abril 16, 2021

O RITUAL DA VELAS E A CROMOTERAPIA

      

             

              Quase todas as tradições religiosas e rituais maçônicos utilizam-se de velas em determinados momentos, especialmente na abertura e encerramento. Embora muitos ritos tenham adotado lâmpadas elétricas que emulam velas, estas continuam a ser utilizadas como  catalizadores de luz, ativados pela intenção, desejo e oração para criar iluminação espiritual. Devoção e mistério estão presentes no acendimento de velas, que simbolicamente fazem recair luz sobre os cantos “escuros da nossa vida” - “Pois o preceito é uma lâmpada, e a instrução é uma luz”, (Prov. 6, 23).

,        A luz é um dos mais expressivos símbolos na maçonaria, pois representa (para os maçons de linha inglesa) o espírito divino, a liberdade religiosa, designando (para os maçons de linha francesa) a ilustração, o esclarecimento, o que esclarece o espírito, a claridade intelectual. A Luz, para o maçom, não é a material, mas a do intelecto, da razão, é a meta máxima do iniciado maçom, que, vindo das trevas do Ocidente, caminha em direção ao Oriente, onde reina o Sol. Castellani diz que graças a essa busca da Verdade, do Conhecimento e da Razão, é que os maçons autodenominam-se Filhos da Luz; e talvez não tenha sido por acaso que a Maçonaria, em sua forma atual, a dos Aceitos, nasceu no “Século das Luzes”, o século XVIII.

         No passado as velas eram feitas com madeiras resinosas ou cascas e galhos de árvores embebidos em gordura animal e desprendiam um odor desagradável. Atualmente sua fabricação evoluiu  ganhando novas formas, cores e fragrâncias agradáveis.. 

         Ao enfocarmos o lado místico e esotérico das velas, penetramos num universo de símbolos e arquétipos, onde aparecem os quatro elementos básicos da natureza: a parafina e os  elementos sólidos representam a terra; o pavio, ao entrar em combustão, evidencia o elemento fogo que se manifesta também pela ação do ar; ao tornar-se líquida, a vela então é água que se manifesta com sua fluidez e  maleabilidade.

       Podemos, também relacionar as velas ao próprio homem, com a parte sólida relacionando-se ao corpo físico; a parafina líquida ao sangue e aos elementos líquidos do corpo; e o fogo caracterizando o espírito, com a função específica de manter a união dos corpos físico, mental e astral.

       

,              CROMOTERAPIA          

            A cromoterapia – energia curativa através das cores – utiliza-se da vela  como recurso adicional de vibração, energia e luz:

            Vermelho – a cor mais densa do espectro, relaciona-se com a energia  física, traduzindo-se em sexualidade.

            Laranja – emite vibrações de criatividade, alegria e força mental.

            Amarelo – energia espiritual, otimismo e vitalidade. Na matéria, ativa  o poder e a luz pessoal e social.

           Verde – energia de equilíbrio, saúde física e estabilidade.

Rosa – energia angélica, amor incondicional e calma.

Azul – energia da comunicação interna e externa, intuição,  sensibilidade, identificação de oportunidades e expressão de talentos.

          Marrom – energia da terra e dos bens materiais.

          Branca – vibrações de paz, harmonia, purificação e unificação.

            As formas

            Atualmente, além da função original de iluminar, as velas andaram ganhando  novas formas e associando-se à radiônica. Assim, podemos utilizar da   energia sutil emanada pelas figuras geométricas para a harmonização de  ambientes e para a mudança ou manutenção de condições físicas, emocionais  ou espirituais:

            Quadradas – representam a terra, a estabilidade da matéria, a intimidade, o lado oculto. Seus quatro lados associam-se aos elementos básicos: terra, fogo, água e ar. Utilizadas para afastar a timidez.

             Redondas – representam as emoções, a totalidade. Devem ser utilizadas para fortalecimento espiritual e emocional. Liberam sentimentos.

             Cilíndricas – concretizam situações. Deve-se utilizá-las para obter sucesso em pedidos difíceis.

             Triangulares e cônicas – simbolizam o equilíbrio, a Santíssima Trindade, os aspectos físicos, espirituais e emocionais do homem. O cone  voltado para cima está ligado ao desejo da transcendência. Usar em rituais de proteção

            Estrela de cinco pontas – a manifestação do homem enquanto matéria, o seu carma. Seu uso traz coragem para enfrentar desafios.

            Piramidais – recomposição geral do equilíbrio físico e ambiental, através da revitalização da mente e das funções cerebrais. Utilizar para proteção e captação de energias.

            Espirais – de atuação constante, possuem as mesmas propriedades das velas piramidais, triangulares, cônicas e estrela, com a função adicional de dissolver ou precipitar situações.

            Curtas – ajudam a energizar o ambiente, eliminando lembranças  negativas do passado.

            Longas – busca da sabedoria e bênçãos divinas.

            Os aromas

            Na utilização das velas para efeitos terapêuticos e de harmonização  podemos recorrer à prática dos conceitos da aromaterapia, através do uso de óleos essenciais:

            Felicidade no amor – almíscar, cravo, rosa, jasmim, sândalo, canela.

            Sexualidade em alta – patchuli, ópium, dama da noite, maçã, canela.

            Meditação – rosa, violeta.

            Limpeza do ambiente – eucalipto, arruda, cravo, canela.

            Fortalecer a espiritualidade – rosa, violeta, alfazema, cedro.

            Ajudar nos estudos e no trabalho – jasmim, mirra, lavanda, sândalo.

            Relaxar o corpo – alfazema, flor de maçã

abril 15, 2021

MARY’S CHAPEL – A LOJA MAÇÔNICA MAIS ANTIGA DO MUNDO


Autor: Vitor M. Adrião

Quem passa em Hill Street junto à porta nº 19, não deixa de reparar no invulgar do seu aspecto, desde as colunas jônicas laterais até um misterioso emblema gravado por cima da entrada, que tem sido motivo das mais desencontradas leituras por aqueles que desconhecem estar diante da Mary’s Chapel nº 1 de Edimburgo, a mais antiga Loja Maçônica ativa do Mundo.

Este emblema esculpido em pedra sobre a entrada principal portando a data 1893, nasceu de um projeto apresentado pelo Venerável Mestre Dr. Dickson no Lyric Club em 6 de Outubro desse ano e que se destinava a ser colocada aqui. Consiste num hexalfa dentro de um círculo tendo ao centro a letra G resplandecente.

O hexalfa ou estrela de seis pontas com dois triângulos opostos entrelaçados circunscrito pelo círculo designa a Harmonia Universal, a Alma Universal alentada pelo G raiado indicativo de Geômetra, o Grande Arquiteto do Universo, portanto, God ou Deus, que como Espírito (triângulo vertido) elabora a Matéria (triângulo vertido), ambos os princípios não prescindido um do outro (triângulos entrelaçados) para que a Grande Obra do Universo (a sua evolução e expansão incluindo todos os seres viventes dele) seja justa e perfeita, o que se assinala no círculo.

Em linguagem Maçônica, isso quer dizer que os trabalhos de Loja possuem retidão e ordem. Em linguagem hermética ou segundo os princípios de Hermes, o Trismegisto, significa “o que está em cima é como o que está em baixo, e vice-versa, para a realização da Grande Obra”.

Neste emblema aparecem também muitas marcas em forma de runas pictas (isto é, a dos primitivos habitantes da Escócia, os pictos, que estabeleceram o seu próprio reino) e símbolos de graus maçônicos que vêm a designar em cifra, correspondendo à marca Maçônica pessoal, os nomes dos Oficiais da Grande Loja da Escócia e da Loja de Edimburgo nesse ano de 1893 da qual esta Loja de Mary´s Chapel faz parte como número 1.

Com efeito, entre os triângulos e o círculo aparece a sigla LEMC nº1, “Loja (de) Edimburgo Mary´s Chapel nº 1”, e dentro dos triângulos 12 símbolos correspondentes aos 12 Oficiais desta Loja, enquanto os 4 símbolos fora do círculo designam os 4 Oficiais da Grande Loja presentes quando se aprovou esta peça artística. Como exemplo único evitando indiscrições, repara-se no H com o Sol Levante por cima: é a marca pessoal de George Dickson, Venerável Mestre desta Loja de Edimburgo em 1893.

Leva a designação atual de Loja de Edimburgo porque Mary´s Chapel (Capela de Maria), onde a Loja funcionou originalmente, não existe mais.

Ela foi fundada e consagrada à Virgem Maria, no centro de Niddry´s Wynd, por Elizabeth, condessa de Ross (Escócia), em 31 de Dezembro de 1504, sendo confirmada por Carta do rei James IV em 1 de Janeiro de 1505. A capela foi demolida em 1787 para a construção de uma ponte no sul da cidade.

Esta Loja é a número 1 na lista da Grande Loja da Escócia (estabelecida em 30 de Novembro de 1736) por lhe ser muito anterior possuindo a ata de uma sessão Maçônica datada de 31 de Julho de 1599, constituindo o documento maçônico mais antigo do mundo e num tempo de transição entre a Maçonaria Operativa e a Maçonaria Especulativa, posto a existência de esta Ordem poder repartir-se por três períodos distintos:

Maçonaria Primitiva (terminada com os colégios de artífices romanos, os Collegia Fabrorum);

Maçonaria Operativa (terminada em 1523);

Maçonaria Especulativa (iniciada em 1717).

Por este motivo, foi nesta Loja de Mary´s Chapel que William Shaw (c. 1550-1602), Mestre de Obra do James VI da Escócia e Vigilante Geral do Ofício de Construtor, apresentou os seus famosos Estatutos Shaw datados de 28 de Dezembro de 1598, apercebendo-se pelo texto que ele além de pretender regular sob sanções a Arte Real dos artífices, procurava estabelecer uma separação entre os maçons operativos e os cowan, isto é, profanos.

O fato de aqui se redigir uma ata Maçônica em 1599, pressupõe que a Loja é anterior a esse ano e estaria organizada e ativa desde data desconhecida.

Seja como for, esta também foi a primeira Loja Maçônica antes de 1717 a admitir membros que não fossem construtores: Sir Thomas Boswell, Escudeiro de Auschinleck, Escócia, foi nomeado Inspetor de Loja em 1600, o que constitui a primeira informação relativa a um elemento não profissional recebido em Loja de Construtores Livres.

Outros autores dão o nome como John Boswell, Lord de Auschinleck, admitido como Maçom aceito nesta Loja. Este John Boswell é antecessor de James Boswell, que foi Delegado do Grão-Mestre da Escócia entre 1776 e 1778.

As atas de 1641 desta Loja Mary´s Chapel igualmente indicam que maçons especulativos foram iniciados nela. Nesse ano foram iniciados Robert Moray (1609-1673), general do Exército Escocês e filósofo naturalista, Henry Mainwaring (1587-1653), coronel do Exército Escocês, e Elias Ashmole (1617-1692), sábio astrólogo e alquimista.

Reconheceu-se aos três novos membros o título de maçons, mas como não gozavam dos privilégios dos autênticos obreiros, pois o cargo era somente honorário, foram denominados como accepted masons.

Ainda sobre Robert Moray, Roger Dache, do Institut Maçonnique de France, informa que quando da sua iniciação Moray recebeu como marca Maçônica pessoal o pentagrama ou estrela de cinco pontas, muito comum na tradição dos antigos construtores, com a qual se identificou bastante e a utilizou nas assinaturas de diversos documentos.

Ainda sobre Elias Ashmole, G. Findel, na sua História da Maçonaria, diz que há uma confusão nas datas sobre a sua iniciação Maçônica: Ashmole terá sido iniciado em 16 de Outubro de 1646 numa Loja de Warrington, Inglaterra, mas o fato é que o próprio escreve no seu Diário ter sido iniciado em Edimburgo em oito de Junho de 1641.

Em 1720, o artista italiano Giovanni Francesco Barbieri apresentou na Loja Mary´s Chapel um trabalho lavrado, reproduzindo com muita fidelidade a Lenda de Hiram, ou seja, o fenício Hiram Abiff que era o chefe dos construtores do primitivo Templo de Salomão, em Jerusalém. Sabendo-se que esta Lenda foi incorporada ao ritualismo maçônico, cerca de 1725, conjectura-se que Giovanni possa ter sido um dos maçons aceites da época e que a Lenda já era parte da ritualística Maçônica em Mary´s Chapel desde muito antes.

Há ainda o registro da visita de Jean-Theophile Désaguliers (1683-1744) à Loja Mary´s Chapel em 1721, visita estranha do filósofo francês Vice-Grão-Mestre (em 1723 e 1725) da recém-formada Grande Loja de Inglaterra.

Os maçons escoceses duvidaram do seu estatuto e sujeitaram-no a rigoroso inquérito em 24 de Agosto de 1721, até finalmente acreditarem nele e aceitarem-no com as regalias do cargo. Seja como for, não parece que as pretensões de Désaguliers tenham obtido o êxito que procurava, talvez por motivos de recusa de sujeição dos maçons escoceses aos maçons ingleses, o que recambia para a antiga questão independentista.

Foram ainda iniciados nesta Loja de Edimburgo o príncipe de Gales, depois rei Eduardo VII (1841-1910), e o rei Eduardo VIII (1894-1972), que abdicaria do trono britânico para poder casar com a americana Bessie Wallis Warfield.

A caneta com que assinaram o documento da sua iniciação é conservada no museu desta Loja, que o visitante pode ver entre outros objetos relacionados com a longa história dos maçons de Mary´s Chapel.

Aqui fica, em síntese simplificada para o leitor não familiarizado com estes assuntos, a história da Lodge of Edinburgh nº 1 (Mary´s Chapel), aliás, desconhecida de muitos maçons apesar de ser a mais antiga da Escócia e do Mundo.
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