abril 23, 2021

FOGO MAÇONICO - texto de Walter Celso de Lima

 




        O irmão Walter Celso de Lima da ARLS Alvorada da Sabedoria, nº 4285 de Florianópolis e da Academia Catarinense Maçônica de Letras é engenheiro eletrônico, estudou medicina e é professor universitário aposentado, com doutorado e pós doutorado. Lecionou em universidades no Chile, EUA, Japão e Inglaterra. Publicou dezenas de obras, entre livros técnicos e maçônicos e é tido como um dos mais notáveis intelectuais da Ordem no país. Ele autorizou a publicação de seus textos.


        1. Introdução:

        Ao exercer a função de instrutor para as Preleções em nossa Loja (Trabalho de Emulação) deparei-me nas págs. 86 e 87 com o ritual do Fogo Maçônico (Foster, 2016). O mesmo ocorre na edição anterior (Martinez Alonso, 2002). Em outra tradução (Mello, 2010), encontramos o mesmo. No original em inglês (Lewis, 2008), encontramos o mesmo (pag. 58).

        Este fato me ocasionou uma grande questão. O Fogo Maçônico não existe nos rituais do Trabalho de Emulação. Em nenhum grau. Existe Fogo Maçônico nos rituais de banquete dos ritos de origem francesa (REAA, RM, RAd e RB). No ritual de banquete da Maçonaria inglesa (não é do Trabalho de Emulação – The Royal Festive Board – Ceia Festiva Real) não existe o Fogo Maçônico. Mas existe Fogo Maçônico na Maçonaria inglesa, por tradição, independente de rituais. Usa-se para saudar autoridades, num brinde de gala.

        Como compreende-lo? Como será a instrução do Fogo Maçônico?


        2. Origens. História:

        O Dr. Richard Kuerden, também conhecido como Richard Jackson (1623-1690), morador em Preston, Lancashire, descreveu uma celebração do Comerciante de Ouro de Preston: “ ... o prefeito faz um cortejo até a Igreja de Preston, onde são servidas cervejas. Com um copo, o prefeito deseja boa saúde ao Rei, depois à Rainha, à nobreza, e a cada saúde é atendida por uma salva de tiros dos mosqueteiros



                        Fig. 2 – Polícia Militar preparando-se para uma salva de gala de Fogo.

        Outro exemplo do século XVII: em fevereiro de 1694, o capitão de um navio, referiu-se à pratica semelhante. Estando no Castelo de Cape Cost, na costa oeste da África, no jantar, antes de sua partida, tendo seis novos canhões do convés, trazidos para terra, a cada saúde brindada, foi disparada onze tiros,


                                                        Fig. 3 – Fogo de gala na Inglaterra.

        Onze tiros não é o padrão. O padrão depois de 1808, é vinte e um tiros ou três tiros, dados por mosqueteiros ou por canhões. Por que 21 ? Por que 3? Os 21 surgiram ainda no período medieval, quando foram unificadas as celebrações de gala e as celebrações de funeral. O número 21 teria se dado porque, na época, sete tiros era a salva máxima de tiros à bordo, que devia ser respondida 3 vezes pelas fortificações de terra, ou seja, com 21 tiros



                                       Fig. 4 – Salva de gala feita por canhões.

        A razão de 3 tiros, é a mesma porque a Maçonaria usa o número 3. Trata-se de um número perfeito. Há quem diga que se refere às 3 pessoas da Santíssima Trindade, mas isso não é uma razão original. No início do século XVIII, o governo britânico reconheceu o gesto e autorizou a Marinha Real a usar 21 tiros para homenagear membros da Família Real. Depois, essa virou a maneira oficial de se honrar a realeza.



                                                        Fig. 5 – Fogo de gala em Brasília.

        Não se sabe, exatamente, como o Fogo Maçônico começou na Maçonaria. James Anderson (1679-1739) registrou em seu novo livro das Constituições de 1738, que John Theophilus Desaguliers (1683-1744), recém empossado Grão-Mestre, em 24 de junho de 1719, foi saudado com brindes e Fogo Maçônico de mosquetes.


                                                    Fig. 6 – Fogo de gala na Inglaterra.

        Dada a dificuldade de dar tiros de mosquetes em templos maçônicos, os tiros foram substituídos por palmas e o brinde é feito, por 3 vezes, levando a taça (ou copo) à frente, à direita (ombro direito) e à esquerda (ombro esquerdo), seguido da bebida de um gole. O cálice ou copo só se enche antes das três bebidas. Ao final de cada bebida, o cálice ou copo é batido com força na mesa, em uníssono com todos os Irmãos. Este ato é chamado de disparo. Para não quebrar taças ou copos nesta batida, usa-se comumente copos de metal. Segue-se uma salva de três vezes palmas, por 3 vezes.

        3. Considerações Finais:

        Embora o Fogo Maçônico não faça parte dos rituais simbólicos, o Fogo Maçônico é um ato litúrgico chancelado pela tradição britânica. O Fogo Maçônico encontra-se nos rituais de banquetes dos ritos de origem francesa: REAA, RM, RAd e RB




                                                            Fig. 7 – Fogo de gala nos EUA.

        O Fogo Maçônico é usado para saudar autoridades, por brindes e acompanhamento litúrgico.


Fig. 8 – Fogo de gala pelo falecimento do Irmão Principe Philip, Duque de Edimburgo, em 9 de abril de 2021.




BIBLIOGRAFIA:

- ELoI. “The Lectures of the Three Degrees in Craft Masonry”.
Emulation Lodge of Improvement (ELoI) Reprinted Edition. London; Lewis Masonic, 2008.
- Foster, C. V. (trad.), “As Preleções dos Três Graus na Maçonaria Simbólica”. São Paulo: Loja Campos Sales, 2016.
- Marasciulo, M.“Por Que as Salvas Fúnebres e de Gala têm 21 Tiros?” Galileu, 2020.
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2020/02/por-que-salvas-funebres-e-de-gala-tem-21-tiros.html Acessado em 15.fev.2021.
- Martinez Alonso, S. (trad.).“As Preleções dos Três Graus na Maçonaria Simbólica”. São Paulo: Loja Campos Sales, 2002.
- Melo, L.C. “Preleções dos Três Graus na Arte Maçônica”. São Paulo: ed. LCM, 2010.
- Portilho, G. “Por Que a Salva de Funerais tem 21 tiros?”.Super Interessante,201
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-a-salva-de-funerais-tem-21-tiros/
Acessado em 15.fev.2021.








abril 22, 2021

BRASÍLIA, O SONHO, A ESPERANÇA, A FÉ.

 

 

        “Só o impossível é digno de ser sonhado” – Abgar Renault

        Muito antes da sua materialização, Brasília foi um sonho de um santo, que, a semelhança de Abraão,  havia vislumbrado um grande lago, aonde uma cidade maravilhosa viria a ser o berço de uma nova civilização, “..quando vierem escavar as minas ocultas no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível”...

        JK, transportou ao sonho fé e esperança, e as eternizou nas palavras com que saudava o início da empreitada : “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se tornará o cérebro das decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã de meu país e antevejo esta alvorada com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”.

        Mais ainda, Juscelino, o sonhador do impossível, cercou-se de um séqüito de artistas-sonhadores que não temiam o absurdo desafio de transformar uma utopia em cidade: Oscar Niemeyer que materializou flores do cerrado em concreto armado, criando formas inéditas na arquitetura; Lúcio Costa, o brasileiro cidadão do mundo que deu asas ao sonho; o calculista poeta, Joaquim Cardozo, que planejou os moldes de ferro, areia e cimento com a mesma delicadeza que esculpia os seus versos, fazendo brotar poesia em forma de edifícios; Athos Bulcão que bordou renda em pedras, e outros tantos que perpetuaram aqui a sua glória em forma de obras

        Muitos outros aderiram ao sonho, e sonhando, com a agudeza de sua inteligência, com força de vontade, com o poder de seus músculos, com trabalho duríssimo, fizeram nascer o grande lago e dele brotar a mais espetacular capital do mundo, cujo símbolo mais marcante, a Catedral, oferenda ao Criador, lembra ou a forma das mãos justapostas em oração, abençoando o espírito visionário de D. Bosco, ou a coroa de espinhos, em memória a miraculosa epopéia, regada de suor e eivada de dor e sacrifícios, que foi a construção de Brasília.

        No dia da inauguração, o cruzeiro da primeira missa do Brasil, rezada por Frei Henrique de Coimbra, trazido de Ouro Preto, é solenemente instalado na empoeirada e gigantesca esplanada, para testemunhar a primeira missa de Brasília, e é saudada com os versos do artista poeta Guilherme de Almeida: Agora, aqui é a encruzilhada tempo-espaço. Caminho que vem do passado e vai ao futuro. Caminho do Norte, do Sul, do Leste e do Oeste. Caminho ao longo dos séculos, caminho ao longo do mundo: aqui e agora todos se cruzam pelo sinal da Santa Cruz”

        O sonho, a fé e a esperança de JK, simbolizados nesta cidade, berço de uma nova civilização, sonhada por um santo e materializada por anjos disfarçados de homens, estão se perdendo porque ela foi tomada de assalto pela pior espécie de ladrões, mentirosos, vigaristas, corruptos e corruptores, vagabundos, preguiçosos, desavergonhados, abusados, imorais e todo tipo de malandros, que zombam do povo brasileiro, enlameiam seu presente, desperdiçam seu futuro e traem os sonhos daqueles que sonharam esta Capital.

        Que o espírito de JK se faça presente  em cada brasileiro honrado e decente, e que os votos desses milhões de brasileiros devolvam Brasília a representantes do povo que, a semelhança de Juscelino e seu séqüito de sonhadores, possam materializar os sonhos do nosso povo, construindo uma grande nação e devolvendo-lhe a fé e a esperança em seu grande, e merecido, destino.

        Cabe a cada brasileiro sonhar o sonho de JK, e construir o país que todos desejamos.