. Clima bom, clima ruim, momentos estáveis e instáveis.

E mesmo assim, atravessar o tempo sem se preocupar com o frio ou calor.

Amizade significa aceitação, bem como, colocar-se no lugar do outro e ter a percepção que mesmo tendo opiniões e conceitos distintos sobre as coisas, o respeito, a tolerância e a capacidade de absorver as diferenças é o que conta, é o que vale e é o que pesa.

Amizade pra valer, desconhece a indiferença, ela não se ausenta mesmo nas horas mais desagradáveis.  

Amizade não impõe onipresença, não se exige que a pessoa esteja sempre por perto, de plantão. 

Amizade não é dependência, condição proposta ou submissão.  

Amizade é transparência, é comungar presencialmente ou virtualmente em qualquer cenário da vida.

Amizade é virar a página sem esquecer do livro, e compartilhar a história, sem se preocupar com o epílogo.

Amizade dispensa formalidade,  carimbo ou protocolo.

Ela é o que sai da alma e obedece sem pestanejar o que manda o coração.