julho 22, 2025

SER FIEL É ARTE - Mauricio Nunes


Não foi apenas um beijo. Foi um espelho.

Quando a câmera passeou pelo estádio lotado no show do Coldplay, ela não flagrou apenas um casal envergonhado. Ela expôs um dilema antigo da humanidade — aquele que atravessa séculos, civilizações e consciências: o conflito entre a ética e o ego, entre o amor duradouro e a sedução do instante, entre a decência e o delírio de se achar acima das consequências.

A plateia riu. Chris Martin fez uma piada. O TikTok explodiu. E o CEO? Caiu de um cargo milionário, de um casamento, de um pedestal moral que ele achava que era só decorativo. Mas ele não despencou porque foi filmado. Ele tropeçou muito antes, quando achou que cargos, títulos ou charme o blindavam das consequências de suas escolhas. Quando acreditou que o segredo bastava. Mas o segredo é como uma dívida: quanto mais se esconde, mais caro se torna.

E tudo isso a troco de quê?

De um abraço que não era seu. De um beijo que não pertencia à sua história. De um prazer que passa, deixando um vazio que permanece. Em nome do "direito à felicidade", muitos abandonam o dever da lealdade. Confundem liberdade com licenciosidade, confundem aventura com ausência de caráter.

A verdadeira grandeza, nobre leitor, está em sustentar aquilo que se construiu. Em cuidar da mulher (ou do marido) que esteve ao seu lado quando nada havia. Em sentar-se à mesa com os filhos, sabendo que eles olham para você como espelho do que é certo. Ser correto nunca foi fácil, mas é a única forma de dormir com a consciência limpa. Porque o travesseiro, esse sim, nunca mente.

Vivemos em um tempo onde se romantiza a traição e se desdenha da família. Onde a fidelidade virou piada e a pornografia virou plano de fundo da vida. Mas ainda há quem escolha o caminho da honra. Quem entende que amor não é apenas sentimento: é compromisso. É renúncia. É pacto.

A tentação estará sempre por aí: cada vez mais jovem, mais fácil, mais sexy e mais ousada. Mas o que ela não te diz é que, depois dela, vem o silêncio. A perda. A vergonha. O arrependimento.

Não se trata de puritanismo, amigos. Trata-se de humanidade. Porque ser fiel à sua família, ao seu lar, aos seus valores — isso sim é ser superior. O resto é só vaidade com prazo curto de validade.

Mas por que isso nos fascina tanto?

Porque todos nós, em algum nível, vivemos cercados de tentações: nos deparamos diariamente com corpos esculpidos, likes fáceis e a doce ilusão de que a vida está sempre em outro lugar — geralmente sem aliança (ou compromisso) no dedo. Mas poucos se dão conta de que o verdadeiro luxo hoje é manter uma família em pé. É acompanhar o dia a dia do seu filho. É lembrar do aniversário da esposa sem a ajuda do Facebook.

Ser correto não é moda. É nos dias atuais quase que uma  subversão.

O CEO (Andy Byron) da vez caiu porque achou que podia tudo. A amante sorriu como se tivesse vencido um leilão. E a esposa? Bem, como toda mulher inteligente na história da humanidade, ela tirou o sobrenome, os sentimentos e o marido — nessa ordem.

No fim das contas, é isso: Trair é humano, mas ser fiel é arte. E ser flagrado pela “kiss cam” do Coldplay…bom, isso é só burrice mesmo.


Fonte: A Toca do Lobo 🐺 Facebook 

*AMVBL* ACADEMIA MAÇÔNICA VIRTUAL BRASILEIRA DE LETRAS - Adilson Zotovici


Há quatro anos passados 

Com amor, sabedoria 

Por irmãos selecionados 

Os planos em confraria 


De vontade, pois armados 

Naquele histórico dia 

Pela cultura irmanados

Propositura surgia 


Neste tempo devotados 

A templo de filosofia 

Na trajetória de letrados 

Por história , poesia  


Um grupo de abnegados 

Capaz, com ideal mestria 

Pela Arte Real levados 

Obra primaz plantaria 


Livres pedreiros liados

Empenhados à porfia

Em bons canteiros buscados 

À obra que se erigia  


E cultos ora chegados 

Grandes vultos de valia 

Agora iguais ligados

Como outrora... em sintonia 


Seguem a obra denodados

Às letras em serventia 

De sobra pois contemplados 

Com nossa Douta Academia ! 



julho 21, 2025

 Spinoza e a Maçonaria

Jean-Jacques Zambrowski

Por

Jean-Jacques Zambrowski

25 de janeiro de 2025

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Em pouco mais de 40 anos, tive a sorte de descobrir gradualmente os 33 graus do Rito Escocês Antigo e Aceito. Mas, vinte anos antes de me tornar maçom, tive a sorte de ter um professor de filosofia que me apresentou a Spinoza, de quem ele era um notável admirador e conhecedor. Desde então, nunca mais parei de lê-lo e relê-lo.


É Spinoza, filósofo, pensador, que evocarei aqui, procurando mostrar em que medida seu pensamento está em consonância com os fundamentos espirituais da Ordem Maçônica, com o Rito Escocês Antigo e Aceito, e em que medida sua concepção está em fase com o que é para nós, e em todo caso para mim, o Grande Arquiteto do Universo.



Baruch Spinoza nasceu em Amsterdã em 1632. Sua família portuguesa havia fugido da Inquisição Ibérica para viver nos Estados Unidos, uma antiga possessão espanhola que se tornara independente e mais tolerante. Seu pai, Miguel, era um renomado comerciante na importação e exportação de frutas secas e azeite de oliva, e um membro ativo da comunidade judaica, enquanto sua mãe faleceu quando ele ainda não tinha seis anos.


Judeus portugueses ou judeus de ascendência portuguesa falam holandês com seus concidadãos, usam o português como língua cotidiana na comunidade e escrevem em espanhol.

Quanto à reflexão filosófica, Espinosa escrevia em latim, aprendido com um ex-jesuíta, como quase todos os seus colegas europeus.


Baruch Spinoza também lia alemão, francês, italiano e grego antigo, mas como seus pais queriam que ele se tornasse rabino, ele adquiriu um conhecimento profundo da lei escrita e também acessou comentários medievais sobre a Torá, bem como filosofia judaica.


Em 27 de julho de 1656, Spinoza tinha 23 anos e foi excomungado por heresia, embora nenhum documento registre seus pensamentos naquele preciso momento, pois ele tinha apenas 23 anos e ainda não havia publicado nada.



Mas sabemos que nessa época ele frequentou a escola de um filósofo republicano, onde descobriu a Antiguidade, notadamente Terêncio, e os grandes pensadores dos séculos XVI e XVII, como Hobbes, Bacon, Maquiavel e Descartes, cuja filosofia teve uma influência bastante profunda sobre ele.


Daquele momento em diante, ele professou que não há Deus exceto "filosoficamente entendido", que a lei judaica não é de origem divina e que não é proibido buscar uma melhor...


Após sua exclusão da comunidade judaica portuguesa em 1656, Spinoza estudou filosofia "e ganhou a vida cortando lentes para óculos e microscópios e demonstrou generosidade apesar de sua grande modéstia.


Por volta de 1660, recebeu a visita de Henry Oldenburg, secretário da Royal Society, com quem posteriormente estabeleceu uma longa e rica correspondência. Vale lembrar que Newton, membro e então presidente da Royal Society, teve como colaborador mais próximo Jean-Théophile Désaguliers, primeiro Grão-Mestre da primeira Grande Loja, criada em Londres em 1717.


Afastando-se cada vez mais das concepções de religiões que considerava estreitas, Espinosa foi cada vez mais atacado como ateu. Nesse contexto de tensão, interrompeu a escrita da Ética para compor o Tratado Teológico-Político, no qual defendeu "a liberdade de filosofar" e contestou a acusação de ateísmo. Seu pensamento ousado lhe rendeu a visita de admiradores e figuras como Leibniz.


A pedido de seus amigos, ele começou a escrever um Compêndio de Gramática Hebraica. Mas sua saúde era frágil e, apesar de um estilo de vida frugal, ele morreu aos 44 anos em 21 de fevereiro de 1677, em Haia. Suas últimas palavras teriam sido: "Servi a Deus de acordo com as luzes que ele me deu. Eu o teria servido de forma diferente se ele me tivesse dado outras."


Esta é a vida deste homem do século XVII , cujos pensamentos continuam sendo uma fonte de inspiração e até mesmo apoio para muitos hoje.


Detenhamo-nos, portanto, mais precisamente neste pensamento e na relação que vejo nele com o que conservei de quatro décadas de Maçonaria.


No Tratado da Reforma do Entendimento, Spinoza distingue vários tipos de percepção:


I. Há um conhecimento por ouvir dizer, isto é: livremente identificado e qualificado por cada um.


II. Existe uma percepção dita "empírica", pela qual, ao experimentar uma sensação ou sentimento comumente compartilhado por outros indivíduos, o fixamos como "adquirido". Essa percepção não é elaborada pelo nosso entendimento, mas é, ainda assim, validada na medida em que nenhum fato contraditório parece se opor a ela.


Esses dois primeiros modos de percepção têm em comum o fato de serem "irracionais", embora sejam úteis para a condução das atividades cotidianas. Mencionemos agora os outros dois tipos de percepção:


III. Existe a chamada percepção "dedutiva", que consiste em concluir de forma coerente e racional que um fato observado ocorreu. O raciocínio, então, nos leva a esclarecer um princípio, mas não sua origem.


IV. Finalmente, há uma percepção chamada "essencial" ou "elementar", em virtude da qual apreendemos a própria essência da coisa percebida. Perceber essa coisa, portanto, equivale, aqui, a perceber sua essência ou "princípio primeiro".


Vemos que o terceiro modo de percepção é, portanto, uma forma de preservar e transmitir a verdade a partir de um ponto de partida (princípio), mas não de produzi-la. E o quarto modo é o do conhecimento intuitivo.


E àqueles que condenaram Spinoza por ateísmo, devemos responder citando o próprio Spinoza, que escreve no Tratado sobre a Reforma do Entendimento: "Temos uma ideia verdadeira". Essa ideia verdadeira é a de Deus, que é "aquilo que é em si".


Espinosa fundamentará sua concepção de verdade recorrendo à matemática, uma ciência na qual a verdade não está subordinada à existência do objeto. A verdade, portanto, não se define em relação ao objeto, mas em relação ao entendimento que produz o conhecimento.                                                                                 


Não preciso, é claro, relembrar aqui até que ponto nós, maçons, buscamos incansavelmente a verdade. "A verdadeira luz é a da Razão, da Verdade, da "verdadeira filosofia" ou mesmo da "física sólida". A verdade existe, em si e para si, atemporal e absoluta, e é em seu nome que o filósofo fala.


No primeiro livro da Ética, intitulado " Sobre Deus ", Spinoza mostrará que existe na natureza apenas uma substância e que é Deus.


E é aqui que Spinoza marca para sempre o pensamento do homem ao escrever que existe apenas uma substância única, absolutamente infinita e composta de uma infinidade de atributos: Deus, isto é, a Natureza, que Spinoza escreve na forma Deus sive natura .


Deus é, portanto, a Natureza, a Substância única e infinita. O indivíduo supremo é a totalidade da Natureza, que não muda: sua relação de movimento e repouso é dada pelas leis da física, e essas leis nunca mudam.


O poeta, teólogo e filósofo alemão Herder, discípulo de Kant e amigo e mentor de Goethe, escreveu: "Que Spinoza não é ateu fica evidente em cada página; a ideia de Deus é para ele a primeira e a última de todas, pode-se dizer, a ideia única à qual ele conecta o conhecimento do mundo e da natureza, a consciência de si mesmo e de tudo ao seu redor."


Hegel também refutou a qualificação do espinosismo como ateísmo, considerando que longe de negar a existência de Deus, pois seria a existência do mundo que Espinosa negaria, Espinosa reconhece o Absoluto infinito, inclusive o não manifestado, como única realidade, ideia defendida por Parmênides, mas também por Kant, Hegel e Schopenhauer.


Para Spinoza, portanto, Deus não é externo ao mundo, mas imanente à Natureza; portanto, ele não é nada além da Natureza.



Um ponto vale a pena enfatizar: Espinosa rejeita explicitamente qualquer concepção antropomórfica de Deus, isto é, qualquer concepção dele à imagem de uma "pessoa" humana. Ele escreve: "É incorreto dizer que Deus odeia ou ama certas coisas".


Spinoza questiona o homem e suas paixões e desenvolve a noção de conatus, isto é, de esforço, que permite caracterizar o homem pelo desejo que se torna vontade e fonte de alegria quando, pelo conhecimento adequado daquilo que nos determina, aumenta nossa potência de ser.


Nos humanos, o conatus se expressa na alma, mas também no corpo. O corpo busca espontaneamente o útil e o agradável; a alma, por sua vez, busca espontaneamente o conhecimento.


É também o esforço de vivenciar a alegria, de aumentar o poder de agir, de imaginar e encontrar o que causa a alegria, o que mantém e promove essa causa.


Spinoza escreve que é também o esforço para afastar a tristeza, para imaginar e encontrar aquilo que destrói a causa da tristeza, sendo o conatus , portanto, o esforço para aumentar o poder de agir ou experimentar paixões alegres.


Quanto à satisfação pelos esforços empreendidos, Spinoza escreveu: "A satisfação interior é, na verdade, a maior coisa que podemos esperar". Que alegria há nos corações!


Para Spinoza, somente Deus tem ideias, e o homem acessa suas ideias a respeito das ideias de Deus de acordo com seus limites, que são consubstanciais à sua qualidade humana.


Na Maçonaria, adquirimos, passo a passo, uma compreensão mais detalhada do nosso próprio potencial, dos nossos próprios limites e da extensão, sem limites de tempo ou espaço, da obra, em perpétua evolução, do Grande Arquiteto do Universo.


Não é necessário lembrar aqui que, em sua busca pela verdade e pela justiça, um maçom não aceita obstáculos e não impõe limites para si mesmo. E como minha própria vida é limitada, em minhas capacidades de conhecer e compreender tudo, portanto, de acessar a Verdade e de sempre agir com justiça e imparcialidade, se não com exatidão, espero que aqueles que vierem depois de mim concluam o trabalho antes de serem eles próprios substituídos e recolocados.


Acima de tudo, acreditamos que acessar a verdade significa entender a causa de nossos infortúnios individuais e coletivos e, portanto, progredir em direção à felicidade e à harmonia.


O trabalho na loja, grau após grau, permite ao iniciado refletir sobre os grandes arquétipos da psique humana: dever, vingança, justiça, amor, equidade, poder, mas também religião.


Passo a passo, o maçom escocês torna-se o verdadeiro sujeito de sua vida. Esse confronto com a realidade, repetido e difundido ao longo do tempo, é acompanhado por um objetivo intelectual e moral claramente definido.


Em seu Tratado Teológico-Político , Spinoza especifica que “ A justiça é uma disposição constante da alma de atribuir a cada um o que lhe é devido”.


Como cada um de vocês bem sabe, os maçons rejeitam preconceitos, como é exigido de qualquer um que busca incansavelmente a verdade, pois é óbvio que a busca pela verdade é uma jornada ao coração da Maçonaria, um caminho rumo à sabedoria e à virtude, convidando cada buscador a uma profunda introspecção, permitindo-lhe transcender sua busca pessoal.



Espinosa nos aparece mais de três séculos depois de sua morte como uma fonte de inspiração ainda hoje muito atual por seu pensamento radical e seu espírito crítico em relação às normas sociais e religiosas estabelecidas em seu tempo.


Ele defendeu a ideia de que a razão deveria ser nosso principal guia na busca pela verdade, em vez de crenças cegas impostas por instituições.


Essa abordagem está profundamente alinhada com os princípios fundamentais da Maçonaria, que incentiva cada um de seus membros a buscar conhecimento por si mesmo, em vez de simplesmente aceitar o que é dito sem justificativa real.


A Maçonaria considera a liberdade de pensamento um direito fundamental de todo indivíduo. Por meio de seus rituais e símbolos, nossa abordagem busca despertar o espírito crítico daqueles que a praticam, para que questionem os limites impostos por seu ambiente social e cultural.


Devemos ter a coragem de questionar leis injustas e nos comprometer ativamente com os direitos humanos, a justiça social e a equidade. Em última análise, quando Espinosa nos diz: "Refletir é ousar desobedecer", ele expressa a essência da Maçonaria, que nos encoraja a questionar dogmas estabelecidos, cultivar nosso pensamento crítico e mover a sociedade em direção a uma maior justiça e equidade.

Todos são encorajados a refletir por si mesmos. Foi isso que Espinosa nos convidou a fazer há mais de três séculos.

CRUZAR AS PERNAS NUMA SESSÃO - Luciano Rêgo


*Cruzar as Pernas numa Sessão Maçônica: Pode ou Não Pode?*

Você já se pegou cruzando as pernas numa sessão maçônica e depois se perguntou se cometeu um sacrilégio ritualístico? Pois é… essa dúvida é mais comum do que parece. E como bom curioso e observador que sou, resolvi investigar. Afinal, não queremos que um simples ajuste de postura quebre a egrégora, né?

🤨 *De onde vem essa história?*

No Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), a recomendação é clara: não cruze as pernas durante os trabalhos. O motivo? A postura corporal nesse rito é levada a sério. Cruzar as pernas seria sinal de desatenção, descaso ou até uma barreira simbólica para o fluxo das energias do templo. Ou seja, além de feio, pode ser interpretado como "fechamento espiritual". E você não quer ser o responsável por desalinhar o campo vibracional da loja, né?

Em alguns manuais do GOB e rodas de instrução, essa norma vem sendo passada há gerações. Postura ereta, pés paralelos no chão, atenção plena ao que acontece. Um verdadeiro treinamento militar esotérico. E há quem diga que até o Venerável nota essas pequenas "falhas de conduta ritualística".

☕ *E no Rito de York?*

Agora... no Rito de York — especialmente na forma britânica do Emulation Working — a história é outra.

Cruzou as pernas? Tá tudo certo, meu irmão.

Aliás, se estiver elegante e confortável, melhor ainda. Não existe nenhuma menção ritualística proibindo isso. Em fóruns e bate-papos entre irmãos de vários países, o consenso é: mantenha o respeito, mas não se torture. A postura aqui não precisa ser tão rígida. A formalidade existe, sim, mas ela caminha ao lado do conforto e da naturalidade.

Ou seja, no Rito de York, ninguém vai chamar o irmão de profano encarnado por um cruzamento de perna inocente.

🧘‍♂️ *Afinal, qual o problema com a perna?*

Não é a perna em si. É o simbolismo da atitude. No REAA, tudo que fecha o corpo (braços cruzados, pernas cruzadas, mãos nos bolsos) pode ser lido como um bloqueio à energia ritualística e à atenção. Já no Rito de York, esse rigor simbólico não está em primeiro plano. A fluidez do rito permite mais liberdade de expressão corporal.

😅 *Conclusão: A perna cruzada da discórdia*

No fim das contas, meu irmão, o que vale é o bom senso… e o rito da loja!

No Escocês, a perna cruzada pode até não tirar ponto na regularidade, mas arranca suspiro dos mais antigos. No York, só não sente no colo do irmão do lado que tá tudo certo.

Então fica a dica:

🔹 Se for numa loja do  REAA, mantenha os dois pés firmes no chão e a mente aberta.

🔹 Se for numa loja do York, pode cruzar as pernas (e escolha a perna mais confortável)— só não durma no processo.

No fim das contas, o que quebra a egrégora não é a perna cruzada, mas a mente fechada. 😉


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julho 20, 2025

MAÇONARIA, UMA REFLEXÃO NECESSARIA - Fuad Haddad

 

Uma palestra de extraordinária importância.

.?.



O AMIGO - Adilson Zotovici


No  Dia do Amigo, uma homenagem do maior poeta da maçonaria brasileira.

Obra prima de arquitetura 

Criada por Grande Arquiteto

Destinada a semeadura

De amor, carinho e afeto 


Ao solidário, eterno abrigo 

Nas tempestades, um bom teto 

Frente algum revés, ao perigo,

Quiçá o mais seguro projeto  


De justa e perfeita estrutura

Grande porte, de envergadura

O mais forte...novo ou antigo 


Um templo vivo e completo 

Beleza incomum, mas discreto 

 Bom e verdadeiro...”amigo” 



EM CÂMARA - Adilson Zotovici


Símbolos, enxofre, inscrições...

Furtivas no pequeno espaço

Clima ameno e desembaraço

Intuitivas perscrutações


Hiato da vida em compasso

Um cubículo às meditações

Como câmara das reflexões

Que no ato envida seu traço


Nas interpretativas visões

Alma e espírito em forte laço

Às definitivas decisões


Tal arcano, o primeiro passo

Que nasce o pedreiro às funções

E morre ali o profano baço !



FALANDO E CONVENCENDO - Heitor Rodrigues Freire


A palavra é o meio próprio e natural de expressão do ser humano, que é a única criatura que possui esse atributo. E a linguagem é o meio pelo qual a palavra se manifesta. A linguagem é, portanto, uma característica eminentemente humana.

E desde pequenos, pelo convívio diário com nossos pais e demais parentes, começamos a falar sem nos dar conta da importância da palavra, do seu significado e do que representa como fator de evolução mental e espiritual. A palavra faz parte do nosso patrimônio genético. As mudanças na sociedade se refletem na linguagem falada e escrita.

"A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto." (Provérbios 18:21)

Então, o uso da palavra constitui uma prerrogativa do ser humano. Para ser devidamente utilizada e aproveitada, necessita da consciência da sua natureza, do seu funcionamento e da sua utilidade. É uma faculdade tão importante que não pode ficar ao léu, ao sabor das circunstâncias, ao deus dará.

E para quem faz da palavra uma profissão, como os palestrantes, por exemplo, é necessário se dedicar ao seu aperfeiçoamento permanente para fazer bom uso dela. 

Dentro desse contexto, tenho um amigo de décadas e muito competente nessa arte, Michael Winetzki, escritor e palestrante consagrado, autor de diversos livros, como um guia para o Mercosul, livros com assuntos maçônicos, etc., e agora ele lançou a terceira edição do seu já consagrado livro “Falando e Convencendo”, que é um verdadeiro manual de oratória e persuasão, do qual tive o prazer de receber o primeiro exemplar há poucos dias.

O livro registra com muita competência sua longa experiência em técnicas de redação e

apresentação de textos e palestras. O livro está baseado em sua vivência prática na utilização das diversas etapas do processo de oratória. Este livro foi adotado na Faculdade Fortium, de Brasília, para os cursos de pós graduação na defesa oral de TCC (trabalho de conclusão de curso). 

Michael nasceu em Israel, e veio ainda menino com sua família para o Brasil. Sua curiosidade intelectual o levou a uma formação multifacetada. Estudou química industrial em Sorocaba e cursou faculdade de direito nas universidades Católica de Petrópolis e Cândido Mendes no Rio. Suas atividades o levaram a participar de treinamento de vendas e marketing no Brasil e nos Estados Unidos, especializando-se em comércio internacional. Após sua aposentadoria, dedicou-se em tempo integral à atividade de escritor e palestrante.

Michael é um palestrante muito ativo em centenas de Lojas Maçônicas, e também nos clubes de Rotary em todo o Brasil, pois é maçom e rotariano há mais de 40 anos. A venda de seus livros é 100% revertida para entidades beneficentes desde 1996. Nesse período, já foram arrecadadas mais de 200 toneladas de alimentos não perecíveis, milhares de agasalhos e material escolar, reformas de creches, etc. etc. etc.

“Falando e Convencendo” aborda, os seguintes tópicos, todos muito bem desenvolvidos de forma prática, objetiva e fruto da grande experiência de seu autor:  O que é comunicação, o processo de comunicação, comunicação não verbal, preparando o discurso, quando “dá branco”, retórica, argumentação e persuasão, exercícios para voz, etc.

Como se vê, o conteúdo é muito rico, abordando diversas situações que devem ser treinadas e aprimoradas para um bom desempenho nessa arte maravilhosa que Deus nos concedeu, a palavra – não só para brilhar em um palco, mas principalmente para nos comunicarmos da forma mais adequada.

Há quem diga que falar bem é um dom e, de fato, existem pessoas que já têm uma habilidade maior nessa arte. Mas isso de “ter um dom” é puro mito. Na realidade, qualquer um que se disponha a aprender, em pouco tempo, dependendo de sua dedicação, poderá se expressar de forma eloquente e inspiradora. Exatamente o que Michael demonstra no seu livro. Basta treinar e, naturalmente, seguir as dicas do livro, que ensina muitas técnicas.

Basicamente, a oratória serve de base para aqueles que desejam falar bem em público.

Enfim, já está no mercado essa obra que considero importante para quem quiser se especializar nessa arte fantástica.


FIM DO CICLO — FAMÍLIA -- Amilton Pessina


Se na tua linhagem o álcool foi praga… deixa que morra em ti. Que essa água amarga não siga correndo pelas veias das próximas gerações.

Se tua família tem histórico de abandono, de estudos interrompidos, de portas que nunca se abriram… seja você o portal.

Estuda, vai além, honra tua ancestralidade mostrando que a árvore também pode dar fruto forte, maduro e brilhante.

Se teus pais viveram um amor que não floresceu, cheio de dor e desencontro… seja você o altar de um amor verdadeiro.

Constrói tua união com base no respeito, na presença, na cura.

Se teu pai levantou a mão, seja você aquele que levanta a alma. Se tua mãe chorou calada, seja você a voz que canta alto a libertação.

Se tua raiz foi plantada na escassez… faz brotar abundância! Traz fartura não só pra tua mesa, mas pra tua alma e pra tua tribo.

Se teu sobrenome vem carregado de vergonha, de silêncio, de histórias não contadas… honra teus antepassados sendo luz, sendo diferente, sendo inteiro.

Você não é obrigado a carregar a dor que te deram como herança.

Você pode amar tua família e, ao mesmo tempo, encerrar os ciclos que machucam.

Não escolhemos de onde viemos, mas escolhemos com coragem pra onde vamos.

E isso, meu bem, muda tudo.

Você é a semente nova.

Você é o elo que cura.

Você é o fim do ciclo… e o início de um novo tempo.

ARLS TRÍPLICE ALIANÇA 341 - Noite dos caldos




Na noite de ontem, sábado, a minha querida Loja Tríplice Aliança 341 de Mongaguá, realizou uma deliciosa noite de caldos que aproveitou o friozinho de inverno para reagrupar os irmãos e suas famílias neste mês de férias de trabalhos maçônicos da GLESP. 
Alguns dos irmãos ainda estão em viagem, mas os que permaneceram na cidade vieram para confraternizar e se deliciar com os deliciosos caldos e sobremesas que foram oferecidos.
O Venerável Mestre Alexandre Lucena e sua.esposa, a cunhada Silvana, mais uma vez fizeram um magnífico trabalho de decoração do salão de festas da Loja.




julho 19, 2025

NAO É BEM ASSIM...- Jorge Gonçalves


A frase “A ausência de evidência não é evidência de ausência” é amplamente atribuída a Carl Sagan, especialmente por sua utilização no livro O Mundo Assombrado por Demônios (1995). No entanto, como diria um sábio: *não é bem assim*.

A formulação ou essência da frase já era discutida em 1895, no ensaio The Carrowmena Evidences, de Dugald Bell. Antes disso, em 1887, William Wright já havia desenvolvido o conceito em um sermão religioso, "argumentando que a falta de evidência da existência de Deus não provava Sua inexistência".

Em tempos de redes sociais, é cada vez mais comum que aforismos e frases de efeito sejam atribuídos de forma equivocada a autores famosos. Este é um exemplo clássico. Carl Sagan não criou a frase, mas a popularizou. No capítulo “O Dragão na Minha Garagem”, Sagan utiliza a expressão como ferramenta de crítica ao pensamento dogmático.

Atribuir corretamente uma frase ao seu autor original exige rigor histórico, metodologia de pesquisa e atenção aos detalhes. Afinal, como já diria o sábio:

.. "não é bem assim".


A ORIGEM DA PALAVRA "LOJA" - José Castellani


A verdade é sempre mais simples do que parece, ou do que a imaginam as mentes fantasiosas. É voz corrente entre muitos maçons, influenciados por obras pouco fidedignas, que a palavra LOJA, para designar uma corporação maçônica, seria originária da palavra sânscrita “loka”, que significa mundo. Sânscrito foi o nome dado ao idioma falado pelos invasores indo-europeus do Punjab, por volta do Século XIV antes de Cristo; tendo afinidades com o antigo persa, o grego e o latim, jamais foi uma língua popular, sendo restrita aos sacerdotes brâmanes e aos eruditos. Foi nesse idioma que foi escrita a literatura indicana mais remota, de inspiração filosófica e religiosa, constituindo os “Vedas”, coleção de hinos sagrados.

A verdade, todavia, é bem outra, mesmo porque “loka” significa, na realidade, espaço, lugar, tempo (como o “lócus” latino); a palavra LOJA tem sua origem nas GUILDAS medievais.

Entre as corporações de artesãos medievais (hoje chamadas de Maçonaria “Operativa”), destacavam-se as GUILDAS, características dos germânicos e anglo-saxões e que começaram a florescer no Século XII.

Anteriormente a essa data, elas eram entidades simplesmente religiosas e não formavam corpos profissionais. A elas se deve o uso da palavra LOJA.

Na antiga língua germânica, a palavra LEUBJA (pronúncia: lóibja) significava LAR, CASA, ABRIGO, e acabou dando origem a palavra de sentidos diferentes, em outros idiomas: LOGE, em francês, LODGE, em inglês, LOGGIA, em italiano, etc. Em italiano, a palavra LOGGIA passou a designar a entrada de edifício, ou galeria, usada para exposições artísticas e para a venda de mercadorias artesanais.

As GUILDAS DE MERCADORIAS passaram a adotar a palavra LOJA para designar os seus locais de depósitos, ou de vendas, ou seja, onde os produtos manufaturados eram armazenados e negociados. As GUILDAS ARTESANAIS, por outro lado, passaram a chamar de LOJA os seus locais de trabalho, ou seja, as OFICINAS dos Mestres artesãos.

Assim, das guildas de mercadorias originou-se o nome das casas comerciais, que são as lojas onde são vendidos os produtos fabricados, enquanto que das guildas artesanais originou-se a palavra que designa as corporações maçônicas e seus locais de trabalho, as LOJAS MAÇÔNICAS. Ambas as palavras, embora não tenham, atualmente, nada em comum, possuem a mesma origem, sendo interessante destacar que o primeiro documento maçônico (da Maçonaria de ofício) em que aparece a palavra LOJA data do ano de 1292 e era uma guilda.

Se aceitássemos que a origem da palavra LOJA está no sânscrito “loka” e se admitíssemos que ela significa “mundo”, estão as lojas comerciais também teriam o mesmo significado, o que seria um absurdo. Acrescente-se que o que representa o mundo, é o Templo maçônico, e não a LOJA, pois o termo é mais destinado a designar uma corporação maçônica, quando os seus membros reúnem-se num templo: ao final de uma sessão maçônica, a Loja é considerada fechada, pois os seus membros se dispersarão, mas o templo continua aberto, inclusive para outras lojas.

Vale repetir: a Verdade, geralmente, é bem mais simples do que pretendem os maçons imaginosos e cheios de fantasias, que acabam influenciando os demais, divulgando e perpetuando histórias fantásticas e inverídicas.


(Cadernos de Estudos Maçônicos – Consultório Maçônico de José Castellani, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. (2a edição).

julho 18, 2025

ÁGAPE - Marcelo Bezerra


Por mais antigo que seja o período da história pesquisado, verificamos que o ato de tomar as refeições sempre foi uma atividade social, no sentido de ser realizada coletivamente. Nos sítios arqueológicos mais antigos sempre são encontrados sinais de restos de fogueiras e alimentos (conchas e ossos) em quantidade suficiente para demonstrar esta ação do grupo.

Os sambaquis encontrados em vários lugares do Brasil são exemplos disto. Aliás, antes mesmo do domínio do fogo, sabe-se que a atividade extrativista era coletiva. Até mesmo, observando os nossos primos mais distantes, os gorilas e chimpanzés, notamos que também eles fazem suas refeições coletivas, sendo, segundo alguns estudiosos, fator de agregação do grupo.

Em recente documentário no Canal Discovery, apareceu concretamente a situação em que um novo membro é aceito na comunidade de Gorilas a partir do momento em que é permitido, pelos demais, participar das atividades de alimentação.

Ao longo da história da humanidade as refeições coletivas sempre apareceram de diferentes formas e com diferentes nomes. Assim vamos encontrar os jantares, banquetes, piqueniques, saraus, festas, convescotes, ágapes.

Nos momentos mais importantes da história tanto do ponto de vista político, como econômico e social, grandes e importantes decisões foram tomadas antes, durante ou depois de refeições.

Qualquer que seja o livro, o filme ou documentário e até mesmo em notícias de jornais, verificamos a procedência desta afirmação. A refeição conjunta ajuda a quebrar os espíritos e a selar compromissos. Alguém se lembra de algum encontro entre estadistas em que não apareça um almoço ou jantar na reportagem? Uma outra curiosidade, algum dos senhores parou para contar quantas cenas de refeições aparecem no filme “O Poderoso Chefão”? Para manter a coesão de uma “famiglia” se deve, realmente, precisar de muitas e muitas refeições coletivas.

Fazendo um giro de 180º lembremos o primeiro milagre de Cristo, aquele que o iniciou na sua vida pública: foi o milagre do Vinho, nas bodas de Canaã. Logo em seguida aparece a multiplicação dos peixes e pães. Mais do que o milagre, eu quero reforçar a existência da refeição coletiva após a pregação do sermão da montanha. Por fim, suas últimas instruções aos apóstolos, só poderiam ter tomado lugar na “Última Ceia”.

Os maçons operativos costumavam realizar suas refeições nos próprios canteiros de obras, nos intervalos e após os trabalhos. Costume este que percebemos em qualquer construção aqui em nossas cidades. Esta, entretanto, não era uma característica apenas dos pedreiros. Em todas as profissões, do tropeiro ao pastor, do madeireiro ao construtor, dos monges aos soldados as refeições coletivas existiam e existem e contribuem para agregar a coletividade.

Mas voltemos à maçonaria. Comer e beber juntos sempre foi importante para a maçonaria. Em todas as Lojas de todos os países, as decorações dos pratos, copos e outros utensílios utilizados nas refeições com símbolos maçônicos e brasões de Lojas demonstram a importância deste convívio para os Maçons.

Chama a atenção a palavra convívio, que no sentido etimológico tem o mesmo significado de banquete, esta última, palavra de origem francesa, devido a utilização de pequenos bancos — banquets, banquetas — nas refeições..

Bem, comecemos a alinhavar os pensamentos. Convívio vem de viver juntos, com fraternidade. Significa, também, a refeição realizada em ambiente fraternal. Por outro lado “banquete”, na sua origem, não possuía o significado pomposo que tem nos nossos dias. Poderíamos, então, até usar a expressão de “convívio ritualístico” para designar as refeições ritualísticas.

O “Banquete Ritualístico” é uma das mais antigas e sólidas tradições maçônicas. A Constituição de Anderson contém inúmeras referências e descrições sobre estas refeições. Como muito das obrigações consuetudinárias vem desse documento, vamos transcrever uma das passagens, a que está na página 54 do documento original. Não é nenhuma das que tratam dos importantes banquetes anuais para a escolha do grão-mestre, mas uma passagem singela cujo objetivo é ensinar bom comportamento aos Irmãos, e onde a refeição aparece como algo normal e cotidiano nas reuniões maçônicas:

“Conduta depois que a Loja terminou e antes que os Irmãos saiam.”

“Podeis diverti-vos com brincadeiras inocentes, tratando-vos uns aos outros segundo vossa maneira, mas evitando todo excesso, não forçando um Irmão a comer ou beber além da sua inclinação, e não o impedindo de sair quando seus negócios o chamarem, nem fazendo ou dizendo algo de ofensivo, ou que possa impedir uma conversação fácil e livre; pois isso destruirá nossa harmonia, e fará malograr nossas louváveis finalidades.”


Como podemos ver, após a sessão vem sempre uma refeição, que precede aos Irmãos abandonarem o local de reunião. Não é por acaso que as quatro primeiras Lojas que formaram a Grande Loja da Inglaterra operavam nas Tabernas “The Goose and the Gridiron”( O Ganso e a grelha), “The apple tree”( A Macieira), “The Crown”( A Coroa) e “The Rummer and Grapes”( O Copo e as Uvas).


No “Emulation Working”, mais conhecido entre nós como “Rito de York”, cada encontro é seguido por um Banquete obrigatório ou repasto fraternal. Já no R.'.E.'.A.',A.'. existe o ritual para os Banquetes Ritualísticos da Ordem, que é inspirado nas tradições das Lojas militares pré - revolucionárias da França. Nesta tradição tudo que está à mesa é comparado com assuntos e utensílios relacionados à artilharia. Assim, água é pólvora fraca, vinho é pólvora forte, copos são canhões e sal é areia.


O Banquete Ritualístico é por vezes chamado de Ágape. No Dicionário Aurélio lê-se:


Ágape


1. Refeição que os primitivos cristãos tomavam em comum.


2. P. ext. Banquete, almoço ou outra refeição de confraternização por motivos políticos, sociais, comerciais, etc.


3. Ét. V. caridade (1).


Ágapa


1. Var. de ágape [q. v.]: "nas ágapas dos cristãos primitivos cantavam-se os salmos ao som do órgão!!!" (Alexandre Herculano , Lendas e Narrativas, II, p. 207).


Procurando a palavra caridade tem-se:


Caridade


[Do lat. caritate.]


S. f.


1. Ét. No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus; ágape, amor - caridade.


No Dicionário Ilustrado de Maçonaria a definição para ágape é: “Banquete de Confraternização” que os primeiros cristãos adotaram para comemorar a última ceia de Jesus Cristo com seus discípulos. Em certa época tal refeição era realizada diariamente e à noite. No ano de 397, a Igreja aboliu as ágapes sob a alegação de que os mesmos haviam se transformado em verdadeiros festins que fugiam aos princípios religiosos”.


Já na excelente coleção de Nicola Aslan, “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia” encontramos: Ágape – Do grego agapê, amor. Nome que na Igreja primitiva era dado à refeição que os cristãos faziam em comum, em comemoração da ceia de Jesus Cristo com seus discípulos e na qual se davam mutuamente, o ósculo da Paz e da Fraternidade.


No início, em Jerusalém, as ágapes se realizavam todas as noites, mas posteriormente, foram reservados para os domingos. A eles assistiam homens de todas as classes e cada um contribuía de acordo com seus meios, pagando os ricos a parte dos pobres.


Paulo assinala e condena os abusos que cedo se introduziram nos ágapes, tendo sido os festins noturnos apaixonadamente atacados pelos pagãos, que os apresentavam como servindo de pretexto a infames libertinagens.


O concílio de Cártago, em 397, aboliu tais banquetes em comum”. Continua Aslan: “Em maçonaria, este nome é muitas vezes utilizado para indicar o banquete ou refeição ritualística que, obrigatoriamente, se segue aos trabalhos da Loja. Simboliza a recreação em comum, merecida depois do trabalho, e é presidida pelo Venerável. No Brasil, o banquete é obrigatório apenas nas festas da Ordem, e particularmente depois de uma iniciação”.


A palavra ágape, em português, é admitida em ambos os gêneros, masculino e feminino. Em grego significa de ternura. “A palavra ternura contém noções de afeição, amor e devoção. O equivalente Latino de ágape é caridade.


Dar o significado de “amor” para ágape, pode levar uma subjetividade de conteúdo. A oposição, em Grego, de ágape é Eros, que é o amor possessivo, enquanto ágape é o amor gentil, da bondade, da fraternidade.


O sentido de Eros é próprio para o inflamado amor dos amantes. Com o transcorrer do tempo, o seu significado envolveu até paixão sexual se tornou uma metáfora do significado místico e do fervor espiritual. (...) Já Ágape é adequada para o amor fraterno, de irmãos, para um amor pacífico e ao próximo. Ágape é então dividir a alimento, do corpo, do coração e do espírito. E precisa ser realizado com prazer se é para ser compensador”.


Finalmente, vale lembrar que historicamente o Grau de Mestre surgiu bem depois dos dois graus básicos originados da Maçonaria Operativa, que são o de Aprendiz e Companheiro. Este último, Companheiro, corresponde ao termo Inglês Fellow-Craft, da antiga maçonaria operativa escocesa. No trabalho do Irmão L. Cousseau, publicado na revista Le Chaine d’Union, de julho de 1961, sob o título “O Maravilhoso Ensino Maçônico”, ao analisar o grau de Companheiro, ele define: “Insiste sobre a primazia do amor altruísta” e o associa à forma de como o Companheiro se coloca à Ordem. A origem de seu nome, do Latim, vem de Compane, que como a palavra sugere em seu sentido etimológico, são aqueles que dividem o pão. Os que sabem dividir o pão, lembrando o que foi dito no parágrafo anterior, sabem que o prazer e a felicidade são objetivos legítimos.


Tem sido um discurso corrente, que algumas Lojas Maçônicas estão passando por momentos de desânimo, com quadros se afastando, rareando as novas iniciações e com baixa participação de IIrr.'. nos Trabalhos realizados .


A crise econômica, aumentando o risco de desemprego e de falência, tem exigido que os Irmãos se dediquem cada vez mais aos trabalhos profanos, o que talvez justifique em parte esta situação. Entretanto, devemos ter o senso crítico para diagnosticar se temos descuidado também do congraçamento entre Irmãos, que constrói relacionamentos e evita o aparecimento da discórdia.


Precisamos dar mais atenção a esta parte de nosso ritual consuetudinário, realizando a ágape após a sessão obrigatoriamente e não deixando de realizar os banquetes ritualísticos da Ordem e de Iniciação.



Bibliografia


José Castellani — Origens Históricas e Místicas do Templo Maçônico


Joaquim da Silva Pires — Rituais Maçônicos Brasileiros


Daniel Béresniak — Symbols of Freemasonry


Nicola Aslan - Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia


Sebastião Dodel dos Santos — Dicionário Ilustrado de Maçonaria


James Anderson — Constituições dos Franco — Maçons ou Constituições de Anderson de 1723