julho 26, 2025

O QUADRIVIUM - Luiz Airton Shen


O Quadrivium é um currículo educacional medieval que consiste em quatro disciplinas: Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Essas disciplinas eram consideradas fundamentais para a educação de um indivíduo e tinham como objetivo desenvolver a compreensão da ordem e da harmonia do universo.

As Quatro Disciplinas do Quadrivium:

- Aritmética: Estudo dos números e das operações matemáticas. A aritmética era considerada a base do Quadrivium e era fundamental para a compreensão das outras disciplinas.

- Geometria: Estudo das formas e das proporções. A geometria era usada para entender a estrutura do universo e as relações entre as coisas.

- Música: Estudo da harmonia e da proporção nos sons. A música era considerada uma forma de expressar a harmonia do universo e era usada para desenvolver a sensibilidade estética.

- Astronomia: Estudo dos movimentos dos corpos celestes. A astronomia era usada para entender a estrutura do universo e as relações entre os corpos celestes.

Aplicação na Vida de um Homem:

- Desenvolvimento da razãoO Quadrivium ajuda a desenvolver a razão e a capacidade de pensar de forma lógica e sistemática.

- Compreensão da Ordem do Universo: O Quadrivium ajuda a entender a ordem e a harmonia do universo, o que pode levar a uma maior apreciação da beleza e da complexidade da criação.

- Desenvolvimento da Sensibilidade Estética: O estudo da música e da geometria pode ajudar a desenvolver a sensibilidade estética e a apreciar a beleza das formas e dos sons.

- Aplicação Prática: As disciplinas do Quadrivium têm aplicações práticas em diversas áreas, como arquitetura, engenharia, música e astronomia.

Benefícios do Quadrivium:

- Desenvolvimento Intelectual: O Quadrivium ajuda a desenvolver a inteligência e a capacidade de pensar de forma crítica e sistemática.

- Apreciação da Beleza: O Quadrivium ajuda a apreciar a beleza e a harmonia do universo, o que pode levar a uma maior gratidão e admiração pela criação.

- Desenvolvimento Pessoal: O Quadrivium pode ajudar a desenvolver a disciplina, a perseverança e a capacidade de trabalhar de forma sistemática e metódica.

Em resumo, o Quadrivium é um currículo educacional que visa desenvolver a compreensão da ordem e da harmonia do universo através do estudo de quatro disciplinas fundamentais. Suas aplicações são amplas e podem beneficiar indivíduos em diversas áreas da vida.

O GARFO - Paulo Monteverde


O Garfo Nem Sempre Foi Comum: A História de um Utensílio Polêmico 

Hoje considerado essencial à mesa, o garfo nem sempre foi bem-vindo. Durante séculos, comer com as mãos ou com facas e colheres era o padrão em muitas culturas. O garfo, tal como conhecemos, só começou a ganhar espaço na Europa a partir do século XI, quando princesas bizantinas o introduziram em banquetes venezianos. Porém, ele foi recebido com escárnio e até repulsa.

Na Idade Média, muitos o viam como um objeto vaidoso ou até herético. Sua semelhança com instrumentos “do diabo” e sua função de evitar o contato direto com o alimento geravam desconfiança entre os religiosos. Era como se o garfo estivesse desafiando a simplicidade e humildade cristã.

Somente no século XVII, na França e na Inglaterra, o garfo começou a ser aceito pela nobreza e, gradualmente, pela sociedade em geral. O rei Luís XIV, por exemplo, foi um entusiasta do uso refinado de talheres à mesa.

Curiosamente, o garfo só se tornou comum nos Estados Unidos no início do século XIX!

Hoje, o garfo é símbolo de etiqueta, mas sua jornada foi marcada por resistência, julgamentos e uma lenta aceitação cultural. 

julho 25, 2025

ARLS TRÍPLICE ALIANÇA 341 - Mongaguá


Minha querida ARLS Tríplice Aliança 341 tem sessão regular todas as terças-feiras. Entendendo que era necessário melhorar a beneficência praticada pela Loja, o irmão hospitaleiro, José Ricardo Alcântara Ramos, dono do melhor restaurante da cidade, está criando uma tradição e há vários meses os irmãos se reúnem para uma refeição festiva em seu estabelecimento, as vezes almoço, em outras ocasiões jantar.

Pagamos o valor normal pelas excelentes refeições e o restaurante fica apenas com o custo. O excedente é destinado a beneficência e ao longo destes meses inúmeras ações de auxílio a famílias menos favorecidas foram realizadas.

Na noite de ontem, quinta feira, ocorreu mais um destes encontros e além da alegre confraternização fortalecemos os recursos que vão proporcionar a tantas pessoas um momento de alegria. É a maçonaria de Mongaguá em ação.

FELIZ DIA ESCRITOR - Adilson Zotovici


Juntos nesta Academia 

Que pelas letras o amor 

Escrevendo em sintonia

Pela alegria, pela dor ...


Algum texto ou poesia 

D’alguma história o autor 

Sua glória do dia a dia 

Como das Letras um pastor 


Pensam alguns que utopia 

Surreal pelo esplendor 

Que Arte Real propicia 


Livre pedreiro de valor 

Com pena canteiro cria 

Feliz dia...oh ESCRITOR  !



DIA DO ESCRITOR - Michael Winetzki




  •  Escritor, foi a profissão que escolhi para o meu segundo tempo de vida, para compartilhar emoções, experiências e conhecimentos. Foram até agora 9 livros, mais de 50.000 exemplares, com grande parte da renda aplicada em beneficência.

Como cantou o gênio baiano Castro Alves, continuo a "semear livros" e me sinto abençoado por te-los nas mãos de tantos queridos leitores.

Estendo meus cumprimentos a todos aqueles, que fazem da arte de escrever, a sua missão.

A DELICADA ARTE DE VIVER MUITO - Mário Donato D’Angelo



Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada. Longevidade era exceção. Agora virou estatística.

Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo. Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte.

Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida. Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia.

O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem. Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.

E então vem ela: a queda.

Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado.

A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo. Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção.

Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo.

Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor.

Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo. O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro.

A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso.

É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude.

E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória.

Porque o segredo não é apenas viver muito.

É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo.

E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria — “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”

MAÇONARIAS: LIBERDADE E DOGMAS - José Maurício Guimarães


"Onde estão os ensinamentos oficiais da Maçonaria?"

Essa singela pergunta está entre aspas porque não sou eu que faço a pergunta. Também não adoto o sistema de consultório maçônico, preenchendo o meu tempo e o dos leitores a responder perguntas. No entanto, certas perguntas são procedentes, pertinentes - e merecem ser compartilhadas mediante uma breve análise.

Temas como esse vêm sendo apresentados por vários Irmãos, perplexos diante da vasta "literatura" maçônica contida nos livros e disseminada pela internet:

"Onde estão os ensinamentos oficiais da Maçonaria?"

Em primeiro lugar, devemos considerar que não existem propriamente "ensinamentos maçônicos"; e menos ainda "ensinamentos oficiais". A palavra "ensinamento" faz supor o efeito de ensinar, um conjunto de ideias a serem transmitidas de uma pessoa para outra como doutrinas ou lições. 

A Maçonaria não doutrina nem prega um conjunto de ideias, mas HABILITA seus membros a desenvolverem, por si mesmos, uma compreensão mais alta e refinada da vida. Por isso dizemos que a Maçonaria é uma Ordem iniciática e não dogmática. 

Em outras palavras - a Maçonaria é uma associação de indivíduos, sujeitos às mesmas regras, associação essa que fornece FERRAMENTAS para que seus associados alcancem os cânones das Artes Liberais tradicionalmente desempenhadas pelos homens livres (especialmente a Lógica). 

Mas a utilização dessas FERRAMENTAS é ato voluntário; o maçom pode lançar-se ao trabalho, ou continuar frequentando sessões maçônicas pelo simples hábito ou diletantismo (sem falarmos, é claro, em outros interesses inconfessáveis!). 

O ato voluntário consiste na aplicação da inteligência sobre a matéria, visando a harmonia, a felicidade humana e as ciências sociais. Essas FERRAMENTAS estão contidas no Simbolismo do Templo, na execução PERFEITA dos Rituais e no estudo diligente das Instruções dos Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. 

O maçom que não tem conhecimento completo, amplo e perfeito domínio desse tripé " Simbolismo, Ritualística e Instruções " é um maçom inacabado, inapto para ocupar cargos em Loja ou na Obediência a que pertence. Percebem a extensão do problema?

As Instruções maçônicas não são, ao contrário do que muitos pensam, uma filosofia no sentido de se investigarem a dimensão essencial e ontológica do mundo real, ou mesmo inquirirem a respeito das "verdades primeiras" e incondicionadas, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo. 

Mas paralelamente ao Simbolismo do Templo, Rituais e Instruções dos Graus, os maçons são livres para desenvolverem reflexões mais aprofundadas - ou menos aprofundadas, ou até tendenciosas dos conteúdos iniciáticos. 

Assim há os que escrevem livros, os que proferem palestras ou apresentam artigos em revistas, periódicos, blogs e sites da internet. Mas - repito - nada disso constitui "ensinamentos da Maçonaria", filosofia maçônica ou postura oficial da Ordem como organização estruturada sobre Obediências, Lojas e Corpos Maçônicos regulares. 

Mas é forçoso dizer: tudo o que escapa do conteúdo e escopo do Simbolismo, Rituais e Instruções é pura opinião pessoal advinda da experiência de UM maçom singular - é um conhecimento obtido por meio das faculdade específicas de UM estudioso; serve apenas para ELE, embora possa servir de referência - e apenas referência - para outros que se exercitam no autoconhecimento.

Daí a estranheza que muitos Irmãos percebem com relação a "novas teorias", interpretações e intenções "reformistas" em circulação nos meios maçônicos reais e virtuais. Vale lembrar que a nossa prática maçônica, organizada em instituições regulares, acompanha a disposição da Constituição Federal em seu Artigo 5º, IV que garante a liberdade e manifestação do pensamento; no nosso caso, vamos além: nossa Ordem não impõe nenhuma restrição à busca da verdade. 

Entretanto não há espaço, numa organização séria de livres pensadores, para invencionices e excentricidades. Tais atitudes revelam apenas o desejo imprudente, a ousadia e a temeridade próprias apenas de adolescentes imberbes que tudo fazem para chamarem sobre si a atenção dos adultos; essas condutas são mais preocupantes quando afrontam a mesma Constituição Federal que, no mesmo Artigo 5º, IV impede ou proíbe o anonimato.

Filosofemos, pois este é direito e dever do ser humano; eu também cometo a ousadia de "filosofar"; mas acautelemo-nos da cátedra categoremática; e enfrentemos de mente a mente o sofisma e as intenções sub-reptícias de quem tenta se utilizar da Maçonaria para fins pessoais.

"Quem tem ouvidos, ouça. Quem tem carapuça, use-a!" - já dizia o Marquês Burgrave de Nuremberg (Fürth, Baviera: 1371-1440).viera: 1371-1440).

julho 24, 2025

SPINOZA NAO É PARA SER LIDO, É PARA SER ESTUDADO - Roberto Zardo


 

A LITURGIA MAÇÔNICA, ALGUMAS REFLEXOES - Aldo Vecchini


       

Uma leitura, algumas reflexões e várias possibilidades

A Liturgia Maçônica é, sem sombra de dúvidas, uma preciosidade. No conjunto dos elementos e das práticas se encerram verdades e nuances que torna o aperfeiçoamento dos costumes, uma necessidade determinante.

Por exemplo: o Salmo 133 é recitado na abertura da Loja de Aprendiz, invocando a união fraternal. No versículo 2, do Salmo, está a citação do derramamento do óleo precioso sobre a cabeça Aarão. O Oficiante, incumbido da ritualística, na sequência, compõe as joias sobre o Livro da Lei.

Mas quem foi Aarão?

Na obra de Dom Jean de Monléon, História Santa, Tomo I, Ed. Ecclesiae, julho/2023, 1ª Edição, consta que depois de ter saído do Egito, no vale do Sinai, Deus mandou Moisés erigir o tabernáculo e, consagrar o sumo sacerdote para dirigir os trabalhos religiosos e que agradassem a Deus.

Foi consagrado e ungido Aarão, irmão de Moisés, com o óleo precioso, como está no Salmo 133, depois de ter recebido as vestimentas de sumo sacerdote: o Manto; o Efod; a Echarpe; o Racional e a Tiara. Destacada na cabeça de Aarão, a tiara continha inscrito o tetragrama sagrado - YOD HE VAU HE - usado para designar Deus. Somente o pontífice tinha acesso ao santo santorum conforme aprendemos nas instruções.

Na mesma obra, Dom Jean de Monléon, O.S.B., assegura que Moisés recebeu detalhadamente, as especificações do Tabernáculo e de seu mobiliário, que seria montado e desmontado à medida que o povo hebreu caminhava em direção à Terra Prometida. O levante e o assentamento eram definidos por Deus.

Vale salientar que na mesma intensidade em que o povo eleito se afastava da antiga aliança, havia a manifestação da cólera divina e, Moisés era o interlocutor dos regozijos e castigos direcionados ao povo eleito. Mais um exemplo a ilustrar a dualidade, que deixa de ser tão terrível e fatídica para tornar-se contrapeso...

Está na obra História Santa, que Moisés, filho de Amrão e Jocabed era da tribo de Levi. Tinha como irmãos Aarão e Maria, ela quem tinha o poder de convencimento e persuasão pela força da profecia e da oração.

Maria fora duramente castigada pela lepra, depois de conspirar e atacar seu irmão, Moisés, o escolhido por Deus para chefiar a libertação dos hebreus do jugo do faraó. Por ocasião do afrontamento, Maria foi isolada do convívio com a comunidade. Vendo o sofrimento de sua irmã, Moisés orou e pediu a Deus que a curasse. E Deus, compadecido com a humildade e a sinceridade da súplica, a curou.

Naquele tempo tudo parecia mais difícil. No início de nossa construção, também! Mas com dedicação, estudo, frequência, vontade e prática, nosso edifício vai tomando forma e, cada detalhe, ganha valor e beleza, se dependerem do capricho e zelo dispendidos para se efetivarem. Louvemos a Grande Secretaria de Educação Maçônica, da GLESP, e seu poder educativo e cultural que facilitam o pertencimento e a permanência no canteiro de obras.

Sem muito compromisso com a cronologia, prosseguimos nossa reflexão salientando que a tribo de Levi era descendente de Jacó; filho de Isaac; que era filho de Abraão. Os antigos patriarcas...

Jacó, o patriarca, nasceu gêmeo com Esaú, e para quem em sonhos foi mostrada a escada que unia a terra e os céus, e por meio dela, os anjos subiam e desciam, parece que em respeitável hierarquia...

No Painel de Aprendiz está destacada a Escada de Jacó com sua tríplice recomendação: Fé, Esperança e Caridade.

Na tradição judaica, para Esaú seriam transferidos as bênçãos e o direito da chefia da família, mas já com baixa-visão e idade muitíssimo avançada, Isaac abençoou a Jacó, numa armação coordenada por sua mãe, Rebeca.

Cabe aí uma analogia com o número dois: a dualidade. Mesmo porque na História Santa, lê-se que dos gêmeos o primeiro que saísse, sucumbiria ao segundo. Primeiro saiu Esaú, depois, Jacó, agarrado aos seus calcanhares. Enquanto Esaú era dado à caça e manifestações violentas, Jacó era dedicado, terno e servil.

Aqui a manifestação da facticidade é notada. Devemos, então, desvencilhar-se dela escolhendo um lado sem desconsiderar o outro. Significa agir, decidir e escolher, conscientemente. A dualidade é uma realidade sempre presente.

Após a bênção de Jacó, sua mãe Rebeca, o orientou a ir para junto de Labão, seu tio-avô, diante da ameaça de morte proferida por seu irmão Esaú. Na casa de Labão, Jacó conheceu Raquel, e se encantou por ela, pedindo ao tio que a desse em casamento.

Labão exigiu sete anos de trabalho para conseguir seu intento. Ao final dos sete anos, Labão o tapeou, entregando para casamento a primogênita Lia, conforme o costume. Mas Jacó queria Raquel, sendo obrigado a trabalhar mais sete anos para Labão, afim de desposar com Raquel.

Antes de alcançar a dezena, passaremos pelo sete, número místico e contemplativo, vivenciado duas vezes por Jacó, que não abandou seu projeto, sua construção, tudo fazendo para o engrandecimento de seu sogro e, também, da sua família.

Dois e sete, em multiplicação totaliza catorze. De quatro vezes sete o produto é vinte e oito, múltiplo de um, dois, quatro, sete, catorze e, cuja soma desses divisores totaliza vinte e oito, número triangular perfeito; sabe-se que a soma dos dois algarismos é dez. A dezena, ou totalidade, fica para outro estudo.

De Jacó e Raquel nasceu José, vendido como escravo pelos seus irmãos aos ismaelitas. No Egito, José foi comprado pelo chefe de serviços do faraó, o eunuco Putifar. Na casa de Putifar, José sofreu todas as tentações, não se entregando a nenhuma delas. Ainda assim, foi preso e torturado.

Na prisão foi trancado, também, depois de algum tempo, o padeiro-mor e o copeiro-mor. No cárcere, após dizer os sonhos que tiveram, José recitou o que aconteceria aos dois condenados, que nada fizeram para libertar o inocente José. Um, disse, seria posto em liberdade e o outro, em três dias seria condenado à morte, pregado na cruz, e as aves do céu devorariam a sua carne.

Nesse trecho nossa reflexão contempla a atrocidade do poderoso e a fragilidade do inocente. Para extinguir a cólera e fortalecer cada ser senciente, em tempos atuais, o conhecimento, as habilidades, o amor, a verdade e a ética são os ingredientes capacitantes e norteadores.

Reconduzido a seu cargo, o Copeiro-Mor soube do sonho do faraó e que seus feiticeiros e magos não sabiam decifrá-lo. Rapidamente, lembrou-se de José que foi retirado da prisão. Eis a máxima: A justiça seja feita e que beneficie o justo!

O escravo de Putifar, devidamente limpo e trajado, foi levado em presença do rei e, após ouvir seu sonho, teceu seus comentários, sendo tão feliz quanto exato na decifração do mesmo que foi elevado a vice-rei, com todos os direitos e poderes.

José pode, então, exercitar toda a sua humildade, sabedoria e liderança, vivendo em plenitude e fazendo transbordar a justa medida.

Pronto! A Elevação é uma comprovação da evolução da Arte do Pensamento. Treinados no canteiro de obras a meditar e refletir, desbastar e polir, pensar e decidir, aprimoramos os valores, exercitamos o amor-ação, colocando-nos em movimento, ou seja, em processo para cumprirmos o prometido: ser feliz e tornar feliz a humanidade.

PROFESSA UMA CRENÇA NUM SER SUPREMO? - Jaime Paul Lamb Tradução de António Jorge


É uma avaliação justa dizer que, nos tempos modernos, tem havido uma tendência cada vez mais popular para a secularização. No Ocidente, particularmente, um êxodo em massa da fé abraâmica e outras religiões monoteístas está em andamento há algum tempo. Por exemplo, uma recente pesquisa da Gallup mostrou que o número de americanos que se identificam como cristãos diminuiu de 80,1% para 75% entre os anos de 2008 e 2015. Atualmente, 21,3% dos americanos declaram não haver filiação religiosa. Tendências sociológicas deste tipo tendem a progredir exponencialmente; ou seja, podemos presumir que esta tendência não só continuará, mas fá-lo-á a uma taxa crescente de velocidade.

Tendo isto em mente, voltamos a nossa atenção para uma certa cláusula nos Landmarks maçónicos; ou seja, que o candidato à Maçonaria deve professar uma crença num Ser Supremo. Como estes Marcos são um pouco maleáveis ​​no nível da Grande Loja de cada jurisdição, concentrar-nos-emos na redacção da questão como proposta ao candidato no estado de Connecticut: “declara solenemente, na presença destas testemunhas, que é um crente firme na existência de um Ser Supremo?” [Ritual Oficial da Grande Loja de Connecticut AF & A.M., 2010].

É importante notar que nunca se pergunta ao candidato se ele acredita em Yahweh, Jesus, Allah, Mithras, Buddha, e outros, nem jamais deveria ser assunto de um Maçom questionar o candidato para além de uma resposta afirmativa à questão proposta. Nem o candidato nem o Irmão são solicitados a elucidar ou esclarecer os detalhes da sua filosofia religiosa. De facto, a propósito do costume comum de que a discussão sobre religião ou política é desaprovada em Loja aberta, ele é ativamente admoestado a guardar essa informação para si mesmo, preservando assim a harmonia da Loja ao não introduzir um assunto potencialmente decisivo.

A formulação da questão proposta ao candidato é muito concreta – é-lhe perguntado se acredita num Ser Supremo. Antes de prosseguirmos, peço ao leitor que reflita sobre as seguintes entradas do dicionário:

su·pre·mo |ê| (latim supremus, -a, -um) adjectivo 1. Superior a tudo. = SUMO; 2. Mais importante. = PRINCIPAL; 3. Que atingiu o limite ou grau mais alto. = EXTREMO, MÁXIMO, SUMO; 4. Último e mais solene. 5. Relativo a Deus. = CELESTE, DIVINO ser |ê| – substantivo masculino, 1. Aquilo que é, que existe. = ENTE; 2. O ente humano; 3. Existência, vida; 4. O organismo, a pessoa física e moral; 5. Forma, figura.

O leitor notará o amplo leque de possíveis interpretações produzidas pela combinação destas duas palavras. Observe também que não há dados aqui que sejam particularmente indicativos de uma entidade criadora transcendental residente num reino etéreo, por exemplo – embora essa seja uma interpretação tão válida como qualquer outra. Certamente não há implicações inerentes que perturbem as sensibilidades da sua era deísta típica do Iluminismo, como as que foram contadas entre os nossos Irmãos durante o desenvolvimento da Arte.

Além disto, uma crença num Ser Supremo – mesmo como um conceito teosófico interpretado pelo indivíduo, intelectualmente, e baseado no nível actual da sua compreensão cosmológica e escatológica racional – exclui quaisquer acusações de ateísmo, mantendo assim a cláusula seguinte das Old Charges: “Um Maçom é obrigado pelo seu mandato a obedecer à lei moral; e se ele entender corretamente a Arte Real, nunca será um ateu estúpido, nem um libertino irreligioso. ”[ Charges of a Freemason, Grand Lodge of England, 1722]. Se a universalidade e a inclusão da Maçonaria em assuntos religiosos não eram o caso, os nossos antepassados deístas, quase gnósticos e joaninos podem ter tido dificuldade em cumprir os padrões de admissão na nossa nobre Arte, sem mencionar muitos outros homens bons e dignos, bem recomendados, nesta era moderna e cada vez mais secular.

julho 23, 2025

O ÚLTIMO ATO DO DESAJUSTADO - Jorge Gonçalves


Morreu ontem, dia 22 de julho de 2025, Ozzy Osbourne, uma das figuras mais icônicas e controversas da história da música. Um sujeito cheio de defeitos, sem a aparente perfeição idealizada, mas, curiosamente, carismático e muito engraçado.

Quem já teve o privilégio de vê-lo ao vivo, fazendo aquilo que sabia fazer de melhor no palco, sabe exatamente do que estou falando. Em 2013, em São Paulo, no Campo de Marte, vi com meu inestimável amigo e irmão Beto um show do Black Sabbath com a formação original. Um espetáculo. A energia no palco era absurda, a experiência inesquecível.

Há poucos dias, no início de julho, Ozzy fez sua última apresentação em Birmingham, sua cidade natal, na Inglaterra. Aos 76 anos, em seu derradeiro ato antes das cortinas se fecharem, parecia até que tudo havia sido pactuado. Como se ele fizesse um juramento: “depois do show, vou embora”. Como na música Mama, I'm Coming Home.

Considerando seu estilo desregrado, já era para ter partido há mais de 50 anos. Com vários problemas de saúde, incluindo o Parkinson, ele foi ao palco sentado, uma última vez, como sabendo que o fim estava próximo. Até aqui, nada demais. Nenhuma surpresa. Apenas mais um show entre tantos outros.

Quase sempre, a surpresa vem de onde menos se espera. A figura icônica, controversa, cheia de defeitos, aquele tipo de pessoa que, como nos ensinam, nada de bom se espera, em seu derradeiro ato arrecadou cerca de 190 milhões de dólares, o equivalente a mais de um bilhão de reais.

Todo o valor foi integralmente destinado a instituições de caridade, entre elas organizações voltadas ao tratamento do Parkinson, hospitais infantis e abrigos.

E é nesse momento que lembro da origem da palavra preconceito. A palavra, de origem latina, significa literalmente “julgamento antecipado”, isto é, Ozzy, o desajustado, nos ensinou uma última lição: cuidado ao fazer julgamentos, cada um de nós é um universo.




MARY’S CHAPEL – A LOJA MAÇÔNICA MAIS ANTIGA DO MUNDO - Vitor Manoel Adrião



Quem passa em Hill Street junto à porta nº 19, não deixa de reparar no invulgar do seu aspecto, desde as colunas jónicas laterais até um misterioso emblema gravado por cima da entrada, que tem sido motivo das mais desencontradas leituras por aqueles que desconhecem estar diante da Mary’s Chapel nº 1 de Edimburgo, a mais antiga Loja Maçónica ativa do Mundo.

Este emblema esculpido em pedra sobre a entrada principal portando a data 1893, nasceu de um projecto apresentado pelo Venerável Mestre Dr. Dickson no Lyric Club em 6 de Outubro desse ano e que se destinava a ser colocada aqui. Consiste num hexalfa dentro de um círculo tendo ao centro a letra G resplandecente. O hexalfa ou estrela de seis pontas com dois triângulos opostos entrelaçados circunscrito pelo círculo, designa a Harmonia Universal, a Alma Universal alentada pelo G raiado indicativo de Geómetra, o Grande Arquitecto do Universo, portanto, God ou Deus, que como Espírito (triângulo vertido) elabora a Matéria (triângulo vertido), ambos os princípios não prescindindo um do outro (triângulos entrelaçados) para que a Grande Obra do Universo (a sua evolução e expansão incluindo todos os seres viventes dele) seja justa e perfeita, o que se assinala no círculo. Em linguagem Maçónica, isso quer dizer que os trabalhos de Loja possuem retidão e ordem. Em linguagem hermética ou segundo os princípios de Hermes, o Trismegisto, significa “o que está em cima é como o que está em baixo, e vice-versa, para a realização da Grande Obra”.

Neste emblema aparecem também muitas marcas em forma de runas pictas (isto é, a dos primitivos habitantes da Escócia, os pictos, que estabeleceram o seu próprio reino) e símbolos de graus maçónicos que vêm a designar em cifra, correspondendo à marca Maçónica pessoal, os nomes dos Oficiais da Grande Loja da Escócia e da Loja de Edimburgo nesse ano de 1893 da qual esta Loja de Mary´s Chapel faz parte como número 1. Com efeito, entre os triângulos e o círculo aparece a sigla LEMC nº1, “Loja (de) Edimburgo Mary´s Chapel nº 1”, e dentro dos triângulos 12 símbolos correspondentes aos 12 Oficiais desta Loja, enquanto os 4 símbolos fora do círculo designam os 4 Oficiais da Grande Loja presentes quando se aprovou esta peça artística. Como exemplo único evitando indiscrições, repara-se no H com o Sol Levante por cima: é a marca pessoal de George Dickson, Venerável Mestre desta Loja de Edimburgo em 1893.

Leva a designação atual de Loja de Edimburgo porque Mary´s Chapel (Capela de Maria), onde a Loja funcionou originalmente, não existe mais. Ela foi fundada e consagrada à Virgem Maria, no centro de Niddry´s Wynd, por Elizabeth, condessa de Ross (Escócia), em 31 de Dezembro de 1504, sendo confirmada por Carta do rei James IV em 1 de Janeiro de 1505. A capela foi demolida em 1787 para a construção de uma ponte no sul da cidade.

Esta Loja é a número 1 na lista da Grande Loja da Escócia (estabelecida em 30 de Novembro de 1736) por lhe ser muito anterior possuindo a acta de uma sessão Maçónica datada de 31 de Julho de 1599, constituindo o documento maçónico mais antigo do mundo e num tempo de transição entre a Maçonaria Operativa e a Maçonaria Especulativa, posto a existência desta Ordem poder repartir-se por três períodos distintos:

1. Maçonaria Primitiva (terminada com os colégios de artífices romanos, os Collegia Fabrorum);

2. Maçonaria Operativa (terminada em 1523);

3. Maçonaria Especulativa (iniciada em 1717).

Por este motivo, foi nesta Loja de Mary´s Chapel que William Shaw (c. 1550-1602), Mestre de Obra do James VI da Escócia e Vigilante Geral do Ofício de Construtor, apresentou os seus famosos Estatutos Shaw datados de 28 de Dezembro de 1598, apercebendo-se pelo texto que ele além de pretender regular sob sanções a Arte Real dos artífices, procurava estabelecer uma separação entre os maçons operativos e os cowan, isto é, profanos.

O fato de aqui se redigir uma ata Maçónica em 1599, pressupõe que a Loja é anterior a esse ano e estaria organizada e activa desde data desconhecida. Seja como for, esta também foi a primeira Loja Maçónica antes de 1717 a admitir membros que não fossem construtores: Sir Thomas Boswell, Escudeiro de Auschinleck, Escócia, foi nomeado Inspector de Loja em 1600, o que constitui a primeira informação relativa a um elemento não profissional recebido em Loja de Construtores Livres. Outros autores dão o nome como John Boswell, Lord de Auschinleck, admitido como Maçon aceite nesta Loja. Este John Boswell é antecessor de James Boswell, que foi Delegado do Grão-Mestre da Escócia entre 1776 e 1778.

As atas de 1641 desta Loja Mary´s Chapel igualmente indicam que maçons especulativos foram iniciados nela. Nesse ano foram iniciados Robert Moray (1609-1673), general do Exército Escocês e filósofo naturalista, Henry Mainwaring (1587-1653), coronel do Exército Escocês, e Elias Ashmole (1617-1692), sábio astrólogo e alquimista. Reconheceu-se aos três novos membros o título de maçons, mas como não gozavam dos privilégios dos autênticos obreiros, pois o cargo era somente honorário, foram denominados como accepted masons.

Ainda sobre Robert Moray, Roger Dache, do Institut Maçonnique de France, informa que quando da sua iniciação Moray recebeu como marca Maçónica pessoal o pentagrama ou estrela de cinco pontas, muito comum na tradição dos antigos construtores, com a qual se identificou bastante e a utilizou nas assinaturas de diversos documentos. Ainda sobre Elias Ashmole, G. Findel, na sua História da Maçonaria, diz que há uma confusão nas datas sobre a sua iniciação Maçónica: Ashmole terá sido iniciado em 16 de Outubro de 1646 numa Loja de Warrington, Inglaterra, mas o facto é que o próprio escreve no seu Diário ter sido iniciado em Edimburgo em 8 de Junho de 1641.

Em 1720, o artista italiano Giovanni Francesco Barbieri apresentou na Loja Mary´s Chapel um trabalho lavrado, reproduzindo com muita fidelidade a Lenda de Hiram, ou seja, o fenício Hiram Abiff que era o chefe dos construtores do primitivo Templo de Salomão, em Jerusalém. Sabendo-se que esta Lenda foi incorporada ao ritualismo maçónico cerca de 1725, conjectura-se que Giovanni possa ter sido um dos maçons aceites da época e que a Lenda já era parte da ritualística Maçónica em Mary´s Chapel desde muito antes.

Há ainda o registo da visita de Jean-Theophile Désaguliers (1683-1744) à Loja Mary´s Chapel em 1721, visita estranha do filósofo francês Vice-Grão-Mestre (em 1723 e 1725) da recém-formada Grande Loja de Inglaterra. Os maçons escoceses duvidaram do seu estatuto e sujeitaram-no a rigoroso inquérito em 24 de Agosto de 1721, até finalmente acreditarem nele e aceitarem-no com as regalias do cargo. Seja como for, não parece que as pretensões de Désaguliers tenham obtido o êxito que procurava, talvez por motivos de recusa de sujeição dos maçons escoceses aos maçons ingleses, o que recambia para a antiga questão independentista.

Foram ainda iniciados nesta Loja de Edimburgo o príncipe de Gales, depois rei Eduardo VII (1841-1910), e o rei Eduardo VIII (1894-1972), que abdicaria do trono britânico para poder casar com a americana Bessie Wallis Warfield. A caneta com que assinaram o documento da sua iniciação é conservada no museu desta Loja, que o visitante pode ver entre outros objectos relacionados com a longa história dos maçons de Mary´s Chapel.

Aqui fica, em síntese simplificada para o leitor não familiarizado com estes assuntos, a história da Lodge of Edinburgh nº 1 (Mary´s Chapel), aliás, desconhecida de muitos maçons apesar de ser a mais antiga da Escócia e do Mundo.

julho 22, 2025

SER FIEL É ARTE - Mauricio Nunes


Não foi apenas um beijo. Foi um espelho.

Quando a câmera passeou pelo estádio lotado no show do Coldplay, ela não flagrou apenas um casal envergonhado. Ela expôs um dilema antigo da humanidade — aquele que atravessa séculos, civilizações e consciências: o conflito entre a ética e o ego, entre o amor duradouro e a sedução do instante, entre a decência e o delírio de se achar acima das consequências.

A plateia riu. Chris Martin fez uma piada. O TikTok explodiu. E o CEO? Caiu de um cargo milionário, de um casamento, de um pedestal moral que ele achava que era só decorativo. Mas ele não despencou porque foi filmado. Ele tropeçou muito antes, quando achou que cargos, títulos ou charme o blindavam das consequências de suas escolhas. Quando acreditou que o segredo bastava. Mas o segredo é como uma dívida: quanto mais se esconde, mais caro se torna.

E tudo isso a troco de quê?

De um abraço que não era seu. De um beijo que não pertencia à sua história. De um prazer que passa, deixando um vazio que permanece. Em nome do "direito à felicidade", muitos abandonam o dever da lealdade. Confundem liberdade com licenciosidade, confundem aventura com ausência de caráter.

A verdadeira grandeza, nobre leitor, está em sustentar aquilo que se construiu. Em cuidar da mulher (ou do marido) que esteve ao seu lado quando nada havia. Em sentar-se à mesa com os filhos, sabendo que eles olham para você como espelho do que é certo. Ser correto nunca foi fácil, mas é a única forma de dormir com a consciência limpa. Porque o travesseiro, esse sim, nunca mente.

Vivemos em um tempo onde se romantiza a traição e se desdenha da família. Onde a fidelidade virou piada e a pornografia virou plano de fundo da vida. Mas ainda há quem escolha o caminho da honra. Quem entende que amor não é apenas sentimento: é compromisso. É renúncia. É pacto.

A tentação estará sempre por aí: cada vez mais jovem, mais fácil, mais sexy e mais ousada. Mas o que ela não te diz é que, depois dela, vem o silêncio. A perda. A vergonha. O arrependimento.

Não se trata de puritanismo, amigos. Trata-se de humanidade. Porque ser fiel à sua família, ao seu lar, aos seus valores — isso sim é ser superior. O resto é só vaidade com prazo curto de validade.

Mas por que isso nos fascina tanto?

Porque todos nós, em algum nível, vivemos cercados de tentações: nos deparamos diariamente com corpos esculpidos, likes fáceis e a doce ilusão de que a vida está sempre em outro lugar — geralmente sem aliança (ou compromisso) no dedo. Mas poucos se dão conta de que o verdadeiro luxo hoje é manter uma família em pé. É acompanhar o dia a dia do seu filho. É lembrar do aniversário da esposa sem a ajuda do Facebook.

Ser correto não é moda. É nos dias atuais quase que uma  subversão.

O CEO (Andy Byron) da vez caiu porque achou que podia tudo. A amante sorriu como se tivesse vencido um leilão. E a esposa? Bem, como toda mulher inteligente na história da humanidade, ela tirou o sobrenome, os sentimentos e o marido — nessa ordem.

No fim das contas, é isso: Trair é humano, mas ser fiel é arte. E ser flagrado pela “kiss cam” do Coldplay…bom, isso é só burrice mesmo.


Fonte: A Toca do Lobo 🐺 Facebook