maio 13, 2021

LUÍS GAMA - PATRONO DA ABOLIÇÃO


Contribuição do historiador paranaense Junior Hamilton. Publicado com autorização

A emocionante história de Luís Gama, o maior libertador de escravizados da história do país

Falar de Luís Gama e não se emocionar não é tarefa fácil, até seus biógrafos mais famosos dizem que sua vida daria um excelente roteiro de novela, daquelas em que os espectadores terminam o folhetim em prantos.

Sua mãe, Luiza Mahin, foi uma das idealizadoras da Revolta dos Malês, um levante de escravizados ocorrido na Bahia. Ela foi presa, condenada por conspiração e expulsa do país. Sem a genitora, o  pai de  Gama, um homem branco,  o vendeu como escravizado para um comerciante paulista. No momento da negociação, Luís tinha 10 anos de idade. Daí para a frente, sua vida passaria a compor uma das páginas mais belas da história do Brasil. 

Aos 17 anos, Gama aprendeu a ler e estudou direito, poesia, filosofia e jornalismo.  Compreendeu, de forma autodidata que, segundo o direito da época, por ser filho de mãe livre, sua situação de cativo era ilegal. Foi aos tribunais e conseguiu, judicialmente, a própria liberdade.  Junto com outros jornalistas, inaugurou a imprensa humorística paulistana, ao fundar, em 1864, o jornal "Diabo Coxo", usando o instrumento de comunicação para criticar duramente a escravidão. No mesmo ano, virou um dos poucos negros aceitos na Maçonaria paulistana. 

Engajado na luta abolicionista, se constituiu como advogado e enfrentou muitas lutas judiciais para defender negros escravizados. No fim de sua vida, Luís Gama havia libertado cerca de 500 cativos. 

Tinha em sua casa um recipiente com moedas para dar assistência a negros libertos que passavam por necessidades, visto a dificuldade de reinserção social que enfrentavam após a libertação. Também mantinha contato com jornais e comerciantes e usava sua influência para empregar negros alforriados. Recebia, em sua casa, cativos maltratados pelos seus senhores, alguns fugidos, outros revoltosos, outros que queriam libertar os filhos das garras da escravidão. Segundo Boris Fausto, seu biógrafo mais famoso, Luís Gama foi um símbolo da luta contra a escravidão e atendia a todos que o procuravam com o mesmo cuidado e proteção.

Gama obteve, em sua época, apoio e admiração de figuras famosas como Joaquim Nabuco, Castro Alves e Raul Pompeia, pessoas cruciais para a construção do pensamento abolicionista brasileiro. 

Gama morreu em 24 de agosto de 1882, vítima de diabetes. Seis anos antes da lei áurea.

Seu enterro foi um dos acontecimentos mais emocionantes da história da cidade, o triste evento reuniu uma multidão. O caixão foi carregado por amigos jornalistas, da maçonaria, ex-escravizados e cativos liberados pelos donos.

Na morte, Luís Gama conseguiu a proeza de reunir negros e brancos de classes sociais diferentes segurando as alças do mesmo caixão. Mais de 40 homens revezaram-se para carregar a urna que guardava o corpo de Gama. O estado de São Paulo decretou 5 dias de luto, poucas pessoas trabalharam no dia. Em respeito à morte,  o governador proibiu o açoite de negros por 10 dias.

Sobre esse grande homem, o autor Raul Pompéia escreveu:

"...não sei que grandeza admirava naquele advogado, a receber constantemente em casa um mundo de gente faminta de liberdade, uns escravos humildes, esfarrapados, implorando libertação, como quem pede esmola; outros mostrando as mãos inflamadas e sangrentas das pancadas que lhes dera um bárbaro senhor; outros... inúmeros. 

 E Luís Gama os recebia a todos com a sua aspereza afável e atraente; e a todos satisfazia, praticando as mas angélicas ações, por entre uma saraivada de grossas pilhérias de velho sargento. Toda essa clientela miserável saía satisfeita, levando este uma consolação, aquele uma promessa, outro a liberdade, alguns um conselho fortificante. 

E, por essa filosofia, empenhava-se de corpo e alma, fazia-se matar pelo bom...Pobre, muito pobre, deixava para os outros tudo o que lhe vinha das mãos de algum cliente mais abastado."

Luís Gama é um personagem incrível na história brasileira, a página agradece o apoio de todos e a oportunidade de poder mostrar um pouco da história desse grande homem.

"Eu advogo de graça, por dedicação sincera à causa dos desgraçados; não pretendo lucros, não temo violência”. (Luís Gama)

Ref Joel Paviotti

Iconografia da história

maio 12, 2021

UMA ÚNICA VELA ROMPE A ESCURIDÃO

 


Estamos vivendo momentos muito difíceis onde problemas sanitários, econômicos e políticos estão exibindo as entranhas do Brasil, ainda que a crise seja global.

As sombras vieram à tona. O que estava oculto está sendo revelado, não apenas na situação político-econômico-social, mas dentro de cada um de nós.

A forma como reagimos a esse momento revela também nossas próprias sombras, mas enquanto nos ocupamos em apontar a escuridão nos outros ou na política,  deixamos de nos transformar para nos tornarmos homens melhores, que é a razão pela qual estamos na maçonaria.

Cada um de nós traz dons e habilidades uteis à sociedade. Uns tem ótimo raciocínio e boas ideias, outros encontram soluções criativas. Alguns tem habilidades e dons para curar, outros o dom da oratória. Uns amam estar em grupo e iniciar movimentos que se expandam, outros preferem ficar no jardim cuidando de uma única sementinha.

O momento requer que cada um de nós descubra seu dom e o coloque a serviço de todos. 

Precisamos evitar a armadilha de sermos sugados por essa ilusão coletiva que diz que o nosso destino está nas mãos de outros e não de nós próprios. 

Enquanto ficamos revoltados, reclamando, atacando. alimentando essa onda que causa angústia e medo, deixamos de fazer a única coisa que poderia ser verdadeiramente revolucionária. Existir. Ser a luz que somos.  Não importa a sombra que nos rodeia, estamos aqui para manifestar nossa luz. Uma única vela acesa rompe a escuridão.

Se você for alguém influente na política, seja luz. Se você for influente na educação, seja luz na educação. Se for dono de um quiosque na praia, coloque amor ao preparar os sanduiches. Onde quer que esteja, faça o seu melhor.

Pare de desperdiçar sua energia julgando, polarizando, atacando. Isso não resolve. Apenas aprofunda essa divisão e esses conflitos que nos cegam a todos. 

Temos um poder imenso e tudo pode se transformar se formos sábios e corajosos para fazer a única coisa que nos cabe. Fazer o nosso melhor. Vibrar a luz.