maio 19, 2024

O GUARDA DO TEMPLO - Eduardo José da Fonseca Costa





Nos antigos rituais maçônicos, encontravam-se dois Guardas do Templo: um externo, que vigiava o adro; e um outro interno, que recebia daquele as indicações. De vez que os trabalhos de uma Loja devem realizar-se a portas fechadas, cabia-lhes zelar para que ninguém perturbasse a sessão. 

Não é por menos que os Guardas do Templo tem como jóia representativa 2 (duas) espadas cruzadas, símbolos de alerta e de proteção. Hoje, porém, restou somente o Guarda Interno do Templo, ou, simplesmente, "Guarda do Templo", que guarda internamente a porta do Templo e dá a entrada aos Irmãos que chegam após a abertura dos trabalhos. 

Para JULES BOUCHER, trata-se de cargo a ser confiado ao Irmão mais experimentado da Loja, que seja um profundo conhecedor do ritual e dos seus procedimentos, razão pela qual muitas Lojas ainda outorgam essa responsabilidade ao Venerável Mestre que sai.

Isso porque, no direito consuetudinário maçônico, sempre foram atribuídas ao Guarda externo do Templo as funções de "cobrir" e "telhar" (motivo pelo qual o Guarda Externo do Templo pode ser também chamado de "Cobridor Externo" ou "Telhador"). 

Segundo BOUCHER, "telhar um Irmão" significa interrogá-lo para constatar, pelas suas respostas, se ele é mesmo maçom e se seu grau corresponde ao grau para o qual trabalha a Loja; por extensão, "cobrir o Templo" tornou-se sinônimo de "sair". 

Assim, caso profanos consigam entrar numa reunião maçônica e se um deles se aperceber disto, diz o Guarda do Templo: "Está chovendo" ou "Há goteira", isto é, o Templo não está coberto.

Há divergência quanto à denominação que se deve dar ao procedimento formal para identificação e constatação da regularidade maçônica: "telhamento" ou "trolhamento". Os Manuais da GLESP falam em "trolhamento", posição de que compartilha RIZZARDO DA CAMINO.

Segundo este autor gaúcho, "passar a Trolha sobre alguém" significa retirar sua asperezas para que, quando der ingresso no Templo, não seja diferente dos demais, pois se apresentará como Pedra Polida, e não como Pedra Bruta (p. 391-392). Aliás, este autor sequer incluiu as palavras telhar e telhamento em sua clássica obra Dicionário Maçônico. Todavia, não posso referendar tal posicionamento. 

Na maçonaria de língua inglesa, o Guarda do Templo é chamado de Tiler (de tile = telha); na de língua francesa, de Tuillier (de tuille = telha); na Itália, de Tegolatore (de tegola = telha), e assim por diante. Percebe-se, conseguintemente, que as traduções de Tiler, Tuillier e Tegolatore são as mesmas: TELHADOR, i.é., o que procede ao TELHAMENTO. 

Já o termo TROLHAMENTO deveria significar "passar a Trolha", ou seja, aparar as arestas e as imperfeições da argamassa, fazer esquecer as injúrias e as injustiças; enfim, apaziguar maçons em eventual litígio. 

De qualquer forma, a par de todas dessas questiúnculas vernaculares, é ao Guarda do Templo que se confia preponderantemente a eficácia do 15o Landmark ("nenhum visitante, desconhecido aos irmãos de uma Loja, pode ser admitido a visitar, sem que antes de tudo seja examinado, conforme os antigos costumes"). 

A execução cabal deste preceito exige um Irmão, pois, que conheça todos os membros de sua Loja, todos os sinais, todas as palavras de passe, todas as palavras sagradas, todas as senhas e as peculiaridades de cada grau.

Justamente porque telha, não se recomenda ao Guarda externo que permaneça no Átrio, pois esse recinto faz parte, pela sua "imantação", ao próprio Templo, onde não é permitida a presença de estranhos; o estranho e os visitantes retardatários devem permanecer na Sala dos Passos Perdidos que precede o Átrio. 

Quando o Venerável Mestre reúne os Irmãos para a procissão de adentramento ao Templo, determina a preparação espiritual, procedida pelo Mestre de Cerimônias, que faz uma invocação ao Grande Arquiteto do Universo; é no átrio que os Irmãos deixam todos os assuntos e vibrações profanas; o Átrio é um estágio de purificações e, por esses motivos, não pode receber quem não tiver sido antes purificado.

As atribuições dos Guardas do Templo são melhor elucidadas quando se lhe especula as funções em um nível mais transcendental. 

Segundo ZILMAR DE PAULA BARROS (p. 101-102), os 10 (dez) oficiais da Loja (= Venerável, 1º Vigilante, 2º Vigilante, Orador, Secretário, Experto, Mestre de Cerimônias, Tesoureiro, Hospitaleiro, Guarda do Templo) situam-se, perfeitamente, na árvore sephirótica: o Venerável corresponde a KETHER (A Coroa); o Secretário corresponde a BINAH (Inteligência); o Orador a CHOCHMAH (Sabedoria); o Tesoureiro a GEBURAH (Força, Rigor); o Mestre de Cerimônias equivale a TIPHERETH (Beleza); o Hospitaleiro a CHESED (Graça); o 1o Vigilante a HOD (Vitória, Firmeza); o 2o Vigilante a NETZAH (Glória, Esplendor); o Experto a IESOD (Base, Fundamento); o Guarda do Templo a MALKUTH (Reino ou Mundo Profano).

Ora, MALKUTH é a Sefirah inferior constituinte da presença de Deus na matéria, cuja natureza quádrupla encerra os quatro níveis inerentes à árvore sephirótica como um todo (a raiz, o tronco, os ramos e os frutos, conforme cresce no interior existencial; ou a Vontade, a Mente, o Coração e o Corpo Divino) e sobre nós aparece como o CORPO FÍSICO, com seus elementos tradicionais: terra, água, ar e fogo (HALEVI, p. 7-8). 

Ora, se na estrutura de uma Loja maçônica o Guarda do Templo corresponde a MALKUTH, e se uma Loja nada mais é do que uma alegoria simbólica do Corpo Místico do Homem, então o Guarda do Templo é representante do único contato direto que a "Alma de uma Loja" tem com o Mundo Exterior.

Posição similar é a de CHARLES LEADBEATER. Para o autor inglês, a Loja Maçônica possui maquinismo que lhe permite invocar o auxílio de entidades espirituais em seus trabalhos altruístas de acumulação e distribuição de forças astrais em benefício do mundo.

Cada oficial teria, além de seus deveres no plano físico, a missão de representar um dos cinco planos da natureza (os planos espiritual, institucional, mental, astral e físico) e de servir de foco para as suas energias peculiares. 

O Venerável representaria o plano espiritual (correspondente no homem à vontade espiritual); o 2º Vigilante, o plano intuicional (correspondente no homem ao amor intuicional); o 1º Vigilante, o plano mental superior (correspondente no homem à inteligência superior); o 1º Diácono, o plano mental inferior (que no homem corresponde à mente inferior); o 2º Diácono, o plano astral (que no homem equivale às emoções inferiores); o Guarda Interno do Templo, o plano físico superior (equivalente no homem ao duplo etérico); o Guarda Externo do Templo, o plano físico inferior (correspondente no homem ao corpo físico denso). 

Daí o motivo de os fundadores da Maçonaria terem disposto as coisas de maneira que a enumeração dos oficiais e a declaração dos seus lugares e deveres servissem de invocação aos anjos pertencentes aos respectivos planos. 

Simbolicamente, para o corpo físico e o duplo etérico protegerem a "loja da alma" dos perigos do mundo exterior, das tentações e das influências malignas, ordena-se ao Guarda Externo (o plano físico inferior) e ao Guarda Interno (o plano físico superior) que impeçam a entrada dos profanos, representantes das paixões violentas (p. 117-121). 

Para LEADBEATER, portanto, este esquema demonstra que a obrigação da inteligência é discernir e julgar que pensamentos e emoções devem ser admitidos no templo do homem: o Venerável comunica-se com o Guarda Externo por meio do 1º Vigilante e do Guarda Interno, significando que o espírito não atua diretamente na matéria densa do corpo físico, senão que por intermédio da inteligência influi no duplo etérico, embora, uma vez realizada a investigação, a mente possa instruir o duplo etérico para que comunique o assunto diretamente ao espírito. 

Para simbolizar isto, há em algumas Lojas o costume de dizer o 1º Vigilante ao dar a ordem: "Irmão Guarda do Templo, vede quem solicita entrada e comunicai-o ao Venerável".

Se há autores que estabelecem correspondência entre os cargos da Loja e os Sefiroths da Cabala, e se há autores que estabelecem homologias entre esses cargos e os planos da natureza, há aqueles irmãos que enxergam conexão entre o oficialato maçônico e o simbolismo planetário astrológico, conexão esta que nos permite alinhavar o perfil psicológico que deve portar o Irmão ocupante do cargo de Guarda do Templo.

Segundo BOUCHER, o Venerável corresponde a Júpiter; o 1o. Vigilante, a Marte; o 2o Vigilante, a Vênus; o Orador, ao Sol; o Secretário, à Lua; o Guarda interno, a Saturno; e o Guarda externo, a Mercúrio (p. 123). O Guarda Externo, justamente por ser regido por Mercúrio, o mensageiro dos deuses, é quem anuncia ao Guarda Interno aqueles Irmãos que vêm se apresentar e que pedem a sua admissão. 

Trata-se de cargo astrologicamente talhado, portanto, para os nascidos sob o signo de Virgem, signo associado ao sistema nervoso, à percepção mental, ao cérebro e às atividades de comunicação física e mental. Não se é de estranhar, aliás, que os traços positivos dos Virginianos sejam as características mais pretendidas de um Guarda Externo: o raciocínio rápido, a percepção ágil, a inteligência, a versatilidade, a intelectualidade e o impulso para a aquisição e a transmissão do conhecimento. 

Em contrapartida, tem-se o Guarda Interno do Templo, regido por Saturno, o deus prudente que prefere os lugares sombrios, encarregado de anunciar a presença daqueles que julgou dignos de entrar. Trata-se agora de cargo astrologicamente cunhado para os nascidos sob o signo de Capricórnio, signo este associado às idéias de "limitação" e "contenção".

Também aqui não há de estranhar que os traços positivos dos Capricornianos sejam tão esperados do ocupante do cargo de Guarda Interno do Templo: prático; cauteloso; responsável; paciente; de confiança; resistente; disciplinado, estável.

J. BOUCHER ainda assevera que os Oficiais situam-se, perfeitamente, nos braços de uma estrela de seis pontos ou "Selo de Salomão": o Venerável e os dois Vigilantes, que dirigem a Loja, formam um triângulo ascendente D; o Orador, o Secretário e os Guardas do Templo, que organizam a Loja, formam um triângulo descendente Ñ (p. 123-124). 

Aliás, tal ordem se verifica na circulação, com formalidades, tanto da Bolsa de Propostas e Informações quanto da Bolsa de Beneficência para o Tronco de Solidariedade, circulação esta que se faz na ordem hierárquica.

Por fim, vale a pena registrar as associações tecidas por W. KIRK MACNULTY (maçom inglês adepto duma corrente psicologista) entre sete cargos de oficiais e as Sete Artes Liberais: o Guarda Externo do Templo corresponderia à Gramática; o Guardo Interno do Templo corresponderia à Lógica; o 1o Diácono, à Retórica; o 2o Diácono, à Aritmética; o 1o Vigilante, à Geometria; o 2o Vigilante, à Música; e o Venerável Mestre, à Astronomia (p. 23-23). 

Assim, se a Gramática é a arte que estabelece as regras estritas para estruturar as idéias de modo que possam ser comunicadas e registradas no mundo físico, o Guarda Externo representa a parte da psique que está em contato estreito com o corpo físico, através do sistema nervoso central; portanto, ele é um "guardião" no sentido em que protege a psique da saturação de estímulos do mundo físico. Em contrapartida, se a Lógica é a arte que ensina as normas para a análise racional, o Guarda Interno representa o que a psicologia moderna denomina "ego", isto é, o poder executivo partidário da atividade psicológica quotidiana que se distingue pela sua capacidade para formar imagens mentais; portanto, ele é um "guardião" no sentido de que vela pelas pessoas que permitem à sua psique relacionar-se com o mundo.

Como se pode ver, seja qual for a associação que feita com os cargos de Guardas Interno e Externo, em qualquer uma delas as conclusões são exatamente as mesmas.

Bibliografia:

- BARROS, Zilmar de Paula. A Maçonaria e o Livro Sagrado. Rio de Janeiro: Mandarino, s/d.

- BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. São Paulo: Pensamento, s/d.

- CASTELLANI, José. Maçonaria e Astrologia. 2a ed. São Paulo: Landmark, 2001.

- COLTURATO, Adalberto et alii. Telhamento. In A Gazeta Maçônica. Ano XXXVII – nº 250. mar-abr/2004. p. 5.

- DA CAMINO, Rizzardo. Dicionário Maçônico. São Paulo: Madras, 2001.

- DA CAMINO, Rizzardo. Simbolismo do Primeiro Grau: Aprendiz. 2a ed. Rio de Janeiro: Aurora, s/d.

- FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. 4a ed. São Paulo: Pensamento, s/d.

- HALEVI, Z'Ev Ben Shimon. A Cabala. Edições Del Prado.

- LEIRIÃO FILHO, Sinésio et alii. O Telhamento no Rito Adonhiramita. In A Gazeta Maçônica. Ano XXXVII – nº 250. mar-abr/2004. p. 8.

- LEADBEATER, Charles W. A Vida Oculta na Maçonaria. São Paulo: Pensamento, 1956. MACNULTY, W. KIRK. Maçonaria. Edições Del Prado.

C O E X I S T Ê N C I A - Adilson Zotovici




Acima de Augusta Potência

Sereníssima organização,

A quem se deve obediência,

Há algo à veneração


E que há em decorrência

Destarte, a primeira lição

De paz, da coexistência,

E duma  sincera união


Que não há interferência

E muito menos divisão

Vez que igualdade a essência,

E fraternidade a razão


Canteiros com una tendência

Além de raça, credo, paixão...

Caminham iguais com diligência

Em busca da perfeição


Inda que houver preferência

Dum Rito, local, ocasião,

Com universal abrangência

Nivela a cada irmão


Faz reconhecer por evidência

Não por cargo ou posição

O obreiro que referência

Livre pedreiro por sua ação


Fácil ver, com transparência,

De quem se faz alusão :

A Arte Real por excelência...

Nossa Sublime Instituição !



A MAÇONARIA E A IMIGRAÇÃO NORTE-AMERICANA PARA O BRASIL


 

maio 18, 2024

SER MESTRE DO POVO MAÇÔNICO - Valdemar Sansão



Nós, Maçons, temos de fazer mais, muito mais do que temos feito até hoje!

Mestre – Temos certeza de que muitos Mestres não podem dedicar-se ao estudo da Arte Real, talvez como desejassem. Uns por falta absoluta de tempo, estudar exige certo esforço, continuidade e memorização; todos nós estamos aptos ao estudo, alguns, porém, devido suas obrigações profanas, não têm essa disponibilidade; outros pela falta do hábito de ler.

Na Maçonaria, o estudo é trabalho do Companheiro; o Aprendiz, na realidade, não estuda, apenas observa; mais tarde, aplica o que observou ao estudo, que é a aplicação do seu conhecimento incipiente, para enriquecê-lo. O maçom, antes de vir a ser Mestre, deve passar pela escola como discípulo.

Atingido o mestrado, o maçom aprofunda o seu estudo para descobrir o que está oculto, para atualizar-se e tornar-se sábio. O maçom deve instruir-se para compreender, e só alcançará a meta desejada por meio do estudo, que exige constância, dedicação e, sobretudo, força de vontade.

Contudo, o Mestre precisa para dar instruções em Loja para os Aprendizes e Companheiros Maçons, explicar tópicos desta ou daquela lição, estar preparado.

Há sempre alguma coisa que passa despercebida, mas o Mestre precisa estar atento porque, quando menos se espera, pode surgir alguma pergunta cuja resposta precisa ser dada. Ninguém deve falar se não tiver certeza do que vai dizer. Daí por que o Mestre nunca deve deixar de preparar a lição para a próxima Loja.

Há Mestres que falam com facilidade, senhores do assunto e são imediatamente compreendidos. Mas, há outros que nunca devem abrir a boca. Nota-se que não conhecem nada daquilo que pretendem explicar.

O mais triste em uma Loja é constatar a mediocridade de seus membros, que não dão ao estudo a importância necessária. Quem não estuda, corre o risco de inventar. Nossa Sublime Instituição não é feita de invenções, não admite invencionices.

Estudar conduz ao aprendizado, e este à realização. Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser um verdadeiro Maçom.

Marchas e Sinais – As marchas e os Sinais são de caráter obrigatório para os Maçons que são recebidos no Templo quando os trabalhos já foram iniciados.

É bom lembrar que estando a Loja funcionando em qualquer dos Graus, a entrada e a saudação são sempre do Primeiro Grau. A marcha de Mestre, em geral, só é usada por ocasião da Iniciação (exaltação) a esse Grau. No Rito Escocês Antigo e Aceito a marcha é iniciada com o pé esquerdo, enquanto que no Rito Francês ela é rompida com o pé direito.

As marchas, em qualquer dos Graus, devem ser bem ensinadas, logo nas primeiras Lojas.

Sobre os Sinais nada diremos para não desobedecer àquilo que a Maçonaria nos ensina, isto é, para não irmos de encontro à lei do sigilo. Queremos chamar atenção para alguns erros que são cometidos, continuamente, por ignorância das “leis” que regem a matéria.

Atenção! É erro crasso fazer-se qualquer dos Sinais se não estivermos com as mãos inteiramente livres. Portanto, se o Obreiro estiver lendo, por exemplo, o Ritual ou uma carta, ou qualquer outra coisa, segurando o objeto em que está escrito o teor da leitura, ele não pode fazer qualquer sinal e se o fizer estará cometendo erro imperdoável.

Repetindo: qualquer um dos Sinais só poderá ser feito se as mãos estiverem inteiramente livres.

Ingresso no Templo – Ao ingressar no Templo, far-se-á a saudação ao Venerável e aos Vigilantes. No entanto, é bom saber que, nos ritos teístas, a saudação que se faz ao cruzar o equador do Templo, é dirigida ao Delta Luminoso, representação do Grande Arquiteto do Universo.

Grau de Mestre – Título dado inicialmente ao Companheiro destinado a dirigir um canteiro de obras, entre os talhadores de pedra, do início da incipiente Maçonaria. Segundo Castellani, o Grau de Mestre Maçom, só surgiu no ano 1723 – depois da criação, em 1717, da Primeira Grande Loja, em Londres e só seria implantado a partir de 1738.

Com o surgimento do terceiro grau, ampliou-se a Maçonaria operativa; posteriormente,  entendeu-se como apurar os conhecimentos de forma intelectual, passando a ser denominada de simbólica “Maçonaria especulativa”.

Pode-se dizer que este Grau faz do Maçom um verdadeiro Mestre na arte da vida, porque lhe ensina qual é sua verdadeira missão sobre a terra e o papel que sua inteligência e seu valor devem desempenhar em todos os transes da vida.

A palavra Mestre provém do latim magister, e significa aquele que ensina e dirige; cada discípulo terá seu Mestre, inexistirá discípulo se não houver um Mestre.

Desde a Iniciação, o Iniciado passa a ser um maçom completo; mas, com o constante progresso e armazenamento dos conhecimentos, esse maçom sobe de grau em grau até atingir o “ápice da pirâmide”, quando se torna Mestre. Mesmo Aprendiz, o maçom deve aspirar ascender e, com zelo e pertinácia, evoluir dentro de seu rito, até atingir o conhecimento máximo e situar-se em uma posição de mestrado para ser Mestre de seus Irmãos.

Sendo a Maçonaria uma escola, nela haverá aprendizado; a titularidade máxima no simbolismo é a do Grão-Mestre, que significa “grande Mestre”, e nas Lojas a autoridade maior será do Venerável Mestre. Na Maçonaria Simbólica, o Grau de Mestre constitui o teto máximo atingido; com o mestrado, o maçom adquire todas as prerrogativas maçônicas.

Em uma Loja, o Mestre tem atribuições administrativas específicas e atribuições inerentes à sua evolução; nesse caso, tem a obrigação de orientar e ensinar os aprendizes e companheiros, sem que estes o peçam, pois não poderá manter-se Mestre sem ter sob sua espontânea responsabilidade pelo menos um Aprendiz.

Todo proponente de um candidato à Iniciação passará a ser Mestre do proposto, tanto no Primeiro como no Segundo Grau. “O maior deve ser aquele que serve e honra os menores”.

Os aprendizes e companheiros, vencido o prazo de interstício, têm a obrigação de alcançar o mestrado e assim receber todos os sigilos e conhecimentos maçônicos.

A Tolerância - O maçom deve estar alerta quanto ao recebimento das agressões e das ofensas; embora não haja necessidade evangélica de oferecer a outra face, o fato de exercitar a tolerância equivale a esse oferecimento que a mente comanda e o espírito aceita.

O Maçom considera a tolerância como uma virtude.

Tolerar também significa avaliar o conceito de verdade expresso pelo interlocutor, desde que não se contraponha aos fatos, já que nada é mais intolerante do que a certeza de se ter razão. Por outro lado, a certeza de se ter razão leva ao fanatismo.

E toda verdade é verdadeira, mas não é a única.

Ser Mestre

Ser mestre significa ser Mestre de si mesmo, trabalhar com inteligência e força de vontade em si mesmo, no seu próprio aperfeiçoamento, tendo sempre em mente o fato de que nada mais somos do que simples aprendizes no Grande Mistério, mesmo que nos denominemos Mestres.

Ser mestre é aceitar que não nos pertencemos, mas à coletividade, e que isso por isso mesmo sua inteligência e sua vontade devem estar sempre a serviço dessa coletividade.

Ser Mestre á acender luzes pelo caminho por que passa, luzes de amizade e sabedoria, de bondade e justiça, de harmonia e compreensão, de solidariedade e fraternidade.

Ser Mestre é não se considerar juiz dos defeitos e erros dos outros, mas saber compreender e perdoar.

Ser Mestre é saber aceitar um conselho, para ser ajudado.

Ser Mestre é retribuir com ternura aos que o odeiam.

Ser Mestre é ser perfeito nas minhas realizações.


Fonte de consulta: CARTILHA DO MESTRE / Raimundo Rodrigues

Editora Maçônica “A TROLHA” Ltda. – Londrina – PR.

NAPOLEÃO BONAPARTE



Dizem que Napoleão Bonaparte classificava seus soldados em 4 tipos de pessoas:

1. Os inteligentes com iniciativa;

2. Os inteligentes sem iniciativa;

3. Os ignorantes sem iniciativa; e

4. Os ignorantes com iniciativa.

Aos inteligentes com iniciativa, Napoleão deu funções de comandantes, como generais e estrategistas.  

Aos inteligentes sem iniciativa, Napoleão designou cargos oficiais, os quais receberam ordens superiores para cumprir com diligência.  

Aos ignorantes sem iniciativa, Napoleão os colocou na linha de frente da batalha para serem "carne de canhão".  

Pessoas ignorantes com iniciativa, Napoleão não queria perto de seus exércitos.

Um ignorante com iniciativa faz o que não deve, fala o que não deve, se envolve com quem não deve, arruina tudo o que toca, e depois diz que não foi intencional.


maio 17, 2024

BODE NA MAÇONARIA?




NÃO! Em nenhum grau da Maçonaria existe qualquer referência (simbólica ou não) a este animal como parte da nossa simbologia. A associação do bode com a Maçonaria certamente sugiu de fora para dentro, ou seja, de pessoas que não conheciam a Ordem (ou que simplesmente queriam depreciá-la). 

O animal pode ter sido associado à figura de Baphomet (que também não faz parte de nossa simbologia e nem dos Templários) e, por ignorância, associado à Ordem Maçônica. O bode também foi tomado por Jesus como um animal desprezível, pois profetizou que, dentro da salvação, sob o aspecto religioso, as "ovelhas" seriam separadas dos bodes.

A associação do animal à Maçonaria é tão antiga que, os próprios maçons, ironicamente, se divertiam com tudo isso, e passaram a se chamar, um ao outro, de "Bode". Hoje, é comum, um maçom chamar o outro de bode, e ainda, usar adesivos em seus carros com a imagem do animal. Para nós é divertido, mas, nunca houve qualquer relação da Maçonaria com ele.

Fonte: Curiosidades da maçonaria.

A JOIA DO DIÁCONO - Pedro Jul

De fato, não há nenhum significado iniciático ou mesmo uma interpretação simbólica exclusiva para essa diferenciação de joias.

Desse modo, a joia do Diácono, não importando seja ele o 1º ou o 2º, é simplesmente uma pomba, sobretudo porque esse é um dos símbolos consagrados do mensageiro (a Arca de Noé e a pomba; o pombo correio, etc.).

Na Maçonaria Operativa, levando-se em conta a grandiosidade dos canteiros de obra e a rusticidade dos trabalhos profissionais, as lojas operativas possuíam os seus mensageiros que tinham por dever de ofício encaminhar ordens dos dirigentes dos trabalhos. Normalmente desses mensageiros ficava à disposição do Mestre da Obra e o outro a serviço dos “wardens”, mais tarde, os Vigilantes.

Graças a essas atividades hauridas dos canteiros profissionais do passado, alguns ritos especulativos da Maçonaria dos Aceitos revivem esses mensageiros atuando como antigos oficiais de chão.

Assim, nos ritos que possuem oficiais mensageiros, agora conhecidos como Diáconos, os mesmos exercem atividades de acordo com o modelo iniciático (prática ritualística) exigido pelo rito.

No R∴E∴A∴A∴, por exemplo, os Diáconos atuam única e exclusivamente na alegoria da transmissão da palavra sagrada que emblematicamente revive as antigas aprumadas e nivelamentos que ocorriam nos cantos da obra, assim exigidas no início e no encerramento dos trabalhos nos tempos da Maçonaria Operativa.

Na prática, essa aferição tinha o desiderato de produzir trabalhos a contento, aprumando e nivelando os cantos no início da jornada para uma justa e perfeita elevação das paredes e, ao final, conferindo para se certificar se os trabalhos transcorreram justos e perfeitos, ou seja, se ocorreram em conformidade com as exigências da arte.

Como atualmente não somos operativos e vivemos uma Maçonaria Especulativa, isto é, sem a literal atividade profissional dos cortadores e entalhadores de pedra, o elemento primitivo da obra (matéria prima) que era a pedra calcária, passou a ser representada pelo elemento homem, passível de aprimoramento.

Nesse sentido, especulativamente as aprumadas e nivelamentos do passado operativo foram substituídas pela transmissão de uma palavra que se estiver dita “justa e perfeita”, isto é, transmitida nos conformes ritualísticos, então os trabalhos da Loja podem ser abertos e respectivamente encerrados.

Essa pois é a razão pela qual existe no R∴E∴A∴A∴ a transmissão na palavra sagrada na abertura e encerramento.

Essa alegoria lembra as atividades dos construtores medievais, nossos ancestrais. Desse modo, os Diáconos, o Venerável Mestre e os Vigilantes, como protagonistas dessa transmissão, revivem simbolicamente essa passagem outrora praticada pelos nossos ancestrais.

É daí que os Vigilantes usam cada qual uma joia distintiva, ou seja, o Nível para o 1º e o Prumo para o 2º, respectivamente, já o Venerável Mestre usa um Esquadro operativo como sua joia distintiva, enquanto que e os Diáconos usam cada qual uma joia representativa do mensageiro, ou seja, a pomba, porém sem que haja qualquer necessidade de diferenciação entre ambas para identificar o 1º e o 2º Diácono. Rigorosamente, as joias dos Diáconos devem, ou, pelo menos, deveriam, ser iguais, sendo, portanto, dispensável que uma delas venha inscrita dentro de um triângulo.

Eram esses os comentários sobre se existe ou não diferenciação entre as joias dos Diáconos. Como dito, não existe e é algo dispensável, até porque assim não se dá oportunidade para interpretações aventureiras e falaciosas que fatalmente apareceriam por conta de achistas e oportunistas.

Concluindo, vale alertar que no R∴E∴A∴A∴, os Diáconos não se prestam ao ofício de levar bilhetes, recados e outros afins. Esse é ofício do Mestre de Cerimônias como imediato do Venerável Mestre. Como mensageiros, os Diáconos, junto com as Luzes da Loja, são coadjuvantes da alegoria da transmissão da palavra sagrada no início e no encerramento dos trabalhos. Reitera-se: essa é a única função dos Diáconos em Loja.

 


maio 16, 2024

NOSSAS TRAGÉDIAS - Sérgio A S Quoos




Os dias vem acumulando dores,

as tragédias são culpadas;

rancores certas vezes afloram,

isso diz muito de que quem somos.


Ainda que privilegiados,

certas vezes nos achamos atacados;

mas as tragédias são as culpadas,

e isso não aceitamos.


Para língua portuguesa o paradoxo;

A água está sobrando,

mas para a vida não serve;

malditas tragédias culpadas.


não são de todo as chuvas,

aquelas que nos castigam;

se trata de nossas atitudes,

as tragédias de nossas vidas.



UM SHORT-TOUR PELO PLANETA ALMA E SEUS SATÉLITES - Newton Agrella



De maneira branda e descompromissada, t
al qual uma brincadeira infantil, as palavras nos permitem intercalá-las e entrelaçá-las em forma, conteúdo e significado, como se estivéssemos no quintal de casa e no chão desenhássemos um punhado de caminhos, e por eles fôssemos passeando.

Nada mais divertido do que se começássemos pela ALMA, que significa o princípio vital, a singela manifestação da vida.  

Dela derivaríamos para o ÂNIMO, que se traduz como o espírito pensante, a disposição da alma, filho da vontade, do desejo e do humor.

Tocando um pouquinho mais adiante pegaríamos um atalho e nos aventuraríamos pelo caminho do ALIMENTO, filho da mesma raíz etimológica, cujo significado é o da substância digerível que sustenta o corpo e a mente, e que por extensão é o dispositivo que oferece a força e mantém as faculdades intelectuais e morais.

Nunca é demais abrir um parêntesis e destacar que numa figura de linguagem "a leitura é o alimento do espírito".

Prosseguindo o passeio e  tomando-se uma outra senda mais remota, desta vez, cheia de buracos, terreno mais acidentado, cheio de curvas, aclives e declives, encontraremos mais uma derivação do mesmo radical etimológico, a famosa ANIMOSIDADE. 

Esta, por sua vez, carrega consigo algumas características marcantes, que a fazem bastante particulares: 

a audácia, a coragem, a ousadia, o ardor frente aos embates, e a contestação nos lances mais polêmicos da vida.

Nesse animado tour, não poderíamos nos furtar de transitar por um caminho derradeiro, o ANIMAL, que seja como substantivo ou adjetivo, seu significado é o legítimo produto da vida. 

É a natureza que se materializa física e mentalmente.  

É a consciência que se estabelece entre a fé e razão da própria Existência. 

Como epílogo dessa brincadeira, cabe registrar que na essência filosófica antropocêntrica a ALMA e seus derivados assumem uma identidade imaterial e eterna do homem.

Desfrutar da vida é um jogo de permanente atenção aos desafios e de adaptação às mais diversas circunstâncias, impondo-nos um olhar crítico e construtivo ao nosso comportamento humano.

Ergamos pois, um brinde à ALMA, esconderijo mais íntimo de todas as nossas emoções e confidente guardiã de nossas experiências 



maio 15, 2024

DESISTÊNCIAS E AUSÊNCIAS - A EROSÃO DA ORDEM - Antonio Jorge

 

Porque será que temos um nível tão elevado de desistências e/ou de não comparências nas Sessões?

Normalmente, o que nos leva a desistir de algo é um sentimento de expectativas não correspondidas, acompanhado pela sensação de que tal não irá ocorrer “em tempo útil”. 

Este sentimento aplica-se a tudo que fazemos já que é intrínseco ao processo de avaliação que permanentemente fazemos sobre tudo em que nos envolvemos. 

Todos criamos expectativas e as avaliamos face à realidade; desistimos quando achamos que a probabilidade de as nossas expectativas serem correspondidas é mínima ou inexistente, ou o “timing” para que tal se verifique é excessivo.

Ora isto leva-nos a uma segunda pergunta: quais são as expectativas que os candidatos têm e até que ponto consegue a Ordem responder? 

Naturalmente, há seguramente expectativas aos quais a Ordem não tem que, nem pode corresponder – estes são os erros de “casting”. 

Correspondem normalmente a candidatos com uma visão demasiado distorcida da Ordem, que os leva a criar expectativas muito próprias e/ou baseadas numa ideia de se servir em vez de servir.

Mas se considerarmos que temos candidatos que foram supostamente bem seleccionados; que foram supostamente bem avaliados e que foram supostamente bem escrutinados durante a votação, então os erros de “casting” deveriam ser mínimos – talvez não esteja aqui a resposta à pergunta. 

Mas será que podemos considerar isto?

O processo de avaliação do candidato que se prolonga por meses e por vezes até por anos, aliado à “aura” de mistério e ao “secretismo” que são normalmente associados à Maçonaria, ajudam a potenciar ilusões, por mais fantasiosas que elas sejam, criando por vezes, expectativas ao qual a Ordem não consegue dar resposta, até porque, embora cada um de nós construa o seu próprio Templo, a Maçonaria é só uma, não se podendo moldar aos desejos de cada um.

Assim sendo, talvez valha a pena olharmos para dentro, e para o fazermos talvez valha a pena partir de mais uma pergunta: O que é que nós fazemos como Maçons? 

Reunimo-nos algumas vezes por mês, vestimos uns aventais, de preferência com ornamentos cintilantes, colocamos alguns símbolos e executamos um ritual. 

Durante as sessões, há alguns assuntos que tendem a se destacar: discussão intermináveis de regulamentos e burocracias da Loja (a Grande ou a nossa); leitura de comunicados, inquirições e respectivas votações; de longe em longe, a leitura de uma prancha, nem sempre discutida; de longe em longe também, a discussão de algum assunto mais relevante, mas sempre virado “para dentro”. 

Isto é o que temos para oferecer aos neófitos – será que corresponde às suas expectativas? 

Ou será que esperavam outra coisa? 

Será que esperavam uma Ordem mais preocupada com o exterior e menos voltada para si mesma?

Quando tentamos responder à pergunta: O que é que a Maçonaria faz? 

De exterior e de concreto, temos pouco; ou seja, quem procure a Maçonaria como uma via para a intervenção Social no apoio ao seu semelhante, poderá sentir que não está no lugar certo. 

Resta-nos esperar que o interior seja suficiente; restamos esperar que “a construção interior de um homem melhor…” dê frutos e ter esperança que a capacidade de fazer com que os recém iniciados percebam o mais precocemente possível o valor deste processo e que o valorizem, permita suplantar eventuais outras expectativas não correspondidas.

Creio ser possível agrupar os candidatos em três grupos, em função das suas expectativas e perfis:

1- Tontos, sonhadores, negociantes e pessoas à procura de substitutos terapêuticos para o dominó no jardim: para este grupo, não temos (nem devemos ter) nada que lhes possa interessar. 

Importa detectá-los o mais precocemente possível e desiludi-los – implica desde logo que os seus “padrinhos” tenham consciência disto e sejam o primeiro filtro.

2- Candidatos com um vertente mais espiritual: Creio ser fundamental mostrar-lhes o caminho, o método, e acompanhá-los o melhor possível na sua progressão. 

É importante que reconheçam e valorizem as possibilidades de crescimento individual que a Maçonaria lhes pode proporcionar.

3- Candidatos com uma vertente mais forte de solidariedade e ajuda ao próximo: devemos avaliar se temos uma resposta suficiente para este grupo e devemos tê-la – é importante que se identifiquem oportunidades para que a Maçonaria se torne um verdadeiro parceiro em termos sociais, evitando assim que tenda a ser vista (injustamente) como um grupo de pessoas que ninguém sabe o que faz, mas que eventualmente o que faz, é mais em função dos seus interesses, do que em benefício da sociedade.

À guiza de conclusão deste texto que já vai longo, deixo mais algumas perguntas:

Até que ponto o foco na quantidade e não na qualidade, abriu a porta a McMaçons, que, até que percebam que aqui não se vende fast-food “maçónico” e que talvez seja preferível ir bater a outra porta, vão deixando a sua marca na Ordem, marca essa que nem sempre é boa?

Como deve ser interpretada a quantidade de Mestres que tendo passado os dois graus anteriores, se afastam, muitas vezes continuando a pagar quotas, como se se quisessem afastar, mas não romper a sua ligação?

Estão os Irmãos que escolhemos para liderar, devidamente motivados / preparados / disponíveis / alerta para a necessidade de termos Lojas motivadoras em que cada sessão e cada actividade acrescente algo à vivência dos Irmãos?

Deverá a tentação de mostrarmos ao exterior aquilo que julgamos que o exterior quer ver – uma instituição focada nos aspectos sociais e na solidariedade -, sobrepôr-se ao que realmente sabemos fazer bem e para o qual a Maçonaria foi criada: uma instituição vocacionada para transformar homens bons em homens ainda melhores?

O futuro da Maçonaria joga-se em quatro “Is”:

1- Identificação dos candidatos,

2- Inquirição dos candidatos,

3- Iniciação dos profanos,

4- Instrução dos membros

Estaremos a preparar convenientemente todos os envolvidos, para assegurar que cada profano que passa por este processo se torne num caso de sucesso como Maçom? 

Estaremos bem organizados em termos de acolhimento, formação e acompanhamento, para detectarmos precocemente os problemas e resolvê-los antecipadamente?

A análise profunda destes quatro I’s é um excelente tema para trabalhos que desde já desafio os leitores a fazer. 

Cá estaremos para os publicar.

Se de cada ato, de cada palavra, não resultar o enriquecimento interior dos Membros da Ordem, se a Ordem não integrar a vida dos Membros, então os Membros poderão não integrar a vida da Ordem.





UMA JORNADA ALQUÍMICA NO CORAÇÃO DOS MAÇONS - Wagner Tomás Barba

 


DESVENDANDO OS MISTÉRIOS DA ARTE REAL: 

UMA JORNADA ALQUÍMICA NO CORAÇÃO DOS MAÇONS

Introdução

Desde tempos imemoriais, a humanidade tem buscado compreender os mistérios do universo e do próprio ser. Nas antigas tradições, encontramos vestígios dessa busca incessante por conhecimento e iluminação espiritual. Uma dessas tradições é a Maçonaria, uma sociedade discreta e antiga, envolta em mistério e simbolismo, que tem fascinado e intrigado inúmeras mentes ao longo dos séculos.

No cerne da Maçonaria reside a chamada "Arte Real", um conjunto de ensinamentos e práticas destinados a guiar os iniciados em sua jornada rumo ao aprimoramento pessoal e à compreensão dos segredos do universo. Mas o que realmente acontece no coração dos maçons que desvelam o verdadeiro significado dessa Arte?

A Transformação Alquímica do Ser

Comparável aos alquimistas que buscavam a transmutação dos metais vulgares em ouro, os maçons que mergulham nas profundezas da Arte Real empreendem uma jornada de transformação interior. Não se trata apenas de adquirir conhecimento intelectual, mas sim de vivenciar uma metamorfose qualitativa do caráter e da consciência.

Assim como o alquimista trabalha em seus cadinhos e retortas para purificar os elementos e alcançar a pedra filosofal, o maçom se empenha em purificar suas próprias imperfeições e limitações, buscando atingir um estado de elevação espiritual e moral. É um processo árduo e exigente, que demanda autoconhecimento, disciplina e dedicação.

O Desvelar de Visões

À medida que o maçom avança em sua jornada iniciática, ele se depara com um mundo de simbolismo e significados ocultos, que gradualmente vão se revelando diante de seus olhos. Assim como o cientista desvenda os mistérios da natureza por meio da observação e experimentação, o maçom desvela os segredos da Arte Real por meio da contemplação e reflexão.

Cada símbolo, cada ritual, cada ensinamento transmitido na loja maçônica possui múltiplas camadas de significado, que ressoam no âmago do iniciado e o conduzem a uma compreensão mais profunda da realidade que o cerca. É como se um véu fosse gradativamente retirado de seus olhos, permitindo-lhe enxergar além das aparências e alcançar uma percepção mais aguçada do mundo e de si mesmo.

A Percepção do Todo e da Parte

Um dos aspectos mais fascinantes da jornada maçônica é a capacidade de perceber a interconexão entre todas as coisas e compreender qual é o papel individual dentro do grande esquema universal. Assim como o cientista estuda as leis que regem o universo para compreender sua posição relativa no cosmos, o maçom contempla os mistérios da criação para discernir sua função e responsabilidade como agente ativo no mundo.

Ao transcender as limitações do ego e expandir sua consciência para abarcar a totalidade do ser, o maçom se torna capaz de perceber a beleza e a harmonia que permeiam todas as coisas. Ele compreende que cada indivíduo é uma peça essencial no grande quebra-cabeça da existência, e que suas ações reverberam por todo o tecido do universo.

Como já dizia o Grande Chefe de Seattle: “Não somos a teia da vida, mas apenas um de seus fios.”

Consequência: O Caminho da Sabedoria

Assim sendo, podemos dizer que a jornada maçônica é uma busca pela sabedoria e pela verdade interior. Assim como o alquimista que busca a pedra filosofal para alcançar a iluminação espiritual, o maçom busca a compreensão dos mistérios da vida e a realização plena de seu potencial humano.

Na senda da Arte Real, ele encontra não apenas um conjunto de ensinamentos e práticas, mas sim um caminho de autotransformação e crescimento espiritual. É uma jornada que desafia as noções convencionais de realidade e transcende as fronteiras do conhecimento humano, conduzindo o iniciado a uma compreensão mais profunda de si mesmo e do universo que o cerca.

Portanto, que cada maçom que se aventura nessa jornada esteja ciente do desafio que o aguarda, mas também da promessa de realização e plenitude que o acompanha. Pois na senda da Arte Real, aquele que busca com sinceridade e determinação encontrará, no final, a luz da verdade que iluminará seu caminho para a eternidade.



UMA LEITURA SUBJETIVA DO TRIDENTE NA MAÇONARIA - Ivan Froldi Marzollo


Considerado um Símbolo solar e mágico que representa o Poder, a Força, o Universo, o “Tridente” é um objeto que lembra um garfo contendo 3 pontas. Foi utilizado como uma arma pelos gladiadores na Antiguidade, porém foi substituído por lanças com apenas uma ponta. Na Mitologia este Símbolo ganha maior destaque.

Na Mitologia Celta e Nórdica, o “Tridente” é um Símbolo Sagrado usado por qualquer homem cujo objetivo era a união sexual com a Deusa Tríplice, sendo usado principalmente em rituais de fertilidade. Na Mitologia Hindu, o “Tridente” também é conhecido como “Trishula”, sendo o emblema do Deus Shiva. O “Trishula” representa a Força e a União, e é o objeto carregado por Shiva, o Deus da Destruição, que pode ainda simbolizar a Tríade: passado, presente e futuro. Da mesma maneira, outra Divindade Hindu é figurada com um “Tridente” nas mãos, o antigo Deus do Fogo “Agni” montado em seu carneiro.

Na Mitologia Africana, “Exu”, o Orixá Mensageiro da Comunicação e do Movimento, carrega um “Tridente” que simboliza o Poder, a Força e os Mistérios. Assim, as três pontas do “Tridente” buscam a Evolução Espiritual por meio da Sabedoria e do Equilíbrio. Nas Mitologias Romanas e Gregas, os Deuses das Águas Subterrâneas e Submarinas, “Netuno” (Romano) e “Poseidon” (Grego), carregam um “Tridente” ou um arpão de três pontas.

O Símbolo da Psicologia é o “Tridente” que também representa a 23ª letra do alfabeto grego, o “Psi”. Ele igualmente pode representar a Tríade das forças presente na Teoria Psicanalítica de Sigmund Freud, sendo elas o id (inconsciente), ego (pré consciente) e o superego (consciente). Além disso, cada ponta do tridente, pode representar o tripé das correntes psicológicas, o comportamentalismo, a psicanálise e o humanismo; e, ainda as três pulsões humanas: a sexualidade, a espiritualidade e auto conservação (alimentação).

Emblema do Deus supremo do Hinduísmo, na Índia, o tridente chamado de “Trishula”, que representa a força e a união, é o objeto carregado por Shiva, Deus da energia criativa, da transformação e da destruição. Com efeito, o trishula (tridente), símbolo solar, representa na figura de Shiva, os raios e seus três papéis, ou seja, o destruidor, o criador e o preservador; e ainda, pode representar as tríades: inércia, movimento, equilíbrio ou passado, presente e futuro. 

Da mesma maneira, outra divindade hindu é figurada com um tridente nas mãos, ou seja, o antigo deus hindu do fogo, Agni, montado em seu carneiro. "O tridente é uma simbologia magística do ternário em conjunção com a mãe terra, ou seja representa as três pontas voltadas para cima, buscando alcançar o limiar das alturas e com isso, a evolução espiritual que se faz necessário a todos os seres, quer sejam encarnados, quanto desencarnados, e sendo que a sua base vai a terra, é indicativo que essas entidades (Exus e Pombagiras) estão atreladas à vida mundana da terra e com ela buscam a sabedoria e o equilíbrio necessário para que assim possam crescer materialmente.

O tridente em si mesmo, possui os quatro elementos primordiais: o ar água e fogo devido as suas três pontas voltadas para cima, e ao elemento terra (que é associado simbolicamente pelo numero 4) devido a haste central que tem como base a terra, formando em si mesmo uma ferramenta magisticamente perfeita" o tridente representa os quatro elementos primordiais: a água, o fogo, o ar (três pontas voltadas para cima) a terra (ponta central voltada para baixo) e, por isso, trata-se de um símbolo da união, do universo, da totalidade. É associado à trindade divina: aquele que cria, o que preserva e o que dissolve e transforma. Segundo os cristãos: Deus Pai, Deus Filho e o Espirito Santo. Segundo o Hinduísmo: Brahma, Vishnu, Shiva. Respetivamente para ambas as religiões.

Tal como na religião Católica em que, enquanto o Pai e o Filho trabalham com as almas individualmente, O Espirito Santo trabalha com a coletividade de todas as almas, sendo o seu principal objetivo fazer cumprir o Plano Divino inicial da melhor forma purificando e eliminando os desvios, Shiva – o seu correspondente, age da mesma forma e, por isso é chamado de o benéfico. 

No contexto mais amplo da espiritualidade, o tridente pode representar a trindade divina, como a união do Pai, Filho e Espírito Santo no cristianismo. Ele também pode simbolizar a tríade de corpo, mente e espírito, ou os três aspectos da divindade feminina: donzela, mãe e anciã. Após explorar diferentes visões e interpretações sobre o que significa tridente no mundo espiritual, podemos concluir que esse símbolo possui significados variados e multifacetados. Ele representa poder, proteção e conexão com forças divinas em diversas tradições espirituais. A prática e o estudo dessas tradições podem ajudar a aprofundar nossa compreensão e experiência do tridente no mundo espiritual.

Mistério (do grego mystérion) é um termo que vem do verbo myéin, que significa calar. Assim, o termo mýstes se aplica a tudo que se fecha, e por derivação temos o místico, (mystikós), que se refere a quem conhece e guarda os Mistérios. E por derivação, também, temos o termo myesis, que designa os ritos que se ligam a essas tradições, ou seja, o que chamamos de iniciáticas, quatro elementos da natureza (água, terra, fogo e água), são também reminiscências de antigos rituais. 

Os quatro arquétipos do psiquismo humano, segundo as tradições desses povos, que são o guerreiro, o xamã, o visionário e o sábio, são ecos dessa tradição longínqua, nas quais a intuição dos povos mais ligados a natureza nos dão uma formidável lição de sabedoria e como associamos o símbolo do tridente cinge este conhecimento. 

Na mística própria das sociedades iniciáticas, trata-se de uma semente que é plantada na sua alma e deverá, a partir do momento de sua iniciação, começar sua marcha em busca da iluminação, à semelhança da semente que é lançada ao solo, e depois de um período de incubação, inicia sua ascensão em direção ao sol, a base no solo e as três pontas corpo mente e espirito. Mesmo o catolicismo, cuja doutrina condena abertamente todas as formulações rituais dos povos antigos, por considerá-las pagãs, não deixou de incorporar á sua liturgia diversos elementos de magia ritual dm suas sagrações, como o compartilhamento da hóstia, os ritos da Paixão e Morte de Jesus, a Missa do Galo, etc. 

E nesse particular, também é interessante notar que alguns evangelhos gnósticos mostram um Jesus místico, praticando rituais de iniciação com seus discípulos. Nesse sentido, até a morte de Lázaro, descrito no Evangelho de São João, como um dos seus mais impressionantes milagres, teria sido, na verdade, um ritual para demonstrar aos seus discípulos o poder da sua doutrina de regeneração .

É certo que uma boa parte do simbolismo maçônico é proveniente de antigas tradições como os pitagóricos, os quais forneceram as bases do conhecimento arcano utilizado pelos profissionais dos antigos Collegia Fabrorum romanos. A Arte Real, pois esta era uma manufatura que integrava o espírito religioso, feito para ligar o homem com a divindade, com o espírito da ciência, feito para o homem desenvolver na terra, a obra do Criador.



maio 14, 2024

O SONHADO E O POSSÍVEL - Sebastião Telles Filho


O sonhado e o possível sob a perspectiva de uma Loja Maçônica

Com a simples entrega duma proposta de admissão nos Augustos Mistérios a um candidato, temos o inicio daquilo que podemos chamar de ‘vínculo tácito’, sim, tácito, porque esta vinculação não compromete o futuro adepto materialmente a loja que fora representada pelo Mestre observador externo (expressão autoral), uma QUALIDADE importantíssima para a manutenção do status quo da Instituição.

A possibilidade de se sentir pertencido a um grupo, associação, clube, religião, sempre despertou no ser humano interesses com as mais diversas variáveis: bem comum, status, poder, prestigio, etc, e ouso a afirmar que isto faz parte do processo civilizatório.

De toda sorte, a forma de ingresso têm suas particularidades, mas não há a olhos vistos, alguma instituição que trabalhe a entrada do iniciando com tanta preocupação em desenvolver nos sentidos humanos características essenciais ao seu desenvolvimento, o Divino e a Ciência.

Como a síntese se faz necessário no “Quarto de hora do Tempo de Estudos”, não aprofundaremos na iniciação em si, mas na consequência desta, e é aí, que nos deparamos com o sonhado e o possível.

Ensina o Prof. Bauman que, há mais de dois milênios, os sábios da Grécia desenvolveram a noção de PAIDEI, ou seja, uma ideia de transformação por toda a vida. No mesmo sentido, o historiador Luis Antônio Simas, um estudioso da filosofia africana, nos apresenta a importância da oralidade e a sua força quando emanada a partir dum Griot, cuja representação da honra, conhecimento e experiência são matérias primazes para a comunidade a que pertença.

Nestas duas referências em análise de comparação, nos esclarece que o desejo de pertencimento do individuo a uma Loja está vinculado à transformação pessoal. Ora, se nos deparamos com um arcabouço de símbolos, obras cientificas, e até mesmo MAÇONS, cujo seus atos, positivos ou negativos, nos são referências de fazer e não fazer, a Loja na representação do seu quadro de obreiros tem dois tensionamentos que titulam este artigo, o sonhado e o possível, em contra ponto, como já revelado, a paixão pela sociabilidade e, paixão pela individualidade. Este tipo de dualidade de intenções e dialética impacta objetivamente a Loja. (façamos um regresso de memoria…)

Levando em consideração as grandes diferenças individuais que são importantes para a maçonaria, e estas dão sentido ao NIVELAMENTO proposto, a Loja espera que a dedicação e os compromissos assumidos em posição genuflexa diante do Sagrado, tragam para ela o tão sonhado Maçom ideal…

A psicologia nos ensina que a construção do IDEAL DE EGO, é iniciada em casa, na escola, nos espaços de lazer, ou seja, o homem adquire e projeta modelos de convivência social fundada nestas experiências.

Sonhamos com obreiros úteis e dedicados, no entanto, não é o caminho que faz o caminhante, e sim o contrario. Ouvimos inúmeras vezes que uma de nossas Obras importantes é o auto desbastar, e este dar-se-á cada qual ao seu TEMPO. Porém, a Loja é a GRANDE OBRA FÍSICA que, diante de tantos trabalhos individuais, alguns complexos, outros menos, precisa do MAÇOM POSSÍVEL.

Um ótimo exemplo sobre o sonhado e o possível vem do Rev. Marthin Luther King, e do nosso herói da Pátria Luís Gonzaga Pinto da Gama. MLK toma conhecimento dos casos de racismo em Montgomery/Alabama, em especial, a uma senhora, Rosa Parks, que sofre a violência no interior de um coletivo por APENAS sentar em local EXCLUSIVO para brancos. Saldo: desencadeia-se um boicote a empresa de ônibus em virtude do fato. O Rev. King lidera o feito com enorme adesão forçando a prestadora de serviço rever sua politica de segregação.

Luís Gama (1830 – 1882) nos reforça a ideia de sonhado e possível, rábula com uma percepção apurada para a publicação das legislações garantistas do século XIX, como por exemplo, a Lei 07 de Novembro de 1831 (escravos que entrarem no território ou portos, ficam livres), entre o sonhado e o possível, este advogado percebeu que a constituição do império 1824 e a lei infraconstitucional (apelidada para inglês ver) abriam possibilidades para garantir liberdade de mais de 500 negros que entraram por estas terras pós o advento da normativa que, até então, não havia noticias de sua eficácia. Luís Gama, muito influenciado pelos ideais maçônicos à sua época, e, sobretudo, membro fundador da Loja América junto a Rui Barbosa, levou a júri as demandas dos invisíveis argumentando que entre o sonhado e o possível, há um abismo, mas nada nos impede de se construir pontes…

Irmãos, quando vos apresento dois personagens com características tão díspares e similares, torno a lembrar que ambos são construtores sociais que pautaram seus objetivos na busca do sonhado e do possível, ambos tiveram dificuldades, hesitações, e quem não as tem? Mas optaram por construir pontes.

A preparação do caminho inicia-se bem antes do futuro postulado. Aquele quem um dia receberá a proposta, se dê conta que haverá o momento de se bater a porta do Templo, o sonhado torna-se possível pelas mãos do Observador Externo, a quem chamamos de padrinho. É neste momento que nos diferenciamos dos demais, ainda que eles, os profanos, sejam bons cidadãos, profissionais, altruístas, em alguns casos sacrificam-se pela humanidade, ainda assim, é em nossa oficina que exercitamos o autocontrole, o autoconhecimento, e a conexão com Aquele que tudo vê!

Sonhar é intangível, porém, o possível é construível.

E é neste sentido que se segue a Grande Obra, despertando mentes e corações pois, os verdadeiros obreiros da Arte Real, aqueles que ajudam o VENERÁVEL MESTRE a abrir a Loja, têm por OBRIGAÇÃO ser exigentes consigo mesmos, e tolerantes para com os outros.

Entretanto, se faz mister o exercício inexorável do SER-VIR e não VIR-a-SER, pois o primeiro não esmorece com a rudeza do caminho.