dezembro 28, 2025

A REVOLUÇÃO FRATERNA DA INTELECTUALIDADE MAÇÔNICA - Hélio P. Leite



 AS ACADEMIAS MAÇÔNICAS DE LETRAS COMO

 INSTRUMENTO DE PACIFICAÇÃO DA MAÇONARIA BRASILEIRA

       A Maçonaria brasileira, herdeira de uma tradição secular fundada nos princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, vive, em diferentes momentos de sua história, tensões internas, cisões administrativas e divergências interpretativas que fragilizam a convivência entre irmãos e enfraquecem a ação institucional da Ordem. Diante desse cenário, impõe-se refletir sobre instrumentos capazes de promover a pacificação, o diálogo e a reconstrução de pontes fraternas. Entre esses instrumentos, destacam-se as Academias Maçônicas de Letras, espaços vocacionados à cultura, ao pensamento e à elevação espiritual do maçom, que assim se faz o construtor social que nasceu pra ser.

       As Academias Maçônicas de Letras não se constituem como organismos de poder, nem competem com as estruturas jurisdicionais da Ordem, embora as ancore, com sua natureza essencialmente cultural, filosófica e literária. Exatamente por isso, estes egrégios silogeus encontram-se em posição privilegiada para atuar como ambientes neutros, onde irmãos de diferentes Potências, Ritos e tradições podem dialogar sem a pressão das disputas administrativas ou das vaidades institucionais. Neste sentido tornam-se verdadeiros templos do pensamento maçônico, nos quais a palavra substitui o confronto e a reflexão supera o sectarismo.

          A produção literária, histórica e filosófica desenvolvida nestas Arcádias favorece a redescoberta do que é essencial à Maçonaria: seus valores universais, seus símbolos fundadores e sua missão humanista. Ao estudar a história comum da Ordem, seus mitos, seus ritos e suas contribuições à sociedade brasileira, o maçom é convidado a se conectar com aquilo que o une aos seus irmãos, percebendo que isto é muito mais profundo e duradouro do que as diferenças que, por vezes, os separaram. A cultura, neste contexto, atua como sutil cimento da fraternidade, aplainado com a sublime régua da concórdia que o compartilhamento do saber fomenta. 

         Outro aspecto relevante é o caráter inclusivo destas Academias que, ao acolherem maçons experientes e jovens iniciados, estudiosos consagrados, e autores iniciantes, promovem a escuta intergeracional e o respeito à diversidade de pensamentos. Esse permanente exercício de alteridade intelectual espelha, em plano simbólico, a própria essência da Maçonaria como escola de aperfeiçoamento moral. Onde há escuta, há compreensão; onde há compreensão, abre-se o caminho para a pacificação dos eventuais conflitos; onde há amor incondicional, há um vasto e fértil campo onde as rosas da tradição e as tulipas do vanguardismo adornam este jardim de civilidade. 

         Além disso, estas Academias Maçônicas de Letras desempenham um papel pedagógico de largo alcance. Por meio de palestras, conferências, publicações,  eventos culturais etc., contribuem para a formação de uma consciência  maçônica madura, menos afeita ao personalismo e mais comprometida com o bem coletivo, efluindo o senso de pertencimento que faz exequível a coesão social que propõem, com suas raízes bem firmadas no saber, na ética e na memória institucional, o que enleva o orgulho de ser maçom e este dissipa erros, perfídias e obscurantismos, aurorescendo o equilíbrio, o discernimento e fraternidade como vetores essenciais da bem formada maçonaria.

         Sob este olhar, percebemos estas Eméritas Casas do Saber como alavancas, pois, demovem pensamentos, por vezes hostis; tornando mais loquaz a fala que convence sobre o que é justo e grandioso; retiram traves do olhar, para que um novo fito estabeleça que os melhores feitos e efeitos, não se impõem por decretos, mas se constroem pelo diálogo, pela cultura, mas, principalmente, pelo reconhecimento do outro como irmão. Trabalhando no campo das ideias, dos símbolos e da memória, elas erguem pontes onde antes havia muros, reafirmando que a Maçonaria só se cumpre plenamente quando caminha de mãos dadas com a diversidade, festejando a concórdia fraterna por onde passa e com quem estiver.

          Este é o animus do qual nasce todos os dias a Academia Internacional de Maçons Imortais –AIMI, em 31 de maio de 2024, pois, sua inventividade constante a renasce a cada novo ideal que viceja. Concebida de um projeto cultural amplo e agregador, denominado “Arquipélago Cultural Maçônico”, que tem por objetivo interligar cada silogeu maçônico (ilhas) convergindo-as ao propósito único de radicar a identidade social maçônica a partir da preservação da memória, do fortalecimento da cultura e da estimulação aos diversos veios literários que maçom acadêmico representa, independente das potências maçônicas que os abrigam. Esta simbiose de Arcádias, assumiria o papel de elo simbólico e cultural, capaz de transformar iniciativas isoladas em ações coletivas de mais vasto alcance e significação. Ancoradas, na literatura, na história, na arte e no pensamento maçônico, deixam de ser expressões fragmentadas para se tornarem conscienciosos vetores de inclusão, sinergia e empatia no seio da Maçonaria brasileira.

         Neste toar, a AIMI, e o seu projeto Arquipélago Cultural Maçônico, se lançam como um prisma de soluções ótimas aos paradigmas contemporâneos da Sublime Ordem, demonstrando que a formação da família universal, proposta pela Maçonaria desde sua ciese, não se realiza apenas no campo administrativo, mas, sobretudo, no terreno inefável da cultura, onde a palavra ilumina, o símbolo une e conhecimento fraterniza. Envolve a união da intelectualidade maçônica, em autoconvocação para em mobilização nacional encetar gestões e produzir através da escrita, da voz e de ações - artefatos literários que em suas letras dotem as autoridades maçônicas do modus operandi habilidoso que, não somente, emerja a conciliação nacional da Maçonaria Brasileira, mas, principalmente, que garantam gestões prósperas e felicidades, sob o lume: ordem e progresso, sempre! 



DATAS MARCOS DA ORDEM - Douglas Roberto


Reflexões de um Companheiro inquieto e muito curioso, além da dúvida surgida num belo diálogo com um nobre Irmão...

​Buscando sanar as confusões comuns sobre as datas que regem o dia do maçom, consolidei esta breve cronologia sobre os marcos da Ordem:

- ​22 de fevereiro | Dia Internacional do Maçom: Instituído em homenagem ao nascimento de George Washington, primeiro presidente dos EUA e figura central da Maçonaria americana. A data celebra a influência dos ideais maçônicos na formação das democracias modernas.

- ​24 de junho | Dia de São João Batista e Solstício de Verão (Boreal): Uma das datas mais ancestrais da Ordem. Marca a fundação da Grande Loja de Londres em 1717 (a "Premier Grand Lodge"). Simbolicamente, representa o apogeu da Luz e o padroeiro da Maçonaria Operativa e Especulativa Universal.

- ​20 de agosto | Dia Nacional do Maçom (Brasil): Data exclusiva do nosso calendário. Remete à histórica sessão conjunta das Lojas Comércio e Artes e União e Tranquilidade em 1822, onde o Irmão Gonçalves Ledo proferiu o discurso que impulsionou a Independência do Brasil, proclamada semanas depois.

- ​27 de dezembro | Dia de São João Evangelista e Solstício de Inverno (Boreal): De profunda relevância na tradição anglo-saxônica, celebra a união das Grandes Lojas ("Antigos" e "Modernos") que formou a UGLE em 1813. Nos EUA e Inglaterra, é a data tradicional para posses de Veneráveis Mestres e Banquetes de Ordem, simbolizando a renovação e a preservação da doutrina.



dezembro 27, 2025

212 ANOS DE GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA - João Carlos Corrêa Vieira


Há 212 anos , no dia 27 de dezembro de 1813, ocorreu um evento monumental na história da Maçonaria — a formação da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE). Este marco histórico foi alcançado por meio da união de duas Grandes Lojas que operavam independentemente na época:

1️⃣ A Grande Loja Premier (estabelecida em 1717), fnde requentemente chamada de “Modernas”.

2️⃣ A Grande Loja Antiga (estabelecida em 1751), conhecida como “Antigas”.

Após anos de diferenças em práticas, rituais e administração, as duas Grandes Lojas deixaram de lado suas divergências para formar um corpo único e unificado. 

Esta unificação marcou o início de uma nova era para a Maçonaria na Inglaterra e além.

Os Artigos da União foram assinados e, em 27 de dezembro de 1813, a Grande Loja Unida da Inglaterra foi oficialmente estabelecida durante uma reunião especial realizada no Freemasons’ Hall em Londres.  A data foi escolhida deliberadamente para coincidir com a Festa de São João Evangelista, um dos dois santos padroeiros da Maçonaria.

Desde sua fundação, a UGLE cresceu e se tornou um dos órgãos de governo maçônicos mais reconhecidos do mundo, supervisionando milhares de Lojas e mantendo os princípios fundamentais do Amor Fraternal, Alívio e Verdade.

Ontem, ao celebrarmos o 212º aniversário da UGLE, refletimos sobre sua rica herança, tradições duradouras e o espírito unificador que guiou a Maçonaria por séculos.

UGLE é a potência maçônica governante para a maioria dos maçons na Inglaterra, País de Gales e Comunidade das Nações (Commonwealth). é a loja maçônica governante para a maioria dos maçons na Inglaterra, País de Gales e Comunidade das Nações. 

Sua descendência vem da Grande Loja Maçônica formada em 24 de junho de 1717 na Goose & Gridiron Tavern em Londres, é considerada a mais antiga Grande Loja Maçônica do mundo, juntamente com a Grande Loja da Escócia e a Grande Loja da Irlanda. 

🎉 Feliz aniversário, UGLE! 🎉

SOMOS UMA UNIDADE - Adilson Zotovici


Somos uma grande unidade 

Jamais alguma dissonância 

Pelo espírito da igualdade 

Labutamos em consonância 


Para nós a Fraternidade 

Não medirá jamais distância 

Feitos com amor e liberdade

Que entre os cofrades constância 


Do “Arquiteto” a oportunidade 

Um pelo outro em vigilância 

Hoje, amanhã...toda irmandade 


Em cada ação a culminância 

Vez que irmão, inda confrade... 

Com discrição, com elegância !



O AMOR. O MAR E O AMAR - Cesar Augusto Garcia


 

COMO ENTENDER E ESTUDAR O SIMBOLISMO - Alferio Di Giaimo Neto


Deve ser lembrado, que o Maçom deve ter um comportamento essencialmente pratico em suas ações e idéias, principalmente quanto à origem de certos objetos ligados à Maçonaria.

Em outras palavras, uma explanação simples e obvia de um símbolo Maçônico, é preferível a uma explanação fantástica, altamente imaginativa ou romântica.

Seis pontos devem ser considerados:

1- A Ordem (Franco Maçonaria) tem origem nas Guildas Maçônicas na fase Operativa, na Idade Média. 

2- As várias referências Egípcias e Orientais nos rituais maçônicos representam acréscimos ou adições, feitas de tempos em tempos nos rituais originais, mais antigos.

3- O Simbolismo só se transformou em algo proeminente, notório, na Maçonaria, em tempo passado, relativamente curto.

4- A posse de nossos Símbolos por outros corpos organizacionais, Sociedades e Ritos, e vice-versa, não indica, por si, nenhuma conexão entre essas organizações e a Maçonaria, ou, de nenhuma maneira, indica a origem da nossa Ordem Maçônica.

5- A influência que possa ter existido na Maçonaria, de Rituais de antigos Ritos Iniciáticos, na certeza, não ocorreu antes da terceira década do século XVIII.

6- Com respeito a alguns Maçons que acham que a Maçonaria é derivada dos “mistérios” do Antigo Egito e que, todos nossos símbolos são de origem egípcia, deve ser ficar esclarecido que esses “mistérios” não são bem conhecidos e muitos deles estão totalmente perdidos.

Finalmente deve ser dito que alguns objetos encontrados na Maçonaria, que numa primeira visão parecem ser Símbolos Maçônicos, mas que com uma analise mais rigorosa, veremos que não são. É necessário o devido cuidado para distinguir entre genuínos Símbolos Maçônicos daquelas coisas chamadas “Símbolos”, devido uma fértil imaginação e/ou um super entusiasmo maçônico.

Fonte: Pílula Maçônica n. 33



A (IM)PERFEIÇÃO E AS OLD CHARGES - Paulo M.



No Livro das Constituições de Andersen, de 1723, aprovado por maçons ilustres como Desaguliers, Cowper e Payne – reputados e reconhecidos pela sua sabedoria maçónica – podem encontrar-se estas palavras: 

_ “The men made masons must be free-born, no bastard, and of mature age, and of good report, hale and sound, not deformed, or dismembered at the time of their making” 

_ (Os homens feitos maçons devem ter nascido livres, não bastardos, de idade madura, boa fama, saudáveis e sãos, não deformados ou amputados na altura da sua admissão). 

Isto levanta a questão: 

_ Manter-se-á esta exigência nos dias de hoje? 

Não há melhor forma de entender uma lei do que descobrir e entender o propósito do legislador quando se deu ao trabalho de a elaborar.

Em Junho de 1718 – fazia a Grande Loja de Inglaterra um ano – o Grão-Mestre manifestou o desejo de que os Irmãos que tivessem acesso a registos e escritos antigos sobre Maçons e Maçonaria os trouxessem à Grande Loja, para que pudessem ser constatados os antigos usos e costumes da Maçonaria Operativa. 

Era importante, no contexto da altura, conferir à Ordem recém criada uma certa patine, alguma daquela aura de autoridade que só a idade proporciona. 

Foi assim que, nesse ano, apareceram diversas cópias de documentos referente à Maçonaria Operativa – as “Gothic Constitutions”. 

Face a estas, e não as achando adequadas, o Grão-Mestre e a Grande Loja ordenaram ao Irmão James Andersen que as coligisse e elaborasse um novo e melhor Método.

James Anderson, em 1723, com a aprovação da sua Grande Loja, publicou o resultado do seu laborioso trabalho, no que se tornou uma das obras que mais influenciou a Maçonaria até aos nossos dias: 

_ O primeiro livro de “The Constitutions of the Free-Masons”. 

Nele incluiu uma secção chamada “the Charges of a Free-Mason” – os chamados “Antigos Deveres” – extraída de registos de lojas “para além do mar”, bem como de Inglaterra, Escócia e Irlanda, para uso pelas Lojas de Londres. 

Foi assim que James Anderson fez uso dos antigos manuscritos a que chamou “The Old Gothic Constitutions”, e que citou e parafraseou extensivamente na sua obra. 

*É por esta razão que, num livro destinado a Maçons Especulativos, encontramos regras que só fazem sentido quando aplicadas a Maçons Operativos.*

Os “Antigos Deveres” são os documentos históricos que constituem as tais “Gothic Constitutions”. 

De um total de 119 documentos, cerca de dois terços são anteriores à primeira Grande Loja de 1717 – talvez uns 75 – e uns 55 são anteriores a 1700. 

Quatro foram escritos por volta de 1600, um é datado de 1583, outro de cerca de 1400 ou 1410, e outro será de cerca de 1390.

Quase todos começam com uma invocação: 

_ “Que a vontade do Pai do Céu, com a sabedoria do seu Glorioso Filho, através da graça e bondade do Espírito Santo, que são três Pessoas num só Deus, estejam connosco no nosso início, e nos dêem a graça de que governemos a nossa vida aqui de modo que possamos chegar à Sua felicidade que não tem fim. Amen.”

Pode ler-se então o anúncio do propósito e do conteúdo, seguido de uma breve descrição das Sete Artes Liberais ou Ciências, uma das quais é a Geometria. 

Seguia-se uma extensa História Tradicional da Geometria, Maçonaria e Arquitetura, que tomava mais de metade do texto, e que se iniciava nos tempos bíblicos de Noé, terminando no ano de 930, em que o Príncipe Edwin reuniu uma assembleia de maçons na cidade de York, e estabeleceu os regulamentos usados “desde esse dia até aos dias de hoje”.

A seguir vinha a forma de se fazer um juramento: 

_ “Um dos anciãos segurava o Livro, de modo que ele ou eles pudessem colocar as mãos sobre o Livro, e então as regras eram lidas.” 

A que se seguia o aviso: 

_ “Que cada maçom tome nota destes juramentos, pois se alguma vez se vir culpado de ter violado um, que possa reconciliar-se com Deus. 

_ E especialmente tu que vais prestar juramento, toma atenção ao cumprimento destes juramentos, pois é um grande perigo para um homem quebrar um juramento feito sobre um Livro”.

Seguia-se a lista das regras a cumprir, algumas de cariz comercial, outras de índole comportamental. 

Sem dúvida que eram essenciais a uma comunidade de artesãos que trabalhavam em grande proximidade vinte e quatro horas por dia. 

Por fim, vinha o juramento: 

_ “Estas ordens que ensaiámos, e outras que pertençam à Maçonaria, iremos guardar, assim Deus nos ajude, e por este Livro e para o seu poder. Amen.”





dezembro 26, 2025

NATAL E MAÇONARIA - Greg Stewart

 


À primeira vista, o Natal não tem conexão intrínseca com a fraternidade da Maçonaria. 

O que quero dizer com isto é que, em nenhum lugar nos graus, ela se vincula à qualquer feriado na sua prática, em particular a época de Natal.

Existem, porém, certas celebrações que se tornaram parte da fraternidade e que estão ligadas a um dos símbolos interessantes que está no cerne da prática. 

Sem qualquer referência específica, diz-se que os Maçons vêm de uma Loja dos Santos João. 

O porquê e como, específicos desta ligação, perdem-se nas areias do tempo metafórico, mas alguma conexão infere um equilíbrio para o equinócio celestial (do Verão até ao Inverno e vice-versa).

Através desta ligação, o Inverno seria representado por São João Evangelista, cuja festa cai no dia 27 de Dezembro.

Este Santo S. João tem um significado simbólico interessante, pois, como S. João Baptista (que representa o outro Santo S. João) foi o precursor da vinda de Cristo, João Evangelista é considerado o primeiro discípulo no Lago de Genesareth que reconheceu o Cristo e acreditou que ele tinha ressuscitado.

S. João Evangelista e S. João Baptista

Sobre o Santo também se diz que ele foi o único discípulo de Cristo que não o abandonou na hora da sua Paixão aos pés da cruz. 

João Evangelista também é chamado de Apóstolo da Caridade, o que pode ser em parte, a sua ligação com a Maçonaria, além da sua determinação inabalável e pureza do seu amor pelo divino.

Ao estudar a construção original dos dois Santos de nome João, a conclusão a que cheguei foi que eles encontraram um equilíbrio entre zelo e conhecimento.

S. João Baptista que foi o precursor do Cristo vivendo no seu zelo pela vinda do filho de Deus e S. João Evangelista como a representação de saber que o Cristo era o filho de Deus. 

Somente ao decifrar o componente de saber ficou claro para mim que não se tratava do grau de conhecimento adquirido, mas do grau em que S. João Evangelista confiava na sua intuição, para saber o que estava diante dele. 

Um paralelo interessante vem no livro de Mateus, onde esta mesma lição é comunicada a Pedro pelo Cristo que diz em Mateus 16: 15-17

• “Mas e tu?” perguntou. “Quem dizes que eu sou?”

• Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

• Jesus respondeu: “Bendito és tu, Simão, filho de Jonas, porque isto não te foi revelado pelo homem, mas por meu Pai que está nos céus”.

Isto está um pouco fora do contexto original, mas ilustra o conhecimento revelado com base na experiência, na aprendizagem.

S. João Evangelista chegou a esse conhecimento pela sua experiência com o Cristo.

Outra maneira de encarar essa experiência é passar das trevas para a luz, um despertar e, se for mais além, o despertar da consciência. 

Esta consciência ajusta-se perfeitamente à ideia do Sol Invictus, ou o sol conquistador que supera o seu cativeiro nocturno do Solstício de Verão e novamente começa a vencer a noite nos seus minutos cada vez maiores de luz do dia.

Olhando para algumas das outras ligações simbólicas, diz-se que S. João Evangelista se relaciona com o símbolo alquímico do triângulo apontado para cima que representa o fogo, onde novamente podemos ver uma ligação com a luz e o conhecimento. 

Quando combinamos o signo alquímico de S. João Baptista com o de S. João Evangelista, criamos a estrela de Salomão, e a dualidade de fogo e água; para além disso, a dualidade de luz e escuridão e Verão e Inverno.

Outros trabalhos atribuídos a S. João Evangelista são as Epístolas de João e o livro do Apocalipse, embora a sua conexão com eles nos séculos posteriores tenha sido controversa, já que muito da sua vida de 2000 anos atrás se perdeu no tempo. 

Dentro da Igreja, o seu dia de festa é mencionado pela primeira vez no Sacramentário do Papa Adriano I, cerca de 772 d.C..

A mensagem da Igreja, e algo que cada um de nós pode tirar de S. João Evangelista, é: “Aplica-te, portanto, à pureza de coração e serás como S. João, um discípulo amado de Jesus, e serás preenchido com sabedoria celestial”.

A festa de S. João Evangelista é pouco lembrada hoje, excepto dentro da Maçonaria onde é celebrada por algumas Lojas que ainda praticam o ritual da Loja da Mesa onde os Irmãos se reúnem para celebrá-la com brindes aos Irmãos presentes e ausentes. 

No passado, era considerado um dia de festa de grande importância para a Maçonaria por causa da sua proximidade com os feriados e a presença de membros da Loja perto de casa. 

Por causa disto, deu a esses irmãos um festival para se reunirem para pontuar o encerramento do ano. 

No entanto, reunir-se assim é algo menos conveniente nos dias modernos, já que a maioria das famílias viaja para o exterior para comemorar o feriado.

O fato de ser menos celebrado não diminui a importância do dia, nem do símbolo em si, pois no ritual moderno somos lembrados que viemos do Santo S. João em Jerusalém, e como tal devemos fazer uma pausa e reflectir sobre o que significa. 

S. João Evangelista dá-nos uma lição importante para buscar o conhecimento e despertar das trevas e renovar no osso compromisso com o despertar da luz do Sol Vitorioso. 

Mesmo retirando a metáfora cristã, podemos saudar com o Sol Invictus, ou o sol conquistador, à medida que o conhecimento é re-despertado da sua derrota fria e invernal.

Através das lentes do simbolismo, S. João Evangelista dá-nos uma forma de encontrar ressonância com o feriado da doação e da compaixão à fraternidade do amor fraterno, alívio e verdade – a Maçonaria.

(Tradução de António Jorge, M∴ M∴)

NATALIS SOLIS INVICTI



A Igreja Católica, no início da expansão do Cristianismo, se apropriou de uma festa pagã, em culto mitraico dedicado ao Sol Invicto, comemorado em 25:de dezembro (décimo mês do ano) e determinou que seria a data de nascimento de Jesus. A guisa de curiosidade posto aqui a oração dedicada a Solís Invicto. Em postagem anterior publiquei os estudos a respeito da verdadeira data de nascimento de Jesus Cristo.

...

Salve, Sol Invicte, lux aeterna mundi!

Hodie Mithras, dominus foederis et victor tenebrarum,

perficit iter sacrum per duodecim signa caeli.

Reversus est Sol ad initium cursus sui,

ut vita renascatur, ut ordo servetur,

ut tempus iterum fluat secundum legem astrorum.

Sit hic novus circulus plenus fortitudinis,

veritatis, disciplinae et concordiae inter homines.

Lux vincit, tenebrae fugiunt.

Io Sol Invicte! Io Mithra!

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Nascimento do Sol Invicto

Salve, Sol Invicto, luz eterna do mundo!

Hoje Mitra, senhor do pacto e vencedor das trevas,

completa o percurso sagrado pelos doze signos do céu.

O Sol retorna ao início de seu curso,

para que a vida renasça, para que a ordem seja preservada,

para que o tempo volte a fluir segundo a lei dos astros.

Que este novo ciclo seja pleno de força,

verdade, disciplina e harmonia entre os homens.

A luz vence, as trevas recuam.

Salve, Sol Invicto! Salve, Mitra!

FELIZ SATURNÁLIA!! - Witch Wolf


 

Antes do Cristianismo já havia Natal e chamava-se Saturnália.

A origem da celebração do Natal está envolta em polémicas mas uma coisa parece certa: trata-se de uma cópia da celebração romana da Saturnália.

Nem sempre o dia 25 de Dezembro foi dia de Natal. A origem da celebração deste dia parece ser muito antiga mas a filiação mais directa provêm, como tantas outras coisas, dos Romanos. Estes celebraram durante muito tempo uma festa dedicada ao deus Saturno que durava cerca de quatro dias.

Nesse período ninguém trabalhava, ofereciam-se presentes, visitavam-se os amigos e, inclusivamente, os escravos recebiam permissão temporária para fazer tudo o que lhes agradasse, sendo servidos pelos amos. 

Era também coroado um rei que fazia o papel de Saturno. Esta festa era chamada Saturnália e realizava-se no solstício de Inverno.

Convém lembrar aqui que o solstício de Inverno era uma data muito importante para as economias agrícolas – e os Romanos eram um povo de agricultores. Fazia-se tudo para agradar os deuses e pedir-lhes que o Inverno fosse brando e o Sol retornasse ressuscitado no início da Primavera. 

Como Saturno estava relacionado com a agricultura é fácil perceber a associação do culto do deus ao culto solar. 🌞🌿🌞🌿

Mas outros cultos existiam também, como é o caso do deus Apolo, considerado como “Sol invicto”, ou ainda de Mitra, adorado como Deus-Sol. Este último, muito popular entre o exército romano, era celebrado nos dias 24 e 25 de Dezembro data que, segundo a lenda, correspondia ao nascimento da divindade.

Em 273 o Imperador Aureliano estabeleceu o dia do nascimento do Sol em 25 de Dezembro: Natalis Solis Invicti (nascimento do Sol invencível).

É somente durante o século IV que o nascimento de Cristo começa a ser celebrado pelos cristãos (até aí a sua principal festa era a Páscoa) mas no dia 6 de Janeiro, com a Epifania.

Quando, em 313, Constantino converte-se e oficializa o Cristianismo, a Igreja Romana procura uma base de apoio ampla, procurando confundir diversos cultos pagãos com os seus.

Desistindo de competir com a Saturnália, deslocou um pouco a sua festa e absorveu o festejo pagão do nascimento do Sol transformando-o na celebração do nascimento de Cristo. O Papa Gregório XIII fez o resto: é mais fácil mudar o calendário do que mudar a apetência do povo pelas festas…



O CALENADARIO MAÇÔNICO - Maestros Masones


O calendário maçônico é uma forma simbólica de medir o tempo que liga a prática iniciática à ideia de uma luz primordial e uma história espiritual anterior à cronologia comum. Não é apenas uma curiosidade, mas uma ferramenta ritual que reforça o senso de pertença e continuidade dentro da tradição maçônica.

 O que é o calendário maçônico?

O calendário maçônico, especialmente no rito simbólico, baseia-se na fórmula de somar 4000 anos ao calendário gregoriano. Assim, 2025 se torna o ano 6025 da Era Maçônica, também conhecido como Anno Lucis (AL), que significa “No Ano da Luz”.

Este cálculo não busca precisão histórica, mas sim valor simbólico: a luz representa o conhecimento, a razão e a revelação inicial. Ao datar seus documentos no “Ano da Luz”, os maçons afirmam que sua tradição se conecta a uma fonte de sabedoria anterior à história registrada.

 Estrutura do calendário

Início do ano maçônico: O ano começa em 1o de março, considerado o primeiro mês. Isso se alinha com o mês de Nisan no calendário hebraico, que marca o início da primavera e da renovação. Meses numerados simbolicamente: março é o mês 1, abril o mês 2, e assim por diante. Fevereiro torna-se o mês 12. Exemplo de datação: Uma data como 22 de dezembro de 2025 seria expressa como 22o dia do 10o mês do ano 6025 A.L.

Variações segundo o ritual

- Rito escocês Antigo e Aceito: Use o Anno Mundi (A.M.), baseado na cronologia hebraica. Por exemplo, 2025 seria 5785 AM.

- Rito de York e Francês: Preferem o Anno Lucis, com a soma de 4000 anos.

- Outros sistemas: Alguns rituais adotaram o calendário gregoriano por razões práticas, mas muitos mantêm o cálculo simbólico em documentos rituais.

Significado profundo

O calendário maçônico não pretende competir com o calendário civil. Seu objetivo é lembrar que o tempo inicático é diferente do tempo profano. Cada data maçônica é uma afirmação de que o trabalho do maçom — sua busca por luz, verdade e perfeição — se inscreve em uma história espiritual que transcende a cronologia comum.

Fonte: Maestros Masones.

dezembro 25, 2025

BOM NATAL - Adilson Zotovici

 


Ainda há tempo obreiro

Neste ano que chega ao final

No qual não serás o primeiro

Nem o último mano, um  igual


Inda que um tanto rotineiro

Afastar- te da Arte Real

Lembra-te que aqui teu canteiro

Que dele és parte eternal


Benvindo oh livre pedreiro !

Tua presença é supernal

E teu amplexo sobranceiro


Traz em teu peito calor verbal

E leva o amor costumeiro

Tal qual maior feito...bom Natal !



LOJAS DE SÃO JOÃO - Carlos Passos




 

Para a Maçonaria, o dia *21 de dezembro* — que marca o Solstício de Verão no Hemisfério Sul e o Solstício de Inverno no Hemisfério Norte — possui um simbolismo profundo ligado à renovação, à busca pela luz e ao equilíbrio cíclico do universo.

Historicamente, a Maçonaria celebra as chamadas *"Lojas de São João"*, ligando os fenômenos astronômicos aos seus patronos.

1. O Simbolismo dos Dois "Sãos Joões"

A Maçonaria adotou dois santos cristãos como patronos, cujas datas festivas coincidem aproximadamente com os solstícios:

- São João Batista (24 de junho): Associado ao solstício de verão no Hemisfério Norte (auge da luz).

- São João Evangelista (27 de dezembro): Associado ao solstício de inverno no Hemisfério Norte (o início do retorno da luz).

No Hemisfério Sul, a situação se inverte astronomicamente: o 21 de dezembro marca o ápice do sol e do calor. Para o maçom, essa data representa o momento de maior irradiação da "Luz" (conhecimento e verdade), mas também o alerta de que, a partir daí, os dias começarão a encurtar, lembrando a necessidade de prudência e preparação.

- O Ponto Dentro de um Círculo

Na simbologia maçônica, existe um emblema composto por um ponto dentro de um círculo, ladeado por duas linhas paralelas verticais.

- Essas duas linhas representam os dois Sãos Joões.

- O topo e a base do círculo representam os dois solstícios.

- Esse símbolo ensina que o maçom, em sua caminhada, deve manter-se equilibrado entre esses dois extremos, nunca ultrapassando os limites da lei e da moral.

- Renovação e Espiritualidade

O solstício de dezembro é visto como um período de introspecção e renovação de votos. É o momento em que as Lojas costumam realizar a "Banquete Ritualístico" ou a "Loja de Mesa", celebrando a fraternidade e a colheita dos frutos do trabalho realizado durante o ano.

No Inverno (Norte): Simboliza a vitória da luz sobre as trevas (o dia volta a crescer).

- No Verão (Sul): Simboliza o esplendor da criação e a abundância da sabedoria.

- Transmissão de Cargos

Em muitas obediências maçônicas, o período próximo aos solstícios é escolhido para a Veneralato, a Posse das novas diretorias das Lojas (as chamadas "Luzes" da Loja). Isso ocorre porque o solstício representa uma mudança de ciclo, o momento ideal para passar o bastão e renovar a energia administrativa e espiritual do grupo.

> Nota: Embora o evento astronômico ocorra entre 21 e 22 de dezembro, a tradição maçônica costuma concentrar as celebrações rituais no dia 27 de dezembro, em honra a São João Evangelista.