abril 05, 2026

POR QUE SE CHAMA "LOJA MAÇÔNICA"? - Kennyo Ismail



Qual maçom nunca foi questionado por um profano do porquê do termo “LOJA”?

 Muitos são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns, fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas almas! Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o mesmo significado.

 Vejamos: “Loge”, palavra francesa, pode se referir à casa de um caseiro ou porteiro, um estábulo, ou mesmo o camarote de um teatro. Mas os termos franceses para um estabelecimento comercial são “magasin”, “boutique” ou “commerce”.

 Da mesma forma, o termo usado na língua inglesa, “lodge”, significa cabana, casa rústica, alojamento de funcionários ou a casa de um caseiro, porteiro ou outro funcionário. Os termos mais apropriados para um estabelecimento comercial em inglês são “store” ou “shop”. 

Já o termo italiano “loggia” significa cabana, pequeno cômodo, tenda, mas também pode designar galeria de arte ou mesmo varanda. Os termos corretos para um estabelecimento comercial são “magazzino”, “bottega” ou “negozio”. 

Em espanhol, “logia”, derivada do termo italiano “loggia”, denomina alpendre ou quarto de repouso. As palavras mais adequadas para estabelecimento comercial são “tienda” e “comercio”.

 Por último, podemos pegar o exemplo alemão, “loge”, que não tem apenas a grafia em comum com o francês, mas também o significado: um pequeno cômodo mobiliado para porteiro ou caseiro, ou um camarote. Já os melhores termos para estabelecimento comercial em alemão são “kaufhaus”, “geschaft” ou “laden”.

 Com base nesses termos, que denominam as Lojas Maçônicas nas línguas francesa, italiana, espanhola, alemã e inglesa, pode-se compreender que as expressões referem-se a uma edificação rústica utilizada para alojar trabalhadores, e não a um estabelecimento comercial. Verifica-se então uma relação direta com a Maçonaria Operativa, em que os pedreiros costumavam e até hoje costumam construir estruturas rústicas dentro do canteiro de obras, onde eles guardam suas ferramentas e fazem seus descansos. Essas simples edificações que abrigam os pedreiros e suas ferramentas nas construções são chamadas de “loge, lodge, loggia, logia” nos países de língua francesa, alemã, inglesa, italiana e espanhola.

 A palavra na língua portuguesa que mais se aproxima desse significado não seria “loja” e sim “alojamento”. Nossas Lojas Maçônicas são exatamente isso: alojamentos simbólicos de construtores especulativos. Isso fica evidente ao se estudar a história da Maçonaria em muitos países de língua espanhola, que algumas vezes utilizavam os termos “Alojamiento” em substituição à “Logia”, o que denuncia que ambas as palavras têm o mesmo significado.

À luz dos significados dos termos que designam as Lojas Maçônicas em outras línguas, podemos observar que a teoria amplamente divulgada no Brasil de que o uso da palavra “Loja” é herança das lojas onde os artesãos vendiam o “handcraft”, ou seja, o fruto de seu trabalho manual, além de simplista, é furada. Se fosse assim, os termos utilizados nas outras línguas citadas teriam significado similar ao de estabelecimento comercial, se seria usado em substituição às outras palavras que servem a esse fim. 

Na próxima vez que você passar em frente a um canteiro de obras e ver à margem aquela estrutura simples de madeira compensada ou placas de zinco, cheia de trolhas, níveis, prumos e outros utensílios em seu interior, muitas vezes equipada também com um colchão para o pedreiro descansar à noite, lembre-se que essa estrutura é a versão atual daquelas que abrigaram nossos antepassados, os maçons operativos, e que serviram de base para nossas Lojas Simbólicas de hoje.

abril 04, 2026

SEGUNDO PESSOA - Cesar Augusto Garcia


 

PROFESSA UMA CRENÇA NUM SER SUPREMO? - Jaime Lamb (Tradução de António Jorge)




É uma avaliação justa dizer que, nos tempos modernos, tem havido uma tendência cada vez mais popular para a secularização. 

No Ocidente, particularmente, um êxodo em massa da fé abraâmica e outras religiões monoteístas está em andamento há algum tempo. 

Por exemplo, uma recente pesquisa da Gallup mostrou que o número de americanos que se identificam como cristãos diminuiu de 80,1% para 75% entre os anos de 2008 e 2015. 

Atualmente, 21,3% dos americanos declaram não haver filiação religiosa. 

Tendências sociológicas deste tipo tendem a progredir exponencialmente; ou seja, podemos presumir que esta tendência não só continuará, mas fá-lo-á a uma taxa crescente de velocidade.

Tendo isto em mente, voltamos a nossa atenção para uma certa cláusula nos Landmarks maçónicos; ou seja, que *o candidato à Maçonaria deve professar uma crença num Ser Supremo.*

Como estes Marcos são um pouco maleáveis ​​no nível da Grande Loja de cada jurisdição, concentrar-nos-emos na redacção da questão como proposta ao candidato no estado de Connecticut:

•  “declara solenemente, na presença destas testemunhas, que é um crente firme na existência de um Ser Supremo?” [Ritual Oficial da Grande Loja de Connecticut AF & A.M., 2010] 

É importante notar que nunca se pergunta ao candidato se ele acredita em Yahweh, Jesus, Allah, Mithras, Buddha, e outros, nem jamais deveria ser assunto de um Maçom questionar o candidato para além de uma resposta afirmativa à questão proposta. 

Nem o candidato nem o Irmão são solicitados a elucidar ou esclarecer os detalhes da sua filosofia religiosa. 

De facto, a propósito do costume comum de que a discussão sobre religião ou política é desaprovada em Loja aberta, ele é ativamente admoestado a guardar essa informação para si mesmo, preservando assim a harmonia da Loja ao não introduzir um assunto potencialmente propenso a causar divisões.

A formulação da questão proposta ao candidato é muito concreta – é-lhe perguntado se acredita num Ser Supremo. 

Antes de prosseguirmos, peço ao leitor que reflita sobre as seguintes entradas do dicionário:

*SU·PRE·MO* |ê| (latim supremus, -a, -um) adjectivo 1. Superior a tudo. = SUMO; 2. Mais importante. = PRINCIPAL; 3. Que atingiu o limite ou grau mais alto. = EXTREMO, MÁXIMO, SUMO; 4. Último e mais solene. 5. Relativo a Deus. = CELESTE, DIVINO

• *SER* |ê| – substantivo masculino, 1. Aquilo que é, que existe. = ENTE; 2. O ente humano; 3. Existência, vida; 4. O organismo, a pessoa física e moral; 5. Forma, figura.

O leitor notará o amplo leque de possíveis interpretações produzidas pela combinação destas duas palavras. 

Observe também que não há dados aqui que sejam particularmente indicativos de uma entidade criadora transcendental residente num reino etéreo, por exemplo – embora essa seja uma interpretação tão válida como qualquer outra. 

Certamente não há implicações inerentes que perturbem as sensibilidades da sua era deísta típica do Iluminismo, como as que foram contadas entre os nossos Irmãos durante o desenvolvimento da Arte.

Além disto, uma crença num Ser Supremo – mesmo como um conceito teosófico interpretado pelo indivíduo, intelectualmente, e baseado no nível atual da sua compreensão cosmológica e escatológica racional – exclui quaisquer acusações de ateísmo, mantendo assim a cláusula seguinte das Old Charges: 

• “Um Maçon é obrigado pelo seu mandato a obedecer à lei moral; e se ele entender correctamente a Arte Real, nunca será um ateu estúpido, nem um libertino irreligioso. ”[ Charges of a Freemason, Grand Lodge of England, 1722]. 

Se a universalidade e a inclusão da Maçonaria em assuntos religiosos não eram o caso, os nossos antepassados deístas, quase gnósticos e joaninos podem ter tido dificuldade em cumprir os padrões de admissão na nossa nobre Arte. 

Isto sem mencionar muitos outros homens bons e dignos, bem recomendados, nesta era moderna e cada vez mais secular.


CORREGULAÇÃO MAÇÔNICA - Sérgio Quirino e Jair Duarte




Em várias Potências Maçônicas brasileiras, este ano haverá a troca de gestão nas Lojas Simbólicas. Nessa temática, temos avançado no discernimento de que a Loja deve “funcionar organicamente”, que ela não tem dono, não depende de dois ou três membros e quão infantil é a formação de “panelinhas”.

Decerto, ainda encontramos essas aberrações em algumas Augustas e Respeitáveis Lojas, porém não configuram mais a maioria.

Estamos nos conscientizando de que as Lojas devem passar por um processo de SUCESSÃO ADMINISTRATIVA, e não por um projeto ELEITORAL DE COMANDO. Portanto, fiquemos atentos quando os primeiros sinais dessa profanação aparecerem.

Podemos declarar que é, sim, uma profanação, porque os argumentos de interesse pessoal (eu) confrontam-se com as diretrizes coletivas (nós). O ápice do vexame, contudo, tanto maçônica quanto profanamente, consiste em algum “Irmão” acionar a justiça comum, a fim de que um não iniciado (juiz) estabeleça a “ordem” dentro da Ordem. 

ASSUNTOS MAÇÔNICOS DEVEM SER TRATADOS ESTRITAMENTE POR MAÇONS.

Relembrando o 13º Landmark: “O direito de cada Maçom de apelar das decisões de seus Irmãos em Loja aberta à Grande Loja ou Assembleia Geral dos Maçons”.

Dessa forma, isso justificaria a expulsão do Irmão impetrante da ação, em virtude do não cumprimento dos juramentos prestados.

Nesse caso, tratamos de uma situação extrema. Todavia, o comum é haver um “clima quente” ou “ambiente pesado” no período que antecede a troca de gestão. É, então, que entra em cena a Corregulação Maçônica.

A corregulação é um processo biológico e emocional no qual uma pessoa procura estabilizar outra. Em nosso caso, é quando um Irmão mais calmo/tranquilo propõe-se a lembrar a todos de que estamos juntos para vencer nossas paixões/desejos, submeter nossa vontade/ambição e fazer/trazer novos progressos/futuro na/para a Maçonaria/Loja.

Assim, esse período pode representar uma oportunidade de crescimento e conhecimento do que seja, de fato, a Loja como grupo e os Irmãos como indivíduos.

A MAÇONARIA NÃO É VIDA, É LABORATÓRIO PARA APRENDER A VIVER.

Sendo assim, é o momento ideal para que, sem sofismo, equívocos ou reservas mentais, possamos intercambiar ideias e posições sobre quem, por determinado período, será o “Mestre da Obra” (Venerável Mestre). Para tanto, sugerimos cinco pontos para a perfeição da atividade:

1. Segurança na exposição da diferença positiva entre sucessão e eleição.

2. Participação de Mestres Instalados calmos, e não reativos.

3. Parcimônia nas palavras e consciência de que nem toda ação necessita de uma reação.

4. Compreensão da insatisfação por parte de Irmãos, que devem receber todo o acolhimento fraternal que merecem.

5. Compartilhamento das experiências semelhantes passadas e o registro do progresso para os futuros pleitos.

Se a Loja está em consenso: “Graças te rendemos GADU.....”, mas se houver algum entrave, não podemos permitir segregações, abandonos e cisões. O poder é temporal e efêmero. Tudo passa mais rápido do que imaginamos, e nossa obrigação como correguladores é sermos o “orvalho de Hermon”. 

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.

 


NÃO HÁ SORTE - Adilson Zotovici




Não é sorte estar sob o dossel !

Obreiro, desde iniciado

No canteiro tem desbastado

De aporte o maço e cinzel


Pronto, junto ao trono assentado

Ao que tem estudado fiel

O esquadro, a régua, o cordel...

E até ali então chegado


"Não há acaso", nem sempre mel

Cargo ao homem determinado

Que enfrente o amargo ou uma Babel


O Momento é oportunizado

E cônscio investe no papel

O Livre pedreiro "preparado" !



ESQUIZOFRENIA - Jean van Win


            

            A palavra esquizofrenia, do grego schizein (divisão) e phrèn (mente), descreve uma separação entre a mente e a realidade. Observo há tempos que os maçons com quem convivo parecem incorporar exatamente essa dualidade, transitando entre dois mundos. No bar, momentos antes, usamos o tratamento informal; dentro do templo, o tratamento formal predomina. Recriamos o mundo pelo poder do ritual, estabelecendo uma realidade convencional onde tudo possui um significado oculto. Dizemos que é meio-dia quando são 20h30, e qualquer desvio das regras desse "outro mundo" é imediatamente percebido como uma violação inaceitável.

            Nessa passagem, deixamos para trás o mundo profano e ingressamos em um tempo e espaço onde os símbolos e a liturgia nos conduzem por uma experiência única. Não se trata de mera fantasia: nada é mais sério do que brincar, como quando crianças decidem quem serão os índios e os caubóis, estabelecendo valores e comportamentos levados a sério. Estamos, literalmente, brincando de construir um Templo, vivenciando uma metáfora bíblica que desperta em nós uma consciência progressiva do nosso ser moral.

            No cerne desse mito está um pensamento conceitual indefinível, que muitos maçons chamam de Grande Arquiteto do Universo. Não se trata de defini-lo ou identifica-lo com qualquer divindade estabelecida, cada um tem o direito de ver as coisas à sua maneira. Na pequena vila de Court Saint Étienne, na Bélgica, há um mausoléu que traz gravados os símbolos de todas as religiões e filosofias do mundo. Em sua porta de bronze, o emblema dos Rosacruzes antecede um belo quarteto do poeta Emerson: "De dentro ou de trás, uma Luz brilha através de nós sobre as coisas; Ela nos faz perceber que não somos nada além da Luz." De dentro ou de fora? Nenhuma explicação imanentista nem transcendental. Emerson nos deixa à nossa esquizofrenia e à responsabilidade de nossa resposta individual.

Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA Por Luciano J. A. Urpia

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PALESTRA "RAZÃO" - Michael Winetzki

 Palestra de Michael Winetzki realizada na 

ARLSV LUZ E CONHECIMENTO em 17/3/2024




QUER TOMAR UM CAFÉ COMIGO? - Michael Winetzki

 


Este blog teve início no dia 20 de setembro de 2011. Aproveitei um blog pessoal que já existia para dar início ao compartilhamento dos melhores trabalhos que eu recebia nos grupos maçônicos, e não só maçonaria, mas história, filosofia, ciência, arte, cultura, etc.

          Desde então foram mais de 4.270 excelentes textos, mais uma centena de autores, 862.000 acessos até o dia de hoje e bem mais de 2.000 horas de trabalho para proporcionar este conhecimento aos interessados.

         É um grande prazer fazer este blog e na medida de minhas forças continuarei a faze-lo. Mas dá trabalho e algumas despesas.

         Assim, não há obrigação nenhuma. Ele sempre será gratis, mas se você curte a minha companhia, ainda que virtual, quem sabe pode pagar um cafezinho. Apenas um café, que tenho certeza, ofereceria com alegria se nos encontrássemos ao vivo.

        Deposite, se quiser, o valor de um café, R$ 10,00 ou quanto quiser ou puder no Pix de Michael Winetzki, na Caixa Econômica Federal, chave tel. cel. 61981995133. Não precisa se identificar, não precisa enviar comprovante, não precisa fazer nada. E nem tem obrigação de depositar nada. 

       Encaro apenas como cortesia de algum leitor que agradece pelo trabalho que me dá lhe proporcionar o prazer destas leituras.

       Um caloroso TFA

abril 03, 2026

SEXTA-FEIRA SANTA - Adilson Zotovici

 




Caminham alguns à exaustão 

Entre outros vários sacrifícios

Por amor, por tradição,

Encarando até como ofícios 

Todos emotivos, por única razão 


Vê-se nos sagrados edifícios

Sacerdotes silentes em oração

Com amigos, familiares, patrícios,

Fiéis cristãos, em adoração,

Vivendo momentos propícios 


Lá fora é organizada a procissão

Muitas velas a iluminar o caminho

Onde o povo em peregrinação

Segue orando com fé, baixinho,

A “ JESUS “, após sua crucificação 


E a dor aguda de cada espinho,

Sentida pelos fiéis feito expiação,

Para mostrar a ELE, todo carinho

Todo respeito e veneração

Pela salvação da humanidade, sozinho 


É sexta-feira da Paixão !!!

Pela intolerância julgado,

Com arrogância, sem compaixão,

Morto e então sepultado,

A caminho da Ressurreição!

CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVANÇADA NOS POVOS DA ANTIGUIDADE

 

Excelente palestra do erudito irmão carioca Marcello Carneiro, proferida no Grupo Lives Maçônicas no dia 29/3.




APRENDA COM TODOS, MAS NÃO SE COMPARE COM NINGUÉM - Newton Agrella

Quando digo a mim mesmo:

"...Aprenda com todos, mas não se compare com ninguém..."

Começo a imaginar que a grande sacada dessa expressão é a de que devemos observar e abstrair conhecimentos das experiências alheias.

Sejam dos sucessos quanto dos erros.

Contudo, sem avaliar o próprio valor ou progresso com base na vida de terceiros. 

O olhar deve ser pessoal único, evitando a frustração gerada por tempos e histórias diferentes. 

Não dá pra viver se comparando. 

Cada um de nós, está envolto em suas próprias circunstâncias.

Afinal de contas, em tese, não somos amostras grátis, tampouco produtos em exposição.

Nossa jornada maçônica é um verdadeiro convite ao autoconhecimento.

Buscamos aprimorar nossa consciência, por meio de um processo especulativo.

Esse processo se consubstancia na evolução moral e espiritual aliadas à intelectual.

A famigerada "pedra bruta", nada mais é, senão o Símbolo do homem que precisa ser moldado, trabalhado e polido e esculpido, através da educação e da moral.

O processo é lento, longo e demanda tenacidade, pois ainda que em Loja, desenvolvamos uma lavra coletiva, a jornada por si só é rigorosamente solitária e antes de tudo, "individual".

Lembrando que o aprimoramento consciencial que a Maçonaria auxilia-nos a desenvolver, impõe um  processo sensível e contínuo de expansão da autopercepção.

 O exercício da liberdade de pensamento e de expressão tão decantado, como um dos fundamentos da Sublime Ordem, só faz sentido quando seu entendimento encontra abrigo no Discernimento diante de sí mesmo e do universo, buscando transcender limitações e padrões habituais de convivência e de disciplina comportamental.

Como uma academia filosófica, a Maçonaria possui regras, normas e princípios, cujas bases se apoiam em marcos regulatórios (Landmarks) que se sustentam perenemente, a despeito de tantas ações aleatórias que buscam, talvez até inconscientemente, desvirtuá-la de sua natureza humanista, hominal e antropocêntrica.

Fica o convite:

Compare-se apenas a sí mesmo.


PENSAMENTOS NEGATIVOS - Schmuel Lemle

 



Um homem foi conversar com seu mestre espiritual pedindo ajuda para vencer os pensamentos negativos. O mestre falou que existia um sábio numa outra cidade que podia ajudá-lo mais com este assunto. O homem decidiu fazer a longa viagem para consultar este sábio. 

Ao chegar à sua casa, bateu na porta. Um ancião olhou pela janela de casa e claramente viu o visitante, mas não abriu a porta. O visitante insistiu e bateu novamente.  Mais uma vez o ancião olhou e não abriu. Isto se repetiu por algumas horas, sendo que estava bastante frio lá fora. Depois de horas de insistência, finalmente o sábio abriu a porta e recebeu o convidado com a maior alegria. O visitante perguntou o porquê de ter sido deixado lá fora por tanto tempo.

O sábio disse:

- Quando vi você chegando já sabia que sua pergunta era como vencer os pensamentos negativos. Queria mostrar a resposta na prática. Agora que você já está dentro da minha casa, pode fazer o que quiser aqui dentro e dificilmente conseguirei impedir.  Mas antes de você entrar, quando estava na porta, eu tinha o poder de deixar ou não você entrar.

O mesmo vale para os pensamentos negativos.  "O lugar para barrá-los é na porta. Depois que entram, eles crescem e nos controlam."

abril 02, 2026

A FORMAÇÃO DE LÍDERES MAÇÔNICOS NO SÉCULO XXI - Helio P. Leite



“No século XXI, a liderança maçônica nasce da união entre sabedoria iniciática e competência administrativa.”

A história da Maçonaria demonstra que, em cada época, a Ordem foi conduzida por homens que souberam interpretar os desafios de seu tempo e agir com sabedoria diante das transformações da sociedade.

Desde o surgimento da Maçonaria especulativa, no início do século XVIII, a liderança maçônica sempre esteve associada a três qualidade fundamentais: retidão moral, cultura intelectual e capacidade de conduzir homens.

Contudo, o século XXI apresenta circunstâncias novas e particularmente desafiadoras. A velocidade das mudanças sociais, a complexidade das organizações e a crescente exigência de transparência e eficiência administrativa fazem com que o exercício da liderança , inclusive no âmbito da Maçonaria, demande preparação cada vez mais sólida.

No caso do Grande Oriente do Brasil, a estrutura federativa, a extensão territorial e o número expressivo de Lojas e membros exigem dirigentes capazes de conciliar tradição iniciática e competência administrativa.

A liderança maçônica contemporânea não pode limitar-se apenas à condução  ritualística dos trabalhos. Ela exige também: capacidade de planejamento; visão institucional; habilidade de diálogo; preparo administrativo; e compromisso com a unidade da Ordem.

Isso significa que o líder maçônico do século XXI precisa reunir duas dimensões complementares.

A primeira é a dimensão iniciática, que constitui o fundamento moral da liderança. Sem ela, qualquer autoridade se torna vazia. É o conhecimento da tradição simbólica, a prática das virtudes e o compromisso com os princípios da Ordem que legitimam o exercício da liderança maçônica.

A segunda é a dimensão administrativa, que permite transformar ideais em ações concretas. Conduzir uma Loja, dirigir um poder ou exercer funções de grande responsabilidade dentro da Ordem exige organização, planejamento e capacidade de gestão.

Quando essas duas dimensões caminham juntas, surge o verdadeiro dirigente maçônico: aquele que governa não apenas com autoridade, mas também com sabedoria.

Nesse contexto, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de formação sistemática de lideranças dentro da Maçonaria.

Durante muito tempo, acreditou-se que a experiência acumulada ao longo da vida maçônica seria suficiente para preparar dirigentes. Em muitos casos, de fato, essa experiência produziu líderes notáveis. Contudo, a realidade contemporânea demonstra que a experiência , embora valiosa, pode ser significativamente fortalecida por processos estruturados de formação.

Programas de capacitação, cursos de planejamento, seminários de liderança e estudos de governança institucional representam instrumentos importantes para preparar irmãos que venham a assumir responsabilidades maiores dentro da Ordem.

Iniciativas como cursos de planejamento para Veneráveis Mestres ou mesmo a criação de uma Escola dedicada à formação administrativa maçônica podem contribuir decisivamente para esse objetivo.

Esses programas não têm por finalidade  transformar a Maçonaria em uma organização meramente burocrática. Ao contrário, buscam garantir que os valores iniciáticos da Ordem possam ser preservados e transmitidos com estabilidade institucional.

Afinal, instituições sólidas dependem de líderes preparados.

Ao investir na formação de suas lideranças, a Maçonaria não está apenas qualificando administradores. Está preparando irmãos capazes de orientar suas Lojas, preservar a harmonia da Ordem e conduzir a instituição com visão de futuro.

O século XXI exige líderes que compreendam a tradição e saibam dialogar com a modernidade.

Na Maçonaria, essa tarefa assume um significado ainda mais profundo. O líder maçônico não é apenas um administrador de estruturas; é também um guardião de valores e um orientador de consciências.

Por isso, a formação de líderes maçônicos deve ser vista como um investimento estratégico para o futuro da Ordem.

Quando a liderança se fortalece, as Lojas prosperam. Quando as Lojas prosperam, toda a instituição se engrandece.

E é assim que a Maçonaria continua cumprindo sua missão secular: formar homens melhores para construir uma sociedade mais justa e fraterna.

“Quem deseja conduzir homens deve primeiro aprender a governar a si mesmo.”